Falso. É também antissemitismo pelo critério da IHRA. A barreira de segurança de Israel começou a ser erguida em 2002, na Segunda Intifada, para barrar homens-bomba, e é formada principalmente por cercas. O Gueto de Varsóvia, criado pelos nazistas em 1940, confinou cerca de 400 mil judeus como etapa do extermínio. Comparar Israel aos nazistas é antissemitismo pela definição da IHRA.
O que foi o Gueto de Varsóvia?
O Gueto de Varsóvia foi criado pela Alemanha nazista em 1940. Cerca de 400 mil judeus foram confinados ali. Os nazistas confiscaram seus bens e os submeteram a fome, doenças, trabalho forçado e assassinato. Dezenas de milhares morreram dentro do próprio gueto. Centenas de milhares foram deportados para o campo de extermínio de Treblinka.
Os judeus de Varsóvia não representavam nenhuma ameaça militar. Foram perseguidos apenas por serem judeus. Em 1943, os moradores se revoltaram contra a liquidação final do gueto.
O gueto não servia para controlar a entrada de pessoas em um território. Ele era uma etapa de um projeto para exterminar o povo judeu da Europa.
Por que Israel construiu a barreira?
A barreira começou a ser construída em 2002, durante a Segunda Intifada. A decisão veio depois de uma série de atentados suicidas contra civis israelenses em ônibus, restaurantes e praças. O objetivo de Israel é impedir a entrada de terroristas.
A estrutura não é um muro contínuo. A maior parte é cerca, com arame farpado, valas, sensores e estradas de patrulha, segundo a Reuters. Os trechos de concreto têm de 8 a 9 metros de altura e ficam sobretudo em áreas urbanas, como Jerusalém, Belém, Qalqilya e Tulkarm. O traçado tem entre 700 e 712 km.
Os atentados caíram acentuadamente depois da construção. Israel afirma que a barreira não define uma fronteira permanente e que o traçado pode mudar numa negociação de paz.
A barreira afeta a vida dos palestinos?
Sim. A barreira restringe a circulação de palestinos, e isso não se nega. A OCHA, agência da ONU, alega que cerca de 85% do traçado passa além da Linha Verde de 1949. A agência também alega que a barreira e o sistema de portões e permissões separam comunidades palestinas de terras agrícolas, escolas, serviços de saúde e locais de trabalho.
Esse custo existe. Ele nasceu de uma escolha imposta pelo terrorismo: os atentados obrigaram Israel a proteger seus civis. Um custo real de uma medida de segurança pode ser debatido. Ele não transforma essa medida em um gueto nazista.
A Corte Internacional de Justiça condenou a barreira?
Não. Em 2004, a Corte Internacional de Justiça emitiu um parecer consultivo. Nele, considerou contrários ao direito internacional os trechos construídos além da Linha Verde e o regime associado a eles.
Um parecer consultivo não é uma condenação nem uma sentença vinculante. Israel rejeitou o parecer como politizado e não vinculante. O parecer também não diz em nenhum momento que a barreira se parece com um gueto nazista.
Por que a comparação com os nazistas é antissemita?
A Definição de Trabalho de Antissemitismo da IHRA cita como exemplo comparar a política israelense contemporânea à da Alemanha nazista.
Pesquisadores chamam esse recurso de "inversão do Holocausto". Ele inverte a realidade: os israelenses viram os "novos nazistas" e os palestinos viram os "novos judeus". Também inverte a moral, porque transfere aos judeus a culpa pelo genocídio que eles sofreram. Por isso pesquisadores do antissemitismo apontam que a inversão contém elementos de negação do Holocausto. O slogan "as vítimas viraram algozes" resume essa lógica.
Criticar o traçado da barreira é legítimo. Chamar a autodefesa do Estado judeu de "gueto nazista" não é crítica política. É usar a maior tragédia do povo judeu contra o próprio povo judeu.
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A barreira surgiu em 2002 para barrar homens-bomba e é, na maior parte, cerca. O Gueto de Varsóvia foi uma etapa do extermínio nazista de judeus. Comparar Israel aos nazistas é antissemitismo pela definição da IHRA.Até 280 caracteres, para responder nas redes
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A frase circula em cartazes, posts e vídeos de ativistas. Costuma vir ao lado de fotos dos trechos de concreto da barreira. Ecoa o slogan em inglês "new Warsaw Ghetto" e acompanha a acusação de "apartheid" e a ideia de que "as vítimas viraram algozes".
A comparação convence porque a foto de um paredão de concreto lembra um muro de confinamento. Mas o concreto é a exceção. A maior parte da barreira é cerca, e os trechos de concreto ficam sobretudo em áreas urbanas.
A diferença está no propósito. O Gueto de Varsóvia, criado em 1940, confinou cerca de 400 mil judeus para matá-los de fome e doença e depois deportá-los para Treblinka. A barreira de Israel surgiu em 2002 para impedir que terroristas entrassem em cidades israelenses e explodissem civis. Depois da construção, os atentados caíram acentuadamente.
O traçado pode ser debatido. A OCHA alega impacto sobre a mobilidade de palestinos. A Corte Internacional de Justiça emitiu em 2004 um parecer consultivo, não vinculante, contra os trechos além da Linha Verde, e Israel o rejeitou. Nada disso aproxima uma medida de defesa de um projeto de extermínio.
Quando alguém chama a barreira de "novo Gueto de Varsóvia", não está descrevendo um fato. Está fazendo uma inversão do Holocausto, que a definição da IHRA classifica como antissemitismo.
- Não negue que a barreira restringe a circulação de palestinos. Reconheça o fato e explique por que a barreira existe.
- Não diga que o parecer da Corte Internacional de Justiça não vale nada. Diga o que ele é: consultivo e não vinculante.
- Não use percentuais de cerca ou de queda de atentados sem fonte verificável.
- Não generalize palestinos nem árabes. A crítica é à analogia e a quem a promove.
- Não responda com outra comparação ao nazismo. A força do argumento está na precisão histórica.




