Israel entrou no Líbano em 1982 para afastar a OLP, que atacava o norte israelense a partir do território libanês. Nesse contexto, o regime iraniano criou o Hezbollah, grupo terrorista que prega a destruição de Israel. Em 12 de julho de 2006, o Hezbollah matou três soldados israelenses e sequestrou dois. Isso iniciou uma guerra de 34 dias, encerrada pela Resolução 1701 da ONU.
Qual é o motivo da guerra entre Israel e Líbano?
Israel não luta contra o povo libanês. Luta contra grupos armados que usam o sul do Líbano para atacar cidades israelenses. Primeiro foi a OLP. Depois veio o Hezbollah.
A história começa em 1970–1971. Expulsa da Jordânia, a OLP levou grande parte de suas forças para o Líbano. Dali lançou foguetes e fez incursões contra comunidades no norte de Israel. O Estado libanês estava enfraquecido pela guerra civil, iniciada em 1975, e não controlava o próprio território. A OLP agia como uma força armada autônoma.
Em 1978, depois de um ataque terrorista da OLP que matou civis israelenses, Israel lançou a Operação Litani. O Conselho de Segurança da ONU criou a força de paz Unifil e aprovou as Resoluções 425 e 426.
O padrão se repete até hoje:
- um grupo armado fora do controle do Estado libanês ataca Israel;
- Israel responde para proteger sua população;
- o governo libanês não consegue garantir o monopólio da força no sul do país.
O Líbano e os grupos palestinos acusam Israel de violar a soberania libanesa e de responder de forma desproporcional. Israel responde que nenhum país aceita foguetes contra suas cidades. Segundo Israel, o problema de fundo é a presença de milícias que o Estado libanês não desarma.
O que aconteceu na Guerra do Líbano de 1982?
Em junho de 1982, as Forças de Defesa de Israel entraram no Líbano. O objetivo declarado era afastar a OLP da fronteira norte e acabar com os ataques contra sua população.
O estopim foi a tentativa de assassinato do embaixador israelense no Reino Unido, Shlomo Argov. O atentado foi atribuído à organização Abu Nidal, rival da OLP e não subordinada a Yasser Arafat. O governo israelense, porém, justificou a operação pelo conjunto dos ataques da OLP lançados do território libanês.
Principais resultados:
- as forças israelenses chegaram a Beirute;
- após negociações internacionais, a liderança da OLP deixou o Líbano em 1982 e foi transferida para a Tunísia;
- em 1985, Israel recuou parcialmente e manteve uma zona de segurança no sul, cerca de 10% do território libanês, com apoio do Exército do Sul do Líbano.
Sabra e Chatila. Em setembro de 1982, milicianos falangistas libaneses massacraram civis nos campos de Sabra e Chatila. Uma comissão do próprio Estado israelense investigou o caso. Ela concluiu que Israel teve responsabilidade indireta, porque controlava a área e não impediu o crime. Os autores diretos foram os milicianos libaneses. A investigação mostra que a democracia israelense apura as próprias falhas.
O ponto em disputa. Para Israel, a guerra foi uma resposta defensiva à infraestrutura armada da OLP. Alguns historiadores e analistas defendem outra leitura: o governo de Menachem Begin e o ministro da Defesa Ariel Sharon queriam remodelar o Líbano e instalar um governo aliado. Setores israelenses rejeitam ou relativizam essa interpretação.
Como surgiu o Hezbollah e quem apoia o grupo?
O Hezbollah (“Partido de Deus”) nasceu no início dos anos 1980, no Líbano, por iniciativa direta do regime iraniano. Até hoje o grupo depende do apoio do Irã e, historicamente, também da Síria.
Logo após a entrada israelense no Líbano, em 1982, o Irã enviou entre 800 e 1.500 instrutores e conselheiros da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC) ao Vale do Beqaa, no leste do Líbano. A região estava então sob controle sírio. Os iranianos montaram campos de treinamento e reuniram facções xiitas radicais que tinham deixado grupos como o AMAL e o partido Da'wa.
A Carta Aberta de 1985. Em 16 de fevereiro de 1985, o porta-voz Ibrahim al-Amin leu o manifesto fundador do grupo numa mesquita de Beirute. O texto saiu na íntegra no jornal al-Safir em 22 de fevereiro de 1985. Ele declara:
- lealdade ao Líder Supremo do Irã, aiatolá Ruhollah Khomeini, segundo a doutrina do wilayat al-faqih (governo do jurista islâmico);
- o objetivo de expulsar forças americanas e francesas do Líbano;
- o fim do sistema confessional libanês;
- a destruição do Estado de Israel.
Pelo critério da IHRA, adotado pela JJO, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. O programa fundador do Hezbollah faz exatamente isso.
Quem apoia. Segundo o Departamento de Estado dos EUA, o grupo recebe financiamento iraniano. O Irã e a Síria deram apoio financeiro, logístico e político ao Hezbollah. Esse apoio permitiu ao grupo manter uma estrutura militar independente do Estado libanês.
Quem o classifica como terrorista. Israel, EUA, Reino Unido, Argentina, Paraguai e Alemanha listam a organização inteira. A União Europeia lista o “braço militar”. O Brasil não lista o grupo.
Por que o Hezbollah não se desarmou depois da retirada israelense de 2000?
Israel retirou todas as suas tropas do sul do Líbano em maio de 2000, e a ONU certificou essa retirada. Mesmo assim, o Hezbollah manteve suas armas e mudou de justificativa.
Durante 15 anos, o grupo travou uma guerra de guerrilha contra as FDI e o Exército do Sul do Líbano. Usou emboscadas, explosivos improvisados e foguetes contra o norte de Israel.
Em maio de 2000, sob o governo de Ehud Barak, Israel saiu unilateralmente do sul do Líbano. A ONU verificou que a retirada respeitava a Linha Azul. Essa linha foi traçada para fins operacionais e de verificação. Não é necessariamente a fronteira internacional definitiva.
O Hezbollah apresentou a saída israelense como vitória da “resistência”. Em seguida, passou a alegar que Israel ainda ocupava as Fazendas de Shebaa e outros pontos da fronteira. Para Israel, a demarcação da ONU não reconheceu as Fazendas de Shebaa como território libanês. A área envolve reivindicações libanesas, sírias e israelenses.
Para Israel, a retirada eliminou qualquer justificativa militar para o Hezbollah. O grupo seguiu armado. O Estado libanês continuou sem impor sua autoridade no sul.
Quais foram os principais acontecimentos de 2006?
O fato central de 2006 foi a guerra de 34 dias entre Israel e o Hezbollah. O grupo a iniciou em 12 de julho, com um ataque na fronteira.
Naquele dia, terroristas do Hezbollah cruzaram a Linha Azul e emboscaram uma patrulha israelense. Mataram três soldados e sequestraram outros dois, Ehud Goldwasser e Eldad Regev, para forçar uma troca de prisioneiros. Os corpos dos dois só foram devolvidos em 2008, numa troca, quando se confirmou que estavam mortos.
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 12 de julho de 2006 | Hezbollah ataca patrulha, mata três soldados e sequestra dois |
| 14 de julho de 2006 | Míssil antinavio fornecido pelo Irã atinge a corveta INS Hanit e mata quatro marinheiros |
| Julho–agosto de 2006 | Hezbollah dispara cerca de 4.228 foguetes contra cidades do norte de Israel |
| Agosto de 2006 | Conselho de Segurança aprova a Resolução 1701 e encerra as hostilidades |
| 28 de agosto de 2006 | Hassan Nasrallah admite que não teria ordenado o sequestro se previsse a guerra |
Os objetivos de Israel eram recuperar os soldados, reduzir a capacidade militar do Hezbollah e afastá-lo da fronteira. Ao sul do rio Litani, o grupo usou bunkers subterrâneos e mísseis antitanque guiados, como o Kornet e o Metis-M.
Baixas. Morreram mais de 1.000 libaneses e cerca de 163 israelenses, dos quais 119 eram soldados. Civis morreram e foram deslocados dos dois lados da fronteira.
A acusação e a resposta. Críticos de Israel acusam as FDI de ataques indiscriminados ou desproporcionais. Israel responde que o Hezbollah operava dentro de áreas civis e guardava armas nelas, expondo deliberadamente a população libanesa. A própria fala de Nasrallah, em 28 de agosto, confirma quem tomou a decisão que levou à guerra.
O que diz a Resolução 1701 e por que ela não foi cumprida?
A Resolução 1701 do Conselho de Segurança encerrou a guerra de 2006. Ela proibiu armas e combatentes que não fossem do Estado libanês ou da Unifil entre a Linha Azul e o rio Litani, cerca de 30 quilômetros ao norte da fronteira.
O texto previa:
- cessação das hostilidades;
- retirada das forças israelenses do Líbano;
- presença ampliada do Exército libanês no sul;
- reforço da Unifil;
- desarmamento dos grupos armados no Líbano.
O problema foi a implementação. O Hezbollah continuou armado e manteve infraestrutura militar no sul. Em 2006, o arsenal do grupo era estimado entre 13.000 e 14.000 foguetes. Com apoio do Irã e da Síria, o grupo ampliou esse arsenal. As FDI estimam que ele chegou a mais de 120 mil mísseis e foguetes, além de drones, mísseis antinavio e defesa aérea. Esse número é uma estimativa, não uma contagem exata.
Israel acusa o Hezbollah de violar a resolução de forma sistemática, com armas, túneis e combatentes perto da fronteira. O Hezbollah e o governo libanês acusam Israel de violá-la com voos e operações no espaço aéreo e marítimo do Líbano. A Unifil não conseguiu fiscalizar áreas privadas nem impedir o rearmamento. O Estado libanês não monopolizou o uso da força.
O que aconteceu entre Israel e o Hezbollah depois de 7 de outubro de 2023?
Em 8 de outubro de 2023, um dia depois do massacre cometido pelo Hamas em Israel, o Hezbollah decidiu sozinho abrir uma nova frente de guerra contra o norte israelense.
O grupo lançou foguetes, mísseis antitanque e drones contra posições militares e comunidades civis. Disse que agia em apoio aos palestinos e que pararia se houvesse cessar-fogo em Gaza. Israel respondeu com ataques contra posições, comandantes e infraestrutura do Hezbollah no Líbano.
- Cerca de 60 mil israelenses tiveram de deixar suas casas no norte, segundo a Reuters.
- Mais de um milhão de libaneses também foram deslocados durante a ofensiva israelense de 2024, segundo estimativas citadas pela Reuters.
Em setembro de 2024, Israel ampliou os ataques contra a estrutura do Hezbollah e entrou por terra em partes do sul do Líbano. Para Israel, os disparos contínuos tornavam impossível a volta dos moradores do norte e criavam uma ameaça estratégica.
O cessar-fogo de 27 de novembro de 2024, mediado pelos EUA e pela França, se baseou na Resolução 1701:
- o Hezbollah deveria retirar combatentes e armas da área ao sul do Litani;
- o Exército libanês deveria ampliar sua presença no sul;
- Israel deveria retirar suas forças em até 60 dias.
Segundo as FDI, o grupo não estava desarmado quando o acordo entrou em vigor e tentou reconstruir infraestrutura no sul. O Líbano e o Hezbollah acusam Israel de manter ataques e posições. Israel responde que tem o direito de agir contra ameaças imediatas.
Linha do tempo
- 1970–1971Expulsa da Jordânia, a OLP transfere grande parte de suas forças para o Líbano.
- 1978Operação Litani; a ONU cria a Unifil e aprova as Resoluções 425 e 426.
- 1982Em junho, Israel entra no Líbano para afastar a OLP; a liderança da OLP vai para a Tunísia; o Irã envia a Guarda Revolucionária ao Beqaa.
- 1985Hezbollah divulga sua Carta Aberta, que prega a destruição de Israel; Israel recua para uma zona de segurança no sul.
- 1992Hezbollah entra formalmente na política libanesa.
- 2000Em maio, Israel retira todas as tropas do sul do Líbano, com certificação da ONU.
- 2006Hezbollah ataca na fronteira em 12 de julho; guerra de 34 dias; Resolução 1701 em agosto.
- 2008Corpos de Ehud Goldwasser e Eldad Regev são devolvidos a Israel numa troca.
- 2023Em 8 de outubro, o Hezbollah abre uma frente contra o norte de Israel.
- 2024Em abril, a Justiça argentina responsabiliza o Hezbollah pelos atentados de Buenos Aires; em 27 de novembro, entra em vigor o cessar-fogo.
Perguntas frequentes
O que são Hamas e Hezbollah?
Quem é líder do Hezbollah?
O Hezbollah é só um partido político?
Quem apoia o Hezbollah?
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Vídeo explicativo que conta a ascensão do regime dos aiatolás no Irã a partir de 1979 e mostra como ele financia o Hezbollah, o Hamas e os houthis contra Israel e o Ocidente, além de sua ambição nuclear. Diferencia o regime do povo iraniano e destaca os protestos após a morte de Mahsa Amini.
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- Reuters: a guerra de Israel no Líbano contra o Hezbollah desde 7 de outubro
- Reuters: gabinete israelense aprova cessar-fogo
- Reuters: cessar-fogo entre Israel e Hezbollah entra em vigor
- Reuters: Hezbollah enfrenta longa recuperação
- BBC: o acordo de cessar-fogo Israel–Líbano
- BBC: termos do cessar-fogo e Resolução 1701


