Os beduínos em Israel são cidadãos israelenses, em sua maioria árabes muçulmanos de tradição tribal e originalmente nômade. Cerca de 280 mil vivem no Negev, no sul, onde Rahat é a maior cidade. Há comunidades menores na Galileia. São isentos do serviço militar obrigatório, mas parte deles se voluntaria nas FDI, sobretudo como rastreadores. Em 7 de outubro de 2023, terroristas do Hamas mataram e sequestraram beduínos.
Quem são os beduínos em Israel?
Os beduínos em Israel são cidadãos israelenses, sobretudo árabes muçulmanos, concentrados no deserto do Negev, no sul do país. Também há comunidades menores na Galileia e no norte.
A população beduína do Negev é estimada em cerca de 280 mil pessoas, aproximadamente 3% da população israelense. Outras estimativas chegam a números maiores, porque os critérios de contagem variam. É uma população muito jovem: cerca de 51% têm menos de 18 anos, segundo o Instituto Myers-JDC-Brookdale e o Instituto de Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel.
Os beduínos do Negev receberam a cidadania israelense em 1954. Entre 1948 e 1954, sob administração militar, a população beduína da região foi concentrada numa área a sudeste de Beer Sheva conhecida como Sayig (ou Siyag).
Os beduínos não formam um bloco homogêneo. Há diferenças entre o Negev e a Galileia, entre cidades reconhecidas e aldeias não reconhecidas, e entre famílias que apoiam, recusam ou não participam do serviço militar.
Os beduínos são árabes? Qual é a origem e a religião deles?
Sim. Os beduínos de Israel são árabes, em sua maioria muçulmanos, e vêm de uma tradição tribal e originalmente nômade, ligada à vida no deserto.
A estrutura tribal continua importante na sociedade beduína do Negev. O INSS, instituto israelense de estudos de segurança, analisa como tribo, religião e Estado convivem nessa sociedade, entre a preservação da tradição e a mudança.
A passagem do nomadismo para a vida sedentária foi impulsionada por programas estatais de urbanização a partir do fim da década de 1960. Esse processo mudou o modo de vida de grande parte da comunidade.
Como é a paisagem onde os beduínos vivem em Israel?
A maioria dos beduínos israelenses vive no Negev, região desértica do sul de Israel. Ali convivem cidades planejadas, aldeias reconhecidas e aldeias não reconhecidas pelo planejamento estatal.
O Estado criou sete cidades planejadas para a população beduína do Negev:
| Cidade | Fundação |
|---|---|
| Tel Sheva (Tel as-Sabi) | 1969 |
| Rahat | 1972 (algumas fontes indicam 1974) |
| Kseife (Kuseife) | 1982 |
| Ar'ara-B'Negev | 1982 |
| Segev Shalom | 1984 |
| Hura | 1990 |
| Laqia (Lakiya) | 1990 |
Rahat é a maior cidade beduína de Israel, com cerca de 75 mil habitantes, e a segunda maior cidade árabe do país, atrás de Nazaré.
Cerca de três quartos dos beduínos do Negev vivem em cidades e aldeias reconhecidas. O restante vive em dezenas de aldeias não reconhecidas, com acesso precário a água, eletricidade, estradas pavimentadas, esgoto e clínicas. O Conselho Regional Abu Basma foi criado em 2003-2004 para levar serviços a aldeias em processo de legalização.
No norte, há comunidades beduínas como Bir al-Maksur, Ka'abiyye-Tabbash-Hajajre, Basmat Tab'un, Khawaled e Zarzir, além de áreas próximas a Nazaré e Haifa. Muitas estão integradas à geografia urbana e rural da região.
Os beduínos servem no exército de Israel?
Sim, mas de forma voluntária. Pela Lei do Serviço de Defesa, os cidadãos beduínos são isentos do serviço militar obrigatório, mas têm o direito de se voluntariar nas Forças de Defesa de Israel (FDI).
Por causa do conhecimento do terreno e da tradição de mobilidade no deserto, as FDI criaram unidades especializadas:
- Unidade de Rastreamento do Sul, criada em 1970;
- Batalhão de Reconhecimento do Deserto Beduíno (Unidade 585), criado em 1986.
Os rastreadores, em hebraico mashatzim, leem pegadas, vegetação e padrões de movimento para detectar infiltrações nas fronteiras.
Estimativas de 2020 indicavam cerca de 1.500 voluntários beduínos em serviço ativo e mais de 110 soldados da comunidade mortos em combate desde 1948. Os veteranos têm direito a benefícios sociais, apoio para entrar no mercado de trabalho e descontos para comprar lotes de construção.
Israel apresenta esse serviço como exemplo de cooperação entre o Estado e as comunidades beduínas. Dentro da comunidade, o tema gera debate. Para muitos jovens, o serviço é um canal de mobilidade social e integração. Algumas lideranças políticas e religiosas o criticam, em nome da identidade árabe e das disputas fundiárias.
O que aconteceu com os beduínos em 7 de outubro de 2023?
Os terroristas do Hamas não pouparam árabes muçulmanos. No ataque de 7 de outubro de 2023, pelo menos 21 beduínos do Negev foram mortos, muitos deles de Rahat, e seis foram sequestrados para Gaza. As contagens variam conforme o critério e foram revistas ao longo da guerra.
Muitas vítimas trabalhavam em comunidades agrícolas perto da fronteira com Gaza, como os kibutzim Holit e Sufa.
Os casos de reféns mais documentados são:
- Família Ziyadne, de Rahat: Youssef e seus filhos Hamza, Bilal e Aisha foram sequestrados no kibutz Holit. Bilal e Aisha foram libertados na trégua de novembro de 2023. Ao Times of Israel, Bilal disse que o Hamas os sequestrou mesmo sabendo que eram árabes. O corpo de Youssef, de 53 anos, foi recuperado em Gaza em janeiro de 2025. As evidências indicaram que Hamza, de 22, também morreu em cativeiro (JTA; National Post).
- Qaid Farhan al-Qadi, de Rahat: segurança e pai de 11 filhos, foi resgatado de um túnel em Gaza pelas FDI e pelo Shin Bet em agosto de 2024 (Washington Jewish Week).
Soldados e reservistas beduínos também lutaram na defesa do país. Um exemplo é o reservista Ahmad Abu Latif, de Rahat, morto em combate em janeiro de 2024. A Tablet Magazine relata o sentimento de destino compartilhado que esses casos despertaram em Israel.
Quais são os desafios das comunidades beduínas no Negev?
Os principais desafios são pobreza, baixa participação no mercado de trabalho e infraestrutura insuficiente, sobretudo nas aldeias não reconhecidas.
Outros problemas documentados:
- desigualdade no acesso a educação, transporte, saúde e ensino superior;
- dificuldades de planejamento urbano e regularização de terras;
- falta de moradias e conflitos sobre demolições de construções sem licença;
- barreiras específicas para mulheres e jovens.
O Instituto Myers-JDC-Brookdale registrou melhora na matrícula escolar e no acesso ao ensino superior, embora os indicadores continuem abaixo da média israelense. O instituto também aponta lacunas de dados que dificultam avaliar as políticas públicas.
O Estado mantém programas de desenvolvimento, urbanização e educação. Centros como o da Universidade Ben-Gurion do Negev estudam o desenvolvimento regional. Em 2008, a Comissão Goldberg, presidida pelo juiz aposentado do Supremo Tribunal Eliezer Goldberg, recomendou regularizar a posse de terras e reconhecer gradualmente dezenas de aldeias.
A questão da terra é a mais controversa. Para o Estado, parte das moradias está em áreas sem planejamento ou sem título reconhecido. Muitos moradores beduínos alegam posse histórica anterior a 1948. Críticos afirmam que a execução das políticas é insuficiente. O governo destaca o reconhecimento de localidades e os investimentos em infraestrutura. Sobre a governança no Negev, veja a análise do INSS.
Qual é uma curiosidade interessante sobre os beduínos em Israel?
Uma curiosidade é o papel dos rastreadores beduínos nas FDI. Eles usam saberes tradicionais do deserto, como ler pegadas e sinais na vegetação, para proteger as fronteiras de Israel.
Outras curiosidades:
- Rahat, fundada como cidade planejada na década de 1970, é hoje a segunda maior cidade árabe de Israel.
- A população beduína do Negev está entre as mais jovens do país: cerca de metade tem menos de 18 anos.
- Há beduínos tanto no deserto do sul quanto nas colinas verdes da Galileia, no norte.
Linha do tempo
- 1948Criação do Estado de Israel. Sob administração militar, os beduínos do Negev são concentrados na zona de Sayig, a sudeste de Beer Sheva.
- 1954Os beduínos do Negev recebem a cidadania israelense.
- 1969Fundação de Tel Sheva, a primeira cidade planejada beduína.
- 1970As FDI criam a Unidade de Rastreamento do Sul.
- 1972Fundação de Rahat (algumas fontes indicam 1974).
- 1982Fundação de Kseife e Ar'ara-B'Negev.
- 1984Fundação de Segev Shalom.
- 1986Criação do Batalhão de Reconhecimento do Deserto Beduíno (Unidade 585).
- 1990Fundação de Hura e Laqia.
- 2003Criação do Conselho Regional Abu Basma, em 2003-2004, para atender aldeias em legalização.
- 2008A Comissão Goldberg recomenda regularizar terras e reconhecer gradualmente aldeias beduínas.
- 2023Em 7 de outubro, o Hamas mata ao menos 21 beduínos e sequestra seis. Bilal e Aisha Ziyadne são libertados em novembro.
- 2024Em agosto, as FDI e o Shin Bet resgatam o refém Qaid Farhan al-Qadi.
- 2025Em janeiro, o corpo de Youssef Ziyadne é recuperado em Gaza. As evidências indicam que seu filho Hamza também morreu em cativeiro.
Perguntas frequentes
Os beduínos são obrigados a servir no exército de Israel?
Qual é a maior cidade beduína de Israel?
Os beduínos são cidadãos israelenses?
Quantos beduínos foram mortos em 7 de outubro?
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Episódio da série 'Israel um Milagre', baseada em material da JJO, que percorre de forma simples a Guerra de Independência, a Guerra dos Seis Dias e a Guerra do Yom Kipur e explica por que Israel precisa de um exército de defesa diante do Hamas e do Hezbollah.
Adolescentes e adultosAline, de Jerusalém, explica de forma simples a diferença entre judeu, israelense, israelita e hebreu, partindo da genealogia bíblica (Abraão, Isaac e Jacó) e mostrando dados sobre a população judaica no mundo e a diversidade religiosa da democracia israelense.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Episódio do podcast Unpacked, nos 50 anos da Operação Entebbe (1976), que reconstrói o sequestro do voo 139 da Air France por terroristas, o contexto do terrorismo aéreo e de Ma'alot, o dilema de Rabin e Peres e o resgate dos reféns, com reflexões sobre liderança e a recusa de abandonar os cidadãos.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
A ex-deputada israelense Einat Wilf apresenta o sionismo e Israel a partir de cinco conceitos: a ideia de Herzl, a aliá e a sociedade de imigrantes, o renascimento do hebraico, a minoria árabe e a raiz do conflito, que é a rejeição da soberania judaica. Uma introdução clara e didática ao direito do povo judeu à autodeterminação em sua terra ancestral.
Adultos- INSS – Tribalism, Religion and State in Bedouin Society in the Negev
- INSS – Governance in the Negev
- Myers-JDC-Brookdale – Resumo de pesquisa sobre a população beduína
- Myers-JDC-Brookdale – Data Snapshot: The Bedouin in Israel
- Universidade Ben-Gurion do Negev – Desenvolvimento regional
- Times of Israel – Refém libertado Bilal Ziyadne
- JTA – Pai beduíno sequestrado em 7 de outubro encontrado morto em Gaza
- National Post – FDI recuperam corpos de dois reféns em Gaza
- Washington Jewish Week – Refém beduíno resgatado de túnel em Gaza
- Tablet Magazine – Beduínos israelenses, a guerra e os reféns

