O Hamas e a Jihad Islâmica usaram o hospital Al-Shifa, o maior de Gaza, como infraestrutura militar. Lá exerceram comando e controle, guardaram armas e mantiveram reféns. Isso consta de provas divulgadas pelas Forças de Defesa de Israel (FDI) e de uma avaliação de inteligência dos EUA divulgada em janeiro de 2024. O padrão se repetiu em outros hospitais. Usar unidades médicas como escudo viola o direito internacional humanitário.
O que aconteceu no hospital Al-Shifa em 2023?
Em novembro de 2023, as Forças de Defesa de Israel (FDI) entraram no Al-Shifa para desmontar a estrutura militar que o Hamas mantinha dentro e sob o complexo. O Al-Shifa fica no bairro de Rimal, na Cidade de Gaza, e é o maior complexo médico do território.
A sequência foi esta:
- 27 de outubro de 2023: a inteligência israelense divulgou mapas e gráficos que indicavam um centro operacional do Hamas sob o hospital.
- Meados de novembro de 2023: John Kirby, do Conselho de Segurança Nacional dos EUA, afirmou que a inteligência americana também apontava o uso do Al-Shifa pelo Hamas para guardar armas, abrigar terroristas e manter reféns.
- 15 de novembro de 2023: as FDI fizeram buscas em setores específicos do hospital. No prédio da ressonância magnética e em áreas vizinhas, apreenderam equipamentos de comunicação, computadores e armas do Hamas.
As FDI reuniram vídeos, interrogatórios e outros materiais em uma página oficial sobre o uso de hospitais pelo Hamas.
O que o grupo Hamas faz com os hospitais de Gaza?
O Hamas instala centros de comando, depósitos de armas e entradas de túneis dentro e sob hospitais. Assim, ele se aproveita da proteção especial que o direito internacional dá às unidades médicas.
A tática tem dois efeitos. Primeiro, dificulta a ação militar israelense, porque as FDI precisam evitar danos a pacientes e médicos. Segundo, gera repercussão internacional contra Israel sempre que há uma operação nesses locais.
O Al-Shifa não é um caso isolado. Segundo Israel, o mesmo padrão apareceu em outros hospitais:
| Hospital | O que Israel informou |
|---|---|
| Kamal Adwan (Jabalya) | Em interrogatório divulgado em dezembro de 2023, o diretor Ahmad Kahlot disse que o Hamas transformou o hospital em centro operacional. Ele afirmou que pelo menos 16 funcionários atuavam também nas Brigadas Qassam. |
| Rantisi (Cidade de Gaza) | Em novembro de 2023, as FDI mostraram armas, um poço de túnel e sinais da passagem de reféns no porão do hospital infantil. |
| Nasser (Khan Yunis) | Em fevereiro de 2024, cerca de 200 membros de grupos terroristas foram capturados no local. Reféns libertadas disseram ter ficado presas ali por semanas. |
| Hospital Europeu (Khan Yunis) | Foi documentado um túnel sob a sala de emergência, usado como abrigo por líderes do Hamas, entre eles Muhammad Deif. |
Interrogatórios e relatos de motoristas indicam ainda que o Hamas usa ambulâncias para transportar armas, munições e comandantes.
Onde o Hamas opera dentro do Al-Shifa?
Segundo as FDI, o Hamas operava em túneis sob o complexo e em prédios do próprio hospital. Entre 17 e 22 de novembro de 2023, as FDI mostraram um túnel fortificado de 55 metros de comprimento, a 10 metros de profundidade.
De acordo com Israel, o túnel tinha:
- portas blindadas;
- salas climatizadas para permanência prolongada;
- banheiro e cozinha;
- ligação com a rede de túneis da região.
As FDI informaram que desmontaram o túnel em 24 de novembro de 2023 sem danificar os prédios do hospital na superfície.
O tamanho e a função exata dessa estrutura foram debatidos. Reportagens como a da CNN observaram que as imagens de novembro, sozinhas, não provavam por inteiro a tese de que o Al-Shifa era o principal centro de comando do Hamas. A inteligência americana, depois, confirmou o ponto central: o uso militar do complexo e das áreas sob ele para comando e controle, armas e reféns.
O que os Estados Unidos concluíram sobre o Al-Shifa?
Em janeiro de 2024, autoridades americanas divulgaram uma avaliação de inteligência que confirma o uso militar do Al-Shifa pelo Hamas e pela Jihad Islâmica. Segundo a Reuters e a AP, os dois grupos:
- usaram o complexo e as áreas sob ele para comando e controle;
- guardaram armas no local;
- mantiveram pelo menos alguns reféns ali;
- evacuaram grande parte do complexo dias antes da entrada das tropas israelenses, em novembro.
A avaliação veio de inteligência americana desclassificada. Ela confirma o ponto central da posição de Israel: o hospital era usado como infraestrutura militar. O fato de o Hamas ter saído pouco antes da operação também mostra que o grupo sabia que o local era alvo de busca.
Reféns de 7 de outubro foram levados ao Al-Shifa?
Sim. As câmeras de segurança do próprio hospital, em 7 de outubro de 2023, mostram terroristas do Hamas levando reféns para dentro do Al-Shifa. Entre eles havia israelenses e estrangeiros. As FDI divulgaram as imagens.
A inteligência dos EUA concluiu que pelo menos alguns reféns foram mantidos no complexo.
Os corpos de duas reféns assassinadas no cativeiro foram encontrados em estruturas vizinhas ao hospital: o da soldado Noa Marciano e o de Yehudit Weiss.
O número exato de reféns que passaram pelo hospital não é conhecido. Mas o fato principal está estabelecido: o Hamas usou um hospital para esconder pessoas sequestradas.
O que aconteceu na operação de março de 2024 no Al-Shifa?
Em 18 de março de 2024, as FDI voltaram ao Al-Shifa porque o Hamas e a Jihad Islâmica tinham reocupado o hospital. Segundo Israel, o complexo tinha voltado a ser o principal centro operacional desses grupos no norte de Gaza.
A operação durou cerca de duas semanas. Os números divulgados pelas FDI e reportados pela imprensa variam:
- capturados: entre 500 e 600 membros de grupos terroristas;
- mortos em combate no local: entre 140 e 200.
Segundo Israel, também foram apreendidas grandes quantidades de armas, munições e milhões em fundos operacionais. Os pacientes ficaram em uma ala isolada, e comboios de ajuda e equipamentos médicos foram coordenados para abastecê-los.
A volta do Hamas ao hospital quatro meses depois da primeira operação mostra que o uso do Al-Shifa era uma escolha deliberada e não um episódio isolado.
O Hamas já usava o Al-Shifa antes de 2023?
Sim. O Hamas já usava o Al-Shifa nas guerras de 2008-2009 e de 2014.
- Operação Chumbo Fundido (dez. 2008 a jan. 2009): líderes do Hamas usaram o subsolo e o térreo do hospital como centro de comando e local de interrogatório e detenção de opositores, como membros do Fatah. Detidos interrogados pelo Shin Bet confirmaram que altos dirigentes se abrigavam ali. As FDI não bombardearam o hospital, para evitar danos a pacientes e médicos.
- Operação Margem Protetora (2014): o Al-Shifa voltou a servir como sede de fato do Hamas. Jornalistas estrangeiros, em reportagens como as do Washington Post, relataram líderes do grupo em escritórios do hospital. Em 1º de agosto de 2014, um projétil foi lançado contra Israel a partir do estacionamento do Al-Shifa.
Em 2014, o hospital Al-Wafa, em Shuja'iyeh, foi usado como posto de atiradores, depósito de armas e base para mísseis antitanque. As FDI só atacaram o prédio em 23 de julho de 2014, depois de emitir alertas e confirmar a saída de civis e funcionários.
O que diz o direito internacional sobre hospitais usados para fins militares?
Hospitais têm proteção especial, mas a perdem quando são usados para atos prejudiciais ao inimigo. É o que preveem a IV Convenção de Genebra e o Protocolo Adicional I, segundo o Comitê Internacional da Cruz Vermelha.
Usos que retiram essa proteção incluem:
- servir de base para ataques;
- guardar armas;
- abrigar combatentes;
- funcionar como posto de observação ou centro de comando.
O comentário ao Artigo 19 da IV Convenção e a Regra 28 do direito costumeiro explicam as condições. É preciso dar um aviso, com prazo razoável quando cabível. Depois, continuam valendo as regras de precaução e proporcionalidade.
O Artigo 28 da IV Convenção e o Artigo 51(7) do Protocolo Adicional I proíbem usar civis ou unidades médicas para proteger alvos militares. Quem transforma um hospital em base militar viola a lei e coloca os pacientes em risco.
Organismos internacionais e juristas cobram de Israel provas rigorosas do uso militar, avisos eficazes e proporcionalidade. Israel responde com os avisos dados em 2014, com o isolamento dos pacientes em 2024 e com as provas apresentadas, que foram confirmadas pela inteligência dos EUA.
Linha do tempo
- 2008-2009Na Operação Chumbo Fundido, o Hamas usa o subsolo do Al-Shifa como centro de comando e local de interrogatório. Israel decide não bombardear o hospital.
- 2014Na Operação Margem Protetora, o Al-Shifa serve de sede de fato do Hamas. Em 1º de agosto, um projétil é lançado do estacionamento do hospital.
- 20237 de outubro: câmeras do Al-Shifa registram reféns sendo levados para dentro do hospital. 27 de outubro: Israel divulga mapas do centro operacional sob o complexo.
- 202315 a 24 de novembro: as FDI fazem buscas no Al-Shifa, mostram um túnel de 55 metros e depois o desmontam.
- 2023Dezembro: Israel divulga o interrogatório do diretor do hospital Kamal Adwan, que descreve o uso do local pelo Hamas.
- 2024Janeiro: avaliação de inteligência dos EUA confirma o uso do Al-Shifa para comando e controle, armas e reféns.
- 2024Fevereiro: operação no hospital Nasser, em Khan Yunis, com cerca de 200 capturados.
- 202418 de março: segunda operação no Al-Shifa, depois da reocupação do hospital pelo Hamas e pela Jihad Islâmica.
Perguntas frequentes
O que o grupo Hamas faz?
Onde opera o Hamas?
Os Estados Unidos confirmaram que o Hamas usou o Al-Shifa?
Um hospital pode virar alvo militar legítimo?
Assista
Áudio em outro idioma, com legendas. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Português.
Documentário didático que conta a história dos túneis de Gaza, das passagens familiares em Rafah à rede militar construída pelos terroristas do Hamas com recursos desviados da ajuda humanitária. Explica o uso de civis como escudos humanos e os dilemas que Israel enfrenta para se defender.
Adolescentes e adultosExplicação em formato de perguntas e respostas sobre os grupos terroristas Hamas e Jihad Islâmica, seu financiamento pelo Irã, o uso de escudos humanos e os ataques com foguetes contra civis israelenses, com respostas às acusações mais comuns contra Israel no conflito de 2021 e um resumo das propostas de paz rejeitadas.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Haviv Rettig Gur entrevista Shiri Fein-Grossman, ex-chefe de Assuntos Regionais do Conselho de Segurança Nacional de Israel, sobre os bastidores dos Acordos de Abraão, a construção da normalização com os Emirados Árabes Unidos e as perspectivas de um acordo com a Arábia Saudita após o 7 de outubro. O episódio também discute a estratégia de Israel em Gaza e a centralidade da libertação dos reféns.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Porta-voz das Forças de Defesa de Israel, na passagem de Kerem Shalom, mostra a entrada diária de ajuda humanitária para os civis de Gaza. Ele explica os lançamentos aéreos, as pausas humanitárias e os corredores seguros, e denuncia como os terroristas do Hamas desviam a ajuda e usam a própria população como escudo.
Adolescentes e adultos- FDI: uso de hospitais pelo Hamas durante a guerra
- Reuters: EUA acreditam que o Hamas usou o hospital Al-Shifa
- AP: inteligência dos EUA sobre o Al-Shifa e reféns
- CNN: avaliação de inteligência dos EUA sobre o Al-Shifa
- CICV: proteção de hospitais em conflitos armados
- CICV: comentário ao Artigo 19 da IV Convenção de Genebra
- CICV: Regra 28 do direito internacional humanitário costumeiro
- CICV: perguntas frequentes sobre as regras da guerra

