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Por que tantos cristãos apoiam Israel

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre Por que tantos cristãos apoiam Israel, para igrejas evangélicas e católicas e grupos de jovens.

Para: igrejas evangélicas e católicas e grupos de jovensPodcast: 10 minSlides: 16
Foto: Igreja do Santo Sepulcro. MATSON ERIC · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 10 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (10 min, 4,7 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, seja bem-vindo ao Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi. Hoje a pergunta é uma que muita gente faz em igrejas e grupos de jovens: por que tantos cristãos apoiam Israel?

Lia: Essa pergunta importa porque circulam muitas respostas apressadas. Tem quem diga que é tudo político, tem quem diga que é dinheiro, tem quem nem saiba de onde vem esse apoio.

Davi: E quando a gente não entende a origem de uma coisa, fica fácil acreditar em boato.

Lia: Exatamente. Então hoje vamos falar das raízes judaicas do cristianismo, da leitura bíblica que leva muitos evangélicos a apoiar Israel, do caminho próprio dos católicos e de alguns mitos que valem a pena desfazer.

Davi: Vamos começar pelo começo, então. Lia, Jesus era judeu?

Lia: Era. E isso é um fato histórico amplamente aceito por pesquisadores. O Evangelho de Mateus diz que ele nasceu em "Belém da Judeia". Ele cresceu na Galileia, sob domínio romano.

Davi: E viveu como judeu, não só nasceu judeu.

Lia: Isso. Foi circuncidado, frequentava as sinagogas no Shabat, fazia peregrinações a Jerusalém nas festas, como Pessach, a Páscoa judaica. E ensinava a partir da Bíblia Hebraica, debatendo com outros mestres judeus, como os fariseus.

Davi: Tem um detalhe que eu acho muito forte: a inscrição que os romanos colocaram na cruz.

Lia: "Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum", "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus". Até quem o executou reconheceu quem ele era.

Davi: E os primeiros seguidores?

Lia: Também eram judeus. Pedro, João, Tiago, André, Mateus, Maria, mãe de Jesus. Paulo também era judeu. No meio judaico, o grupo era conhecido como os "Nazarenos" ou "O Caminho".

Davi: Então o cristianismo nasce dentro do judaísmo.

Lia: Nasce como um movimento dentro do judaísmo e se separa dele aos poucos. Herdou as Escrituras, que os cristãos chamam de Antigo Testamento, o monoteísmo e o modelo de culto da sinagoga, com leitura comentada, orações e cânticos.

Davi: Aí alguém pode pensar: então é por isso que os cristãos apoiam Israel.

Lia: Vale separar as coisas. Essas raízes comuns aproximam cristãos e judeus, e lembrar que Jesus era judeu ajuda muito no diálogo. Mas o apoio a Israel, quando aparece, vem de uma leitura bíblica específica de algumas correntes protestantes e evangélicas. É disso que vamos falar agora.

Davi: E tem uma ressalva importante.

Lia: Tem. Judaísmo e cristianismo são religiões distintas. O judaísmo é anterior e seguiu o próprio caminho. O papa Francisco resumiu isso dizendo que a unidade judaica está ligada à Torá, enquanto os cristãos professam Jesus Cristo como Palavra de Deus encarnada.

Davi: Segundo bloco, então. Lia, o que é o tal do sionismo cristão?

Lia: É uma corrente dentro do cristianismo, sobretudo protestante e evangélica, que defende o retorno dos judeus à sua terra e, hoje, apoia o Estado de Israel por convicção bíblica.

Davi: E de onde vem essa convicção?

Lia: Da leitura da Bíblia. Eles costumam citar Romanos 11, versículos 28 e 29: "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis". E citam o Pacto Abraâmico, em Gênesis 12, 15 e 17.

Davi: Ou seja, para esses cristãos, a promessa feita a Abraão continua valendo para o povo judeu.

Lia: Essa é a leitura deles, sim. E não é um bloco único. Há vertentes diferentes: pré-milenistas, dispensacionalistas e pós-milenistas puritanas.

Davi: Agora, muita gente acha que isso é coisa recente.

Lia: E não é. Já em 1609, um protestante inglês, Thomas Brightman, escreveu defendendo o retorno literal dos judeus à sua terra.

Davi: Quase três séculos antes do Primeiro Congresso Sionista, em 1897, em Basileia, onde começou o sionismo político judaico.

Lia: E o Estado de Israel nem existia ainda. O historiador Derek Penslar registra que o restauracionismo cristão antecedeu e acompanhou o sionismo moderno.

Davi: Mas cuidado: isso não quer dizer que o sionismo seja invenção cristã.

Lia: De jeito nenhum. A aspiração judaica de voltar a Sião está na liturgia e na tradição judaicas há milênios. É muito mais antiga que tudo isso. Os escritos cristãos vieram depois e não criaram o sionismo.

Davi: Então, quando alguém diz que o sionismo cristão foi inventado para servir Israel...

Lia: A cronologia responde. Não se inventa um movimento para servir um Estado que ainda não existia.

Davi: E sobre chamar esse movimento de "heresia"?

Lia: Aí é um juízo teológico, não um fato. Algumas igrejas e teólogos críticos usam o termo, e as igrejas sionistas o rejeitam. Discordar é legítimo. E isso também não torna hereges os cristãos que criticam o movimento, inclusive os cristãos palestinos.

Davi: Terceiro bloco: e os católicos?

Lia: Entre os católicos, a história é outra. A aproximação com os judeus passa pelo diálogo e pela revisão de uma acusação antiga. O assunto aqui não é apoio político a Israel, e sim como a Igreja passou a falar dos judeus.

Davi: Que acusação?

Lia: A de que "os judeus mataram Jesus". Ela circula sobretudo na Páscoa, e muita gente ouviu isso desde criança.

Davi: E o que dizem os fatos?

Lia: A crucificação era uma pena romana. Jesus foi executado por ordem de Pôncio Pilatos, que governou a Judeia entre 26 e 36 depois de Cristo, sob a acusação política de se dizer "Rei dos Judeus".

Davi: E a Igreja reviu essa leitura.

Lia: Em 1965, o Concílio Vaticano II promulgou a declaração Nostra Aetate. Ela afirma que a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo nem aos de hoje, pede que os judeus não sejam apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus e condena o antissemitismo.

Davi: E isso tem efeito aqui no Brasil?

Lia: Tem. Atuam no país o Conselho de Fraternidade Cristão-Judaica e a Comissão Nacional de Diálogo Religioso Católico-Judaico, ligada à CNBB. E do lado evangélico, já houve o primeiro Fórum Judaico-Evangélico, em São Paulo, com lideranças da América Latina.

Davi: Muitas igrejas protestantes também revisaram essas leituras depois do Holocausto, né?

Lia: Sim. Mas no campo evangélico não há uma autoridade única, então as posições variam por denominação.

Davi: Último bloco, Lia. Vamos aos mitos. O mais comum: "Israel paga igrejas evangélicas no Brasil".

Lia: Não há nenhuma evidência pública disso. As postagens não trazem documento, valor, data, nem o nome de quem teria pago.

Davi: Mas partem de algo real.

Lia: Partem do apoio verdadeiro de muitos evangélicos a Israel. Só que transformam esse apoio, sem prova, em compra e controle. E esse formato é antigo: um poder estrangeiro e oculto que manipula um povo em segredo. É a mesma estrutura dos Protocolos dos Sábios de Sião.

Davi: E é aí que entra a definição de antissemitismo da IHRA, que a JJO adota.

Lia: Isso. Ela trata desse mito de controle. E, por esse critério, negar o direito de Israel existir também é antissemitismo. Agora, criticar o governo de Israel é legítimo. Afirmar controle secreto sem prova não é.

Davi: Outra pergunta: todo evangélico é sionista?

Lia: Não. Nem todo cristão apoia Israel, e nem todo evangélico é sionista. E não há contagem consensual de quantos sionistas cristãos existem. Desconfie de números redondos sem fonte.

Davi: E como os judeus veem esse apoio cristão?

Lia: Muitos judeus agradecem esse apoio, e Israel o valoriza. Ao mesmo tempo, algumas correntes cristãs esperam que os judeus se convertam, e isso é conversado com respeito e cuidado dos dois lados. Em geral, é cooperação com honestidade sobre as diferenças de fé.

Davi: Tem mais um ponto que eu acho essencial para quem apoia Israel dentro da igreja.

Lia: Não generalizar. Desde a guerra iniciada pelo ataque terrorista do Hamas contra Israel, as emoções estão à flor da pele. Quando falamos de ameaças, vale nomear quem as faz: o Hamas, que é um grupo terrorista, o Hezbollah e o regime iraniano.

Davi: E eles não representam os muçulmanos.

Lia: Não representam os cerca de 2 bilhões de muçulmanos do mundo. Muitos muçulmanos são vítimas desses grupos. E países de maioria muçulmana fizeram paz com Israel: Egito, Jordânia, Emirados, Bahrein e Marrocos.

Davi: Generalizar contra muçulmanos é o mesmo erro que combatemos quando o alvo são os judeus.

Lia: Exatamente. E no Brasil, discriminar por religião é crime, pela Lei 7.716, de 1989. Vale para uma sinagoga, uma igreja e uma mesquita da mesma forma.

Davi: Vamos fechar, Lia. Quais são as três ideias para levar?

Lia: Primeira: Jesus era judeu, e o cristianismo nasceu dentro do judaísmo. Essas raízes aproximam cristãos e judeus.

Davi: Segunda: muitos evangélicos apoiam Israel por uma leitura bíblica antiga, que já aparecia entre protestantes ingleses no século XVII, muito antes de Israel existir.

Lia: Terceira: não há evidência de que Israel pague igrejas. Discordar é legítimo; acusar sem prova não é.

Davi: E se você quer levar essa conversa para o seu grupo de jovens ou para a sua igreja, tem material pronto para isso.

Lia: Obrigada por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.

Apresentação pronta para usar

16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.

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Guia de estudo

Objetivos

Ao final deste estudo, o grupo deverá ser capaz de:

  • Reconhecer as raízes judaicas da fé cristã: Jesus (Yeshua) foi um judeu do século I.
  • Explicar o que é o sionismo cristão, de onde ele vem e quais são suas vertentes.
  • Entender as motivações bíblicas que levam muitos cristãos a apoiar Israel.
  • Separar fatos de desinformação, como as frases “o sionismo cristão foi inventado para servir Israel” e “Israel financia igrejas no Brasil”.
  • Identificar o antissemitismo pelo critério da IHRA e combatê-lo sem ódio a nenhum povo ou religião.
  • Praticar o diálogo inter-religioso sem generalizações.

Conceitos-chave

1. Jesus era judeu

  • Nascimento e infância: nasceu em “Belém da Judeia” (Mateus 2:1), na Judeia, sob domínio romano, durante o reinado de Herodes, o Grande. Cresceu na Galileia.
  • Prática religiosa: foi circuncidado e guardava o Shabat. Frequentava o Templo e as sinagogas e celebrava as festas judaicas:
  • Pessach;
  • Sukkot;
  • Hanukkah.
  • Ensino: ensinava a partir da Bíblia Hebraica (Tanakh) e debatia a Torá com outros mestres judeus, como os fariseus.
  • A inscrição na cruz: os romanos escreveram acima dele “Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum”, ou “Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus”.
  • Fontes fora da Bíblia: os historiadores Flávio Josefo (c. 93/94 d.C.) e Tácito (c. 116 d.C.) registram sua execução sob Pôncio Pilatos.

2. O cristianismo nasceu dentro do judaísmo

  • Os primeiros seguidores eram judeus: Pedro, João, Tiago, André, Mateus, Maria e também Paulo.
  • Como eram chamados: no meio judaico, o movimento era conhecido como os “Nazarenos” (Natzratim) ou “O Caminho”.
  • Uma separação gradual:
  • acelerou-se com a destruição do Segundo Templo, em 70 d.C.;
  • consolidou-se depois da revolta de Bar Kokhba (132–135 d.C.).
  • A herança do judaísmo: o cristianismo recebeu do judaísmo as Escrituras, o monoteísmo, a ideia de aliança e o modelo de culto da sinagoga.
  • Religiões distintas: apesar das raízes comuns, judaísmo e cristianismo são religiões diferentes. O judaísmo é anterior e seguiu seu próprio caminho.

3. “Jesus era palestino”?

A frase parte de um fato geográfico e chega a uma conclusão enganosa.

  • O nome da região: no tempo de Jesus, a região era a província romana da Judeia. O nome romano Syria Palaestina só foi dado por volta de 135 d.C., cerca de um século depois da morte de Jesus.
  • A identidade nacional: a identidade nacional palestina se formou nos séculos XIX e XX.
  • O que a frase faz: chamar Jesus de “palestino” projeta uma identidade moderna sobre um judeu do século I e apaga o seu judaísmo.
  • Um vínculo legítimo: os cristãos palestinos que vivem há séculos em Belém e Nazaré se ligam legitimamente a Jesus. Esse vínculo merece respeito.

4. A morte de Jesus não é culpa “dos judeus”

  • Uma pena romana: a crucificação era uma punição aplicada pelos romanos. Jesus foi executado por ordem do prefeito romano Pôncio Pilatos, que governou entre 26 e 36 d.C.
  • A declaração Nostra Aetate (1965): o Concílio Vaticano II afirmou que a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo nem aos de hoje. A declaração também condenou o antissemitismo.
  • O peso histórico: a acusação de “deicídio” alimentou séculos de perseguição contra judeus.

5. Sionismo e sionismo cristão

  • Sionismo: é o movimento pelo direito do povo judeu de voltar à sua terra e viver ali com autodeterminação. Hoje isso significa defender o direito de Israel existir e se defender.
  • Origem política: o sionismo político começou no Primeiro Congresso Sionista, em Basileia, em 1897. A aspiração de retorno a Sião já estava na liturgia judaica havia milênios.
  • Sionismo cristão: é uma corrente, sobretudo protestante e evangélica, que apoia o retorno dos judeus à sua terra e o Estado de Israel por convicção bíblica.
  • Vertentes: não é um bloco único. Há vertentes pré-milenistas, dispensacionalistas e pós-milenistas puritanas.
  • Textos bíblicos citados:
  • Romanos 11:28–29 (“os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”);
  • o Pacto Abraâmico, em Gênesis 12, 15 e 17.

6. Não foi uma invenção de Israel

  • A cronologia: o restauracionismo cristão surgiu entre protestantes e puritanos ingleses dos séculos XVI e XVII. Isso foi muito antes de 1897 e de 1948.
  • O argumento central: não se inventa um movimento para servir um Estado que ainda não existia.
  • O registro histórico: o historiador Derek Penslar registra que o restauracionismo cristão antecedeu e acompanhou o sionismo moderno.

7. “Israel financia igrejas”: ENGANOSO

  • Falta de prova: não há nenhuma evidência pública de que Israel financie igrejas brasileiras. As postagens não trazem documento, valor, data nem nome.
  • Um formato antigo: a ideia de um poder estrangeiro oculto que manipula um povo repete a estrutura dos Protocolos dos Sábios de Sião.
  • O limite da crítica: criticar o governo de Israel é legítimo. Afirmar controle secreto sem prova não é.

8. Como os judeus veem o apoio cristão

  • Cooperação política com cautela teológica: algumas vertentes do sionismo cristão esperam a conversão dos judeus, e esse ponto é discutido com cuidado.
  • Uma aliança, não uma fabricação: Israel valoriza o apoio cristão. Essa aliança convive com o diálogo com outros públicos.

9. Antissemitismo e diálogo

  • O critério da IHRA: a JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
  • Sem ódio a ninguém: a JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
  • O inimigo tem nome: Hamas, Hezbollah e o regime iraniano. Eles não representam os cerca de 2 bilhões de muçulmanos do mundo (Pew Research Center, 2020).
  • Outro caminho é possível: Egito, Jordânia, Emirados, Bahrein e Marrocos fizeram paz com Israel. Os três últimos aderiram aos Acordos de Abraão.
  • A lei no Brasil:
  • a Constituição de 1988 protege todas as crenças;
  • a Lei 7.716/1989 torna crime a discriminação por religião.

Linha do tempo

Data Fato
26–36 d.C. Pôncio Pilatos governa a Judeia
70 d.C. Romanos destroem o Segundo Templo
132–135 d.C. Revolta de Bar Kokhba
c. 135 d.C. Romanos dão à província o nome Syria Palaestina
1609 Thomas Brightman defende o retorno literal dos judeus em Apocalypsis Apocalypseos
1621 Sir Henry Finch publica The World's Great Restitution, or The Calling of the Jews
Décadas de 1830 e 1840 Lord Shaftesbury faz campanha junto ao governo britânico pelo retorno dos judeus
1897 Primeiro Congresso Sionista, em Basileia
1917 Declaração Balfour
1948 Nasce o Estado de Israel
1965 Concílio Vaticano II promulga a Nostra Aetate
1974 Santa Sé cria a Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus
1980 Fundação da Embaixada Cristã Internacional em Jerusalém
1988 Constituição Federal garante a liberdade de crença e de culto
1989 Lei 7.716 torna crime a discriminação por religião
2019 Governo federal cria o Comitê Nacional de Liberdade de Religião ou Crença
2023 MDHC institui o Comitê Nacional de Respeito à Liberdade Religiosa

5 perguntas para discussão

  1. Saber que Jesus viveu como judeu muda a forma como você lê os Evangelhos e as festas citadas neles?
  2. Por que a cronologia (1609, 1621, 1897, 1948) desmonta a ideia de que o sionismo cristão foi “inventado para servir Israel”?
  3. Que semelhanças você vê entre a acusação “Israel compra igrejas” e o formato dos Protocolos dos Sábios de Sião? Qual é a diferença entre criticar um governo e acusar sem prova?
  4. Como podemos apoiar Israel e, ao mesmo tempo, respeitar cristãos palestinos e muçulmanos, sem generalizar contra nenhum povo ou religião?
  5. A aliança entre judeus e cristãos é descrita como cooperação política com cautela teológica. Como manter uma amizade sincera mesmo com diferenças de fé?

Glossário

  • Tanakh: a Bíblia Hebraica, adotada pelos cristãos como Antigo Testamento.
  • Torá: a Lei de Moisés, centro da vida judaica.
  • Shabat: o sábado, dia de descanso judaico.
  • Pessach: a Páscoa judaica.
  • Restauracionismo cristão: a defesa cristã, desde os séculos XVI e XVII, do retorno dos judeus à sua terra.
  • Sionismo: o movimento pelo retorno dos judeus à sua terra e pela existência de Israel.
  • Sionismo cristão: o apoio cristão a Israel por convicção bíblica.
  • Nostra Aetate: a declaração do Concílio Vaticano II (1965) que rejeitou o antissemitismo.
  • IHRA: a Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, cuja definição de antissemitismo a JJO adota.
  • Diálogo inter-religioso: o encontro organizado entre pessoas de religiões diferentes para se conhecer, conviver e cooperar, sem abrir mão da própria fé.
  • Iftar: a refeição que encerra o jejum diário do Ramadã.
  • Acordos de Abraão: os acordos de paz com Israel aos quais aderiram Emirados, Bahrein e Marrocos.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Segundo Mateus 2:1, onde Jesus nasceu?

O Evangelho de Mateus diz que Jesus nasceu em “Belém da Judeia”, sob domínio romano. Depois, ele foi criado na Galileia.

2. Quando os romanos deram à província o nome de Syria Palaestina?

O nome surgiu por volta de 135 d.C., cerca de um século depois da morte de Jesus. No tempo dele, a região era a província romana da Judeia.

3. Como o movimento dos primeiros seguidores de Jesus era conhecido no meio judaico?

O movimento era chamado de seita dos “Nazarenos” ou “O Caminho”. Ele nasceu dentro do judaísmo do Segundo Templo.

4. O que a declaração Nostra Aetate (1965) afirma sobre a morte de Jesus?

O Concílio Vaticano II rejeitou a acusação coletiva e condenou o antissemitismo. A crucificação era uma pena romana, aplicada sob Pôncio Pilatos.

5. Qual destes textos bíblicos é citado com frequência pelos sionistas cristãos?

Os sionistas cristãos costumam citar Romanos 11:28–29 (“os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis”) e o Pacto Abraâmico, em Gênesis 12, 15 e 17.

6. Em que ano Thomas Brightman defendeu o retorno literal dos judeus à sua terra?

Brightman escreveu em 1609, em Apocalypsis Apocalypseos. Isso foi quase três séculos antes do Primeiro Congresso Sionista.

7. Qual é o veredito sobre a frase “o sionismo cristão foi inventado para servir Israel”?

A frase é FALSA. O restauracionismo cristão surgiu nos séculos XVI e XVII, antes de 1897 e de 1948. Não se inventa um movimento para servir um Estado que ainda não existia.

8. O que se sabe sobre a alegação de que Israel financia igrejas evangélicas no Brasil?

As postagens não trazem documento, valor, data nem nome. A ideia de um poder estrangeiro oculto repete a estrutura dos Protocolos dos Sábios de Sião.

9. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, negar o direito de Israel existir é:

A JJO adota a definição da IHRA. Por esse critério, negar o direito de Israel existir é antissemitismo. Criticar o governo de Israel, por outro lado, é legítimo.

10. Quais países de maioria muçulmana aderiram aos Acordos de Abraão?

Egito, Jordânia, Emirados, Bahrein e Marrocos fizeram paz com Israel. Desses, os três últimos aderiram aos Acordos de Abraão.

Cartões de estudo

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