JJOJuventude JudaicaOrganizada
Interior de sinagoga destruída na Noite dos Cristais, 1938
Início › Aprenda › Estúdio › A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência aberta
Estúdio JJO · podcast e aula pronta

A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência aberta

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre a Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência aberta, para professores de História e estudantes do Ensino Médio.

Para: professores de História e estudantes do Ensino MédioPodcast: 12 minSlides: 16
Foto: Interior de sinagoga destruída na Noite dos Cristais, 1938. autor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 12 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (12 min, 5,3 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, sejam bem-vindos a mais um episódio do Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi. Hoje o tema é pesado, mas essencial.

Lia: Vamos falar da Noite dos Cristais, também chamada de Pogrom de Novembro. Foi quando a perseguição aos judeus na Alemanha nazista virou violência aberta.

Davi: Aconteceu em 9 e 10 de novembro de 1938, no Reich alemão, que naquele momento abrangia a Alemanha, a Áustria anexada e os Sudetos.

Lia: E por que esse tema importa tanto numa sala de aula, Davi?

Davi: Porque ele mostra que o Holocausto não começou nas câmaras de gás. Começou com discriminação, com leis, com propaganda. A Noite dos Cristais é o momento em que o Estado nazista sai do papel e ataca os judeus diretamente, nas ruas, nas casas e nas sinagogas.

Lia: Ou seja, é um ponto de virada.

Davi: Exatamente. O Yad Vashem descreve o episódio como a passagem da perseguição jurídica e econômica para a violência física aberta e o encarceramento em massa.

Lia: Antes de chegar àquela noite, vale lembrar o caminho até ali. Os judeus alemães eram cidadãos da Alemanha, certo?

Davi: Eram. A partir de 1933, o regime nazista começou a excluí-los da vida jurídica e econômica, com propaganda antissemita oficial. Em 1935, as Leis de Nuremberg definiram os judeus por critérios biológicos, cassaram sua cidadania alemã e proibiram relações com não judeus.

Lia: E isso não surgiu do nada. Já em 1919, na chamada Carta Gemlich, seu primeiro escrito político, Adolf Hitler definiu como objetivo a "remoção irrestrita dos judeus".

Davi: Então, quando chegamos a 1938, os judeus alemães já viviam anos de exclusão profissional, leis raciais, expropriação e expulsões.

Lia: Vamos então ao nosso primeiro bloco: o pretexto. O que a propaganda nazista usou para justificar o pogrom?

Davi: No final de outubro de 1938, os nazistas deportaram à força entre 17 mil e 18 mil judeus de nacionalidade polonesa que viviam na Alemanha. Eles foram largados na fronteira, em Zbąszyń.

Lia: E entre essas famílias estava a de um jovem de 17 anos.

Davi: Herschel Grynszpan. Revoltado com o tratamento dado à sua família, em 7 de novembro de 1938 ele atirou no diplomata Ernst vom Rath, na embaixada alemã em Paris. O diplomata morreu em 9 de novembro.

Lia: E aí a máquina de propaganda entrou em ação.

Davi: Imediatamente. A imprensa nazista, como o jornal Völkischer Beobachter, iniciou uma campanha de incitação. Entre 7 e 8 de novembro, ativistas do partido já atacavam sinagogas e lojas judaicas em regiões como o norte de Hesse, em Kassel, e em Dessau.

Lia: Aqui tem um ponto que eu acho fundamental para os professores. O atentado foi o pretexto imediato, não a causa.

Davi: Isso. A causa real foi a política antissemita do regime. Apresentar o pogrom como reação espontânea da população alemã é historicamente incorreto.

Lia: E isso nos leva ao segundo bloco: quem organizou a violência?

Davi: A propaganda falava em "fúria popular espontânea". Mas, na noite de 9 de novembro, a liderança do Partido Nazista estava reunida na antiga prefeitura de Munique. Ali, Hitler e o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, decidiram desencadear o pogrom em todo o Reich.

Lia: E como essa decisão chegou às ruas?

Davi: Por volta das 22h, Goebbels discursou aos líderes da SA e do partido. A mensagem era clara: o partido não organizaria as ações em público, mas as "demonstrações espontâneas" não deveriam ser contidas pela polícia.

Lia: Ou seja, a espontaneidade foi encenada.

Davi: Foi. E as ordens seguiram por telegrama. Às 23h55 de 9 de novembro, Heinrich Müller, chefe da Gestapo, mandou preparar a prisão em massa de judeus, com prioridade para homens abastados.

Lia: E depois veio Heydrich.

Davi: Reinhard Heydrich, chefe da Polícia de Segurança e do SD, à 1h20 do dia 10, ordenou que a polícia não impedisse os ataques. Autorizou incendiar sinagogas, desde que os imóveis vizinhos não judeus não corressem risco. Mandou apreender os arquivos das comunidades e prender homens judeus jovens, saudáveis e com bens.

Lia: Repara no cuidado com o prédio do vizinho. Isso mostra planejamento, não explosão de raiva.

Davi: E esse telegrama foi apresentado nos Julgamentos de Nuremberg, registrado como IMT 3051-PS. Os próprios diários de Goebbels registram o aval de Hitler. E até um tribunal interno do Partido Nazista confirmou a origem estatal dos ataques.

Lia: Então, se um aluno perguntar "foi o povo que se revoltou?", a resposta é...

Davi: Não. Houve participação de forças do partido, da polícia e de civis, mas o pogrom foi decidido e dirigido pela cúpula nazista.

Lia: Terceiro bloco: o que aconteceu naquela noite e nos dias seguintes?

Davi: Em poucas horas, a vida comunitária judaica foi destruída. Segundo o Yad Vashem, mais de 1.400 sinagogas e salas de oração foram profanadas, incendiadas ou destruídas na Alemanha e na Áustria.

Lia: E o comércio?

Davi: Cerca de 7.500 estabelecimentos judaicos foram saqueados ou danificados. Residências foram invadidas e cemitérios judaicos foram depredados.

Lia: E é daí que vem o nome, não é? Os cacos das vitrines.

Davi: Sim, o termo alemão é Kristallnacht, ou Reichskristallnacht. O nome alude aos cacos de vidro que cobriram as ruas. Mas muitos historiadores e instituições consideram a expressão inadequada.

Lia: Por quê?

Davi: Porque a imagem de vidro quebrado pode esconder o essencial: houve assassinatos, terror e prisões em massa. Por isso o Yad Vashem e outras instituições também usam "Pogrom de Novembro".

Lia: Falando em assassinatos, quantas pessoas morreram?

Davi: Os registros oficiais nazistas da época contaram 91 judeus assassinados, número citado pelo Yad Vashem. Mas as estimativas variam conforme o critério. Pesquisas historiográficas e registros dos campos chegam a algo entre 1.300 e 1.500 mortes, somando assassinatos, mortes por agressões e suicídios causados pelo terror.

Lia: Uma diferença enorme, que vale a pena discutir em aula: quem conta, e o que se conta.

Davi: Exatamente. E há as prisões. Cerca de 30 mil homens judeus foram presos pelas SS, pela Gestapo e pela polícia. Muitos foram levados a Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen.

Lia: O que eles enfrentaram lá?

Davi: Espancamentos, fome e trabalho forçado. Segundo o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos, centenas morreram em decorrência dos maus-tratos.

Lia: E tem um detalhe que eu acho muito revelador.

Davi: Essas prisões foram o primeiro internamento em massa feito só porque as vítimas eram judias, sem acusação de crime. E muitos só foram soltos depois de se comprometer a deixar a Alemanha ou provar que tentavam emigrar.

Lia: Vamos ao último bloco: por que a Noite dos Cristais anunciou o Holocausto?

Davi: Primeiro, pelo que veio logo depois. Em 12 de novembro de 1938, Hermann Göring presidiu em Berlim uma conferência para tirar os judeus da vida econômica.

Lia: E o que foi decidido?

Davi: O regime impôs aos judeus uma multa coletiva de 1 bilhão de Reichsmarks, chamada de "indenização" pela morte de vom Rath.

Lia: As vítimas pagando pela violência que sofreram.

Davi: E não parou aí. O Estado confiscou as indenizações de seguro devidas pelos danos e obrigou os judeus a pagar a reparação do que o próprio Estado destruíra. Acelerou a "arianização", que era a transferência forçada de empresas e bens judaicos a não judeus. E, em 15 de novembro, expulsou todas as crianças judaicas das escolas públicas.

Lia: E o mundo, Davi? Como reagiu?

Davi: De forma limitada. O presidente americano Franklin D. Roosevelt condenou a violência e chamou de volta seu embaixador para consultas, mas não rompeu relações com a Alemanha, segundo o Museu do Holocausto dos Estados Unidos.

Lia: E as portas para os refugiados?

Davi: As restrições à imigração continuaram em muitos países. Meses antes, a Conferência de Évian já tinha mostrado a dificuldade de abrir portas aos refugiados judeus. Muitos historiadores avaliam essa resposta como insuficiente.

Lia: Então o regime aprendeu duas coisas naquela semana.

Davi: Que podia usar violência aberta, prisões em massa e expropriação total contra os judeus, e que a reação internacional seria limitada. Pouco mais de três anos depois, em 20 de janeiro de 1942, na Conferência de Wannsee, o alto escalão nazista coordenou a chamada "Solução Final".

Lia: E o resultado é o que o Museu Memorial do Holocausto dos Estados Unidos define como Holocausto: a perseguição e o assassinato sistemático de cerca de seis milhões de judeus europeus pela Alemanha nazista, seus aliados e colaboradores, entre 1933 e 1945.

Davi: Com guetos, deportações, fuzilamentos em massa, campos de concentração e centros de extermínio.

Lia: Antes de fechar, uma palavra sobre hoje. A JJO adota a definição de trabalho de antissemitismo da IHRA.

Davi: E, por essa definição, negar ou minimizar o Holocausto é antissemitismo, assim como negar o direito de Israel existir. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Lia: Vamos às três ideias-chave do episódio.

Davi: Primeira: a Noite dos Cristais não foi espontânea. Foi decidida por Hitler e Goebbels e executada com ordens à polícia para não intervir.

Lia: Segunda: foi a passagem da perseguição legal para a violência aberta, com mais de 1.400 sinagogas e salas de oração atacadas, cerca de 7.500 estabelecimentos saqueados e cerca de 30 mil homens judeus enviados a campos de concentração.

Davi: Terceira: a expropriação que veio depois e a reação internacional limitada mostraram ao regime até onde ele podia ir. Por isso o pogrom anunciou o Holocausto.

Lia: Professores, uma sugestão: discutam com a turma o próprio nome do episódio, Noite dos Cristais ou Pogrom de Novembro, e o que cada nome revela ou esconde.

Davi: Obrigado por ouvir o Contexto.

Lia: Mais materiais em jjo.org.br. Até o próximo episódio.

Apresentação pronta para usar

16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.

Slide 1 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 2 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 3 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 4 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 5 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 6 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 7 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 8 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 9 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 10 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 11 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 12 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 13 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 14 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 15 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência abertaSlide 16 de 16: A Noite dos Cristais: quando a perseguição virou violência aberta

Baixar PDF (1,7 MB)Baixar PowerPoint (68 KB)

Guia de estudo

Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, o estudante deverá ser capaz de:

  1. Situar a Noite dos Cristais (9 e 10 de novembro de 1938) no processo de exclusão dos judeus alemães iniciado em 1933.
  2. Distinguir o pretexto imediato (o atentado em Paris) da causa real (a política antissemita do regime nazista).
  3. Demonstrar que o pogrom foi decidido e dirigido pela cúpula nazista. Não foi uma “fúria popular espontânea”.
  4. Compreender as diferentes estimativas de mortos e o que cada uma delas conta.
  5. Explicar por que o episódio é visto como uma virada que anunciou o Holocausto.
  6. Avaliar a resposta internacional e refletir sobre o combate ao antissemitismo hoje.

Contexto: antes de novembro de 1938

Os judeus alemães eram cidadãos da Alemanha. A partir de 1933, o regime nazista os excluiu passo a passo. O genocídio não começou nas câmaras de gás. Começou com discriminação e leis.

  • 1933: começam a exclusão jurídica e econômica e a propaganda antissemita oficial.
  • 1935: as Leis de Nuremberg definem os judeus por critérios biológicos, cassam sua cidadania alemã e proíbem relações com não judeus.
  • Até 1938, os judeus já sofriam exclusão profissional, leis raciais, expropriação e expulsões.

Em novembro de 1938, o Estado nazista passou a atacá-los diretamente: nas ruas, nas casas e nas sinagogas.


Conceitos-chave

  • Pogrom: ataque coletivo contra judeus, muitas vezes tolerado ou incentivado por autoridades. A Noite dos Cristais foi um pogrom de Estado.
  • Kristallnacht / Reichskristallnacht: o nome alemão alude aos cacos das vitrines quebradas que cobriram as ruas.
  • Pogrom de Novembro: nome preferido hoje por muitas instituições, entre elas o Yad Vashem. A imagem do vidro quebrado pode esconder o essencial: houve assassinatos, terror e prisões em massa.
  • Pretexto x causa:
  • O atentado de Herschel Grynszpan contra Ernst vom Rath foi o pretexto imediato.
  • A causa real foi a política antissemita do regime.
  • Descrever o pogrom como reação espontânea da população alemã é historicamente incorreto.
  • Virada: segundo o Yad Vashem, a perseguição deixou de ser só jurídica e econômica. Passou à violência física aberta e ao encarceramento em massa.
  • Arianização: transferência forçada de empresas e bens judaicos a não judeus. Foi acelerada depois do pogrom.

Linha do tempo

Data Acontecimento
Final de outubro de 1938 Os nazistas deportam à força entre 17.000 e 18.000 judeus de nacionalidade polonesa que viviam na Alemanha. Eles são largados na fronteira, em Zbąszyń. Entre eles está a família de Herschel Grynszpan, de 17 anos.
7 de novembro de 1938 Grynszpan atira no diplomata Ernst vom Rath na embaixada alemã em Paris. A imprensa nazista, como o jornal Völkischer Beobachter, inicia uma campanha de incitação.
7 e 8 de novembro Ativistas do partido já atacam sinagogas e lojas judaicas no norte de Hesse (Kassel) e em Dessau.
9 de novembro Vom Rath morre. Em Munique, Hitler e Goebbels decidem desencadear o pogrom em todo o Reich. Por volta das 22h, Goebbels discursa aos líderes da SA e do partido.
9 de novembro, 23h55 Telegrama de Heinrich Müller, chefe da Gestapo: preparar a prisão em massa de judeus, com prioridade para homens abastados.
10 de novembro, 1h20 Telegrama de Reinhard Heydrich: a polícia não deve impedir os ataques. Sinagogas podem ser incendiadas se os imóveis vizinhos não judeus não correrem risco. Os arquivos das comunidades devem ser apreendidos e os homens judeus jovens, saudáveis e com bens devem ser presos.
9 e 10 de novembro Mais de 1.400 sinagogas e salas de oração são atacadas e cerca de 7.500 estabelecimentos judaicos são saqueados ou danificados. Cerca de 30 mil homens judeus são presos.
12 de novembro Conferência presidida por Hermann Göring em Berlim. O regime impõe aos judeus uma multa coletiva de 1 bilhão de Reichsmarks.
15 de novembro Todas as crianças judaicas são expulsas das escolas públicas.
20 de janeiro de 1942 Na Conferência de Wannsee, o alto escalão nazista coordena a “Solução Final”.

O pogrom foi organizado pelo Estado

A propaganda nazista falou em “demonstrações espontâneas”. Os registros da época mostram o contrário:

  • A decisão: Hitler e Goebbels decidiram o pogrom em Munique. Os diários de Goebbels registram o aval de Hitler.
  • A instrução: Goebbels disse que o partido não organizaria as ações em público. Mas as “demonstrações” não deveriam ser contidas pela polícia.
  • As ordens: Müller e Heydrich enviaram ordens por telegrama.
  • A prova em julgamento: o telegrama de Heydrich foi apresentado como prova nos Julgamentos de Nuremberg (IMT 3051-PS).
  • A confirmação interna: até um tribunal interno do Partido Nazista confirmou a origem estatal dos ataques.
  • Os participantes: forças do Partido Nazista, a polícia e civis.

Quantos morreram? Ler os números com cuidado

Estimativa O que conta
91 Registro oficial nazista da época (número citado pelo Yad Vashem)
91 ou 92 Assassinatos diretamente documentados nos dias do pogrom
Cerca de 100 Inclui mortes ligadas imediatamente à violência
Entre 1.300 e 1.500 Pesquisas historiográficas e registros dos campos: assassinatos, mortes por agressões e suicídios causados pelo terror

Nos campos de concentração, segundo o Museu do Holocausto dos EUA, centenas de presos morreram em decorrência dos maus-tratos.


As prisões em massa

  • Quem prendeu: as SS, a Gestapo e a polícia prenderam cerca de 30 mil homens judeus.
  • Para onde foram: muitos foram levados a Dachau, Buchenwald e Sachsenhausen.
  • O que sofreram: espancamentos, fome e trabalho forçado.
  • Por que foi inédito: foi o primeiro internamento em massa feito só porque as vítimas eram judias, sem acusação de crime.
  • A libertação: muitos só foram soltos depois de se comprometer a deixar a Alemanha ou provar que tentavam emigrar.

Depois do pogrom: expropriação e silêncio

Medidas do regime após a conferência de 12 de novembro:

  • Multa coletiva de 1 bilhão de Reichsmarks, chamada de “indenização” pela morte de vom Rath, embora os judeus fossem as vítimas.
  • Confisco das indenizações de seguro devidas pelos danos. Os judeus foram obrigados a pagar a reparação do que o próprio Estado destruíra.
  • Aceleração da “arianização”.
  • Expulsão das crianças judaicas das escolas públicas, em 15 de novembro.

A reação internacional foi limitada:

  • O presidente americano Franklin D. Roosevelt condenou a violência e chamou de volta seu embaixador para consultas. Mas não rompeu relações com a Alemanha.
  • As restrições à imigração continuaram em muitos países.
  • A Conferência de Évian, meses antes, já mostrara a dificuldade de abrir portas aos refugiados judeus.
  • Muitos historiadores avaliam essa resposta como insuficiente.

Por que isso importa hoje

A Noite dos Cristais mostrou duas coisas: o Estado nazista estava disposto a usar violência aberta, prisões em massa e expropriação total contra os judeus, e a reação internacional seria limitada.

A JJO adota a definição de trabalho de antissemitismo da IHRA. Por esse critério, negar ou minimizar o Holocausto é antissemitismo, assim como negar o direito de Israel existir. A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.


5 perguntas para discussão

  1. Por que é importante distinguir o pretexto (o atentado em Paris) da causa (a política antissemita do regime)? Que efeito tinha a propaganda ao falar em “fúria popular espontânea”?
  2. O nome “Noite dos Cristais” destaca o vidro quebrado; “Pogrom de Novembro” destaca a violência contra pessoas. Como as palavras que usamos moldam a memória de um acontecimento?
  3. As estimativas de mortos vão de 91 a entre 1.300 e 1.500. O que essa diferença revela sobre os registros oficiais de um regime que comete violência, e sobre o trabalho dos historiadores?
  4. Os judeus foram obrigados a pagar uma multa de 1 bilhão de Reichsmarks e a reparar os danos que sofreram. Como a inversão entre vítima e culpado serviu à expropriação?
  5. Roosevelt condenou o pogrom, mas não rompeu relações, e muitos países mantiveram restrições à imigração. O que a resposta internacional de 1938 ensina sobre a responsabilidade diante da perseguição a um povo?

Glossário curto

  • Antissemitismo: hostilidade, preconceito e violência dirigidos contra judeus.
  • Pogrom: ataque coletivo contra judeus, muitas vezes tolerado ou incentivado por autoridades.
  • Reich alemão (1938): abrangia a Alemanha, a Áustria anexada e os Sudetos.
  • Leis de Nuremberg (1935): definiram os judeus por critérios biológicos, cassaram sua cidadania alemã e proibiram relações com não judeus.
  • Arianização: transferência forçada de empresas e bens judaicos a não judeus.
  • Zbąszyń: local na fronteira onde foram largados os judeus de nacionalidade polonesa deportados da Alemanha no fim de outubro de 1938.
  • Holocausto: segundo o USHMM, a perseguição e o assassinato sistemático de cerca de seis milhões de judeus europeus pela Alemanha nazista, seus aliados e colaboradores, entre 1933 e 1945.
  • Solução Final: plano de extermínio coordenado pelo alto escalão nazista na Conferência de Wannsee, em 20 de janeiro de 1942.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Em que datas ocorreu a Noite dos Cristais?

O pogrom ocorreu em 9 e 10 de novembro de 1938, em todo o Reich alemão: Alemanha, Áustria anexada e Sudetos. Ataques isolados já haviam começado em 7 e 8 de novembro, em Kassel e Dessau.

2. Qual foi o pretexto imediato usado pelo regime nazista para o pogrom?

Em 7 de novembro de 1938, Grynszpan, revoltado com a deportação de sua família para Zbąszyń, atirou em vom Rath, que morreu em 9 de novembro. O atentado foi o pretexto. A causa real foi a política antissemita do regime.

3. Quem decidiu desencadear o pogrom em todo o Reich, na noite de 9 de novembro, em Munique?

Hitler e o ministro da Propaganda, Joseph Goebbels, decidiram o pogrom durante a reunião da liderança do partido na antiga prefeitura de Munique. Os diários de Goebbels registram o aval de Hitler.

4. O que ordenou o telegrama de Reinhard Heydrich, enviado à 1h20 de 10 de novembro de 1938?

Heydrich também mandou apreender os arquivos das comunidades e prender homens judeus jovens, saudáveis e com bens. O telegrama foi apresentado como prova nos Julgamentos de Nuremberg (IMT 3051-PS).

5. Quantos homens judeus foram presos durante o pogrom?

Cerca de 30 mil homens judeus foram presos pelas SS, pela Gestapo e pela polícia. Foi o primeiro internamento em massa feito só porque as vítimas eram judias, sem acusação de crime.

6. Para quais campos de concentração muitos dos presos foram levados?

Nesses campos, os presos sofreram espancamentos, fome e trabalho forçado. Segundo o Museu do Holocausto dos EUA, centenas morreram em decorrência dos maus-tratos.

7. Sobre o número de mortos, qual afirmação está correta?

As estimativas variam conforme o critério. A mais ampla, entre 1.300 e 1.500, inclui assassinatos, mortes por agressões e suicídios causados pelo terror, com base em pesquisas e registros dos campos.

8. O que o regime impôs aos judeus na conferência presidida por Hermann Göring em 12 de novembro de 1938?

Os judeus eram as vítimas, mas foram obrigados a pagar. O Estado também confiscou as indenizações de seguro, obrigou os judeus a reparar o que o próprio Estado destruíra e acelerou a “arianização”.

9. Por que muitas instituições preferem hoje o nome “Pogrom de Novembro”?

“Kristallnacht” alude aos cacos das vitrines nas ruas. O Yad Vashem e outras instituições usam também “pogrom de novembro” para destacar a violência contra pessoas.

10. Como foi a reação do presidente americano Franklin D. Roosevelt ao pogrom?

Segundo o Museu do Holocausto dos EUA, a resposta foi limitada. As restrições à imigração continuaram em muitos países, e muitos historiadores avaliam a resposta internacional como insuficiente.

Cartões de estudo

Clique no cartão para virar.

Assista

“Me encontre, tá?” Família de Eden Yerushalmi diante das câmeras pela última vez, 3 anos após 7/10i24NEWS Português

Reportagem da i24NEWS com a irmã e a melhor amiga de Eden Yerushalmi, sequestrada no festival Nova e assassinada no cativeiro pelos terroristas do Hamas, sobre o luto, a memória e o documentário 'Find Me', lançado três anos após o 7 de outubro.

Adolescentes e adultos
Tão Somentes Crianças - Infâncias roubadas no HolocaustoFIERJ Assuntos Gerais

Reportagem do programa Comunidade na TV, da Federação Israelita do Rio de Janeiro, sobre a exposição itinerante "Tão Somente Crianças", do Museu do Holocausto de Curitiba. Mostra objetos e histórias pessoais de crianças vítimas e sobreviventes da Shoá, como a de Bia Finkel, que passou 495 dias escondida, além de visitas guiadas para escolas.

Adolescentes e adultos
LUZ SOBRE O CAOS - O Aktion T4 e a luta pela inclusãoMuseu do Holocausto de Curitiba

O Museu do Holocausto de Curitiba apresenta o programa nazista Aktion T4, que assassinou dezenas de milhares de pessoas com deficiência, a partir da visita de estudantes cegos do projeto Ver com as Mãos, que relacionam essa memória à luta atual por inclusão.

Adolescentes e adultos
Também em inglês: mais 3 vídeos sobre o tema

Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).

The Development of the "Final Solution"Yad Vashem · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Aula do Yad Vashem que reconstrói passo a passo como a perseguição nazista evoluiu para a 'Solução Final', das leis e expulsões do pré-guerra aos fuzilamentos dos Einsatzgruppen, à Conferência de Wannsee e aos campos de extermínio. Apresenta com rigor documental o debate entre historiadores sobre quando e como foi tomada a decisão do genocídio dos seis milhões de judeus.

Adolescentes e adultos
The Story of Irena Sendler | Righteous Among the Nations | Yad VashemYad Vashem · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

O Yad Vashem conta a história de Irena Sendler, assistente social católica polonesa que, com a rede clandestina Żegota, resgatou centenas de crianças judias do Gueto de Varsóvia e foi reconhecida como Justa entre as Nações.

Adolescentes e adultos
The Story of Leopold Socha | Righteous Among the Nations | Yad VashemYad Vashem · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

Produção do Yad Vashem que conta a história de Leopold Socha, funcionário da rede de esgotos de Lwów que escondeu 21 judeus nos canais subterrâneos durante 13 meses, salvando dez deles, e foi reconhecido com a esposa Magdalena como Justo entre as Nações. O vídeo contextualiza a perseguição nazista, o gueto e as deportações para Bełżec e Janowska.

Adolescentes e adultos

Todos os vídeos por tema →

Para ler mais