O Muro das Lamentações, ou Kotel, é um trecho preservado do muro de contenção ocidental da plataforma que o rei Herodes ampliou para o Segundo Templo. Os romanos destruíram o Templo em 70 d.C. O muro é a estrutura remanescente mais próxima do antigo Santo dos Santos e o lugar de oração mais emblemático do judaísmo. Judeus israelenses ficaram sem acesso a ele entre 1949 e 1967, sob controle jordaniano.
O que é o Muro das Lamentações (Kotel)?
O Muro das Lamentações é um trecho do antigo muro de contenção ocidental do Monte do Templo, em Jerusalém. Em hebraico, ele se chama HaKotel HaMa'aravi, o "Muro Ocidental", ou simplesmente Kotel.
O muro não era uma parede do santuário do Templo. Ele fazia parte da obra de engenharia do rei Herodes, o Grande. A ampliação começou por volta de 20/19 a.C.:
- Herodes mandou aterrar vales vizinhos para criar uma grande plataforma retangular no alto do Monte Moriá.
- A plataforma ficou sustentada por enormes muros de arrimo, assentados diretamente na rocha.
- As fiadas inferiores do Kotel têm blocos gigantes de calcário com o acabamento típico da cantaria herodiana, uma moldura rebaixada nas bordas.
- Os sucessores de Herodes continuaram as obras dos muros ao longo do século I d.C.
Segundo a Western Wall Heritage Foundation e a Autoridade de Antiguidades de Israel, as escavações encontraram pedras monumentais, níveis de rua, canais de drenagem e cisternas da Jerusalém do Segundo Templo. A identificação do muro com a estrutura herodiana é amplamente aceita.
Por que o Muro das Lamentações é sagrado?
O Kotel é sagrado porque é a estrutura remanescente mais próxima do Santo dos Santos (Kodesh HaKodashim), o ponto central do antigo Templo de Jerusalém.
A santidade vem do próprio Monte do Templo (Har HaBayit), o local mais sagrado do judaísmo:
- Primeiro Templo: segundo a tradição bíblica, o rei Salomão o construiu no monte. As forças babilônicas de Nabucodonosor II o destruíram em 586 a.C.
- Segundo Templo: foi reerguido depois do exílio na Babilônia. Herodes o reformou e ampliou na segunda metade do século I a.C.
- Destruição romana: em 70 d.C., as legiões de Tito incendiaram o santuário. Os muros externos de contenção eram maciços demais para serem demolidos por inteiro, e o trecho ocidental ficou de pé.
O acesso judaico ao alto da esplanada foi limitado por leis de pureza ritual e por proibições de governantes romanos, bizantinos e islâmicos. Por isso o Muro Ocidental virou o ponto de oração mais próximo do lugar santo. Fontes rabínicas e poemas medievais registram a tradição de que "a Presença Divina (Shechinah) nunca se afasta do Muro Ocidental".
Em 1930, uma comissão da Liga das Nações examinou as reivindicações sobre o local. Ela reconheceu o vínculo histórico e religioso ininterrupto dos judeus com o Muro.
Por que o nome Muro das Lamentações?
O nome vem da tradição de lamentar no local a destruição do Templo. Por séculos, o muro foi o símbolo maior desse luto.
O lamento nunca foi só tristeza. O Kotel também representa a esperança de redenção e é foco de peregrinação contínua. Por isso muitos judeus preferem o nome hebraico, Kotel ou HaKotel HaMa'aravi ("Muro Ocidental"). Ele descreve o lugar pela posição: é o lado oeste da plataforma do Templo.
Os dois nomes se referem ao mesmo local. "Muro das Lamentações" é o nome mais conhecido no Brasil. "Muro Ocidental" é o mais usado em Israel.
O que os judeus fazem no Muro das Lamentações?
Os judeus rezam no Kotel, celebram datas da vida religiosa e deixam bilhetes com pedidos entre as pedras.
Desde 1967, o Muro funciona como uma praça aberta de oração pública. Entre os usos mais comuns:
- Oração diária, individual e em grupo.
- Celebrações do ciclo de vida, como o Bar Mitzvá.
- Bilhetes nas frestas: a administração oficial do Kotel documenta esse costume. Os bilhetes são retirados de tempos em tempos e enterrados ritualmente. Eles não vão para o lixo comum, segundo a Western Wall Heritage Foundation.
Visitantes não judeus, entre eles líderes religiosos e políticos, também adotaram o costume dos bilhetes. Em 2014, o papa Francisco deixou uma oração entre as pedras durante sua visita a Jerusalém, como relatou o Times of Israel.
O que tem atrás do Muro das Lamentações?
Atrás e acima do Kotel fica a esplanada do Monte do Templo, que os muçulmanos chamam de Haram al-Sharif. Debaixo da terra, o muro continua por túneis.
Em cima: depois de 1967, Israel estendeu sua jurisdição civil à Cidade Velha. Mesmo assim, manteve o arranjo administrativo conhecido como status quo:
- O Waqf islâmico, sob custódia da Jordânia, cuida da administração religiosa do topo da esplanada.
- A Polícia de Israel responde pela segurança e pela ordem pública.
- O topo é reservado ao culto muçulmano. Não muçulmanos, judeus incluídos, podem visitá-lo em horários definidos. As autoridades israelenses restringem a oração pública judaica no alto do monte para conter tensões.
Embaixo: os Túneis do Muro Ocidental mostram que o muro continua sob as construções atuais. Segundo a Autoridade de Antiguidades de Israel, ali foram registrados fundações, grandes blocos, ruas, canais, arcos e cisternas de vários períodos.
O que aconteceu com o Muro entre 1948 e 1967?
Depois da Guerra de Independência de Israel (1948), a Cidade Velha de Jerusalém ficou sob controle jordaniano. Entre 1949 e 1967, judeus israelenses foram impedidos de chegar ao Kotel, segundo documento oficial do governo de Israel.
Israelenses não tinham acesso, e não havia acesso judaico regular ao local.
Em 7 de junho de 1967, durante a Guerra dos Seis Dias, as Forças de Defesa de Israel tomaram a Cidade Velha. Israel reabriu o local a fiéis de diferentes religiões e manteve o Waqf na administração da esplanada. O governo israelense chama esse momento de reunificação de Jerusalém. O status de Jerusalém Oriental ainda é contestado por outros governos.
| Período | Situação do acesso ao Kotel |
|---|---|
| 1949–1967 | Controle jordaniano; judeus israelenses impedidos de entrar |
| Desde 1967 | Controle israelense; acesso aberto a fiéis de diferentes religiões |
As escavações perto do Muro são polêmicas?
As escavações conduzidas por Israel são trabalhos de pesquisa arqueológica e preservação do patrimônio. Autoridades jordanianas e palestinas as contestam.
A acusação: representantes jordanianos e palestinos alegam que algumas obras e túneis mudam o caráter da Cidade Velha, ameaçam estruturas ou servem a um projeto político de soberania israelense. A posição jordaniana consta em documento das Nações Unidas.
A resposta: os trabalhos, intensificados depois de 1967, revelaram estruturas do Segundo Templo que são essenciais para estudar a Jerusalém antiga. Esses achados confirmam a ligação judaica com o local, que é documentada e não depende de política.
A destruição documentada de patrimônio no Monte do Templo partiu do Waqf. Em 1999, o Waqf fez uma escavação sem autorização no setor sudeste do monte. Ele usou retroescavadeiras para abrir uma entrada para a mesquita subterrânea al-Marwani e despejou grande quantidade de terra com material histórico no Vale do Cédron.
Em 2004, os arqueólogos Gabriel Barkay e Zachi Dvira criaram o Temple Mount Sifting Project para peneirar essa terra com voluntários. O projeto resgatou artefatos de todas as épocas de Jerusalém, entre eles:
- selos de argila com nomes de famílias sacerdotais do Primeiro Templo;
- ladrilhos herodianos do pátio do Segundo Templo;
- moedas antigas.
Linha do tempo
- 586 a.C.Forças babilônicas de Nabucodonosor II destroem o Primeiro Templo.
- 516 a.C.O Segundo Templo é reerguido após o exílio na Babilônia.
- c. 20/19 a.C.Herodes, o Grande, inicia a ampliação da plataforma do Templo e de seus muros de contenção.
- 70 d.C.Legiões romanas de Tito destroem o Templo; o muro ocidental de contenção permanece de pé.
- 1930Comissão da Liga das Nações reconhece o vínculo histórico e religioso dos judeus com o Muro Ocidental.
- 1949–1967Sob controle jordaniano, judeus israelenses são impedidos de chegar ao Kotel.
- 1967Em 7 de junho, Israel toma a Cidade Velha, reabre o acesso e mantém o status quo da esplanada.
- 1999O Waqf faz escavação não autorizada no sudeste do Monte do Templo.
- 2004Gabriel Barkay e Zachi Dvira fundam o Temple Mount Sifting Project.
- 2014O papa Francisco deixa uma oração entre as pedras do Muro.
Perguntas frequentes
O Muro das Lamentações era parte do Templo?
O que significa Kotel?
O que acontece com os bilhetes deixados no Muro?
Judeus podem rezar em cima do Monte do Templo?
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Crianças- Western Wall Heritage Foundation – achados arqueológicos no Kotel
- Western Wall Heritage Foundation – bilhetes no Muro Ocidental
- Western Wall Heritage Foundation – história das escavações
- Western Wall Heritage Foundation – informações sobre o Kotel
- Autoridade de Antiguidades de Israel – relatório sobre os Túneis do Muro Ocidental
- Autoridade de Antiguidades de Israel – fundações do Muro Ocidental
- Governo de Israel – The Holy Land: Jews, Christians and Muslims
- Governo de Israel – History (divisão e reunificação de Jerusalém)
- The Times of Israel – bilhete do papa Francisco no Muro Ocidental

