
Rosh Hashaná e Yom Kipur: o Ano Novo e o Dia do Perdão
Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre Rosh Hashaná e Yom Kipur: o Ano Novo e o Dia do Perdão, para famílias, escolas e igrejas.
Ouça: Podcast Contexto
Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 4,8 MB).
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Lia: Olá, sejam bem-vindos ao Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Eu sou a Lia.
Davi: E eu sou o Davi. Oi, gente!
Lia: Hoje vamos falar de duas datas muito especiais do calendário judaico: Rosh Hashaná, o Ano-Novo judaico, e Yom Kipur, o Dia do Perdão.
Davi: Duas festas que vêm juntinhas, com só dez dias de diferença.
Lia: Exatamente. E antes de começar, vale perguntar: por que esse tema importa para quem não é judeu?
Davi: Boa pergunta. Muita gente tem um colega de escola, um vizinho ou um amigo que celebra essas datas e não sabe direito o que elas significam.
Lia: E elas tratam de algo que fala com todo mundo: olhar para trás, reconhecer erros, pedir perdão e tentar recomeçar melhor.
Davi: Pausa, reflexão e pedir perdão são valores presentes em muitas tradições. Então dá para conversar sobre isso em casa, na escola ou na igreja, com respeito.
Lia: Então vamos ao primeiro bloco. Davi, o que significa "Rosh Hashaná"?
Davi: Significa "cabeça do ano". É a data que abre o ano no calendário hebraico.
Lia: Na tradição judaica, ela também lembra o aniversário da criação do mundo e da humanidade.
Davi: E tem outro nome, que pouca gente conhece: Yom HaDin, o Dia do Julgamento.
Lia: E o Yom Kipur?
Davi: Yom Kipur é o Dia da Expiação, ou Dia do Perdão. Ele cai dez dias depois e é dedicado ao jejum, à oração e à teshuvá, a palavra hebraica para arrependimento.
Lia: Juntas, essas duas datas são os marcos centrais das chamadas Altas Festas, os Yamim Noraim, que quer dizer "Dias Temíveis".
Davi: "Temíveis" no sentido de serem dias muito sérios, de muita responsabilidade.
Lia: E os dias de 1º a 10 de Tishrei, o mês em que caem essas festas, formam os Dez Dias de Arrependimento, em hebraico Aseret Yemei Teshuvá.
Davi: Segundo o Yad Vashem, é um período para fazer um balanço moral, pedir e conceder perdão e assumir o compromisso de mudar.
Lia: Gosto muito dessa ideia de "pedir e conceder". Não basta pedir perdão. Também é preciso saber perdoar.
Davi: Tem uma oração recitada nas duas festas, a Unetaneh Tokef, que resume esse período: "Em Rosh Hashaná é escrito, e no dia do jejum de Kipur é selado".
Lia: É a ideia de ser "inscrito" e "selado" no livro da vida. Vale lembrar que essa é uma formulação da liturgia e da teologia judaicas. É uma expressão de fé, não um fato histórico.
Davi: Agora vamos para o segundo bloco: o que se faz no Rosh Hashaná?
Lia: Em Rosh Hashaná, os judeus rezam, ouvem o toque do shofar, fazem refeições festivas e refletem sobre o ano que passou.
Davi: O shofar é aquele chifre de carneiro, certo?
Lia: Isso. O toque dele chama a comunidade à reflexão e ao arrependimento.
Davi: Tem uma explicação bonita de Maimônides para esse som. Posso ler?
Lia: Por favor.
Davi: Ele escreve, no Mishneh Torah: "Acordai, ó adormecidos, de vosso sono, e vós que cochilais, despertai. Examinai vossos atos, arrependei-vos e lembrai-vos do vosso Criador".
Lia: É como um despertador da alma. O som não é só música, é um chamado.
Davi: E tem a parte mais gostosa, que é a comida!
Lia: Os alimentos simbólicos se chamam simanim, e cada um expressa um desejo para o novo ano.
Davi: O mais conhecido é a maçã mergulhada no mel, pelo desejo de um ano doce.
Lia: Tem também a romã. As muitas sementes dela simbolizam a abundância de boas ações.
Davi: E tem um que sempre surpreende: a cabeça de peixe.
Lia: Ela simboliza liderança e discernimento, pelo desejo de "ser a cabeça e não a cauda".
Davi: Lembrando que a escolha dos pratos e a forma de servir variam entre as comunidades judaicas.
Lia: E ainda tem o tashlich. Na tarde do primeiro dia, há o costume de ir à margem de um rio ou do mar. Ali se recitam orações e se "lançam" simbolicamente os pecados na água.
Davi: Um gesto bem concreto para algo que é interior: deixar ir o que não queremos mais carregar.
Lia: Vamos para o terceiro bloco, o Yom Kipur. Davi, qual é o motivo dessa data?
Davi: O motivo é a expiação, em hebraico kaparah. É o dia de pedir perdão pelas transgressões e de refazer o vínculo com Deus e com o próximo.
Lia: Segundo a Enciclopédia do Holocausto do Museu do Holocausto dos EUA, nesse dia os judeus jejuam e pedem perdão por seus pecados.
Davi: A tradição chama o Yom Kipur de Shabbat Shabbaton, o dia mais sagrado do calendário judaico.
Lia: E de onde vem essa data, segundo a tradição?
Davi: Um texto antigo, o Seder Olam Rabbah, liga a data ao dia em que Moisés desceu do Monte Sinai com o segundo par de Tábuas da Lei.
Lia: Na tradição judaica, as segundas tábuas são vistas como sinal do perdão divino.
Davi: E como os sábios antigos descreviam esse julgamento?
Lia: A Mishná usa uma imagem muito forte: "em Rosh Hashaná todas as criaturas passam diante d'Ele como ovelhas".
Davi: Como um pastor que conhece cada ovelha do rebanho, uma por uma.
Lia: E tem uma mensagem de esperança do sábio medieval Rabbi Yonah Gerondi. Os sábios ensinam que, nesses dez dias, o julgamento continua aberto e pode mudar por meio de atos de retidão e compaixão.
Davi: Ou seja, nada está definido antes da hora. Sempre dá para melhorar.
Lia: E como é o dia em si?
Davi: Tudo começa na véspera, antes do anoitecer, com o Kol Nidrei, uma declaração recitada na sinagoga.
Lia: Na tradição judaica, ela se refere a promessas religiosas feitas pela própria pessoa, os chamados votos. É uma anulação pública desses votos, conforme o Shulchan Arukh.
Davi: Depois vêm orações contínuas, que incluem a confissão das faltas, o Vidui.
Lia: Tem também o Yizkor, um serviço em memória dos mortos.
Davi: E, no fim, a Ne'ilá, a oração de encerramento, que termina com um único toque longo do shofar.
Lia: O shofar abre o período em Rosh Hashaná e também o fecha no Yom Kipur.
Davi: Tem um detalhe que eu acho lindo. O Talmud traz o ensinamento de Rav Hamnuna: mesmo sem comida nem bebida, o Yom Kipur deve ser honrado com roupas limpas.
Lia: É um dia solene, mas digno, cuidado.
Davi: E agora vem a pergunta que muita gente faz: o que é proibido no Yom Kipur?
Lia: A tradição proíbe comer e beber, inclusive água. Também proíbe trabalhar, lavar o corpo por prazer, usar cosméticos e calçar sapatos de couro, e pede também abstinência entre o casal.
Davi: E quanto tempo dura o jejum?
Lia: Cerca de vinte e cinco horas, do entardecer da véspera até o anoitecer do dia de Yom Kipur. A duração exata depende do lugar e do horário local do pôr do sol.
Davi: Parece muita coisa, mas qual é a ideia por trás dessa lista?
Lia: São formas de deixar de lado o conforto para se concentrar na oração e no arrependimento.
Davi: E é importante dizer: o jejum não se aplica da mesma forma a todos. A tradição prevê exceções religiosas e médicas.
Lia: Na escola, isso é bem claro: jejuam adultos que podem fazê-lo. Crianças pequenas, pessoas doentes e outras pessoas para quem o jejum ofereça risco não devem ser incentivadas a jejuar.
Davi: Vamos ao quarto bloco: as datas e a vida real das famílias. Por que essas festas mudam de dia todo ano?
Lia: Porque o calendário judaico é lunissolar: cada mês começa com a lua nova. Por isso as datas mudam no calendário gregoriano e, em geral, caem entre setembro e outubro.
Davi: E como todo dia judaico, a festa começa ao pôr do sol da véspera.
Lia: Em 2026 começa o ano judaico 5787. Rosh Hashaná começa na noite de 11 de setembro e ocupa os dias 12 e 13 de setembro.
Davi: E o Yom Kipur?
Lia: Começa na noite de 20 de setembro e vai até o anoitecer de 21 de setembro.
Davi: Rosh Hashaná dura dois dias, tanto em Israel quanto na diáspora. E o calendário oficial de Israel para 2026 confirma essas datas.
Lia: Uma coisa que vale lembrar, especialmente para professores, é que não existe uma única maneira de "ser judeu".
Davi: Há comunidades ortodoxas, conservadoras, reformistas, progressistas, seculares e outras. E os detalhes da prática variam de uma comunidade para outra.
Lia: Por isso, se você é professor, não peça a um aluno judeu que "represente" o judaísmo nem que exponha a prática da família.
Davi: E, na sala de aula, vale usar a fórmula "na tradição judaica...", sem apresentar a crença como verdade para todos e sem obrigar ninguém a rezar ou jejuar.
Lia: Uma boa pergunta para conversar em casa ou na escola é: pedir perdão e reparar um erro é fácil ou difícil? Por quê?
Davi: Essa pergunta rende uma conversa e tanto, para crianças e para adultos.
Lia: Então vamos às três ideias-chave de hoje.
Davi: Primeira: Rosh Hashaná, a "cabeça do ano", abre o ano judaico com oração, o toque do shofar e alimentos doces, como a maçã com mel.
Lia: Segunda: os Dez Dias de Arrependimento ligam as duas festas. Na tradição judaica, é um tempo de balanço moral, de pedir e conceder perdão, e de acreditar que sempre dá para mudar.
Davi: Terceira: o Yom Kipur é o dia mais solene do ano judaico, com cerca de vinte e cinco horas de jejum para quem pode fazê-lo, oração e arrependimento, deixando o conforto de lado para olhar para dentro.
Lia: Obrigada por estar com a gente no Contexto. Se este episódio ajudou você a entender melhor seus vizinhos, colegas e amigos judeus, compartilhe com sua família, sua escola ou sua comunidade.
Davi: E, para quem celebra, desejamos um ano doce como maçã com mel.
Lia: Mais materiais em jjo.org.br.
Davi: Até o próximo episódio!
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Guia de estudo
Objetivos de aprendizagem
Ao final do estudo, o participante deve ser capaz de:
- Explicar o que são Rosh Hashaná e Yom Kipur e por que formam o centro das Altas Festas (Yamim Noraim).
- Situar as duas datas no mês de Tishrei e entender por que elas mudam no calendário gregoriano.
- Descrever os principais costumes: shofar, simanim (alimentos simbólicos), tashlich, jejum, Kol Nidrei, Yizkor e Ne'ilá.
- Reconhecer as fontes da tradição que explicam o sentido das datas: Mishná, Talmud, Maimônides e Seder Olam Rabbah.
- Distinguir entre o que a tradição judaica ensina, como expressão de fé, e o que é fato histórico.
- Perceber que as comunidades judaicas praticam essas festas de formas diferentes.
Conceitos-chave
Rosh Hashaná: a “cabeça do ano”
- É o ano-novo judaico, celebrado em 1º e 2 de Tishrei, em Israel e na diáspora.
- Na tradição judaica, a data lembra o aniversário da criação do mundo e da humanidade.
- Também é chamada de Yom HaDin, o Dia do Julgamento.
- Os principais costumes são:
- oração e introspecção;
- o toque do shofar (chifre de carneiro);
- refeições com alimentos simbólicos;
- o tashlich.
Yom Kipur: o Dia do Perdão
- Cai em 10 de Tishrei.
- Segundo o Yad Vashem, é o dia mais solene do ano judaico.
- A tradição o chama de Shabbat Shabbaton.
- O motivo do dia é a expiação (kaparah): pedir perdão pelas transgressões e refazer o vínculo com Deus e com o próximo.
- O dia é marcado por um jejum de cerca de 25 horas, oração e arrependimento (teshuvá).
Os Dez Dias de Arrependimento (Aseret Yemei Teshuvá)
- Vão de 1º a 10 de Tishrei.
- Segundo o Yad Vashem, são um período para:
- fazer um balanço moral;
- pedir e conceder perdão;
- assumir o compromisso de mudar.
- A oração Unetaneh Tokef resume esse período: “Em Rosh Hashaná é escrito, e no dia do jejum de Kipur é selado”.
- A ideia de ser “inscrito” e “selado” no livro da vida é uma formulação da liturgia e da teologia judaicas. É uma expressão de fé, não um fato histórico.
- Durante esses dias, a oração diária central (Amidá) muda. Ela passa a terminar com as expressões “O Rei Santo” e “O Rei da Justiça”.
O shofar
Maimônides, no Mishneh Torah (Hilchot Teshuvá 3:4), explica o sentido do toque: “Acordai, ó adormecidos, de vosso sono, e vós que cochilais, despertai. Examinai vossos atos, arrependei-vos e lembrai-vos do vosso Criador”.
Os simanim (alimentos simbólicos)
- Maçã com mel: desejo de um ano doce.
- Romã: suas muitas sementes simbolizam a abundância de boas ações.
- Cabeça de peixe: liderança e discernimento, pelo desejo de “ser a cabeça e não a cauda”.
A escolha dos pratos e a forma de servi-los variam entre as comunidades.
O que as fontes antigas dizem
- Mishná, Rosh Hashaná 1:1: “Em quatro momentos o mundo é julgado [...] em Rosh Hashaná todas as criaturas passam diante d'Ele como ovelhas”.
- Talmud Babilônico, Rosh Hashaná 16a: registra a visão rabínica de que todos são julgados em Rosh Hashaná e de que a sentença é selada dez dias depois, em Yom Kipur.
- Seder Olam Rabbah 6: liga Yom Kipur ao dia em que Moisés desceu do Monte Sinai com o segundo par de Tábuas da Lei. As tábuas confirmavam o perdão divino.
- Mishná, Yoma 1:1: descreve o ritual no antigo Templo de Jerusalém. Sete dias antes de Yom Kipur, o Sumo Sacerdote (Kohen Gadol) se isolava para se purificar. Depois, conduzia o serviço de expiação.
- Rabbi Yonah Gerondi (Sha'arei Teshuvá 2:14): ensina que o julgamento continua aberto durante os Dez Dias e pode mudar por meio de atos de retidão e compaixão.
A sequência do Yom Kipur
- Kol Nidrei: abre os serviços na véspera, antes do anoitecer. É a anulação pública de votos, conforme o Shulchan Arukh (Orach Chayim 619:1).
- Orações contínuas: incluem a confissão das faltas (Vidui).
- Yizkor: serviço em memória dos mortos.
- Ne'ilá: a oração de encerramento. Termina com um único toque longo do shofar.
O que a tradição proíbe no Yom Kipur
- Comer e beber, inclusive água, durante cerca de 25 horas.
- Trabalhar: o descanso é total.
- Lavar o corpo por prazer.
- Usar cosméticos.
- Calçar sapatos de couro.
- Ter relações conjugais.
O jejum vai do entardecer da véspera até o anoitecer do dia. A duração exata depende do lugar e do horário local do pôr do sol. A tradição prevê exceções religiosas e médicas.
O Talmud Babilônico (Shabbat 119a) traz o ensinamento de Rav Hamnuna: mesmo sem comida nem bebida, Yom Kipur deve ser honrado com roupas limpas.
Linha do tempo: o mês de Tishrei e as datas de 2026
O calendário judaico é lunissolar: cada mês começa com a lua nova. Por isso as festas mudam de data no calendário gregoriano e, em geral, caem entre setembro e outubro. Como todo dia judaico, cada festa começa ao pôr do sol da véspera.
| Data judaica | Celebração | Em 2026 | Começa |
|---|---|---|---|
| 1º de Tishrei | Rosh Hashaná, 1º dia (início do ano 5787 e dos Dez Dias de Arrependimento) | 12 de setembro | ao pôr do sol de 11 de setembro |
| 2 de Tishrei | Rosh Hashaná, 2º dia | 13 de setembro | ao pôr do sol de 12 de setembro |
| 1º a 10 de Tishrei | Aseret Yemei Teshuvá (Dez Dias de Arrependimento) | 12 a 21 de setembro | — |
| 10 de Tishrei | Yom Kipur | 21 de setembro | ao pôr do sol de 20 de setembro |
O calendário oficial de Israel para 2026 marca 11 de setembro como véspera de Rosh Hashaná e 21 de setembro como Yom Kipur.
Orientações para escolas, famílias e igrejas
- Use a fórmula “na tradição judaica...” ao apresentar crenças. Assim, a crença não é apresentada como verdade para todos.
- Jejum: crianças pequenas, pessoas doentes e outras pessoas para quem o jejum ofereça risco não devem ser incentivadas a jejuar. Diga apenas que, no Yom Kipur, jejuam os adultos que podem fazê-lo.
- Atividades sem adesão religiosa: ninguém deve ser levado a rezar, jejuar ou aderir a uma crença.
- Alunos judeus: não peça a um aluno judeu que “represente” o judaísmo nem que exponha a prática da família.
- Diversidade: lembre que há famílias judaicas religiosas, seculares e inter-religiosas, e que os detalhes da prática variam de uma comunidade para outra.
5 perguntas para discussão
- Por que você acha que o ano judaico começa com um tempo de reflexão e não só com festa?
- Pedir perdão e reparar um erro, como no Yom Kipur, é fácil ou difícil? Por quê? Qual dos dois é mais difícil: pedir perdão ou conceder perdão?
- Maimônides compara o toque do shofar a um despertar. O que significa “acordar” para os próprios atos?
- Rabbi Yonah Gerondi ensina que o julgamento pode mudar por atos de retidão e compaixão. Que mensagem essa ideia traz sobre a capacidade humana de mudar?
- Qual é a diferença entre dizer “a tradição judaica ensina que...” e “a pesquisa histórica demonstra que...”? Por que essa distinção é importante quando estudamos uma religião?
Glossário curto
- Rosh Hashaná: “cabeça do ano”; o ano-novo judaico (1º e 2 de Tishrei).
- Yom Kipur: Dia da Expiação ou Dia do Perdão (10 de Tishrei).
- Tishrei: mês do calendário hebraico em que caem as duas festas.
- Yamim Noraim: “Dias Temíveis”, as Altas Festas.
- Yom HaDin: Dia do Julgamento, outro nome de Rosh Hashaná.
- Shabbat Shabbaton: nome tradicional do Yom Kipur.
- Teshuvá: arrependimento.
- Kaparah: expiação.
- Shofar: chifre de carneiro tocado nas festas.
- Simanim: alimentos simbólicos de Rosh Hashaná.
- Tashlich: orações à margem de um rio ou do mar, em que se “lançam” simbolicamente os pecados na água.
- Unetaneh Tokef: oração recitada nas duas festas.
- Amidá: oração diária central.
- Kol Nidrei: abertura do Yom Kipur; anulação pública de votos.
- Vidui: confissão das faltas.
- Yizkor: serviço em memória dos mortos.
- Ne'ilá: oração de encerramento do Yom Kipur.
- Kohen Gadol: Sumo Sacerdote do antigo Templo de Jerusalém.
Quiz: teste o que aprendeu
Rosh Hashaná significa “cabeça do ano” e abre o ano no calendário hebraico. Ela é celebrada em 1º e 2 de Tishrei.
Yom Kipur cai em 10 de Tishrei, dez dias depois do início de Rosh Hashaná. Ele encerra os Dez Dias de Arrependimento.
O jejum dura cerca de 25 horas, do entardecer da véspera até o anoitecer do dia. A duração exata depende do horário local do pôr do sol, e há exceções religiosas e médicas.
A Ne'ilá é a oração de encerramento do Yom Kipur e termina com um único toque longo do shofar. O Kol Nidrei, ao contrário, abre os serviços na véspera.
Na tarde do primeiro dia de Rosh Hashaná, há o costume de ir à margem de um rio ou do mar. Ali se recitam orações e se “lançam” simbolicamente os pecados na água.
As muitas sementes da romã simbolizam a abundância de boas ações. A maçã com mel expressa o desejo de um ano doce, e a cabeça de peixe simboliza liderança e discernimento.
Como todo dia judaico, a festa começa ao pôr do sol da véspera. Em 2026, Rosh Hashaná começa ao pôr do sol de 11 de setembro, ocupa os dias 12 e 13 de setembro e abre o ano judaico 5787.
O Kol Nidrei abre os serviços na véspera do Yom Kipur, antes do anoitecer. É a anulação pública de votos, conforme o Shulchan Arukh (Orach Chayim 619:1).
O Seder Olam Rabbah 6 liga Yom Kipur ao dia em que Moisés desceu do Sinai com o segundo par de Tábuas da Lei. As tábuas confirmavam o perdão divino. É a criação do mundo que a tradição associa a Rosh Hashaná.
Usar roupas limpas não é proibido. Ao contrário: segundo o ensinamento de Rav Hamnuna (Talmud Babilônico, Shabbat 119a), Yom Kipur deve ser honrado com roupas limpas, mesmo sem comida nem bebida.
Cartões de estudo
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