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Construção do Hospital Hadassah no Monte Scopus, Jerusalém, durante o Mandato Britânico
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A medicina israelense e as inovações que salvam vidas

Podcast, infográfico, guia de estudo, quiz e cartões sobre a medicina israelense e as inovações que salvam vidas, para professores de Ciências, estudantes e famílias.

Para: professores de Ciências, estudantes e famíliasPodcast: 11 min
Foto: Construção do Hospital Hadassah no Monte Scopus, Jerusalém, durante o Mandato Britânico. MATSON ERIC · Public domain · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 5,2 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO.

Davi: E eu sou o Davi. Hoje o assunto é saúde.

Lia: Isso. Vamos falar da medicina israelense e das inovações que salvam vidas, em Israel e fora dele.

Davi: E por que esse tema importa, Lia?

Lia: Porque a boa ciência nasce de problemas concretos, e Israel é um ótimo exemplo para a sala de aula. Além disso, muita gente no Brasil já viu essa experiência de perto.

Davi: Viu de perto como?

Lia: Pense em Brumadinho. Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da Vale se rompeu em Minas Gerais.

Davi: Lembro bem. A lama cobriu áreas enormes e deixou centenas de pessoas desaparecidas.

Lia: Israel mandou uma missão das Forças de Defesa de Israel, as FDI, com 130 integrantes.

Davi: Quem vinha nessa equipe?

Lia: Engenheiros, médicos, bombeiros, mergulhadores de uma unidade naval e cães farejadores da unidade Oketz.

Davi: Mergulhadores no meio da lama?

Lia: Sim, porque boa parte das buscas acontecia em áreas alagadas. Eles usaram sonar, drones e localização por sinal de celular.

Davi: E vale dizer: o comando era brasileiro.

Lia: Exato. Foi uma operação conjunta com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, e o mérito foi compartilhado.

Davi: E o Brasil reconheceu esse trabalho.

Lia: Com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda que o país concede a estrangeiros.

Davi: Esse é o espírito do episódio. Primeiro bloco, então: como funciona a saúde dentro de Israel?

Lia: O sistema é público e universal. A lei garante atendimento a todos os residentes.

Davi: E quem presta o serviço?

Lia: Quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos, as Kupot Holim.

Davi: E o que o seguro básico cobre?

Lia: Cobre consultas e atendimento especializado.

Davi: E hospitais?

Lia: Também. E os remédios saem bem mais baratos, com subsídio alto.

Davi: E quem quiser pode pagar uma camada extra de seguro, certo?

Lia: Certo. Tem ainda um detalhe que vai importar mais adiante: quase toda a população tem prontuário eletrônico.

Davi: O que fica registrado ali?

Lia: Histórico clínico, diagnósticos, exames de laboratório e uso de medicamentos. Hospitais e médicos compartilham essas informações com segurança.

Davi: E os resultados? Israel tem o melhor sistema do mundo?

Lia: Não existe um ranking único que defina isso. Mas os indicadores são fortes.

Davi: Por exemplo?

Lia: A expectativa de vida é a quarta maior da OCDE.

Davi: Quantos anos, mais ou menos?

Lia: Entre 83,8 e 84,8 anos, conforme a estimativa.

Davi: E a mortalidade infantil?

Lia: São 3,1 mortes por 1.000 nascidos vivos, uma das menores do mundo.

Davi: Isso custa caro?

Lia: Menos do que se imagina. Israel investe cerca de 7,6% do PIB em saúde.

Davi: Comparado com quem?

Lia: Alemanha, Áustria e Suíça investem entre 11% e 12%.

Davi: Mas nem tudo é perfeito.

Lia: Não. Há diferenças de qualidade entre o centro do país e a periferia, e os gastos das famílias do próprio bolso são relativamente altos.

Davi: E, no começo da covid, a Controladoria do Estado de Israel apontou que o país não estava preparado. Faltavam medicamentos, leitos e respiradores.

Lia: É um retrato honesto, com conquistas e desafios.

Davi: Segundo bloco: as invenções. Qual é a mais curiosa para você?

Lia: A PillCam, da empresa israelense Given Imaging.

Davi: É a cápsula que a gente engole?

Lia: Isso. Uma pequena câmera transmite imagens do trato gastrointestinal. Assim dá para examinar o intestino delgado sem a endoscopia convencional.

Davi: E o Copaxone?

Lia: É o acetato de glatirâmero, desenvolvido pela Teva. Tornou-se um tratamento importante para formas recorrentes da esclerose múltipla.

Davi: E o ReWalk?

Lia: É um exoesqueleto robótico que ajuda pessoas com lesão medular a ficar em pé e caminhar.

Davi: Professores, atenção aqui: é um dispositivo de reabilitação e mobilidade, não uma cura para a paralisia.

Lia: Exato. E há também stents cardíacos de alta precisão, usados em procedimentos do coração.

Davi: De onde vem tanta inovação?

Lia: Da integração entre universidades, hospitais e empresas. Escritórios de transferência de tecnologia patenteiam as descobertas e as transformam em dezenas de startups.

Davi: E existe pesquisa básica por trás disso?

Lia: Muita. Avram Hershko e Aaron Ciechanover, professores da Faculdade de Medicina do Technion, ganharam o Nobel de Química de 2004.

Davi: Por qual descoberta?

Lia: Descobriram como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina.

Davi: E Ada Yonath, do Instituto Weizmann, foi premiada em 2009 pelos estudos sobre o ribossomo.

Lia: Biologia celular de livro didático.

Davi: E o que se pesquisa hoje?

Lia: A bioconvergência, que une biologia, engenharia, informática e inteligência artificial.

Davi: Com apoio público?

Lia: Sim. Em 2020, a Autoridade de Inovação de Israel e o fórum TELEM destinaram 150 milhões de shekels a esse campo.

Davi: E o Sheba Medical Center desenvolveu fotografias da retina que mapeiam a oxigenação e permitem diagnosticar cedo doenças oculares e sistêmicas.

Lia: Terceiro bloco, e aqui o prontuário eletrônico volta à cena.

Davi: A vacinação contra a covid.

Lia: Isso. No início de 2021, Israel fez uma das campanhas de vacinação mais rápidas do mundo.

Davi: Como conseguiu?

Lia: Com a infraestrutura digital de saúde e um acordo com a Pfizer-BioNTech. Israel recebeu vacinas de forma antecipada e em grande volume.

Davi: E em troca?

Lia: Enviava toda semana dados agregados e anonimizados sobre eficácia, hospitalizações e segurança.

Davi: E quão rápido foi?

Lia: Segundo a Reuters, em mais ou menos duas semanas Israel vacinou cerca de 15% da população.

Davi: E liderava o mundo em velocidade de vacinação por habitante.

Lia: Essa é a métrica certa. E a vacinação não foi uniforme: houve diferenças por idade, região, situação socioeconômica e status de residência.

Davi: E os palestinos?

Lia: Críticos levantaram a questão da vacinação de palestinos de Judeia e Samaria e de Gaza.

Davi: E o que Israel responde?

Lia: Que, pelos Acordos de Oslo, a saúde dessa população é responsabilidade da Autoridade Palestina, que assumiu a própria campanha de vacinação.

Davi: E o que esses dados ensinaram à ciência?

Lia: Ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina contra a doença sintomática e, sobretudo, contra a doença grave.

Davi: Com alguma cautela?

Lia: Sim. Eram dados observacionais, que exigem cuidado com fatores como idade e variantes.

Davi: E os casos de miocardite?

Lia: As autoridades investigaram casos de inflamação cardíaca após a vacina, principalmente em homens jovens.

Davi: E o que isso significa?

Lia: Que a investigação, por si só, não prova que a vacina causou todos os casos. Uma boa lição sobre como a ciência separa suspeita de prova.

Davi: Israel criou uma vacina própria?

Lia: Houve um protótipo testado em animais em 2020. Mas a liderança veio da compra, da logística e da prioridade aos grupos de risco.

Davi: Último bloco: quem mais se beneficia dessa medicina?

Lia: Começo pelo Save a Child's Heart, uma organização israelense sem fins lucrativos de cirurgia cardíaca pediátrica.

Davi: Onde são feitas as cirurgias?

Lia: Principalmente no Wolfson Medical Center, em Holon. Segundo a organização, desde 1995 ela tratou mais de 8 mil crianças.

Davi: De onde vêm essas crianças?

Lia: Cerca de metade veio de comunidades palestinas de Judeia e Samaria e de Gaza, do Iraque e do Marrocos.

Davi: E existe atendimento gratuito?

Lia: Uma clínica semanal para crianças palestinas, onde são examinadas de 20 a 25 crianças por semana.

Davi: E a Síria?

Lia: Durante a guerra civil síria, hospitais do norte de Israel, principalmente o Hospital Ziv, em Safed, trataram feridos sírios, inclusive civis.

Davi: Houve polêmica?

Lia: Israel descreve esse trabalho como assistência humanitária. Houve questionamentos sobre como os pacientes eram selecionados, mas o fato é que sírios feridos foram tratados em Israel.

Davi: E na pandemia?

Lia: Israel enviou equipamentos, insumos e especialistas a mais de 16 países.

Davi: E destinou 60 milhões de dólares a vacinas e diagnósticos pelo mecanismo COVAX.

Lia: Além de Brumadinho, houve outras missões em desastres. No Haiti, em 2010, um hospital de campanha israelense fez 317 cirurgias, segundo o JNS.

Davi: E na Turquia, em 2023, a delegação Ramos de Oliveira resgatou 19 pessoas, segundo as FDI.

Lia: E chegamos a Gaza.

Davi: A guerra começou com o ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel, em 2023.

Lia: Segundo o balanço oficial do governo de Israel, foram sete hospitais de campanha dentro da Faixa de Gaza.

Davi: E fora dela?

Lia: Ainda segundo esse balanço, foram três hospitais flutuantes em Al-Arish, no Egito.

Davi: E qual foi a capacidade?

Lia: Ainda segundo o balanço oficial de Israel, foram 850 leitos adicionais e mais de 50 mil atendimentos.

Davi: Mas houve críticas.

Lia: Sim. Críticos dizem que foi pouco diante dos danos à infraestrutura de saúde, das restrições de entrada e da escala das necessidades.

Davi: E a resposta?

Lia: Israel e as FDI respondem que o Hamas usa a população civil como escudo, instalou estruturas militares em hospitais e desviou ajuda humanitária.

Davi: Então são perguntas diferentes.

Lia: São. A existência dessas ações é um fato registrado. E a discussão sobre a escala não apaga a responsabilidade de quem começou a guerra, mantém reféns e usa civis como escudo: o Hamas.

Davi: E o sofrimento dos civis palestinos é real.

Lia: É real. E Israel manteve canais de atendimento à população civil de Gaza mesmo em guerra contra um grupo terrorista.

Davi: Vamos às três ideias-chave?

Lia: Primeira: Israel tem saúde pública e universal, com prontuário eletrônico para quase toda a população e resultados entre os melhores da OCDE.

Davi: Segunda: a inovação nasce da integração entre universidades, hospitais e empresas, da ubiquitina à PillCam.

Lia: Terceira: essa medicina salva vidas além das fronteiras, da lama de Brumadinho às crianças palestinas operadas em Holon, e até em Gaza durante a guerra.

Davi: Obrigado por ouvir o Contexto.

Lia: Mais materiais em jjo.org.br. Até a próxima!

Infográfico

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Infográfico: A medicina israelense e as inovações que salvam vidas

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Guia de estudo

Guia de estudo da JJO (Juventude Judaica Organizada) para professores de Ciências, estudantes e famílias


Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, você será capaz de:

  1. Identificar as inovações médicas israelenses mais conhecidas: PillCam, Copaxone, ReWalk e stents cardíacos de alta precisão.
  2. Explicar como funciona o sistema de saúde de Israel, que é público e universal, e interpretar seus principais indicadores.
  3. Relacionar a força da medicina israelense ao ecossistema que une universidades, hospitais, empresas e Estado.
  4. Analisar a campanha israelense de vacinação contra a covid-19 com precisão científica, separando o que os dados mostram do que eles não mostram.
  5. Conhecer missões humanitárias e médicas de Israel no Brasil e no mundo: Brumadinho, Haiti, Turquia, Save a Child's Heart, feridos sírios e Gaza.
  6. Praticar a leitura crítica de números: perguntar o que cada indicador mede, em que período e com qual critério.

Conceitos-chave

1. Um sistema de saúde público e universal

  • A lei garante atendimento a todos os residentes de Israel.
  • Quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos, as Kupot Holim, prestam os serviços.
  • O que o seguro básico cobre:
  • atenção primária e secundária;
  • serviços hospitalares;
  • medicamentos e tecnologias médicas com alto subsídio.
  • Quem quiser pode pagar uma camada extra de seguro em uma das Caixas.
  • Quase 100% da população tem prontuário eletrônico. O registro reúne histórico clínico, diagnósticos, exames e uso de medicamentos, compartilhados com segurança entre hospitais e médicos.
  • Desafios reconhecidos:
  • há diferenças de qualidade entre o centro e a periferia do país;
  • os gastos das famílias do próprio bolso são relativamente altos, por causa de uma privatização parcial;
  • em 2020, a Controladoria do Estado de Israel apontou que o país não estava preparado para surtos de grande escala no início da covid-19. Faltavam medicamentos, leitos e respiradores.

2. Indicadores de saúde

Indicador Israel
Expectativa de vida 4ª maior da OCDE, entre 83,8 e 84,8 anos (as estimativas variam)
Mortalidade infantil 3,1 mortes por 1.000 nascidos vivos, uma das menores do mundo
Investimento em saúde cerca de 7,6% do PIB
Comparação Alemanha, Áustria e Suíça investem entre 11% e 12% do PIB
  • Israel obtém resultados entre os melhores da OCDE gastando menos que muitos desses países.
  • O que explica essa longevidade:
  • baixa mortalidade infantil;
  • baixa mortalidade por doenças cardíacas, uma das menores taxas da OCDE;
  • tratamento bem-sucedido do câncer e do AVC.
  • Atenção: não existe um único ranking mundial que defina o “melhor” sistema de saúde ou o “melhor” hospital.

3. Inovações médicas israelenses

  • PillCam: cápsula endoscópica desenvolvida pela empresa israelense Given Imaging. O paciente engole a cápsula, e uma pequena câmera transmite imagens do trato gastrointestinal. Assim, é possível examinar o intestino delgado sem a endoscopia convencional.
  • Copaxone (acetato de glatirâmero): desenvolvido pela empresa israelense Teva. Tornou-se um tratamento importante para formas recorrentes da esclerose múltipla. O governo israelense o descreve como o primeiro medicamento do mundo desenvolvido especificamente para essa doença.
  • ReWalk: exoesqueleto robótico da ReWalk Robotics que ajuda pessoas com lesão medular a ficar em pé e caminhar. É um dispositivo de reabilitação e mobilidade, não uma cura para a paralisia.
  • Stents cardíacos de alta precisão: desenvolvidos por pesquisadores e pela indústria israelense, são usados em procedimentos do coração.
  • Diagnóstico ocular: pelo programa de transferência de tecnologia MAGNETON, o Sheba Medical Center desenvolveu métodos não invasivos de fotografia multiespectral. Algoritmos mapeiam a oxigenação da retina e permitem o diagnóstico precoce de doenças oculares e sistêmicas.

4. O ecossistema de pesquisa

Como funciona a integração

  • As faculdades de medicina fazem pesquisa clínica junto com os grandes hospitais.
  • Os escritórios de transferência de tecnologia patenteiam as descobertas e as transformam em dezenas de startups.

Principais instituições

  • Technion, em Haifa;
  • Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot;
  • Universidade Hebraica de Jerusalém;
  • universidades de Tel Aviv, Ben-Gurion do Negev, Bar-Ilan, Haifa e Ariel.

Áreas e iniciativas de destaque

  • Bioconvergência: fusão entre biologia, engenharia, física, informática e inteligência artificial. A Autoridade de Inovação de Israel e o fórum TELEM destinaram NIS 150 milhões a esse campo em 2020.
  • CRISPR IL: consórcio de centros acadêmicos e empresas de biotecnologia que usa inteligência artificial para tornar a edição genética na medicina mais precisa, segura e eficiente.
  • Israel Research Core Facilities (IRCF): criado em dezembro de 2022, integra laboratórios e bases de dados de universidades, hospitais e indústria farmacêutica.

Números da ciência israelense

  • Cerca de 140 cientistas e técnicos por 10.000 trabalhadores. Nos EUA são 85, e no Japão, 83.
  • Investimento em pesquisa e desenvolvimento civil entre 4,8% e 6,3% do PIB, conforme a estimativa.

Prêmios Nobel

  • Pesquisadores ligados a Israel receberam Prêmios Nobel de Química e Economia.
  • Dois deles têm ligação direta com a biologia celular:
  • Avram Hershko e Aaron Ciechanover (Química, 2004): degradação de proteínas mediada pela ubiquitina. Ambos eram professores da Faculdade de Medicina do Technion.
  • Ada Yonath (Química, 2009): estrutura e função do ribossomo.
  • O Nobel é sempre um prêmio individual.

5. A vacinação contra a covid-19

O que aconteceu

  • Em dezembro de 2020, Israel fechou acordos para receber grandes quantidades da vacina da Pfizer-BioNTech.
  • Em troca, enviava toda semana dados epidemiológicos agregados e anonimizados sobre eficácia, hospitalizações e segurança.
  • Em janeiro de 2021, já tinha vacinado cerca de 15% da população em mais ou menos duas semanas e liderava o mundo, segundo a Reuters.

O que os dados mostraram

  • Os dados israelenses ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina contra a doença sintomática e, sobretudo, contra a doença grave.
  • Tornaram-se uma das principais bases científicas do mundo sobre a vacina em condições reais.

Cuidados científicos

  • Eram dados observacionais, que exigem cuidado com fatores como idade e variantes.
  • As autoridades investigaram casos de miocardite e pericardite após a vacinação, sobretudo em homens jovens. A investigação, por si só, não prova que a vacina causou todos os casos.
  • Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel anunciou um protótipo de vacina testado em animais. A liderança israelense, porém, veio da compra, da logística e da priorização de grupos de risco, e não de uma vacina própria aplicada em larga escala.
  • Vacinação de palestinos: pelos Acordos de Oslo, a saúde da população palestina de Judeia e Samaria e de Gaza é responsabilidade da Autoridade Palestina, que assumiu a própria campanha de vacinação.

6. Medicina sem fronteiras

  • Save a Child's Heart: organização israelense sem fins lucrativos de cirurgia cardíaca pediátrica. As cirurgias acontecem principalmente no Wolfson Medical Center, em Holon.
  • Segundo a própria organização, desde 1995 tratou mais de 8 mil crianças.
  • Cerca de metade veio de Judeia e Samaria e de Gaza, do Iraque e do Marrocos.
  • Mantém uma clínica gratuita semanal para crianças palestinas de Judeia e Samaria e de Gaza, onde examina cerca de 20 a 25 crianças por semana.
  • Feridos sírios: durante a guerra civil síria, hospitais do norte de Israel, principalmente o Hospital Ziv, em Safed, trataram feridos sírios, entre eles civis.
  • Pandemia: Israel enviou equipamentos, insumos e especialistas a mais de 16 países. Em 2020, uma delegação de pesquisa foi à Índia para desenvolver testes rápidos em conjunto. Israel também destinou US$ 60 milhões a vacinas e diagnósticos no âmbito do mecanismo COVAX.
  • Brumadinho (2019): as Forças de Defesa de Israel (FDI) enviaram 130 integrantes: engenheiros, médicos, bombeiros, mergulhadores da unidade naval YATAM 707 e cães da unidade Oketz.
  • A equipe usou localização por sinais de celular, sonar naval e drones.
  • Trabalhou em coordenação com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, sob comando brasileiro.
  • O Brasil concedeu à equipe a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.
  • Haiti (2010): Israel enviou equipe de resgate e um hospital de campanha. A missão atendeu cerca de 1.110 pessoas e realizou 317 cirurgias.
  • Turquia (2023): a delegação “Olive Branches” (Ramos de Oliveira) trabalhou seis dias e resgatou 19 pessoas. Uma unidade israelense reabriu em 48 horas um hospital que havia sido evacuado.

7. Gaza: atendimento a civis em meio à guerra

  • A guerra em Gaza começou com o ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel em 2023.
  • Segundo o balanço oficial do governo de Israel, Israel coordenou:
  • sete hospitais de campanha na Faixa de Gaza;
  • três hospitais flutuantes em Al-Arish, no Egito;
  • 850 leitos adicionais;
  • mais de 50 mil atendimentos.
  • A crítica e a resposta: críticos alegam que essa ajuda foi insuficiente diante das necessidades. Israel e as FDI respondem que o Hamas usa a população civil como escudo, instalou estruturas militares em hospitais e desviou ajuda humanitária.
  • O que é fato: a existência dessas ações está registrada. O sofrimento dos civis palestinos é real. A responsabilidade é de quem começou a guerra, mantém reféns e usa civis como escudo: o Hamas.

8. Antissemitismo e ajuda humanitária

  • Em 27 de janeiro de 2019, dois dias após a tragédia de Brumadinho, uma charge ridicularizou a chegada dos socorristas israelenses.
  • Em 31 de janeiro de 2019, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e 14 federações judaicas estaduais divulgaram uma nota de repúdio. Elas lamentaram que a tragédia fosse usada para espalhar ódio e preconceito.
  • O episódio mostra um padrão: até um gesto humanitário pode virar pretexto para hostilidade contra Israel.
  • A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Linha do tempo

Ano/data Acontecimento
1953 Criação do Prêmio Israel, a mais alta honraria estatal do país
1995 Início do trabalho do Save a Child's Heart
2002 Daniel Kahneman recebe o Nobel de Economia
2004 Hershko e Ciechanover, do Technion, recebem o Nobel de Química (ubiquitina)
2005 Robert Aumann recebe o Nobel de Economia (teoria dos jogos)
2005–2015 Israel inaugura cinco usinas de dessalinização: Ashkelon, Palmachim, Hadera, Sorek e Ashdod
2009 Ada Yonath recebe o Nobel de Química (ribossomo)
12 jan. 2010 Terremoto no Haiti. Israel envia equipe de resgate e hospital de campanha
2011 Dan Shechtman recebe o Nobel de Química (quasicristais)
2013 Arieh Warshel e Michael Levitt recebem o Nobel de Química
25 jan. 2019 Rompimento da barragem em Brumadinho. As FDI enviam 130 integrantes
31 mar. 2019 Oficializada a entrega da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul à brigada israelense
2020 Protótipo de vacina testado em animais; NIS 150 milhões para a bioconvergência; delegação de pesquisa à Índia
dez. 2020 Acordos com a Pfizer-BioNTech
jan. 2021 Cerca de 15% da população vacinada em cerca de duas semanas
dez. 2022 Criação do Israel Research Core Facilities (IRCF)
2023 Missão “Olive Branches” na Turquia; ataque do Hamas contra Israel inicia a guerra em Gaza

5 perguntas para discussão

  1. Israel investe cerca de 7,6% do PIB em saúde e tem resultados entre os melhores da OCDE. Que fatores do sistema, como prontuário eletrônico, Caixas de Saúde e prevenção, podem explicar esse resultado com menos gasto?
  2. O ReWalk ajuda pessoas com lesão medular a ficar em pé e caminhar, mas não cura a paralisia. Por que é importante comunicar com precisão o que uma tecnologia médica faz e o que ela não faz?
  3. Os dados israelenses sobre a vacina da Pfizer-BioNTech eram observacionais e anonimizados. Quais cuidados científicos e éticos esse tipo de dado exige?
  4. Em Brumadinho, os israelenses trabalharam integrados aos bombeiros mineiros, sob comando brasileiro. O que essa cooperação ensina sobre a resposta a desastres?
  5. Uma charge zombou da ajuda israelense a Brumadinho, e a Conib e 14 federações judaicas estaduais reagiram com uma nota de repúdio. Como reconhecer quando a hostilidade contra Israel se transforma em preconceito, mesmo diante de um gesto humanitário?

Glossário

  • Kupot Holim: as quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos que prestam os serviços do sistema público israelense.
  • Prontuário eletrônico: registro digital com histórico clínico, diagnósticos, exames e medicamentos. Cobre quase 100% da população de Israel.
  • Cápsula endoscópica (PillCam): cápsula com câmera que o paciente engole para examinar o trato gastrointestinal.
  • Esclerose múltipla: doença tratada pelo Copaxone, em suas formas recorrentes.
  • Exoesqueleto: estrutura robótica que auxilia o movimento do corpo, como o ReWalk.
  • Stent: dispositivo usado em procedimentos do coração.
  • Ubiquitina: molécula envolvida na degradação de proteínas pelas células. Sua descoberta rendeu o Nobel de 2004.
  • Bioconvergência: fusão entre biologia, engenharia, física, informática e inteligência artificial.
  • Dados observacionais: dados coletados no mundo real, sem experimento controlado. Exigem cuidado com fatores como idade e variantes.
  • OCDE: grupo de países usado como referência nas comparações de indicadores de saúde.
  • FDI: Forças de Defesa de Israel.
  • IHRA: definição de antissemitismo adotada pela JJO. Por ela, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
  • Hamas: grupo terrorista que iniciou a guerra em Gaza com o ataque contra Israel em 2023.

Quiz: teste o que aprendeu

1. O que é a PillCam, desenvolvida pela empresa israelense Given Imaging?

A PillCam é uma cápsula endoscópica. Uma pequena câmera transmite imagens do trato gastrointestinal e permite examinar o intestino delgado sem a endoscopia convencional.

2. Qual empresa israelense desenvolveu o Copaxone, e contra qual doença ele é usado?

O Copaxone (acetato de glatirâmero) foi desenvolvido pela Teva e se tornou um tratamento importante para formas recorrentes da esclerose múltipla.

3. Quantas Caixas de Saúde (Kupot Holim) prestam os serviços do sistema público israelense?

Quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos prestam os serviços. O sistema é público e universal, garantido por lei a todos os residentes.

4. Quanto Israel investe em saúde, em proporção ao PIB?

Israel investe cerca de 7,6% do PIB em saúde, menos que Alemanha, Áustria e Suíça (entre 11% e 12%). Mesmo assim, tem a 4ª maior expectativa de vida da OCDE.

5. O que Israel oferecia em troca no acordo com a Pfizer-BioNTech para receber vacinas contra a covid-19?

Israel enviava toda semana dados agregados e anonimizados sobre eficácia, hospitalizações e segurança. Esses dados se tornaram uma das principais bases científicas do mundo sobre a vacina em condições reais.

6. Segundo a própria organização, quantas crianças o Save a Child's Heart tratou desde 1995?

A organização tratou mais de 8 mil crianças com cardiopatias, principalmente no Wolfson Medical Center, em Holon. Cerca de metade veio de Judeia e Samaria e de Gaza, do Iraque e do Marrocos.

7. Como foi a atuação da equipe das FDI em Brumadinho, em 2019?

Os 130 integrantes das FDI trabalharam em operação conjunta com as autoridades brasileiras. O mérito foi compartilhado com os bombeiros mineiros.

8. Que homenagem o Brasil concedeu à brigada israelense que atuou em Brumadinho?

A Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul é a mais alta comenda do Estado brasileiro para estrangeiros. A entrega foi oficializada em 31 de março de 2019.

9. Por qual descoberta Avram Hershko e Aaron Ciechanover, do Technion, receberam o Nobel de Química de 2004?

Os dois, professores da Faculdade de Medicina do Technion, dividiram o prêmio com Irwin Rose. Eles descobriram como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina.

10. Segundo o balanço oficial do governo de Israel, quantos hospitais de campanha Israel coordenou na Faixa de Gaza durante a guerra iniciada pelo ataque do grupo terrorista Hamas?

Foram sete hospitais de campanha em Gaza, três hospitais flutuantes em Al-Arish, no Egito, 850 leitos adicionais e mais de 50 mil atendimentos. A responsabilidade pela guerra é do Hamas, que a começou e usa civis como escudo.

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What Really Killed Oslo?Unpacking Israeli History · em inglês

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O historiador Haviv Rettig Gur analisa com Noam Weissman o contexto dos Acordos de Oslo, o duplo discurso e o terrorismo de Arafat, o assassinato de Yitzhak Rabin em 1995 e por que a onda de atentados suicidas fez a sociedade israelense deixar de acreditar no processo de paz. Também traça o perfil de Rabin como militar e estadista.

Adultos
Sorek Desalination Plant: #BehindTheScenes with Eylon Aslan-Levy (Episode 3)Eylon Levy · em inglês

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O comunicador Eylon Levy visita a usina de Sorek, uma das maiores de dessalinização de água do mar do mundo, e explica passo a passo como a água do Mediterrâneo vira água potável em Israel. Mostra como a inovação israelense enfrenta a escassez de água num país semiárido.

Adolescentes e adultos
The Best Explanation of Zionism and IsraelEinat Wilf · em inglês

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A ex-deputada israelense Einat Wilf apresenta o sionismo e Israel a partir de cinco conceitos: a ideia de Herzl, a aliá e a sociedade de imigrantes, o renascimento do hebraico, a minoria árabe e a raiz do conflito, que é a rejeição da soberania judaica. Uma introdução clara e didática ao direito do povo judeu à autodeterminação em sua terra ancestral.

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