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Anne Frank: o diário e os direitos humanos

Em resumo

Este plano de aula usa o diário de Anne Frank para ensinar o Holocausto e os direitos humanos a alunos do 9º ano e do Ensino Médio. São duas sessões de 100 a 120 minutos (cada uma com duas aulas seguidas), em que a turma analisa fontes primárias: o diário, a carta de convocação de Margot Frank e um áudio de Otto Frank. Em seguida, os alunos comparam essas fontes com a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.

ParaEscolas · Professores
Idade11 a 14 anos · 15 a 17 anos
Extensão9º ano e Ensino Médio · 2 sessões duplas
TemaHolocausto
FormatoPlano de aula
Situaçãodisponível

Para quem é este plano de aula e quanto tempo ele dura?

O plano foi pensado para estudantes do Ensino Fundamental II (8º/9º ano) e do Ensino Médio e ocupa 2 sessões, de cerca de 100 a 120 minutos.

A proposta segue as recomendações internacionais para o ensino do Holocausto, como as diretrizes da International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA) e da UNESCO. Três princípios orientam a aula:

  • contar a história de uma pessoa, em vez de apresentar apenas números;
  • trabalhar diretamente com fontes primárias;
  • ligar essa história aos direitos humanos.

Eixos temáticos: história do Holocausto, análise de fontes primárias e educação em direitos humanos.

Quais habilidades da BNCC esta aula trabalha?

Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que este material desenvolve:

  • EF09HI13 (9º ano): Descrever e contextualizar os processos da emergência do fascismo e do nazismo, a consolidação dos estados totalitários e as práticas de extermínio (como o holocausto). Na aula: Contextualiza a ascensão do nazismo, as Leis de Nuremberg e o Holocausto pela trajetória de Anne Frank, da emigração ao esconderijo, à deportação e à morte em Bergen-Belsen.
  • EF09HI16 (9º ano): Relacionar a Carta dos Direitos Humanos ao processo de afirmação dos direitos fundamentais e de defesa da dignidade humana, valorizando as instituições voltadas para a defesa desses direitos e para a identificação dos agentes responsáveis por sua violação. Na aula: Na Etapa 3, os alunos comparam as violações vividas pela família Frank com os Artigos 1º, 3º, 6º, 12 e 13 da Declaração Universal dos Direitos Humanos.
  • EF09HI15 (9º ano): Discutir as motivações que levaram à criação da Organização das Nações Unidas (ONU) no contexto do pós-guerra e os propósitos dessa organização. Na aula: A discussão guiada examina como a destruição causada pelo Holocausto levou à Carta das Nações Unidas e à Declaração Universal de 1948.
  • EF89LP17 (8º e 9º ano): Relacionar textos e documentos legais e normativos de importância universal, nacional ou local que envolvam direitos, em especial, de crianças, adolescentes e jovens: tais como a Declaração dos Direitos Humanos, a Constituição Brasileira, o ECA -, e a regulamentação da organização escolar: por exemplo, regimento escolar -, a seus contextos de produção, reconhecendo e analisando possíveis motivações, finalidades e sua vinculação com experiências humanas e fatos históricos e sociais, como forma de ampliar a compreensão dos direitos e deveres, de fomentar os princípios democráticos e uma atuação pautada pela ética da responsabilidade (o outro tem direito a uma vida digna tanto quanto eu tenho). Na aula: Relaciona a Declaração Universal dos Direitos Humanos ao seu contexto de produção no pós-guerra, ligando seus artigos às experiências concretas de Anne e de sua família.
  • EF69LP44 (6º e 7º e 8º e 9º ano): Inferir a presença de valores sociais, culturais e humanos e de diferentes visões de mundo, em textos literários, reconhecendo nesses textos formas de estabelecer múltiplos olhares sobre as identidades, sociedades e culturas e considerando a autoria e o contexto social e histórico de sua produção. Na aula: Na oficina de fontes, os grupos leem trechos do diário e identificam como Anne expressa perda de liberdade, medo, esperança e valores de dignidade humana.

Texto oficial da BNCC (MEC, documento homologado), disponível em basenacionalcomum.mec.gov.br. A coordenação pedagógica da escola pode ajustar a escolha ao seu currículo.

Quais são os objetivos da aula?

A intenção é que o aluno entenda o Holocausto a partir da vida de uma menina real e consiga relacionar essa história com os direitos humanos. São quatro os objetivos:

  • Compreender o contexto histórico do Holocausto pela trajetória de Anne Frank, trocando as estatísticas abstratas pela dimensão humana e individual.
  • Analisar fontes primárias, como decretos de perseguição, relatos pessoais e registros orais da época.
  • Relacionar as violações sofridas pelas vítimas do nazismo com o surgimento do direito internacional dos direitos humanos no pós-guerra, em especial a Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 10 de dezembro de 1948.
  • Desenvolver o pensamento crítico sobre o combate ao preconceito, ao antissemitismo e às discriminações de hoje.

Quem foi Anne Frank e como era o verdadeiro diário?

Anne Frank, nascida Annelies Marie Frank, era uma menina judia alemã que escreveu um diário enquanto vivia escondida em Amsterdã, durante a ocupação nazista.

Anne nasceu em 12 de junho de 1929, em Frankfurt am Main, na Alemanha. Entre 1933 e 1935, com a ascensão de Adolf Hitler e as Leis de Nuremberg, que tiraram dos judeus alemães os direitos civis e a cidadania, a família Frank emigrou para Amsterdã, na Holanda.

O diário foi um presente pelo seu 13º aniversário, em 12 de junho de 1942. No manuscrito original há anotações, colagens de fotografias e reflexões sobre a liberdade e a humanidade. Ali Anne registrou a rotina sob a ameaça de deportação, seus dilemas pessoais e o que pensava sobre a dignidade humana.

Em 5 e 6 de julho de 1942, sua irmã, Margot Frank, recebeu uma carta oficial de convocação das autoridades de ocupação para trabalho forçado e deportação, e a família antecipou a mudança para o esconderijo conhecido como "Anexo Secreto" (Hinterhaus).

Em 4 de agosto de 1944, a Gestapo e a polícia de segurança descobriram o esconderijo. Os moradores foram presos e levados ao campo de transição de Westerbork e, depois, a Auschwitz-Birkenau. Anne morreu em março de 1945, no campo de concentração de Bergen-Belsen.

O pai, Otto Frank, foi o único sobrevivente do grupo. Em 1947, publicou a primeira edição do diário com o título Het Achterhuis ("O Anexo Secreto").

Quais materiais e fontes primárias o professor precisa?

A aula trabalha com quatro fontes primárias, que podem ser projetadas ou impressas para os grupos.

  • Carta de convocação de Margot Frank (julho de 1942): documento oficial que ordenava a apresentação imediata para transporte.
  • Páginas e fotos do manuscrito de Anne Frank (1942 a 1944): entradas originais com anotações, colagens de fotografias e reflexões.
  • Depoimento em áudio de Otto Frank, de 24 de janeiro de 1974: faz parte do acervo do Museu do Holocausto dos EUA (USHMM). O pai de Anne gravou o áudio para estudantes, a pedido de um educador.
  • Declaração Universal dos Direitos Humanos (ONU, 10 de dezembro de 1948): os Artigos 1º, 3º, 6º, 12 e 13 foram selecionados para a comparação.

Também é útil: a foto escolar de Anne Frank em Amsterdã, de 1942, para abrir a aula.

Como conduzir a aula passo a passo?

A aula se divide em quatro etapas, distribuídas pelas duas sessões.

EtapaTempoO que acontece
1. Sensibilização20 minFoto escolar de Anne (1942) e breve contexto da ascensão do nazismo
2. Oficina de fontes40 minGrupos analisam a carta de Margot e trechos do diário
3. Conexão com a DUDH30 minComparação entre as violações vividas e os artigos da Declaração
4. Testemunho e síntese20 minTrecho do áudio de Otto Frank e roda de conversa

Etapa 1: Sensibilização. Apresente Anne como uma pessoa concreta, com nome, uma história própria e capacidade de agir, em vez de reduzi-la a um número.

Etapa 2: Oficina de fontes primárias. Cada grupo trabalha com um roteiro de perguntas:

  • Fonte 1 (carta de convocação): Quem emitiu o documento? Qual era o objetivo da ordem? Como ele mudou de imediato o destino da família Frank?
  • Fonte 2 (diário): Como Anne descreve a perda da liberdade e a rotina no esconderijo? Que sentimentos e pensamentos aparecem? A entrada sobre o medo da prisão e a esperança no futuro costuma funcionar bem.

Etapa 3: Direitos humanos. Veja a seção seguinte.

Etapa 4: Testemunho oral e síntese. Toque um trecho do áudio de 1974 em que Otto Frank fala aos estudantes sobre a importância de aprender com a história e promover a tolerância, e depois deixe os alunos compartilharem suas reações.

Como ligar o diário de Anne Frank à Declaração Universal dos Direitos Humanos?

A ligação é direta, porque a Declaração Universal de 1948 nasceu da necessidade de impedir que as atrocidades do Holocausto se repetissem. Na atividade, os alunos colocam lado a lado o que Anne viveu e o que a ONU aprovou em 10 de dezembro de 1948.

O que a família Frank viveuArtigo da DUDH
Perda da cidadania e da igualdade (Leis de Nuremberg, exclusão)Artigos 1º e 6º (reconhecimento como pessoa perante a lei)
Trabalho forçado e ameaça à vida (convocação, prisão)Artigo 3º (direito à vida, à liberdade e à segurança pessoal)
Invasão da privacidade e perseguição no esconderijoArtigo 12º (proteção contra interferências arbitrárias na vida privada e no lar)

Se houver tempo, leia com a turma o Artigo 13º (liberdade de circulação e direito de deixar qualquer país) e relacione-o à fuga da família da Alemanha para a Holanda.

Discussão guiada: como a destruição causada pelo Holocausto levou à Carta das Nações Unidas e à Declaração Universal de 1948?

Como avaliar os alunos e cuidar dos temas sensíveis?

Para a avaliação, a proposta é um texto reflexivo individual ou um painel memorial feito pela turma.

Comando da atividade: "Com base nas fontes primárias analisadas (o diário, a carta de convocação de Margot e os artigos da DUDH), escreva uma síntese explicando por que a preservação da memória de Anne Frank é fundamental para a defesa dos direitos humanos e o combate às discriminações no mundo atual."

Critérios sugeridos:

  • uso correto de pelo menos uma fonte primária;
  • relação clara entre um fato da vida de Anne e um artigo da Declaração;
  • reflexão sobre o preconceito e o antissemitismo hoje.

Cuidados com temas sensíveis:

  • Humanize sem chocar. Mantenha a atenção na pessoa e no que ela mesma contou, deixando de lado imagens de violência.
  • Reserve tempo para conversar, porque a roda final serve para os alunos processarem o que sentiram.
  • Use datas e fatos precisos, que protegem a turma contra a distorção e a negação do Holocausto.
  • Dê nome ao antissemitismo. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Evite generalizações sobre qualquer grupo em todas as comparações com o presente.

Para saber mais: onde o professor pode aprofundar o tema?

Quem quiser aprofundar o tema pode recorrer a instituições de referência no ensino do Holocausto e dos direitos humanos:

  • O Museu do Holocausto dos EUA (USHMM) guarda o depoimento em áudio de Otto Frank gravado para estudantes em 1974.
  • A International Holocaust Remembrance Alliance (IHRA) publica recomendações para ensinar o Holocausto e define o antissemitismo.
  • A UNESCO oferece orientações sobre educação a respeito do Holocausto.
  • A Organização das Nações Unidas (ONU) disponibiliza o texto integral da Declaração Universal dos Direitos Humanos, de 1948.

Para estender a aula, vale ler com a turma trechos do próprio diário, publicado pela primeira vez em 1947 como Het Achterhuis ("O Anexo Secreto").

Perguntas frequentes

Como era o verdadeiro diário de Anne Frank?
Era um diário que Anne ganhou em 12 de junho de 1942, quando fez 13 anos. No manuscrito original, escrito entre 1942 e 1944, há anotações, colagens de fotografias e reflexões sobre liberdade e humanidade. Ali Anne registrou a rotina no esconderijo de Amsterdã, o medo da deportação, seus dilemas pessoais e o que pensava sobre a dignidade humana.
Quais são os temas abordados no diário de Anne Frank?
O diário fala da vida escondida sob a ameaça de deportação, da perda da liberdade, do medo da prisão e da esperança no futuro. Anne também escreve sobre os dilemas pessoais de uma adolescente e sobre a dignidade humana, e por isso o livro é muito usado para ensinar o Holocausto e os direitos humanos.
Quem publicou o diário de Anne Frank?
Quem publicou foi o pai de Anne, Otto Frank, o único sobrevivente das pessoas escondidas no Anexo Secreto. A primeira edição saiu em 1947, com o título Het Achterhuis ("O Anexo Secreto"). Em 1974, Otto ainda gravou um depoimento em áudio para estudantes sobre a importância de aprender com a história e promover a tolerância.
Quais são 3 curiosidades sobre Anne Frank?
Primeira: o nome de batismo dela era Annelies Marie Frank, e ela nasceu na Alemanha, não na Holanda. Segunda: a família entrou no esconderijo às pressas, depois que a irmã, Margot, recebeu uma convocação nazista em julho de 1942. Terceira: o título original do diário é Het Achterhuis, que quer dizer "O Anexo Secreto".
Fontes

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