Israel tinha cerca de 10,094 milhões de habitantes em maio de 2025, segundo o Escritório Central de Estatísticas: 76,6% "judeus e outros", 20,9% árabes e 2,5% estrangeiros. Os judeus têm origens asquenaze, sefardita, mizrahi, etíope e da antiga União Soviética. Entre os árabes há muçulmanos, cristãos e beduínos. Drusos e circassianos são comunidades distintas, e seus homens cumprem serviço militar obrigatório.
O que significa diversidade em Israel e quais são os seus tipos?
Em Israel, diversidade significa que o país reúne povos, religiões, origens e línguas diferentes sob uma mesma cidadania. Não existe um só "israelense típico".
Vários tipos de diversidade aparecem ao mesmo tempo:
- Diversidade étnica e de origem: judeus vindos da Europa, do Oriente Médio, do Norte da África, da Etiópia e da antiga União Soviética, além de árabes, drusos e circassianos.
- Diversidade religiosa: judeus (dos ultraortodoxos aos seculares), muçulmanos, cristãos e drusos.
- Diversidade linguística: hebraico, árabe, inglês, russo, amárico, iídiche, francês e outras línguas.
- Diversidade social: comunidades urbanas e rurais, cidades mistas como Haifa, Acre, Jafa, Ramle e Lod, e aldeias tradicionais no norte e no Neguev.
Um ponto ajuda a entender o resto: "árabe" é uma categoria de povo e língua, não uma religião. Há árabes muçulmanos e árabes cristãos. Os drusos falam árabe, mas formam uma comunidade própria.
Quantos habitantes tem Israel e como a população se divide?
Israel tinha cerca de 10,094 milhões de habitantes na véspera do 77º Dia da Independência, em maio de 2025, segundo o Escritório Central de Estatísticas de Israel (CBS).
| Grupo | Habitantes | Percentual |
|---|---|---|
| "Judeus e outros" | 7,732 milhões | 76,6% |
| Árabes | 2,114 milhões | 20,9% |
| Estrangeiros | 248 mil | 2,5% |
A categoria "judeus e outros" inclui também pessoas não árabes que não estão classificadas como judias. Por isso os percentuais variam conforme o critério. Com dados do fim de 2023, o CBS apontava cerca de 9,8 milhões de habitantes: 73,2% judeus, 21,1% árabes e 5,7% "outros". Já em setembro de 2024, segundo dados do CBS publicados pelo Ynet, os cidadãos árabes eram 2,095 milhões, ou 21,4%. As diferenças vêm de datas e categorias distintas, não de contradição sobre os fatos.
Quem são os judeus de Israel e de onde eles vieram?
Os judeus de Israel vêm de origens muito diferentes, e a maioria já nasceu no país. Segundo o CBS, cerca de 80% dos judeus em Israel nasceram em Israel. Eles costumam ser chamados de sabras.
As principais origens históricas são:
- Asquenazes: judeus de origem sobretudo centro e leste europeia.
- Sefarditas: ligados originalmente à Península Ibérica e, depois, a comunidades do Mediterrâneo, dos Bálcãs e do Norte da África.
- Mizrahim: judeus do Oriente Médio e de partes da Ásia e do Norte da África, de países como Iraque, Iêmen, Egito, Síria, Marrocos, Líbia, Tunísia, Argélia e Irã. Grande parte dessas famílias emigrou ou foi expulsa de países árabes e islâmicos entre 1948 e 1970.
- Judeus etíopes: descendentes sobretudo dos Beta Israel.
- Judeus da antiga União Soviética: na década de 1990, quase 1 milhão chegou a Israel.
Na prática, "sefardita" e "mizrahi" muitas vezes se sobrepõem. O CBS não usa essas categorias como divisões censitárias fixas em sua tabela principal.
Há também diversidade religiosa entre os judeus. Os haredim (ultraortodoxos) são um grupo em rápido crescimento, com isenção do serviço militar pelo arranjo conhecido como Torato Omanuto.
E a tese de que os judeus de Israel seriam "europeus brancos descendentes dos khazares"? É falsa. Ela ignora os mizrahim, os sefarditas e os etíopes. Também foi testada pela genética: o estudo de Behar e colegas (2013), na Human Biology, analisou 1.774 amostras de 106 populações e não encontrou contribuição khazar significativa. Em 2022, o DNA de judeus medievais de Erfurt confirmou a ancestralidade compartilhada com o Oriente Médio, segundo a Harvard Medical School. A mistura europeia dos asquenazes é real. A raiz no Oriente Médio, porém, não está em disputa. E o direito de um povo não depende de exame de DNA.
Quem são os judeus etíopes e o que foram as operações Moisés e Salomão?
Os judeus etíopes são, em sua maioria, descendentes dos Beta Israel. Chegaram em grande número a Israel nas décadas de 1980 e 1990, em operações de resgate organizadas pelo Estado.
- Operação Moisés (novembro de 1984 a janeiro de 1985): Israel levou por via aérea, em segredo, cerca de 8 mil judeus etíopes. Antes disso, milhares tinham fugido a pé até o Sudão, numa travessia marcada por mortes, fome, doenças e separação de famílias.
- Operação Salomão (maio de 1991): em meio à guerra civil na Etiópia, Israel transportou cerca de 14.324 pessoas em aproximadamente 36 horas, segundo publicação do Knesset. Outra fonte oficial israelense, o Nativ, registra 14.310. Os números variam conforme se incluem operações complementares, como a Operação Rainha de Sabá.
No fim de 2024, a população de origem etíope somava 177.600 pessoas: 93.400 nascidas na Etiópia e 84.200 nascidas em Israel.
A comunidade enfrentou desafios reais: desigualdade na educação, desemprego e episódios de discriminação e excesso de policiamento. Em agosto de 2016, o governo aprovou a Resolução nº 1958, que adotou as recomendações do Relatório Palmor, presidido por Emi Palmor, secretária-geral do Ministério da Justiça, para combater o racismo e promover a integração.
Quem são os drusos e o que eles acreditam?
Os drusos são uma comunidade etnorreligiosa monoteísta e de língua árabe, com doutrina e tradições próprias que surgiram no século XI. O Estado de Israel os registra separadamente dos árabes muçulmanos e cristãos em várias estatísticas.
- População: em fevereiro de 2024, cerca de 152.000 pessoas, aproximadamente 1,5% da população de Israel. Em 1949 eram 14.500, ou seja, a comunidade cresceu dez vezes.
- Onde vivem: em localidades rurais e montanhosas do norte, como Daliyat al-Karmel e Yirka, e no Golã.
- Serviço militar: os homens drusos cumprem serviço obrigatório nas FDI desde 1956, a pedido da liderança da comunidade na época. Cerca de 60% dos homens drusos servem, muitos em postos de comando de elite. A obrigação é legal, mas isso não significa que todo druso sirva: há decisões individuais e isenções, segundo as Forças de Defesa de Israel.
A integração não apaga as queixas. Parte da comunidade reclama da falta de terrenos para construir, de ordens de demolição ligadas a regras de planejamento, como a Lei Kaminitz, e da Lei Fundamental do Estado-Nação (2018), que não menciona a igualdade das minorias não judaicas. Essas queixas são debatidas abertamente na política israelense.
Quem são os árabes muçulmanos, cristãos, beduínos e circassianos de Israel?
Os cidadãos árabes de Israel formam a maior minoria do país e não são um bloco único. Muitos descendem dos cerca de 150.000 árabes que permaneceram no território de Israel após a Guerra de Independência de 1948.
- Muçulmanos: a grande maioria dos árabes de Israel é muçulmana sunita, entre 82% e 83,5% do setor árabe, conforme a estimativa. No conjunto do setor árabe, e não só entre os muçulmanos, cerca de 49% da população vive no norte, 19% no Triângulo, 18% no Neguev e 9% em cidades mistas.
- Cristãos: o CBS estimou cerca de 184,2 mil cristãos na véspera do Natal de 2025, dos quais 78,7% eram árabes. Vivem sobretudo em Nazaré, Haifa e Jerusalém e em vilas do norte, como Fassuta e Mi'ilya. Têm altos índices de escolarização e de conclusão do ensino superior.
- Beduínos: árabes muçulmanos de tradição tribal, historicamente nômade, que representam entre 13% e 18% da população árabe. Cerca de 74% vivem no Neguev. A maioria mora em cidades planejadas pelo governo; a maior é Rahat, com mais de 75.000 habitantes. Entre 23% e 40%, conforme a estimativa, vivem em aldeias não reconhecidas, com falta de serviços básicos e disputas fundiárias com o Estado.
- Circassianos: muçulmanos sunitas não árabes, originários do norte do Cáucaso, fixados na região no século XIX. São cerca de 3.500 a 4.000 pessoas, sobretudo em Kfar Kama e Rehaniya. Seus homens cumprem serviço militar obrigatório desde 1957.
Árabes muçulmanos e cristãos, em regra, são isentos do alistamento obrigatório, mas podem se voluntariar. Entre os beduínos, o serviço é voluntário.
Quais línguas se falam em Israel?
O hebraico é a língua principal do Estado, e o árabe tem status especial na lei israelense.
- Hebraico: língua da administração pública, da educação, da imprensa e da vida cotidiana da maioria.
- Árabe: língua principal de grande parte dos muçulmanos, cristãos, drusos e beduínos.
- Inglês: muito usado em negócios, ciência, turismo e relações internacionais, e presente na sinalização.
- Russo, amárico, iídiche, francês e outras: faladas por imigrantes e seus descendentes. O russo é comum entre judeus vindos da antiga União Soviética; o amárico é importante na comunidade etíope.
Os cidadãos árabes e as minorias têm direitos iguais em Israel?
Sim. A igualdade de direitos está na fundação do Estado. A Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel, de 14 de maio de 1948, garante "completa igualdade de direitos sociais e políticos a todos os seus cidadãos, sem distinção de religião, raça ou sexo".
Na prática, cidadãos árabes votam, elegem deputados e são juízes da Suprema Corte. Em 2021, o partido árabe Ra'am, de Mansour Abbas, integrou o governo.
E a acusação de "apartheid desde 1948"? A Anistia Internacional alega que Israel inteiro pratica apartheid desde a sua criação. Os fatos não sustentam a comparação. Na África do Sul, leis separavam ônibus, praias e hospitais por raça, e os negros só votaram em 1994. Em Israel não existe lei desse tipo. O governo israelense rejeitou essas acusações como falsas.
Isso não significa que não haja problemas. Existem desigualdades reais, como as das aldeias beduínas não reconhecidas e a discriminação enfrentada por judeus etíopes. Elas são debatidas na política e levadas aos tribunais, e o próprio governo adotou planos para combatê-las.
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Criticar políticas é legítimo. Dizer que o problema começa em 1948, porém, trata a própria existência do Estado judeu como crime, e negar o direito de Israel existir é antissemitismo pelo critério da IHRA.
Linha do tempo
- 1948Declaração de Estabelecimento do Estado de Israel garante igualdade de direitos sem distinção de religião, raça ou sexo.
- 1949A população drusa de Israel é registrada em 14.500 pessoas.
- 1956Homens drusos passam a cumprir serviço militar obrigatório, a pedido da liderança da comunidade.
- 1957Homens circassianos passam a cumprir serviço militar obrigatório.
- 1984-1985Operação Moisés leva cerca de 8 mil judeus etíopes a Israel.
- 1991Operação Salomão transporta cerca de 14.324 judeus etíopes em aproximadamente 36 horas.
- Década de 1990Quase 1 milhão de judeus da antiga União Soviética imigra para Israel.
- 2016Governo aprova a Resolução nº 1958, baseada no Relatório Palmor, contra o racismo e pela integração dos judeus etíopes.
- 2018Aprovada a Lei Fundamental do Estado-Nação, alvo de críticas da comunidade drusa.
- 2021O partido árabe Ra'am integra o governo de Israel.
- 2025CBS registra cerca de 10,094 milhões de habitantes em Israel.
Perguntas frequentes
Quem são os povos drusos?
O que acreditam os drusos?
Os drusos servem no exército de Israel?
Quantos judeus etíopes vivem em Israel?
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Vídeo institucional da FIERJ que apresenta, de forma breve, a liderança de Israel em tecnologias limpas, como irrigação por gotejamento, reciclagem e dessalinização de água e energia solar, e o programa governamental Israel NewTech.
Adolescentes e adultosVídeo didático e bem-humorado que conta como Israel passou de uma economia socialista, dominada pela Histadrut, a uma potência de startups, passando pelas guerras, pela imigração em massa, pela aliá soviética e pelo papel da defesa na inovação. Também aborda os desafios atuais de desigualdade e custo de vida.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Noam Weissman conta a história da cooperação humanitária israelense, da diplomacia de Golda Meir na África nos anos 1950–60 à fundação da IsraAID. Inclui o resgate de meninas afegãs e da última judia do Afeganistão em 2021, em parceria com os Emirados Árabes Unidos e a Albânia.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Episódio do podcast Unpacked, nos 50 anos da Operação Entebbe (1976), que reconstrói o sequestro do voo 139 da Air France por terroristas, o contexto do terrorismo aéreo e de Ma'alot, o dilema de Rabin e Peres e o resgate dos reféns, com reflexões sobre liderança e a recusa de abandonar os cidadãos.
Adolescentes e adultos- Escritório Central de Estatísticas de Israel: população na véspera do 77º Dia da Independência (2025)
- Escritório Central de Estatísticas de Israel: cristãos em Israel (Natal de 2025)
- Escritório Central de Estatísticas de Israel: anuário de população
- Knesset: publicação sobre a imigração dos judeus etíopes
- Nativ: história da imigração em massa para Israel
- Forças de Defesa de Israel: nossos soldados
- Ynet: população árabe de Israel (dados do CBS, setembro de 2024)
- Christian Science Monitor: partido árabe entra no governo de Israel (2021)
- Behar et al. (2013), Human Biology, vol. 85, n.º 6
- Harvard Medical School: DNA antigo e a história dos judeus asquenazes (2022)



