Falso. Gideon Levy publica em Israel há décadas. Ele tem coluna semanal no Haaretz, o diário mais antigo do país, fundado em 1918, em hebraico e inglês, e integra o conselho editorial. Ele mesmo disse: "Não fui censurado porque sou privilegiado". Israel tem censura militar, mas limitada a dados de segurança.
Gideon Levy publica em Israel?
Sim, e há décadas. Levy é colunista do Haaretz, o diário mais antigo de Israel, fundado em 1918. Ele mantém uma coluna semanal no jornal, publicada em hebraico e em inglês, e integra o conselho editorial.
Suas colunas trazem críticas duríssimas ao governo israelense e à guerra contra o Hamas em Gaza. Elas saem em Israel, para leitores israelenses, sem que ninguém o impeça.
O livro de Levy lançado no Brasil reúne 102 artigos publicados entre 2014 e 2026. Um jornalista proibido de publicar não teria 102 artigos para reunir em livro.
O que o próprio Levy diz sobre ser censurado?
Em entrevista publicada no Brasil, Levy foi perguntado por que não havia sido censurado. A resposta dele foi direta: "Não fui censurado porque sou privilegiado".
Levy acrescenta, como opinião pessoal, que o Haaretz é uma das poucas plataformas dispostas a publicar o tipo de crítica que ele faz. Também diz que talvez não tivesse a mesma liberdade em outros grandes veículos. Essa é uma avaliação dele sobre linhas editoriais de empresas privadas. Não é censura do Estado. Um jornal que não contrata um colunista não o está proibindo de escrever.
Israel tem censura militar?
Tem, e isso não se esconde. A censura militar israelense se concentra em informações sensíveis para a segurança: operações militares, inteligência, localização de alvos e dados que poderiam ajudar o Hamas e outros inimigos de Israel.
Um país em guerra contra um grupo terrorista que atacou civis e mantém reféns tem motivos concretos para proteger esse tipo de dado. O próprio Levy descreveu essa censura como "muito limitada". Em vez dela, ele aponta a autocensura da imprensa como o problema maior, o que é outra opinião pessoal dele. Nenhuma das duas coisas o impediu de publicar.
O governo tentou proibir o Haaretz em 2023?
Não houve proibição. Em 2023, o ministro das Comunicações, Shlomo Karhi, atacou o Haaretz. Ele acusou o jornal de publicar "propaganda derrotista" e propôs cancelar assinaturas estatais e anúncios oficiais.
Foi uma proposta política, discutida em público. Não foi uma ordem que proibisse Levy de escrever. O jornal seguiu circulando, e o editor Amos Schocken respondeu publicamente ao ministro. Um governo criticar um jornal, e o jornal responder publicamente, é o funcionamento normal de uma democracia com imprensa livre.
Por que a frase sobre censura convence tanta gente?
A frase junta três fatos reais e diferentes e tira deles uma conclusão que não existe:
- a censura militar, restrita a temas de segurança;
- a pressão política de um ministro contra o Haaretz;
- a opinião de Levy de que teria menos espaço em outros veículos.
Somados, os três parecem provar uma proibição. Nenhum deles prova. A frase também circula com a alegação de que Levy teria sido "banido da televisão israelense". Mesmo que uma emissora deixe de convidá-lo, isso não equivale a proibi-lo de publicar. Por fim, o público brasileiro conhece pouco a imprensa israelense, e isso facilita a confusão.
Resposta pronta para copiar
Falso. Gideon Levy tem coluna semanal no Haaretz, o diário mais antigo de Israel, em hebraico e inglês. Ele mesmo disse: "Não fui censurado porque sou privilegiado". Um crítico duro do governo publicando toda semana é sinal de democracia, não de censura.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
A frase "Gideon Levy é censurado e não pode publicar em Israel" circulou em posts e cards nas redes brasileiras, sobretudo durante a turnê de lançamento do livro de Levy no Brasil. Ela é usada como "prova" de que Israel não seria uma democracia.
Os fatos mostram o contrário. Levy escreve no Haaretz, jornal fundado em 1918 e publicado em hebraico e inglês. Ele tem coluna semanal e assento no conselho editorial. Suas críticas ao governo e à guerra contra o Hamas saem regularmente, dentro de Israel. O livro lançado no Brasil reúne 102 artigos escritos entre 2014 e 2026.
O próprio Levy afirma não ter sido censurado: "Não fui censurado porque sou privilegiado". Ele descreve a censura militar israelense como "muito limitada". Ela existe e se concentra em operações, inteligência e localização de alvos, informações que poderiam ajudar o Hamas e outros inimigos.
A pressão do ministro Shlomo Karhi contra o Haaretz, em 2023, foi real. Ele propôs cortar assinaturas estatais e anúncios oficiais. Mas foi uma proposta política, não uma ordem contra Levy. O jornal seguiu circulando e respondeu publicamente pelo editor Amos Schocken.
Um jornalista que critica o próprio governo toda semana, em meio a uma guerra, e continua publicando no jornal mais antigo do país não é exemplo de censura. É exemplo de liberdade de imprensa em Israel.
- Não diga que Israel não tem censura militar. Ela existe; o ponto é que se limita a informações de segurança.
- Não negue a pressão do ministro Karhi em 2023. Descreva com precisão: proposta política, não proibição.
- Não ataque Levy pessoalmente nem o chame de "traidor" ou "judeu que se odeia". Basta mostrar que ele publica livremente.
- Não afirme que ele aparece com frequência na TV israelense. Os fatos disponíveis não sustentam isso.
- Não confunda a opinião de Levy sobre outros veículos com censura do Estado. Diga que é avaliação pessoal dele.
Perguntas frequentes
O Haaretz é de esquerda?
Qual o jornal mais antigo de Israel?
Israel tem censura na imprensa?
- Amado Mundo: agenda de Gideon Levy no Brasil
- PublishNews: autor de livros sobre Gaza fará turnê de eventos no Brasil
- IHU Unisinos: entrevista com Gideon Levy
- Democracy Now: entrevista com Gideon Levy (2026)
- Scroll.in: o ministro Shlomo Karhi contra o Haaretz (2023)
- Prospect Magazine: por dentro do Haaretz
- NRC: o Haaretz e a cobertura da guerra (2026)




