Falso. O Muro das Lamentações é o muro de contenção ocidental que Herodes construiu no século I a.C. para sustentar a esplanada do Segundo Templo. Fica fora e abaixo das mesquitas. Rezar ali não é entrar em Al-Aqsa. Desde 1967, o Waqf Islâmico administra o topo, e o Muro é o principal local de oração judaica.
O Muro das Lamentações faz parte da Mesquita de Al-Aqsa?
Não. O Muro das Lamentações (Kotel HaMa'aravi) é o muro de contenção ocidental. O rei Herodes, o Grande, construiu esse muro no século I a.C. Ele servia para sustentar o aterro da esplanada do Segundo Templo.
O Muro fica fora e abaixo do topo da esplanada. A Mesquita de Al-Aqsa (Qibli) e o Domo da Rocha ficam no topo da plataforma do Monte do Templo, que os muçulmanos chamam de Haram al-Sharif.
A praça de oração do Muro é um espaço separado do perímetro das mesquitas. Quem reza ali está ao pé de um muro externo. Essa pessoa não entra nas mesquitas e não interfere no culto islâmico.
Quem administra o Muro e o topo da esplanada desde 1967?
Depois da reunificação de Jerusalém em 1967, Israel aprovou a Lei de Proteção dos Lugares Sagrados. A lei garante proteção e liberdade de acesso aos locais sagrados de todas as religiões.
Pelo arranjo conhecido como Status Quo:
- a administração do topo da esplanada ficou com o Waqf Islâmico, sob tutela da Jordânia;
- o culto no topo ficou reservado aos muçulmanos;
- o Muro foi designado como o principal local de oração pública judaica.
O Rabinato Chefe de Israel também colocou placas, inclusive na ponte Mughrabi, que dá acesso ao Monte. As placas diziam que, "segundo a Torá", é proibido entrar na área do Monte do Templo "por causa da sua santidade". Ou seja, o local de oração judaica foi fixado justamente no Muro, fora das mesquitas.
Por que a oração no Muro passou a ser chamada de "invasão"?
Por causa de uma mudança no uso do nome. Historicamente, Al-Masjid al-Aqsa designava a mesquita no extremo sul da esplanada.
A partir da década de 1990, correntes políticas e setores do ativismo islâmico ampliaram o nome. "Al-Aqsa" passou a designar toda a esplanada de 37 acres e também os muros externos, chamados de Al-Buraq. Com essa nova definição, qualquer presença judaica no local passou a ser descrita como "invasão", inclusive a oração no Muro, que fica do lado de fora.
Por isso, vídeos de judeus rezando no Muro circulam com legendas como "invasão de Al-Aqsa". O mesmo acontece em festas judaicas e em momentos de tensão em Jerusalém. A legenda se apoia nessa definição ampliada. Ela não corresponde à geografia do lugar.
Fontes islâmicas reconhecem o vínculo judaico com o local?
Sim. Fontes islâmicas clássicas e modernas ligam o local ao antigo Templo judaico:
- Al-Tabari (século IX) relata que o califa Umar foi ao lugar onde "os romanos enterraram o Templo [bayt al-maqdis] no tempo dos filhos de Israel".
- Al-Maqdisi (século XI) reconheceu que a Mesquita de Al-Aqsa foi construída sobre o Templo de Salomão.
- Al-Baydawi (século XIII) e o Tafsir al-Jalalayn (séculos XV e XVI) identificam a "Mesquita Mais Distante" do Alcorão com o Bayt al-Maqdis de Jerusalém. O termo é quase idêntico ao hebraico Beit HaMikdash, "o Templo Sagrado".
- Uma inscrição árabe na mesquita da vila de Nuba (séculos IX e X) chama a rocha do Domo de "a rocha de Bayt al-Maqdis".
- O guia oficial do Supremo Conselho Muçulmano de Jerusalém (edições de 1924, 1925 e 1929) afirmava que a identidade do Monte com o local do Templo de Salomão está "além de qualquer dúvida".
No plano internacional, o relatório da comissão da Liga das Nações de 1930 reconheceu a longa tradição judaica de oração junto ao Muro.
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O Muro das Lamentações é o muro externo de contenção construído por Herodes. As mesquitas ficam no topo, em espaço separado. Rezar no Muro não é entrar em Al-Aqsa. Desde 1967, o Waqf Islâmico administra o topo e o Muro é o principal local de oração judaica.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
A geografia desmente a legenda. O Monte do Templo é uma grande plataforma. Herodes, o Grande, ampliou essa plataforma no século I a.C. com um aterro sustentado por muros de contenção. O Muro das Lamentações é o trecho ocidental desses muros. No topo da plataforma ficam a Mesquita de Al-Aqsa (Qibli) e o Domo da Rocha. A praça onde os judeus rezam fica embaixo, ao pé do muro externo, num espaço separado.
A lei e o Status Quo separam os espaços. Desde 1967, a Lei de Proteção dos Lugares Sagrados garante o acesso aos locais sagrados. O Waqf Islâmico, sob tutela da Jordânia, administra o topo, onde o culto é reservado aos muçulmanos. O Muro é o principal local de oração pública judaica. O próprio Rabinato Chefe de Israel pediu que os judeus não subissem ao Monte, em respeito à sua santidade. A oração judaica ficou no Muro.
A palavra mudou, o lugar não. Al-Masjid al-Aqsa designava a mesquita no extremo sul da esplanada. Desde os anos 1990, o nome foi estendido a toda a esplanada de 37 acres e aos muros externos (Al-Buraq). Essa ampliação transforma qualquer presença judaica, até do lado de fora, em "invasão".
A história confirma o vínculo judaico. Al-Tabari, al-Maqdisi, al-Baydawi e o Tafsir al-Jalalayn ligam o local ao Bayt al-Maqdis, o Templo. Em 1924, 1925 e 1929, o guia do Supremo Conselho Muçulmano de Jerusalém escreveu que a identidade do Monte com o Templo de Salomão estava "além de qualquer dúvida". Em 1930, uma comissão da Liga das Nações reconheceu a tradição judaica de oração no Muro.
Al-Aqsa é sagrada para os muçulmanos, e isso não está em discussão. O que está em discussão é a legenda. Rezar no Muro das Lamentações é rezar no lugar que a própria lei e o Status Quo reservam à oração judaica.
- Não diga que os muçulmanos "inventaram" a santidade do lugar. Al-Aqsa é sagrada para os muçulmanos. O ponto é outro: o Muro fica fora das mesquitas.
- Não generalize muçulmanos nem árabes. A ampliação do nome "Al-Aqsa" vem de correntes políticas específicas, não de um povo ou de uma religião.
- Não misture o Muro com a questão da oração no topo da esplanada. São temas diferentes. Esta página trata do Muro, que fica do lado de fora.
- Não arredonde nem invente números e datas. Use os dados com as fontes citadas: Herodes no século I a.C., lei de 1967, guias de 1924, 1925 e 1929, comissão de 1930.




