Foto: Praça dos Reféns, junto ao museu de Tel Aviv-Jaffa. זאב שטיין · CC BY 2.5 · Wikimedia CommonsOuça: Podcast Contexto
Uma conversa de 13 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (13 min, 5,8 MB).
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Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO.
Davi: E eu sou o Davi. Oi, pessoal.
Lia: Hoje vamos falar de um tema que tocou famílias no mundo inteiro: os reféns levados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023 e os acordos que trouxeram essas pessoas de volta.
Davi: É um assunto que aparece todo dia no noticiário, cheio de números e de nomes. E é fácil se perder.
Lia: Por isso ele importa. Para quem é pai, mãe ou professor, ou para quem escreve sobre o tema, entender o que aconteceu com os reféns ajuda a separar fato de boato. E também ajuda a entender por que cada trégua foi negociada do jeito que foi.
Davi: Então vamos começar pelo começo. Lia, quantas pessoas foram sequestradas naquele dia?
Lia: Os terroristas do Hamas e de outros grupos levaram 251 pessoas para a Faixa de Gaza. Isso aconteceu durante um ataque que matou cerca de 1.200 pessoas em Israel, a maioria civis.
Davi: E quem eram essas 251 pessoas?
Lia: A grande maioria era civil, cerca de 201 delas. As idades iam de um bebê de 9 meses a idosos de 85 anos. Pelo menos 35 crianças foram sequestradas, e 10 delas tinham menos de 5 anos.
Davi: Isso é muito difícil de ouvir.
Lia: É. E havia gente de todo tipo. Famílias inteiras dos kibutzim perto da fronteira, como Be'eri, Nir Oz, Nir Yitzhak e Kfar Aza. Só de Nir Oz foram levadas 72 pessoas: 35 mulheres, 14 crianças e 21 idosos com mais de 65 anos. Entre os idosos havia sobreviventes do Holocausto.
Davi: E os jovens do festival Nova também.
Lia: Sim. Cerca de 40 pessoas foram sequestradas no festival, entre elas Noa Argamani e Avinatan Or. Segundo a BBC, os dois foram separados logo depois do sequestro.
Davi: E não eram só israelenses, certo?
Lia: Não. Havia trabalhadores agrícolas da Tailândia e das Filipinas e estudantes de agronomia do Nepal e da Tanzânia. Também havia pessoas com dupla cidadania, como norte-americanos, britânicos e russos. E havia membros das forças de segurança, como jovens soldadas observadoras capturadas em bases na fronteira.
Davi: Uma pergunta que muita gente faz: por que sequestrar civis?
Lia: O próprio Hamas respondeu. Um dia depois do ataque, o dirigente Mahmoud Mardawi disse que os reféns seriam um "cartão estratégico". Ou seja, uma moeda de troca para forçar Israel a libertar presos palestinos.
Davi: E isso é permitido em alguma guerra?
Lia: Nunca. A Quarta Convenção de Genebra, no artigo 34, proíbe a tomada de reféns em qualquer circunstância. É crime de guerra mesmo que os cativos sejam bem tratados.
Davi: E eles não foram bem tratados.
Lia: Esse é o nosso segundo bloco. Davi, como foi a vida desses reféns em Gaza?
Davi: Eles ficaram em túneis e em casas dentro de bairros densamente povoados, controlados pelo Hamas, por outros grupos e por clãs locais. O Hamas negou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha qualquer acesso a eles.
Lia: Nenhuma visita, em momento algum.
Davi: Nenhuma. Em túneis sob áreas urbanas e sob hospitais, como Shifa e Nasser, as FDI encontraram celas e vestígios de DNA. E encontraram algo que me marcou muito: pacotes de remédios lacrados com os nomes dos reféns, que nunca foram entregues a eles.
Lia: E o que os médicos viram quando os reféns voltaram?
Davi: Fome e desnutrição severa, com grande perda de massa muscular. Falta de higiene, com piolhos e escabiose. Ferimentos de tiro e de estilhaços do dia do ataque, mal tratados. E doenças crônicas que pioraram, como diabetes, insuficiência cardíaca e hipertensão.
Lia: E os que ficaram mais tempo chegaram ainda pior.
Davi: Exatamente. Os reféns libertados no início de 2025, depois de mais de 400 dias de cativeiro, chegaram em estado físico e mental ainda pior.
Lia: Também houve violência sexual. Em março de 2024, a representante especial da ONU Pramila Patten relatou informação "clara e convincente" de estupro, tortura sexualizada e tratamento cruel contra reféns. Ex-reféns como Amit Soussana e Aviva Siegel contaram publicamente o que sofreram.
Davi: É importante falar disso com cuidado, mas falar. Essas pessoas tiveram coragem de contar.
Lia: E muitos não voltaram com vida.
Davi: Pelo menos 85 reféns morreram ou foram declarados mortos. Alguns foram assassinados no próprio 7 de outubro e levados mortos para Gaza. Outros morreram no cativeiro.
Lia: E houve o caso de Rafah.
Davi: No fim de agosto de 2024, as FDI encontraram num túnel em Rafah os corpos de seis jovens reféns: Hersh Goldberg-Polin, Carmel Gat, Eden Yerushalmi, Ori Danino, Alexander Lobanov e Almog Sarusi. As autópsias mostraram que eles foram executados a tiros, a curta distância, pouco antes da chegada das tropas.
Lia: Vale lembrar os nomes deles. São pessoas, não números.
Davi: Agora, Lia, como essas pessoas saíram de Gaza?
Lia: De três formas: libertações pontuais, resgates militares e trocas negociadas. Começando pelas primeiras: em outubro de 2023, o Hamas libertou quatro reféns civis, entre elas as idosas Yocheved Lifshitz e Nurit Cooper. E a soldada Ori Megidish foi resgatada viva pelas FDI.
Davi: E os resgates continuaram depois.
Lia: Ao todo, as FDI resgataram oito reféns vivos em operações baseadas em inteligência. Em 12 de fevereiro de 2024, Fernando Simon Marman e Louis Har foram resgatados em Rafah. Em junho de 2024, quatro reféns foram resgatados vivos em Nuseirat. E, em 27 de agosto de 2024, Qaid Farhan al-Qadi, um beduíno israelense, foi resgatado de um túnel.
Davi: Mas a maioria voltou por acordos. Esse é o nosso terceiro bloco: as tréguas.
Lia: Foram três cessar-fogos negociados, e todos trouxeram reféns de volta. O primeiro foi em novembro de 2023.
Davi: Como funcionou?
Lia: Foi uma pausa de sete dias, a partir de 24 de novembro, mediada por Catar, Egito e Estados Unidos. A proporção era de três prisioneiros palestinos por refém. Voltaram 105 reféns civis, 81 israelenses e 24 estrangeiros, a maioria mães e crianças. Israel libertou 240 presos e detidos palestinos.
Davi: Tem uma história desse período que eu queria contar. Agam Goldstein-Almog saiu com a família em 26 de novembro, depois de 51 dias de cativeiro. Segundo as FDI, o Hamas havia assassinado o pai e a irmã dela.
Lia: E por que essa trégua acabou?
Davi: Ela terminou em 1º de dezembro de 2023. Segundo Israel, o Hamas deixou de entregar uma nova lista de mulheres e crianças e voltou a disparar foguetes contra o território israelense.
Lia: Depois veio o acordo de janeiro de 2025.
Davi: Esse entrou em vigor em 19 de janeiro de 2025 e tinha três fases. A primeira, de 42 dias, previa a libertação de 33 reféns, com prioridade para mulheres, crianças, idosos e feridos. Na prática, o Hamas e outros grupos entregaram 25 reféns vivos e oito corpos. Em troca, Israel libertou cerca de 1.900 presos e detidos palestinos, segundo a BBC.
Lia: E aí a guerra voltou. Muita gente diz que Israel rompeu a trégua. O que aconteceu de fato?
Davi: Israel retomou as operações em 18 de março de 2025, mas a primeira fase já tinha terminado. A segunda fase nunca foi fechada. Israel propôs estender a primeira, e o Hamas exigiu passar direto à segunda sem resolver o desarmamento. Ao aprovar o acordo, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu já tinha avisado que a guerra poderia voltar se a segunda fase fracassasse.
Lia: Então a frase "Israel nunca quis cessar-fogo" não se sustenta.
Davi: Não se sustenta. Israel aceitou três tréguas, e todas trouxeram reféns para casa.
Lia: E a terceira foi o plano de outubro de 2025.
Davi: É o plano de 20 pontos apresentado pelos Estados Unidos em 29 de setembro de 2025. A trégua entrou em vigor em 9 e 10 de outubro. O Hamas mantinha 48 reféns: 20 vivos e 28 mortos. Os 20 vivos voltaram para casa em 13 de outubro de 2025.
Lia: E os corpos?
Davi: De início, a Reuters registrou que só parte dos corpos foi entregue, e Israel cobrou o cumprimento integral. O último corpo foi recuperado em 26 de janeiro de 2026. Depois, as FDI anunciaram que todos os reféns tinham sido devolvidos da Faixa de Gaza a Israel.
Lia: Para as famílias, isso importa muito. O fim do cativeiro só se completa quando o último corpo volta para casa e pode ser sepultado.
Davi: No total, 136 reféns voltaram vivos.
Lia: Davi, quem negociou esses acordos? Israel sentou com o Hamas?
Davi: Não. As negociações foram indiretas, com mediação do Catar, do Egito e dos Estados Unidos. O Catar foi o principal canal com o Hamas. E um cessar-fogo não é reconhecimento político. Israel trata o Hamas como grupo terrorista e negocia por meio de terceiros para libertar seus cidadãos.
Lia: E o plano de outubro também teve apoio internacional.
Davi: Teve. O Conselho de Segurança da ONU endossou o plano na Resolução 2803, em 17 de novembro de 2025. Mas a questão central segue aberta: o Hamas disse aceitar libertar todos os reféns, mas não aceitou os pontos de segurança, incluindo o desarmamento.
Lia: Uma última dúvida que aparece muito: os presos palestinos são "reféns" como os israelenses?
Davi: Não. Refém é quem é capturado para forçar um governo a ceder, como fez o Hamas. Os presos palestinos estão sob o sistema legal de um Estado: há condenados, acusados à espera de julgamento, detidos administrativos e detidos de Gaza durante a guerra. Críticos questionam a detenção sem acusação, e Israel responde que é uma medida preventiva sob revisão judicial. Mas a diferença essencial continua.
Lia: E precisamos dizer uma coisa com clareza: a responsabilidade é do Hamas, não do povo palestino. O sofrimento de civis palestinos também é real.
Davi: Sem dúvida.
Lia: Vamos fechar com três ideias-chave. Primeira: em 7 de outubro de 2023, o Hamas e outros grupos sequestraram 251 pessoas, a maioria civis, de um bebê de 9 meses a idosos de 85 anos. E tomar reféns é crime de guerra em qualquer circunstância.
Davi: Segunda: os reféns sofreram fome, falta de cuidados médicos e violência, sem nenhum acesso da Cruz Vermelha. Pelo menos 85 morreram ou foram declarados mortos, e 136 voltaram vivos.
Lia: Terceira: Israel aceitou três tréguas, em novembro de 2023, janeiro de 2025 e outubro de 2025, e todas trouxeram reféns de volta. A questão que segue aberta é o desarmamento do Hamas.
Davi: Obrigado por ouvir o Contexto. Se este episódio foi útil, compartilhe com sua família, seus alunos ou seus colegas de redação.
Lia: Mais materiais em jjo.org.br. Até o próximo episódio.
Guia de estudo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste estudo, você será capaz de: 1. Explicar o que aconteceu em 7 de outubro de 2023 e por que a tomada de reféns é um crime de guerra. 2. Descrever quem eram os reféns e como foram tratados no cativeiro. 3. Comparar os três cessar-fogos (novembro de 2023, janeiro de 2025 e outubro de 2025): o que cada um previa e o que entregou. 4. Identificar os mediadores e o papel de cada um. 5. Responder com fatos a alegações comuns, como “os reféns foram bem tratados” ou “Israel nunca quis cessar-fogo”. 6. Diferenciar o povo palestino do grupo terrorista Hamas.
Conceitos-chave
O ataque que começou a guerra
Em 7 de outubro de 2023, por volta das 6h30, terroristas do Hamas e de outros grupos invadiram o sul de Israel a partir de Gaza, sob uma barragem de milhares de foguetes. O dia era um sábado e coincidia com o feriado judaico de Simchat Torah. Cerca de 1.200 pessoas foram mortas, a maioria civis, e 251 foram sequestradas para Gaza. O 7 de outubro é lembrado como o dia em que mais judeus foram mortos num único dia desde o Holocausto.
Quem eram os reféns
- Cerca de 201 das 251 pessoas eram civis.
- As idades iam de um bebê de 9 meses a idosos de 85 anos.
- Pelo menos 35 crianças foram sequestradas, 10 delas com menos de 5 anos. As contagens variam conforme o critério.
- Só do kibutz Nir Oz foram levadas 72 pessoas.
- Cerca de 40 pessoas foram sequestradas no festival Nova.
- Entre os reféns havia sobreviventes do Holocausto, soldadas observadoras e estrangeiros. Os estrangeiros incluíam trabalhadores da Tailândia e das Filipinas e estudantes do Nepal e da Tanzânia.
- O total de 251 inclui pessoas mortas em Israel cujos corpos foram levados para Gaza.
Por que tomar reféns é crime
O artigo 34 da Quarta Convenção de Genebra proíbe a tomada de reféns em qualquer circunstância, mesmo que os cativos sejam bem tratados. Um dia após o ataque, o dirigente do Hamas Mahmoud Mardawi disse que os reféns seriam um “cartão estratégico”. Isso é exatamente o que define um refém: alguém capturado para forçar um governo a ceder.
As condições do cativeiro
- Os reféns ficaram em túneis e em casas dentro de bairros densamente povoados.
- Passaram fome e ficaram sem cuidados médicos adequados.
- O Hamas negou ao Comitê Internacional da Cruz Vermelha qualquer acesso aos reféns.
- As FDI encontraram pacotes de remédios lacrados com os nomes dos reféns, que nunca foram entregues a eles.
- O relatório da ONU S/2024/217, de 4 de março de 2024, encontrou informação “clara e convincente” de violência sexual contra reféns.
Os três cessar-fogos
| Trégua | Início | O que previa ou entregou | Mediação |
|---|---|---|---|
| Pausa humanitária | 24 de novembro de 2023 | Cerca de 105 a 110 reféns vivos libertados; Israel libertou 240 presos e detidos palestinos | Catar, Egito e EUA |
| Acordo em três fases | 19 de janeiro de 2025 | 33 reféns previstos na 1ª fase; foram entregues 25 vivos e 8 corpos | Catar, Egito e EUA |
| Plano de 20 pontos dos EUA | 9-10 de outubro de 2025 | Os 20 reféns vivos restantes e os corpos dos 28 mortos | EUA, com Catar e Egito |
Os acordos foram sempre indiretos: Israel e Hamas não negociaram frente a frente. Um cessar-fogo não significa reconhecimento político mútuo.
Resgates militares
As FDI resgataram 8 reféns vivos em operações baseadas em inteligência. Entre eles estão: - Ori Megidish; - Fernando Simon Marman e Louis Har; - quatro reféns em Nuseirat; - Qaid Farhan al-Qadi.
O saldo
- Ao todo, 136 reféns voltaram vivos.
- Pelo menos 85 reféns morreram ou foram declarados mortos.
- Em agosto de 2024, seis jovens reféns foram executados num túnel em Rafah, pouco antes da chegada das tropas.
- O último corpo foi recuperado em 26 de janeiro de 2026.
- As FDI anunciaram que todos os reféns tinham sido devolvidos da Faixa de Gaza a Israel.
A questão em aberto
Nenhum acordo resolveu, sozinho, a questão central para Israel: o desarmamento do Hamas. O plano de 20 pontos exige esse desarmamento, mas o Hamas não aceitou os pontos de segurança.
Palestinos e Hamas
Os palestinos são um povo. O Hamas é um grupo terrorista que governa Gaza à força desde 2007. A responsabilidade pelo 7 de outubro é do Hamas e dos grupos que atacaram, não de um povo. O sofrimento de civis palestinos é real.
Linha do tempo
- 7 out. 2023: ataque do Hamas; 251 pessoas são levadas para Gaza.
- 20 out. 2023: Judith e Natalie Raanan são libertadas.
- 23 out. 2023: as idosas Yocheved Lifshitz e Nurit Cooper são libertadas.
- Fim de out. 2023: a soldada Ori Megidish é resgatada viva pelas FDI.
- 24 nov. a 1º dez. 2023: primeira trégua e troca. A pausa termina quando, segundo Israel, o Hamas deixa de entregar nova lista de reféns e volta a disparar foguetes.
- 12 fev. 2024: Fernando Simon Marman e Louis Har são resgatados em Rafah.
- 4 mar. 2024: sai o relatório da ONU S/2024/217, da missão de Pramila Patten.
- Jun. 2024: quatro reféns são resgatados vivos em Nuseirat.
- Ago. 2024: Qaid Farhan al-Qadi é resgatado de um túnel. No fim do mês, seis reféns são encontrados executados em Rafah.
- 15 jan. 2025: mediadores anunciam o acordo em três fases, baseado na proposta americana endossada pela Resolução 2735.
- 19 jan. 2025: o acordo entra em vigor.
- 18 mar. 2025: terminada a primeira fase e sem acordo sobre a segunda, Israel retoma as operações.
- 29 set. 2025: os EUA apresentam o plano de 20 pontos.
- 9-10 out. 2025: a trégua do plano entra em vigor.
- 13 out. 2025: os 20 reféns vivos restantes voltam para casa.
- 17 nov. 2025: o Conselho de Segurança da ONU endossa o plano na Resolução 2803.
- 26 jan. 2026: o último corpo é recuperado.
Cinco perguntas para discussão
- Por que a Quarta Convenção de Genebra proíbe a tomada de reféns mesmo quando os cativos são bem tratados? O que isso revela sobre a natureza desse crime?
- Em cada trégua, reféns foram trocados por presos palestinos. Que dilemas morais e de segurança uma sociedade enfrenta ao aceitar esse tipo de troca?
- Qual é a diferença entre um refém e uma pessoa presa dentro do sistema legal de um Estado? Por que essa distinção importa no debate público?
- Por que as contagens de reféns mortos mudaram ao longo do tempo? Como lidar com números que variam sem cair na desinformação?
- Como podemos falar do sofrimento dos reféns e de suas famílias sem desumanizar os civis palestinos de Gaza?
Glossário curto
- Refém: pessoa capturada para forçar um governo ou grupo a ceder.
- Hamas: grupo terrorista islamista palestino fundado em 1987, que governa Gaza à força desde 2007.
- FDI: Forças de Defesa de Israel.
- Cessar-fogo / trégua: suspensão negociada dos combates. Não equivale a reconhecimento político.
- Mediadores: Catar, Egito e Estados Unidos, que conduziram as negociações indiretas.
- Resolução 2735: resolução do Conselho de Segurança da ONU que endossou o plano em fases de maio de 2024.
- Resolução 2803: resolução do Conselho de Segurança da ONU, de 17 de novembro de 2025, que endossou o plano de 20 pontos.
- Quarta Convenção de Genebra, art. 34: norma que proíbe a tomada de reféns.
- CICV: Comitê Internacional da Cruz Vermelha. O Hamas negou a ele acesso aos reféns.
- Detenção administrativa: detenção preventiva sem acusação formal, revisada por tribunais militares em Israel.
- Mamad: quarto protegido das casas israelenses.
- IHRA: definição de antissemitismo segundo a qual negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
Quiz: teste o que aprendeu
Segundo a contagem israelense, 251 pessoas foram levadas para Gaza. Algumas contagens falam em 251 a 252. O total inclui pessoas mortas em Israel cujos corpos foram levados.
O artigo 34 da Quarta Convenção de Genebra proíbe a tomada de reféns, mesmo que os cativos sejam bem tratados. O Protocolo I, artigo 51, trata da proibição de ataques deliberados contra civis.
Os acordos foram indiretos e mediados por Catar, Egito e Estados Unidos. O Catar foi o principal canal com o Hamas.
As estimativas vão de 105 a 110 reféns vivos libertados, entre eles 81 israelenses. Em troca, Israel libertou 240 presos e detidos palestinos.
A primeira fase, de 42 dias, previa 33 reféns, com prioridade para mulheres, crianças, idosos e feridos. Foram entregues 25 reféns vivos e oito corpos.
A primeira fase terminou sem acordo sobre a segunda. Israel propôs estendê-la, e o Hamas exigiu passar à segunda fase sem resolver o desarmamento. Netanyahu havia avisado que a guerra poderia voltar nesse caso.
Os 20 reféns vivos voltaram em 13 de outubro de 2025, sob o plano de 20 pontos. O último corpo foi recuperado em 26 de janeiro de 2026.
As FDI resgataram 8 reféns vivos. Entre eles estão Ori Megidish, Fernando Simon Marman, Louis Har, quatro reféns em Nuseirat e Qaid Farhan al-Qadi.
O Hamas negou à Cruz Vermelha qualquer acesso aos reféns. As FDI encontraram pacotes de remédios lacrados com os nomes dos reféns, que nunca foram entregues a eles.
O Hamas disse aceitar libertar todos os reféns, mas não aceitou os pontos de segurança, incluindo o desarmamento. O plano o exige como condição para a reconstrução.
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