Quem foi Shmuel Yosef Agnon e onde ele viveu?
Shmuel Yosef Agnon nasceu Shmuel Yosef Czaczkes, em 17 de julho de 1888, em Buczacz, na Galícia Oriental, então parte do Império Austro-Húngaro. Hoje a cidade se chama Buchach e fica na Ucrânia.
Cresceu num ambiente judaico multilíngue. Em casa falava iídiche e estudava o hebraico da Bíblia e do Talmud. Leu Maimônides, absorveu o hassidismo e conheceu a literatura alemã.
Em 1907, mudou-se para Jaffa, então sob domínio otomano. De 1913 a 1924 viveu na Alemanha, onde se casou com Esther Marx. Voltou à Terra de Israel em 1924, depois que um incêndio destruiu sua casa, seus manuscritos e sua biblioteca.
Fixou-se em Talpiot, Jerusalém. Tornou-se um dos principais escritores hebraicos do período do Mandato Britânico e do Estado de Israel. Morreu em 17 de fevereiro de 1970, em Rehovot.
Quais são as principais obras de Agnon?
Agnon começou a publicar ainda adolescente, em iídiche e hebraico. Seus livros mais conhecidos são:
- Hakhnāsat kallāh (O dossel nupcial), consolidado em livro em 1931, depois de versões anteriores. Reconstrói em tom épico e satírico o mundo hassídico e a vida judaica tradicional.
- Sefer ha-ma‘asim (O livro dos feitos), de 1932, com narrativas simbólicas e oníricas.
- Ore’aḥ nata lalun (Um hóspede por uma noite), de 1939, sobre o retorno do protagonista à cidade natal na Galícia, devastada pela Primeira Guerra Mundial.
- Temol shilshom (Só ontem), de 1945, sobre os primeiros imigrantes judeus na Terra de Israel. O Nobel a apresenta como sua obra épica mais importante.
- Ir u-melo’ah (Uma cidade e sua plenitude), publicada após sua morte, em 1973. Reúne lendas e crônicas sobre Buczacz, marcadas pela destruição das comunidades judaicas no Holocausto.
A bibliografia oficial no NobelPrize.org lista suas publicações.
Por que Agnon importa para Israel e para o povo judeu?
Agnon ligou em hebraico dois mundos: a vida judaica tradicional da Europa e a reconstrução judaica na Terra de Israel.
Seus romances ambientados na Terra de Israel mostram a passagem das primeiras comunidades judaicas para uma sociedade organizada pelo movimento sionista e pelas instituições do futuro Estado. Suas histórias sobre Buczacz guardam a memória de um mundo judaico europeu destruído pela guerra, pelo antissemitismo e pelo Holocausto. O Yad Vashem usa a história dessa cidade no ensino sobre a Shoá.
Sua importância para o sionismo foi principalmente literária e cultural, não a de um dirigente político. Sua contribuição foi ajudar a consolidar o hebraico como língua de alta literatura moderna. Ele deu voz literária à continuidade entre a diáspora e o lar nacional judaico.
Que prêmios e reconhecimentos Agnon recebeu?
Agnon recebeu o Prêmio Israel de Literatura em 1954 e de novo em 1958.
Em 1966, ganhou o Prêmio Nobel de Literatura, dividido com a poeta Nelly Sachs. A Academia Sueca o premiou "por sua arte narrativa profundamente característica, com motivos da vida do povo judeu", segundo o registro oficial do Nobel.
Foi o primeiro escritor de língua hebraica a receber o Nobel. Até hoje, continua sendo o único.
Para Israel, o prêmio teve forte valor simbólico. Ele reconheceu ao mesmo tempo um escritor israelense, a literatura hebraica moderna e a experiência histórica do povo judeu.
“Como resultado da catástrofe histórica em que Tito de Roma destruiu Jerusalém e Israel foi exilado de sua terra, nasci em uma das cidades do Exílio.”
Shmuel Yosef Agnon, Shmuel Yosef Agnon, discurso no banquete do Nobel, 1966 (NobelPrize.org)
Linha do tempo
- 1888Nasce em Buczacz, na Galícia Oriental, como Shmuel Yosef Czaczkes.
- 1907Muda-se para Jaffa, na Terra de Israel, então sob domínio otomano.
- 1913Vai para a Alemanha, onde vive até 1924 e se casa com Esther Marx.
- 1924Volta à Terra de Israel após um incêndio destruir sua casa e seus manuscritos.
- 1945Publica Temol shilshom (Só ontem), sua grande obra épica.
- 1954Recebe o Prêmio Israel de Literatura, que ganha de novo em 1958.
- 1966Ganha o Nobel de Literatura, o primeiro para um autor de língua hebraica.
- 1970Morre em Rehovot, Israel, em 17 de fevereiro.


Reuven RubinPintor pioneiro da arte israelense e primeiro diplomata na Romênia
Eliezer Ben-YehudaPioneiro do renascimento do hebraico como língua falada moderna
Yitzhak Ben-ZviSegundo presidente de Israel, de 1952 a 1963