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Clarice Lispector no Rio de Janeiro
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O acordo Mercosul-Israel financia as comunidades israelenses em Judeia e Samaria?

ENGANOSOA frase parte de um fato real: o acordo existe, reduz tarifas, e todo comércio gera receita para empresas e impostos para o Estado.
Foto: Clarice Lispector no Rio de Janeiro. Donatas Dabravolskas · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Enganoso. O acordo Mercosul-Israel é de livre-comércio: reduz tarifas sobre bens vendidos entre empresas que cumprem regras de origem. Não tem nenhuma cláusula de transferência de verbas, crédito ou subsídio. Foi negociado e assinado sob o governo Lula, em 2007, e vigora no Brasil desde 28 de abril de 2010, pelo Decreto nº 7.159.

O que é o acordo Mercosul-Israel?

É um acordo de livre-comércio. O Mercosul e Israel o assinaram em 18 de dezembro de 2007. Foi o primeiro acordo do tipo firmado pelo bloco com um país fora da América Latina.

A entrada em vigor foi gradual:

  • Uruguai: dezembro de 2009;
  • Paraguai: março de 2010;
  • Brasil: 28 de abril de 2010, pelo Decreto nº 7.159, de 27 de abril de 2010;
  • Argentina: setembro de 2011.

Segundo o Siscomex, portal de comércio exterior do governo brasileiro, os temas do acordo são comércio de bens, regras de origem, salvaguardas, regulamentos técnicos, normas e procedimentos de avaliação de conformidade, medidas sanitárias e fitossanitárias, cooperação técnica e tecnológica e solução de controvérsias.

O Ministério da Economia de Israel descreve o acordo como um instrumento para remover barreiras comerciais, dar previsibilidade jurídica e ampliar o comércio.

O acordo tem alguma cláusula que mande dinheiro para Israel?

Não. O texto não tem nenhum dispositivo sobre transferência de verbas, crédito, subsídio, financiamento de infraestrutura ou destinação de receitas a qualquer localidade.

O benefício é tarifário. Ele reduz ou elimina o imposto de importação sobre produtos trocados entre empresas. Segundo o Siscomex, o Brasil concedeu margens de preferência de 100% a 9.848 linhas tarifárias, 95,9% do total.

Isso vale nos dois sentidos. Exportadores brasileiros vendem a Israel com tarifa reduzida, e importadores brasileiros compram de Israel nas mesmas condições. Nenhum real do orçamento brasileiro vai para o governo de Israel por causa do acordo.

Então por que se diz que o acordo financia os "assentamentos"?

Porque o argumento encadeia passos que parecem lógicos, mas não fecham:

1. o Mercosul compra produtos israelenses; 2. essas vendas geram receita para empresas e impostos; 3. parte da economia israelense tem ligação com as comunidades israelenses em Judeia e Samaria; 4. logo, o acordo "financia os assentamentos".

Os dois primeiros pontos são verdadeiros, como em qualquer comércio. O terceiro é genérico e não aponta nenhum vínculo do acordo com essas comunidades. O quarto é uma inferência política, não um fato do tratado. Para prová-lo, seria preciso mostrar com dados de origem e de fluxo financeiro que receitas específicas do acordo foram destinadas a localidades específicas. Ninguém apresentou esses dados.

Pelo mesmo raciocínio, qualquer compra de qualquer país "financiaria" qualquer política de seu governo. Comércio não é financiamento.

Quem negociou e assinou o acordo pelo Brasil?

O governo Lula. Sob sua presidência, o Mercosul negociou e assinou o acordo em 2007. Em março de 2010, durante visita a Israel, Lula informou às autoridades israelenses que o Congresso Nacional havia aprovado o texto.

O acordo passou por todas as etapas do processo brasileiro: negociação pelo Executivo, aprovação pelo Congresso e promulgação por decreto presidencial. Quem hoje pede sua suspensão sob o rótulo de "financiamento" questiona um tratado comercial que o próprio Estado brasileiro negociou, aprovou e promulgou sob o governo Lula.

Qual o peso do comércio entre Mercosul e Israel?

Segundo documento da Organização Mundial do Comércio sobre o acordo, em 2017 o Mercosul era, em conjunto, a 18ª maior fonte de importações de Israel e o 8º maior destino de suas exportações.

São trocas entre empresas privadas. Os pagamentos correspondem à compra de mercadorias, com benefício tarifário só para produtos que cumprem as regras de origem do acordo.

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Enganoso. O acordo Mercosul-Israel só reduz tarifas sobre bens trocados entre empresas. Não tem cláusula de verbas, crédito ou subsídio. Foi negociado sob Lula, assinado em 2007 e vigora no Brasil desde 2010 (Decreto 7.159). Comércio não é financiamento.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

O acordo de livre-comércio entre o Mercosul e Israel foi assinado em 18 de dezembro de 2007. No Brasil, foi promulgado pelo Decreto nº 7.159, de 27 de abril de 2010, e vigora desde 28 de abril de 2010. Foi o primeiro acordo desse tipo do Mercosul com um país fora da América Latina, negociado e assinado sob o governo Lula.

O texto trata de comércio de bens, regras de origem, salvaguardas, normas técnicas, medidas sanitárias, cooperação técnica e solução de controvérsias. Não há uma linha sobre transferência de recursos, crédito ou subsídio. O ganho é a redução do imposto de importação, em vendas entre empresas, para produtos que cumprem as regras de origem.

A tese de que o acordo "financia os assentamentos" confunde três coisas diferentes:

  • comércio com Israel: compras e vendas sujeitas às regras do acordo;
  • financiamento: transferência de recursos para obras, infraestrutura, incentivos ou administrações locais;
  • efeito econômico indireto: a hipótese de que receitas gerais de empresas ou do Estado contribuam, de forma difusa, para políticas públicas.

O acordo é só a primeira coisa. A segunda não existe no texto. A terceira vale para qualquer comércio com qualquer país e não foi demonstrada com dados para este caso.

Na prática, a frase serve a campanhas de boicote contra Israel. Ao rotular um tratado comercial comum como "financiamento", ela trata Israel como o único país cujo comércio com o Brasil seria ilegítimo. Esse padrão duplo, aplicado só ao Estado judeu, é o que o debate sério precisa expor.

Se for responder, evite:
  • Não diga que o comércio com Israel não gera receita alguma. Gera, como todo comércio. O ponto é que receita não é financiamento.
  • Não afirme que as regras de origem do acordo excluem expressamente produtos de Judeia e Samaria. O texto público do acordo não comprova isso.
  • Não ataque palestinos. O alvo é o argumento enganoso, não um povo.
  • Não exagere números. Use os dados oficiais: Decreto nº 7.159, vigência desde 28 de abril de 2010, 9.848 linhas com preferência de 100%.

Perguntas frequentes

O Brasil manda dinheiro para Israel pelo acordo do Mercosul?
Não. O acordo não prevê transferência de verbas, crédito nem subsídio. Ele só reduz tarifas de importação em vendas entre empresas. O benefício vale para os dois lados: exportadores brasileiros também vendem a Israel com tarifa menor.
Quando o acordo Mercosul-Israel entrou em vigor no Brasil?
Em 28 de abril de 2010, promulgado pelo Decreto nº 7.159, de 27 de abril de 2010. O acordo foi assinado em 18 de dezembro de 2007 e negociado sob o governo Lula.
Suspender o acordo cortaria dinheiro das comunidades israelenses em Judeia e Samaria?
Não há base para essa conclusão. O acordo não destina receitas a nenhuma localidade, e ninguém apresentou dados que liguem o comércio do acordo a recursos para essas comunidades. A suspensão afetaria, sobretudo, empresas brasileiras que compram e vendem a Israel.
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