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Perfis: Aracy de Carvalho e Souza Dantas

Podcast, guia de estudo, quiz e cartões sobre Perfis: Aracy de Carvalho e Souza Dantas, para estudantes e público geral.

Para: estudantes e público geralPodcast: 6 min
Foto: Salão dos Nomes do Yad Vashem. ברוך ניב · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 6 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (6 min, 2,5 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Hoje, na série Perfis, vamos conhecer dois brasileiros: Aracy de Carvalho e Luiz Martins de Souza Dantas.

Davi: Eu sou o Davi. E esses dois nomes têm algo raro em comum: são os dois únicos brasileiros reconhecidos como Justos entre as Nações.

Lia: E por que isso importa? Porque eles salvaram judeus durante o Holocausto desobedecendo ordens do próprio governo brasileiro.

Davi: Antes de tudo, Lia, o que é exatamente um Justo entre as Nações?

Lia: É um título dado pelo Yad Vashem, o memorial do Holocausto de Israel, em nome do Estado de Israel e do povo judeu. Ele homenageia não judeus que arriscaram a vida, a liberdade ou a posição para salvar judeus, sem buscar recompensa.

Davi: E não basta alguém contar uma história bonita, certo?

Lia: Certo. Uma comissão presidida por um juiz da Suprema Corte de Israel examina testemunhos e documentos. Quem é reconhecido recebe uma medalha, um certificado e tem o nome gravado no Muro de Honra, em Jerusalém.

Davi: Agora, o contexto. Você disse que eles desobedeceram ao governo. O que o Brasil fazia na época?

Lia: O governo Vargas tinha uma política de imigração antissemita. Ela era aplicada por circulares secretas do Itamaraty. A Circular Secreta número 1.127, de 1937, mandava recusar visto a pessoas de "origem semítica".

Davi: E depois dela?

Lia: Outra circular secreta, de 1940, manteve a proibição. Não havia uma lei pública. Era um mecanismo administrativo, escondido, com instruções aos consulados.

Davi: Então vamos ao primeiro perfil: Souza Dantas.

Lia: Ele foi embaixador do Brasil na França de 1922 a 1943. Trabalhou em Paris e, depois da ocupação alemã, em junho de 1940, passou a atuar em Vichy, sede do regime colaboracionista francês.

Davi: E como ele driblava a proibição?

Lia: Ele emitia o que ficou conhecido como "vistos camuflados". Omitia a origem étnica dos requerentes, encobria a letra "J" vermelha carimbada nos passaportes de judeus e colocava datas retroativas nos documentos.

Davi: Quantas pessoas ele salvou?

Lia: Todas as estimativas falam em centenas de vistos. Uma conta frequente é de cerca de 500.

Davi: E existe uma contagem mais detalhada?

Lia: Existe. O historiador Fábio Koifman conta ao menos 473 vistos emitidos diretamente por ele, o que teria salvado cerca de 800 pessoas.

Davi: Ele também avisou o Brasil do que estava acontecendo, não foi?

Lia: Foi. Em telegramas de agosto de 1942, informou que a Gestapo deportava e exterminava em massa os judeus da França ocupada.

Davi: E qual foi o preço dessa coragem?

Lia: O governo Vargas abriu um processo contra ele, que terminou em punição e afastamento. Em maio de 1943, tropas nazistas invadiram a embaixada e o prenderam.

Davi: Por quanto tempo?

Lia: Ele ficou 14 meses detido na Alemanha e foi libertado em 1944, numa troca de prisioneiros. O Yad Vashem o reconheceu como Justo entre as Nações em 2003.

Davi: Agora, Aracy. Quem era ela?

Lia: Aracy de Carvalho era filha de mãe alemã e pai brasileiro. Em 1934, mudou-se para a Alemanha e chefiou a Seção de Passaportes e Vistos do consulado do Brasil em Hamburgo.

Davi: E quando ela começou a agir?

Lia: Depois da Noite dos Cristais, em novembro de 1938, quando a perseguição aumentou. Ela deixava de marcar o "J" vermelho nos processos e misturava pedidos de judeus a pilhas de despachos de rotina, para que o cônsul assinasse sem notar.

Davi: Esperta e corajosa.

Lia: Muito. Ela também conseguia, com contatos na prefeitura, documentos sem a marca que identificava judeus. Estima-se que tenha salvado diretamente cerca de 100 judeus. Ficou conhecida como o "Anjo de Hamburgo".

Davi: E ela foi casada com Guimarães Rosa, o escritor.

Lia: Sim, os dois se casaram em 1940. Ele sabia da atuação dela e a apoiava. Mas atenção: o título do Yad Vashem é só de Aracy. Em 1982, ela se tornou a primeira brasileira reconhecida como Justa entre as Nações.

Davi: E a coragem dela não parou ali.

Lia: Não. Durante a ditadura militar, ela abrigou opositores em seu apartamento no Rio, como o cantor Geraldo Vandré.

Davi: Lia, por que esses perfis importam hoje?

Lia: Porque lembrar Aracy e Souza Dantas é também lembrar o antissemitismo que eles enfrentaram dentro do próprio Estado. Em 2013, a Presidência da República homenageou os dois e pediu desculpas históricas pelas omissões do Estado Novo.

Davi: Então fica a ideia-chave do episódio.

Lia: O Brasil tinha uma política oficial de barrar refugiados judeus, e esses dois brasileiros desobedeceram e salvaram vidas. Eles não seguiram o governo, eles o enfrentaram.

Davi: Mais materiais em jjo.org.br. Até o próximo Contexto!

Guia de estudo

Os Justos entre as Nações brasileiros

O Brasil tem dois Justos entre as Nações:

  • Aracy de Carvalho Guimarães Rosa, reconhecida em 1982.
  • Luiz Martins de Souza Dantas, reconhecido em 2003.

Os dois salvaram judeus durante o Holocausto. Para isso, contrariaram as circulares secretas antissemitas do governo Vargas.


Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, você deve ser capaz de:

  1. Explicar o que é o título de Justo entre as Nações, quem o concede e quais são os critérios.
  2. Descrever o que Souza Dantas fez na França, em Paris e em Vichy, e o preço que pagou.
  3. Descrever o que Aracy fez no consulado do Brasil em Hamburgo.
  4. Entender a política antissemita de imigração da Era Vargas, aplicada por circulares secretas do Itamaraty.
  5. Distinguir fatos documentados, estimativas e relatos menos comprovados.
  6. Reconhecer que lembrar esses dois brasileiros é também lembrar o antissemitismo que eles enfrentaram.

Conceitos-chave

Justos entre as Nações (Khassidei Umot HaOlam)

São não judeus que arriscaram a vida, a liberdade ou a posição para salvar judeus durante o Holocausto.

  • O título é concedido pelo Yad Vashem, o memorial do Holocausto de Israel, em nome do Estado de Israel e do povo judeu.
  • A expressão vem da tradição judaica.
  • Em 1953, o Knesset aprovou a lei que criou o Yad Vashem. A lei manda honrar os “gentios de espírito elevado que arriscaram a vida para salvar judeus”.
  • Desde 1963, uma comissão presidida por um juiz da Suprema Corte de Israel examina cada caso.

Critérios:

  • envolvimento ativo no salvamento de judeus ameaçados de morte ou de deportação;
  • risco real à vida, à liberdade ou à posição de quem ajudou;
  • ajuda sem pagamento ou outra recompensa;
  • testemunho dos salvos ou documentação inequívoca do salvamento.

Honrarias: medalha com o nome da pessoa, certificado de honra e nome gravado no Muro de Honra do Jardim dos Justos, em Jerusalém.

O título premia atos individuais comprovados. Ele não avalia a carreira inteira da pessoa nem o governo do país dela.

A política antissemita da Era Vargas

O governo Vargas adotou uma política de imigração antissemita.

  • Circular Secreta nº 1.127 (7 de junho de 1937): mandava os consulados recusarem visto a pessoas de “origem semítica” conhecida. Entre as poucas exceções estava a prova de conversão ao catolicismo. Vigorou até 1938.
  • Instruções posteriores: voltaram a restringir a entrada de judeus.
  • Circular Secreta nº 1.498 (12 de dezembro de 1940): manteve a proibição.
  • Como funcionava: não havia uma lei pública. O mecanismo era administrativo: circulares secretas, instruções aos consulados e exigências seletivas na emissão de vistos.
  • Contexto: o governo queria controlar a composição étnica e política dos imigrantes. Havia preferência por certos europeus, ligada à ideia de “branqueamento”. Autoridades viam refugiados judeus como problema migratório, político ou racial.
  • Historiadores de referência: Maria Luiza Tucci Carneiro (O Anti-Semitismo na Era Vargas) e Avraham Milgram.

Souza Dantas e Aracy agiram contra essa política, não em nome dela.


Perfil 1: Luiz Martins de Souza Dantas (1876–1954)

Carreira

  • Foi embaixador do Brasil na França de 1922 a 1943.
  • Atuou primeiro em Paris.
  • Depois da ocupação alemã, em junho de 1940, passou a trabalhar em Vichy, sede do regime colaboracionista francês.

O que fez

O Itamaraty proibia vistos para judeus. Souza Dantas desobedeceu e emitiu vistos diplomáticos, temporários e de trânsito. Segundo a historiografia, para driblar o cerco burocrático, ele:

  • omitia a origem étnica dos requerentes;
  • encobria o “J” vermelho carimbado nos passaportes de judeus;
  • colocava datas retroativas em documentos.

Esses vistos ficaram conhecidos como “vistos camuflados”.

Quem ele ajudou

  • Também ajudou perseguidos que não eram judeus, como apátridas, homossexuais e opositores do nazismo.
  • Entre os salvos estavam o diretor de teatro polonês Zbigniew Ziembinski e membros da família Zimetbaum.
  • O reconhecimento do Yad Vashem se refere especificamente à ajuda a judeus.

Alerta ao governo

Em telegramas de 17 e 21 de agosto de 1942, Souza Dantas avisou o governo brasileiro de que a Gestapo deportava e exterminava em massa os judeus da França ocupada. Denunciou também a separação de famílias.

Quantos salvou

  • Todas as estimativas falam em centenas de vistos. Uma estimativa frequente é de cerca de 500.
  • O historiador Fábio Koifman conta ao menos 473 vistos emitidos diretamente por ele, que teriam salvado cerca de 800 pessoas.
  • O número exato depende dos critérios de contagem e dos registros que sobreviveram.

O preço da desobediência

  • 1941–1942: processo administrativo do governo Vargas, que terminou em punição e afastamento “a bem do serviço público”.
  • Maio de 1943: tropas nazistas invadiram a embaixada em Vichy e o prenderam. Ficou 14 meses detido em Bad Godesberg, na Alemanha.
  • 1944: foi libertado numa troca diplomática de prisioneiros.

Reconhecimento

Em 11 de junho de 2003, o Yad Vashem o reconheceu como Justo entre as Nações. A decisão se apoiou em depoimentos de sobreviventes e em mais de 200 documentos do Arquivo Histórico do Itamaraty, levantados pela historiadora Maria Luiza Tucci Carneiro.


Perfil 2: Aracy de Carvalho Guimarães Rosa (1908–2011)

Origem

  • Nasceu Aracy Moëbius de Carvalho, filha de mãe alemã e pai brasileiro.
  • Mudou-se para a Alemanha em 1934.
  • Chefiou a Seção de Passaportes e Vistos do Consulado Geral do Brasil em Hamburgo.

O que fez

A perseguição aumentou depois da Kristallnacht (Noite dos Cristais), em 9 de novembro de 1938. A partir daí, Aracy:

  • deixava de marcar o “J” vermelho nos processos de visto;
  • misturava pedidos de judeus a pilhas de despacho de rotina, para que o cônsul os assinasse sem notar;
  • conseguia, com contatos na prefeitura de Hamburgo, atestados de residência e passaportes sem a marca que identificava judeus.

Estima-se que ela tenha salvado diretamente cerca de 100 judeus. Ficou conhecida como o “Anjo de Hamburgo”.

Relatos menos documentados

  • Há relatos de que Aracy levava perseguidos no próprio carro, escondia mantimentos e acompanhava refugiados até o porto.
  • Um caso registrado em depoimentos é o de Maria Margarethe Bertel Levy. Aracy a teria acompanhado até a cabine do navio e guardado as joias dela na própria bolsa, para evitar o confisco pela Gestapo.
  • Parte da pesquisa considera esses episódios menos documentados que o trabalho no consulado.
  • O título do Yad Vashem se baseia na ajuda efetiva a judeus perseguidos, não em cada episódio contado depois.

Reconhecimento

Em 1982, Aracy se tornou a primeira brasileira reconhecida como Justa entre as Nações.

Relação com João Guimarães Rosa

  • O escritor e diplomata assumiu o posto de cônsul-adjunto em Hamburgo em 1937. Os dois se conheceram no consulado e se casaram em 1940.
  • Ele sabia da atuação secreta de Aracy e a apoiava.
  • Em seus diários de Hamburgo (1939–1941), guardados na UFMG, registrou a revolta com a barbárie nazista e com crianças obrigadas a usar distintivos amarelos.
  • Dedicou a ela Grande Sertão: Veredas (1956): “A Aracy, minha mulher, Ara, pertence este livro”.
  • O título do Yad Vashem é só de Aracy. Não deve ser atribuído automaticamente ao marido.

Depois da guerra

Durante a ditadura militar, Aracy abrigou opositores em seu apartamento no Rio de Janeiro, como o cantor Geraldo Vandré, em 1968.


Linha do tempo

Ano Acontecimento
1876 Nasce Luiz Martins de Souza Dantas
1908 Nasce Aracy Moëbius de Carvalho
1922 Souza Dantas torna-se embaixador do Brasil na França
1934 Aracy muda-se para a Alemanha
7 jun. 1937 Circular Secreta nº 1.127 do Itamaraty
1937 João Guimarães Rosa assume como cônsul-adjunto em Hamburgo
1938 A Circular nº 1.127 é substituída por outra orientação
9 nov. 1938 Kristallnacht; Aracy intensifica a ajuda a judeus
1939–1941 Diários de Hamburgo de Guimarães Rosa
jun. 1940 Ocupação alemã da França; Souza Dantas passa a atuar em Vichy
1940 Casamento de Aracy e Guimarães Rosa
12 dez. 1940 Circular Secreta nº 1.498 mantém a proibição
1941–1942 Processo administrativo contra Souza Dantas
17 e 21 ago. 1942 Telegramas de Souza Dantas sobre o extermínio em massa de judeus
maio 1943 Nazistas invadem a embaixada em Vichy e prendem Souza Dantas
1944 Souza Dantas é libertado numa troca de prisioneiros
1953 O Knesset aprova a lei que cria o Yad Vashem
1954 Morre Souza Dantas
1956 Publicação de Grande Sertão: Veredas, dedicado a Aracy
1963 Começa a funcionar a comissão que examina os casos dos Justos
1968 Aracy abriga Geraldo Vandré no Rio de Janeiro
1982 Aracy é reconhecida como Justa entre as Nações
11 jun. 2003 Souza Dantas é reconhecido como Justo entre as Nações
2011 Morre Aracy
30 jan. 2013 A Presidência da República homenageia os dois Justos e pede desculpas históricas pelas omissões do Estado Novo

Fato, estimativa e relato

Afirmação Situação
Souza Dantas é Justo entre as Nações (2003) Fato, registrado pelo Yad Vashem
Aracy é Justa entre as Nações (1982) Fato, registrado pelo Yad Vashem
O Itamaraty emitiu circulares secretas contra vistos a judeus Fato documentado em pesquisas acadêmicas
Souza Dantas emitiu cerca de 500 vistos Estimativa; outra contagem fala em ao menos 473
Aracy levava perseguidos escondidos no carro Relato biográfico, menos documentado que o trabalho no consulado
Os dois seguiam a política oficial brasileira Incorreto: eles contrariaram ordens oficiais

5 perguntas para discussão

  1. O Brasil não tinha uma lei pública contra a entrada de judeus, mas usava circulares secretas e exigências seletivas. Por que um mecanismo administrativo e secreto pode ser tão eficaz, e tão perigoso, quanto uma lei aberta?
  2. Souza Dantas foi punido pelo próprio governo e depois preso pelos nazistas. O que a história dele ensina sobre o custo de desobedecer a ordens injustas?
  3. Aracy usava gestos burocráticos discretos, como não marcar o “J” e misturar pedidos às pilhas de rotina. Como pequenos atos dentro de uma repartição podem salvar vidas?
  4. Por que é importante separar fatos documentados de estimativas e relatos menos comprovados, sem diminuir o mérito dos salvadores?
  5. Em 2013, o Estado brasileiro pediu desculpas históricas pelas omissões do Estado Novo. Qual é a importância de um país reconhecer o antissemitismo de seu próprio passado?

Glossário curto

  • Yad Vashem: memorial do Holocausto de Israel, criado por lei do Knesset em 1953. Concede o título de Justo entre as Nações.
  • Justos entre as Nações (Khassidei Umot HaOlam): não judeus que arriscaram a vida, a liberdade ou a posição para salvar judeus no Holocausto, sem buscar recompensa.
  • Knesset: parlamento de Israel.
  • Muro de Honra: muro no Jardim dos Justos, em Jerusalém, onde são gravados os nomes dos reconhecidos.
  • Itamaraty: Ministério das Relações Exteriores do Brasil.
  • Circular secreta: instrução interna e sigilosa enviada aos consulados. Na Era Vargas, foi usada para barrar vistos a judeus.
  • “J” vermelho: marca carimbada nos passaportes de judeus para identificá-los.
  • Vistos camuflados: vistos emitidos por Souza Dantas que escondiam a origem dos requerentes.
  • Kristallnacht (Noite dos Cristais): onda de violência contra judeus na Alemanha, em 9 de novembro de 1938.
  • Vichy: sede do regime colaboracionista francês depois da ocupação alemã de 1940.
  • Gestapo: polícia secreta nazista.
  • Estado Novo: regime de Getúlio Vargas, cujas omissões foram objeto de pedido de desculpas em 2013.
  • IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, cuja definição de antissemitismo a JJO adota.

Para fechar

A síntese é clara. O Brasil da Era Vargas tinha uma política oficial de restringir a entrada de refugiados judeus. Souza Dantas e Aracy desobedeceram ou contornaram essas barreiras e salvaram vidas. Eles não seguiram a política do governo: agiram contra ela, e Souza Dantas pagou caro por isso.

Lembrar esses dois brasileiros é também lembrar o antissemitismo que eles enfrentaram. A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Quem concede o título de Justo entre as Nações?

O título é concedido pelo Yad Vashem, o memorial do Holocausto de Israel, em nome do Estado de Israel e do povo judeu.

2. Em que ano Aracy de Carvalho Guimarães Rosa foi reconhecida como Justa entre as Nações?

Aracy foi reconhecida em 1982 e se tornou a primeira brasileira com esse título. Souza Dantas foi reconhecido em 2003.

3. O que determinava a Circular Secreta nº 1.127, de 7 de junho de 1937?

A circular mandava recusar visto a pessoas de “origem semítica” conhecida. Entre as poucas exceções estava a prova de conversão ao catolicismo.

4. O que aconteceu com Souza Dantas em maio de 1943?

Ele foi preso pelos nazistas e ficou 14 meses detido em Bad Godesberg, na Alemanha. Foi libertado em 1944, numa troca diplomática de prisioneiros.

5. Segundo as pesquisas do historiador Fábio Koifman, quantos vistos Souza Dantas emitiu diretamente?

Koifman conta ao menos 473 vistos emitidos diretamente por ele, que teriam salvado cerca de 800 pessoas. Outra estimativa frequente fala em cerca de 500 vistos.

6. João Guimarães Rosa também recebeu o título de Justo entre as Nações?

O reconhecimento é só de Aracy. Guimarães Rosa sabia da atuação dela e a apoiava, mas o título não deve ser atribuído automaticamente ao marido.

7. Qual destas foi uma das estratégias de Aracy no consulado de Hamburgo?

Aracy misturava os pedidos a despachos de rotina e deixava de marcar o “J” vermelho nos processos. Com contatos na prefeitura de Hamburgo, também conseguia atestados de residência e passaportes sem a marca.

8. O que Souza Dantas comunicou ao governo brasileiro nos telegramas de 17 e 21 de agosto de 1942?

Ele avisou o governo sobre a deportação e o extermínio em massa dos judeus da França ocupada. Denunciou também a separação de famílias.

9. Desde 1963, quem preside a comissão que examina cada caso de Justo entre as Nações?

A comissão especial é presidida por um juiz da Suprema Corte de Israel. Ela analisa testemunhos dos salvos e documentação do salvamento.

10. O que a Presidência da República fez em 30 de janeiro de 2013?

No Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, a Presidência homenageou Aracy e Souza Dantas. Também pediu desculpas históricas pelas omissões do Estado Novo.

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