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Thomas Schirrmacher e Goodwill Shana no Yad Vashem, 2022
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Os protestos gigantes em Tel Aviv são contra o sionismo?

ENGANOSOO fato real é que houve multidões enormes em Tel Aviv.
Foto: Thomas Schirrmacher e Goodwill Shana no Yad Vashem, 2022. Religionssoziologe · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Enganoso. Os protestos gigantes em Tel Aviv foram reais, mas tinham outras pautas: em 2023, a reforma judicial do governo Netanyahu; depois do ataque do Hamas de 7 de outubro, a libertação dos reféns e a condução da guerra. Os manifestantes levavam bandeiras de Israel. Criticar um governo eleito não é rejeitar o sionismo.

Os protestos em Tel Aviv foram mesmo gigantes?

Sim. Ninguém precisa negar isso. A BBC estimou cerca de 200 mil pessoas em Tel Aviv em 11 de março de 2023. A Reuters citou estimativa do Canal 12 de cerca de 110 mil só em Tel Aviv em maio de 2023. Segundo a AP, cerca de 150 mil foram às ruas em 8 de julho de 2023.

Em agosto de 2025, a Reuters registrou mais de 100 mil participantes em um ato pelos reféns. Esse número vem dos organizadores, não de uma contagem oficial. As cifras variam conforme a fonte e o método de contagem. O tamanho das multidões é real. O que a afirmação distorce é o motivo delas.

Contra o que os israelenses protestavam?

As pautas estão documentadas pela imprensa internacional.

  • 2023: a reforma judicial do governo Netanyahu, que buscava limitar os poderes da Suprema Corte e alterar o sistema judicial. BBC, AP e Reuters descreveram assim os atos de março, maio e julho.
  • Depois de 7 de outubro de 2023: o Hamas atacou Israel e sequestrou reféns. A partir daí, as grandes manifestações passaram a exigir um acordo para trazê-los de volta e mudanças na condução da guerra. A AP descreveu os atos de agosto de 2025 como mobilizações em apoio às famílias dos reféns.

Nenhuma dessas pautas pede o fim de Israel como Estado judeu. São reivindicações de cidadãos israelenses dirigidas ao próprio governo.

Criticar o governo de Israel é ser contra o sionismo?

Não. O sionismo é o direito do povo judeu à autodeterminação no seu Estado. Criticar um governo eleito é outra coisa: é cidadania democrática.

Nos protestos de 2023, a bandeira de Israel estava por toda parte. Os manifestantes defendiam instituições do Estado, como a Suprema Corte. Eles não pediam o fim do Estado. Quem vai à rua para proteger as instituições de Israel e para trazer de volta os reféns levados pelo Hamas está agindo como israelense.

A imprensa israelense e judaica separa categorias que a frase viral mistura: oposição ao governo, oposição à reforma judicial, pressão por acordo de reféns, críticas à condução da guerra e antissionismo. Em pequenos grupos, algumas dessas posições aparecem juntas. Mas não são a mesma coisa.

Por que vídeos antigos circulam como se fossem recentes?

Porque imagens de multidões impressionam, e trocar a legenda muda o sentido delas.

Em outubro de 2023, a Reuters Fact Check classificou como enganoso um vídeo que apresentava imagens de um protesto de março de 2023, contra a reforma judicial, como se fossem de atos recentes durante a guerra. Os atos recentes mostrados no mesmo vídeo reuniam, em certos momentos, apenas centenas de pessoas.

A AAP FactCheck, da Austrália, chegou a uma conclusão parecida. Imagens de 2023 foram usadas para inflar atos ligados aos reféns. A agência também classificou como falsa a cifra de meio milhão de manifestantes após o ataque do Hamas.

Na versão viral, a imagem real ganha uma legenda inventada, como "Israelenses rejeitam o sionismo".

Existem israelenses antissionistas?

Existem grupos antissionistas, em Israel e no exterior. Isso não está em discussão. O que está em discussão é outra coisa: dizer que as maiores manifestações de Tel Aviv foram antissionistas. Nenhuma das reportagens de referência mostra isso.

O Institute for National Security Studies (INSS), ligado à Universidade de Tel Aviv, já registrou outro fenômeno, em protestos em universidades americanas. Organizações judaicas foram alvo de ataques por serem rotuladas como "sionistas", e o rótulo é usado de forma ampla e politizada. A frase sobre Tel Aviv faz o mesmo movimento ao contrário: pega cidadãos que criticam o governo e os coloca no campo de quem nega o direito de Israel existir.

Resposta pronta para copiar

Enganoso. As multidões de Tel Aviv protestaram contra a reforma judicial e pelos reféns sequestrados pelo Hamas, com bandeiras de Israel nas mãos. Criticar o governo não é rejeitar o sionismo. Reuters e AAP já desmentiram vídeos de 2023 reciclados como recentes.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A afirmação mistura três coisas diferentes.

1. Os protestos contra a reforma judicial de 2023. Foram duros contra o governo Netanyahu e enormes: cerca de 200 mil pessoas em março, segundo a BBC; cerca de 110 mil em maio, segundo o Canal 12 citado pela Reuters; e cerca de 150 mil em julho, segundo a AP. A bandeira de Israel dominava as ruas. 2. Os protestos depois de 7 de outubro de 2023. O Hamas iniciou a guerra com o ataque daquele dia e levou reféns para Gaza. As famílias e boa parte da sociedade israelense passaram a pressionar o governo por um acordo que os trouxesse de volta. Esses atos também questionavam a condução da guerra. Em agosto de 2025, a Reuters relatou mais de 100 mil participantes, segundo os organizadores. 3. Grupos antissionistas. Existem, mas não correspondem às grandes mobilizações nacionais em Tel Aviv.

Quando se juntam os três, as multidões dos dois primeiros grupos parecem dar razão ao terceiro. Os vídeos reciclados reforçam a ilusão, como mostraram a Reuters Fact Check e a AAP FactCheck.

O quadro real é o oposto do que a frase sugere. Uma sociedade que vai às ruas em massa para defender suas instituições e exigir a volta dos seus reféns mostra como a democracia israelense funciona. Ela não mostra rejeição ao Estado judeu. Discordar de um governo não é negar o direito de Israel existir.

Se for responder, evite:
  • Não negue que os protestos foram enormes, nem que criticavam duramente o governo.
  • Não diga que não existe nenhum israelense antissionista.
  • Não chame os manifestantes de traidores. Eles exerceram um direito democrático.
  • Não apresente contagens de organizadores como se fossem números oficiais. Cite a fonte de cada número.
  • Não invente números nem atribua checagens a agências que não trataram do tema.

Perguntas frequentes

Como funcionam os protestos em Israel?
São atos de rua convocados por cidadãos, movimentos civis e partidos de oposição, como em qualquer democracia. Em Tel Aviv, as maiores mobilizações de 2023 contestaram a reforma judicial do governo Netanyahu. Depois de 7 de outubro de 2023, os atos passaram a pedir um acordo para libertar os reféns do Hamas e mudanças na condução da guerra.
Quantas pessoas foram aos protestos em Tel Aviv?
Os números variam conforme a fonte. A BBC estimou cerca de 200 mil pessoas em março de 2023. A AP falou em cerca de 150 mil em julho de 2023. O Canal 12, citado pela Reuters, estimou cerca de 110 mil em maio de 2023. Em agosto de 2025, os organizadores falaram em mais de 100 mil.
Os manifestantes de Tel Aviv querem o fim de Israel?
Não. As pautas documentadas foram a reforma judicial, a volta dos reféns e a condução da guerra. Nos atos de 2023, a bandeira de Israel estava por toda parte, e os manifestantes defendiam instituições do Estado.
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