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Todo pesquisador israelense é soldado e cooperar com ele é cooperar com genocídio?

FALSOA afirmação parte de um fato real: Israel tem serviço militar obrigatório para jovens.
Foto: Sinagoga em Belém. Porto Neto · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Falso. Israel tem serviço militar obrigatório para jovens, mas cumprir esse dever aos 18 anos não faz de um cientista adulto um soldado. Pelo Estatuto de Roma, a responsabilidade por crimes é individual e exige prova de atos concretos. As parcerias com o Brasil são civis, em saúde, biotecnologia e física. Vetar alguém por ser israelense é discriminação.

Ter feito serviço militar torna um cientista israelense um soldado?

Não. Israel tem serviço militar obrigatório para jovens, e isso é fato. Mas cumprir um dever legal aos 18 anos não transforma ninguém em soldado ativo para o resto da vida.

Quem depois segue carreira acadêmica é um civil. Trabalha em laboratório, dá aulas, orienta alunos e publica pesquisas. O argumento do boicote pega um dever cumprido na juventude e o converte em um rótulo permanente. O fato não sustenta esse salto.

Existe culpa coletiva por nacionalidade no Direito Internacional?

Não. O Direito Internacional Humanitário e o Estatuto de Roma do Tribunal Penal Internacional adotam o princípio da responsabilidade penal individual. Acusações de crimes de guerra ou de genocídio exigem prova de atos individuais e deliberados.

Ninguém é culpado por ter nascido em um país ou por ter servido. Atribuir culpa a toda uma classe de cientistas por sua nacionalidade contraria esse princípio básico.

Por que a palavra "genocídio" não se aplica a um pesquisador?

"Genocídio" é uma acusação feita por críticos de Israel contra o Estado israelense. Israel rejeita essa acusação. A guerra em Gaza começou com o ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro, e o Hamas mantém reféns e usa civis como escudo.

Mesmo quem acusa Israel não pode transferir essa acusação para cada cientista. Uma acusação política contra um Estado, que esse Estado rejeita, não vira culpa pessoal de um professor de física ou de uma pesquisadora de metabolômica. Usar a palavra "genocídio" contra um indivíduo serve para dar peso moral a uma exclusão que o Direito não autoriza.

As universidades israelenses são instituições civis?

Sim. O Instituto Weizmann de Ciências, a Universidade Hebraica de Jerusalém, a Universidade de Tel Aviv, a Universidade de Haifa e a Universidade Bar-Ilan são instituições civis dedicadas à pesquisa e ao ensino.

Nelas trabalham acadêmicos judeus e árabes. Muitos defendem direitos humanos, estudam o conflito de forma crítica e se opõem publicamente a políticas do próprio governo. Tratar esses cientistas como extensão do exército ignora a liberdade de cátedra e o debate que existe nos campi.

A Universidade de Tel Aviv, por exemplo, abriga o Irwin Cotler Institute, que pesquisa direitos humanos, democracia, justiça e combate ao antissemitismo e ao racismo. Centros da universidade coeditam o relatório anual Antisemitism Worldwide Report.

Que tipo de parceria o Brasil tem com cientistas israelenses?

As parcerias concretas são civis. Alguns exemplos:

  • Instituto Weizmann de Ciências: o Programa Internacional Kupcinet Getz oferece bolsas de oito semanas a estudantes de graduação em matemática, física, química, ciência da computação ou ciências da vida.
  • Câmara Brasil-Israel (BRIL Chamber) e Universidade de Haifa: encontro com a professora Tal Luzzatto, referência em metabolômica funcional, sobre biotecnologia, saúde e meio ambiente.
  • Unibes Cultural, Academia Judaica e Associação Amigos da Universidade Bar-Ilan Brasil: palestra do professor Chanoch Ben Pazi, da Universidade Bar-Ilan, sobre inteligência artificial e pensamento judaico.

Cancelar essas atividades não pune um Estado. Exclui pessoas por origem nacional e fecha canais de conhecimento que beneficiam estudantes brasileiros.

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Falso. Serviço militar aos 18 anos não faz de um cientista adulto um soldado. Culpa é individual, não por nacionalidade. As parcerias com Israel são em saúde, biotecnologia, meio ambiente e física. Boicotar alguém por ser israelense é discriminação.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A frase circula em campanhas de boicote acadêmico em universidades brasileiras, em posts e em abaixo-assinados. Costuma vir junto de pedidos para cancelar eventos, convênios e bolsas.

Por que convence. Ela começa por um fato verdadeiro, o serviço militar obrigatório em Israel. Depois salta para uma conclusão que o fato não sustenta. Usa a palavra "genocídio" para dar peso moral. E transforma uma acusação política contra um Estado em culpa pessoal de cada cientista.

O que o argumento esconde.

1. Serviço militar não é soldado ativo. O dever cumprido na juventude não apaga o status civil de quem depois faz carreira acadêmica. 2. Culpa é individual. O Estatuto de Roma e o Direito Internacional Humanitário exigem prova de atos concretos. Não há culpa por nacionalidade nem por ter servido. 3. A acusação de genocídio é do campo antagonista. Israel a rejeita. E ela se dirige ao Estado, não a cada israelense. 4. A academia israelense é civil e plural. Reúne cientistas judeus e árabes, inclusive críticos do governo. 5. As parcerias são civis. Saúde, biotecnologia, meio ambiente, física, química, computação e filosofia.

Discriminação por origem. Relatórios sobre direitos fundamentais e combate ao antissemitismo registram que boicotes dirigidos a pesquisadores individuais apenas por sua nacionalidade são formas de discriminação e assédio institucional. Excluir um cientista por ser israelense não é protesto. É discriminação por origem nacional.

Se for responder, evite:
  • Não negue o serviço militar obrigatório em Israel. É fato. Explique o que ele significa e o que não significa.
  • Não diga que nenhuma pesquisa israelense tem relação com defesa. Fale das parcerias civis concretas.
  • Não chame todo defensor do boicote de antissemita. Mostre o problema concreto: excluir pessoas por origem nacional.
  • Não ataque estudantes ou professores brasileiros pessoalmente. Responda ao argumento.
  • Não generalize árabes, palestinos ou muçulmanos.

Perguntas frequentes

Todo israelense faz serviço militar?
Israel tem serviço militar obrigatório para jovens. Isso não faz de um adulto que segue carreira acadêmica um soldado ativo. O dever cumprido na juventude não apaga o status civil do pesquisador.
Cooperar com uma universidade israelense é cumplicidade com crimes?
Não. Pelo Estatuto de Roma, a responsabilidade penal é individual e exige prova de atos concretos. As parcerias com o Brasil tratam de saúde, biotecnologia, meio ambiente, física, computação e filosofia.
Boicotar um cientista por ser israelense é discriminação?
Sim. Excluir alguém de eventos, bolsas ou publicações por sua origem nacional é discriminação. Isso também fecha canais de diálogo e de conhecimento que beneficiam estudantes e pesquisadores brasileiros.
Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.