Entre 2008 e 2021, Israel enfrentou o Hamas e a Jihad Islâmica em quatro grandes guerras em Gaza: Chumbo Fundido (2008–2009), Pilar Defensivo (2012), Margem Protetora (2014) e Guardião das Muralhas (2021). Todas vieram depois de escaladas de foguetes lançados de Gaza contra cidades israelenses. Israel respondeu com operações aéreas e terrestres para deter os disparos e destruir túneis e arsenais do grupo terrorista.
Quais foram as guerras entre Israel e Gaza de 2008 a 2021?
Foram quatro grandes operações militares, todas contra o Hamas e outros grupos armados de Gaza, sobretudo a Jihad Islâmica. Israel saiu de Gaza em 2005. Depois disso, a região viveu esses quatro ciclos de guerra até o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.
| Período | Operação | Gatilho | Números principais |
|---|---|---|---|
| 27 dez. 2008 a 18 jan. 2009 | Chumbo Fundido (Cast Lead) | Escalada de foguetes contra o sul de Israel, incluindo Sderot | 22 dias de combate |
| 14 a 21 nov. 2012 | Pilar Defensivo, também traduzida como Pilar de Defesa (Pillar of Defense) | Mais de 900 foguetes ao longo de 2012 | Cerca de 1.500 foguetes e morteiros em 8 dias |
| jul. a 26 ago. 2014 | Margem Protetora (Protective Edge) | Sequestro e assassinato de três adolescentes israelenses e nova onda de foguetes | Mais de 4.000 foguetes; 32 túneis destruídos |
| 10 a 21 maio 2021 | Guardião das Muralhas (Guardian of the Walls) | Foguetes do Hamas contra Jerusalém | Mais de 4.300 foguetes, ou quase 4.400 segundo as FDI |
Há pequenas diferenças entre as fontes. Para 2014, algumas datam o início em 7 de julho e outras em 8 de julho. Para 2021, as contagens vão de 11 a 12 dias. As Forças de Defesa de Israel e a Reuters registram essa sequência.
Quando começou a guerra em Gaza?
Os ciclos de guerra começaram depois que o Hamas tomou Gaza pela força, em 2007. A primeira grande operação israelense veio em dezembro de 2008.
A sequência que leva às guerras é esta:
- Setembro de 2005: Israel retirou de Gaza soldados, bases, a administração militar e 21 comunidades israelenses, com cerca de 9.000 moradores. Para o governo de Israel, a ocupação terminou em 12 de setembro de 2005, quando o último soldado saiu (Ministério das Relações Exteriores de Israel).
- 2006: o Hamas venceu as eleições legislativas.
- Junho de 2007: o Hamas tomou o controle total de Gaza depois de um conflito armado com o Fatah.
- 2007 e 2008: aumentaram os disparos de foguetes e morteiros contra cidades do sul de Israel.
- 27 de dezembro de 2008: Israel lançou a Operação Chumbo Fundido.
Portanto, Israel não iniciou as guerras ao ocupar Gaza. Israel já tinha saído do território. As guerras começaram com os foguetes disparados de Gaza depois da retirada.
Quem atacou primeiro em cada guerra, o Hamas ou Israel?
Em todas as quatro guerras, as operações israelenses vieram depois de ondas de foguetes lançados de Gaza contra a população de Israel.
- 2008–2009: a ofensiva veio depois de uma escalada de foguetes contra o sul de Israel, incluindo Sderot. Um documento do governo israelense descreve o objetivo como suprimir os foguetes disparados pelo Hamas (gov.il).
- 2012: grupos de Gaza dispararam mais de 900 foguetes ao longo do ano. Em meados de novembro, foram mais de 120 em apenas quatro dias. Em 14 de novembro, Israel eliminou Ahmed Jabari, chefe da ala militar do Hamas, e atacou estoques de mísseis de longo alcance.
- 2014: em junho, uma célula do Hamas sequestrou e assassinou três adolescentes israelenses em Judeia e Samaria. Em seguida, as barragens de foguetes vindas de Gaza aumentaram.
- 2021: em 10 de maio, o Hamas disparou rajadas de foguetes diretamente contra Jerusalém. O episódio ocorreu em meio a disputas judiciais no bairro de Sheikh Jarrah, em Jerusalém Oriental, e a confrontos no complexo da Mesquita de Al-Aqsa (Reuters).
Os foguetes não se limitaram à fronteira. Em 2012 chegaram à região de Tel Aviv. Em 2014 e em 2021 atingiram áreas centrais de Israel, incluindo Jerusalém. Em 2014, segundo o governo israelense, os foguetes alcançaram localidades a até cerca de 100 km de Gaza.
Por que o Hamas ataca Israel e para que serviam os túneis?
O Hamas usou Gaza como base para atacar cidades israelenses com foguetes e para preparar incursões armadas por túneis. Esses foguetes são ataques terroristas dirigidos contra civis, lançados contra cidades israelenses. Muitos lançamentos tinham como destino áreas urbanas.
Os túneis de ataque transfronteiriços passavam sob a fronteira. Segundo as FDI, eles foram construídos para incursões armadas e sequestros dentro de Israel. Em 2014, a ofensiva terrestre começou em 17 de julho com o objetivo específico de localizar e demolir essa rede. As FDI informaram a destruição de 32 túneis, dos quais 14 chegavam ao território israelense (FDI).
Em 2021, a Força Aérea de Israel atacou a rede subterrânea militar do Hamas, conhecida como "o Metro". Também atingiu centros de comando instalados em prédios de uso misto, como a Torre Al-Jalaa. As FDI afirmam ter atingido mais de 1.500 alvos, entre lançadores, centros de comando e depósitos de armas.
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A crítica aqui se dirige ao Hamas, um grupo terrorista, e não aos palestinos como povo.
O que é a Cúpula de Ferro e qual foi seu papel nessas guerras?
A Cúpula de Ferro é um sistema israelense de defesa contra foguetes de curto alcance. Ela entrou em operação em 2011, e seu primeiro grande emprego foi na guerra de 2012.
- O sistema não tenta interceptar todos os projéteis. Em geral, prioriza os que vão cair em áreas povoadas.
- Segundo as FDI, a taxa de interceptação foi de cerca de 90% em 2012 e de novo cerca de 90% em 2021, considerando os foguetes classificados como ameaça à população (FDI).
- Esses percentuais são dados oficiais. Eles dependem de como se define "ameaça" e de como se faz o cálculo.
A Reuters registrou em 2021 a troca de barragens de foguetes, ataques aéreos e interceptações. A Cúpula de Ferro salvou vidas de civis israelenses. Mesmo assim, ela não muda o fato de que milhares de foguetes foram disparados contra cidades.
Quantas pessoas morreram e o que se discute sobre os civis?
As guerras mataram muitos palestinos e dezenas de israelenses. Os números variam conforme a fonte e conforme a forma de separar combatentes de civis.
| Guerra | Palestinos mortos | Israelenses mortos |
|---|---|---|
| 2008–2009 | cerca de 1.400 | 13 |
| 2014 | mais de 2.100 | 73, sendo 67 militares |
Os dados da tabela são da Reuters.
Organizações e investigações internacionais alegam que alguns ataques israelenses foram desproporcionais e causaram danos extensos a civis. Israel responde em três pontos:
- Avisos prévios: em 2014, as forças israelenses usaram ligações telefônicas, SMS, panfletos e o aviso no telhado (roof knocking) para que civis deixassem os locais antes dos ataques a alvos militares.
- Escudos humanos: o manual Um Capítulo em Combate Urbano, das Brigadas al-Qassam, foi apreendido pelas FDI em Shuja'iyeh em 2014. Ele afirma que a presença de civis causa "dificuldades para abrir fogo". Em 2008, Fathi Hammad disse na TV do Hamas: "formamos escudos humanos com mulheres, crianças e idosos". Em 17 de julho de 2014, a UNRWA condenou a presença de foguetes em uma de suas escolas. Um estudo de 2019 do centro de comunicações estratégicas da OTAN concluiu que esse uso é sistemático desde pelo menos 2007 (Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel).
- Foguetes que falharam: parte dos foguetes lançados de Gaza caiu dentro da própria Faixa. Por isso, a autoria de algumas mortes é disputada.
A lei da guerra proíbe o uso de escudos humanos. Ela também obriga quem ataca a proteger civis, conforme o Protocolo I, art. 51, e Israel aceita as duas regras. O sofrimento dos civis de Gaza é real. A tática do Hamas de lutar no meio deles é uma das principais causas desse sofrimento.
Gaza era uma "prisão a céu aberto" entre as guerras?
Não. Gaza vivia sob restrições severas, mas elas eram uma resposta ao Hamas, e o território não estava selado.
- Depois que o Hamas tomou Gaza, em 2007, Israel e o Egito restringiram a circulação de pessoas e mercadorias. Os motivos foram os ataques, o contrabando de armas e os foguetes.
- Durante a guerra de 2008–2009, Israel estabeleceu um bloqueio marítimo para conter o contrabando de armas por mar. Israel sustenta que o bloqueio é legal.
- O Egito controlava a passagem de Rafah. Pelas passagens entravam ajuda humanitária, comércio, eletricidade e água.
- Israel controlava o espaço aéreo, o mar e partes das fronteiras. A vida dos civis era muito limitada.
A alegação de que Gaza "continuava ocupada" costuma citar o parecer da Corte Internacional de Justiça de 19 de julho de 2024. Esse parecer é consultivo, ou seja, não é uma sentença nem uma condenação. Israel o contesta. Já a Comissão Turkel concluiu que a ocupação beligerante terminou com a retirada de 2005.
Linha do tempo
- 2005Israel retira de Gaza soldados, bases e 21 comunidades, com cerca de 9.000 moradores israelenses.
- 2006O Hamas vence as eleições legislativas.
- 2007O Hamas toma Gaza pela força após conflito armado com o Fatah. Israel e Egito impõem restrições.
- 2008–2009Operação Chumbo Fundido (27 dez. a 18 jan.), após escalada de foguetes contra o sul de Israel.
- 2011A Cúpula de Ferro entra em operação.
- 2012Operação Pilar Defensivo (14 a 21 nov.). Trégua mediada por EUA e Egito.
- 2014Operação Margem Protetora (jul. a 26 ago.). 32 túneis destruídos.
- 2021Operação Guardião das Muralhas (10 a 21 maio), após foguetes do Hamas contra Jerusalém.
- 2023Em 7 de outubro, o Hamas ataca Israel e começa a guerra atual.
Perguntas frequentes
Quem começou a guerra entre Israel e Hamas?
Quais são as guerras em Gaza?
Qual foi o motivo da Guerra de Gaza?
Quando começou a guerra em Gaza?
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O Unpacked explica, à luz das Convenções de Genebra e do Estatuto de Roma, os conceitos de crime de guerra, distinção, proporcionalidade e bloqueio, e mostra por que as acusações contra Israel não se sustentam juridicamente, enquanto o Hamas usa escudos humanos e desvia ajuda humanitária. Inclui depoimentos de moradores de Gaza da série 'Sussurrado em Gaza'.
Adolescentes e adultosEntrevista da i24NEWS com um especialista em economia do Hamas, que explica como o grupo terrorista se financia em Gaza cobrando impostos, taxas de proteção e comissões sobre a ajuda humanitária, e como transfere estruturas do Catar para a Turquia.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Num depoimento à comissão da ONU sobre os protestos na fronteira de Gaza, a ex-deputada e pesquisadora israelense Einat Wilf explica como o status de refugiado hereditário da UNRWA e a reivindicação de um 'direito de retorno' alimentam a recusa em aceitar o Estado judeu. Ela também apresenta o conceito de 'Westplaining': a tendência de diplomatas e jornalistas ocidentais de reinterpretar o que os próprios palestinos declaram.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Haviv Rettig Gur entrevista Shiri Fein-Grossman, ex-chefe de Assuntos Regionais do Conselho de Segurança Nacional de Israel, sobre os bastidores dos Acordos de Abraão, a construção da normalização com os Emirados Árabes Unidos e as perspectivas de um acordo com a Arábia Saudita após o 7 de outubro. O episódio também discute a estratégia de Israel em Gaza e a centralidade da libertação dos reféns.
Adultos- Reuters: cronologia do conflito em Gaza
- FDI: Operação Margem Protetora
- FDI: Operação Guardião das Muralhas
- Governo de Israel: relatório 18-K de 2021
- Reuters: foguetes e ataques aéreos, 11 maio 2021
- Reuters: conflito se intensifica, 13 maio 2021
- Ministério das Relações Exteriores de Israel: Israel in Maps
- Comissão Turkel, governo de Israel
- INSS: lições militares do Hamas na Margem Protetora
- CICV: Protocolo Adicional I, art. 51
- Corte Internacional de Justiça: parecer consultivo de 2024



