Foto: David Ben-Gurion. Fritz Cohen · Public domain · Wikimedia CommonsOuça: Podcast Contexto
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Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Hoje vamos falar de duas figuras centrais da história de Israel: David Ben-Gurion e Golda Meir.
Davi: E eu sou o Davi. O tema de hoje é "Ben-Gurion e Golda Meir: os fundadores de Israel". Dois nomes que aparecem em qualquer livro sobre o século XX no Oriente Médio.
Lia: Davi, por que esse tema importa para quem está em sala de aula, seja professor ou estudante?
Davi: Porque, quando a gente olha para essas duas trajetórias, entende que Israel não surgiu do nada em 1948. Foi o ponto de chegada de um processo longo, com instituições, debates e escolhas difíceis. E entende também que a fundação não foi obra de uma pessoa só.
Lia: Esse é um ponto importante. Ben-Gurion é chamado de "pai fundador", mas isso não é um cargo oficial, certo?
Davi: Exato. É uma avaliação histórica, usada com frequência por instituições israelenses, como o Ben-Gurion Heritage Institute e a Ben-Gurion House. Ele foi o dirigente predominante do yishuv, a comunidade judaica sob o Mandato Britânico. Mas disputava influência com outras correntes sionistas, com os revisionistas, com instituições religiosas e com lideranças locais.
Lia: Então vamos começar pelo começo. Quem era Ben-Gurion antes de ser Ben-Gurion?
Davi: Ele nasceu David Grün, em 1886, em Płońsk, uma cidade da Polônia que na época fazia parte do Império Russo. Em 1906, imigrou para a Terra de Israel, então sob domínio otomano.
Lia: E o que ele fazia lá?
Davi: Trabalhou na agricultura e ajudou a organizar o movimento operário judaico. Participou da autodefesa judaica e das primeiras comunidades agrícolas coletivas. Durante a Primeira Guerra Mundial, serviu na Legião Judaica.
Lia: Depois vem a Histadrut, né?
Davi: Isso. Ele foi um dos fundadores da federação geral dos trabalhadores judeus. Algumas fontes datam a fundação em 1920, outras em 1921. Ele foi secretário-geral de 1921 a 1935, e nesse período a Histadrut virou uma das principais instituições econômicas, sociais e políticas do yishuv.
Lia: Ou seja, antes de existir um Estado, já existiam instituições funcionando.
Davi: Exatamente. Ben-Gurion vinha do sionismo trabalhista, que ligava a construção nacional ao trabalho agrícola, ao movimento operário e a instituições coletivas. Em 1935, passou a presidir o Executivo Sionista e a Agência Judaica.
Lia: E agora a outra protagonista. Golda Meir também tem uma história de imigração.
Davi: Tem, e bem interessante. Ela nasceu Golda Mabovitch, em 3 de maio de 1898, em Kiev, também no Império Russo. Em 1906, quando tinha oito anos, a família emigrou para os Estados Unidos e se estabeleceu em Milwaukee, no Wisconsin. O pai tinha ido antes, em busca de trabalho, e depois reuniu a família.
Lia: Muita gente diz que a família saiu só por causa da violência antissemita.
Davi: E aqui vale um cuidado de historiador. A emigração e a insegurança dos judeus no Império Russo estão confirmadas. Mas não dá para afirmar que esse foi o único motivo.
Lia: E foi em Milwaukee que ela se tornou sionista?
Davi: Foi. Ela frequentou a escola normal e entrou no movimento sionista trabalhista, a mesma corrente de Ben-Gurion. Em 1921, mudou-se com o marido, Morris Meyerson, para a Terra de Israel, então sob o Mandato Britânico. O casal viveu primeiro em um kibutz, e ela logo passou a ocupar cargos de direção no movimento trabalhista judaico.
Lia: Vamos para o segundo bloco: a virada rumo à independência. Quando Ben-Gurion passa a exigir um Estado imediato?
Davi: O marco é o Programa de Biltmore, em maio de 1942, numa conferência em Nova York. Ali ele rompeu com a política gradualista e defendeu a criação imediata de uma Commonwealth judaica, ou seja, um Estado. Pediu também a revogação do Livro Branco britânico de 1939.
Lia: Esse Livro Branco é aquele que limitou a imigração judaica?
Davi: Esse mesmo. Em 17 de maio de 1939, ele limitou a imigração judaica e proibiu judeus de comprar terras em 95% do território do Mandato. E isso num momento terrível para os judeus da Europa.
Lia: E depois de Biltmore?
Davi: Em dezembro de 1946, Ben-Gurion assumiu a pasta da Defesa no Executivo da Agência Judaica. Ele previa que a soberania seria decidida no campo de batalha e começou a transformar a Haganah, que era uma milícia estática, num exército regular.
Lia: Aí chegamos a 29 de novembro de 1947, a votação da partilha na ONU.
Davi: A Resolução 181 foi aprovada por 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. E tem um detalhe que interessa a quem é brasileiro: quem presidia a Assembleia Geral era o diplomata Oswaldo Aranha. Ele conduziu a sessão e anunciou o resultado. Mas foi uma decisão de muitos países, não de uma pessoa só.
Lia: A liderança judaica aceitou a partilha. E o lado árabe?
Davi: O Alto Comitê Árabe e os governos da Liga Árabe rejeitaram e anunciaram que se oporiam pelas armas. Os combates começaram em 30 de novembro de 1947, um dia depois da votação. Jerusalém ficou sob cerco.
Lia: E como Ben-Gurion reagiu?
Davi: Em janeiro de 1948, autorizou a compra emergencial de armamento da Tchecoslováquia, por meio do agente Ehud Avriel. Em 1º de abril de 1948, ordenou a Operação Nachshon, para que a Haganah deixasse a postura apenas defensiva e controlasse as rotas e colinas que levavam a Jerusalém.
Lia: E Golda, onde estava nesse momento?
Davi: Numa missão arriscada. Em maio de 1948, pouco antes do fim do Mandato, Ben-Gurion a enviou em segredo ao rei Abdullah I, da Transjordânia. Disfarçada com roupas tradicionais árabes, ela tentou convencê-lo a não participar do ataque que os países árabes planejavam contra o futuro Estado judeu.
Lia: Vamos ao terceiro bloco: o dia da independência.
Davi: Em 12 de maio de 1948, a Administração do Povo se reuniu sob a liderança de Ben-Gurion e aprovou a proclamação por 6 votos contra 4, segundo as atas guardadas nos Arquivos do Estado de Israel.
Lia: Uma votação apertada.
Davi: Muito. E dois dias depois, na sexta-feira, 14 de maio de 1948, às 16h, no Museu de Tel Aviv, Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel e foi o primeiro a assiná-la. No calendário hebraico, era 5 de iyar de 5708.
Lia: E Golda assinou também.
Davi: Assinou, com o nome Goldie Myerson, e foi uma das poucas mulheres signatárias. Mas atenção, professores: ela não foi a autora principal do texto. Quem leu a proclamação foi Ben-Gurion.
Lia: O que a Declaração dizia?
Davi: Ela se apoia na conexão histórica do povo judeu com a terra, no direito à autodeterminação e na Resolução 181. Prometeu igualdade civil e liberdade religiosa e fez um apelo aos árabes que viviam no novo Estado para que mantivessem a paz e participassem dele com igualdade plena de direitos.
Lia: E no dia seguinte veio a invasão.
Davi: Na noite de 14 para 15 de maio, os exércitos de Egito, Transjordânia, Síria, Líbano e Iraque invadiram. Israel sobreviveu, mas perdeu cerca de 6 mil pessoas, o equivalente a 1% da população judaica da época. Os armistícios de 1949 encerraram os combates.
Lia: E a guerra também deslocou muita gente.
Davi: Sim. Centenas de milhares de árabes palestinos foram deslocados, e os palestinos chamam esse período de Nakba. O historiador Benny Morris descreve causas variadas: fuga em condições de guerra, apelos de lideranças árabes e expulsões em casos específicos. Discutir 1948 é legítimo. Usar essa discussão para negar o direito de Israel existir é outra coisa: pela definição da IHRA, adotada pela JJO, isso é antissemitismo.
Lia: Ben-Gurion virou o primeiro primeiro-ministro. O que ele construiu?
Davi: Ele governou de 1948 a 1953 e de 1955 a 1963, acumulando a Defesa no primeiro período. Em 1º de junho de 1948, determinou que todas as milícias ficassem sob um comando único, o das Forças de Defesa de Israel, desmontando estruturas separadas como o Irgun e o Lehi.
Lia: E tem aquele conceito, a mamlakhtiut.
Davi: A "estatidade". Por ela, o Estado assumiu funções cívicas, educacionais e militares que antes pertenciam a partidos e facções. Ele também promoveu a imigração aberta para sobreviventes do Holocausto e comunidades judaicas da Diáspora.
Lia: E entre os dois mandatos?
Davi: Em 1953, ele se mudou com a esposa, Paula, para o kibutz Sde Boker, no deserto do Neguev, que considerava estratégico para o futuro do país.
Lia: Último bloco: Golda no comando.
Davi: Antes, ela foi representante diplomática em Moscou em 1948 e ministra das Relações Exteriores de 1956 a 1966. Em março de 1969, após a morte de Levi Eshkol, tornou-se a quarta pessoa a chefiar o governo e a primeira e única mulher no cargo até hoje.
Lia: Como foi o governo dela?
Davi: Focado em segurança e na aliança com os Estados Unidos de Richard Nixon e Henry Kissinger. Ela exigia negociações diretas de paz e reconhecimento mútuo como condição para qualquer recuo. Em 1972, após o massacre de atletas israelenses por terroristas do grupo Setembro Negro em Munique, conduziu a resposta internacional de Israel.
Lia: E então, 6 de outubro de 1973.
Davi: Yom Kipur, o dia mais sagrado do calendário judaico. Egito e Síria atacaram de surpresa em duas frentes. Naquela manhã, o chefe do Estado-Maior, David Elazar, pediu para atacar as bases de mísseis sírias. Golda recusou, para que ninguém acusasse Israel de agressão e o apoio americano fosse garantido.
Lia: Mas ela não ficou parada.
Davi: Não. Moshe Dayan propunha uma convocação limitada, e Golda mandou mobilizar amplamente os reservistas. A postura dela ajudou Washington a decidir rápido por uma grande ponte aérea de armas. Em 16 de outubro, anunciou no Knesset que as forças israelenses tinham atravessado o Canal de Suez.
Lia: Israel recuperou a iniciativa, mas o custo humano foi enorme.
Davi: E abalou a confiança do público. A Comissão Agranat, em seu relatório preliminar de 1º de abril de 1974, não atribuiu a Golda nem a Dayan responsabilidade militar direta. Mesmo assim, com protestos de reservistas e desgaste no partido, ela renunciou em 11 de abril de 1974. Yitzhak Rabin a sucedeu em junho.
Lia: Vamos às três ideias-chave de hoje. Primeira: Israel foi construído antes de 1948, com instituições como a Histadrut e a Agência Judaica, e não foi obra de uma pessoa só.
Davi: Segunda: Ben-Gurion proclamou o Estado em 14 de maio de 1948 e unificou as forças nas FDI; Golda assinou a Declaração e mais tarde se tornou a primeira e única mulher a chefiar o governo de Israel.
Lia: Terceira: liderar significa decidir sob pressão. Isso vale para a votação de 6 a 4 em 1948 e para a recusa de Golda ao ataque preventivo em 1973. A história deles é feita de escolhas, debates e responsabilidade.
Davi: Obrigado por nos acompanhar no Contexto.
Lia: Até o próximo episódio. Mais materiais em jjo.org.br.
Guia de estudo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste estudo, o estudante deverá ser capaz de:
- Explicar o papel de David Ben-Gurion na proclamação da independência de Israel, em 14 de maio de 1948, e na construção das instituições do novo Estado.
- Descrever a trajetória de Golda Meir, de Kiev e Milwaukee até a chefia do governo de Israel (1969–1974).
- Situar a fundação de Israel em um processo de meio século: do movimento sionista organizado (1897) à Resolução 181 da ONU (1947).
- Distinguir as duas fases da Guerra de Independência (1947–1949) e compreender por que Israel foi invadido no dia seguinte ao seu nascimento.
- Analisar a liderança de Golda Meir na Guerra do Yom Kipur (1973) e o debate sobre sua responsabilidade.
- Diferenciar a discussão histórica legítima sobre 1948 da negação do direito de Israel existir.
Conceitos-chave
1. Sionismo e sionismo trabalhista
O sionismo defendia o direito do povo judeu a um Estado próprio em sua terra histórica. Ben-Gurion e Golda Meir vinham do sionismo trabalhista. Essa corrente ligava a construção nacional ao trabalho agrícola, ao movimento operário e a instituições coletivas, como o kibutz e a Histadrut.
2. Yishuv
A comunidade judaica que vivia sob o Mandato Britânico. Em 1947, cerca de 600 mil judeus viviam no território, segundo o relatório da UNSCOP. Eles já tinham cidades, universidades e instituições próprias: - Tel Aviv (1909); - o Technion (1912); - a Universidade Hebraica (1918); - a Haganah (1920).
Ben-Gurion foi o dirigente predominante do yishuv. Mesmo assim, disputou influência com outras correntes sionistas, com os revisionistas, com instituições religiosas e com lideranças locais.
3. Do gradualismo à soberania imediata
No Programa de Biltmore (maio de 1942), em Nova York, Ben-Gurion rompeu com a política gradualista. Defendeu a criação imediata de uma Commonwealth judaica, ou seja, um Estado. Pediu também a revogação do Livro Branco britânico de 1939, que havia: - limitado a imigração judaica; - proibido judeus de comprar terras em 95% do território do Mandato.
4. A proclamação
Em 12 de maio de 1948, a Administração do Povo (Minhelet HaAm) aprovou a proclamação por 6 votos contra 4. Em 14 de maio de 1948, às 16h, no Museu de Tel Aviv, Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel e foi o primeiro a assiná-la. A data corresponde a 5 de iyar de 5708 no calendário hebraico.
A Declaração se apoia em três bases: - a conexão histórica do povo judeu com a terra; - o direito à autodeterminação; - a Resolução 181 da ONU.
O texto prometeu igualdade civil e liberdade religiosa. Também fez um apelo aos árabes que viviam no novo Estado para que mantivessem a paz e participassem dele com igualdade plena de direitos.
5. Mamlakhtiut (“estatidade”)
Doutrina aplicada por Ben-Gurion. Por ela, o Estado assumiu funções cívicas, educacionais e militares que antes pertenciam a partidos e facções do yishuv. O exemplo central é de 1º de junho de 1948: todas as milícias passaram a um comando único, o das Forças de Defesa de Israel (FDI, ou Tzahal). Com isso, foram desmontadas estruturas separadas como o Irgun e o Lehi.
6. A guerra de 1948 em duas fases
- Primeira fase (a partir de 30 de novembro de 1947): guerra civil no território do Mandato. Milícias árabes atacaram bairros judaicos, comboios e comunidades isoladas, e as forças judaicas reagiram. Jerusalém ficou sob cerco.
- Segunda fase (a partir de 15 de maio de 1948): invasão pelos exércitos do Egito, da Transjordânia, da Síria, do Líbano e do Iraque.
Israel sobreviveu e terminou a guerra controlando cerca de 77% do território do Mandato. Perdeu cerca de 6 mil pessoas, o equivalente a 1% da população judaica da época.
7. Linhas do Armistício de 1949 (“Linha Verde”)
São as linhas de cessar-fogo dos armistícios assinados em Rodes, com mediação de Ralph Bunche. Não eram fronteiras internacionais definitivas: os próprios acordos diziam que não deveriam ser lidos como solução política ou territorial permanente. Depois da guerra: - a Jordânia anexou a Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental em 1950; - o Egito manteve Gaza sob administração militar; - nenhum dos dois criou ali um Estado palestino.
8. Refugiados de 1948 e judeus dos países árabes
A guerra deslocou centenas de milhares de árabes palestinos. As estimativas variam: cerca de 700 mil, segundo a AP, e aproximadamente 720 mil, segundo o governo de Israel. Os palestinos chamam esse deslocamento de Nakba.
Houve fatos graves e documentados, inclusive por historiadores israelenses, como Deir Yassin e a expulsão de Lida e Ramle. Benny Morris, porém, não encontrou ordem da liderança judaica para expulsar a população árabe. Ele conclui que o problema “nasceu da guerra, não de um plano”.
Nos anos seguintes, cerca de 800 mil judeus deixaram países árabes ou foram expulsos deles. Israel absorveu a maioria deles.
9. Golda Meir no governo (1969–1974)
O governo de Golda Meir teve quatro marcas principais: - foco na segurança; - aliança com os EUA de Richard Nixon e Henry Kissinger; - exigência de paz real como condição para qualquer recuo; - decisões de segurança concentradas no “Gabinete de Cozinha”, com Moshe Dayan e Yisrael Galili.
Na Guerra do Yom Kipur (6 de outubro de 1973), Golda recusou o ataque preventivo para que Israel não fosse acusado de agressão. Ao mesmo tempo, ordenou a mobilização ampla dos reservistas.
10. Discussão histórica × negação de Israel
Discutir a guerra de 1948 é legítimo. Usar essa discussão para negar o direito de Israel existir é outra coisa. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, essa negação é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Linha do tempo
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 1886 | David Grün (Ben-Gurion) nasce em Płońsk, então parte do Império Russo |
| 1897 | Nasce o movimento sionista organizado |
| 3 de maio de 1898 | Golda Mabovitch (Golda Meir) nasce em Kiev |
| 1906 | Ben-Gurion imigra para a Terra de Israel, sob domínio otomano; a família de Golda emigra para Milwaukee |
| 2 de novembro de 1917 | Declaração Balfour |
| 1920 ou 1921 | Fundação da Histadrut (há registros com as duas datas) |
| 1921 | Golda e o marido, Morris Meyerson, mudam-se para a Terra de Israel |
| 1921–1935 | Ben-Gurion é secretário-geral da Histadrut |
| 1922 | A Liga das Nações aprova o Mandato Britânico |
| 1935 | Ben-Gurion passa a presidir o Executivo Sionista e a Agência Judaica |
| Julho de 1937 | A Comissão Peel propõe dois Estados |
| 17 de maio de 1939 | Livro Branco britânico |
| Maio de 1942 | Programa de Biltmore |
| Dezembro de 1946 | Ben-Gurion assume a pasta da Defesa no Executivo da Agência Judaica |
| 29 de novembro de 1947 | A ONU aprova a Resolução 181 (33 a 13, com 10 abstenções), em sessão presidida por Oswaldo Aranha |
| 30 de novembro de 1947 | Começam os combates |
| Janeiro de 1948 | Compra emergencial de armas da Tchecoslováquia, via Ehud Avriel |
| Março de 1948 | A Haganah adota o Plano Dalet |
| 1º de abril de 1948 | Operação Nachshon |
| 16 de abril de 1948 | Jamal Husseini, na ONU: “Nós não negamos isso” |
| Maio de 1948 | Missão secreta de Golda ao rei Abdullah I |
| 12 de maio de 1948 | A Administração do Povo aprova a proclamação por 6 votos a 4 |
| 14 de maio de 1948 | Proclamação do Estado de Israel; Golda assina como Goldie Myerson |
| 15 de maio de 1948 | Invasão por cinco exércitos árabes |
| 1º de junho de 1948 | Todas as milícias passam ao comando único das FDI |
| 1948 | Golda é a principal representante diplomática de Israel em Moscou |
| 24 de fevereiro a 20 de julho de 1949 | Armistícios com Egito, Líbano, Jordânia e Síria |
| 1953–1955 | Ben-Gurion vive no kibutz Sde Boker, no Neguev |
| 1955–1963 | Ben-Gurion volta a ser primeiro-ministro |
| 1956–1966 | Golda Meir é ministra das Relações Exteriores |
| Março de 1969 | Golda Meir torna-se primeira-ministra, após a morte de Levi Eshkol |
| 1972 | Massacre de atletas israelenses em Munique pelo grupo terrorista Setembro Negro |
| 6 de outubro de 1973 | Egito e Síria atacam Israel: Guerra do Yom Kipur |
| 16 de outubro de 1973 | Golda anuncia no Knesset a travessia do Canal de Suez |
| 18 de novembro de 1973 | Criação da Comissão Agranat |
| 1973 | Morre Ben-Gurion |
| 1º de abril de 1974 | Relatório preliminar da Comissão Agranat |
| 11 de abril de 1974 | Renúncia de Golda Meir |
| Junho de 1974 | Yitzhak Rabin sucede Golda Meir |
| 30 de janeiro de 1975 | Relatório final da Comissão Agranat |
| 1978 | Morre Golda Meir |
Cinco perguntas para discussão
- O título de “pai fundador” não é um cargo oficial, e a fundação de Israel não foi obra de um homem só. Por que, então, Ben-Gurion é o nome mais associado a ela? Que outros atores e correntes participaram do processo?
- A doutrina da mamlakhtiut levou à unificação das milícias nas FDI em 1º de junho de 1948. Por que um Estado recém-criado, já em guerra, precisava de um comando militar único?
- Ao recusar o ataque preventivo em 6 de outubro de 1973, Golda Meir pesou riscos militares e diplomáticos. Que dilemas essa decisão revela sobre a relação entre segurança e apoio internacional?
- A Comissão Agranat não atribuiu a Golda Meir responsabilidade militar direta, mas a pressão pública levou à sua renúncia. O que esse episódio mostra sobre responsabilidade política em uma democracia?
- Como estudar com seriedade o deslocamento de árabes palestinos e o de judeus dos países árabes depois de 1948, sem transformar essa discussão em negação do direito de Israel existir?
Glossário
- Agência Judaica: principal instituição política do yishuv, presidida por Ben-Gurion a partir de 1935.
- Comissão Agranat: comissão de inquérito criada em 18 de novembro de 1973 para apurar falhas de prontidão e de inteligência na Guerra do Yom Kipur.
- FDI (Tzahal): Forças de Defesa de Israel, o exército unificado criado em 1948.
- Gabinete de Cozinha: fórum pequeno e informal de decisões de segurança no governo de Golda Meir.
- Haganah: força de defesa judaica fundada em 1920, transformada por Ben-Gurion em exército regular.
- Histadrut: federação geral dos trabalhadores judeus, cofundada por Ben-Gurion.
- Kibutz: comunidade agrícola coletiva típica do sionismo trabalhista.
- Linha Verde: linhas do armistício de 1949; não eram fronteiras definitivas.
- Mamlakhtiut: “estatidade”; transferência ao Estado de funções antes exercidas por partidos e facções.
- Nakba: termo usado pelos palestinos para o deslocamento ocorrido na guerra de 1948.
- Resolução 181: recomendação da Assembleia Geral da ONU, de 29 de novembro de 1947, que previa dois Estados.
- Yishuv: comunidade judaica sob o Mandato Britânico.
Quiz: teste o que aprendeu
Ben-Gurion leu a Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel na sexta-feira, 14 de maio de 1948, às 16h, no Museu de Tel Aviv, e foi o primeiro a assiná-la. A data corresponde a 5 de iyar de 5708 no calendário hebraico.
Sob a liderança de Ben-Gurion, a Administração do Povo aprovou a proclamação por 6 votos contra 4, segundo as atas dos Arquivos do Estado de Israel. O placar de 33 a 13 é o da Resolução 181 da ONU.
Numa conferência em Nova York, Ben-Gurion rompeu com a política gradualista. Defendeu uma Commonwealth judaica imediata, ou seja, um Estado, e pediu a revogação do Livro Branco britânico de 1939.
Aplicando a doutrina da mamlakhtiut (“estatidade”), Ben-Gurion pôs todas as milícias sob o comando das FDI (Tzahal). Com isso, desmontou estruturas separadas como o Irgun e o Lehi.
Em 14 de maio de 1948, ela assinou como Goldie Myerson e foi uma das poucas mulheres signatárias. Golda Mabovitch era seu nome de nascimento. Ela não foi a autora principal do texto.
Enviada em segredo por Ben-Gurion e disfarçada com roupas tradicionais árabes, Golda tentou dissuadir Abdullah I de entrar no ataque que os países árabes planejavam. A compra de armas na Tchecoslováquia foi feita por meio do agente Ehud Avriel.
Golda temia que Israel fosse visto como agressor e perdesse o apoio dos EUA. Em vez de atacar, ordenou a mobilização ampla dos reservistas. Washington depois enviou uma grande ponte aérea de armas e equipamentos.
O relatório preliminar não atribuiu a Golda nem a Dayan responsabilidade militar direta pela falta de prontidão. As recomendações de afastamento recaíram sobre a cúpula militar, incluindo Elazar e Eli Zeira. Mesmo assim, a pressão pública levou à renúncia de Golda em 11 de abril de 1974.
Os exércitos regulares de cinco países árabes entraram no território no dia seguinte à proclamação. A Legião Árabe, da Transjordânia, era a força árabe mais organizada e tomou Judeia e Samaria e Jerusalém Oriental.
Aranha presidiu a sessão, conduziu os trabalhos e anunciou o resultado: 33 votos a favor, 13 contra e 10 abstenções. A decisão foi multilateral, e não obra de uma só pessoa. Os armistícios foram mediados por Ralph Bunche.
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