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O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, percorre o posto de Kerem Shalom em maio de 2024. É por esse posto que a ajuda humanitária entra em Gaza.
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Como se fabrica uma mentira · Caso documentado

A criança desnutrida da capa (2025): a foto de Gaza que omitiu as doenças do menino

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Foto: O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, percorre o posto de Kerem Shalom em maio de 2024. É por esse posto que a ajuda humanitária entra em Gaza.. U.S. Department of State · Public domain
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Em julho de 2025, a foto de Muhammad Zakariya Ayyoub al-Matouq, de cerca de 18 meses, muito magro no colo da mãe, saiu na primeira página do New York Times e de outros veículos como símbolo da fome em Gaza. Dias depois, o jornal publicou uma nota do editor. A nota reconheceu que o menino tinha problemas de saúde preexistentes no cérebro e no desenvolvimento muscular. O jornal apagou a frase de que ele nascera saudável, mas manteve a reportagem sobre a fome.

Quando
Fotos feitas em 21 ou 22 de julho de 2025. Capa do Daily Express em 23 de julho. Capa do New York Times em 25 de julho.
Onde
Faixa de Gaza, durante a guerra que o Hamas começou em 7 de outubro de 2023.
O que se disse
Que o menino era a imagem da fome em Gaza. A reportagem do New York Times trazia a frase da mãe de que ele nascera saudável.
Quem espalhou
New York Times, Daily Express e outros veículos internacionais, com ampla circulação internacional em reportagens e debates sobre a fome em Gaza.
O que se provou
O próprio New York Times soube, pelo hospital e pelos prontuários, que o menino tinha problemas preexistentes no cérebro e no desenvolvimento muscular. Fotos mais amplas mostram o irmão mais velho sem a mesma magreza.
Quem corrigiu
O New York Times, com nota do editor quatro dias depois. Outros veículos ajustaram legendas ou textos em casos semelhantes.
A correção chegou até onde?
Parcial. A nota acrescentou contexto médico e apagou a frase da mãe, mas o jornal manteve a reportagem. A capa impressa ficou como estava.

Em que contexto a foto apareceu?

A foto apareceu no auge de uma campanha mundial que acusa Israel de usar a fome como arma em Gaza. A guerra começou com o ataque dos terroristas do Hamas em 7 de outubro de 2023, e o grupo seguia com reféns israelenses em seu poder. Israel nega ter adotado a fome como política. O governo israelense acusa o Hamas de desviar suprimentos e aponta a entrada de ajuda pelos postos de fronteira, como Kerem Shalom. A checagem do site sobre o tema está em “Israel usou a fome como arma em Gaza”.

Segundo o COGAT, o órgão israelense que coordena a ajuda, mais de 100 mil caminhões entraram em Gaza desde o início da guerra, e cerca de 80% da carga era comida. Esse número mede a entrada nos postos de fronteira, não a distribuição nem o consumo dentro de Gaza. Israel acusa o Hamas de desviar parte dessa ajuda.

Nos meses anteriores, alertas exagerados já tinham circulado e precisado de correção:

  • Em 20 de maio de 2025, o chefe humanitário da ONU, Tom Fletcher, disse publicamente que 14 mil bebês morreriam em Gaza nas 48 horas seguintes sem ajuda. A OCHA, escritório humanitário da ONU, depois esclareceu que o número era uma projeção da IPC para 12 meses de casos de desnutrição aguda, de abril de 2025 a março de 2026. Os 14 mil eram casos projetados, não mortes previstas em dois dias.
  • Em 13 de maio de 2025, o portal UN News noticiou que 57 crianças tinham morrido de fome em 72 dias desde 2 de março. Dados da OMS e do próprio Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas, publicados em julho, mostraram que os 57 óbitos eram o total acumulado desde outubro de 2023. Desse total, apenas 2 tinham ocorrido depois de 2 de março.

A lógica é a mesma descrita em Números que ninguém verificou: o número dramático sai primeiro, e a correção chega depois, com muito menos alcance.

O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, percorre o posto de Kerem Shalom em maio de 2024. É por esse posto que a ajuda humanitária entra em Gaza.
O secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, percorre o posto de Kerem Shalom em maio de 2024. É por esse posto que a ajuda humanitária entra em Gaza.Imagem: U.S. Department of State · Public domain
DocumentoCOGAT Humanitarian Efforts in the Gaza Strip – Response to recent IPC publicationCOGAT / Ministério das Relações Exteriores de Israel, 2025-08

“Over 100,000 trucks of aid have entered Gaza since the start of the war, including food, medical supplies, fuel, and shelter equipment entered the Gaza Strip through the various crossings. Close to 80% of the aid that entered consisted of a wide variety of food.”

“Mais de 100.000 caminhões de ajuda entraram em Gaza desde o início da guerra, incluindo alimentos, suprimentos médicos, combustível e equipamentos de abrigo, que entraram na Faixa de Gaza pelas várias passagens. Cerca de 80% da ajuda que entrou consistiu em uma ampla variedade de alimentos.”

É o número oficial israelense de entrada de ajuda. Mede o que cruzou a fronteira, não o que foi distribuído ou consumido pelas famílias.

O que foi dito sobre o menino e por quem?

O New York Times apresentou o menino como vítima da fome. A reportagem trazia a frase da mãe de que ele tinha nascido uma criança saudável. A criança é Muhammad Zakariya Ayyoub al-Matouq, com cerca de 18 meses. Na foto, ele aparece no colo da mãe, com os ossos da coluna salientes.

As fotos foram feitas em Gaza em julho de 2025. Os créditos variam entre 21 e 22 de julho. Segundo a checagem da agência australiana AAP:

  • Ahmed Jihad Ibrahim Al-Arini, fotógrafo baseado em Gaza, fez as imagens para a agência turca Anadolu. Essas imagens foram distribuídas pela Getty Images, que aparece como distribuidora, e não como autora.
  • Saher Alghorra fez as imagens usadas pelo New York Times.

A reportagem do jornal americano se chamava “Gazans Are Dying of Starvation” (“Moradores de Gaza estão morrendo de fome”). A foto foi para a primeira página. Uma leitura possível do público foi a de um bebê saudável que a falta de comida reduziu a pele e osso, leitura que reforçava a acusação de que Israel faz Gaza passar fome.

A página respeita a mãe e o menino. A falha documentada é que a reportagem reproduziu a declaração da mãe sem incluir o contexto médico preexistente que o próprio jornal acrescentou depois.

DocumentoNY Times front-page image of emaciated Gaza toddler sparks backlash, then an editors' noteJewish Telegraphic Agency (JTA), 2025-07-30

“The revision removed the mother’s quote from the story saying that Mohammed had been born healthy and added context from his doctor, though it did not back away from the other reporting in the story, “Gazans Are Dying of Starvation ,””

“A revisão removeu da reportagem a frase da mãe de que Mohammed nascera saudável e acrescentou contexto do médico dele, embora não tenha recuado do restante da reportagem da matéria “Gazans Are Dying of Starvation” [Moradores de Gaza estão morrendo de fome],”

Confirma que a foto saiu na primeira página e que a frase do menino nascido saudável foi retirada.

Como a versão se espalhou?

A versão circulou por capas de jornais, sites e redes sociais. Os registros mostram esta sequência:

  • 23 de julho de 2025: o britânico Daily Express publicou a imagem na primeira página.
  • 25 de julho de 2025: o New York Times levou a foto à primeira página da edição impressa.
  • A imagem também saiu em The Guardian, NBC News e Daily Mail. Levantamentos citam ainda BBC, CNN, Sky News e The Times. Em vários desses casos foi republicação digital, e não capa.

A foto virou ícone. Ativistas e perfis nas redes a usaram como prova visual de que Israel mata crianças de fome. O mecanismo é o descrito em Como a mentira se espalha. Uma imagem forte, uma legenda sem contexto e o selo de um grande jornal fazem a imagem circular antes de qualquer verificação.

Também é o padrão de O primeiro título. O veredito sai na capa, e a correção, quando vem, fica escondida no pé da página digital.

O que as investigações e os documentos mostraram?

As apurações mostraram que o menino tinha doenças preexistentes graves, informação que a capa omitiu. O dado mais forte veio do próprio New York Times. Pelo hospital que tratou a criança e pelos prontuários, o jornal soube de problemas de saúde anteriores que afetavam o cérebro e o desenvolvimento muscular.

O que cada fonte mostrou:

  • HonestReporting, em 27 de julho de 2025, no texto “Another Photo. Another Lie.”, e o analista David Collier afirmaram que a aparência do menino se explicava principalmente por paralisia cerebral, hipoxemia e possível doença genética. É a avaliação desses analistas, sem laudo médico publicado.
  • A mãe disse à CNN que o filho tinha um distúrbio muscular e precisava de fisioterapia e alimentação especializada. Esse relato acrescenta contexto médico relevante, e o jornal depois retirou a frase sobre o nascimento.
  • Fotos mais amplas mostram ao lado o irmão mais velho, Joud, de cerca de 3 anos, sem a mesma magreza extrema. A aparência do irmão não refuta o diagnóstico de desnutrição do menino, e não foi provado recorte deliberado para enganar.

Em agosto de 2025, a investigação “They Became Symbols for Gazan Starvation”, do site The Free Press, examinou 12 crianças fotografadas como símbolos da fome. Segundo o veículo, elas tinham doenças crônicas, como paralisia cerebral, doenças genéticas ou problemas de absorção intestinal. Outros casos registrados:

  • Osama al-Raqab, 5 anos: a foto viralizou como prova de inanição, mas o menino tem uma doença genética grave. Em 12 de junho de 2025, Israel coordenou a saída dele de Gaza para tratamento na Itália.
  • Maryam: o HonestReporting e David Collier dizem ter obtido documentos médicos que indicam má absorção intestinal e tratamento contínuo.
  • Karim: o HonestReporting acusou o Daily Mirror de omitir uma síndrome diagnosticada aos 10 meses, com histórico familiar.
  • O Washington Post corrigiu o uso de uma foto antiga numa matéria atual sobre “fome em massa”. A técnica é a de imagem de outro tempo apresentada como atual.

Com honestidade: a Free Press é um veículo, e sua investigação não é laudo médico. Os prontuários das 12 crianças não foram publicados por inteiro.

DocumentoThey Became Symbols for Gazan Starvation (investigação)The Free Press, 2025-08

“When the so-called paper of record updated its story with an editors note four days later, it also quietly deleted the mother’s claim that her son was “born a healthy child.””

“Quando o chamado jornal de referência atualizou sua reportagem com uma nota do editor quatro dias depois, também apagou discretamente a afirmação da mãe de que o filho “nasceu uma criança saudável”.”

Registra que a frase central da narrativa foi apagada sem destaque, dentro de uma investigação sobre vários casos parecidos.

Quem corrigiu e como?

O New York Times acrescentou uma nota editorial em 29 de julho, quatro dias depois da publicação. A nota reconhecia os problemas de saúde preexistentes do menino. Na revisão, o jornal apagou a frase da mãe sobre o filho ter nascido saudável e incluiu informações do médico.

O alcance da correção foi limitado:

  • O jornal não retirou a reportagem e não recuou da afirmação de que o menino sofria de desnutrição grave. Tratou a doença como contexto adicional.
  • A capa impressa de 25 de julho continuou como estava. A nota ficou na versão digital.
  • Críticos do jornal observaram que a correção recebeu uma fração da atenção dada à foto original.

Outros veículos:

  • The Guardian: segundo a CAMERA, a legenda não citava a condição médica e depois passou a mencionar a paralisia cerebral. A CAMERA acusa o jornal de edição desonesta. Não foi localizada nota pública do Guardian reconhecendo erro.
  • CNN: atualizou uma matéria com informações médicas sobre crianças retratadas.
  • Washington Post: publicou correção pelo uso de foto antiga.
  • Daily Express e BBC: há relatos de ajustes, mas o texto das correções não foi confirmado em documento dos próprios veículos. Por isso, não se pode afirmar que eles “admitiram” erro.

Cabe uma precisão. Alguns textos dizem que o New York Times se “retratou” ou declarou que a condição do menino não tinha relação com a falta de comida. A nota não diz isso. A correção é real e importante, mas parcial.

DocumentoControversy over image of a skeletal one-year-old Gazan boyABC News (Austrália), 2025-07-31

“A few days after the photo was published, The New York Times issued a clarification that the child in the photo had been diagnosed with a pre-existing health condition”

“Alguns dias depois da publicação da foto, o New York Times emitiu um esclarecimento de que a criança da foto havia sido diagnosticada com uma condição de saúde preexistente”

Uma emissora pública de referência registra que o próprio jornal reconheceu a doença prévia.

O que segue em disputa sobre o menino e as outras fotos?

Segue em disputa quanto da magreza vinha da doença e quanto da falta de comida. A nota do New York Times confirma os problemas preexistentes, mas não informa essa proporção. Uma foto não fecha diagnóstico. Só um prontuário completo e uma avaliação clínica independente poderiam fazer isso, e nenhum dos dois foi publicado.

Os pontos abertos:

  • A Associated Press argumentou, em reportagem de 1º de agosto de 2025, que crianças com doenças prévias emagrecem rápido quando faltam alimentos de alto teor calórico e suplementos. A doença prévia, sozinha, não prova que a criança não passava fome.
  • O estado de saúde de Joud só aparece nas fotos. Nenhum documento médico público confirma que ele estava plenamente saudável.
  • Nenhuma investigação provou que a foto foi encenada ou que algum veículo agiu com intenção deliberada de enganar.
  • Na série da Free Press, os diagnósticos dependem de documentos não publicados na íntegra.

As evidências mostram que a versão da capa estava incompleta, por três razões:

  • A fonte da correção é o próprio jornal, com base no hospital e nos prontuários.
  • A frase sobre o nascimento foi apagada. A retirada altera o contexto da narrativa, mas não determina a causa da magreza nem refuta a desnutrição, que o jornal manteve.
  • O padrão se repetiu em outros casos, como Osama al-Raqab, com doença genética e evacuado com coordenação israelense.

A conclusão honesta: houve sofrimento real de uma criança doente. Ele foi apresentado ao mundo, inicialmente, sem o contexto médico preexistente, numa cobertura usada como prova de uma acusação contra Israel.

E a fome em Gaza: o que a IPC concluiu e o que Israel contesta?

A IPC classificou formalmente a governadoria de Gaza em Fome (Fase 5) em 22 de agosto de 2025. A IPC é o sistema internacional que classifica crises alimentares. O relatório projetou a expansão da fome para Deir al-Balah e Khan Younis até o fim de setembro. A análise envolveu cerca de 50 especialistas de 19 organizações. O Comitê de Revisão da Fome (FRC) validou a classificação como “plausível”.

O histórico pesa no debate. Em março de 2024, a IPC e a rede FEWS Net projetaram fome “iminente” no norte de Gaza. Em junho de 2024, o próprio FRC declarou que as evidências disponíveis não indicavam fome em curso.

O governo de Israel rejeitou a classificação de 2025. No documento “Politics Disguised as Science”, de setembro de 2025, e em revisão noticiada pelo Times of Israel, aponta:

  • Medida trocada: uso da circunferência do braço (MUAC) em vez de peso para altura. Segundo Israel, o MUAC chegou a produzir estimativas até seis vezes maiores de desnutrição grave.
  • Amostra enviesada: dados colhidos em hospitais e em programas de alimentação, com crianças já identificadas como vulneráveis.
  • Mortalidade extrapolada: o limiar dependia de supor muitas mortes não registradas.
  • Dados divergentes: em 30 de agosto, o FRC explicou que o conjunto de dados anexado ao relatório não era idêntico ao usado na análise final.

A IPC e as agências humanitárias respondem que a guerra impedia pesquisas representativas e que hospitais eram das poucas fontes observáveis. O documento israelense é posição de parte, e não veredito independente. O próprio site já registrou que houve fome confirmada pela IPC. O que Israel contesta é o rigor da classificação e a intenção que lhe atribuem.

Sobre a ajuda, a COGAT diz que caminhões ficaram esperando coleta do lado de Gaza. O mecanismo UN2720 da ONU registrou que, em 31 de agosto de 2025, havia mais de 180 mil toneladas de ajuda aprovadas pela COGAT ainda não entregues em Gaza. Sobre as acusações contra o modelo de distribuição direta, veja a checagem sobre a Fundação Humanitária de Gaza.

Caminhão de ajuda deixa o posto de Kerem Shalom depois de descarregar a carga destinada a Gaza, em novembro de 2025. A entrada na fronteira é só a primeira etapa: a distribuição dentro de Gaza é outra.
Caminhão de ajuda deixa o posto de Kerem Shalom depois de descarregar a carga destinada a Gaza, em novembro de 2025. A entrada na fronteira é só a primeira etapa: a distribuição dentro de Gaza é outra.Imagem: U.S. Army USARCENT by Sgt. 1st Class Malcolm Cohens-Ashley · Public domain
DocumentoGaza Strip: Acute Food Insecurity, Acute Malnutrition and Mortality Analysis, July–September 2025 (Special Snapshot)IPC – Integrated Food Security Phase Classification, 2025-08-22

“Famine (IPC Phase 5) is currently occurring in Gaza Governorate and projected to expand to Deir al- Balah and Khan Younis governorates by the end of September.”

“A Fome (IPC Fase 5) está ocorrendo atualmente na governadoria de Gaza e projeta-se que se expanda para as governadorias de Deir al-Balah e Khan Younis até o fim de setembro.”

É a classificação formal que está no centro do debate.

DocumentoFamine Review Committee Report – Gaza, August 2025IPC Famine Review Committee (FRC), 2025-08

“The FRC finds the analysis team’s classifications plausible for the period (1 July – 15 August 2025), indicating Famine (IPC Phase 5) for Gaza Governorate and IPC Phase 4 (Emergency) for Deir al-Balah and Khan Younis.”

“O FRC considera plausíveis as classificações da equipe de análise para o período (1º de julho a 15 de agosto de 2025), indicando Fome (IPC Fase 5) para a governadoria de Gaza e IPC Fase 4 (Emergência) para Deir al-Balah e Khan Younis.”

Mostra que o comitê usou a palavra “plausíveis”, termo de avaliação e não de certeza, e limitou a Fome a uma governadoria.

DocumentoPolitics Disguised as Science – Systematic distortions in the IPC's Gaza report of August 2025Governo de Israel, 2025-09

“Much of the data was drawn from hospital settings and children involved in Blanket Supplementary Feeding Programme (BSFP) malnutrition prevention programs. This is at odds with IPC guidelines, introduces profound selection bias”

“Grande parte dos dados foi extraída de ambientes hospitalares e de crianças incluídas em programas de prevenção da desnutrição por Alimentação Suplementar Geral (BSFP). Isso contraria as diretrizes da IPC, introduz profundo viés de seleção”

É a contestação oficial de Israel ao método: Israel argumenta que a seleção de crianças em hospitais e programas de alimentação pode superestimar a prevalência na população.

Por que o caso importa hoje e que técnica ele ilustra?

O caso importa porque mostra como uma acusação contra Israel ganha o mundo sem nenhuma foto falsa. A imagem era real e a criança sofria. O problema documentado foi a ausência inicial de contexto médico:

  • Diagnóstico ausente: as doenças preexistentes não constavam da cobertura inicial, que destacava só a fome.
  • Imagens mais amplas: existem fotos com o irmão sem a mesma magreza. A aparência dele não refuta o diagnóstico do menino, e não foi provado recorte deliberado para enganar.
  • Frase sem contexto: a reportagem reproduziu a declaração da mãe de que o bebê nasceu saudável sem o contexto médico acrescentado depois.
  • Correção discreta: a nota sai dias depois, no pé da versão digital, enquanto a capa segue circulando.

O risco é o descrito em Cortes, legendas trocadas e traduções inventadas. Ele convive com outros. Os jornais alemães Süddeutsche Zeitung e Bild relataram fotos encenadas pelo Hamas de moradores posando com panelas vazias, como descrito em Cenas montadas para a câmera.

Quem ganha com isso é o Hamas. O grupo começou a guerra e manteve reféns, e Israel o acusa de desviar ajuda. Mesmo assim, viu o mundo culpar Israel por cada imagem de sofrimento. A lição para o leitor é concreta. Diante de uma foto que “prova tudo”, procure a foto inteira, o prontuário e a correção. O sofrimento dos civis é real. Usá-lo sem os fatos como arma contra Israel é desinformação.

O que disseram, nos registros

“After publication of the article, The Times learned from the hospital that treated him and his medical records that he also had pre-existing health problems affecting his brain and muscle development.”

“Depois da publicação do artigo, o Times soube, pelo hospital que o tratou e por seus prontuários médicos, que ele também tinha problemas de saúde preexistentes que afetavam o desenvolvimento do cérebro e dos músculos.”

The New York Times (nota do editor), Jornal americano. 29 de julho de 2025, Nota acrescentada à reportagem “Gazans Are Dying of Starvation”. Fonte

Alegações que circulam sem prova

  • “O menino nasceu saudável.” (Declaração da mãe reproduzida na reportagem original do New York Times): O próprio jornal apagou a frase depois de consultar o hospital e os prontuários, que mostraram doenças preexistentes.
  • “O New York Times se retratou e admitiu que a condição do menino não tinha relação com a falta de comida.” (Textos que circularam entre críticos da cobertura): A nota do editor acrescentou contexto médico, mas o jornal manteve a reportagem e não fez essa afirmação.
  • “A foto foi encenada.” (Postagens nas redes sociais): Nenhuma investigação provou encenação. O problema documentado é a ausência inicial do contexto médico.
  • “A BBC e o Daily Express admitiram ter publicado uma fraude.” (Relatos secundários): Há relatos de ajustes, mas o texto das correções não foi confirmado em documento dos próprios veículos.
  • “O irmão Joud era completamente saudável.” (Análises das fotos ampliadas): As fotos mostram que ele não tinha a mesma magreza. Nenhum documento médico público confirma o estado de saúde dele.

Linha do tempo

  1. 7 de outubro de 2023Os terroristas do Hamas atacam Israel e começam a guerra em Gaza.
  2. Março de 2024A IPC e a rede FEWS Net projetam fome “iminente” no norte de Gaza.
  3. Junho de 2024O Comitê de Revisão da Fome da IPC declara que as evidências disponíveis não indicam fome em curso.
  4. 13 de maio de 2025O UN News noticia 57 crianças mortas de fome em 72 dias. Dados posteriores mostram que eram o total desde outubro de 2023.
  5. 20 de maio de 2025Tom Fletcher, chefe humanitário da ONU, afirma que 14 mil bebês poderiam morrer nas 48 horas seguintes sem ajuda. A OCHA depois esclarece que se tratava de uma projeção anual de casos.
  6. 12 de junho de 2025Israel coordena a saída de Osama al-Raqab, menino com doença genética, de Gaza para tratamento na Itália.
  7. 21 ou 22 de julho de 2025Muhammad al-Matouq é fotografado no colo da mãe em Gaza.
  8. 23 de julho de 2025O Daily Express publica a imagem na primeira página.
  9. 25 de julho de 2025O New York Times põe a foto na capa da edição impressa.
  10. 27 de julho de 2025O HonestReporting publica “Another Photo. Another Lie.” sobre as doenças do menino.
  11. 29 de julho de 2025O New York Times acrescenta nota do editor e apaga a frase de que o menino nascera saudável.
  12. Agosto de 2025A Free Press publica investigação sobre 12 crianças fotografadas como símbolos da fome que tinham doenças crônicas.
  13. 22 de agosto de 2025A IPC classifica a governadoria de Gaza em Fome (Fase 5). Israel e o COGAT rejeitam a classificação.
  14. Setembro de 2025O governo de Israel publica “Politics Disguised as Science”, com a contestação metodológica do relatório da IPC.

Perguntas frequentes

Quem é a criança desnutrida da capa do New York Times?
É Muhammad Zakariya Ayyoub al-Matouq, menino de Gaza com cerca de 18 meses, fotografado no colo da mãe em julho de 2025. A foto saiu na primeira página do jornal em 25 de julho como símbolo da fome. Depois, o próprio jornal informou que ele tinha problemas de saúde preexistentes que afetavam o cérebro e o desenvolvimento muscular.
O New York Times corrigiu a foto do menino de Gaza?
Sim, em parte. Quatro dias depois, o jornal acrescentou uma nota do editor reconhecendo as doenças preexistentes, segundo o hospital e os prontuários. Também apagou a frase da mãe de que o filho nascera saudável. O jornal manteve a reportagem e a afirmação de desnutrição grave. A capa impressa não foi corrigida.
A foto da criança de Gaza era falsa?
A foto era real e a criança sofria. O problema foi o contexto. A imagem circulou como prova de fome sem informar que o menino tinha doenças graves anteriores. Fotos mais amplas mostram o irmão mais velho sem a mesma magreza, o que não refuta a desnutrição do menino. Nenhuma investigação provou encenação. O que se documentou foi a ausência inicial de informação médica relevante.
Houve outras fotos de crianças doentes usadas como prova de fome em Gaza?
Sim. A Free Press investigou 12 crianças fotografadas como símbolos da fome e afirmou que tinham doenças crônicas. Osama al-Raqab, de 5 anos, tem doença genética e foi levado à Itália com coordenação israelense. O Washington Post corrigiu o uso de uma foto antiga. Os prontuários das 12 crianças não foram publicados por inteiro.
A ONU confirmou fome em Gaza em 2025?
A IPC classificou a governadoria de Gaza em Fome (Fase 5) em 22 de agosto de 2025, e seu comitê de revisão chamou a conclusão de “plausível”. Israel rejeitou a classificação. O governo israelense aponta uso de medida que infla números, amostras de hospitais, mortalidade extrapolada e divergência nos dados. A disputa metodológica segue aberta.
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