Foto: A Declaração Balfour. Zoltan Kluger · Public domain · Wikimedia CommonsOuça: Podcast Contexto
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Lia: Olá, você está ouvindo o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Eu sou a Lia.
Davi: E eu sou o Davi. Hoje o tema é a Declaração Balfour e o Mandato Britânico.
Lia: São dois documentos que aparecem em quase todo livro didático sobre o Oriente Médio, mas que muitas vezes são explicados pela metade.
Davi: Por que vale a pena dedicar um episódio inteiro a eles?
Lia: Porque eles marcam a passagem de uma aspiração nacional judaica para um compromisso reconhecido internacionalmente. E porque muitas acusações atuais contra Israel partem de leituras distorcidas desse período.
Davi: Então vamos começar pelo começo. O que foi a Declaração Balfour?
Lia: Foi uma carta oficial do governo britânico, de 2 de novembro de 1917. Ela apoiava o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu.
Davi: Quem assinou e para quem foi enviada?
Lia: Quem assinou foi o secretário de Relações Exteriores, Arthur James Balfour. O destinatário foi Lord Walter Rothschild, um dos líderes da comunidade judaica e da Federação Sionista na Grã-Bretanha.
Davi: E quem aprovou o texto?
Lia: O Gabinete de Guerra do primeiro-ministro David Lloyd George, em 31 de outubro. A carta saiu dois dias depois.
Davi: E o que a carta dizia, exatamente?
Lia: O núcleo é este: "O Governo de Sua Majestade vê com favor o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu e empregará seus melhores esforços para facilitar a realização desse objetivo."
Davi: Então o texto pensou em quem já vivia ali?
Lia: Previu proteção aos direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes. E também protegeu os direitos e a condição política dos judeus que viviam em qualquer outro país.
Davi: Mas proteger direitos não é o mesmo que consultar.
Lia: É verdade, e vale dizer com clareza: a população árabe era maioria na região e não foi consultada diretamente. Vamos voltar a esse ponto daqui a pouco.
Davi: Essa redação já saiu pronta?
Lia: Não. Houve meses de negociação entre o Gabinete britânico e líderes sionistas como Chaim Weizmann e Nahum Sokolow.
Davi: E o texto mudou nesse caminho?
Lia: Mudou. O rascunho de Rothschild, de julho de 1917, falava em "reconstituir" o lar nacional judaico. Versões posteriores, como as de Milner e Milner-Amery, adotaram "estabelecimento" e acrescentaram as salvaguardas.
Davi: E por que Londres fez essa declaração naquele momento?
Lia: Era a Primeira Guerra Mundial. O Império Britânico combatia o Império Otomano, que controlava a região, e buscava apoio de comunidades judaicas nos Estados Unidos e na Rússia.
Davi: Uma dúvida que aparece muito em sala de aula: a Declaração prometeu um Estado judeu?
Lia: Não com essas palavras. Ela não usou a expressão "Estado judeu" nem definiu fronteiras.
Davi: Vamos ao segundo bloco, então: o Mandato Britânico. Qual é a diferença entre ele e a Declaração?
Lia: A Declaração era uma promessa política de um governo. O Mandato, aprovado pela Liga das Nações, transformou essa promessa em obrigação internacional.
Davi: E como se chegou até ele?
Lia: Foram três etapas. A primeira veio em 1919, quando o artigo 22 do Pacto da Liga das Nações criou o sistema de mandatos.
Davi: E como esse sistema funcionava?
Lia: A área entrou como "Mandato Classe A", a categoria dos territórios do antigo Império Otomano que receberiam assistência até se governarem. A segunda etapa foi em abril de 1920, na Conferência de San Remo, quando Grã-Bretanha, França, Itália e Japão atribuíram o mandato à Grã-Bretanha.
Davi: Então em 1920 já se sabia quem administraria a região, mas faltava o texto final?
Lia: Exatamente. O texto veio em 24 de julho de 1922, quando o Conselho da Liga das Nações o aprovou por unanimidade.
Davi: E quando começou a valer?
Lia: Entrou em vigor em 29 de setembro de 1923.
Davi: O que o Mandato dizia sobre o povo judeu?
Lia: O preâmbulo incorporou a Declaração Balfour quase palavra por palavra. E reconheceu a conexão histórica do povo judeu com a terra e os fundamentos para "reconstituir" seu lar nacional.
Davi: Aquela palavra do rascunho de Rothschild voltou.
Lia: Voltou, agora num texto aprovado pela Liga das Nações.
Davi: E, na prática, quais eram as obrigações da Grã-Bretanha?
Lia: O artigo 2 mandava criar condições políticas, administrativas e econômicas para o lar nacional judaico, desenvolver o autogoverno e proteger os direitos civis e religiosos de todos os habitantes.
Davi: E os outros artigos?
Lia: O artigo 4 reconhecia a Agência Judaica como órgão público para aconselhar e cooperar com a administração. O artigo 6 mandava facilitar a imigração judaica e incentivar que judeus se estabelecessem na terra, sem prejudicar os direitos das demais parcelas da população.
Davi: Então eram dois deveres ao mesmo tempo.
Lia: Isso: construir o lar nacional judaico e proteger os direitos de todos. O Mandato não criou um Estado judeu de imediato.
Davi: E o artigo 25? Sempre ouço falar dele quando o assunto é a Transjordânia.
Lia: O Mandato abrangia terras a oeste e a leste do rio Jordão. O artigo 25 permitia não aplicar certas cláusulas a leste do rio.
Davi: E a Grã-Bretanha usou essa possibilidade?
Lia: Usou. Em 1921, a Grã-Bretanha passou a administrar a Transjordânia separadamente, sob Abdullah ibn Hussein.
Davi: E isso foi formalizado?
Lia: Foi, em 16 de setembro de 1922. O Conselho da Liga das Nações aprovou um memorando britânico que delimitou a fronteira e criou a administração separada do Emirado da Transjordânia, onde as regras sobre imigração judaica deixaram de valer.
Davi: Então a área do lar nacional judaico encolheu.
Lia: Pela leitura sionista, encolheu muito. O fato é que, a leste do rio, surgiu uma entidade árabe, e o lar nacional judaico ficou restrito à área a oeste do rio.
Davi: Terceiro bloco: as críticas. Por que a liderança palestina se opõe à Declaração Balfour?
Lia: A liderança árabe palestina alega que a Grã-Bretanha prometeu a terra a um movimento "externo", sem o consentimento da população árabe. E acusa o Mandato de ter favorecido a imigração judaica sem reconhecer um direito político árabe equivalente.
Davi: E como responde a perspectiva israelense e sionista?
Lia: Com quatro pontos. Primeiro: os judeus não eram estrangeiros à terra. A presença judaica tem mais de 3 mil anos, documentada pela arqueologia, com comunidades contínuas em Jerusalém, Hebron, Safed e Tiberíades.
Davi: E o segundo ponto?
Lia: O texto protegia os não judeus: a Declaração e os artigos 2 e 6 do Mandato garantiam seus direitos civis e religiosos. Terceiro: o mundo árabe também foi atendido, com a separação da Transjordânia e com outros mandatos que deram origem a Estados árabes.
Davi: E o quarto?
Lia: A partilha foi oferecida e recusada. O movimento sionista aceitou a proposta da Comissão Peel, em 1937.
Davi: E depois?
Lia: Aceitou também a Resolução 181 da ONU, em 1947. A liderança árabe palestina e os Estados árabes rejeitaram as duas.
Davi: E a própria Grã-Bretanha cumpriu o Mandato até o fim?
Lia: Não. A virada principal foi o Livro Branco de maio de 1939, do governo de Neville Chamberlain.
Davi: O que ele fez?
Lia: Limitou a imigração judaica a 75 mil pessoas em cinco anos. Depois disso, qualquer nova entrada dependeria do consentimento árabe.
Davi: Só isso?
Lia: Não. Também restringiu a compra de terras por judeus em várias áreas e declarou que a região não deveria se tornar um Estado judeu.
Davi: Houve reação internacional?
Lia: O movimento sionista acusou Londres de violar os artigos 2 e 6 do Mandato. E a Comissão Permanente de Mandatos da Liga das Nações considerou a política problemática em relação ao Mandato.
Davi: E o momento histórico pesa muito aqui.
Lia: Pesa enormemente. As cotas vieram às vésperas do Holocausto, quando judeus europeus tentavam fugir dos nazistas.
Davi: Último bloco: a acusação de que o Mandato teria sido um projeto colonial.
Lia: Essa acusação parte de fatos reais, como a origem europeia de muitos dos primeiros sionistas e o apoio britânico em 1917. Mas omite o essencial.
Davi: E o que fica de fora?
Lia: Não havia metrópole. Os judeus não eram enviados por um império; fugiam de pogroms e, depois, do Holocausto. E as terras foram compradas, com registro nos cartórios otomanos e do Mandato.
Davi: E o movimento sionista já existia antes de Balfour, não é?
Lia: Desde duas décadas antes. O Primeiro Congresso Sionista, com Theodor Herzl, ocorreu em Basileia em 1897. E a potência mandatária se voltou contra o projeto em 1939.
Davi: Tem também a questão de quem são os israelenses.
Lia: Sim. Mais da metade dos judeus de Israel descende de judeus orientais, mizrahim e sefarditas.
Davi: E o argumento de que Israel teria nascido de um arranjo imperial, o sistema de mandatos?
Lia: Vale lembrar que Iraque, Síria, Líbano e Jordânia também nasceram do sistema de mandatos da Liga das Nações. Ninguém nega a esses Estados o direito de existir por causa dessa origem.
Davi: E onde entra a questão do antissemitismo?
Lia: A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. E a JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Davi: Para fechar a linha do tempo: como terminou o Mandato?
Lia: Terminou em 1948. Quando os britânicos saíram, já existia um Estado em formação. O Yishuv, a comunidade judaica pré-Estado, tinha escolas, universidades, hospitais, sindicatos, partidos, bancos e uma força de defesa própria, a Haganah.
Davi: E a independência?
Lia: David Ben-Gurion proclamou a independência de Israel em 14 de maio de 1948. Logo depois, o novo Estado enfrentou os exércitos de Egito, Síria, Transjordânia, Líbano e Iraque.
Davi: E houve deslocamento de população nessa guerra.
Lia: Houve. Cerca de 700 mil palestinos foram deslocados, episódio que eles chamam de Nakba. Esse sofrimento é real. Ele ocorreu na Guerra de Independência de Israel, depois de a liderança árabe rejeitar a partilha e de cinco exércitos árabes invadirem o país recém-criado.
Davi: E quando Israel entrou na ONU?
Lia: Em 11 de maio de 1949.
Davi: Lia, quais são as três ideias-chave de hoje?
Lia: Primeira: a Declaração Balfour, de 1917, apoiou um lar nacional para o povo judeu e protegeu os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas.
Davi: Segunda?
Lia: Segunda: o Mandato de 1922 transformou essa promessa em obrigação internacional e reconheceu a conexão histórica do povo judeu com a terra; foi a Grã-Bretanha que, em 1939, restringiu o projeto.
Davi: E a terceira?
Lia: Terceira: a tese de que o sionismo foi um projeto colonial omite fatos centrais, como a ausência de metrópole, a compra registrada de terras e a oposição da própria potência mandatária a partir de 1939. O sionismo é o movimento nacional de um povo com raízes nessa terra.
Davi: Obrigado por nos acompanhar no Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.
Lia: Até o próximo episódio.
Guia de estudo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste estudo, o estudante deverá ser capaz de: 1. Explicar o que foi a Declaração Balfour de 2 de novembro de 1917, quem a assinou e o que ela prometia. 2. Descrever como o Mandato Britânico, aprovado pela Liga das Nações em 24 de julho de 1922, transformou essa promessa em obrigação internacional. 3. Identificar os principais artigos do Mandato (2, 4, 6 e 25) e seu significado. 4. Compreender por que a Transjordânia ficou fora do lar nacional judaico. 5. Analisar a virada britânica do Livro Branco de 1939 e seu peso histórico às vésperas do Holocausto. 6. Avaliar criticamente a objeção da liderança árabe palestina e a acusação de “colonialismo”, à luz da resposta israelense e sionista. 7. Relacionar o fim do Mandato ao nascimento do Estado de Israel em 14 de maio de 1948.
Conceitos-chave
A Declaração Balfour (1917)
- Carta oficial do governo britânico, assinada pelo secretário de Relações Exteriores Arthur James Balfour e enviada a Lord Walter Rothschild, um dos líderes da comunidade judaica e da Federação Sionista na Grã-Bretanha.
- O Gabinete de Guerra do primeiro-ministro David Lloyd George aprovou o texto em 31 de outubro de 1917. A carta saiu dois dias depois.
- Núcleo: o governo britânico “vê com favor o estabelecimento [...] de um lar nacional para o povo judeu” e empregaria “seus melhores esforços para facilitar a realização desse objetivo”.
- Duas salvaguardas: proteger “os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas existentes” e “os direitos e a condição política de que gozam os judeus em qualquer outro país”.
- O texto resultou de meses de negociação com líderes sionistas como Chaim Weizmann e Nahum Sokolow. O rascunho de Rothschild (julho de 1917) falava em “reconstituir” o lar nacional; versões posteriores (Milner e Milner-Amery) adotaram “estabelecimento” e acrescentaram as salvaguardas.
- Contexto: Primeira Guerra Mundial. O Império Britânico combatia o Império Otomano, que controlava a região. Londres buscava apoio de comunidades judaicas nos Estados Unidos e na Rússia.
- A carta não usou a expressão “Estado judeu” nem definiu fronteiras.
O Mandato Britânico (1922)
- 1919: o artigo 22 do Pacto da Liga das Nações criou o sistema de mandatos. A área entrou como “Mandato Classe A”, para territórios do antigo Império Otomano que receberiam assistência até se governarem.
- Abril de 1920: na Conferência de San Remo, Grã-Bretanha, França, Itália e Japão atribuíram o mandato à Grã-Bretanha.
- 24 de julho de 1922: o Conselho da Liga das Nações aprovou o texto por unanimidade. Entrou em vigor em 29 de setembro de 1923.
- O preâmbulo incorporou a Declaração Balfour quase palavra por palavra e reconheceu a conexão histórica do povo judeu com a terra e os fundamentos para “reconstituir” seu lar nacional.
| Artigo | O que determinava |
|---|---|
| 2 | Criar condições políticas, administrativas e econômicas para o lar nacional judaico; desenvolver autogoverno; proteger os direitos civis e religiosos de todos os habitantes |
| 4 | Reconhecer a Agência Judaica como órgão público para aconselhar e cooperar com a administração |
| 6 | Facilitar a imigração judaica e incentivar o assentamento judaico na terra, sem prejudicar os direitos das demais parcelas da população |
| 25 | Permitir não aplicar certas cláusulas a leste do rio Jordão |
- O Mandato não criou um Estado judeu de imediato. Ele uniu dois deveres: construir o lar nacional judaico e proteger os direitos de todos.
A separação da Transjordânia
- O Mandato abrangia terras a oeste e a leste do rio Jordão.
- Em 1921, a Grã-Bretanha passou a administrar a Transjordânia separadamente, sob Abdullah ibn Hussein.
- Em 16 de setembro de 1922, o Conselho da Liga das Nações aprovou um memorando britânico que aplicou o artigo 25, delimitou a fronteira e criou a administração separada do Emirado da Transjordânia. Lá, as regras sobre imigração e assentamento judaicos deixaram de valer.
- Pelo argumento sionista, a medida reduziu muito a área destinada ao lar nacional judaico, que ficou restrito à área a oeste do rio. A leste, surgiu uma entidade árabe.
O Livro Branco de 1939: a virada britânica
Política de maio de 1939, do governo de Neville Chamberlain, que: - limitou a imigração judaica a 75 mil pessoas em cinco anos; - condicionou qualquer imigração posterior ao consentimento árabe; - restringiu a compra de terras por judeus em várias áreas; - propôs um Estado independente, governado em conjunto por árabes e judeus, em até dez anos; - declarou que a região não deveria se tornar um Estado judeu.
O movimento sionista acusou Londres de violar os artigos 2 e 6 do Mandato, e a Comissão Permanente de Mandatos da Liga das Nações considerou a política problemática. As cotas vieram às vésperas do Holocausto, quando judeus europeus tentavam fugir dos nazistas. Na década de 1940, forças judaicas lutaram contra a administração britânica; em 1948, a Grã-Bretanha impôs embargo de armas.
A objeção da liderança árabe palestina e a resposta sionista
A liderança árabe palestina alega que a Grã-Bretanha fez a promessa sem o consentimento da população árabe, que era maioria, e que o Mandato foi aplicado de forma desigual. Uma parte disso é fato: a população árabe era maioria e não foi consultada diretamente. A resposta israelense e sionista tem quatro pontos: 1. Os judeus não eram estrangeiros à terra: presença de mais de 3 mil anos, documentada pela arqueologia, e comunidades judaicas contínuas em Jerusalém, Hebron, Safed e Tiberíades. 2. O texto protegia os não judeus: a Declaração e os artigos 2 e 6 garantiam seus direitos civis e religiosos. 3. O mundo árabe também foi atendido: a Transjordânia foi separada em 1922, e outros mandatos da época deram origem a Estados árabes. 4. A partilha foi oferecida e recusada: o movimento sionista aceitou a Comissão Peel (1937) e a Resolução 181 da ONU (1947); a liderança árabe palestina e os Estados árabes rejeitaram as duas.
O Mandato foi um projeto colonial?
Não. A acusação de “colonialismo europeu de povoamento” parte de fatos reais (a origem europeia de muitos dos primeiros sionistas e o apoio britânico em 1917), mas omite o essencial: - Não havia metrópole: os judeus não eram enviados por um império; fugiam de pogroms e, depois, do Holocausto. - O movimento é anterior a Balfour: o Primeiro Congresso Sionista, com Theodor Herzl, ocorreu em Basileia em 1897. - Terras foram compradas, com registro nos cartórios otomanos e do Mandato. - A potência mandatária se voltou contra o projeto em 1939. - Mais da metade dos judeus de Israel descende de judeus orientais, mizrahim e sefarditas. - Iraque, Síria, Líbano e Jordânia também nasceram do sistema de mandatos, e ninguém nega a esses Estados o direito de existir por causa dessa origem.
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
O fim do Mandato e o nascimento de Israel
- Quando os britânicos saíram, já existia um Estado em formação: o Yishuv havia construído escolas, universidades, hospitais, sindicatos, partidos, bancos e uma força de defesa própria, a Haganah.
- Em 29 de novembro de 1947, a Assembleia Geral da ONU aprovou a Resolução 181 por 33 votos a 13, com 10 abstenções. Era uma recomendação, não uma decisão executória. Os judeus aceitaram a partilha; a liderança árabe a rejeitou.
- Em 14 de maio de 1948, David Ben-Gurion proclamou a independência de Israel. O novo Estado enfrentou os exércitos de Egito, Síria, Transjordânia, Líbano e Iraque, venceu a guerra e entrou na ONU em 11 de maio de 1949.
- Na guerra, cerca de 700 mil palestinos foram deslocados, episódio que eles chamam de Nakba. Esse sofrimento é real. Ele ocorreu na Guerra de Independência de Israel, depois de a liderança árabe rejeitar a partilha e de cinco exércitos árabes invadirem o país recém-criado.
Linha do tempo
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 29 a 31 de agosto de 1897 | Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, presidido por Theodor Herzl |
| Julho de 1917 | Rascunho de Lord Rothschild fala em “reconstituir” o lar nacional judaico |
| 31 de outubro de 1917 | Gabinete de Guerra de David Lloyd George aprova o texto |
| 2 de novembro de 1917 | Declaração Balfour |
| 1919 | Artigo 22 do Pacto da Liga das Nações cria o sistema de mandatos |
| Abril de 1920 | Conferência de San Remo atribui o mandato à Grã-Bretanha |
| 1921 | Transjordânia passa a ser administrada separadamente, sob Abdullah ibn Hussein |
| 24 de julho de 1922 | Conselho da Liga das Nações aprova o Mandato por unanimidade |
| 16 de setembro de 1922 | Memorando britânico aplica o artigo 25 à Transjordânia |
| 29 de setembro de 1923 | O Mandato entra em vigor |
| 1937 | Movimento sionista aceita a partilha da Comissão Peel; o lado árabe a rejeita |
| Maio de 1939 | Livro Branco do governo Chamberlain |
| 29 de novembro de 1947 | Resolução 181 da ONU (33 a 13, com 10 abstenções) |
| 14 de maio de 1948 | Ben-Gurion proclama a independência de Israel |
| 11 de maio de 1949 | Israel entra na ONU |
Cinco perguntas para discussão
- A versão final da Declaração Balfour trocou “reconstituir” por “estabelecimento” e acrescentou salvaguardas. O que essas mudanças revelam sobre as negociações e as preocupações do governo britânico em 1917?
- Como o Mandato procurou conciliar o dever de construir o lar nacional judaico com o dever de proteger os direitos de todos os habitantes? Quais tensões essa combinação podia gerar?
- Por que, pelo argumento sionista, a aplicação do artigo 25 à Transjordânia foi uma redução significativa da área destinada ao lar nacional judaico?
- Qual o peso histórico de o Livro Branco de 1939 ter limitado a imigração judaica justamente às vésperas do Holocausto?
- Por que a comparação com Iraque, Síria, Líbano e Jordânia, também nascidos do sistema de mandatos, é relevante para avaliar a acusação de que o sionismo seria um projeto colonial?
Glossário
- Lar nacional para o povo judeu: expressão da Declaração Balfour e do Mandato; não definia fronteiras nem soberania.
- Mandato Classe A: categoria criada pelo artigo 22 do Pacto da Liga das Nações para territórios do antigo Império Otomano que receberiam assistência até se governarem.
- Agência Judaica: órgão público reconhecido pelo artigo 4 do Mandato para aconselhar e cooperar com a administração.
- Transjordânia: área a leste do rio Jordão, administrada separadamente a partir de 1921 e excluída das cláusulas do lar nacional judaico em 1922.
- Livro Branco de 1939: política britânica que restringiu a imigração judaica e a compra de terras por judeus.
- Yishuv: a comunidade judaica pré-Estado.
- Haganah: força de defesa própria do Yishuv.
- Resolução 181: recomendação de partilha aprovada pela Assembleia Geral da ONU em 29 de novembro de 1947.
- Mizrahim e sefarditas: judeus orientais, dos quais descende mais da metade dos judeus de Israel.
- IHRA: definição de antissemitismo adotada pela JJO, pela qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
Quiz: teste o que aprendeu
O secretário de Relações Exteriores Arthur James Balfour assinou a carta e a enviou a Lord Walter Rothschild, um dos líderes da comunidade judaica e da Federação Sionista na Grã-Bretanha. Herzl já havia morrido em 1904.
A carta é de 2 de novembro de 1917. O Gabinete de Guerra de David Lloyd George havia aprovado o texto dois dias antes, em 31 de outubro de 1917.
A Declaração apoiou o estabelecimento de um lar nacional para o povo judeu, sem usar a expressão “Estado judeu” nem definir fronteiras, e trouxe duas salvaguardas: os direitos civis e religiosos das comunidades não judaicas e a condição dos judeus em outros países.
O rascunho de Rothschild falava em “reconstituir” o lar nacional judaico. As versões de Milner e Milner-Amery adotaram “estabelecimento” e acrescentaram as salvaguardas.
Em abril de 1920, na Conferência de San Remo, Grã-Bretanha, França, Itália e Japão atribuíram o mandato à Grã-Bretanha. O texto foi aprovado pela Liga das Nações em 24 de julho de 1922.
O artigo 4 reconheceu a Agência Judaica como órgão público. A imigração aparece no artigo 6, e a exceção a leste do Jordão, no artigo 25.
O Mandato abrangia terras a oeste e a leste do rio Jordão. Pelo artigo 25, um memorando britânico aprovado em 16 de setembro de 1922 criou a administração separada do Emirado da Transjordânia, onde as regras sobre imigração e assentamento judaicos deixaram de valer.
O Livro Branco do governo Chamberlain limitou a imigração judaica a 75 mil pessoas em cinco anos, condicionou entradas posteriores ao consentimento árabe, restringiu a compra de terras por judeus e declarou que a região não deveria se tornar um Estado judeu. As cotas vieram às vésperas do Holocausto.
O movimento sionista é anterior a Balfour. O Primeiro Congresso Sionista, presidido por Theodor Herzl, ocorreu em Basileia em 1897, duas décadas antes da carta de 1917.
A Resolução 181 foi aprovada por 33 votos a 13, com 10 abstenções. Era uma recomendação, não uma decisão executória. Os judeus aceitaram a partilha, e a liderança árabe a rejeitou.
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Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
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AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Em debate na Oxford Union, a ex-deputada israelense e estudiosa do sionismo Einat Wilf compara a história do antissemitismo com o antissionismo atual. Ela mostra como o ódio aos judeus muda de rótulo e de justificativa (religião, ciência racial, direitos humanos) para transformar o povo judeu e Israel em bode expiatório.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Painel do Yad Vashem com os historiadores Iael Nidam-Orvieto, Sergio Della Pergola e Simonetta Della Seta sobre a batida nazista contra os judeus de Roma em 16 de outubro de 1943, o 'Sábado Negro', que levou mais de mil pessoas a Auschwitz, das quais só 16 voltaram. O debate aborda também a história milenar da comunidade judaica romana, as leis antissemitas fascistas de 1938 e o papel de Mussolini e dos italianos na perseguição.
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