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Ben-Gurion e Golda Meir: os fundadores de Israel

Podcast, guia de estudo, quiz e cartões sobre Ben-Gurion e Golda Meir: os fundadores de Israel, para professores de História e estudantes.

Para: professores de História e estudantesPodcast: 13 min
Foto: David Ben-Gurion. Fritz Cohen · Public domain · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 13 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (13 min, 6,0 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Hoje vamos falar de duas figuras centrais da história de Israel: David Ben-Gurion e Golda Meir.

Davi: E eu sou o Davi. O tema de hoje é "Ben-Gurion e Golda Meir: os fundadores de Israel". Dois nomes que aparecem em qualquer livro sobre o século XX no Oriente Médio.

Lia: Davi, por que esse tema importa para quem está em sala de aula, seja professor ou estudante?

Davi: Porque, quando a gente olha para essas duas trajetórias, entende que Israel não surgiu do nada em 1948. Foi o ponto de chegada de um processo longo, com instituições, debates e escolhas difíceis. E entende também que a fundação não foi obra de uma pessoa só.

Lia: Esse é um ponto importante. Ben-Gurion é chamado de "pai fundador", mas isso não é um cargo oficial, certo?

Davi: Exato. É uma avaliação histórica, usada com frequência por instituições israelenses, como o Ben-Gurion Heritage Institute e a Ben-Gurion House. Ele foi o dirigente predominante do yishuv, a comunidade judaica sob o Mandato Britânico. Mas disputava influência com outras correntes sionistas, com os revisionistas, com instituições religiosas e com lideranças locais.

Lia: Então vamos começar pelo começo. Quem era Ben-Gurion antes de ser Ben-Gurion?

Davi: Ele nasceu David Grün, em 1886, em Płońsk, uma cidade da Polônia que na época fazia parte do Império Russo. Em 1906, imigrou para a Terra de Israel, então sob domínio otomano.

Lia: E o que ele fazia lá?

Davi: Trabalhou na agricultura e ajudou a organizar o movimento operário judaico. Participou da autodefesa judaica e das primeiras comunidades agrícolas coletivas. Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu na Legião Judaica.

Lia: Depois vem a Histadrut, né?

Davi: Isso. Ele foi um dos fundadores da federação geral dos trabalhadores judeus. Algumas fontes datam a fundação em 1920, outras em 1921. Ele foi secretário-geral de 1921 a 1935, e nesse período a Histadrut virou uma das principais instituições econômicas, sociais e políticas do yishuv.

Lia: Ou seja, antes de existir um Estado, já existiam instituições funcionando.

Davi: Exatamente. Ben-Gurion vinha do sionismo trabalhista, que ligava a construção nacional ao trabalho agrícola, ao movimento operário e a instituições coletivas. Em 1935, passou a presidir o Executivo Sionista e a Agência Judaica.

Lia: E agora a outra protagonista. Golda Meir também tem uma história de imigração.

Davi: Tem, e bem interessante. Ela nasceu Golda Mabovitch, em 3 de maio de 1898, em Kiev, também no Império Russo. Em 1906, quando tinha oito anos, a família emigrou para os Estados Unidos e se estabeleceu em Milwaukee, no Wisconsin. O pai tinha ido antes, em busca de trabalho, e depois reuniu a família.

Lia: Muita gente diz que a família saiu só por causa da violência antissemita.

Davi: E aqui vale um cuidado de historiador. A emigração e a insegurança dos judeus no Império Russo estão confirmadas. Mas não dá para afirmar que esse foi o único motivo.

Lia: E foi em Milwaukee que ela se tornou sionista?

Davi: Foi. Ela frequentou a escola normal e entrou no movimento sionista trabalhista, a mesma corrente de Ben-Gurion. Em 1921, mudou-se com o marido, Morris Meyerson, para a Terra de Israel, então sob o Mandato Britânico. O casal viveu primeiro em um kibutz, e ela logo passou a ocupar cargos de direção no movimento trabalhista judaico.

Lia: Vamos para o segundo bloco: a virada rumo à independência. Quando Ben-Gurion passa a exigir um Estado imediato?

Davi: O marco é o Programa de Biltmore, em maio de 1942, numa conferência em Nova York. Ali ele rompeu com a política gradualista e defendeu a criação imediata de uma Commonwealth judaica, ou seja, um Estado. Pediu também a revogação do Livro Branco britânico de 1939.

Lia: Esse Livro Branco é aquele que limitou a imigração judaica?

Davi: Esse mesmo. Em 17 de maio de 1939, ele limitou a imigração judaica e proibiu judeus de comprar terras em 95% do território do Mandato. E isso num momento terrível para os judeus da Europa.

Lia: E depois de Biltmore?

Davi: Em dezembro de 1946, Ben-Gurion assumiu a pasta da Defesa no Executivo da Agência Judaica. Ele previa que a soberania seria decidida no campo de batalha e começou a transformar a Haganah, que era uma milícia estática, num exército regular.

Lia: Aí chegamos a 29 de novembro de 1947, a votação da partilha na ONU.

Davi: A Resolução 181 foi aprovada por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. E tem um detalhe que interessa a quem é brasileiro: quem presidia a Assembleia Geral era o diplomata Oswaldo Aranha. Ele conduziu a sessão e anunciou o resultado. Mas foi uma decisão de muitos países, não de uma pessoa só.

Lia: A liderança judaica aceitou a partilha. E o lado árabe?

Davi: O Alto Comitê Árabe e os governos da Liga Árabe rejeitaram e anunciaram que se oporiam pelas armas. Os combates começaram em 30 de novembro de 1947, um dia depois da votação. Jerusalém ficou sob cerco.

Lia: E como Ben-Gurion reagiu?

Davi: Em janeiro de 1948, autorizou a compra emergencial de armamento da Tchecoslováquia, por meio do agente Ehud Avriel. Em 1º de abril de 1948, ordenou a Operação Nachshon, para que a Haganah deixasse a postura apenas defensiva e controlasse as rotas e colinas que levavam a Jerusalém.

Lia: E Golda, onde estava nesse momento?

Davi: Numa missão arriscada. Em maio de 1948, pouco antes do fim do Mandato, Ben-Gurion a enviou em segredo ao rei Abdullah I, da Transjordânia. Disfarçada com roupas tradicionais árabes, ela tentou convencê-lo a não participar do ataque que os países árabes planejavam contra o futuro Estado judeu.

Lia: Vamos ao terceiro bloco: o dia da independência.

Davi: Em 12 de maio de 1948, a Administração do Povo se reuniu sob a liderança de Ben-Gurion e aprovou a proclamação por 6 votos contra 4, segundo as atas guardadas nos Arquivos do Estado de Israel.

Lia: Uma votação apertada.

Davi: Muito. E dois dias depois, na sexta-feira, 14 de maio de 1948, às 16h, no Museu de Tel Aviv, Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel e foi o primeiro a assiná-la. No calendário hebraico, era 5 de iyar de 5708.

Lia: E Golda assinou também.

Davi: Assinou, com o nome Goldie Myerson, e foi uma das poucas mulheres signatárias. Mas atenção, professores: ela não foi a autora principal do texto. Quem leu a proclamação foi Ben-Gurion.

Lia: O que a Declaração dizia?

Davi: Ela se apoia na conexão histórica do povo judeu com a terra, no direito à autodeterminação e na Resolução 181. Prometeu igualdade civil e liberdade religiosa e fez um apelo aos árabes que viviam no novo Estado para que mantivessem a paz e participassem dele com igualdade plena de direitos.

Lia: E no dia seguinte veio a invasão.

Davi: Na noite de 14 para 15 de maio, os exércitos de Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram. Israel sobreviveu, mas perdeu cerca de 6 mil pessoas, o equivalente a 1% da população judaica da época. Os armistícios de 1949 encerraram os combates.

Lia: E a guerra também deslocou muita gente.

Davi: Sim. Centenas de milhares de árabes palestinos foram deslocados, e os palestinos chamam esse período de Nakba. O historiador Benny Morris descreve causas variadas: fuga em condições de guerra, apelos de lideranças árabes e expulsões em casos específicos. Discutir 1948 é legítimo. Usar essa discussão para negar o direito de Israel existir é outra coisa: pela definição da IHRA, adotada pela JJO, isso é antissemitismo.

Lia: Ben-Gurion virou o primeiro primeiro-ministro. O que ele construiu?

Davi: Ele governou de 1948 a 1953 e de 1955 a 1963, acumulando a Defesa no primeiro período. Em 1º de junho de 1948, determinou que todas as milícias ficassem sob um comando único, o das Forças de Defesa de Israel, desmontando estruturas separadas como o Irgun e o Lehi.

Lia: E tem aquele conceito, a mamlakhtiut.

Davi: A "estatidade". Por ela, o Estado assumiu funções cívicas, educacionais e militares que antes pertenciam a partidos e facções. Ele também promoveu a imigração aberta para sobreviventes do Holocausto e comunidades judaicas da Diáspora.

Lia: E entre os dois mandatos?

Davi: Em 1953, ele se mudou com a esposa, Paula, para o kibutz Sde Boker, no deserto do Neguev, que considerava estratégico para o futuro do país.

Lia: Último bloco: Golda no comando.

Davi: Antes, ela foi representante diplomática em Moscou em 1948 e ministra das Relações Exteriores de 1956 a 1966. Em março de 1969, após a morte de Levi Eshkol, tornou-se a quarta pessoa a chefiar o governo e a primeira e única mulher no cargo até hoje.

Lia: Como foi o governo dela?

Davi: Focado em segurança e na aliança com os Estados Unidos de Richard Nixon e Henry Kissinger. Ela exigia negociações diretas de paz e reconhecimento mútuo como condição para qualquer recuo. Em 1972, após o massacre de atletas israelenses por terroristas do grupo Setembro Negro em Munique, conduziu a resposta internacional de Israel.

Lia: E então, 6 de outubro de 1973.

Davi: Yom Kipur, o dia mais sagrado do calendário judaico. Egito e Síria atacaram de surpresa em duas frentes. Naquela manhã, o chefe do Estado-Maior, David Elazar, pediu para atacar as bases de mísseis sírias. Golda recusou, para que ninguém acusasse Israel de agressão e o apoio americano fosse garantido.

Lia: Mas ela não ficou parada.

Davi: Não. Moshe Dayan propunha uma convocação limitada, e Golda mandou mobilizar amplamente os reservistas. A postura dela ajudou Washington a decidir rápido por uma grande ponte aérea de armas. Em 16 de outubro, anunciou no Knesset que as forças israelenses tinham atravessado o Canal de Suez.

Lia: Israel recuperou a iniciativa, mas o custo humano foi enorme.

Davi: E abalou a confiança do público. A Comissão Agranat, em seu relatório preliminar de 1º de abril de 1974, não atribuiu a Golda nem a Dayan responsabilidade militar direta. Mesmo assim, com protestos de reservistas e desgaste no partido, ela renunciou em 11 de abril de 1974. Yitzhak Rabin a sucedeu em junho.

Lia: Vamos às três ideias-chave de hoje. Primeira: Israel foi construído antes de 1948, com instituições como a Histadrut e a Agência Judaica, e não foi obra de uma pessoa só.

Davi: Segunda: Ben-Gurion proclamou o Estado em 14 de maio de 1948 e unificou as forças nas FDI; Golda assinou a Declaração e mais tarde se tornou a primeira e única mulher a chefiar o governo de Israel.

Lia: Terceira: liderar significa decidir sob pressão. Isso vale para a votação de 6 a 4 em 1948 e para a recusa de Golda ao ataque preventivo em 1973. A história deles é feita de escolhas, debates e responsabilidade.

Davi: Obrigado por nos acompanhar no Contexto.

Lia: Até o próximo episódio. Mais materiais em jjo.org.br.

Guia de estudo

Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, o estudante deverá ser capaz de:

  1. Explicar o papel de David Ben-Gurion na proclamação da independência de Israel, em 14 de maio de 1948, e na construção das instituições do novo Estado.
  2. Descrever a trajetória de Golda Meir, de Kiev e Milwaukee até a chefia do governo de Israel (1969–1974).
  3. Situar a fundação de Israel em um processo de meio século: do movimento sionista organizado (1897) à Resolução 181 da ONU (1947).
  4. Distinguir as duas fases da Guerra de Independência (1947–1949) e compreender por que Israel foi invadido no dia seguinte ao seu nascimento.
  5. Analisar a liderança de Golda Meir na Guerra do Yom Kipur (1973) e o debate sobre sua responsabilidade.
  6. Diferenciar a discussão histórica legítima sobre 1948 da negação do direito de Israel existir.

Conceitos-chave

1. Sionismo e sionismo trabalhista

O sionismo defendia o direito do povo judeu a um Estado próprio em sua terra histórica. Ben-Gurion e Golda Meir vinham do sionismo trabalhista. Essa corrente ligava a construção nacional ao trabalho agrícola, ao movimento operário e a instituições coletivas, como o kibutz e a Histadrut.

2. Yishuv

A comunidade judaica que vivia sob o Mandato Britânico. Em 1947, cerca de 600 mil judeus viviam no território, segundo o relatório da UNSCOP. Eles já tinham cidades, universidades e instituições próprias: - Tel Aviv (1909); - o Technion (1912); - a Universidade Hebraica (1918); - a Haganah (1920).

Ben-Gurion foi o dirigente predominante do yishuv. Mesmo assim, disputou influência com outras correntes sionistas, com os revisionistas, com instituições religiosas e com lideranças locais.

3. Do gradualismo à soberania imediata

No Programa de Biltmore (maio de 1942), em Nova York, Ben-Gurion rompeu com a política gradualista. Defendeu a criação imediata de uma Commonwealth judaica, ou seja, um Estado. Pediu também a revogação do Livro Branco britânico de 1939, que havia: - limitado a imigração judaica; - proibido judeus de comprar terras em 95% do território do Mandato.

4. A proclamação

Em 12 de maio de 1948, a Administração do Povo (Minhelet HaAm) aprovou a proclamação por 6 votos contra 4. Em 14 de maio de 1948, às 16h, no Museu de Tel Aviv, Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel e foi o primeiro a assiná-la. A data corresponde a 5 de iyar de 5708 no calendário hebraico.

A Declaração se apoia em três bases: - a conexão histórica do povo judeu com a terra; - o direito à autodeterminação; - a Resolução 181 da ONU.

O texto prometeu igualdade civil e liberdade religiosa. Também fez um apelo aos árabes que viviam no novo Estado para que mantivessem a paz e participassem dele com igualdade plena de direitos.

5. Mamlakhtiut (“estatidade”)

Doutrina aplicada por Ben-Gurion. Por ela, o Estado assumiu funções cívicas, educacionais e militares que antes pertenciam a partidos e facções do yishuv. O exemplo central é de 1º de junho de 1948: todas as milícias passaram a um comando único, o das Forças de Defesa de Israel (FDI, ou Tzahal). Com isso, foram desmontadas estruturas separadas como o Irgun e o Lehi.

6. A guerra de 1948 em duas fases

  • Primeira fase (a partir de 30 de novembro de 1947): guerra civil no território do Mandato. Milícias árabes atacaram bairros judaicos, comboios e comunidades isoladas, e as forças judaicas reagiram. Jerusalém ficou sob cerco.
  • Segunda fase (a partir de 15 de maio de 1948): invasão pelos exércitos do Egito, da Transjordânia, da Síria, do Líbano e do Iraque.

Israel sobreviveu e terminou a guerra controlando cerca de 77% do território do Mandato. Perdeu cerca de 6 mil pessoas, o equivalente a 1% da população judaica da época.

7. Linhas do Armistício de 1949 (“Linha Verde”)

São as linhas de cessar-fogo dos armistícios assinados em Rodes, com mediação de Ralph Bunche. Não eram fronteiras internacionais definitivas: os próprios acordos diziam que não deveriam ser lidos como solução política ou territorial permanente. Depois da guerra: - a Jordânia anexou a Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental em 1950; - o Egito manteve Gaza sob administração militar; - nenhum dos dois criou ali um Estado palestino.

8. Refugiados de 1948 e judeus dos países árabes

A guerra deslocou centenas de milhares de árabes palestinos. As estimativas variam: cerca de 700 mil, segundo a AP, e aproximadamente 720 mil, segundo o governo de Israel. Os palestinos chamam esse deslocamento de Nakba.

Houve fatos graves e documentados, inclusive por historiadores israelenses, como Deir Yassin e a expulsão de Lida e Ramle. Benny Morris, porém, não encontrou ordem da liderança judaica para expulsar a população árabe. Ele conclui que o problema “nasceu da guerra, não de um plano”.

Nos anos seguintes, cerca de 800 mil judeus deixaram países árabes ou foram expulsos deles. Israel absorveu a maioria deles.

9. Golda Meir no governo (1969–1974)

O governo de Golda Meir teve quatro marcas principais: - foco na segurança; - aliança com os EUA de Richard Nixon e Henry Kissinger; - exigência de paz real como condição para qualquer recuo; - decisões de segurança concentradas no “Gabinete de Cozinha”, com Moshe Dayan e Yisrael Galili.

Na Guerra do Yom Kipur (6 de outubro de 1973), Golda recusou o ataque preventivo para que Israel não fosse acusado de agressão. Ao mesmo tempo, ordenou a mobilização ampla dos reservistas.

10. Discussão histórica × negação de Israel

Discutir a guerra de 1948 é legítimo. Usar essa discussão para negar o direito de Israel existir é outra coisa. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, essa negação é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.


Linha do tempo

Data Acontecimento
1886 David Grün (Ben-Gurion) nasce em Płońsk, então parte do Império Russo
1897 Nasce o movimento sionista organizado
3 de maio de 1898 Golda Mabovitch (Golda Meir) nasce em Kiev
1906 Ben-Gurion imigra para a Terra de Israel, sob domínio otomano; a família de Golda emigra para Milwaukee
2 de novembro de 1917 Declaração Balfour
1920 ou 1921 Fundação da Histadrut (há registros com as duas datas)
1921 Golda e o marido, Morris Meyerson, mudam-se para a Terra de Israel
1921–1935 Ben-Gurion é secretário-geral da Histadrut
1922 A Liga das Nações aprova o Mandato Britânico
1935 Ben-Gurion passa a presidir o Executivo Sionista e a Agência Judaica
Julho de 1937 A Comissão Peel propõe dois Estados
17 de maio de 1939 Livro Branco britânico
Maio de 1942 Programa de Biltmore
Dezembro de 1946 Ben-Gurion assume a pasta da Defesa no Executivo da Agência Judaica
29 de novembro de 1947 A ONU aprova a Resolução 181 (33 a 13, com 10 abstenções), em sessão presidida por Oswaldo Aranha
30 de novembro de 1947 Começam os combates
Janeiro de 1948 Compra emergencial de armas da Tchecoslováquia, via Ehud Avriel
Março de 1948 A Haganah adota o Plano Dalet
1º de abril de 1948 Operação Nachshon
16 de abril de 1948 Jamal Husseini, na ONU: “Nós não negamos isso”
Maio de 1948 Missão secreta de Golda ao rei Abdullah I
12 de maio de 1948 A Administração do Povo aprova a proclamação por 6 votos a 4
14 de maio de 1948 Proclamação do Estado de Israel; Golda assina como Goldie Myerson
15 de maio de 1948 Invasão por cinco exércitos árabes
1º de junho de 1948 Todas as milícias passam ao comando único das FDI
1948 Golda é a principal representante diplomática de Israel em Moscou
24 de fevereiro a 20 de julho de 1949 Armistícios com Egito, Líbano, Jordânia e Síria
1953–1955 Ben-Gurion vive no kibutz Sde Boker, no Neguev
1955–1963 Ben-Gurion volta a ser primeiro-ministro
1956–1966 Golda Meir é ministra das Relações Exteriores
Março de 1969 Golda Meir torna-se primeira-ministra, após a morte de Levi Eshkol
1972 Massacre de atletas israelenses em Munique pelo grupo terrorista Setembro Negro
6 de outubro de 1973 Egito e Síria atacam Israel: Guerra do Yom Kipur
16 de outubro de 1973 Golda anuncia no Knesset a travessia do Canal de Suez
18 de novembro de 1973 Criação da Comissão Agranat
1973 Morre Ben-Gurion
1º de abril de 1974 Relatório preliminar da Comissão Agranat
11 de abril de 1974 Renúncia de Golda Meir
Junho de 1974 Yitzhak Rabin sucede Golda Meir
30 de janeiro de 1975 Relatório final da Comissão Agranat
1978 Morre Golda Meir

Cinco perguntas para discussão

  1. O título de “pai fundador” não é um cargo oficial, e a fundação de Israel não foi obra de um homem só. Por que, então, Ben-Gurion é o nome mais associado a ela? Que outros atores e correntes participaram do processo?
  2. A doutrina da mamlakhtiut levou à unificação das milícias nas FDI em 1º de junho de 1948. Por que um Estado recém-criado, já em guerra, precisava de um comando militar único?
  3. Ao recusar o ataque preventivo em 6 de outubro de 1973, Golda Meir pesou riscos militares e diplomáticos. Que dilemas essa decisão revela sobre a relação entre segurança e apoio internacional?
  4. A Comissão Agranat não atribuiu a Golda Meir responsabilidade militar direta, mas a pressão pública levou à sua renúncia. O que esse episódio mostra sobre responsabilidade política em uma democracia?
  5. Como estudar com seriedade o deslocamento de árabes palestinos e o de judeus dos países árabes depois de 1948, sem transformar essa discussão em negação do direito de Israel existir?

Glossário

  • Agência Judaica: principal instituição política do yishuv, presidida por Ben-Gurion a partir de 1935.
  • Comissão Agranat: comissão de inquérito criada em 18 de novembro de 1973 para apurar falhas de prontidão e de inteligência na Guerra do Yom Kipur.
  • FDI (Tzahal): Forças de Defesa de Israel, o exército unificado criado em 1948.
  • Gabinete de Cozinha: fórum pequeno e informal de decisões de segurança no governo de Golda Meir.
  • Haganah: força de defesa judaica fundada em 1920, transformada por Ben-Gurion em exército regular.
  • Histadrut: federação geral dos trabalhadores judeus, cofundada por Ben-Gurion.
  • Kibutz: comunidade agrícola coletiva típica do sionismo trabalhista.
  • Linha Verde: linhas do armistício de 1949; não eram fronteiras definitivas.
  • Mamlakhtiut: “estatidade”; transferência ao Estado de funções antes exercidas por partidos e facções.
  • Nakba: termo usado pelos palestinos para o deslocamento ocorrido na guerra de 1948.
  • Resolução 181: recomendação da Assembleia Geral da ONU, de 29 de novembro de 1947, que previa dois Estados.
  • Yishuv: comunidade judaica sob o Mandato Britânico.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Em que data, horário e local David Ben-Gurion proclamou a independência de Israel?

Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel na sexta-feira, 14 de maio de 1948, às 16h, no Museu de Tel Aviv, e foi o primeiro a assiná-la. A data corresponde a 5 de iyar de 5708 no calendário hebraico.

2. Como a Administração do Povo (Minhelet HaAm) votou a proclamação do Estado em 12 de maio de 1948?

Sob a liderança de Ben-Gurion, a Administração do Povo aprovou a proclamação por 6 votos contra 4, segundo as atas dos Arquivos do Estado de Israel. O placar de 33 a 13 é o da Resolução 181 da ONU.

3. O que foi o Programa de Biltmore, de maio de 1942?

Numa conferência em Nova York, Ben-Gurion rompeu com a política gradualista. Defendeu uma Commonwealth judaica imediata, ou seja, um Estado, e pediu a revogação do Livro Branco britânico de 1939.

4. O que aconteceu em 1º de junho de 1948, por determinação de Ben-Gurion?

Aplicando a doutrina da mamlakhtiut (“estatidade”), Ben-Gurion pôs todas as milícias sob o comando das FDI (Tzahal). Com isso, desmontou estruturas separadas como o Irgun e o Lehi.

5. Com que nome Golda Meir assinou a Declaração de Independência de Israel?

Em 14 de maio de 1948, ela assinou como Goldie Myerson e foi uma das poucas mulheres signatárias. Golda Mabovitch era seu nome de nascimento. Ela não foi a autora principal do texto.

6. Qual foi a missão secreta de Golda Meir em maio de 1948?

Enviada em segredo por Ben-Gurion e disfarçada com roupas tradicionais árabes, Golda tentou dissuadir Abdullah I de entrar no ataque que os países árabes planejavam. A compra de armas na Tchecoslováquia foi feita por meio do agente Ehud Avriel.

7. Na manhã de 6 de outubro de 1973, por que Golda Meir recusou o ataque preventivo proposto por David Elazar?

Golda temia que Israel fosse visto como agressor e perdesse o apoio dos EUA. Em vez de atacar, ordenou a mobilização ampla dos reservistas. Washington depois enviou uma grande ponte aérea de armas e equipamentos.

8. O que concluiu o relatório preliminar da Comissão Agranat, de 1º de abril de 1974?

O relatório preliminar não atribuiu a Golda nem a Dayan responsabilidade militar direta pela falta de prontidão. As recomendações de afastamento recaíram sobre a cúpula militar, incluindo Elazar e Eli Zeira. Mesmo assim, a pressão pública levou à renúncia de Golda em 11 de abril de 1974.

9. Quais países invadiram Israel em 15 de maio de 1948?

Os exércitos regulares de cinco países árabes entraram no território no dia seguinte à proclamação. A Legião Árabe, da Transjordânia, era a força árabe mais organizada e tomou Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental.

10. Qual foi o papel do diplomata brasileiro Oswaldo Aranha em 29 de novembro de 1947?

Aranha presidiu a sessão, conduziu os trabalhos e anunciou o resultado: 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. A decisão foi multilateral, e não obra de uma só pessoa. Os armistícios foram mediados por Ralph Bunche.

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Aula do Yad Vashem que mostra como, na Europa cristã medieval, a ambivalência herdada de Agostinho virou hostilidade aberta, com cruzadas, libelo de sangue, acusação de envenenar poços e expulsões em massa. Explica a origem de estereótipos antissemitas que sobrevivem até hoje.

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