Depois da Segunda Guerra Mundial, o Brasil abrigou criminosos nazistas que fugiram da Justiça pelas chamadas "rotas de ratos". Os casos mais conhecidos são três. Franz Stangl, comandante de Sobibór e Treblinka, foi extraditado para a Alemanha Ocidental. A extradição de Gustav Wagner, vice-comandante de Sobibór, foi negada pelo STF. Josef Mengele, médico de Auschwitz, viveu escondido em São Paulo até morrer afogado em 1979.
Quais criminosos nazistas se esconderam no Brasil?
Os três casos mais documentados são os de Franz Stangl, Gustav Wagner e Josef Mengele. Os três tiveram papel direto na máquina de extermínio do Holocausto (Shoá).
- Franz Stangl comandou os campos de extermínio de Sobibór e Treblinka. Chegou ao Brasil em 1951.
- Gustav Wagner foi vice-comandante de Sobibór. Obteve autorização de residência no Brasil em 12 de abril de 1950 e foi morar em São Paulo.
- Josef Mengele foi médico da SS em Auschwitz-Birkenau. Fixou-se no Brasil em outubro de 1960.
Cada um teve um destino diferente. Stangl foi julgado e condenado. Wagner nunca foi extraditado. Mengele morreu sem ser encontrado.
Como os nazistas fugiram para o Brasil?
Eles usaram redes de fuga internacionais, conhecidas como "rotas de ratos", para chegar à América Latina e escapar da Justiça.
O percurso de Stangl e Wagner está bem documentado nos registros dos processos sobre Sobibór:
- Os dois ficaram detidos em Glasenbach, na Áustria, e conseguiram fugir.
- Em Roma, receberam ajuda do bispo Alois Hudal.
- Com documentos obtidos ali, seguiram para Beirute e Damasco. Chegaram a Damasco seis semanas depois da fuga.
- De lá, partiram para o Brasil.
A esposa de Stangl foi a Damasco passando pela Suíça, onde conseguiu um visto sírio em Berna. Mengele fez outro caminho: foi para a Argentina em 1949, para o Paraguai em 1959 e, por fim, para o Brasil.
Quem foi Franz Stangl e como ele foi preso no Brasil?
Franz Stangl foi o comandante de Sobibór e Treblinka. Era diretamente responsável pela gestão do assassinato em massa nesses campos de extermínio. Foi preso no Brasil e extraditado para a Alemanha Ocidental.
Aqui ele viveu e trabalhou com o próprio nome, sem ser incomodado. Em 1961, as autoridades da Áustria reativaram a busca oficial. Seu nome entrou na lista austríaca de criminosos de guerra procurados, enviada às embaixadas e consulados, com a anotação "34/34 Mord Tatbestand Treblinka". Em 1964, o nome de Stangl apareceu muitas vezes na imprensa brasileira e estrangeira durante o julgamento do pessoal de Treblinka.
Mesmo assim, passaram-se seis anos até a prisão. A busca foi conduzida pelo caçador de nazistas Simon Wiesenthal. Israel, Polônia e Áustria pediram a extradição. Em Israel e na Polônia, ele poderia receber pena de morte. O Brasil acabou por entregá-lo à Alemanha Ocidental, por razões formais.
O julgamento começou em Düsseldorf em 13 de maio de 1970. Em 22 de julho de 1970, Stangl foi condenado à prisão perpétua. Morreu na prisão em 1971. Antes disso, deu uma série de entrevistas à jornalista Gitta Sereny, que ficaram célebres.
Por que o Brasil não extraditou Gustav Wagner?
O Supremo Tribunal Federal (STF) negou todos os pedidos de extradição de Wagner. No pedido alemão, pesaram um erro de datilografia na tradução e o prazo de prescrição de 20 anos.
Na década de 1970, Simon Wiesenthal e o jornalista Mário Chimanovitch, do Jornal do Brasil, reconheceram Wagner em fotos de um encontro de simpatizantes nazistas no hotel "Tyli", em São Paulo. Dias depois, Wagner se apresentou à polícia.
Foi feita uma acareação oficial com Stanisław Szmajzner, sobrevivente de Sobibór que vivia no Brasil. Szmajzner reconheceu Wagner pessoalmente.
Áustria, Polônia, Israel e Alemanha Ocidental pediram a extradição. O STF rejeitou todos os pedidos. No caso alemão, a tradução registrou como "1974" o ano em que Wagner entrou na lista de procurados, quando o certo era "1947". O tribunal também aplicou a prescrição de 20 anos.
Em 3 de outubro de 1980, Wagner foi encontrado morto em casa. As autoridades brasileiras registraram suicídio. O corpo, porém, tinha ferimentos de perfuração, e a causa da morte ainda gera controvérsia entre historiadores.
Como Josef Mengele viveu escondido no Brasil?
Josef Mengele viveu no estado de São Paulo com identidades falsas, de outubro de 1960 até morrer afogado em 1979.
Ele era SS-Hauptsturmführer e médico em Auschwitz-Birkenau desde maio de 1943. Fazia seleções na rampa de desembarque dos trens. Também conduziu experimentos médicos de extrema crueldade e sem valor científico em gêmeos, anões e ciganos.
Segundo os arquivos alemães sobre o caso, Mengele trocou o Paraguai pelo Brasil por medo de ser sequestrado pelo serviço secreto israelense. O Mossad tinha acabado de capturar Adolf Eichmann em Buenos Aires. No Brasil, ele guardou consigo até o fim os cadernos de anotações de seus experimentos.
Qual foi o papel de Israel na caça aos nazistas no Brasil?
Israel agiu para levar esses criminosos à Justiça. Pediu formalmente a extradição de Stangl e de Wagner, e o medo do serviço secreto israelense levou Mengele a mudar de país.
- Captura de Eichmann: a operação do Mossad em Buenos Aires mostrou que os criminosos nazistas não estavam seguros na América Latina. Por medo de ter o mesmo destino, Mengele se mudou para o Brasil em 1960.
- Pedidos de extradição: Israel esteve entre os países que pediram ao Brasil a entrega de Stangl e de Wagner.
- Testemunho dos sobreviventes: o reconhecimento de Wagner por Stanisław Szmajzner mostra o peso da memória das vítimas na busca por justiça.
O trabalho de Simon Wiesenthal foi decisivo para localizar Stangl e para identificar Wagner no Brasil.
Por que essa história ainda importa?
Essa história importa porque mostra como responsáveis pelo Holocausto viveram livres por anos. Alguns morreram sem julgamento, e lembrar disso é parte do combate ao negacionismo.
Stangl viveu no Brasil com o próprio nome. Wagner escapou da extradição: o STF rejeitou todos os pedidos, apontando no caso alemão um erro de tradução, e aplicou a prescrição. Mengele morreu sem ser capturado. Esses fatos fazem parte da história brasileira e da memória do Holocausto.
A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Conhecer esses casos com fatos e datas ajuda a enfrentar quem distorce ou nega a Shoá.
Linha do tempo
- 1943Josef Mengele começa a atuar como médico em Auschwitz-Birkenau, em maio.
- 1949Mengele se refugia na Argentina.
- 1950Gustav Wagner obtém autorização de residência no Brasil em 12 de abril e se fixa em São Paulo.
- 1951Franz Stangl chega ao Brasil com a família e passa a viver com o próprio nome.
- 1959Mengele se muda para o Paraguai.
- 1960Mengele se fixa no Brasil em outubro, por medo do Mossad, que tinha capturado Eichmann.
- 1961A Áustria reativa a busca oficial por Stangl.
- 1970Stangl é julgado em Düsseldorf e condenado à prisão perpétua em 22 de julho.
- 1971Stangl morre na prisão.
- 1979Mengele morre afogado no Brasil.
- 1980Wagner é encontrado morto em casa em 3 de outubro, depois de o STF negar sua extradição.
Perguntas frequentes
Josef Mengele morou no Brasil?
O Brasil extraditou algum criminoso nazista?
Por que Gustav Wagner não foi extraditado?
O que eram as "rotas de ratos"?
Assista
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Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
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Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
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