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A Declaração Balfour
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“A Palestina já é membro pleno da ONU”: por que a afirmação é falsa

FALSOA afirmação contradiz os fatos.
Foto: A Declaração Balfour. Zoltan Kluger · Public domain · Wikimedia Commons
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Falso. A delegação palestina tem na ONU apenas o status de Estado observador não membro, desde 2012, sem direito de voto. A Carta exige recomendação do Conselho de Segurança para admitir um membro, e os Estados Unidos vetaram essa recomendação em 18 de abril de 2024. A votação de maio ampliou direitos, mas não concedeu membresia.

Qual é o status da delegação palestina na ONU hoje?

A delegação palestina tem o status que a ONU chama de “Estado observador não membro”. Ele foi concedido em 29 de novembro de 2012 pela Resolução 67/19 da Assembleia Geral, aprovada por 138 votos a 9, com 41 abstenções.

Esse status mudou a forma de representação dentro da ONU. Ele não deu membresia plena. A delegação palestina continua sem direito de voto na Assembleia Geral e nos demais órgãos principais.

O próprio reconhecimento como Estado é outra questão. Em 2012, até países que votaram a favor, como a Nova Zelândia, disseram que ser Estado é uma questão separada e que só pode acontecer de fato com a concordância de Israel.

Como um país se torna membro pleno da ONU?

A regra está no artigo 4(2) da Carta da ONU: a admissão é feita por decisão da Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança.

A ordem importa. A Assembleia Geral não admite ninguém sozinha. Primeiro, o Conselho de Segurança precisa aprovar a recomendação, com pelo menos 9 dos 15 votos e nenhum veto dos cinco membros permanentes: Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China.

Sem essa recomendação, não há admissão. Não existe atalho previsto na Carta.

O que aconteceu nas tentativas de 2011 e de 2024?

A linha do tempo mostra três momentos diferentes, que os posts virais misturam:

  • Setembro de 2011. A Autoridade Palestina pediu a admissão plena. O comitê de admissão de novos membros do Conselho de Segurança concluiu que não havia consenso para recomendar a entrada.
  • 29 de novembro de 2012. A Assembleia Geral concedeu o status de Estado observador não membro, sem voto.
  • 18 de abril de 2024. O Conselho de Segurança votou um projeto apresentado pela Argélia que recomendava a admissão. Foram 12 votos a favor e 2 abstenções (Reino Unido e Suíça). Os Estados Unidos vetaram. A recomendação não foi aprovada.
  • 10 de maio de 2024. A Assembleia Geral aprovou a Resolução ES-10/23, por 143 votos a 9, com 25 abstenções. O texto declarou que, na visão da Assembleia, a candidatura reúne as condições do artigo 4º. Também ampliou direitos de participação e pediu ao Conselho que reconsiderasse o pedido. Não concedeu membresia nem voto.

Por que tanta gente acredita que a admissão aconteceu?

Porque a votação de maio de 2024 foi ampla e teve forte impacto visual. A delegação palestina passou a sentar entre os Estados, a apresentar propostas e a participar de certos trabalhos. Manchetes resumiram o resultado como “a ONU aprovou a entrada”.

A própria ONU descreveu a resolução de outra forma. Segundo o serviço de notícias da organização, ela ampliou os direitos da delegação como observadora, sem oferecer membresia plena. A AFP Checamos classificou conteúdos semelhantes como falsos ou enganosos.

Em resumo: a Assembleia Geral pode manifestar apoio, mas quem recomenda a admissão é o Conselho de Segurança, e essa recomendação não foi aprovada.

Qual é a posição de Israel sobre a candidatura palestina?

Israel sustenta que o status final dos palestinos deve sair de negociações diretas, e não de votações na Assembleia Geral. O governo israelense tratou a resolução de 2024 como uma tentativa de contornar o procedimento da Carta. Para Israel, ela dá vantagens diplomáticas sem um acordo de paz.

Há também o argumento jurídico. O Jerusalem Center for Public Affairs (JCPA), com base na obra do jurista Yoram Dinstein, sustenta que a Autoridade Palestina não cumpre os requisitos da Convenção de Montevidéu (1933) para ser reconhecida como Estado. Na mesma linha, a análise lembra que a Resolução 67/19 tratou de uma questão de representação dentro da ONU, e não decidiu se existe um Estado.

O caminho para um acordo, na visão israelense, passa pela mesa de negociação. Votos simbólicos não substituem esse caminho.

Resposta pronta para copiar

Falso. Desde 2012 a delegação palestina é Estado observador não membro, sem voto. A Carta da ONU exige recomendação do Conselho de Segurança, e os EUA vetaram em 18/4/2024. Em maio, a Assembleia Geral ampliou direitos, mas não deu membresia.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

Status de observador não é membresia. A Resolução 67/19, de 29 de novembro de 2012 (138 a 9, com 41 abstenções), deu à delegação palestina o status de “Estado observador não membro”. Esse status permite participar dos trabalhos da ONU, mas não votar na Assembleia Geral nem integrar órgãos reservados a membros plenos.

A Carta define quem admite. O artigo 4(2) exige decisão da Assembleia Geral mediante recomendação do Conselho de Segurança. O artigo 27(3) define a votação no Conselho: 9 votos e nenhum veto dos cinco membros permanentes.

Abril de 2024: veto. Na votação de 18 de abril, o projeto apresentado pela Argélia teve 12 votos a favor e 2 abstenções (Reino Unido e Suíça). Os Estados Unidos vetaram. Sem recomendação, o processo de admissão parou ali.

Maio de 2024: mais direitos, sem voto. A Resolução ES-10/23 (143 a 9, com 25 abstenções) declarou que, na visão da Assembleia, a candidatura reúne as condições do artigo 4º. Também pediu ao Conselho que reconsiderasse o pedido e ampliou direitos de participação. Nos debates, ficou claro que a Assembleia não tem autoridade para conceder membresia sem a recomendação prévia do Conselho.

A visão israelense. Israel considera essas votações uma forma de contornar a Carta e as negociações diretas. Analistas israelenses, como o JCPA com base em Yoram Dinstein, sustentam que a Autoridade Palestina não preenche os critérios da Convenção de Montevidéu para ser Estado. Até apoiadores da resolução de 2012, como a Nova Zelândia, separaram o voto da questão de ser ou não um Estado.

Se for responder, evite:
  • Não diga que os palestinos “não existem” ou que “não têm direito a nada”. O debate aqui é sobre o procedimento da ONU, não sobre a existência de um povo.
  • Não negue o tamanho da votação de 2024 (143 a 9) nem o reconhecimento bilateral feito por muitos países. São fatos, e negá-los enfraquece o argumento.
  • Não diga que “a ONU rejeitou os palestinos”. A Assembleia Geral apoiou a candidatura. Quem barrou a recomendação foi o veto dos Estados Unidos no Conselho de Segurança.
  • Não confunda os momentos: 2012 (observador), abril de 2024 (veto) e maio de 2024 (mais direitos, sem membresia).

Perguntas frequentes

Quem reconhece o Estado palestino?
Muitos governos declaram reconhecer, de forma bilateral, um Estado palestino. Esse reconhecimento é uma decisão de cada governo e não equivale à membresia na ONU, que depende do Conselho de Segurança. Israel sustenta que o status final dos palestinos deve resultar de negociações diretas. Em 2012, até a Nova Zelândia, que votou a favor do status de observador, disse que ser Estado é outra questão.
Qual é a situação atual da delegação palestina na ONU?
A delegação palestina é “Estado observador não membro” desde 2012. Em maio de 2024, a Assembleia Geral ampliou seus direitos de participação. Ela passou a sentar entre os Estados e a apresentar propostas, mas continua sem direito de voto na Assembleia Geral e nos demais órgãos principais.
A Assembleia Geral pode admitir um membro sozinha?
Não. Pelo artigo 4(2) da Carta da ONU, a Assembleia Geral só decide sobre a admissão depois de uma recomendação do Conselho de Segurança. Essa recomendação precisa de 9 votos e nenhum veto dos membros permanentes. Em abril de 2024, ela foi vetada pelos Estados Unidos.
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