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Ciência em Israel: pesquisa, medicina e Prêmios Nobel

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Foto: Instituto Daniel Sieff, origem do Instituto Weizmann de Ciência. Hans Pinn · Public domain · Wikimedia Commons
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Israel é uma das nações mais intensivas em ciência do mundo. Investe entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa civil, conforme a estimativa. Tem cerca de 140 cientistas e técnicos para cada 10.000 trabalhadores. Pesquisadores do Technion, do Instituto Weizmann e da Universidade Hebraica ganharam Prêmios Nobel de Química e Economia. O país também se destaca em medicina, irrigação por gotejamento e dessalinização.

Quantos Prêmios Nobel tem Israel?

A resposta depende do critério de contagem. Pode-se contar por cidadania, local de nascimento ou vínculo com uma instituição israelense. Um relatório do Knesset, o Parlamento de Israel, registra cinco laureados israelenses em áreas científicas desde 2002: Daniel Kahneman, Robert Aumann, Avram Hershko, Aaron Ciechanover e Ada Yonath. Depois vieram Dan Shechtman (2011) e, em 2013, Arieh Warshel e Michael Levitt.

Materiais oficiais do governo israelense, como o Nativ, adotam contagens mais amplas. Eles incluem laureados associados ao país de várias formas. O Nobel é sempre um prêmio individual. Dizer que Israel ou uma universidade "ganhou" um Nobel é uma forma abreviada de dizer que um pesquisador ligado a ela foi premiado.

AnoÁreaLaureado(s) ligado(s) a IsraelMotivo
2002EconomiaDaniel KahnemanJulgamento e decisão sob incerteza
2004QuímicaAvram Hershko e Aaron CiechanoverDegradação de proteínas mediada pela ubiquitina
2005EconomiaRobert AumannTeoria dos jogos aplicada a cooperação e conflito
2009QuímicaAda YonathEstrutura e função do ribossomo
2011QuímicaDan ShechtmanDescoberta dos quasicristais
2013QuímicaArieh Warshel e Michael LevittModelos multiescala para sistemas químicos complexos

Quem são os cientistas israelenses premiados com o Nobel?

Os Nobéis ligados a Israel se concentram em Química e Economia. Quase todos foram concedidos a pesquisadores de três instituições: o Technion, o Instituto Weizmann e a Universidade Hebraica de Jerusalém.

  • Avram Hershko e Aaron Ciechanover (Química, 2004): dividiram o prêmio com Irwin Rose. Descobriram como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina. Os dois eram professores da Faculdade de Medicina do Technion.
  • Ada Yonath (Química, 2009): dividiu o prêmio com Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz pelos estudos sobre o ribossomo. Fez parte central da carreira no Instituto Weizmann.
  • Dan Shechtman (Química, 2011): descobriu os quasicristais. Era professor do Technion.
  • Arieh Warshel e Michael Levitt (Química, 2013): dividiram o prêmio com Martin Karplus por modelos de sistemas químicos complexos. Ambos têm vínculo acadêmico histórico com Israel.
  • Daniel Kahneman (Economia, 2002): dividiu o prêmio com Vernon Smith. Nasceu em Tel Aviv, sob o Mandato Britânico, e trabalhou em Israel e nos Estados Unidos.
  • Robert Aumann (Economia, 2005): dividiu o prêmio com Thomas Schelling pela teoria dos jogos. É associado à Universidade Hebraica.

Além do Nobel, o Estado concede o Prêmio Israel. Criado em 1953, é a mais alta honraria estatal do país e é entregue no Dia da Independência.

Quais são as principais universidades e centros de pesquisa de Israel?

A pesquisa israelense se apoia em um grupo de universidades fortes, ligadas a hospitais de ensino e à indústria.

  • Technion – Instituto de Tecnologia de Israel, em Haifa: engenharia, ciência e medicina. Atua em biotecnologia, engenharia biomédica, inteligência artificial e dispositivos médicos.
  • Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot: biologia molecular, imunologia, neurociência, química, física, materiais e pesquisa do câncer.
  • Universidade Hebraica de Jerusalém: ciências naturais, medicina, agricultura, direito, humanidades e ciências sociais.
  • Outras universidades: Tel Aviv, Ben-Gurion do Negev, Bar-Ilan, Haifa e Ariel.
  • Centros regionais: o MIGAL, na Galileia, e o Desert and Dead Sea R&D. Eles fazem pesquisa aplicada em biotecnologia vegetal, saúde pública e adaptação a climas extremos.

O número de Nobéis atribuído a cada instituição também varia. Depende de contar só quem trabalhava lá na época do prêmio ou também ex-alunos e vínculos anteriores.

Quanto Israel investe em ciência e quantos pesquisadores tem?

Israel está entre os países que mais investem em pesquisa em proporção ao tamanho da economia. As estimativas variam entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento civil, conforme a fonte e o ano.

IndicadorIsraelComparação
Cientistas e técnicos por 10.000 trabalhadorescerca de 140EUA: 85; Japão: 83
Adultos de 25 a 64 anos com ensino superiorcerca de 49%cerca de um terço em engenharia e ciências exatas
Investimento em P&D civil4,8% a 6,3% do PIBestimativas diferentes

Em dezembro de 2022, o país criou o Israel Research Core Facilities (IRCF). A iniciativa integra laboratórios e bases de dados de universidades, hospitais e indústria farmacêutica.

Quais são as maiores invenções de Israel?

As inovações israelenses mais conhecidas nasceram de um problema concreto: a falta de água em um território árido.

  • Irrigação por gotejamento: desenvolvida em Israel e levada ao mercado mundial por empresas israelenses, como a Netafim. Atinge cerca de 90% de eficiência no uso da água. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%.
  • Dessalinização em grande escala: o país construiu cinco usinas de osmose reversa: Ashkelon (2005), Palmachim (2007), Hadera (2009), Sorek (2013) e Ashdod (2015). A água dessalinizada supre entre 80% e 85% da água potável doméstica urbana.
  • Reuso de esgoto tratado: Israel reutiliza mais de 87% de suas águas residuais tratadas, principalmente na agricultura.
  • Tecnologia médica: dispositivos, diagnóstico por imagem, monitoramento remoto e cirurgia assistida por tecnologia.

O resultado aparece na produtividade. Na segunda metade do século XX, a produção agrícola cresceu 21,2 vezes, e o consumo de água para irrigação só 4 vezes. Pela agência MASHAV, do Ministério das Relações Exteriores, Israel compartilha esse conhecimento com mais de 140 países.

Quais avanços da medicina vêm de Israel?

A força de Israel na medicina vem da integração entre universidades, hospitais e empresas. As faculdades de medicina fazem pesquisa clínica junto com os grandes hospitais. Os escritórios de transferência de tecnologia patenteiam as descobertas e as transformam em dezenas de startups.

As principais áreas são:

  • pesquisa biomédica e imunologia;
  • pesquisa e tratamento do câncer, no Weizmann, no Technion, na Universidade Hebraica e nos hospitais;
  • bio-convergência, a fusão entre biologia, engenharia e inteligência artificial, estimulada pela Autoridade de Inovação de Israel;
  • dados de saúde, graças à integração digital entre os planos de saúde.

Um indicador do sistema é a mortalidade infantil: 3,1 por 1.000 nascimentos. Como em qualquer país, cada tratamento novo precisa passar por ensaios clínicos, aprovação regulatória e revisão por pares.

Como Israel liderou a vacinação contra a covid-19?

Israel foi um dos primeiros países a vacinar em massa contra a covid-19. Em dezembro de 2020, fechou acordos para receber grandes quantidades da vacina da Pfizer-BioNTech. Usou sua infraestrutura digital de saúde para acelerar a distribuição. Em janeiro de 2021, já tinha vacinado cerca de 15% da população em mais ou menos duas semanas e liderava o mundo, segundo a Reuters.

Os dados israelenses ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina contra a doença sintomática e, sobretudo, contra a doença grave. Eram dados observacionais, que exigem cuidado com fatores como idade e variantes. As autoridades também investigaram casos de miocardite e pericardite após a vacinação, sobretudo em homens jovens. A investigação, por si só, não prova que a vacina causou todos os casos.

Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel anunciou um protótipo de vacina testado em animais. A liderança israelense, porém, veio da compra, da logística e da priorização de grupos de risco. Não veio de uma vacina própria aplicada em larga escala.

Linha do tempo

  1. 1953Criação do Prêmio Israel, a mais alta honraria estatal do país.
  2. 1959A Lei da Água estabelece a propriedade pública dos recursos hídricos.
  3. 1964Inauguração do Aqueduto Nacional, que leva água do norte ao Negev.
  4. 2002Daniel Kahneman recebe o Nobel de Economia.
  5. 2004Avram Hershko e Aaron Ciechanover, do Technion, recebem o Nobel de Química.
  6. 2005Robert Aumann, da Universidade Hebraica, recebe o Nobel de Economia. Entra em operação a usina de dessalinização de Ashkelon.
  7. 2009Ada Yonath recebe o Nobel de Química pelos estudos sobre o ribossomo.
  8. 2011Dan Shechtman, do Technion, recebe o Nobel de Química pelos quasicristais.
  9. 2013Arieh Warshel e Michael Levitt recebem o Nobel de Química.
  10. 2020Israel fecha acordos com a Pfizer-BioNTech e inicia a vacinação em massa contra a covid-19.
  11. 2021Em janeiro, Israel lidera o mundo com cerca de 15% da população vacinada em duas semanas.
  12. 2022Criação do Israel Research Core Facilities (IRCF).

Perguntas frequentes

Quantos Prêmios Nobel tem Israel?
Depende do critério. Um relatório do Knesset lista cinco laureados israelenses em áreas científicas desde 2002: Kahneman, Aumann, Hershko, Ciechanover e Yonath. Depois deles, Dan Shechtman venceu em 2011, e Arieh Warshel e Michael Levitt em 2013. Materiais oficiais israelenses usam contagens mais amplas, que incluem laureados ligados ao país de outras formas.
Quais são as maiores invenções de Israel?
A mais conhecida é a irrigação por gotejamento, desenvolvida em Israel e difundida por empresas como a Netafim. Ela atinge cerca de 90% de eficiência no uso da água. Israel também se destaca na dessalinização, que supre de 80% a 85% da água potável urbana, e no reuso de mais de 87% do esgoto tratado. Há ainda dispositivos médicos e tecnologias de diagnóstico.
Israel é um bom país para estudar Medicina e fazer pesquisa?
Israel oferece um ambiente forte para a pesquisa médica. Faculdades como a do Technion trabalham ligadas aos grandes hospitais de ensino. Os escritórios de transferência de tecnologia transformam descobertas em startups. O país tem cerca de 140 cientistas e técnicos para cada 10.000 trabalhadores, acima dos Estados Unidos e do Japão.
Israel criou sua própria vacina contra a covid-19?
Houve pesquisa própria. Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel anunciou um protótipo testado em animais. A liderança israelense na vacinação, porém, veio do uso da vacina da Pfizer-BioNTech, com compra rápida, logística digital e prioridade aos grupos de risco. Não houve uma vacina israelense aplicada em larga escala.

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