Plano de aulaComo falar do 7 de outubro em sala de aulaJJO · MATERIAL GRATUITOComo falar do 7 de outubro em sala de aula
Para falar do 7 de outubro no Ensino Médio, o professor parte dos fatos documentados: em 7 de outubro de 2023, o Hamas e outros grupos terroristas invadiram o sul de Israel, mataram cerca de 1.200 pessoas e sequestraram cerca de 250. Em 90 minutos, a aula ensina a analisar fontes primárias e a separar fato de alegação, com cuidado para proteger alunos sensíveis e rejeitar o ódio a qualquer povo.
Para quem é esta aula, quanto tempo dura e o que ela pretende?
A aula foi pensada para turmas do Ensino Médio, dura 90 minutos e pode ser usada em História, Geografia, Sociologia e Filosofia.
Público: estudantes do Ensino Médio. Adapte a profundidade ao grupo e ao clima da turma.
Objetivos: - Conhecer os fatos documentados do ataque de 7 de outubro de 2023. - Distinguir fato documentado, alegação em investigação e disputa política ou jurídica. - Analisar fontes primárias: relatórios da ONU, laudos forenses, documentos e testemunhos. - Entender conceitos do Direito Internacional Humanitário, como população civil protegida, princípio da distinção e a proibição da tomada de reféns. - Reconhecer e rejeitar o antissemitismo, a islamofobia e o racismo.
Materiais: - Linha do tempo impressa ou projetada (veja abaixo). - Trechos do relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito da ONU (A/HRC/56/26). - Trechos do relatório da Representante Especial da ONU sobre Violência Sexual em Conflitos, Pramila Patten (março de 2024, documento S/2024/217). - Reportagens da Reuters e os livretos da Escola Superior de Guerra sobre o conflito. - Fichas de análise de fonte e quadro de três colunas.
Quais habilidades da BNCC esta aula trabalha?
Habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) que este material desenvolve:
- EM13CHS101 (1ª a 3ª série): Identificar, analisar e comparar diferentes fontes e narrativas expressas em diversas linguagens, com vistas à compreensão de ideias filosóficas e de processos e eventos históricos, geográficos, políticos, econômicos, sociais, ambientais e culturais. Na aula: Na oficina de fontes primárias, os grupos A, B e C analisam e comparam ordens escritas, relatórios da ONU, perícias forenses e depoimentos do Edut 710 sobre o 7 de outubro.
- EM13CHS103 (1ª a 3ª série): Elaborar hipóteses, selecionar evidências e compor argumentos relativos a processos políticos, econômicos, sociais, ambientais, culturais e epistemológicos, com base na sistematização de dados e informações de diversas naturezas (expressões artísticas, textos filosóficos e sociológicos, documentos históricos e geográficos, gráficos, mapas, tabelas, tradições orais, entre outros). Na aula: Os alunos selecionam evidências e as classificam no quadro de três colunas (fato documentado, alegação em investigação, disputa política ou jurídica), sustentando a síntese individual com fonte e data.
- EM13CHS503 (1ª a 3ª série): Identificar diversas formas de violência (física, simbólica, psicológica etc.), suas principais vítimas, suas causas sociais, psicológicas e afetivas, seus significados e usos políticos, sociais e culturais, discutindo e avaliando mecanismos para combatê-las, com base em argumentos éticos. Na aula: O debate guiado aborda violência contra civis, tomada de reféns e violência sexual, discutindo mecanismos de combate a elas pelo Direito Internacional Humanitário e pelo princípio da distinção.
- EM13CHS502 (1ª a 3ª série): Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades individuais. Na aula: As regras do debate e a gestão de conflitos levam os alunos a individualizar responsabilidades e rejeitar antissemitismo, islamofobia, racismo e culpa coletiva contra judeus, palestinos ou muçulmanos.
- EM13LP39 (Língua Portuguesa): Usar procedimentos de checagem de fatos noticiados e fotos publicadas (verificar/avaliar veículo, fonte, data e local da publicação, autoria, URL, formatação; comparar diferentes fontes; consultar ferramentas e sites checadores etc.), de forma a combater a proliferação de notícias falsas (fake news). Na aula: O roteiro de checagem (fonte original, data, confirmação independente, vídeo fora de contexto, metodologia dos números) é aplicado a conteúdos e postagens para combater fake news sobre o ataque.
Texto oficial da BNCC (MEC, documento homologado), disponível em basenacionalcomum.mec.gov.br. A coordenação pedagógica da escola pode ajustar a escolha ao seu currículo.
O que o professor precisa saber sobre os fatos do 7 de outubro?
O 7 de outubro de 2023 foi um ataque terrorista coordenado do Hamas e de outros grupos, lançado a partir de Gaza contra comunidades civis, bases militares e um festival de música no sul de Israel.
O ataque começou por volta das 6h29, num Shabat que coincidia com o feriado judaico de Simchat Torá, perto dos 50 anos da Guerra do Yom Kippur.
Principais fatos documentados: - Foguetes: a ofensiva começou com o disparo de milhares de foguetes; as estimativas vão de mais de 3.000 a 5.000. - Invasão: cerca de 3.000 terroristas do Hamas e cerca de 2.000 integrantes de outras facções, como a Jihad Islâmica e a PFLP, além de civis de Gaza, romperam a barreira de segurança em dezenas de pontos. - Locais atingidos: as estimativas citam mais de 20 comunidades ou 26 localidades, entre elas os kibutzim Be'eri, Nir Oz, Kfar Aza e Nir Yitzhak, as cidades de Sderot e Ofakim e o festival Nova, perto de Re'im. - Mortos: cerca de 1.200 pessoas (o número inicial, de cerca de 1.400, foi revisado depois). Mais de 800 eram civis, e só no festival Nova morreram 364. - Feridos: mais de 5.500. - Reféns: cerca de 250 pessoas foram levadas para Gaza. Algumas fontes falam em 251, e a Comissão de Inquérito da ONU registrou 252. Havia bebês, crianças, idosos (entre eles sobreviventes do Holocausto), jovens do festival e militares. - Estrangeiros: mais de 200 vítimas eram estrangeiras ou tinham dupla nacionalidade, entre elas trabalhadores e estudantes da Tailândia e do Nepal.
Intenção e método: segundo os relatos, ordens escritas recuperadas com corpos de terroristas instruíam a "causar o maior número de vítimas humanas e capturar reféns", e foram encontrados também guias táticos sobre o uso de civis e de infraestrutura urbana. A Comissão de Inquérito da ONU concluiu que houve crimes de guerra. O relatório de Pramila Patten encontrou motivos razoáveis para acreditar que houve violência sexual e estupro em vários locais do ataque e contra reféns em cativeiro.
Brasil: o governo brasileiro condenou os ataques. Brasileiros que estavam retidos em Gaza saíram depois pela passagem de Rafah, segundo a Reuters, num grupo de 32 brasileiros e familiares. Não diga aos alunos que eles eram reféns, porque estavam retidos pela guerra.
Quem começou a guerra: a guerra em Gaza, que Israel chamou de Operação Espadas de Ferro, começou como resposta a esse ataque. O sofrimento de civis em Gaza é real e pode ser discutido, mas a aula deve deixar claro que o Hamas iniciou a guerra, fez reféns e usa a população civil como escudo.
| Dado | Número | Observação |
|---|---|---|
| Mortos em Israel | cerca de 1.200 | revisado a partir de cerca de 1.400 |
| Civis mortos | mais de 800 | inclui crianças e idosos |
| Mortos no festival Nova | 364 | perto de Re'im |
| Feridos | mais de 5.500 | |
| Reféns | cerca de 250 | 251 ou 252, conforme a fonte |
| Brasileiros repatriados de Gaza | 32 | brasileiros e familiares, via Rafah |
Como falar do 7 de outubro em sala de aula, passo a passo?
A aula tem quatro etapas que somam 90 minutos: fatos, oficina de fontes, debate guiado e síntese.
Abertura e contextualização (20 min) - Avise antes que o tema envolve mortes, sequestros e violência sexual, e diga que ninguém será exposto a imagens explícitas. - Apresente a linha do tempo: o ataque, os sequestros, a reação militar israelense, o cessar-fogo de novembro de 2023 com libertação de reféns e a Resolução 2735 do Conselho de Segurança da ONU. - Explique que o conflito tem uma longa história de guerras, disputas e fracassos diplomáticos, deixando claro que contextualizar não significa justificar o ataque.
Oficina de fontes primárias (35 min) - Divida a turma em três grupos, A, B e C (a tarefa de cada um está na seção seguinte). - Cada grupo responde a um roteiro de perguntas sobre o seu material.
Debate guiado (20 min) - Discuta a proteção de civis, a proibição da tomada de reféns e o princípio da distinção entre combatentes e civis, incluindo o uso da população de Gaza como escudo pelo Hamas. - Trate do impacto global do ataque, incluindo a onda de antissemitismo e de discurso de ódio registrada no mundo depois do 7 de outubro.
Encerramento e síntese (15 min) - Cada aluno escreve uma síntese individual sobre a importância do rigor documental e do combate às fake news em guerras.
Que atividade os alunos fazem?
Na atividade principal, os alunos analisam fontes primárias em grupos e classificam cada informação em três colunas.
Grupo A: documentos de planejamento - Material: ordens escritas e mapas de kibutzim recuperados após o ataque. - Pergunta: o que esses documentos revelam sobre a intenção de atingir civis? Qual é a diferença entre declarações públicas e documentos internos?
Grupo B: relatórios oficiais e perícias - Material: o relatório da Comissão de Inquérito da ONU, o relatório de Pramila Patten e o trabalho do Centro Nacional de Medicina Legal de Israel (Abu Kabir), que, sob coordenação do Dr. Chen Kugel, fez mais de 14.000 testes de DNA para identificar as vítimas. - Pergunta: como os peritos reúnem provas? Como uma prova se torna válida para o Direito Internacional Humanitário?
Grupo C: testemunhos e registros digitais - Material: depoimentos do projeto Edut 710, que reuniu mais de 1.700 depoimentos de sobreviventes, socorristas e profissionais de saúde, e o arquivo "Bearing Witness" da Biblioteca Nacional de Israel, com mais de 2 milhões de arquivos digitais. - Pergunta: como o Hamas usou câmeras e redes sociais, como o Telegram, para propaganda em tempo real? Que cuidado devemos ter ao consumir essas imagens?
Quadro de três colunas (todos os grupos):
| Fato documentado | Alegação em investigação | Disputa política ou jurídica |
|---|---|---|
| Ex.: cerca de 1.200 mortos | Ex.: relato ainda sem confirmação independente | Ex.: acusações de genocídio |
Checagem de informação: antes de aceitar um conteúdo, o aluno pergunta: - Qual é a fonte original? - A data combina com o acontecimento? - Outros veículos independentes confirmam a informação? - O vídeo pode ser antigo ou de outro contexto? - O número tem data e metodologia?
Como avaliar a aprendizagem?
A avaliação observa se o aluno sabe separar fato de alegação e usar fontes com rigor.
Critérios sugeridos: - Precisão: o aluno usa dados com fonte e data, por exemplo "segundo a Comissão de Inquérito da ONU". - Análise de fonte: o aluno registra autor, instituição, data, tipo de fonte, afirmação principal, evidências e pontos contestados. - Classificação: o aluno coloca corretamente as informações no quadro de três colunas. - Linguagem responsável: o aluno não generaliza povos nem religiões e atribui cada ação a quem a praticou ("o Hamas", "o governo israelense", "a ONU documentou").
Produtos possíveis: a síntese individual, uma linha do tempo comentada ou uma checagem de uma postagem de rede social.
Acusações: se um aluno citar acusações contra Israel, como a de genocídio, a avaliação verifica se ele as trata como qualificações jurídicas e políticas disputadas, feitas por atores específicos, e não como fatos estabelecidos.
Como falar sobre violência na escola sem traumatizar os alunos?
Para falar sobre violência na escola, o professor deve informar sem chocar, usando textos e dados no lugar de imagens explícitas, com aviso prévio e acolhimento.
Cuidados essenciais: - Avise antes que o tema envolve mortes, sequestros, violência sexual e crianças. - Não exiba vídeos de cadáveres, de violência explícita ou de crianças feridas, nem material de propaganda. - Prefira relatórios, análises de dados e depoimentos gravados de sobreviventes. - Permita que o estudante deixe de participar de uma atividade sem constrangimento. - Observe sinais de sofrimento, como silêncio incomum, choro, ansiedade, irritação ou retraimento; nesses casos, acione a orientação educacional e a rede de apoio da escola. - Mantenha a conversa centrada em pessoas e direitos, sem deixar o debate virar humilhação, culpa coletiva ou disputa sobre qual sofrimento "vale mais".
Alunos judeus podem ter familiares ou amigos em Israel, e alunos de origem árabe ou palestina também podem ter laços com a região. Todos merecem o mesmo acolhimento.
Como gerir conflitos em sala de aula durante o debate?
Para gerir conflitos em sala de aula, o professor combina regras antes do debate: falar de fatos com fonte, atribuir cada ação a quem a praticou e nunca atacar um colega pela identidade dele.
Exemplos de conflitos escolares que podem surgir neste tema: - Um aluno culpa "os judeus" pelo que acontece em Gaza. - Um aluno trata palestinos ou muçulmanos como responsáveis coletivos pelos atos do Hamas. - Um colega judeu, árabe ou muçulmano é cobrado para "representar" um lado. - Vídeos antigos ou tirados de contexto circulam no grupo da turma. - Um aluno usa slogans de rede social como se fossem fatos.
Como responder: - Individualize a responsabilidade. O Hamas é uma organização terrorista específica, enquanto judeus, israelenses, palestinos e muçulmanos são populações diversas. Civis não são governos, e vítimas não são culpadas pela sua identidade. - Nunca peça a um aluno que fale por um povo inteiro. - Explique o critério de antissemitismo. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA (Aliança Internacional para a Memória do Holocausto). Criticar decisões de um governo israelense não é, por si só, antissemitismo. O discurso passa a ser antissemita quando ataca judeus como grupo, usa estereótipos, teorias conspiratórias ou negação do Holocausto, ou responsabiliza todos os judeus pelos atos de Israel. Pelo critério da IHRA, negar o direito de Israel existir também é antissemitismo. - Rejeite também a islamofobia e o racismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião, e o ataque do Hamas não autoriza hostilidade contra palestinos, árabes ou muçulmanos. - Troque frases genéricas por frases precisas: no lugar de "todo mundo sabe" ou "a mídia esconde", use "segundo a reportagem de tal data" ou "essa alegação está sob investigação".
Para saber mais: quais fontes usar na preparação da aula?
Para preparar a aula, as melhores fontes são documentos oficiais, relatórios da ONU, arquivos de testemunhos e agências de referência.
- Escola Superior de Guerra: livretos de contexto sobre o conflito publicados em outubro de 2023. Livreto de 11 de outubro e livreto de 24 de outubro.
- ONU: relatório da Comissão Internacional Independente de Inquérito (A/HRC/56/26), com dados sobre reféns e vítimas, e o relatório de Pramila Patten sobre violência sexual (S/2024/217).
- Testemunhos: o projeto Edut 710 e o arquivo da Biblioteca Nacional de Israel.
- Reuters: cobertura do primeiro dia do ataque, dos brasileiros retidos em Gaza e dos reféns libertados.
- Memória e antissemitismo: Yad Vashem, o Museu do Holocausto dos EUA (USHMM), o Museu do Holocausto de Curitiba e o Museu Judaico de São Paulo. A Conib (Confederação Israelita do Brasil) ajuda a entender a experiência da comunidade judaica brasileira.
Como os números de reféns mudaram com libertações, resgates, mortes confirmadas e acordos, indique sempre a data da informação usada em aula.
Perguntas frequentes
Como falar em sala de aula sobre um tema tão sensível?
Como falar sobre violência na escola sem expor os alunos?
Como gerir conflitos em sala de aula quando o debate esquenta?
Quais são alguns exemplos de conflitos escolares ligados ao 7 de outubro?
8 páginas · pode ser impresso e usado citando a fonte · PDF · 579 KBBaixarSLIDESApresentação em PDF
14 lâminas 16:9, com fotos, para projetar · PDF · 1,4 MBBaixarPPTXApresentação em PowerPoint
14 lâminas editáveis, com notas do apresentador · PPTX · 1,1 MBBaixar
- Base Nacional Comum Curricular – Ensino Médio (MEC)
- Escola Superior de Guerra – Livreto sobre o conflito em Israel (11/10/2023)
- Escola Superior de Guerra – Livreto sobre o conflito em Israel (24/10/2023)
- Edut 710 – Arquivo de testemunhos do 7 de outubro
- Reuters – Brasil convoca reunião de emergência do Conselho de Segurança após ataque a Israel
- Reuters – Brasileiros retidos ainda presos em Gaza
- Reuters – Brasileiros retidos deixam Gaza
- Reuters – Reféns israelenses libertados
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