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Um roteiro pelas sinagogas históricas do Brasil

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre Um roteiro pelas sinagogas históricas do Brasil, para escolas, turismo pedagógico e famílias.

Para: escolas, turismo pedagógico e famíliasPodcast: 11 minSlides: 16
Foto: Fachada da sinagoga Kahal Zur Israel. User:Dantadd · CC BY-SA 2.5 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 5,0 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, bem-vindas e bem-vindos ao Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi. Oi, gente!

Lia: Hoje a gente vai fazer uma viagem diferente: um roteiro pelas sinagogas históricas do Brasil. Vamos passar pelo Recife, por Belém, por Manaus, pelo Rio de Janeiro e por São Paulo.

Davi: Uma viagem com mala leve e muita história. Mas, Lia, por que esse tema importa para quem está ouvindo agora, numa sala de aula ou num ônibus de turismo pedagógico?

Lia: Porque essas sinagogas contam uma parte da história do Brasil que muita gente não conhece. A presença judaica aqui não começou ontem. Os judeus estão no Brasil desde 1500.

Davi: Desde a chegada de Cabral?

Lia: Isso mesmo. A esquadra de Pedro Álvares Cabral já trazia o cristão-novo Gaspar da Gama. Cristão-novo era o nome dado aos judeus convertidos à força ao catolicismo e a seus descendentes.

Davi: E muitos foram perseguidos pela Inquisição, não é?

Lia: Foram. Por isso, durante muito tempo, viver abertamente como judeu era impossível na América portuguesa. E é exatamente aí que começa a nossa primeira parada.

Davi: Então vamos ao Recife!

Lia: Vamos. Entre 1630 e 1654, parte do Nordeste foi governada pelos holandeses.

Davi: E o que isso mudou para os judeus?

Lia: Mudou tudo. Sob a administração de Maurício de Nassau, havia liberdade religiosa. Isso atraiu judeus sefarditas vindos de Amsterdã. E permitiu que cristãos-novos locais voltassem a viver abertamente como judeus.

Davi: E foi aí que nasceu a sinagoga?

Lia: Foi. A Kahal Zur Israel, que quer dizer "Rochedo de Israel", é tradicionalmente datada de 1636. Ela é considerada a primeira sinagoga das Américas.

Davi: Das Américas inteiras. Isso é impressionante. Onde ela ficava?

Lia: Na antiga Rua dos Judeus, que hoje se chama Rua do Bom Jesus.

Davi: Imagino que uma sinagoga precisa de um rabino. Ele veio de onde?

Lia: De Amsterdã. Em 1642 chegou o rabino Isaac Aboab da Fonseca, o primeiro rabino formalmente empossado nas Américas.

Davi: E ele deixou alguma marca escrita?

Lia: Deixou. Em 1646, ele escreveu um texto considerado o primeiro composto em hebraico nas Américas.

Davi: E a comunidade era grande?

Lia: Era significativa. Na época, os judeus chegaram a ser cerca de um terço da população livre do Recife.

Davi: Uau. E havia mais de uma congregação?

Lia: Havia uma segunda, a Magen Abraham, na vizinha Maurícia. Em 1648, as duas se uniram, com a assinatura de 172 membros.

Davi: Mas essa história tem um fim triste, não tem?

Lia: Tem. Em 1654, os portugueses retomaram o Recife. Judeus e holandeses receberam três meses para vender seus bens e partir.

Davi: E para onde foram essas famílias?

Lia: Muitos voltaram a Amsterdã. Outros foram para o Caribe, como Curaçao e Barbados.

Davi: E tem uma parte que sempre aparece nas aulas: a ligação com Nova York.

Lia: Exatamente, e aqui vale cuidado. Um grupo de 23 pessoas chegou a Nova Amsterdã, colônia holandesa que depois virou Nova York.

Davi: Então eles fundaram Nova York?

Lia: Não, isso é uma simplificação errada. A cidade já existia. Eles ajudaram a formar a primeira comunidade judaica organizada de lá, a Congregação Shearith Israel.

Davi: E os que ficaram para trás?

Lia: Os que ficaram sob domínio português voltaram a ser perseguidos pelo Santo Ofício.

Davi: E o prédio da sinagoga, o que aconteceu com ele?

Lia: Foi fechado e alterado ao longo dos séculos. Até que, entre 1999 e 2000, escavações arqueológicas identificaram o local.

Davi: Quem coordenou esse trabalho?

Lia: O arqueólogo Marcos Albuquerque, da UFPE. A equipe encontrou as fundações originais e a mikvê, a piscina de banho ritual judaico.

Davi: E hoje dá para ver isso?

Lia: Dá. O prédio atual é fruto de reconstrução, mas sob o piso estão as estruturas do século dezessete, visíveis ao visitante. O espaço abriga o Centro Cultural Judaico de Pernambuco, reaberto em dezembro de 2001.

Davi: Que parada incrível. Agora vamos dar um salto no tempo e no mapa: para a Amazônia.

Lia: Vamos. Aqui entram os judeus marroquinos. Eles descendiam dos sefarditas expulsos da Espanha e de Portugal, que durante séculos viveram no Marrocos.

Davi: E por que saíram do Marrocos?

Lia: Por uma soma de pressões. Lá, os judeus viviam como dhimmi, súditos apenas tolerados, em bairros chamados mellahs.

Davi: E o que empurrou a emigração?

Lia: Superlotação dos mellahs, crises econômicas, epidemias de cólera e perseguições. Eles buscavam liberdade religiosa e oportunidades.

Davi: E encontraram isso no Brasil?

Lia: Encontraram. Em 1810, D. João VI assinou o Tratado de Navegação e Comércio. E a Constituição de 1824 garantiu a liberdade de culto privado.

Davi: E o que eles faziam na Amazônia?

Lia: Muitos eram regatões, comerciantes que percorriam os rios levando tecidos, ferramentas, alimentos e remédios aos seringueiros. Em troca, recebiam borracha, castanha e óleos vegetais.

Davi: E falavam português?

Lia: Também, mas trouxeram a hakitía, um dialeto que mistura espanhol antigo, português, hebraico e árabe marroquino.

Davi: Que mistura bonita. E as sinagogas?

Lia: Em Belém nasceram as primeiras sinagogas do Brasil independente. A Shaar Hashamaim é considerada a mais antiga do Brasil independente.

Davi: Desde quando?

Lia: A data varia: os registros vão de 1823 a 1829. Parte da diferença vem de datas distintas, a da congregação e a do prédio.

Davi: Como assim?

Lia: No início, a comunidade rezava numa residência, na Rua da Indústria. O templo atual, em estilo neomourisco e inspirado no Templo Maior de Florença, foi inaugurado em 8 de outubro de 1940.

Davi: E Belém tem outra sinagoga histórica, não é?

Lia: Tem a Essel Abraham, na Rua Campos Sales. E, em 1842, a comunidade criou o cemitério judaico de Soledade.

Davi: E Manaus?

Lia: A comunidade de Manaus cresceu quando a economia da borracha entrou em colapso, na década de 1920. Muitas famílias deixaram os seringais e foram para as capitais.

Davi: E qual é a sinagoga de lá?

Lia: A Beth Yaacov, ligada ao nome de Isaac Israel Benchimol. Muitos registros apontam sua fundação em 1928.

Davi: Era a única?

Lia: Não. Houve também a Rebi Meyr, fundada em 1945. Em janeiro de 1962, as duas se unificaram na Beth Yaacov / Rebi Meyr.

Davi: E Manaus tem uma história curiosa de um rabino, não tem?

Lia: Tem. O rabino Shalom Emanuel Muyal, vindo de Jerusalém, morreu em Manaus em 1910. Seu túmulo, no Cemitério São João Batista, virou local de devoção para judeus e católicos. Ele é conhecido como o "rabino santo".

Davi: Que lindo exemplo de convivência. Bora para o Sudeste?

Lia: Bora. No Rio de Janeiro, a instituição religiosa judaica em funcionamento contínuo mais antiga é a União Shel Guemilut Hassadim, também criada por imigrantes marroquinos.

Davi: E o grande marco carioca?

Lia: É o Grande Templo Israelita, na Rua Tenente Possolo, perto da Praça Onze, o antigo centro da vida judaica carioca.

Davi: Quando ele foi construído?

Lia: Foi projetado pelo rabino polonês Isaias Raffalovich. A obra começou em 1925 e a inauguração foi em 1932.

Davi: E por que ele é tão especial?

Lia: É apontado como a primeira edificação do Brasil projetada desde o início para ser uma grande sinagoga. E foi tombado pelo Iphan em 1987.

Davi: E em São Paulo?

Lia: A mais antiga é a Kehilat Israel, de 1912, na Rua da Graça, no Bom Retiro. Restaurada em 2016, abriga o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto.

Davi: E o templo mais conhecido?

Lia: É o antigo Templo Beth-El, na Rua Martinho Prado, ligado às famílias Klabin e Lafer. O arquiteto Samuel Roder o projetou em estilo bizantino.

Davi: Ouvi dizer que a planta tem um significado.

Lia: Tem. Ela tem sete lados, que representam os sete dias da Criação.

Davi: E hoje?

Lia: Hoje é o Museu Judaico de São Paulo. Foi tombado pelo Conpresp em 2013 e reaberto em dezembro de 2021.

Davi: E a Congregação Israelita Paulista?

Lia: Ela nasceu em 1936, fundada por judeus alemães refugiados do nazismo, sob a liderança do rabino Fritz Pinkuss. O templo principal é do arquiteto Henrique Mindlin.

Davi: Lia, antes de fechar: quem quiser fazer esse roteiro de verdade, pode entrar em todas?

Lia: Boa pergunta. Os espaços com visitação regular são a Kahal Zur Israel, que está no roteiro Recife Sagrado, e o Museu Judaico de São Paulo.

Davi: E as outras?

Lia: São templos em uso. Em Belém, Manaus e no Rio, peça autorização antes e evite os horários de reza. Estar aberta ao culto não significa estar aberta ao turismo.

Davi: E sempre confirmar os horários antes de ir.

Lia: Sempre. E lembrar também que valor histórico não é o mesmo que tombamento. Tombamento só existe com ato do órgão competente.

Davi: Vamos às três ideias-chave?

Lia: Vamos. Primeira: a presença judaica no Brasil começou com a colonização, e o Recife abriga a primeira sinagoga das Américas.

Davi: Segunda: os judeus marroquinos fundaram na Amazônia as primeiras sinagogas do Brasil independente e formam a comunidade judaica de presença contínua mais antiga do país independente.

Lia: Terceira: cada sinagoga, do Recife a São Paulo, guarda a memória de famílias que buscaram liberdade, foram perseguidas, recomeçaram e ajudaram a construir o Brasil.

Davi: E essa história é parte da história de todos os brasileiros.

Lia: Obrigada por viajar com a gente. Mais materiais em jjo.org.br.

Davi: Até o próximo Contexto!

Apresentação pronta para usar

16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.

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Guia de estudo

Guia de estudo da JJO (Juventude Judaica Organizada) para escolas, turismo pedagógico e famílias

Objetivos

Ao final deste estudo, o participante será capaz de:

  1. Identificar a Kahal Zur Israel, no Recife, como a primeira sinagoga do Brasil e a primeira sinagoga formal das Américas.
  2. Explicar por que o domínio holandês (1630–1654) permitiu uma vida judaica aberta no Nordeste e o que aconteceu com a comunidade em 1654.
  3. Reconhecer as sinagogas de Belém e Manaus como herança dos judeus sefarditas vindos do Marrocos.
  4. Conhecer os principais templos históricos do Rio de Janeiro e de São Paulo.
  5. Diferenciar valor histórico, tombamento e abertura ao turismo.
  6. Compreender a presença judaica no Brasil como parte da identidade nacional e reconhecer o antissemitismo quando ele aparece.

Conceitos-chave

  • Sinagoga: casa de oração, de estudo e de vida comunitária judaica.
  • Sefarditas e asquenazitas:
  • Os sefarditas descendem dos judeus da Península Ibérica, expulsos da Espanha (1492) e de Portugal (1497). Muitos viveram depois em Amsterdã, no Marrocos ou no antigo Império Otomano.
  • Os asquenazitas vieram sobretudo da Europa Central e Oriental.
  • Cristãos-novos: judeus convertidos ao catolicismo, quase sempre à força, e seus descendentes. Chegaram ao Brasil desde 1500 e foram perseguidos pela Inquisição.
  • Mikvê: piscina de banho ritual judaico. A mikvê do século XVII foi reencontrada sob a sinagoga do Recife.
  • Tombamento: proteção legal do patrimônio. Só existe com ato do órgão competente (Iphan, órgão estadual ou municipal).
  • Valor histórico × tombamento × visitação: três coisas diferentes.
  • Um prédio pode ter grande valor histórico sem ser tombado.
  • Uma sinagoga aberta ao culto não está, necessariamente, aberta ao turismo.

O roteiro, cidade por cidade

Recife: Kahal Zur Israel (1636–1637)

  • O nome significa “Sagrada Comunidade Rochedo de Israel”.
  • Sob a administração holandesa de Maurício de Nassau, havia uma liberdade religiosa que não existia na América portuguesa.
  • A sinagoga ficava na antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus.
  • Em 1642 chegou de Amsterdã o rabino Isaac Aboab da Fonseca, o primeiro rabino formalmente empossado nas Américas.
  • Os judeus chegaram a ser cerca de um terço da população livre do Recife.
  • Em 1654 os portugueses retomaram a cidade, e a comunidade teve três meses para vender seus bens e partir.
  • Um grupo de 23 pessoas chegou a Nova Amsterdã, futura Nova York, e ajudou a formar a Congregação Shearith Israel. Atenção: eles fundaram a comunidade judaica local, não a cidade.
  • Escavações coordenadas pelo arqueólogo Marcos Albuquerque (UFPE), entre 1999 e 2000, encontraram as fundações originais e a mikvê.
  • O espaço reabriu em dezembro de 2001 como Centro Cultural Judaico de Pernambuco / Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco.

Belém: as primeiras sinagogas do Brasil independente

  • A partir de 1810, judeus sefarditas vindos do Marrocos fixaram-se no Pará e no Amazonas.
  • Saíram de lá pressionados pela condição de dhimmi (súditos apenas tolerados), pela superlotação dos mellahs, por crises econômicas, epidemias de cólera e perseguições pontuais.
  • Shaar Hashamaim: apontada como a mais antiga do Brasil independente, com datas entre 1823 e 1829, conforme o registro. O templo atual, em estilo neomourisco e inspirado no Templo Maior de Florença, foi inaugurado em 8 de outubro de 1940.
  • Essel Abraham (Eshel Avraham): fica na Rua Campos Sales. A comunidade é datada de 1824 ou de 1826–1828, e o edifício conhecido, de 1889–1892.
  • Em 1842 a comunidade criou o cemitério judaico de Soledade.

Manaus: Beth Yaacov / Rebi Meyr

  • A Beth Yaacov foi criada por imigrantes marroquinos e seus descendentes, no contexto do ciclo da borracha.
  • As datas variam: 1928–1929, ou organização na Praça da Saudade em 1937, sob a liderança de Isaac Israel Benchimol.
  • A Rebi Meyr foi fundada em 1945.
  • Em janeiro de 1962 as duas se unificaram.
  • Manaus guarda também o túmulo do rabino Shalom Emanuel Muyal, vindo de Jerusalém e morto em 1910, conhecido como o “rabino santo”.

Rio de Janeiro

  • União Shel Guemilut Hassadim (1840/1850): criada por imigrantes marroquinos, é a instituição religiosa judaica em funcionamento contínuo mais antiga da cidade.
  • Grande Templo Israelita: fica na Rua Tenente Possolo, perto da Praça Onze, e foi projetado pelo rabino Isaias Raffalovich. Começou a ser construído em 1925, foi inaugurado em 1932 e tombado pelo Iphan em 1987. É a primeira edificação do Brasil projetada desde o início para ser uma grande sinagoga.
  • Tiferet Israel (Nilópolis, 1928): erguida por asquenazitas da Polônia e da Rússia. Foi casa de oração, escola de iídiche e centro comunitário.

São Paulo

  • Kehilat Israel (1912, Bom Retiro): a mais antiga da cidade. Restaurada em 2016, abriga o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto.
  • Templo Beth-El (1929–1932): idealizado pela Congregação Israelita Asquenazi, liderada pelas famílias Klabin e Lafer. O arquiteto Samuel Roder o projetou em estilo bizantino, com planta de sete lados que representa os sete dias da Criação. Foi tombado pelo Conpresp em 2013 e reaberto em dezembro de 2021 como Museu Judaico de São Paulo.
  • Outras casas históricas:
  • Knesset Israel (1916).
  • Ohel Yaacov (1924), fundada por sefarditas do antigo Império Otomano.
  • Congregação Israelita Paulista (1936), fundada por judeus alemães refugiados do nazismo, sob a liderança do rabino Fritz Pinkuss. Seu templo principal, modernista, é do arquiteto Henrique Mindlin.

Linha do tempo

Ano Acontecimento
1492 / 1497 Expulsão dos judeus da Espanha e de Portugal
1500 Cristãos-novos chegam com a colonização portuguesa
1630–1654 Domínio holandês no Nordeste, com liberdade de culto
1636–1637 Fundação da Kahal Zur Israel, no Recife
1642 Chegada do rabino Isaac Aboab da Fonseca
1648 União com a Magen Abraham, de Maurícia (mais de 170 assinaturas)
1654 Reconquista portuguesa e saída da comunidade; 23 pessoas chegam a Nova Amsterdã
1810 Tratado de Navegação e Comércio; início da imigração de judeus marroquinos para a Amazônia
1823 José Benjó obtém a cidadania brasileira e uma licença comercial no Pará
1824 A Constituição garante a liberdade de culto privado
1823–1829 Fundação da Shaar Hashamaim, em Belém (data conforme o registro)
1842 Criação do cemitério judaico de Soledade, em Belém
1912 Kehilat Israel, a sinagoga mais antiga de São Paulo
1925–1932 Construção e inauguração do Grande Templo Israelita, no Rio
1928 Tiferet Israel, em Nilópolis; Beth Yaacov, em Manaus (1928–1929)
1929–1932 Templo Beth-El, em São Paulo
1940 Inauguração do templo atual da Shaar Hashamaim (8 de outubro)
1947 O brasileiro Oswaldo Aranha preside a sessão da Assembleia Geral da ONU que aprovou o Plano de Partilha e abriu caminho para o Estado de Israel
1962 Unificação da Beth Yaacov com a Rebi Meyr, em Manaus
1987 Tombamento do Grande Templo Israelita pelo Iphan
1999–2000 Escavações reencontram as fundações e a mikvê da Kahal Zur Israel
2001 Reabertura da sinagoga do Recife ao público (dezembro)
2013 Tombamento do Beth-El pelo Conpresp
2021 O Beth-El reabre como Museu Judaico de São Paulo (dezembro)

Dicas para a visita

  • Recife e São Paulo: a Kahal Zur Israel e o Museu Judaico de São Paulo têm visitação regular. Confirme os horários antes.
  • Na Kahal Zur Israel, a sinagoga faz parte do roteiro municipal Recife Sagrado. Confirme com o Arquivo Histórico Judaico de Pernambuco.
  • No Museu Judaico, consulte o site da instituição.
  • Belém, Manaus e Rio: as sinagogas históricas são locais de culto ativos. Peça autorização à comunidade e evite os horários de reza.

5 perguntas para discussão

  1. Por que a liberdade religiosa do período holandês foi decisiva para que surgisse a primeira sinagoga das Américas no Recife? O que a expulsão de 1654 nos ensina sobre a fragilidade dessa liberdade?
  2. Os judeus marroquinos deixaram uma condição de súditos apenas tolerados e encontraram no Brasil liberdade religiosa e oportunidades. Como essa história se relaciona com a ideia de cidadania plena?
  3. Por que é errado dizer que “os judeus do Recife fundaram Nova York”? Qual é a formulação correta?
  4. Qual é a diferença entre valor histórico, tombamento e abertura à visitação? Dê exemplos do roteiro.
  5. A comunidade judaica brasileira é plural, inclusive nas opiniões sobre Israel. Por que cobrar de um judeu brasileiro as decisões de um governo estrangeiro é preconceito?

Glossário curto

  • Chazan (pl. chazanim): cantor da liturgia. No interior da Amazônia, os chefes de família conduziam as rezas em casa.
  • Dhimmi: condição de súdito apenas tolerado, vivida pelos judeus no Marrocos.
  • Hakitía: dialeto dos judeus marroquinos que mistura espanhol antigo, português, hebraico e árabe marroquino.
  • Judeus-caboclos: nome dado pelos historiadores à sociedade criada pelos judeus marroquinos na Amazônia.
  • Mellah: bairro judaico nas cidades marroquinas.
  • Mikvê: piscina de banho ritual judaico.
  • Regatão: comerciante que percorria os rios amazônicos em barcos.
  • Tombamento: proteção legal de um bem cultural por ato de órgão competente.

Para fechar

As sinagogas históricas do Brasil mostram que a vida judaica faz parte da formação do país há séculos: do Recife holandês às margens dos rios amazônicos, do Rio de Janeiro ao Bom Retiro.

Conhecer esse patrimônio é também reconhecer o antissemitismo quando ele aparece. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA. Segundo essa definição, é antissemita responsabilizar os judeus coletivamente pelas ações do Estado de Israel, e negar o direito de Israel existir também é antissemitismo. No Brasil, a Lei 7.716/1989 pune a discriminação por religião, etnia ou procedência nacional. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Qual é a primeira sinagoga do Brasil e a primeira sinagoga formal das Américas?

A Kahal Zur Israel foi fundada no Recife em 1636–1637, durante o domínio holandês, e é apresentada como a primeira sinagoga formal das Américas.

2. A antiga Rua dos Judeus, onde ficava a Kahal Zur Israel, corresponde hoje a qual rua do Recife?

A congregação se instalou na antiga Rua dos Judeus, atual Rua do Bom Jesus. As escavações foram feitas no subsolo dos números 197 e 203.

3. Quem chegou de Amsterdã ao Recife em 1642 e foi o primeiro rabino formalmente empossado nas Américas?

O rabino Isaac Aboab da Fonseca chegou em 1642. Em 1646, escreveu o texto considerado o primeiro em hebraico composto nas Américas.

4. O que as escavações arqueológicas de 1999–2000 encontraram no subsolo da sinagoga do Recife?

A equipe coordenada pelo arqueólogo Marcos Albuquerque, da UFPE, encontrou as fundações originais e a mikvê, a piscina de banho ritual judaico. Hoje elas são visíveis ao visitante.

5. Após a reconquista portuguesa do Recife, em 1654, um grupo de judeus chegou a Nova Amsterdã. Qual afirmação é correta?

Um grupo de 23 pessoas chegou em setembro de 1654 e ajudou a formar a Congregação Shearith Israel. A cidade já existia como colônia holandesa; eles fundaram a comunidade judaica local.

6. Qual é o estilo do templo atual da Shaar Hashamaim, em Belém, inaugurado em 8 de outubro de 1940?

O templo atual, na Rua Arcipreste Manoel Teodoro, tem estilo neomourisco e foi inspirado no Templo Maior de Florença.

7. O que representa a planta de sete lados do antigo Templo Beth-El, em São Paulo?

Projetado em estilo bizantino pelo arquiteto Samuel Roder, o Beth-El tem planta de sete lados que representa os sete dias da Criação. Reabriu em dezembro de 2021 como Museu Judaico de São Paulo.

8. Qual sinagoga histórica foi tombada pelo Iphan em 1987 e é apontada como a primeira edificação do Brasil projetada desde o início para ser uma grande sinagoga?

O Grande Templo Israelita, na Rua Tenente Possolo, perto da Praça Onze, foi construído entre 1925 e 1932 e tombado pelo Iphan em 1987.

9. Em janeiro de 1962, duas sinagogas de Manaus se unificaram. Quais?

A Beth Yaacov, criada por imigrantes marroquinos, e a Rebi Meyr, fundada em 1945, unificaram-se em janeiro de 1962, formando a sinagoga Beth Yaacov / Rebi Meyr.

10. Qual é a sinagoga mais antiga de São Paulo?

A Kehilat Israel, de 1912, fica na Rua da Graça, no Bom Retiro. Foi restaurada em 2016 e abriga o Memorial da Imigração Judaica e do Holocausto.

Cartões de estudo

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