Foto: Memorial no local do festival Nova, em Re'im. שלמה רודד · CC BY 2.5 · Wikimedia CommonsOuça: Podcast Contexto
Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 4,9 MB).
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Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada.
Davi: E eu sou o Davi. Oi, gente.
Lia: Antes de começar, um aviso. Este episódio fala de assassinatos, de casas incendiadas e do sequestro de crianças. Se houver crianças por perto, talvez seja melhor ouvir em outro momento.
Lia: Hoje o tema é o 7 de outubro de 2023, o dia do ataque do grupo terrorista Hamas a Israel.
Davi: Lia, por que voltar a esse dia? Muita gente acha que já sabe o que aconteceu.
Lia: Por dois motivos. O primeiro é que circulam versões falsas: que foi armação, que Israel matou os próprios cidadãos, que foi "resistência". Professores e jornalistas ouvem isso o tempo todo.
Davi: E o segundo?
Lia: Para muitas famílias, essa dor ainda está viva. O 7 de outubro é lembrado como o dia em que mais judeus foram mortos num único dia desde o Holocausto.
Davi: E vale lembrar que nem todas as vítimas eram judias. Havia vítimas de muitos países, entre eles o Brasil, a Tailândia, o Nepal e as Filipinas.
Lia: Muitos trabalhadores tailandeses e nepaleses estavam em comunidades agrícolas perto da fronteira.
Davi: Então vamos por partes. Primeiro: o que aconteceu?
Lia: Era um sábado, que coincidia com o feriado judaico de Simchat Torah. Por volta das seis e meia da manhã, começou uma barragem de foguetes a partir de Gaza.
Davi: E logo depois veio a invasão.
Lia: Isso. Segundo as FDI, cerca de três mil terroristas do Hamas e de outros grupos romperam a cerca em dezenas de pontos.
Davi: Com o quê?
Lia: Com explosivos, escavadeiras, motocicletas, barcos e parapentes motorizados.
Davi: E para onde eles foram?
Lia: Para mais de vinte localidades. Atacaram kibutzim como Be'eri, Kfar Aza e Nir Oz, cidades como Sderot e Ofakim, bases militares, estradas e o festival de música Nova.
Davi: Todos esses lugares ficam dentro do território soberano de Israel.
Lia: Exatamente.
Davi: E quantas pessoas morreram?
Lia: Cerca de mil e duzentas pessoas foram mortas, e a grande maioria era civil.
Davi: Quem eram essas pessoas?
Lia: Entre elas havia centenas de mulheres e dezenas de crianças.
Davi: E houve sequestros.
Lia: Sim. Duzentas e cinquenta e uma pessoas foram levadas para Gaza como reféns.
Davi: Quem foi levado?
Lia: Bebês, crianças, idosos, sobreviventes do Holocausto, estrangeiros e soldados.
Davi: O festival Nova foi o lugar com mais mortes, não foi?
Lia: Foi. Era uma festa ao ar livre perto do kibutz Re'im, com cerca de três mil jovens.
Davi: E quantos morreram ali?
Lia: A BBC fala em mais de trezentos e setenta mortos. Muitos foram mortos quando tentavam fugir pelas estradas.
Davi: E nos kibutzim?
Lia: Os terroristas iam de casa em casa. Mataram moradores, incendiaram casas com famílias dentro e atiraram contra os quartos protegidos.
Davi: Em Be'eri e em Nir Oz, cerca de um em cada dez moradores foi morto.
Lia: Davi, precisamos falar também de violência sexual. Por isso, um novo aviso: o próximo trecho trata desse tema.
Davi: Uma missão da ONU, liderada pela representante especial Pramila Patten, esteve em Israel no início de 2024.
Lia: E o que ela concluiu?
Davi: Encontrou motivos razoáveis para acreditar que houve estupro e estupro coletivo em pelo menos três locais.
Lia: Quais?
Davi: O festival Nova e arredores, a estrada 232 e o kibutz Re'im.
Lia: E sobre os reféns?
Davi: Encontrou informação clara e convincente de violência sexual contra reféns em Gaza.
Lia: É importante explicar o que esse relatório é.
Davi: Foi uma missão de verificação, não uma investigação criminal. Ela também descartou algumas alegações que não se sustentaram, e essa cautela reforça as conclusões.
Lia: Ex-reféns também falaram publicamente. Amit Soussana e Rom Braslavski relataram violência sexual no cativeiro.
Davi: Encerramos aqui esse trecho.
Lia: Vamos ao segundo bloco. Como sabemos tudo isso?
Davi: O 7 de outubro está entre os fatos mais documentados da guerra. Comecemos pelo planejamento.
Lia: O que se sabe?
Davi: As FDI capturaram em Gaza manuscritos assinados por Yahya Sinwar em agosto de 2022.
Lia: E o que eles previam?
Davi: Romper a cerca com tratores, invadir bases militares e comunidades civis e gravar os massacres como guerra psicológica.
Lia: E com os terroristas mortos?
Davi: Foram encontrados mapas de comunidades e ordens para "matar o maior número de pessoas e fazer reféns".
Lia: Ou seja, o ataque foi planejado durante anos.
Davi: Sim. A segunda prova é que os próprios terroristas filmaram. Usaram câmeras corporais e celulares das vítimas e divulgaram as imagens no Telegram.
Lia: E a perícia?
Davi: As equipes forenses fizeram mais de catorze mil testes de DNA para identificar as vítimas.
Lia: E não é só Israel que diz isso.
Davi: Não. A Human Rights Watch, que costuma acusar Israel, concluiu que houve crimes de guerra e crimes contra a humanidade naquele dia.
Lia: E concluiu mais alguma coisa?
Davi: Concluiu que relativamente poucos civis morreram no fogo cruzado.
Lia: Isso nos leva ao terceiro bloco: as distorções. A mais comum diz que "Israel matou os próprios", com base na chamada Diretiva Hannibal.
Davi: Era um procedimento das FDI para impedir o sequestro de soldados, com uso de força mesmo com risco para o militar capturado.
Lia: E ainda estava em vigor?
Davi: Segundo as FDI, foi revogada oficialmente em 2016. Pela formulação oficial israelense, ela nunca autorizou matar israelenses.
Lia: Mas houve reportagens sobre aquele dia.
Davi: Houve. O jornal israelense Haaretz apontou ordens localizadas, em alguns lugares, para impedir "a qualquer custo" o retorno de veículos a Gaza.
Lia: E quantos reféns foram atingidos?
Davi: O jornal não conseguiu estabelecer.
Lia: Então algum israelense morreu por fogo israelense?
Davi: Em casos pontuais, sim. Na casa da família Pessi Cohen, em Be'eri, forças israelenses dispararam contra um imóvel onde havia terroristas e reféns.
Lia: Houve outros casos?
Davi: Investigações israelenses indicaram que Efrat Katz provavelmente morreu quando um helicóptero atacou um veículo levado por terroristas do Hamas.
Lia: E quem investigou esses casos?
Davi: O próprio Israel. As FDI abriram apurações e reconheceram falhas graves de inteligência, comando e resposta.
Lia: E a comissão de inquérito da ONU?
Davi: Ela alega que a diretiva foi aplicada em pelo menos dois casos e que até catorze civis israelenses podem ter morrido assim.
Lia: Como devemos entender essa alegação?
Davi: É a conclusão de uma comissão. Não é uma condenação nem uma admissão do governo israelense.
Lia: E mesmo as reportagens mais críticas falam de ordens dadas no caos, não de um plano para eliminar israelenses.
Davi: Além disso, nenhum desses casos teria acontecido sem a invasão. Reconhecê-los é honestidade. Usá-los para negar o massacre é negacionismo.
Lia: Também circula a história de helicópteros atirando no Nova.
Davi: A própria comissão da ONU declarou expressamente não haver evidência de disparos de helicópteros contra civis no festival.
Lia: E os vídeos que circulam?
Davi: Foram gravados em 9 de outubro, dentro de Gaza, e atribuídos falsamente ao festival.
Lia: E a ideia de que a festa foi montada perto da fronteira para provocar?
Davi: A festa ficava a cerca de cinco quilômetros da cerca, isso é verdade. Mas o local foi escolhido para reaproveitar o palco, os banheiros e os geradores de outro festival, o Unity.
Lia: E o Hamas nem sabia da festa.
Davi: Isso. A comissão da ONU registrou que os grupos armados de Gaza não tinham conhecimento prévio do evento.
Lia: E as FDI?
Davi: O inquérito das FDI concluiu que os terroristas iam para Netivot e encontraram a festa por acaso.
Lia: Não se provoca quem nem sabia que a festa existia.
Lia: Último bloco: o argumento da "resistência legítima".
Davi: O direito à autodeterminação dos povos existe. Mas o direito internacional humanitário proíbe, sem exceção, atacar civis de propósito e tomar reféns.
Lia: Em qualquer guerra e por qualquer causa.
Davi: E o Hamas não escondeu a intenção. No dia seguinte ao ataque, o dirigente Mahmoud Mardawi disse que os reféns seriam um "cartão estratégico".
Lia: Alguns líderes do Hamas alegaram que os moradores atacados não eram civis.
Davi: A Comissão de Inquérito da ONU rejeitou essa alegação e afirmou que ela não tem amparo no direito internacional humanitário.
Lia: E a responsabilidade é do Hamas e dos grupos que atacaram, não de um povo inteiro. Defender os direitos dos palestinos é legítimo.
Davi: Criticar políticas de Israel também é legítimo e não é o mesmo que apoiar o 7 de outubro.
Lia: Onde fica o limite, então?
Davi: A definição da IHRA considera antissemitismo outra coisa: negar o direito de Israel existir.
Lia: E os reféns? Como termina essa parte da história?
Davi: Ao todo, cento e trinta e seis reféns voltaram vivos, por acordos, trocas e resgates.
Lia: E os outros?
Davi: Pelo menos oitenta e cinco morreram ou foram declarados mortos. Mais tarde, as FDI anunciaram que todos os reféns tinham sido devolvidos a Israel.
Lia: Vamos às três ideias-chave.
Davi: Primeira: o 7 de outubro foi planejado e executado pelo Hamas. Há planos capturados, vídeos gravados pelos próprios terroristas e perícia forense.
Lia: Segunda: houve casos pontuais de fogo israelense, investigados pelo próprio Israel. Reconhecer isso é honestidade. Usar isso para negar o massacre é negacionismo.
Davi: Terceira: nenhuma causa autoriza matar famílias em casa ou sequestrar crianças. Isso não é resistência, é crime de guerra.
Lia: Obrigada por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.
Davi: Até o próximo episódio.
Apresentação pronta para usar
16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.
Guia de estudo
Material didático da JJO (Juventude Judaica Organizada) para professores, jornalistas e famílias.
1. Objetivos de aprendizagem
Ao final deste estudo, o participante deverá ser capaz de:
- Descrever o que aconteceu em 7 de outubro de 2023: quem atacou, onde, como e com que consequências.
- Diferenciar as contagens de vítimas e explicar por que os números variam conforme a fonte e o critério.
- Explicar como se sabe que o ataque foi planejado e executado pelo Hamas: planos capturados, vídeos dos próprios terroristas e perícia forense.
- Reconhecer e responder com serenidade às principais formas de negação e de justificação do massacre.
- Distinguir o Hamas, grupo terrorista, da população palestina, cujo sofrimento na guerra que se seguiu é real.
2. Conceitos-chave
- Ataque coordenado: invasão do sul de Israel a partir de Gaza por terra, mar e ar, sob uma barragem de foguetes.
- Hamas: grupo terrorista que planejou e executou o ataque por meio de seu braço armado, as Brigadas Izz ad-Din al-Qassam. Outros grupos terroristas participaram, como a Jihad Islâmica.
- Território soberano de Israel: todos os locais atacados, entre eles Be’eri, Kfar Aza, Nir Oz, Sderot, Ofakim e o local do festival Nova, ficam dentro de Israel, nas Linhas de Armistício de 1949.
- Reféns: as 251 pessoas sequestradas e levadas para Gaza. A tomada de reféns é proibida pela 4ª Convenção de Genebra (art. 34).
- Proteção de civis: o direito internacional humanitário proíbe ataques deliberados contra civis (Protocolo I, art. 51), em qualquer guerra e por qualquer causa.
- Não reciprocidade: princípio segundo o qual abusos atribuídos a uma parte nunca justificam crimes da outra.
- Negacionismo: negar ou minimizar um massacre documentado. Segundo estudos do Institute for Strategic Dialogue e do monitor CyberWell, a negação do 7 de outubro segue um padrão parecido com o da negação do Holocausto.
- Honestidade sobre erros: Israel investigou as próprias falhas e os casos pontuais de fogo israelense. Reconhecer esses casos é honestidade. Usá-los para negar o massacre é negacionismo.
3. Linha do tempo
| Data | Fato |
|---|---|
| 24 ago. 2022 | Manuscritos assinados por Yahya Sinwar detalham o plano de ataque. |
| 13 set. 2022 | Ordens de inteligência militar do Hamas sobre o plano. |
| 6 set. 2023 | A produtora pede licença para o festival Unity em Re’im, para 5 e 6 de outubro. |
| 2 out. 2023 | A produtora pede mais 24 horas de uso da área para fazer o Nova. |
| 7 out. 2023, ~6h29–6h30 | Começa a barragem de foguetes. Os terroristas rompem a cerca de Gaza em dezenas de pontos. O dia coincidia com o feriado de Simchat Torah (Shemini Atzeret). |
| 7 out. 2023, ~8h | Mais de 100 terroristas do Hamas invadem o festival Nova. |
| 8 out. 2023 | O gabinete israelense declara estado de guerra. O dirigente do Hamas Mahmoud Mardawi diz que os reféns seriam um “cartão estratégico”. |
| 27 out. 2023 | Começa a manobra terrestre israelense em Gaza. |
| 24–30 nov. 2023 | Primeira trégua: 105 reféns civis libertados. |
| jan. 2024 | O Hamas divulga o texto “Our Narrative”, no qual alega ter mirado alvos militares. |
| 29 jan.–14 fev. 2024 | Missão da representante especial da ONU Pramila Patten em Israel. |
| 4 mar. 2024 | Relatório S/2024/217 da ONU sobre violência sexual. |
| jun. 2024 | A Comissão de Inquérito da ONU publica os relatórios A/HRC/56/26 e A/HRC/56/CRP.3. |
| 17 jul. 2024 | A Human Rights Watch publica um relatório de 236 páginas sobre o 7 de outubro. |
| 19 jan. 2025 | Entra em vigor o acordo em três fases. A primeira fase prevê 33 reféns. |
| 9–10 out. 2025 | Entra em vigor a trégua do plano de 20 pontos dos EUA. |
| 13 out. 2025 | Os 20 reféns vivos restantes voltam a Israel. |
| 26 jan. 2026 | O último corpo de refém é recuperado. |
4. O que aconteceu
Na manhã de sábado, 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas e de outros grupos invadiram o sul de Israel a partir de Gaza. Segundo as Forças de Defesa de Israel (FDI), cerca de 3.000 terroristas cruzaram a fronteira. As FDI estimam cerca de 3.000 foguetes nas primeiras horas. O próprio Hamas fala em mais de 5.000.
Os atacantes usaram explosivos, escavadeiras, caminhões, motocicletas, barcos e parapentes motorizados. Drones lançaram granadas sobre torres de observação e desativaram o monitoramento da fronteira. Os terroristas entraram em mais de 20 localidades, entre elas Be’eri, Kfar Aza, Nir Oz, Nahal Oz, Re’im, Kissufim e Alumim. Também atacaram cidades como Sderot e Ofakim, bases militares, estradas e o festival Nova.
Os primeiros a reagir foram moradores, equipes de segurança locais, policiais e soldados. Em algumas comunidades, os combates continuaram até 8 de outubro. As FDI reconheceram que falharam em proteger os civis naquele dia e investigaram essas falhas. Falhar em impedir um ataque é diferente de tê-lo planejado.
O 7 de outubro é lembrado como o dia em que mais judeus foram mortos num único dia desde o Holocausto.
5. Os números e por que eles variam
| Fonte | Total de mortos | Civis | Outros dados |
|---|---|---|---|
| AFP, citada pela Human Rights Watch | 1.195 | 815 | pelo menos 282 mulheres, 36 crianças e 79 estrangeiros |
| Instituto Nacional de Seguros de Israel (Bituach Leumi) | cerca de 1.200 | 778 | 39 crianças e 70 estrangeiros entre os civis |
- O número inicial divulgado por Israel passava de 1.400. Ele foi revisado porque restos mortais tinham sido contados de forma incorreta e porque alguns corpos eram de atacantes. Corrigir números é sinal de apuração, não de invenção.
- A diferença entre 815 e 778 civis vem do critério usado para classificar policiais e equipes de segurança locais.
- Reféns: 251 pessoas foram sequestradas, entre elas bebês, crianças, idosos, sobreviventes do Holocausto, estrangeiros e soldados. Pelo menos 35 crianças foram sequestradas, 10 delas com menos de 5 anos. Ao todo, 136 reféns voltaram vivos. Pelo menos 85 morreram ou foram declarados mortos.
- Festival Nova: as estimativas de mortos vão de 364 a 379. Cerca de 40 pessoas foram sequestradas no festival.
- Cerca de 150.000 israelenses foram retirados de suas casas no sul do país.
- Havia vítimas de muitos países, entre eles Brasil, Argentina, Estados Unidos, França, Tailândia, Nepal e Filipinas.
6. Como sabemos o que aconteceu
- Planejamento capturado: as FDI apreenderam em Gaza manuscritos assinados por Yahya Sinwar e ordens de inteligência militar do Hamas. O plano ficou conhecido nos meios de inteligência como “Muralha de Jericó”. Com os corpos de terroristas havia mapas de comunidades e ordens para “matar o maior número de pessoas e fazer reféns”.
- Vídeos dos próprios terroristas: os atacantes filmaram o ataque com câmeras corporais e com celulares das vítimas e divulgaram as imagens em canais do Telegram.
- Outros registros: câmeras de segurança, celulares de moradores, equipes de emergência e cobertura da Reuters e da AP. A Biblioteca Nacional de Israel reúne mais de 2 milhões de arquivos digitais sobre o dia.
- Perícia forense: o Centro Nacional de Medicina Legal (Abu Kabir) e a base de Shura fizeram mais de 14.000 testes de DNA. Os testes geraram 3.262 perfis genéticos para identificar cerca de 1.200 vítimas.
- Até críticos de Israel confirmam: a Human Rights Watch concluiu que houve crimes de guerra e crimes contra a humanidade. Concluiu também que relativamente poucos civis morreram no fogo cruzado. A Comissão de Inquérito da ONU concluiu que membros do braço militar do Hamas e de outros grupos cometeram crimes de guerra.
- Violência sexual: o relatório da ONU S/2024/217 encontrou “motivos razoáveis para acreditar” em estupro e estupro coletivo em pelo menos três locais. Encontrou também informação “clara e convincente” de violência sexual contra reféns. Foi uma missão de verificação, não uma investigação criminal.
7. Desinformação comum e como responder
“Foi armação” ou “Israel matou os próprios”. Falso. Houve casos pontuais de israelenses mortos por fogo israelense no caos da resposta, como na casa da família Pessi Cohen, em Be’eri. As FDI investigaram esses casos. A Comissão de Inquérito da ONU alega que a Diretiva Hannibal foi aplicada em pelo menos dois casos e que até 14 civis israelenses podem ter morrido assim. Isso é a conclusão de uma comissão. Não é uma condenação nem uma admissão do governo israelense. Esses casos não mudam quem matou a imensa maioria das vítimas.
“Helicópteros israelenses atacaram o Nova”. Não há evidência. O próprio relatório A/HRC/56/26 declarou não haver prova de disparos de helicópteros contra civis no festival. Os vídeos que circulam foram gravados em 9 de outubro, dentro de Gaza, e atribuídos falsamente ao festival.
“Foi resistência legítima”. O direito à autodeterminação existe, e defender os direitos dos palestinos é legítimo. Mas nenhuma causa autoriza atacar civis de propósito ou tomar reféns. Líderes do Hamas alegaram que os moradores das comunidades atacadas não eram civis. A Comissão de Inquérito da ONU rejeitou essa alegação por falta de amparo no direito internacional humanitário.
“A festa Nova foi uma provocação”. Falso. Re’im foi escolhido para reaproveitar a estrutura do festival Unity. A Comissão de Inquérito da ONU registrou que os grupos armados de Gaza não sabiam previamente do festival (A/HRC/56/CRP.3, par. 68). O inquérito das FDI concluiu que os terroristas iam para Netivot e encontraram a festa por acaso.
“As imagens foram feitas com IA” ou “não existem”. Falso. O especialista Hany Farid, da Universidade da Califórnia em Berkeley, analisou a foto mais contestada e não encontrou uso de IA. Detectores automáticos dão falsos positivos com arquivos comprimidos. As FDI e a chancelaria israelense exibiram 47 minutos de imagens brutas (Bearing Witness) a jornalistas e diplomatas. Israel reservou as cenas mais brutas por respeito às famílias e para preservar provas.
8. Cuidados ao ensinar
- Não diga que ninguém foi morto por fogo israelense. É falso e enfraquece o resto da resposta.
- Não trate a alegação da comissão da ONU sobre “até 14 civis” como fato estabelecido. Também não a negue. Explique o que ela é.
- Não diga que nenhuma imagem falsa circulou. Circularam, e cada uma se checa: origem, data e local.
- Não exiba nem descreva imagens gráficas das vítimas. Os fatos documentados bastam.
- Não generalize palestinos ou muçulmanos. A responsabilidade é do Hamas e dos grupos terroristas que atacaram.
- Responda à afirmação, não à pessoa. Muitos que compartilham desinformação foram enganados.
9. Cinco perguntas para discussão
- Por que o fato de os próprios terroristas terem filmado o ataque é tão importante para combater a negação do 7 de outubro?
- Israel revisou o número de mortos de mais de 1.400 para cerca de 1.200 e investigou casos de fogo israelense. Por que essas correções fortalecem a credibilidade, em vez de enfraquecê-la?
- Qual é a diferença entre reconhecer o direito à autodeterminação e justificar ataques deliberados a civis e a tomada de reféns?
- A tese da “provocação” no festival Nova transfere a culpa para as vítimas. Que fatos desmontam essa inversão?
- Como separar com clareza a responsabilidade do Hamas da população palestina, sem negar o sofrimento real de civis na guerra que se seguiu?
10. Glossário curto
- Bituach Leumi: Instituto Nacional de Seguros de Israel, que mantém registros oficiais das vítimas.
- Brigadas Izz ad-Din al-Qassam: braço armado do Hamas.
- COGAT: órgão israelense que coordena a entrada de ajuda humanitária em Gaza.
- Diretiva Hannibal: antigo procedimento das FDI para impedir o sequestro de soldados. Segundo as FDI, foi revogado oficialmente em 2016. Pela formulação oficial israelense, nunca autorizou matar israelenses.
- FDI: Forças de Defesa de Israel.
- HRW: Human Rights Watch, organização que costuma acusar Israel e que, mesmo assim, classificou o 7 de outubro como crimes de guerra e crimes contra a humanidade.
- IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto. Pela sua definição, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
- INSS: Instituto de Estudos de Segurança Nacional de Israel.
- Mamad: quarto protegido das casas israelenses.
- Simchat Torah (Shemini Atzeret): feriado judaico que coincidiu com o 7 de outubro de 2023.
Quiz: teste o que aprendeu
O ataque começou na manhã de um sábado que coincidia com Simchat Torah (Shemini Atzeret). Foi também um dia depois do aniversário de 50 anos do início da Guerra do Yom Kippur, de 1973.
A AFP, citada pela HRW, registra 1.195 mortos, dos quais 815 civis, incluindo pelo menos 282 mulheres, 36 crianças e 79 estrangeiros.
Israel revisou o número porque restos mortais tinham sido contados de forma incorreta e porque alguns corpos eram de atacantes. Corrigir números é sinal de apuração, não de invenção.
Os atacantes sequestraram 251 pessoas, entre elas bebês, crianças, idosos, sobreviventes do Holocausto, estrangeiros e soldados. Ao todo, 136 reféns voltaram vivos.
Equipes forenses fizeram mais de 14.000 testes de DNA. Os testes geraram 3.262 perfis genéticos para identificar cerca de 1.200 vítimas.
O documento A/HRC/56/CRP.3 (parágrafo 68) registra que os grupos armados de Gaza não sabiam previamente do festival. O inquérito das FDI concluiu que os terroristas iam para Netivot e encontraram a festa por acaso.
A comissão registrou pelo menos oito helicópteros de combate na região ao longo do dia, mas declarou não haver evidência de disparos contra civis no Nova. Os vídeos que circulam foram gravados em 9 de outubro, dentro de Gaza.
É a conclusão de uma comissão, não uma condenação nem uma admissão de Israel. Não se deve tratá-la como fato estabelecido nem negá-la. Os casos pontuais não mudam quem matou a imensa maioria das vítimas.
A 4ª Convenção de Genebra, art. 34, proíbe a tomada de reféns. O Protocolo I, art. 51, protege a população civil contra ataques deliberados. Nenhuma causa política torna lícitos esses atos.
O resultado é um palpite probabilístico sobre uma cópia degradada. Hany Farid, de Berkeley, analisou a foto mais contestada e não encontrou uso de IA. A verificação séria olha origem, data, local e outros registros.
Cartões de estudo
Clique no cartão para virar.
Assista
Documentário em português que traça a origem do Hezbollah como braço da República Islâmica do Irã, seu domínio sobre o Líbano e seu papel na guerra civil síria, com testemunhos de libaneses e sírios. Também mostra os ataques ao norte de Israel após o 7 de outubro e o enfraquecimento do grupo em 2024.
AdultosNo podcast Levante, da StandWithUs Brasil, André Lajst e convidados comentam a libertação dos reféns vivos mantidos pelos terroristas do Hamas, a dor das famílias que ainda esperam os corpos e os desafios do cessar-fogo e do plano de Trump para Gaza.
AdultosNo podcast da Federação Israelita de São Paulo, a educadora Márcia Kelner, do Hillel, conta como viralizou ao defender os reféns ao vivo na TV brasileira e fala do clima em Israel após o 7 de outubro. Também apresenta a chegada do Hillel a São Paulo para apoiar jovens judeus diante do antissemitismo nas universidades.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 3 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Eliya Cohen, sequestrado pelos terroristas do Hamas no festival Nova e mantido refém por 505 dias, e sua companheira Ziv Abud, sobrevivente do massacre no abrigo antiaéreo da estrada 232, contam o 7 de outubro, o cativeiro e a reconstrução da vida após a libertação. É um testemunho direto sobre perda, resistência e orgulho da identidade judaica.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Eli Sharabi, sobrevivente do kibutz Be'eri, dá seu testemunho na ONU sobre o assassinato da esposa e das filhas pelos terroristas do Hamas em 7 de outubro e sobre os 491 dias que passou como refém acorrentado em túneis, faminto e espancado. Ele denuncia o desvio da ajuda humanitária pelo Hamas e pede a libertação de todos os reféns.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Dean, policial israelense que atuou como socorrista, guia os espectadores pelo local do massacre do festival Nova e reconstitui o ataque dos terroristas do Hamas em 7 de outubro. Ele conta histórias reais de policiais que arriscaram a vida para resgatar centenas de jovens e apresenta a resiliência israelense como um compromisso permanente com o 'nunca mais'.
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