JJOJuventude JudaicaOrganizada
Rainha Beatriz dos Países Baixos visita o Yad Vashem
Início › Mitos › Antissemitismo
Mito × Fato · Antissemitismo

"O muro na Judeia e Samaria é o novo Gueto de Varsóvia": por que a comparação é antissemita

FALSOAntissemitismo · critério IHRAA frase compara uma medida de defesa de Israel contra o terrorismo a um gueto criado pelos nazistas como etapa do extermínio dos judeus.
Foto: Rainha Beatriz dos Países Baixos visita o Yad Vashem. Government Press Office (Israel) · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
Nesta página
Resposta curta

Falso. É também antissemitismo pelo critério da IHRA. A barreira de segurança de Israel começou a ser erguida em 2002, na Segunda Intifada, para barrar homens-bomba, e é formada principalmente por cercas. O Gueto de Varsóvia, criado pelos nazistas em 1940, confinou cerca de 400 mil judeus como etapa do extermínio. Comparar Israel aos nazistas é antissemitismo pela definição da IHRA.

O que foi o Gueto de Varsóvia?

O Gueto de Varsóvia foi criado pela Alemanha nazista em 1940. Cerca de 400 mil judeus foram confinados ali. Os nazistas confiscaram seus bens e os submeteram a fome, doenças, trabalho forçado e assassinato. Dezenas de milhares morreram dentro do próprio gueto. Centenas de milhares foram deportados para o campo de extermínio de Treblinka.

Os judeus de Varsóvia não representavam nenhuma ameaça militar. Foram perseguidos apenas por serem judeus. Em 1943, os moradores se revoltaram contra a liquidação final do gueto.

O gueto não servia para controlar a entrada de pessoas em um território. Ele era uma etapa de um projeto para exterminar o povo judeu da Europa.

Por que Israel construiu a barreira?

A barreira começou a ser construída em 2002, durante a Segunda Intifada. A decisão veio depois de uma série de atentados suicidas contra civis israelenses em ônibus, restaurantes e praças. O objetivo de Israel é impedir a entrada de terroristas.

A estrutura não é um muro contínuo. A maior parte é cerca, com arame farpado, valas, sensores e estradas de patrulha, segundo a Reuters. Os trechos de concreto têm de 8 a 9 metros de altura e ficam sobretudo em áreas urbanas, como Jerusalém, Belém, Qalqilya e Tulkarm. O traçado tem entre 700 e 712 km.

Os atentados caíram acentuadamente depois da construção. Israel afirma que a barreira não define uma fronteira permanente e que o traçado pode mudar numa negociação de paz.

A barreira afeta a vida dos palestinos?

Sim. A barreira restringe a circulação de palestinos, e isso não se nega. A OCHA, agência da ONU, alega que cerca de 85% do traçado passa além da Linha Verde de 1949. A agência também alega que a barreira e o sistema de portões e permissões separam comunidades palestinas de terras agrícolas, escolas, serviços de saúde e locais de trabalho.

Esse custo existe. Ele nasceu de uma escolha imposta pelo terrorismo: os atentados obrigaram Israel a proteger seus civis. Um custo real de uma medida de segurança pode ser debatido. Ele não transforma essa medida em um gueto nazista.

A Corte Internacional de Justiça condenou a barreira?

Não. Em 2004, a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer consultivo. Nele, considerou contrários ao direito internacional os trechos construídos além da Linha Verde e o regime associado a eles.

Um parecer consultivo não é uma condenação nem uma sentença vinculante. Israel rejeitou o parecer como politizado e não vinculante. O parecer também não diz em nenhum momento que a barreira se parece com um gueto nazista.

Por que a comparação com os nazistas é antissemita?

A Definição de Trabalho de Antissemitismo da IHRA cita como exemplo comparar a política israelense contemporânea à da Alemanha nazista.

Pesquisadores chamam esse recurso de "inversão do Holocausto". Ele inverte a realidade: os israelenses viram os "novos nazistas" e os palestinos viram os "novos judeus". Também inverte a moral, porque transfere aos judeus a culpa pelo genocídio que eles sofreram. Por isso pesquisadores do antissemitismo apontam que a inversão contém elementos de negação do Holocausto. O slogan "as vítimas viraram algozes" resume essa lógica.

Criticar o traçado da barreira é legítimo. Chamar a autodefesa do Estado judeu de "gueto nazista" não é crítica política. É usar a maior tragédia do povo judeu contra o próprio povo judeu.

Resposta pronta para copiar

A barreira surgiu em 2002 para barrar homens-bomba e é, na maior parte, cerca. O Gueto de Varsóvia foi uma etapa do extermínio nazista de judeus. Comparar Israel aos nazistas é antissemitismo pela definição da IHRA.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A frase circula em cartazes, posts e vídeos de ativistas. Costuma vir ao lado de fotos dos trechos de concreto da barreira. Ecoa o slogan em inglês "new Warsaw Ghetto" e acompanha a acusação de "apartheid" e a ideia de que "as vítimas viraram algozes".

A comparação convence porque a foto de um paredão de concreto lembra um muro de confinamento. Mas o concreto é a exceção. A maior parte da barreira é cerca, e os trechos de concreto ficam sobretudo em áreas urbanas.

A diferença está no propósito. O Gueto de Varsóvia, criado em 1940, confinou cerca de 400 mil judeus para matá-los de fome e doença e depois deportá-los para Treblinka. A barreira de Israel surgiu em 2002 para impedir que terroristas entrassem em cidades israelenses e explodissem civis. Depois da construção, os atentados caíram acentuadamente.

O traçado pode ser debatido. A OCHA alega impacto sobre a mobilidade de palestinos. A Corte Internacional de Justiça emitiu em 2004 um parecer consultivo, não vinculante, contra os trechos além da Linha Verde, e Israel o rejeitou. Nada disso aproxima uma medida de defesa de um projeto de extermínio.

Quando alguém chama a barreira de "novo Gueto de Varsóvia", não está descrevendo um fato. Está fazendo uma inversão do Holocausto, que a definição da IHRA classifica como antissemitismo.

Se for responder, evite:
  • Não negue que a barreira restringe a circulação de palestinos. Reconheça o fato e explique por que a barreira existe.
  • Não diga que o parecer da Corte Internacional de Justiça não vale nada. Diga o que ele é: consultivo e não vinculante.
  • Não use percentuais de cerca ou de queda de atentados sem fonte verificável.
  • Não generalize palestinos nem árabes. A crítica é à analogia e a quem a promove.
  • Não responda com outra comparação ao nazismo. A força do argumento está na precisão histórica.

Perguntas frequentes

A barreira de Israel é um muro?
Na maior parte, não. Segundo a Reuters, a estrutura é feita principalmente de cercas, com valas, sensores e estradas de patrulha. O concreto, com 8 a 9 metros de altura, concentra-se em áreas urbanas.
Por que Israel construiu a barreira de segurança?
A construção começou em 2002, durante a Segunda Intifada, depois de uma série de atentados suicidas contra civis israelenses. O objetivo é impedir a entrada de terroristas. Os atentados caíram acentuadamente depois da construção.
Comparar Israel aos nazistas é antissemitismo?
Sim, pela definição de trabalho da IHRA. Ela cita como exemplo de antissemitismo comparar a política israelense contemporânea à da Alemanha nazista. Esse recurso é conhecido como inversão do Holocausto.
Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.