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27 de janeiro: Dia da Lembrança do Holocausto

Em resumo

O 27 de janeiro é o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto e lembra a libertação de Auschwitz-Birkenau pelo Exército soviético, em 27 de janeiro de 1945. A ONU instituiu a data pela Resolução 60/7, de 1º de novembro de 2005, por iniciativa de Israel e com copatrocínio do Brasil. Escolas e comunidades podem marcá-la com estudo, cerimônia e combate ao negacionismo.

ParaEscolas · Professores · Igrejas · Todos
Idade11 a 14 anos · 15 a 17 anos · Adultos
ExtensãoKit · 3 atividades
TemaHolocausto
FormatoKit
Situaçãodisponível

O que aconteceu no dia 27 de janeiro?

Em 27 de janeiro de 1945, o Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau. Criado pela Alemanha nazista na Polônia ocupada, o campo virou, pela escala e pelo número de vítimas, o maior símbolo do genocídio dos judeus da Europa, a Shoá.

Foram necessários sessenta anos para que a data ganhasse reconhecimento mundial. Em 1º de novembro de 2005, a Assembleia Geral da ONU adotou a Resolução 60/7, que fez do 27 de janeiro um dia anual de memória. A proposta partiu de Israel e teve o copatrocínio de outros países, entre eles o Brasil, e foi aprovada sem votação.

A resolução também:

  • rejeitou a negação do Holocausto como fato histórico;
  • condenou a intolerância religiosa, a incitação, o assédio e a violência por origem étnica ou crença;
  • pediu aos Estados que criem programas educacionais sobre as lições do Holocausto, para ajudar a prevenir novos genocídios;
  • criou o programa da ONU "Holocausto e as Nações Unidas", que oferece materiais a educadores.

Em 2007, a Resolução 61/255 condenou toda negação do Holocausto. Em 2022 veio a Resolução 76/250, que tratou da negação e da distorção do Holocausto e cobrou ações de Estados e de redes sociais.

Quais habilidades da BNCC esta aula trabalha?

Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que este material desenvolve:

  • EF09HI13 (9º ano): Descrever e contextualizar os processos da emergência do fascismo e do nazismo, a consolidação dos estados totalitários e as práticas de extermínio (como o holocausto). Na aula: Contextualiza o nazismo e o extermínio planejado pelo Estado. O Protocolo de Wannsee mostra a burocracia do genocídio, e a atividade "Resgatar um nome" dá rosto às vítimas da Shoá.
  • EF09HI16 (9º ano): Relacionar a Carta dos Direitos Humanos ao processo de afirmação dos direitos fundamentais e de defesa da dignidade humana, valorizando as instituições voltadas para a defesa desses direitos e para a identificação dos agentes responsáveis por sua violação. Na aula: Liga a barbárie do Holocausto à Declaração Universal dos Direitos Humanos e à Convenção sobre Genocídio de 1948. Valoriza a ONU e as instituições de memória, como Yad Vashem e USHMM.
  • EF69LP01 (6º e 7º e 8º e 9º ano): Diferenciar liberdade de expressão de discursos de ódio, posicionando-se contrariamente a esse tipo de discurso e vislumbrando possibilidades de denúncia quando for o caso. Na aula: No mural de memória nas redes, os alunos distinguem evidência, opinião, negacionismo e falsa equivalência. Também aprendem a denunciar conteúdos que negam ou banalizam o Holocausto e o antissemitismo.
  • EM13CHS101 (1ª a 3ª série): Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais. Na aula: Os alunos analisam fontes de naturezas diversas para compreender o Holocausto: o Álbum de Auschwitz, diários de jovens, o Protocolo de Wannsee, testemunhos de sobreviventes e as resoluções da ONU.
  • EM13CHS503 (1ª a 3ª série): Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos. Na aula: Discute as vítimas da perseguição nazista e mostra que o genocídio começou com palavras, mentiras e leis discriminatórias. Avalia a memória e a educação como mecanismos para prevenir novas violências.

Texto oficial da BNCC (MEC, documento homologado), disponível em basenacionalcomum.mec.gov.br. A coordenação pedagógica da escola pode ajustar a escolha ao seu currículo.

Por que a data importa hoje?

A data importa porque o Holocausto foi real, foi planejado por um Estado e ainda é negado e distorcido. Lembrar ajuda a proteger a verdade histórica e também as pessoas.

O genocídio teve método: o Protocolo de Wannsee, de 1942, mostra como a burocracia nazista organizou o extermínio. Seis milhões de judeus foram assassinados. O regime perseguiu também outros grupos, como pessoas Roma e Sinti, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos e pessoas perseguidas pela orientação sexual, mas os judeus europeus foram o alvo central do projeto nazista.

Diante dessa barbárie, o mundo aprovou em 1948 a Convenção para a Prevenção e Punição do Crime de Genocídio e a Declaração Universal dos Direitos Humanos.

O Itamaraty liga a memória da data ao combate à desinformação, ao discurso de ódio e ao negacionismo. Em nota oficial, o Ministério das Relações Exteriores afirmou que o Brasil condena o antissemitismo.

A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto) e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Pelo critério da IHRA, negar o direito de Israel existir também é antissemitismo.

Qual é o dia nacional da memória do Holocausto no Brasil?

No Brasil, a data de referência é o próprio 27 de janeiro, a data internacional criada pela ONU. O país participa dessa observância, e todos os anos o Itamaraty publica manifestações oficiais em homenagem às vítimas e aos sobreviventes.

O 27 de janeiro não é feriado: uma data instituída pela ONU não cria, por si só, feriado nem obrigação legal no Brasil. Quem precisar de uma regra local deve consultar a legislação do estado ou do município.

No Brasil, a lembrança costuma aparecer em:

  • cerimônias de órgãos públicos;
  • sessões solenes no Congresso e nas assembleias legislativas;
  • exposições e palestras em museus;
  • atos de instituições judaicas e de direitos humanos;
  • atividades em escolas e universidades.

Como a programação muda a cada ano, convém consultar o Itamaraty, os ministérios dos Direitos Humanos e da Educação, os governos locais, os museus e as entidades judaicas.

O que é a memória do Holocausto e o que significa um memorial?

Memória do Holocausto é o esforço de preservar, estudar e transmitir o que aconteceu, com documentos, testemunhos e nomes das vítimas. O memorial é o lugar ou a obra que dá forma concreta a esse esforço, homenageando as vítimas e ensinando as novas gerações.

As grandes referências são o Yad Vashem, em Jerusalém, e o Museu do Holocausto dos EUA (USHMM). As duas instituições mantêm bancos de dados de vítimas e de Justos entre as Nações, as pessoas não judias que arriscaram a vida para salvar judeus. A ONU, por sua vez, mantém uma exposição permanente sobre o tema.

Algumas fontes ajudam muito em sala de aula:

  • o Álbum de Auschwitz, único registro fotográfico preservado da chegada, da seleção e da espoliação dos deportados em Birkenau;
  • diários e cartas de jovens e crianças escritos durante a ocupação nazista;
  • documentos oficiais, como o Protocolo de Wannsee, que mostram a engrenagem estatal da perseguição.

Que atividades fazer na escola, na comunidade e nas redes?

Uma boa atividade combina contexto histórico, documentos, testemunhos e reflexão sobre direitos humanos. Procure não reduzir o Holocausto a números abstratos.

OndeAtividade prontaComo fazer
Sala de aula"Resgatar um nome"Cada aluno pesquisa a vida de uma vítima ou de um Justo entre as Nações nos bancos de dados do Yad Vashem e do USHMM e depois apresenta a história à turma: quem era, onde vivia, o que perdeu.
Comunidade, sinagoga ou igrejaCerimônia de memóriaAbertura com trecho da Resolução 60/7, seguida de leitura alternada de testemunhos de sobreviventes. Depois, minuto de silêncio, acendimento de velas (Yahrzeit) e música ou poema.
Redes sociaisMural de memóriaPublique a história de uma pessoa com nome e rosto, e não só a estatística. Participe de murais digitais como o "I Remember Wall", com velas virtuais.

Para a sala de aula, o tema funciona bem de forma interdisciplinar:

  • História: nazismo, Segunda Guerra Mundial, perseguição e genocídio;
  • Geografia: ocupação, deportações e mapas dos campos;
  • Sociologia e Filosofia: racismo, antissemitismo, propaganda e direitos humanos;
  • Língua Portuguesa: testemunhos, documentos e análise de discurso;
  • Arte: literatura, fotografia, cinema e memoriais.

Para a comunidade, uma exposição de painéis é simples de montar. A mostra "BESA: Albaneses Muçulmanos que Salvaram Judeus" é um bom exemplo, porque lembra que muitas pessoas, de várias religiões, escolheram salvar vidas.

Nas redes, ensine a distinguir evidência histórica, opinião, negacionismo e falsa equivalência, e denuncie conteúdo que nega ou banaliza o Holocausto.

Que texto ler em voz alta na cerimônia?

Sugestão de leitura, que pode ser dividida entre várias vozes:

> Hoje é 27 de janeiro. Neste dia, em 1945, os portões de Auschwitz-Birkenau se abriram, e o mundo viu o que o ódio organizado é capaz de fazer. > > Lembramos os seis milhões de judeus assassinados na Shoá: crianças, mães, pais, avós, comunidades inteiras. Cada um tinha um nome, uma casa, uma história. > > Lembramos também as pessoas Roma e Sinti, as pessoas com deficiência, os prisioneiros de guerra, os opositores políticos e todos os perseguidos pelo regime nazista. > > Honramos os sobreviventes, que tiveram a coragem de contar o que viveram, e honramos os Justos entre as Nações, que arriscaram a vida para salvar a de outros. > > O Holocausto começou muito antes das câmaras de gás: começou com palavras, com mentiras sobre os judeus, com leis que tiraram direitos e com o silêncio de muitos. > > Por isso, lembrar é um compromisso. Não aceitamos a negação nem o antissemitismo, e não aceitamos o ódio contra nenhum povo ou religião. > > Que a memória deles seja uma bênção.

Depois da leitura, faça um minuto de silêncio e acenda as velas.

Que cuidados tomar ao falar do Holocausto?

O principal cuidado é tratar o tema com rigor histórico e respeito às vítimas.

  • Não abra espaço para o negacionismo como "outro lado". A existência, a escala e o caráter sistemático do Holocausto não estão em debate entre posições de mesmo peso, e a ONU rejeita expressamente a negação.
  • Cuidado com a falsa equivalência. Comparar conflitos atuais ao Holocausto exige provas, contexto e diferenças claras; usada como arma para acusar Israel ou os judeus, a analogia banaliza a Shoá.
  • Dê rosto às vítimas, porque biografias e testemunhos ensinam mais que estatísticas soltas.
  • Adapte ao público: escolha imagens e relatos de acordo com a idade e prepare a turma antes.
  • Deixe claro quem foi o alvo central. A memória inclui todos os perseguidos, mas o projeto genocida nazista tinha os judeus europeus como alvo principal.
  • Use fontes confiáveis, como ONU, Yad Vashem, USHMM, IHRA e UNESCO.
  • Não generalize povos. A lição do Holocausto vale contra o ódio a qualquer grupo.

O que levar desta data?

Para levar:

  • O 27 de janeiro lembra a libertação de Auschwitz-Birkenau, em 1945.
  • A ONU criou a data pela Resolução 60/7, em 2005, por iniciativa de Israel e com copatrocínio do Brasil.
  • Seis milhões de judeus foram assassinados, e outros grupos também foram perseguidos pelo nazismo.
  • A ONU rejeita a negação e a distorção do Holocausto.
  • A memória se ensina com nomes, documentos e testemunhos e se pratica no combate ao antissemitismo e a todo ódio.

Perguntas frequentes

O que aconteceu no dia 27 de janeiro?
Em 27 de janeiro de 1945, o Exército soviético libertou o complexo de Auschwitz-Birkenau, criado pela Alemanha nazista na Polônia ocupada. Pela escala e pelo número de vítimas, o campo virou símbolo do Holocausto, e por isso a ONU escolheu essa data, em 2005, para o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto.
Qual é o dia nacional da memória do Holocausto?
No Brasil, a data observada é o 27 de janeiro, dia internacional instituído pela Resolução 60/7 da ONU, que o Brasil copatrocinou. Todos os anos o Itamaraty publica homenagens às vítimas e aos sobreviventes. A data não é feriado e não cria, por si só, obrigação legal no país.
Quem foram as vítimas do Holocausto?
O regime nazista e seus colaboradores assassinaram seis milhões de judeus, e os judeus europeus foram o alvo central do projeto genocida. O nazismo também perseguiu e matou pessoas Roma e Sinti, pessoas com deficiência, prisioneiros de guerra soviéticos, opositores políticos e pessoas perseguidas pela orientação sexual. A resolução da ONU homenageia todas essas vítimas.
Como organizar uma atividade simples para a data?
Uma cerimônia curta já cumpre o papel. Abra com um trecho da Resolução 60/7, leia em voz alta testemunhos de sobreviventes e conte a história de uma vítima com nome e rosto. Em seguida, faça um minuto de silêncio e acenda velas. Na escola, peça aos alunos que pesquisem uma biografia nos bancos de dados do Yad Vashem ou do USHMM.

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