Falso. O Instagram pertence à Meta, americana, e o TikTok à ByteDance, chinesa. Não há evidência pública de que Israel opere esses algoritmos. Israel pede a remoção de incitação do Hamas com base nas regras das plataformas. Gaza não está escondida: no TikTok, já na operação Guardião dos Muros, #gazaunderattack passou de 325 milhões de visualizações, contra 20 milhões de #israelunderattack.
Quem é o dono do algoritmo do Instagram e do TikTok?
O Instagram pertence à Meta, empresa americana. O TikTok pertence à ByteDance, empresa chinesa.
Cada empresa controla os próprios sistemas de moderação e de recomendação. Não há evidência pública de que o governo israelense tenha participação acionária, acesso ao código ou qualquer papel na operação desses algoritmos.
A tese circula com prints de queda de alcance, relatos de shadow banning e dicas de algospeak, as palavras codificadas para "driblar a censura israelense". O Jerusalem Post descreveu esse uso de palavras codificadas. Mas elas servem para contornar filtros automáticos das próprias plataformas. Nada disso mostra uma mão israelense no algoritmo.
O que Israel faz de fato nas redes sociais?
O que Israel faz é documentado e público. A Unidade Cibernética do Ministério da Justiça envia às plataformas pedidos de remoção de conteúdo de incitação e de apoio a grupos terroristas como o Hamas. Esses pedidos se baseiam nas regras das próprias empresas, que já proíbem apoio a organizações terroristas.
A decisão de remover ou não continua sendo da plataforma. Denunciar conteúdo não é controlar algoritmo. É o mesmo tipo de pedido que outros governos fazem.
Israel também faz diplomacia digital e discute regras para o setor: o Times of Israel noticiou a criação de um comitê israelense para avaliar a regulação de redes sociais e novas tecnologias. Isso é política pública aberta, não controle secreto.
Por que posts sobre Gaza foram removidos?
Houve remoções indevidas. Isso é fato e não se nega. As causas apontadas foram técnicas e internas das plataformas:
- classificadores automáticos falhos em árabe;
- aplicação ampla da política de "Organizações e Indivíduos Perigosos" da Meta;
- filtros de spam;
- bloqueio automático de palavras como "mártir" e "resistência", que os sistemas leram como sinal de violência, segundo o Jerusalem Post.
Os erros atingiram os dois lados. Na guerra que o Hamas começou em 7 de outubro, o Conselho de Supervisão da Meta concluiu que a empresa removeu indevidamente vídeos sobre Gaza e também sobre o sequestro de israelenses. Isso ocorreu depois que a Meta reduziu temporariamente o limite para detectar conteúdo violento.
Em 2021, a própria Meta reconheceu falhas de moderação no conflito de maio, em parte porque não tinha um classificador adequado para hebraico, segundo o Times of Israel. Em outubro de 2023, a Meta corrigiu um bug nos Stories do Instagram e informou que ele afetava contas no mundo todo, não só posts sobre Israel e Gaza.
Os dados de alcance mostram que Gaza é escondida?
Não. Os números apontam o contrário.
- No TikTok, durante a operação Guardião dos Muros, #gazaunderattack passou de 325 milhões de visualizações, enquanto #israelunderattack teve 20 milhões.
- Em picos da guerra, até 98,6% das visualizações de posts com hashtags sobre o conflito no TikTok eram de conteúdo pró-palestino.
- O INSS, instituto israelense de estudos de segurança nacional, relatou que o TikTok recomendava rapidamente conteúdo da guerra, muitas vezes anti-Israel, a contas de teste.
Influenciadores pró-Israel também se queixam de shadow banning no TikTok e no Instagram, segundo o Jerusalem Post. A sensação de censura existe nos dois lados. Ela não prova a causa, e muito menos uma ordem do governo israelense.
Por que essa teoria convence tanta gente?
Porque mistura fatos reais com um salto causal. Houve erros de moderação. Israel denuncia conteúdo. Quem vê um post perder alcance quer um culpado.
O salto está em transformar denúncias, erros técnicos e disputas sobre moderação em "controle operacional" do algoritmo, algo para o qual não há prova pública.
Há ainda um eco antigo. A ideia de que judeus ou Israel comandam em segredo a mídia é um velho mito antissemita. Muita gente que compartilha o post não sabe disso. Mas a semelhança explica por que a tese se espalha com tanta facilidade e merece ser respondida com dados.
Resposta pronta para copiar
Falso. Instagram é da Meta (EUA) e TikTok é da ByteDance (China). Israel não opera esses algoritmos: denuncia incitação do Hamas, como outros governos. E, na operação Guardião dos Muros, #gazaunderattack teve mais de 325 milhões de views no TikTok, contra 20 milhões de #israelunderattack.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Denúncia não é controle. A Unidade Cibernética do Ministério da Justiça de Israel envia pedidos de remoção às plataformas. Os pedidos tratam de incitação e de apoio a grupos terroristas como o Hamas, conteúdos que as próprias regras da Meta e do TikTok já proíbem. Quem decide é a empresa.
Os erros foram das plataformas e atingiram os dois lados. Classificadores falhos em árabe, a política ampla de "Organizações e Indivíduos Perigosos" da Meta, filtros de spam e o bloqueio de palavras como "mártir" e "resistência" explicam remoções de posts sobre Gaza. Os mesmos ajustes da Meta derrubaram vídeos sobre o sequestro de israelenses, como concluiu o Conselho de Supervisão da empresa. Em 2021, a Meta admitiu que não tinha classificador adequado para hebraico.
As plataformas também agiram contra desinformação. Segundo a CBS News, o TikTok removeu mais de 131 mil vídeos de desinformação desde o início da guerra Israel-Hamas e passou a direcionar quem buscava o tema para conteúdo da Reuters. Verificadores como Reuters e AFP foram usados para checar alegações em árabe e hebraico.
O alcance desmente a tese. Até 98,6% das visualizações de posts com hashtags sobre o conflito no TikTok foram de conteúdo pró-palestino em picos da guerra. O INSS observou que o algoritmo recomendava rapidamente conteúdo anti-Israel a contas de teste.
Israel também atua na disputa de narrativa, e isso é público. Faz diplomacia digital e debate regulação. Em maio de 2024, a Meta relatou ter flagrado uma empresa de marketing israelense operando centenas de contas falsas sobre a guerra, e as removeu. O caso mostra uma plataforma agindo contra uma campanha ligada a Israel. É o oposto de Israel mandar no algoritmo.
- Não negue que houve remoções indevidas de conteúdo palestino. Está documentado.
- Não diga que Israel nunca tenta influenciar as redes. Israel denuncia conteúdo e faz diplomacia digital, e a Meta já flagrou uma empresa de marketing israelense com contas falsas.
- Não afirme que as plataformas "são pró-Hamas". Fale de dados de alcance, não de motivação.
- Não chame quem compartilhou o post de antissemita. Aponte o salto causal e, se couber, a semelhança com o velho mito do "controle da mídia".
- Não generalize árabes nem muçulmanos.
Perguntas frequentes
Quais conteúdos são proibidos no TikTok?
Israel faz shadow ban de posts sobre Gaza?
O que é algospeak?
- Jerusalem Post: Conselho de Supervisão da Meta conclui que vídeos sobre Gaza e sobre o sequestro de israelenses foram removidos indevidamente
- Times of Israel: Meta falhou na moderação no conflito de maio de 2021, inclusive por falta de classificador em hebraico
- Jerusalem Post: Meta corrige bug global nos Stories do Instagram
- CBS News: TikTok removeu mais de 131 mil vídeos de desinformação na guerra Israel-Hamas
- Jerusalem Post: filtros automáticos sobre "mártir" e "resistência" e as denúncias da unidade cibernética israelense
- Jerusalem Post: queixas de influenciadores pró-Israel contra TikTok e Instagram
- Jerusalem Post: o uso de "algospeak" no Instagram e no TikTok
- INSS: TikTok e redes sociais na operação Guardião dos Muros
- INSS: análise de redes sociais e guerra de informação
- Times of Israel: Israel cria comitê para avaliar regulação de redes sociais e novas tecnologias



