
As datas de memória: 21 de janeiro, 27 de janeiro, Yom Ha'atzmaut e 29 de novembro
Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre as datas de memória: 21 de janeiro, 27 de janeiro, Yom Ha'atzmaut e 29 de novembro, para escolas, igrejas e comunidades.
Ouça: Podcast Contexto
Uma conversa de 10 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (10 min, 4,7 MB).
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Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Hoje vamos falar de quatro datas de memória que cabem no calendário de qualquer escola, igreja ou comunidade.
Davi: E eu sou o Davi. Lia, quais são essas quatro datas?
Lia: O 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O 27 de janeiro, dia internacional de memória das vítimas do Holocausto. O 29 de novembro, dia da votação da ONU sobre a partilha. E o Yom Ha'atzmaut, o aniversário de Israel.
Davi: Parece uma mistura grande. O que liga tudo isso?
Lia: Uma ideia simples: ninguém deve ter medo por causa da própria fé ou da própria identidade. E lembrar, com fatos precisos, é uma forma de proteger as pessoas.
Davi: Então vamos pela ordem do calendário. Começando por janeiro.
Lia: No Brasil, o 21 de janeiro foi criado pela Lei nº 11.635.
Davi: De que ano é essa lei?
Lia: É de 27 de dezembro de 2007. E a data homenageia uma mulher: Mãe Gilda.
Davi: Quem foi ela?
Lia: Gildásia dos Santos e Santos, ialorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia. Ela sofreu ataques por causa da sua religião de matriz africana e morreu em 21 de janeiro de 2000.
Davi: Os ataques causaram a morte dela?
Lia: Aqui vale um cuidado de precisão. As fontes oficiais citam problemas de saúde, inclusive um infarto. Os ataques aparecem como parte do contexto que precedeu ou agravou o adoecimento e a morte dela. É assim que a história deve ser contada.
Davi: E o que a lei brasileira garante, na prática?
Lia: A base é a Constituição. O artigo quinto, inciso seis, garante a liberdade de crença e protege os cultos e os locais de culto.
Davi: E tem mais algum artigo importante?
Lia: Tem. O inciso oito do mesmo artigo diz que ninguém perde direitos por causa da fé. E o artigo dezenove proíbe o poder público de estabelecer, subvencionar ou embaraçar cultos.
Davi: Ou seja, Estado laico não é Estado contra a religião.
Lia: Exatamente. Laicidade é neutralidade. O Estado não escolhe uma fé e protege todas, inclusive quem não tem religião.
Davi: E onde entra o antissemitismo nessa data?
Lia: O antissemitismo é preconceito e discriminação contra judeus, e também é intolerância religiosa. Ele aparece em ameaças, em vandalismo contra sinagogas e cemitérios, em teorias conspiratórias, na negação do Holocausto.
Davi: E também quando se cobra de um judeu brasileiro, na escola ou na rua, a responsabilidade por decisões de um governo.
Lia: Isso mesmo. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Criticar uma política de governo, como se critica a de qualquer país, não é antissemitismo em si.
Davi: Lembrar o antissemitismo no dia 21 compete com a memória de Mãe Gilda?
Lia: Não. As duas coisas se somam. O mesmo princípio que protege uma sinagoga protege um terreiro, uma igreja e uma mesquita.
Davi: Seis dias depois vem o 27 de janeiro. Por que essa data?
Lia: Porque em 27 de janeiro de 1945 o Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau.
Davi: Que era um campo criado pela Alemanha nazista na Polônia ocupada.
Lia: Sim. Pela escala e pelo número de vítimas, ele virou o maior símbolo da Shoá, o genocídio dos judeus da Europa.
Davi: E quando a data virou internacional?
Lia: Em 1º de novembro de 2005, quando a Assembleia Geral da ONU adotou a Resolução 60/7.
Davi: De quem foi a proposta?
Lia: A proposta partiu de Israel, e o Brasil foi um dos copatrocinadores. A resolução foi aprovada sem votação e rejeitou a negação do Holocausto como fato histórico.
Davi: Lia, o que a gente precisa dizer, sem rodeios, sobre o Holocausto?
Lia: Que foi real e foi planejado por um Estado. O Protocolo de Wannsee, de 1942, mostra como a burocracia nazista organizou o extermínio. Seis milhões de judeus foram assassinados.
Davi: E outros grupos também foram perseguidos.
Lia: Pessoas Roma e Sinti, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos e pessoas perseguidas pela orientação sexual. Mas os judeus europeus foram o alvo central do projeto nazista.
Davi: E no Brasil, o 27 de janeiro é feriado?
Lia: Não. Mas o país participa da data, e todos os anos o Itamaraty publica homenagens às vítimas e aos sobreviventes.
Davi: Que cuidado não pode faltar numa atividade sobre o tema?
Lia: Dar rosto às vítimas. Um aluno pode pesquisar a vida de uma pessoa nos bancos de dados do Yad Vashem ou do Museu do Holocausto dos Estados Unidos. E nunca tratar o negacionismo como "outro lado". A existência e a escala do Holocausto não estão em debate.
Davi: Agora vamos para novembro, mas voltando no tempo, para 1947.
Lia: Sim, porque historicamente o 29 de novembro vem antes da independência. Nesse dia, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181.
Davi: O que ela recomendava?
Lia: O fim do Mandato Britânico, um Estado judeu, um Estado árabe e um regime internacional para Jerusalém. E uma união econômica entre os dois Estados.
Davi: E o placar?
Lia: Foram 33 votos a favor e 13 contra.
Davi: E quem não votou nem sim nem não?
Lia: Houve 10 abstenções e uma ausência, a de Sião, atual Tailândia.
Davi: A aprovação exigia dois terços, não é?
Lia: Exigia. E quem garantiu os dois terços foram os 33 votos a favor diante dos 13 contrários. É uma boa conta para fazer em sala de aula.
Davi: E onde entra o Brasil nessa história?
Lia: O brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão, e o Brasil votou a favor. Ele tinha sido eleito presidente da Sessão Especial em abril de 1947.
Davi: Com quantos votos?
Lia: Com 45 dos 50 votos.
Davi: Teve até um adiamento dramático, certo?
Lia: Teve. Em 26 de novembro ainda faltavam votos para os dois terços, e Aranha encerrou a sessão. Com o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, os trabalhos só voltaram no dia 29.
Davi: Então dá para dizer que Aranha criou Israel?
Lia: Não. Ele presidiu e conduziu os trabalhos com habilidade, mas a aprovação dependeu dos votos de muitos países. O martelo que ele usou está no museu do Kibutz Bror Chail, o kibutz dos brasileiros, no sul de Israel.
Davi: E há uma praça com o nome dele em Jerusalém.
Lia: E ruas em Tel Aviv, Ramat Gan e Beersheba.
Davi: Lia, qual é o ponto essencial para entender o que veio depois?
Lia: O plano previa dois Estados. A liderança judaica tinha críticas, mas aceitou. Os Estados árabes e o Comitê Superior Árabe rejeitaram o plano por inteiro.
Davi: E o que aconteceu em seguida?
Lia: A partir de 30 de novembro, a recusa virou greves e confrontos armados. Quem recusou o plano recusou também o Estado árabe que ele criava. Dizer isso é relatar um fato histórico. Não é atacar árabes, palestinos ou muçulmanos.
Davi: E isso nos leva ao Yom Ha'atzmaut.
Lia: Israel declarou sua independência em 14 de maio de 1948. No calendário hebraico, era 5 de Iyar.
Davi: Por isso a data muda a cada ano.
Lia: Isso. Ela cai sempre entre abril e maio. Às quatro da tarde, no Museu de Tel Aviv, David Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel.
Davi: Quem assinou?
Lia: Os 37 membros do Conselho do Povo. Havia socialistas, religiosos, revisionistas, comunistas, homens e mulheres.
Davi: E quanto tempo durou a cerimônia?
Lia: Durou 32 minutos e foi transmitida pela rádio Kol Israel.
Davi: E o reconhecimento internacional?
Lia: Onze minutos depois, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, reconheceu de facto o novo Estado.
Davi: O que a Declaração prometia?
Lia: Ela fala do direito natural e histórico do povo judeu e da sua ligação com a terra onde foi escrita a Bíblia. E prometeu "completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus habitantes, sem distinção de religião, raça ou sexo".
Davi: E estendeu a mão em paz aos vizinhos.
Lia: E convidou os habitantes árabes do país a participar da construção do Estado, com plena cidadania. Críticos chamam 1948 de "projeto colonial", mas essa acusação ignora o vínculo histórico do povo judeu com a terra. Ignora também que o Estado foi proclamado por representantes da comunidade local, com aval da ONU.
Davi: E tem uma tradição bonita na véspera.
Lia: O Yom HaZikaron, que lembra os soldados mortos e as vítimas do terrorismo. Quando a sirene toca, o país para em silêncio. Ao pôr do sol, começa a festa. Da memória à alegria.
Davi: Lia, vamos às três ideias-chave?
Lia: Primeira: a liberdade de crença vale para todos. O 21 de janeiro lembra Mãe Gilda, e o antissemitismo também é intolerância religiosa.
Davi: Segunda: o Holocausto foi real, planejado e documentado. Lembrar com nomes, documentos e testemunhos é proteger a verdade.
Lia: Terceira: em 1947, um lado aceitou dois Estados e o outro recusou. Em 1948, Israel nasceu prometendo igualdade e paz. Negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
Davi: Obrigado por nos ouvir. Use essas datas na sua escola, na sua igreja, na sua comunidade.
Lia: Mais materiais em jjo.org.br.
Apresentação pronta para usar
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Guia de estudo
Guia de estudo da JJO (Juventude Judaica Organizada) para escolas, igrejas e comunidades
Objetivos
- Conhecer a origem e o sentido de quatro datas: o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro), o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto (27 de janeiro), a votação da partilha na ONU (29 de novembro de 1947) e o Yom Ha'atzmaut, o Dia da Independência de Israel.
- Entender como essas datas se ligam: a liberdade de crença, a memória da Shoá, o reconhecimento internacional do direito do povo judeu a um Estado e o nascimento de Israel.
- Reconhecer o antissemitismo como forma de intolerância religiosa e aprender a diferenciá-lo da crítica legítima a um governo.
- Valorizar o papel do Brasil e do diplomata Oswaldo Aranha nessa história.
- Praticar a memória com rigor histórico, sem ódio a nenhum povo ou religião.
Conceitos-chave
1. 21 de janeiro: liberdade de crença para todos
- A data foi criada pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007.
- Ela homenageia Mãe Gilda (Gildásia dos Santos e Santos), ialorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia. Mãe Gilda sofreu ataques por causa de sua religião de matriz africana e morreu em 21 de janeiro de 2000. As fontes oficiais apontam os ataques como parte do contexto que precedeu ou agravou seu adoecimento e sua morte.
- A Constituição garante a liberdade de crença e protege os cultos e os locais de culto (art. 5º, VI). Ninguém perde direitos por motivo de crença (art. 5º, VIII). O poder público não pode estabelecer, subvencionar nem embaraçar cultos (art. 19, I).
- Estado laico não é Estado contra a religião. Laicidade é neutralidade: o Estado não escolhe uma fé e protege igualmente todas as crenças e também quem não crê.
- O antissemitismo é intolerância religiosa. Lembrá-lo não compete com a memória de Mãe Gilda: as duas coisas se somam.
- Nenhuma religião é intolerante em si. Intolerância é atitude de pessoas, não característica de uma fé ou de um povo.
2. 27 de janeiro: a memória do Holocausto
- Em 27 de janeiro de 1945, o Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau, criado pela Alemanha nazista na Polônia ocupada.
- A ONU instituiu a data pela Resolução 60/7, de 1º de novembro de 2005. A proposta partiu de Israel e teve o copatrocínio do Brasil. A resolução foi aprovada sem votação e rejeitou a negação do Holocausto.
- Seis milhões de judeus foram assassinados. Os judeus europeus foram o alvo central do projeto nazista. O regime também perseguiu pessoas Roma e Sinti, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos e pessoas perseguidas pela orientação sexual.
- O genocídio teve método. O Protocolo de Wannsee, de 1942, mostra como a burocracia nazista organizou o extermínio.
- O Holocausto foi real e foi planejado por um Estado. A negação não é um outro lado: a existência, a escala e o caráter sistemático do Holocausto não estão em debate.
- Usar a analogia com o Holocausto como arma para acusar Israel ou os judeus banaliza a Shoá.
3. 29 de novembro de 1947: a partilha e Oswaldo Aranha
- A Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181 (II) por 33 votos a 13, com 10 abstenções e 1 ausente (Sião, atual Tailândia).
- O Plano de Partilha com União Econômica recomendava o fim do Mandato Britânico, um Estado judeu e um Estado árabe, um regime internacional para Jerusalém (corpus separatum) e uma união econômica entre os dois Estados.
- Nessa data, a comunidade internacional reconheceu na ONU o direito do povo judeu a um Estado próprio.
- O brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão, e o Brasil votou a favor. Aranha não criou Israel: a aprovação veio dos votos de muitos países.
- A liderança judaica aceitou o plano, mesmo com críticas às fronteiras e ao regime para Jerusalém. A liderança árabe recusou o plano por inteiro e, a partir de 30 de novembro de 1947, a recusa se traduziu em greves e confrontos armados.
- Quem recusou o plano recusou também o Estado árabe que ele criava. Esse Estado não foi criado.
4. Yom Ha'atzmaut: o aniversário de Israel
- Em 14 de maio de 1948 (5 de Iyar de 5708), às 16h, no Museu de Tel Aviv, David Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel.
- Os 37 membros do Conselho do Povo assinaram o pergaminho. Entre eles havia socialistas, religiosos, revisionistas, comunistas, homens e mulheres. A cerimônia durou 32 minutos. Onze minutos depois, Harry S. Truman reconheceu de facto o novo Estado.
- A Declaração apresenta como bases o direito natural e histórico do povo judeu, a construção feita pelo Yishuv e pelo movimento sionista, a urgência depois do Holocausto e o respaldo da Resolução 181.
- A Declaração prometeu igualdade de direitos a todos os habitantes, sem distinção de religião, raça ou sexo. Estendeu a mão em paz aos Estados árabes vizinhos e convidou os habitantes árabes a participar da construção do Estado, com plena cidadania.
- Na véspera, o Yom HaZikaron lembra os soldados mortos, os agentes de segurança mortos em serviço e os civis mortos em atentados terroristas. O país passa do luto à celebração.
- Há quem descreva 1948 como colonialismo. Essa acusação ignora o vínculo histórico do povo judeu com a terra. Ignora também que o Estado foi proclamado por representantes da comunidade local, com aval da ONU.
5. O critério da JJO sobre antissemitismo
- A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
- Criticar uma política de governo, como se critica a de qualquer outro país, não é antissemitismo em si.
- A crítica se torna antissemita quando usa estereótipos contra judeus, quando nega aos judeus direitos dados a outros povos ou quando cobra de um judeu brasileiro a responsabilidade por decisões de um governo.
- A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Linha do tempo
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 1939 | Livro Branco britânico restringe a imigração judaica (revogado em 14/5/1948) |
| 1942 | Protocolo de Wannsee |
| 27/1/1945 | O Exército soviético liberta Auschwitz-Birkenau |
| 14/2/1947 | O Reino Unido, pelo secretário Ernest Bevin, anuncia que entregará a questão à ONU |
| 28/4/1947 | Oswaldo Aranha é eleito presidente da Sessão Especial da Assembleia Geral, com 45 dos 50 votos |
| Ago. 1947 | A maioria dos membros do UNSCOP recomenda a partilha |
| 26/11/1947 | Faltam votos para os dois terços exigidos, e a sessão é encerrada |
| 29/11/1947 | A Resolução 181 é aprovada na 128ª Reunião Plenária: 33 a 13, com 10 abstenções |
| 30/11/1947 | A rejeição árabe se transforma em greves e confrontos armados |
| 1948 | Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio e Declaração Universal dos Direitos Humanos |
| 12/5/1948 | A Administração do Povo (Minhelet HaAm) decide, por 6 votos a 4, proclamar a independência |
| 14/5/1948 | Ben-Gurion lê a Declaração em Tel Aviv, e Truman reconhece de facto o Estado de Israel |
| 21/1/2000 | Morte de Mãe Gilda, na Bahia |
| 1/11/2005 | A ONU adota a Resolução 60/7 e institui o 27 de janeiro |
| 2007 | A Resolução 61/255 da ONU condena toda negação do Holocausto |
| 27/12/2007 | A Lei nº 11.635 institui o 21 de janeiro |
| 2018 | A Lei Fundamental Israel – o Estado-Nação do Povo Judeu reafirma o Dia da Independência como feriado nacional |
| 2022 | A Resolução 76/250 da ONU trata da negação e da distorção do Holocausto |
5 perguntas para discussão
- Por que lembrar o antissemitismo no 21 de janeiro soma forças com a memória de Mãe Gilda, em vez de competir com ela?
- O Holocausto não começou nas câmaras de gás. Começou com palavras, com mentiras sobre os judeus, com leis que tiraram direitos e com o silêncio de muitos. Que sinais de alerta dessa lista podemos reconhecer hoje?
- Em 1947, o plano da ONU previa dois Estados. Quem aceitou e quem recusou? Como esse fato ajuda a explicar o que veio depois?
- Qual é o papel de quem preside uma assembleia? Por que é errado dizer que Oswaldo Aranha criou Israel, e por que, mesmo assim, ele é homenageado em Israel?
- Por que, em Israel, o Yom HaZikaron vem logo antes do Yom Ha'atzmaut? Que significado tem passar do luto à celebração?
Glossário curto
- Antissemitismo: preconceito e discriminação contra judeus. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
- Corpus separatum: regime internacional especial para Jerusalém, sob administração da ONU, previsto pela Resolução 181.
- Eretz Israel: a Terra de Israel, nome usado pelos judeus para o território antes de 1948.
- Estado laico: Estado que não escolhe uma fé e protege igualmente todas as crenças e quem não crê.
- Ialorixá: sacerdotisa de um terreiro de religião de matriz africana, como Mãe Gilda.
- IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto.
- Justos entre as Nações: pessoas não judias que arriscaram a vida para salvar judeus durante o Holocausto.
- Shoá: o genocídio dos judeus da Europa pelo nazismo.
- UNSCOP: comissão especial da ONU que, em agosto de 1947, recomendou a partilha por maioria.
- Yishuv: a comunidade judaica que vivia no território antes de 1948.
- Yom HaZikaron: dia de memória dos soldados mortos e das vítimas do terrorismo, na véspera da independência.
- Yom Ha'atzmaut: Dia da Independência de Israel, em 5 de Iyar.
- Yahrzeit: vela acesa em memória dos mortos.
Para fechar
Essas quatro datas contam uma história coerente. A liberdade de crença vale para todos, inclusive para os judeus. O Holocausto foi real, planejado por um Estado, e sua negação não é um outro lado. Em 29 de novembro de 1947, a ONU reconheceu o direito do povo judeu a um Estado próprio. A liderança judaica aceitou dois Estados, e a liderança árabe os recusou. Em 14 de maio de 1948, Israel nasceu prometendo igualdade de direitos e paz com os vizinhos. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Lembrar é um compromisso.
Quiz: teste o que aprendeu
A Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, criou a data, que homenageia Mãe Gilda, ialorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia.
Laicidade é neutralidade. O art. 19, I, da Constituição proíbe o poder público de estabelecer, subvencionar ou embaraçar cultos.
Negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Criticar uma política de governo, como se critica a de qualquer outro país, não é antissemitismo em si.
O Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau, que se tornou o maior símbolo da Shoá. Por isso a ONU escolheu essa data.
A proposta partiu de Israel e teve copatrocínio de outros países, entre eles o Brasil. A resolução foi aprovada sem votação, em 1º de novembro de 2005.
O Protocolo de Wannsee mostra a engrenagem estatal do genocídio, em que seis milhões de judeus foram assassinados.
Foram 33 votos a favor, 13 contra, 10 abstenções e 1 ausente (Sião, atual Tailândia). Os Estados Unidos, a União Soviética e o Brasil votaram a favor.
Aranha presidiu a sessão, mas a aprovação resultou dos votos de muitos países. Ele é homenageado com uma praça em Jerusalém e com ruas em Tel Aviv, Ramat Gan e Beersheba.
A Agência Judaica aceitou o plano, mesmo com críticas. A liderança árabe o recusou por inteiro, e a partir de 30 de novembro de 1947 vieram greves e confrontos armados. O Estado árabe previsto não foi criado.
Ben-Gurion leu a Declaração às 16h, no Museu de Tel Aviv, e os 37 membros do Conselho do Povo a assinaram. Onze minutos depois, Truman reconheceu de facto o novo Estado.
Cartões de estudo
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Assista
Aula de um educador uruguaio, neto de sobreviventes, que apresenta a vida judaica na Europa antes da Shoá, as raízes do antissemitismo (incluindo os Protocolos dos Sábios de Sião), a propaganda nazista, as Leis de Nuremberg, a Noite dos Cristais e a Solução Final, com o testemunho de um guarda da SS e menção à resistência e aos justos.
Adolescentes e adultosPainel do 1º Seminário da CONIB sobre discurso de ódio e banalização do Holocausto, com saudação do embaixador de Israel, filho de sobreviventes, e reflexão do filósofo Denis Rosenfield sobre Auschwitz, o mal e Carl Schmitt. O debate trata ainda do papel da mídia, das redes sociais, do caso Monark e da educação sobre o Holocausto.
EducadoresGravado no Yad Vashem, em Jerusalém, o vídeo conta a história de Luiz Martins de Souza Dantas, embaixador brasileiro em Vichy que desafiou a proibição de Getúlio Vargas e emitiu vistos que salvaram centenas de perseguidos pelo nazismo, entre eles centenas de judeus. Ele foi reconhecido como Justo entre as Nações em 2003. O vídeo também apresenta o Jardim dos Justos e o Memorial das Crianças.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 3 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
O Yad Vashem conta a história de Irena Sendler, assistente social católica polonesa que, com a rede clandestina Żegota, resgatou centenas de crianças judias do Gueto de Varsóvia e foi reconhecida como Justa entre as Nações.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Produção do Yad Vashem que conta a história de Leopold Socha, funcionário da rede de esgotos de Lwów que escondeu 21 judeus nos canais subterrâneos durante 13 meses, salvando dez deles, e foi reconhecido com a esposa Magdalena como Justo entre as Nações. O vídeo contextualiza a perseguição nazista, o gueto e as deportações para Bełżec e Janowska.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
O Yad Vashem apresenta o Álbum de Auschwitz, único registro visual do processo de extermínio em Auschwitz-Birkenau, que acompanha a chegada de um transporte de judeus húngaros em maio de 1944, com testemunhos de Elie Wiesel e Primo Levi.
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