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Adolf Eichmann é condenado à morte ao fim de seu julgamento
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Justiça depois do Holocausto: Nuremberg e o julgamento de Eichmann

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre Justiça depois do Holocausto: Nuremberg e o julgamento de Eichmann, para universitários e professores de História.

Para: universitários e professores de HistóriaPodcast: 13 minSlides: 16
Foto: Adolf Eichmann é condenado à morte ao fim de seu julgamento. Israeli GPO photographer · Public domain · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 13 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (13 min, 5,9 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Hoje o tema é justiça depois do Holocausto: o Julgamento de Nuremberg e o julgamento de Adolf Eichmann em Jerusalém.

Davi: E eu sou o Davi. Lia, começo com uma pergunta simples: por que um universitário ou um professor de História deveria parar dez minutos para pensar em dois julgamentos que aconteceram há tantas décadas?

Lia: Porque esses dois processos responderam a uma pergunta que parecia impossível: como julgar um crime cometido por um Estado inteiro, com burocracia, trens, listas e ordens oficiais? E as respostas que surgiram ali continuam valendo para o direito internacional e para a memória do Holocausto.

Davi: E há outro motivo. Esses julgamentos produziram e expuseram provas. Isso importa muito diante de quem tenta negar ou distorcer o que aconteceu com o povo judeu.

Lia: Exatamente. Então vamos por partes. Primeiro bloco: Nuremberg. Davi, o que foi esse tribunal?

Davi: Foi o Tribunal Militar Internacional, criado por Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética. A base jurídica foi o Acordo de Londres, assinado em 8 de agosto de 1945, que trazia em anexo a Carta do Tribunal. O julgamento aconteceu no Palácio da Justiça de Nuremberg, na Alemanha ocupada, de 20 de novembro de 1945 a 1º de outubro de 1946.

Lia: E qual era a grande novidade?

Davi: Pela primeira vez, os principais dirigentes de um regime responderam pessoalmente por crimes cometidos em nome do Estado. A acusação foi dividida em quatro categorias: conspiração, crimes contra a paz, crimes de guerra e crimes contra a humanidade.

Lia: Vale explicar rapidamente cada uma, porque isso aparece muito em sala de aula.

Davi: Claro. Crimes contra a paz eram planejar, preparar, iniciar e conduzir guerras de agressão. Crimes de guerra eram violações das leis e costumes da guerra, como assassinar e maltratar prisioneiros e civis. Crimes contra a humanidade incluíam assassinato, extermínio, escravização, deportação e perseguição política, racial e religiosa de populações civis. E a conspiração era o plano para cometer os demais crimes.

Lia: E o Holocausto, onde entra?

Davi: Foi parte central da prova sobre o sistema criminoso nazista. A acusação também tratou de deportações, trabalho escravo, assassinatos em massa e perseguição política.

Lia: Tem dois artigos da Carta que eu acho decisivos.

Davi: O Artigo 7º e o Artigo 8º. O 7º diz que o cargo oficial, mesmo o de chefe de Estado, não elimina a responsabilidade penal. O 8º diz que obedecer a ordens superiores deixa de ser defesa e passa a ser, no máximo, um possível atenuante da pena.

Lia: Guarde essa ideia, porque ela vai voltar quando chegarmos a Eichmann. E as sentenças?

Davi: A acusação formal atingiu 24 pessoas, mas 22 foram efetivamente julgadas. Robert Ley se suicidou antes do julgamento, e Gustav Krupp von Bohlen und Halbach foi considerado incapaz por razões médicas. Martin Bormann foi julgado à revelia. O resultado: doze condenações à morte, três prisões perpétuas, quatro penas de prisão temporária e três absolvições.

Lia: Quem foram alguns dos condenados à morte?

Davi: Entre eles, Hermann Göring, Joachim von Ribbentrop, Wilhelm Keitel, Alfred Jodl, Ernst Kaltenbrunner, Hans Frank e Julius Streicher. Os que estavam presentes foram enforcados em 16 de outubro de 1946. Göring se suicidou com cianeto na véspera da execução.

Lia: E os absolvidos foram Hans Fritzsche, Franz von Papen e Hjalmar Schacht. Isso tem um significado importante, não tem?

Davi: Tem. Mostra que o tribunal não condenou todos automaticamente. Avaliou as provas réu por réu e chegou a sentenças diferentes, da pena de morte à absolvição. O tribunal também declarou criminosas organizações como a SS, a Gestapo e o SD.

Lia: Segundo bloco: as críticas e os julgamentos que vieram depois. Davi, Nuremberg foi polêmico?

Davi: Foi. A defesa e alguns críticos levantaram duas acusações principais. A primeira é a da retroatividade: os réus estariam respondendo por atos que não eram crimes internacionais claramente definidos antes da guerra, sobretudo a guerra de agressão.

Lia: E o tribunal respondeu como?

Davi: Rejeitou a tese. Para os juízes, guerras de agressão e atrocidades em massa já violavam tratados e princípios jurídicos reconhecidos. A segunda crítica é a da "justiça dos vencedores", porque os Aliados acusavam e não submeteram os próprios atos de guerra ao mesmo tribunal.

Lia: É uma crítica que aparece sempre. Mas ela invalida o julgamento?

Davi: Não. Nenhuma dessas críticas apagou as provas contra os réus. E aqui está a força de Nuremberg: grande parte das provas foi produzida pelo próprio regime. Os relatórios secretos das Einsatzgruppen, apreendidos em Berlim, registravam datas, locais e números de homens, mulheres e crianças assassinados.

Lia: Esses relatórios foram a base de um dos processos posteriores mais conhecidos.

Davi: O Processo Einsatzgruppen, o Caso nº 9, de 15 de setembro de 1947 a 10 de abril de 1948. Quem chefiou a acusação foi Benjamin Ferencz, então com 27 anos. Dos 22 comandantes julgados até o fim, 14 foram condenados à morte.

Lia: Explica para quem está ouvindo o que foram esses julgamentos posteriores.

Davi: Foram 12 processos conduzidos pelos Estados Unidos, no mesmo Palácio da Justiça, entre 1946 e 1949. O escritório da promotoria americana era chefiado por Telford Taylor. Foram julgados médicos, juízes, industriais, militares e comandantes de esquadrões de extermínio. Do Processo dos Médicos nasceu o Código de Nuremberg, referência ética para pesquisas com seres humanos.

Lia: E os números?

Davi: Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, somando o julgamento principal e os 12 posteriores, foram 199 pessoas julgadas em Nuremberg, 161 condenadas e 37 sentenças de morte. Nos processos posteriores houve 35 absolvições.

Lia: Terceiro bloco, e agora a história muda de lugar: de Nuremberg para Buenos Aires. Quem foi Adolf Eichmann?

Davi: Foi o principal gestor burocrático das deportações de judeus durante o Holocausto. Oficial da SS, chefiava a Seção IVB4 do Departamento Central de Segurança do Reich, a seção de "Assuntos Judaicos e Evacuação". Ele não comandava campos. Coordenava trens, horários e listas, e assim fazia a máquina de extermínio funcionar.

Lia: E ele não foi julgado em Nuremberg.

Davi: Não. Depois da guerra, ficou pouco tempo sob custódia americana e escapou sem ser identificado. Em 1950, emigrou para a Argentina e passou a viver como Ricardo Klement.

Lia: Como ele foi encontrado?

Davi: Em 1957, Fritz Bauer, procurador-geral do estado alemão de Hesse, soube onde Eichmann vivia. Bauer não confiava no aparato estatal alemão da época e temia vazamentos. Por isso passou a informação diretamente ao Mossad.

Lia: Isso diz muito sobre o pós-guerra. Muitos responsáveis pelo Holocausto viveram anos sem punição, e foi o Estado judeu que levou adiante a busca.

Davi: Em 11 de maio de 1960, uma equipe israelense capturou Eichmann perto da casa dele, em San Fernando, na província de Buenos Aires. Em 21 de maio ele foi levado para Israel num avião da El Al. Em 23 de maio, David Ben-Gurion anunciou ao Knesset que Eichmann estava sob custódia e seria julgado em Israel.

Lia: Houve crise diplomática, certo?

Davi: Houve. A Argentina protestou, considerando a operação uma violação de soberania. O caso chegou ao Conselho de Segurança da ONU e foi formalmente resolvido depois da Resolução 138, de 23 de junho de 1960. O impasse não impediu o julgamento.

Lia: Quarto bloco: o julgamento em Jerusalém. Como Israel se preparou?

Davi: A polícia criou uma unidade especial, o Bureau 06, que catalogou mais de 1.600 documentos sobre o papel de Eichmann. O capitão Avner Less o interrogou durante meses, e foram mais de 3.500 páginas de transcrição. Eichmann tentou se apresentar como alguém que só cumpria ordens, mas admitiu que "tratamento especial" significava assassinato.

Lia: E as entrevistas da Argentina?

Davi: Em 1957, ele deu entrevistas ao jornalista ex-SS Willem Sassen. A acusação as usou como prova de que ele não tinha remorso e se empenhou conscientemente no extermínio.

Lia: O julgamento começou em abril de 1961, no Tribunal Distrital de Jerusalém.

Davi: Presidido pelo juiz Moshe Landau, com Benjamin Halevi e Yitzhak Raveh. A acusação foi liderada pelo procurador-geral Gideon Hausner, e a defesa ficou com o advogado alemão Robert Servatius. Eram 15 acusações, com base na lei israelense de 1950 sobre a punição de nazistas e colaboradores, entre elas crimes contra o povo judeu, crimes contra a humanidade e crimes de guerra.

Lia: E a frase de abertura de Hausner ficou célebre.

Davi: "Comigo estão aqui seis milhões de acusadores."

Lia: O que, para mim, mais diferencia esse julgamento são as testemunhas.

Davi: O tribunal ouviu mais de cem pessoas. Pela primeira vez, a destruição das comunidades judaicas foi contada em detalhe, em público, por quem a viveu. Zivia Lubetkin e Yitzhak Zuckerman falaram da resistência armada no Gueto de Varsóvia. Abba Kovner, da resistência de Vilna. Joel Brand relatou a proposta alemã chamada "sangue por caminhões". E o escritor Yehiel Dinur, o K. Zetnik, desmaiou no tribunal ao descrever o "planeta Auschwitz".

Lia: E a defesa de Eichmann?

Davi: Disse que ele era uma engrenagem burocrática que agia por ordem superior. O tribunal rejeitou o argumento, seguindo a mesma regra firmada em Nuremberg: ele teve papel ativo e decisivo, e cumprir ordens não o isentava de culpa.

Lia: Lembra do Artigo 8º? Aí está ele de novo.

Davi: Eichmann foi condenado à morte em 15 de dezembro de 1961. Em 29 de maio de 1962, a Suprema Corte rejeitou o recurso, e o presidente Yitzhak Ben-Zvi negou a clemência. Ele foi enforcado na prisão de Ramla, na noite de 31 de maio para 1º de junho de 1962. As cinzas foram espalhadas no Mediterrâneo, fora das águas territoriais de Israel.

Lia: E não dá para falar de Eichmann sem mencionar Hannah Arendt.

Davi: Ela o descreveu como exemplo da "banalidade do mal". Alguns estudiosos acham que a expressão capta o caráter burocrático do genocídio; outros dizem que subestima o antissemitismo e a iniciativa pessoal de Eichmann. É um debate histórico, que não afeta a condenação.

Lia: Para fechar, Davi, três ideias-chave.

Davi: Primeira: Nuremberg estabeleceu que indivíduos, inclusive chefes de Estado, respondem pessoalmente por crimes internacionais, e que cumprir ordens não é desculpa.

Lia: Segunda: o julgamento de Eichmann mostrou que o Estado judeu levou adiante a busca por justiça e deu voz pública aos sobreviventes.

Davi: Terceira: as provas, muitas produzidas pelo próprio regime nazista, continuam sendo uma resposta direta à negação do Holocausto.

Lia: Preservar essa memória é parte do combate ao antissemitismo, sem ódio a nenhum povo ou religião. Obrigada por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.

Apresentação pronta para usar

16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.

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Guia de estudo

Material didático da JJO – Juventude Judaica Organizada

Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, você deverá ser capaz de:

  1. Explicar como o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg foi criado, quem julgou e quais foram as sentenças.
  2. Identificar as quatro categorias de acusação de Nuremberg e as regras dos Artigos 7º e 8º da Carta do Tribunal.
  3. Descrever a fuga, a localização e a captura de Adolf Eichmann, além do julgamento dele em Jerusalém.
  4. Compreender por que o julgamento de Eichmann marcou a memória pública do Holocausto, sobretudo pelos depoimentos de sobreviventes.
  5. Analisar as críticas feitas a Nuremberg e o debate sobre a “banalidade do mal”, distinguindo o debate histórico da validade das condenações.
  6. Reconhecer o legado de Nuremberg para o direito internacional e para o combate à negação do Holocausto.

Conceitos-chave

Nuremberg (1945–1946)

  • Tribunal Militar Internacional: foi criado por Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética. A base jurídica foi o Acordo de Londres, assinado em 8 de agosto de 1945, que trazia em anexo a Carta do Tribunal. O julgamento ocorreu no Palácio da Justiça de Nuremberg.
  • Quatro categorias de acusação:
  • conspiração;
  • crimes contra a paz;
  • crimes de guerra;
  • crimes contra a humanidade.
  • Artigo 7º da Carta: o cargo oficial, mesmo o de chefe de Estado, não elimina a responsabilidade penal.
  • Artigo 8º da Carta: a obediência a ordens superiores não é defesa. Pode ser apenas um possível atenuante da pena.
  • Réus e sentenças: 24 pessoas foram acusadas formalmente e 22 foram julgadas. Martin Bormann foi julgado à revelia. O resultado foi:
  • 12 condenações à morte;
  • 3 prisões perpétuas;
  • 4 penas de prisão temporária;
  • 3 absolvições (Hans Fritzsche, Franz von Papen e Hjalmar Schacht).
  • Organizações criminosas: o tribunal declarou criminosas, entre outras, a SS, a Gestapo e o SD.
  • Julgamentos posteriores: foram 12 processos conduzidos pelos EUA entre 1946 e 1949, contra médicos, juízes, industriais, militares e comandantes de esquadrões de extermínio. Entre eles estão o Processo dos Médicos, que deu origem ao Código de Nuremberg, e o Processo Einsatzgruppen.
  • Provas produzidas pelo próprio regime: os relatórios secretos das Einsatzgruppen registravam datas, locais e números de homens, mulheres e crianças assassinados. Eles continuam sendo uma resposta direta a quem tenta negar ou distorcer o Holocausto.

O caso Eichmann (1960–1962)

  • Quem foi: Adolf Eichmann foi oficial da SS, com a patente de SS-Obersturmbannführer. Chefiava a Seção IVB4 do RSHA, chamada “Assuntos Judaicos e Evacuação”. Não comandava campos. Coordenava trens, horários e listas, e assim fazia a máquina de extermínio funcionar.
  • Fuga e localização: em 1950, Eichmann emigrou para a Argentina e passou a viver como Ricardo Klement. Em 1957, o procurador-geral de Hesse, Fritz Bauer, passou ao Mossad a informação sobre o paradeiro dele. Bauer fez isso por temer vazamentos no aparato estatal alemão da época.
  • Bureau 06: foi a unidade especial da Polícia de Israel que preparou a acusação.
  • Analisou mais de 1.600 documentos.
  • O capitão Avner Less interrogou Eichmann durante meses. O interrogatório soma mais de 3.500 páginas de transcrição (Exibição T/37).
  • O julgamento: ocorreu no Tribunal Distrital de Jerusalém, no auditório Beit Ha'am (Processo Criminal nº 40/61).
  • A denúncia trazia 15 acusações, com base na lei israelense de 1950 sobre a punição de nazistas e seus colaboradores.
  • Eichmann depôs dentro de uma cabine de vidro blindado.
  • Sua defesa alegou que ele agia por ordem superior (im Auftrage).
  • As testemunhas: mais de cem sobreviventes e historiadores depuseram. Pela primeira vez, a destruição das comunidades judaicas foi contada em detalhe, em público, pelas vozes de quem a viveu.
  • “Banalidade do mal”: a expressão é de Hannah Arendt e gerou um debate acadêmico. Alguns estudiosos acham que ela capta o caráter burocrático do genocídio. Outros afirmam que subestima o antissemitismo e a iniciativa pessoal de Eichmann. O debate é histórico e não afeta a condenação.

Linha do tempo

Data Acontecimento
8 ago. 1945 Assinatura do Acordo de Londres
20 nov. 1945 Início do julgamento de Nuremberg
20 dez. 1945 Lei do Conselho de Controle nº 10
1º out. 1946 Fim do julgamento principal de Nuremberg
16 out. 1946 Execução dos condenados presentes; Göring havia se suicidado na véspera
11 dez. 1946 Resolução 95(I) da Assembleia Geral da ONU confirma os princípios de Nuremberg
1946–1949 12 julgamentos posteriores conduzidos pelos EUA
15 set. 1947 – 10 abr. 1948 Processo Einsatzgruppen (Caso nº 9)
1948 Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio
1950 Eichmann emigra para a Argentina; a Comissão de Direito Internacional da ONU formula os Princípios de Nuremberg
1957 Fritz Bauer informa o Mossad; Eichmann dá entrevistas a Willem Sassen
11 maio 1960 Captura de Eichmann em San Fernando, província de Buenos Aires
21 maio 1960 Eichmann é levado a Israel em um avião da El Al
23 maio 1960 Ben-Gurion anuncia ao Knesset que Eichmann será julgado em Israel
23 jun. 1960 Resolução 138 do Conselho de Segurança da ONU
abr. 1961 Início do julgamento em Jerusalém
15 dez. 1961 Sentença de morte por enforcamento
29 maio 1962 A Suprema Corte de Israel rejeita o recurso da defesa
Noite de 31 maio para 1º jun. 1962 Execução de Eichmann na prisão de Ramla
1998 O Estatuto de Roma cria o Tribunal Penal Internacional

Observação: antes da execução, o presidente de Israel, Yitzhak Ben-Zvi, também negou o pedido de clemência. Essa decisão não está datada nesta linha do tempo. Depois da execução, o corpo foi cremado e as cinzas foram espalhadas no Mar Mediterrâneo, fora das águas territoriais de Israel.

Perguntas para discussão

  1. A Carta de Nuremberg determinou que obedecer a ordens não isenta ninguém de culpa. Como essa regra foi aplicada ao caso de Eichmann, que se dizia uma “engrenagem burocrática”?
  2. Nuremberg terminou com absolvições, e os julgamentos posteriores somaram 35. O que isso revela sobre o funcionamento do tribunal e sobre a crítica de “justiça dos vencedores”?
  3. Por que os depoimentos de mais de cem testemunhas em Jerusalém mudaram a memória pública do Holocausto? Que diferença faz ouvir a história “pelas vozes de quem a viveu”?
  4. Fritz Bauer preferiu confiar a informação ao Mossad a usar o aparato estatal alemão. O que esse episódio indica sobre a impunidade no pós-guerra e sobre o papel do Estado judeu na busca por justiça?
  5. A expressão “banalidade do mal” ajuda ou atrapalha a compreender o Holocausto? Considere tanto o caráter burocrático do genocídio quanto o antissemitismo e a iniciativa pessoal de Eichmann.

Glossário

  • Acordo de Londres: tratado de 8 de agosto de 1945 que criou a base jurídica do Tribunal Militar Internacional.
  • Beit Ha'am: auditório em Jerusalém onde ocorreu o julgamento de Eichmann.
  • Bureau 06: unidade especial da Polícia de Israel que preparou a acusação contra Eichmann.
  • Código de Nuremberg: referência ética para pesquisas com seres humanos, nascida do Processo dos Médicos.
  • Einsatzgruppen: esquadrões de extermínio que realizaram fuzilamentos em massa no Leste Europeu. Seus relatórios foram usados como prova.
  • IHRA: definição de antissemitismo adotada pela JJO. Segundo ela, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
  • Im Auftrage: “por ordem superior”, expressão central da defesa de Eichmann.
  • Julgamento à revelia: julgamento sem a presença do réu, como no caso de Martin Bormann.
  • Knesset: o parlamento israelense.
  • RSHA: Departamento Central de Segurança do Reich.
  • Sonderbehandlung: “tratamento especial”, eufemismo que Eichmann admitiu significar assassinato.

Para a JJO, preservar a memória documentada por Nuremberg e pelo julgamento em Jerusalém é parte do combate ao antissemitismo, sem ódio a nenhum povo ou religião.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Quais países criaram o Tribunal Militar Internacional de Nuremberg?

O tribunal foi criado pelas quatro potências aliadas que assinaram o Acordo de Londres em 8 de agosto de 1945: Estados Unidos, Reino Unido, França e União Soviética.

2. O que determinava o Artigo 8º da Carta do Tribunal Militar Internacional?

Pelo Artigo 8º, cumprir ordens deixou de servir como defesa e passou a ser, no máximo, um possível atenuante da pena. Já o Artigo 7º estabeleceu que nem o cargo de chefe de Estado elimina a responsabilidade penal.

3. No julgamento principal de Nuremberg, quantos réus foram condenados à morte?

Doze réus foram condenados à morte, entre eles Martin Bormann, julgado à revelia. O número 37 corresponde ao total de sentenças de morte somando o julgamento principal e os 12 julgamentos posteriores, segundo o Museu Memorial do Holocausto dos EUA.

4. Quais réus foram absolvidos no julgamento principal de Nuremberg?

Fritzsche, von Papen e Schacht foram absolvidos. As absolvições mostram que o tribunal não condenou os réus de forma automática: avaliou as provas réu por réu.

5. Quem passou ao Mossad a informação sobre o paradeiro de Eichmann em Buenos Aires?

Em 1957, Fritz Bauer soube onde Eichmann vivia. Como não confiava no aparato estatal alemão da época e temia vazamentos, passou a informação diretamente ao Mossad.

6. Que nome falso Eichmann usava na Argentina?

Eichmann emigrou para a Argentina em 1950 e passou a viver como Ricardo Klement. Foi capturado em 11 de maio de 1960, perto de sua casa em San Fernando, na província de Buenos Aires.

7. Quem fez, na abertura do julgamento, a declaração “Comigo estão aqui seis milhões de acusadores”?

A frase é do procurador-geral Gideon Hausner, que liderou a acusação ao lado de Gavriel Bach e Yaacov Bar-Or. Moshe Landau presidiu o tribunal.

8. Qual foi o principal argumento da defesa de Eichmann?

Eichmann se declarou “não culpado no sentido da acusação” e disse que só cumpria ordens. O tribunal rejeitou o argumento, seguindo a regra firmada em Nuremberg: cumprir ordens não o isentava de culpa.

9. O que aconteceu em 29 de maio de 1962?

Em 29 de maio de 1962, a Suprema Corte de Israel rejeitou o recurso. A execução ocorreu na noite de 31 de maio para 1º de junho de 1962. Antes dela, o presidente Yitzhak Ben-Zvi também negou o pedido de clemência.

10. Qual unidade da Polícia de Israel preparou a acusação contra Eichmann?

O Bureau 06 reuniu e catalogou mais de 1.600 documentos e selecionou as testemunhas. A Seção IVB4 era o setor do RSHA chefiado pelo próprio Eichmann. T/37 é o registro do interrogatório, e 40/61 é o número do processo.

Cartões de estudo

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