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Reuven Eyal durante a sirene nacional do Yom HaShoá, abril de 2022
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Estúdio JJO · podcast e aula pronta

As datas de memória: 21 de janeiro, 27 de janeiro, Yom Ha'atzmaut e 29 de novembro

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre as datas de memória: 21 de janeiro, 27 de janeiro, Yom Ha'atzmaut e 29 de novembro, para escolas, igrejas e comunidades.

Para: escolas, igrejas e comunidadesPodcast: 10 minSlides: 16
Foto: Reuven Eyal durante a sirene nacional do Yom HaShoá, abril de 2022. IDF Spokesperson's Unit photographer · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 10 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (10 min, 4,7 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Hoje vamos falar de quatro datas de memória que cabem no calendário de qualquer escola, igreja ou comunidade.

Davi: E eu sou o Davi. Lia, quais são essas quatro datas?

Lia: O 21 de janeiro, Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa. O 27 de janeiro, dia internacional de memória das vítimas do Holocausto. O 29 de novembro, dia da votação da ONU sobre a partilha. E o Yom Ha'atzmaut, o aniversário de Israel.

Davi: Parece uma mistura grande. O que liga tudo isso?

Lia: Uma ideia simples: ninguém deve ter medo por causa da própria fé ou da própria identidade. E lembrar, com fatos precisos, é uma forma de proteger as pessoas.

Davi: Então vamos pela ordem do calendário. Começando por janeiro.

Lia: No Brasil, o 21 de janeiro foi criado pela Lei nº 11.635.

Davi: De que ano é essa lei?

Lia: É de 27 de dezembro de 2007. E a data homenageia uma mulher: Mãe Gilda.

Davi: Quem foi ela?

Lia: Gildásia dos Santos e Santos, ialorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia. Ela sofreu ataques por causa da sua religião de matriz africana e morreu em 21 de janeiro de 2000.

Davi: Os ataques causaram a morte dela?

Lia: Aqui vale um cuidado de precisão. As fontes oficiais citam problemas de saúde, inclusive um infarto. Os ataques aparecem como parte do contexto que precedeu ou agravou o adoecimento e a morte dela. É assim que a história deve ser contada.

Davi: E o que a lei brasileira garante, na prática?

Lia: A base é a Constituição. O artigo quinto, inciso seis, garante a liberdade de crença e protege os cultos e os locais de culto.

Davi: E tem mais algum artigo importante?

Lia: Tem. O inciso oito do mesmo artigo diz que ninguém perde direitos por causa da fé. E o artigo dezenove proíbe o poder público de estabelecer, subvencionar ou embaraçar cultos.

Davi: Ou seja, Estado laico não é Estado contra a religião.

Lia: Exatamente. Laicidade é neutralidade. O Estado não escolhe uma fé e protege todas, inclusive quem não tem religião.

Davi: E onde entra o antissemitismo nessa data?

Lia: O antissemitismo é preconceito e discriminação contra judeus, e também é intolerância religiosa. Ele aparece em ameaças, em vandalismo contra sinagogas e cemitérios, em teorias conspiratórias, na negação do Holocausto.

Davi: E também quando se cobra de um judeu brasileiro, na escola ou na rua, a responsabilidade por decisões de um governo.

Lia: Isso mesmo. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Criticar uma política de governo, como se critica a de qualquer país, não é antissemitismo em si.

Davi: Lembrar o antissemitismo no dia 21 compete com a memória de Mãe Gilda?

Lia: Não. As duas coisas se somam. O mesmo princípio que protege uma sinagoga protege um terreiro, uma igreja e uma mesquita.

Davi: Seis dias depois vem o 27 de janeiro. Por que essa data?

Lia: Porque em 27 de janeiro de 1945 o Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau.

Davi: Que era um campo criado pela Alemanha nazista na Polônia ocupada.

Lia: Sim. Pela escala e pelo número de vítimas, ele virou o maior símbolo da Shoá, o genocídio dos judeus da Europa.

Davi: E quando a data virou internacional?

Lia: Em 1º de novembro de 2005, quando a Assembleia Geral da ONU adotou a Resolução 60/7.

Davi: De quem foi a proposta?

Lia: A proposta partiu de Israel, e o Brasil foi um dos copatrocinadores. A resolução foi aprovada sem votação e rejeitou a negação do Holocausto como fato histórico.

Davi: Lia, o que a gente precisa dizer, sem rodeios, sobre o Holocausto?

Lia: Que foi real e foi planejado por um Estado. O Protocolo de Wannsee, de 1942, mostra como a burocracia nazista organizou o extermínio. Seis milhões de judeus foram assassinados.

Davi: E outros grupos também foram perseguidos.

Lia: Pessoas Roma e Sinti, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos e pessoas perseguidas pela orientação sexual. Mas os judeus europeus foram o alvo central do projeto nazista.

Davi: E no Brasil, o 27 de janeiro é feriado?

Lia: Não. Mas o país participa da data, e todos os anos o Itamaraty publica homenagens às vítimas e aos sobreviventes.

Davi: Que cuidado não pode faltar numa atividade sobre o tema?

Lia: Dar rosto às vítimas. Um aluno pode pesquisar a vida de uma pessoa nos bancos de dados do Yad Vashem ou do Museu do Holocausto dos Estados Unidos. E nunca tratar o negacionismo como "outro lado". A existência e a escala do Holocausto não estão em debate.

Davi: Agora vamos para novembro, mas voltando no tempo, para 1947.

Lia: Sim, porque historicamente o 29 de novembro vem antes da independência. Nesse dia, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181.

Davi: O que ela recomendava?

Lia: O fim do Mandato Britânico, um Estado judeu, um Estado árabe e um regime internacional para Jerusalém. E uma união econômica entre os dois Estados.

Davi: E o placar?

Lia: Foram 33 votos a favor e 13 contra.

Davi: E quem não votou nem sim nem não?

Lia: Houve 10 abstenções e uma ausência, a de Sião, atual Tailândia.

Davi: A aprovação exigia dois terços, não é?

Lia: Exigia. E quem garantiu os dois terços foram os 33 votos a favor diante dos 13 contrários. É uma boa conta para fazer em sala de aula.

Davi: E onde entra o Brasil nessa história?

Lia: O brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão, e o Brasil votou a favor. Ele tinha sido eleito presidente da Sessão Especial em abril de 1947.

Davi: Com quantos votos?

Lia: Com 45 dos 50 votos.

Davi: Teve até um adiamento dramático, certo?

Lia: Teve. Em 26 de novembro ainda faltavam votos para os dois terços, e Aranha encerrou a sessão. Com o feriado de Ação de Graças nos Estados Unidos, os trabalhos só voltaram no dia 29.

Davi: Então dá para dizer que Aranha criou Israel?

Lia: Não. Ele presidiu e conduziu os trabalhos com habilidade, mas a aprovação dependeu dos votos de muitos países. O martelo que ele usou está no museu do Kibutz Bror Chail, o kibutz dos brasileiros, no sul de Israel.

Davi: E há uma praça com o nome dele em Jerusalém.

Lia: E ruas em Tel Aviv, Ramat Gan e Beersheba.

Davi: Lia, qual é o ponto essencial para entender o que veio depois?

Lia: O plano previa dois Estados. A liderança judaica tinha críticas, mas aceitou. Os Estados árabes e o Comitê Superior Árabe rejeitaram o plano por inteiro.

Davi: E o que aconteceu em seguida?

Lia: A partir de 30 de novembro, a recusa virou greves e confrontos armados. Quem recusou o plano recusou também o Estado árabe que ele criava. Dizer isso é relatar um fato histórico. Não é atacar árabes, palestinos ou muçulmanos.

Davi: E isso nos leva ao Yom Ha'atzmaut.

Lia: Israel declarou sua independência em 14 de maio de 1948. No calendário hebraico, era 5 de Iyar.

Davi: Por isso a data muda a cada ano.

Lia: Isso. Ela cai sempre entre abril e maio. Às quatro da tarde, no Museu de Tel Aviv, David Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel.

Davi: Quem assinou?

Lia: Os 37 membros do Conselho do Povo. Havia socialistas, religiosos, revisionistas, comunistas, homens e mulheres.

Davi: E quanto tempo durou a cerimônia?

Lia: Durou 32 minutos e foi transmitida pela rádio Kol Israel.

Davi: E o reconhecimento internacional?

Lia: Onze minutos depois, o presidente dos Estados Unidos, Harry Truman, reconheceu de facto o novo Estado.

Davi: O que a Declaração prometia?

Lia: Ela fala do direito natural e histórico do povo judeu e da sua ligação com a terra onde foi escrita a Bíblia. E prometeu "completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus habitantes, sem distinção de religião, raça ou sexo".

Davi: E estendeu a mão em paz aos vizinhos.

Lia: E convidou os habitantes árabes do país a participar da construção do Estado, com plena cidadania. Críticos chamam 1948 de "projeto colonial", mas essa acusação ignora o vínculo histórico do povo judeu com a terra. Ignora também que o Estado foi proclamado por representantes da comunidade local, com aval da ONU.

Davi: E tem uma tradição bonita na véspera.

Lia: O Yom HaZikaron, que lembra os soldados mortos e as vítimas do terrorismo. Quando a sirene toca, o país para em silêncio. Ao pôr do sol, começa a festa. Da memória à alegria.

Davi: Lia, vamos às três ideias-chave?

Lia: Primeira: a liberdade de crença vale para todos. O 21 de janeiro lembra Mãe Gilda, e o antissemitismo também é intolerância religiosa.

Davi: Segunda: o Holocausto foi real, planejado e documentado. Lembrar com nomes, documentos e testemunhos é proteger a verdade.

Lia: Terceira: em 1947, um lado aceitou dois Estados e o outro recusou. Em 1948, Israel nasceu prometendo igualdade e paz. Negar o direito de Israel existir é antissemitismo.

Davi: Obrigado por nos ouvir. Use essas datas na sua escola, na sua igreja, na sua comunidade.

Lia: Mais materiais em jjo.org.br.

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Guia de estudo

Guia de estudo da JJO (Juventude Judaica Organizada) para escolas, igrejas e comunidades

Objetivos

  • Conhecer a origem e o sentido de quatro datas: o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa (21 de janeiro), o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto (27 de janeiro), a votação da partilha na ONU (29 de novembro de 1947) e o Yom Ha'atzmaut, o Dia da Independência de Israel.
  • Entender como essas datas se ligam: a liberdade de crença, a memória da Shoá, o reconhecimento internacional do direito do povo judeu a um Estado e o nascimento de Israel.
  • Reconhecer o antissemitismo como forma de intolerância religiosa e aprender a diferenciá-lo da crítica legítima a um governo.
  • Valorizar o papel do Brasil e do diplomata Oswaldo Aranha nessa história.
  • Praticar a memória com rigor histórico, sem ódio a nenhum povo ou religião.

Conceitos-chave

1. 21 de janeiro: liberdade de crença para todos

  • A data foi criada pela Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007.
  • Ela homenageia Mãe Gilda (Gildásia dos Santos e Santos), ialorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia. Mãe Gilda sofreu ataques por causa de sua religião de matriz africana e morreu em 21 de janeiro de 2000. As fontes oficiais apontam os ataques como parte do contexto que precedeu ou agravou seu adoecimento e sua morte.
  • A Constituição garante a liberdade de crença e protege os cultos e os locais de culto (art. 5º, VI). Ninguém perde direitos por motivo de crença (art. 5º, VIII). O poder público não pode estabelecer, subvencionar nem embaraçar cultos (art. 19, I).
  • Estado laico não é Estado contra a religião. Laicidade é neutralidade: o Estado não escolhe uma fé e protege igualmente todas as crenças e também quem não crê.
  • O antissemitismo é intolerância religiosa. Lembrá-lo não compete com a memória de Mãe Gilda: as duas coisas se somam.
  • Nenhuma religião é intolerante em si. Intolerância é atitude de pessoas, não característica de uma fé ou de um povo.

2. 27 de janeiro: a memória do Holocausto

  • Em 27 de janeiro de 1945, o Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau, criado pela Alemanha nazista na Polônia ocupada.
  • A ONU instituiu a data pela Resolução 60/7, de 1º de novembro de 2005. A proposta partiu de Israel e teve o copatrocínio do Brasil. A resolução foi aprovada sem votação e rejeitou a negação do Holocausto.
  • Seis milhões de judeus foram assassinados. Os judeus europeus foram o alvo central do projeto nazista. O regime também perseguiu pessoas Roma e Sinti, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos e pessoas perseguidas pela orientação sexual.
  • O genocídio teve método. O Protocolo de Wannsee, de 1942, mostra como a burocracia nazista organizou o extermínio.
  • O Holocausto foi real e foi planejado por um Estado. A negação não é um outro lado: a existência, a escala e o caráter sistemático do Holocausto não estão em debate.
  • Usar a analogia com o Holocausto como arma para acusar Israel ou os judeus banaliza a Shoá.

3. 29 de novembro de 1947: a partilha e Oswaldo Aranha

  • A Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181 (II) por 33 votos a 13, com 10 abstenções e 1 ausente (Sião, atual Tailândia).
  • O Plano de Partilha com União Econômica recomendava o fim do Mandato Britânico, um Estado judeu e um Estado árabe, um regime internacional para Jerusalém (corpus separatum) e uma união econômica entre os dois Estados.
  • Nessa data, a comunidade internacional reconheceu na ONU o direito do povo judeu a um Estado próprio.
  • O brasileiro Oswaldo Aranha presidiu a sessão, e o Brasil votou a favor. Aranha não criou Israel: a aprovação veio dos votos de muitos países.
  • A liderança judaica aceitou o plano, mesmo com críticas às fronteiras e ao regime para Jerusalém. A liderança árabe recusou o plano por inteiro e, a partir de 30 de novembro de 1947, a recusa se traduziu em greves e confrontos armados.
  • Quem recusou o plano recusou também o Estado árabe que ele criava. Esse Estado não foi criado.

4. Yom Ha'atzmaut: o aniversário de Israel

  • Em 14 de maio de 1948 (5 de Iyar de 5708), às 16h, no Museu de Tel Aviv, David Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel.
  • Os 37 membros do Conselho do Povo assinaram o pergaminho. Entre eles havia socialistas, religiosos, revisionistas, comunistas, homens e mulheres. A cerimônia durou 32 minutos. Onze minutos depois, Harry S. Truman reconheceu de facto o novo Estado.
  • A Declaração apresenta como bases o direito natural e histórico do povo judeu, a construção feita pelo Yishuv e pelo movimento sionista, a urgência depois do Holocausto e o respaldo da Resolução 181.
  • A Declaração prometeu igualdade de direitos a todos os habitantes, sem distinção de religião, raça ou sexo. Estendeu a mão em paz aos Estados árabes vizinhos e convidou os habitantes árabes a participar da construção do Estado, com plena cidadania.
  • Na véspera, o Yom HaZikaron lembra os soldados mortos, os agentes de segurança mortos em serviço e os civis mortos em atentados terroristas. O país passa do luto à celebração.
  • Há quem descreva 1948 como colonialismo. Essa acusação ignora o vínculo histórico do povo judeu com a terra. Ignora também que o Estado foi proclamado por representantes da comunidade local, com aval da ONU.

5. O critério da JJO sobre antissemitismo

  • A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
  • Criticar uma política de governo, como se critica a de qualquer outro país, não é antissemitismo em si.
  • A crítica se torna antissemita quando usa estereótipos contra judeus, quando nega aos judeus direitos dados a outros povos ou quando cobra de um judeu brasileiro a responsabilidade por decisões de um governo.
  • A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Linha do tempo

Data Acontecimento
1939 Livro Branco britânico restringe a imigração judaica (revogado em 14/5/1948)
1942 Protocolo de Wannsee
27/1/1945 O Exército soviético liberta Auschwitz-Birkenau
14/2/1947 O Reino Unido, pelo secretário Ernest Bevin, anuncia que entregará a questão à ONU
28/4/1947 Oswaldo Aranha é eleito presidente da Sessão Especial da Assembleia Geral, com 45 dos 50 votos
Ago. 1947 A maioria dos membros do UNSCOP recomenda a partilha
26/11/1947 Faltam votos para os dois terços exigidos, e a sessão é encerrada
29/11/1947 A Resolução 181 é aprovada na 128ª Reunião Plenária: 33 a 13, com 10 abstenções
30/11/1947 A rejeição árabe se transforma em greves e confrontos armados
1948 Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio e Declaração Universal dos Direitos Humanos
12/5/1948 A Administração do Povo (Minhelet HaAm) decide, por 6 votos a 4, proclamar a independência
14/5/1948 Ben-Gurion lê a Declaração em Tel Aviv, e Truman reconhece de facto o Estado de Israel
21/1/2000 Morte de Mãe Gilda, na Bahia
1/11/2005 A ONU adota a Resolução 60/7 e institui o 27 de janeiro
2007 A Resolução 61/255 da ONU condena toda negação do Holocausto
27/12/2007 A Lei nº 11.635 institui o 21 de janeiro
2018 A Lei Fundamental Israel – o Estado-Nação do Povo Judeu reafirma o Dia da Independência como feriado nacional
2022 A Resolução 76/250 da ONU trata da negação e da distorção do Holocausto

5 perguntas para discussão

  1. Por que lembrar o antissemitismo no 21 de janeiro soma forças com a memória de Mãe Gilda, em vez de competir com ela?
  2. O Holocausto não começou nas câmaras de gás. Começou com palavras, com mentiras sobre os judeus, com leis que tiraram direitos e com o silêncio de muitos. Que sinais de alerta dessa lista podemos reconhecer hoje?
  3. Em 1947, o plano da ONU previa dois Estados. Quem aceitou e quem recusou? Como esse fato ajuda a explicar o que veio depois?
  4. Qual é o papel de quem preside uma assembleia? Por que é errado dizer que Oswaldo Aranha criou Israel, e por que, mesmo assim, ele é homenageado em Israel?
  5. Por que, em Israel, o Yom HaZikaron vem logo antes do Yom Ha'atzmaut? Que significado tem passar do luto à celebração?

Glossário curto

  • Antissemitismo: preconceito e discriminação contra judeus. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
  • Corpus separatum: regime internacional especial para Jerusalém, sob administração da ONU, previsto pela Resolução 181.
  • Eretz Israel: a Terra de Israel, nome usado pelos judeus para o território antes de 1948.
  • Estado laico: Estado que não escolhe uma fé e protege igualmente todas as crenças e quem não crê.
  • Ialorixá: sacerdotisa de um terreiro de religião de matriz africana, como Mãe Gilda.
  • IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto.
  • Justos entre as Nações: pessoas não judias que arriscaram a vida para salvar judeus durante o Holocausto.
  • Shoá: o genocídio dos judeus da Europa pelo nazismo.
  • UNSCOP: comissão especial da ONU que, em agosto de 1947, recomendou a partilha por maioria.
  • Yishuv: a comunidade judaica que vivia no território antes de 1948.
  • Yom HaZikaron: dia de memória dos soldados mortos e das vítimas do terrorismo, na véspera da independência.
  • Yom Ha'atzmaut: Dia da Independência de Israel, em 5 de Iyar.
  • Yahrzeit: vela acesa em memória dos mortos.

Para fechar

Essas quatro datas contam uma história coerente. A liberdade de crença vale para todos, inclusive para os judeus. O Holocausto foi real, planejado por um Estado, e sua negação não é um outro lado. Em 29 de novembro de 1947, a ONU reconheceu o direito do povo judeu a um Estado próprio. A liderança judaica aceitou dois Estados, e a liderança árabe os recusou. Em 14 de maio de 1948, Israel nasceu prometendo igualdade de direitos e paz com os vizinhos. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Lembrar é um compromisso.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Qual lei instituiu o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, em 21 de janeiro?

A Lei nº 11.635, de 27 de dezembro de 2007, criou a data, que homenageia Mãe Gilda, ialorixá do terreiro Ilê Axé Abassá de Ogum, na Bahia.

2. O que significa dizer que o Brasil é um Estado laico?

Laicidade é neutralidade. O art. 19, I, da Constituição proíbe o poder público de estabelecer, subvencionar ou embaraçar cultos.

3. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, qual destas atitudes é antissemitismo?

Negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Criticar uma política de governo, como se critica a de qualquer outro país, não é antissemitismo em si.

4. O que aconteceu em 27 de janeiro de 1945?

O Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau, que se tornou o maior símbolo da Shoá. Por isso a ONU escolheu essa data.

5. Quem propôs a Resolução 60/7 da ONU, que instituiu o 27 de janeiro como dia de memória?

A proposta partiu de Israel e teve copatrocínio de outros países, entre eles o Brasil. A resolução foi aprovada sem votação, em 1º de novembro de 2005.

6. Qual documento de 1942 mostra como a burocracia nazista organizou o extermínio dos judeus?

O Protocolo de Wannsee mostra a engrenagem estatal do genocídio, em que seis milhões de judeus foram assassinados.

7. Qual foi o placar da votação da Resolução 181, em 29 de novembro de 1947?

Foram 33 votos a favor, 13 contra, 10 abstenções e 1 ausente (Sião, atual Tailândia). Os Estados Unidos, a União Soviética e o Brasil votaram a favor.

8. Qual foi o papel de Oswaldo Aranha na votação da partilha?

Aranha presidiu a sessão, mas a aprovação resultou dos votos de muitos países. Ele é homenageado com uma praça em Jerusalém e com ruas em Tel Aviv, Ramat Gan e Beersheba.

9. Como as lideranças reagiram ao plano de partilha que previa dois Estados?

A Agência Judaica aceitou o plano, mesmo com críticas. A liderança árabe o recusou por inteiro, e a partir de 30 de novembro de 1947 vieram greves e confrontos armados. O Estado árabe previsto não foi criado.

10. Quem leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel, em 14 de maio de 1948?

Ben-Gurion leu a Declaração às 16h, no Museu de Tel Aviv, e os 37 membros do Conselho do Povo a assinaram. Onze minutos depois, Truman reconheceu de facto o novo Estado.

Cartões de estudo

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