
Terrorismo contra israelenses e judeus: uma história
Podcast, guia de estudo, quiz e cartões sobre Terrorismo contra israelenses e judeus: uma história, para professores de História, universitários e jornalistas.
Ouça: Podcast Contexto
Uma conversa de 12 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (12 min, 5,3 MB).
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Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Hoje vamos falar de um tema difícil: o terrorismo contra israelenses e judeus ao longo das últimas décadas.
Davi: E eu sou o Davi. A ideia é contar essa história em ordem, com datas, nomes e números, para quem dá aula, estuda ou escreve sobre o assunto.
Lia: Davi, por que esse tema importa tanto para quem trabalha com História ou com jornalismo?
Davi: Porque o 7 de outubro de 2023 não surgiu do nada. Ele tem antecedentes, grupos com nome e sobrenome, métodos que se repetem. Sem essa linha do tempo, a cobertura fica solta e o leitor não entende o que está vendo.
Lia: E já vale fazer uma distinção logo no começo, não é?
Davi: Sim, e ela é essencial. Estamos falando de grupos terroristas, não do povo palestino. Muitos palestinos sofrem sob o governo do Hamas, que tomou Gaza à força em 2007 e reprime opositores, ativistas e jornalistas.
Lia: Então vamos ao primeiro bloco. Onde começa essa história internacional?
Davi: Um marco é Munique. Em 5 de setembro de 1972, terroristas do grupo palestino Setembro Negro invadiram a vila olímpica e fizeram reféns na delegação de Israel. O ataque terminou com o assassinato de 11 atletas e treinadores israelenses.
Lia: Por que Munique é considerada uma virada?
Davi: Porque o terrorismo contra israelenses deixou de se limitar à região. Passou a buscar alvos no exterior e a usar grandes eventos internacionais para chamar a atenção do mundo.
Lia: E poucos anos depois veio Entebbe.
Davi: Exatamente. Em 27 de junho de 1976, o voo Air France 139, que ia de Tel Aviv a Paris, foi sequestrado depois de uma escala em Atenas. Eram quatro terroristas: dois palestinos da FPLP e dois alemães das Células Revolucionárias.
Lia: O avião foi levado para Uganda.
Davi: Para o aeroporto de Entebbe. Segundo fontes israelenses e relatos históricos, o regime do ditador Idi Amin apoiou os sequestradores. Lá, eles separaram os passageiros israelenses e judeus dos demais. Os outros foram libertados.
Lia: Esse detalhe da seleção diz muito.
Davi: Diz tudo. Escolher reféns por serem judeus é um ato antissemita. E houve um gesto bonito no meio disso: o comandante francês Michel Bacos e parte da tripulação foram autorizados a partir, mas ficaram voluntariamente com os reféns.
Lia: E como terminou?
Davi: Na noite de 3 para 4 de julho de 1976, comandos israelenses atacaram o terminal, a cerca de 4.000 quilômetros de Israel. Em cerca de uma hora e meia, mataram os sequestradores e libertaram a maioria dos reféns. O comandante Yonatan Netanyahu, o Yoni, morreu na ação, e por isso ela passou a se chamar Operação Yonatan.
Lia: Houve também vítimas entre os reféns.
Davi: Quatro. Três durante a ação. A quarta, Dora Bloch, estava num hospital e foi assassinada depois por agentes do regime de Idi Amin.
Lia: Antes de passarmos ao próximo bloco, um exemplo dentro de Israel nessa época.
Davi: Em 19 de setembro de 1989, a Jihad Islâmica atacou o ônibus 405, na rodovia entre Jerusalém e Tel Aviv, e matou 14 civis.
Lia: Segundo bloco: as intifadas e os atentados suicidas. Começando pela primeira.
Davi: A Primeira Intifada começou em dezembro de 1987, em Gaza e na Judeia e Samaria. Intifada é uma palavra árabe que significa sublevação ou revolta. Houve greves, boicotes, pedras e coquetéis molotov, e, com o tempo, a violência armada cresceu.
Lia: E o Hamas nasce aí.
Davi: Em dezembro de 1987, a partir da rede da Irmandade Muçulmana em Gaza, liderada pelo xeque Ahmed Yassin. Em agosto de 1988, publicou sua Carta de Fundação, que consagra a jihad armada e prega a destruição de Israel. Essa carta nunca foi revogada.
Lia: Quando o atentado suicida vira a arma principal?
Davi: A partir de 1993. O primeiro atentado suicida do Hamas com carro-bomba foi em 16 de abril de 1993, no cruzamento de Mehola, com bomba projetada por Yahya Ayyash. Depois vieram ataques como o do ônibus em Afula, em 6 de abril de 1994, com 8 mortos, e o de Beit Lid, perto de Netanya, em janeiro de 1995, com 19 mortos.
Lia: E a Segunda Intifada?
Davi: Começou no fim de setembro de 2000, logo após o fracasso das negociações de Camp David. O gatilho mais citado é a visita de Ariel Sharon, então líder da oposição, ao Monte do Templo. Mas fontes israelenses e parte da literatura acadêmica veem a visita como gatilho, não como causa. O decisivo foi a escolha de grupos palestinos pela luta armada.
Lia: Um judeu visitar o lugar mais sagrado do judaísmo não explica uma campanha de bombas.
Davi: Exato. E a campanha foi sistemática. Em 1º de junho de 2001, na discoteca Dolphinarium, em Tel Aviv, 21 mortos, a maioria adolescentes. Em 9 de agosto de 2001, na pizzaria Sbarro, em Jerusalém, 15 ou 16 mortos, conforme a contagem. Em 27 de março de 2002, no Park Hotel, em Netanya, durante o jantar de Pessach, 30 mortos.
Lia: E em Haifa?
Davi: No restaurante Maxim, em 4 de outubro de 2003, a Jihad Islâmica matou 22 pessoas. E, em janeiro de 2002, as Brigadas dos Mártires de al-Aqsa, ligadas ao Fatah, usaram pela primeira vez uma mulher suicida, Wafa Idris, na rua Jaffa, em Jerusalém.
Lia: Qual o balanço?
Davi: Mais de 1.000 israelenses mortos, em sua maioria civis. Uma publicação oficial do governo de Israel estima 1.100 mortos e cerca de 8.000 feridos entre 2000 e 2005. O Hamas fez cerca de 40% dos ataques suicidas nesse período, com 54 atentados.
Lia: E a resposta de Israel?
Davi: A Operação Escudo Defensivo, em março de 2002, logo após o massacre do Park Hotel, e a barreira de segurança, iniciada em 2002 para impedir a entrada de homens-bomba nas cidades. Segundo o Jerusalem Post, citando as Forças de Defesa de Israel, a barreira foi um dos fatores-chave para que os atentados suicidas praticamente cessassem.
Lia: Terceiro bloco: o terrorismo contra judeus fora de Israel. E aqui a América Latina tem um capítulo próprio.
Davi: Tem, infelizmente. Em 17 de março de 1992, um caminhão-bomba destruiu a Embaixada de Israel em Buenos Aires. Foram 22 mortos e mais de 300 feridos. Em 18 de julho de 1994, um carro-bomba atingiu a AMIA, centro comunitário judaico: 85 mortos e mais de 150 feridos.
Lia: O atentado antissemita mais letal da América Latina.
Davi: Sim. E os dois são atribuídos à Unidade 910 do Hezbollah.
Lia: E em outros continentes?
Davi: Em 11 de abril de 2002, a Al-Qaeda atacou a sinagoga de el-Ghriba, em Djerba, na Tunísia: 19 mortos. Em março de 2012, em Toulouse, na França, Mohammed Merah invadiu a escola judaica Ozar Hatorah e matou um rabino e três crianças. Em julho de 2012, em Burgas, na Bulgária, um atentado do Hezbollah matou 5 israelenses e o motorista local.
Lia: E Bruxelas, em 2014.
Davi: Mehdi Nemmouche, veterano do Estado Islâmico, matou 4 pessoas no Museu Judaico. Em 2015, jihadistas atacaram o mercado Hyper Cacher, em Paris, e uma sinagoga em Copenhague.
Lia: O que esses casos ensinam?
Davi: Que o alvo, muitas vezes, eram escolas, sinagogas e centros comunitários. Não era uma política de governo. Era a presença judaica em si.
Lia: Quarto bloco: o 7 de outubro de 2023 e o que o sustenta.
Davi: No feriado de Simchat Torá, o Hamas comandou uma invasão do sul de Israel por terra, mar e ar, com participação da Jihad Islâmica e de outras facções. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas, em sua maioria civis, em casa, nos kibutzim e no festival Nova. Mais de 240 foram levadas como reféns para Gaza.
Lia: Foi o maior massacre de judeus em um único dia desde o Holocausto.
Davi: E foi planejado. Documentos apreendidos pelas Forças de Defesa de Israel em Gaza incluem um plano escrito por Yahya Sinwar em 24 de agosto de 2022, detalhando a invasão de 223 vilas, kibutzim e cidades.
Lia: Houve quem dissesse que o Hamas tinha moderado suas posições.
Davi: O documento de 2017 fala de um Estado nas linhas de 1967, mas não reconhece Israel e mantém a luta armada. Depois do 7 de outubro, o dirigente Ghazi Hamad disse que o grupo repetiria o ataque "de novo e de novo".
Lia: E há um elo que pouca gente conhece: os pagamentos da Autoridade Palestina.
Davi: O chamado "pagar por matar". Leis de 2004 e regulamentos de 2006 criaram uma escala: quanto maior a pena, maior o salário, até 12.000 shekels por mês. Sinwar foi libertado na troca pelo soldado Gilad Shalit, em 2011, e entrou nessas folhas de pagamento. Abbas anunciou o fim do sistema em 2025, mas relatórios americanos indicam que os pagamentos continuaram.
Lia: Vamos fechar com três ideias-chave.
Davi: Primeira: o terrorismo contra israelenses e judeus tem uma longa história, de Munique, em 1972, ao 7 de outubro de 2023, com grupos identificados, como Setembro Negro, Hamas, Jihad Islâmica e Hezbollah.
Lia: Segunda: muitos ataques miraram judeus fora de Israel, em sinagogas, escolas e centros comunitários, como a AMIA. O alvo era a presença judaica.
Davi: Terceira: o contexto explica, mas não justifica. Nenhum contexto autoriza matar civis ou tomar reféns. E distinguir terroristas do povo palestino é parte do trabalho sério.
Lia: Lembrando que a JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA, pela qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo, e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Davi: Obrigado por ouvir o Contexto.
Lia: Mais materiais em jjo.org.br.
Guia de estudo
Guia de estudo da JJO (Juventude Judaica Organizada) para professores de História, universitários e jornalistas
Objetivos
Ao final deste estudo, o leitor deve ser capaz de:
- Identificar os principais grupos terroristas que atacaram israelenses e judeus e distinguir suas origens: facções nacionalistas seculares, organizações islamistas regionais e redes jihadistas globais.
- Situar no tempo os grandes marcos desse terrorismo, de Munique (1972) ao 7 de outubro de 2023.
- Diferenciar a Primeira Intifada (1987–1993) da Segunda Intifada (2000–2005).
- Explicar por que o Hamas é um grupo terrorista, com base em sua Carta de 1988, na declaração de 2017 e nas falas de seus dirigentes.
- Reconhecer que muitos ataques fora de Israel tiveram como alvo a presença judaica em si: sinagogas, escolas, museus e centros comunitários.
- Compreender as respostas de Israel: o resgate de Entebbe, a Operação Escudo Defensivo e a barreira de segurança.
- Entender o sistema de “pagar por matar” da Autoridade Palestina e sua ligação com a liderança do Hamas.
- Separar os grupos terroristas do povo palestino, sem desumanizar ninguém.
Conceitos-chave
- Terrorismo contra civis: ataques deliberados contra pessoas comuns em ônibus, restaurantes, hotéis, boates, escolas e sinagogas. O contexto pode explicar, mas não justifica: nenhum contexto autoriza matar civis ou tomar reféns.
- Internacionalização do terror: a partir de Munique (1972), o terrorismo contra israelenses passou a buscar alvos no exterior e a usar grandes eventos internacionais para chamar a atenção do mundo.
- Atentados suicidas: a partir de 1993, viraram a principal arma do Hamas e da Jihad Islâmica. Na Segunda Intifada, tornaram-se uma campanha sistemática.
- Seleção antissemita de vítimas: em Entebbe (1976), os sequestradores separaram os passageiros israelenses e judeus dos demais. Escolher reféns por serem judeus é um ato antissemita.
- Gatilho x causa: na leitura israelense e de parte da literatura acadêmica, a visita de Ariel Sharon ao Monte do Templo, em 2000, foi o gatilho da Segunda Intifada, não sua causa. O fator decisivo foi a escolha de grupos palestinos pela luta armada e pelos atentados suicidas.
- Barreira de segurança: começou a ser construída em 2002 para impedir a entrada de homens-bomba nas cidades israelenses. Israel a apresenta como medida antiterrorista, e não como fronteira política.
- “Pagar por matar”: sistema da Autoridade Palestina e da OLP que paga salários a terroristas presos, a ex-presos e a famílias de “mártires”. O valor cresce com a pena.
- Definição da IHRA: a JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
- Distinguir grupos e povos: muitos palestinos sofrem sob o governo do Hamas, que tomou Gaza à força em 2007 e reprime opositores, ativistas e jornalistas.
Linha do tempo
| Data | Fato |
|---|---|
| Década de 1960 | A OLP já pagava famílias de combatentes, por meio da Comissão de Mártires e Feridos |
| 5/9/1972 | Massacre de Munique: o Setembro Negro assassina 11 atletas e treinadores israelenses |
| 27/6/1976 | Sequestro do voo Air France 139, após escala em Atenas |
| 3–4/7/1976 | Operação Entebbe: comandos israelenses resgatam a maioria dos reféns. Morre Yonatan Netanyahu |
| 8/12/1987 | Início da Primeira Intifada |
| Dez. 1987 | Nasce o Hamas |
| Ago. 1988 | O Hamas publica sua Carta de Fundação |
| 19/9/1989 | A Jihad Islâmica ataca o ônibus 405, entre Jerusalém e Tel Aviv: 14 civis mortos |
| 17/3/1992 | Caminhão-bomba destrói a Embaixada de Israel em Buenos Aires: 22 mortos |
| 16/4/1993 | Primeiro atentado suicida do Hamas com carro-bomba, no cruzamento de Mehola |
| 1993–1994 | Acordos de Oslo (1993) e criação da Autoridade Palestina (1994) |
| 6/4/1994 | Ônibus em Afula (Hamas/PIJ): 8 mortos |
| 18/7/1994 | Atentado à AMIA, em Buenos Aires: 85 mortos e mais de 150 feridos |
| 22/1/1995 | Beit Lid (Jihad Islâmica): 19 mortos |
| 4/3/1996 | Dizengoff Center, Tel Aviv (Jihad Islâmica): 13 mortos |
| Fim de set. 2000 | Início da Segunda Intifada, após o fracasso de Camp David (julho de 2000) |
| 1/6/2001 | Dolphinarium, Tel Aviv: 21 mortos, a maioria adolescentes |
| 9/8/2001 | Pizzaria Sbarro, Jerusalém: 15 ou 16 mortos, conforme a contagem |
| 27/1/2002 | Wafa Idris, primeira mulher suicida das Brigadas dos Mártires de al-Aqsa |
| 27/3/2002 | Park Hotel, Netanya, no Seder de Pessach: 30 mortos |
| Mar. 2002 | Operação Escudo Defensivo |
| 11/4/2002 | Sinagoga de el-Ghriba, em Djerba, Tunísia (Al-Qaeda): 19 mortos |
| 2002 | Começa a construção da barreira de segurança |
| 28/11/2002 | Mombasa, Quênia (Al-Qaeda): 15 mortos em hotel frequentado por israelenses |
| 4/10/2003 | Restaurante Maxim, Haifa (Jihad Islâmica): 22 mortos |
| 2004 | Leis nº 14 e nº 19 da Autoridade Palestina; parecer consultivo da CIJ; eliminação de Ahmed Yassin e Abdel Aziz al-Rantisi; morte de Arafat (novembro) |
| 2005 | Retirada unilateral de Israel da Faixa de Gaza |
| 25/1/2006 | O Hamas vence a eleição legislativa |
| Jun. 2007 | O Hamas toma Gaza pela força |
| 2011 | Troca de presos pelo soldado Gilad Shalit; Yahya Sinwar está entre os libertados |
| 19/3/2012 | Escola judaica Ozar Hatorah, Toulouse: um rabino e três crianças mortos |
| 18/7/2012 | Burgas, Bulgária (Hezbollah): 5 israelenses e o motorista local mortos |
| 24/5/2014 | Museu Judaico de Bruxelas: 4 mortos |
| 2015 | Ataques ao mercado Hyper Cacher, em Paris, e a uma sinagoga em Copenhague |
| 1/5/2017 | O Hamas publica nova declaração, que continua sem reconhecer Israel |
| Mar. 2018 | Taylor Force Act (EUA) |
| Jul. 2018 | Lei de Congelamento (Israel) |
| 24/8/2022 | Yahya Sinwar escreve o plano de invasão de 223 vilas, kibutzim e cidades |
| 7/10/2023 | Massacre do Hamas no sul de Israel |
| Fev. 2025 | Decreto-Lei nº 4 de Abbas anuncia o fim da escala por pena |
Pontos de atenção sobre números
- 7 de outubro de 2023: cerca de 1.200 mortos e mais de 240 reféns. Segundo o Ministério das Relações Exteriores de Israel, foram mais de 1.200 mortos e 251 reféns.
- Sbarro: 15 ou 16 mortos. Algumas contagens incluem uma vítima que morreu depois.
- Segunda Intifada: uma publicação oficial do governo de Israel estima 1.100 israelenses mortos e cerca de 8.000 feridos entre 2000 e 2005. O Ministério da Defesa registra 900 mortos e mais de 7.000 feridos até o fim de 2003.
5 perguntas para discussão
- Por que o massacre de Munique (1972) é visto como uma virada na história do terrorismo contra israelenses? Que padrões se repetiram nas décadas seguintes?
- Atentados como os da Embaixada de Israel e da AMIA, em Buenos Aires, e os de Djerba, Toulouse e Bruxelas atingiram sinagogas, escolas e centros comunitários. O que isso revela sobre o alvo real desses ataques?
- Qual a diferença entre gatilho e causa na Segunda Intifada? Por que essa distinção importa para quem ensina ou noticia o tema?
- A declaração do Hamas de 2017 mudou sua natureza? Compare-a com a Carta de 1988 e com as falas de Khaled Mashaal, Ismail Haniyeh e Ghazi Hamad.
- Como o sistema de “pagar por matar” ajuda a explicar a trajetória de líderes do Hamas libertados em 2011? Por que Israel o trata como incentivo ao terrorismo, e não como política social?
Glossário curto
- AMIA: centro comunitário judaico de Buenos Aires, atingido por um carro-bomba em 1994.
- Autoridade Palestina (AP): criada em 1994 após os Acordos de Oslo, com poderes de administração sobre partes da Judeia e Samaria e de Gaza. É presidida por Mahmoud Abbas.
- Brigadas dos Mártires de al-Aqsa: milícia ligada ao Fatah, autora de atentados na Segunda Intifada.
- FPLP e FDLP: facções palestinas de esquerda que fizeram atentados e emboscadas. Dois membros da FPLP participaram do sequestro de Entebbe.
- Hamas: sigla de Movimento de Resistência Islâmica. Grupo terrorista surgido em 1987 da rede assistencial da Irmandade Muçulmana em Gaza.
- Hezbollah: organização islamista. Atentados como o de Burgas e os de Buenos Aires são atribuídos à sua Unidade 910.
- IHRA: definição de antissemitismo adotada pela JJO.
- Intifada: palavra árabe que significa “sublevação” ou “revolta”.
- Jihad Islâmica (PIJ): grupo islamista autor de atentados como os de Beit Lid, do Dizengoff Center e do restaurante Maxim.
- Monte do Templo: o lugar mais sagrado do judaísmo, em Jerusalém.
- NIS: sigla do novo shekel israelense.
- Setembro Negro: facção nacionalista secular palestina, responsável pelo massacre de Munique.
- Shin Bet: serviço de segurança interna de Israel.
- Simchat Torá: feriado judaico em que ocorreu o ataque de 7 de outubro de 2023.
Quiz: teste o que aprendeu
O grupo palestino Setembro Negro invadiu a vila olímpica e assassinou 11 atletas e treinadores israelenses. O massacre levou o terrorismo contra israelenses ao palco internacional.
Em 18 de julho de 1994, um carro-bomba atingiu a AMIA, centro comunitário judaico. Foram 85 mortos e mais de 150 feridos.
Os passageiros israelenses e judeus foram separados dos demais, que foram libertados. Escolher reféns por serem judeus é um ato antissemita.
O Hamas surgiu em dezembro de 1987, a partir da rede assistencial da Irmandade Muçulmana em Gaza, liderada pelo xeque Ahmed Yassin. Sua Carta foi publicada em agosto de 1988.
A Segunda Intifada foi uma campanha armada de atentados suicidas contra ônibus, restaurantes, hotéis e outros locais lotados. Matou mais de 1.000 israelenses, em sua maioria civis.
O Hamas atacou o Park Hotel, em Netanya, durante o Seder de Pessach. Logo depois, Israel lançou a Operação Escudo Defensivo para desmontar redes terroristas na Judeia e Samaria.
Israel apresenta a barreira como medida antiterrorista, e não como fronteira política. Segundo o Jerusalem Post, citando as FDI, ela foi um dos fatores-chave para que os atentados suicidas praticamente cessassem.
A escala vai de 1.400 NIS, para penas de até 3 anos, a 12.000 NIS, cerca de US$ 3.100 a US$ 3.400. Quanto mais grave o ataque, maior o salário.
O texto falava de um Estado nas linhas de 1967 como “fórmula de consenso nacional”, mas não reconhecia Israel e mantinha a luta armada. Para o INSS, mudaram a linguagem e a tática, não a ideologia.
O plano foi apreendido pelas FDI em Gaza. Sinwar estava entre os terroristas libertados na troca por Gilad Shalit, em 2011, que entraram nas folhas de pagamento da Autoridade Palestina.
Cartões de estudo
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