
A medicina israelense e as inovações que salvam vidas
Podcast, infográfico, guia de estudo, quiz e cartões sobre a medicina israelense e as inovações que salvam vidas, para professores de Ciências, estudantes e famílias.
Ouça: Podcast Contexto
Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 5,2 MB).
Ler a transcrição completa
Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO.
Davi: E eu sou o Davi. Hoje o assunto é saúde.
Lia: Isso. Vamos falar da medicina israelense e das inovações que salvam vidas, em Israel e fora dele.
Davi: E por que esse tema importa, Lia?
Lia: Porque a boa ciência nasce de problemas concretos, e Israel é um ótimo exemplo para a sala de aula. Além disso, muita gente no Brasil já viu essa experiência de perto.
Davi: Viu de perto como?
Lia: Pense em Brumadinho. Em 25 de janeiro de 2019, a barragem da Vale se rompeu em Minas Gerais.
Davi: Lembro bem. A lama cobriu áreas enormes e deixou centenas de pessoas desaparecidas.
Lia: Israel mandou uma missão das Forças de Defesa de Israel, as FDI, com 130 integrantes.
Davi: Quem vinha nessa equipe?
Lia: Engenheiros, médicos, bombeiros, mergulhadores de uma unidade naval e cães farejadores da unidade Oketz.
Davi: Mergulhadores no meio da lama?
Lia: Sim, porque boa parte das buscas acontecia em áreas alagadas. Eles usaram sonar, drones e localização por sinal de celular.
Davi: E vale dizer: o comando era brasileiro.
Lia: Exato. Foi uma operação conjunta com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, e o mérito foi compartilhado.
Davi: E o Brasil reconheceu esse trabalho.
Lia: Com a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda que o país concede a estrangeiros.
Davi: Esse é o espírito do episódio. Primeiro bloco, então: como funciona a saúde dentro de Israel?
Lia: O sistema é público e universal. A lei garante atendimento a todos os residentes.
Davi: E quem presta o serviço?
Lia: Quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos, as Kupot Holim.
Davi: E o que o seguro básico cobre?
Lia: Cobre consultas e atendimento especializado.
Davi: E hospitais?
Lia: Também. E os remédios saem bem mais baratos, com subsídio alto.
Davi: E quem quiser pode pagar uma camada extra de seguro, certo?
Lia: Certo. Tem ainda um detalhe que vai importar mais adiante: quase toda a população tem prontuário eletrônico.
Davi: O que fica registrado ali?
Lia: Histórico clínico, diagnósticos, exames de laboratório e uso de medicamentos. Hospitais e médicos compartilham essas informações com segurança.
Davi: E os resultados? Israel tem o melhor sistema do mundo?
Lia: Não existe um ranking único que defina isso. Mas os indicadores são fortes.
Davi: Por exemplo?
Lia: A expectativa de vida é a quarta maior da OCDE.
Davi: Quantos anos, mais ou menos?
Lia: Entre 83,8 e 84,8 anos, conforme a estimativa.
Davi: E a mortalidade infantil?
Lia: São 3,1 mortes por 1.000 nascidos vivos, uma das menores do mundo.
Davi: Isso custa caro?
Lia: Menos do que se imagina. Israel investe cerca de 7,6% do PIB em saúde.
Davi: Comparado com quem?
Lia: Alemanha, Áustria e Suíça investem entre 11% e 12%.
Davi: Mas nem tudo é perfeito.
Lia: Não. Há diferenças de qualidade entre o centro do país e a periferia, e os gastos das famílias do próprio bolso são relativamente altos.
Davi: E, no começo da covid, a Controladoria do Estado de Israel apontou que o país não estava preparado. Faltavam medicamentos, leitos e respiradores.
Lia: É um retrato honesto, com conquistas e desafios.
Davi: Segundo bloco: as invenções. Qual é a mais curiosa para você?
Lia: A PillCam, da empresa israelense Given Imaging.
Davi: É a cápsula que a gente engole?
Lia: Isso. Uma pequena câmera transmite imagens do trato gastrointestinal. Assim dá para examinar o intestino delgado sem a endoscopia convencional.
Davi: E o Copaxone?
Lia: É o acetato de glatirâmero, desenvolvido pela Teva. Tornou-se um tratamento importante para formas recorrentes da esclerose múltipla.
Davi: E o ReWalk?
Lia: É um exoesqueleto robótico que ajuda pessoas com lesão medular a ficar em pé e caminhar.
Davi: Professores, atenção aqui: é um dispositivo de reabilitação e mobilidade, não uma cura para a paralisia.
Lia: Exato. E há também stents cardíacos de alta precisão, usados em procedimentos do coração.
Davi: De onde vem tanta inovação?
Lia: Da integração entre universidades, hospitais e empresas. Escritórios de transferência de tecnologia patenteiam as descobertas e as transformam em dezenas de startups.
Davi: E existe pesquisa básica por trás disso?
Lia: Muita. Avram Hershko e Aaron Ciechanover, professores da Faculdade de Medicina do Technion, ganharam o Nobel de Química de 2004.
Davi: Por qual descoberta?
Lia: Descobriram como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina.
Davi: E Ada Yonath, do Instituto Weizmann, foi premiada em 2009 pelos estudos sobre o ribossomo.
Lia: Biologia celular de livro didático.
Davi: E o que se pesquisa hoje?
Lia: A bioconvergência, que une biologia, engenharia, informática e inteligência artificial.
Davi: Com apoio público?
Lia: Sim. Em 2020, a Autoridade de Inovação de Israel e o fórum TELEM destinaram 150 milhões de shekels a esse campo.
Davi: E o Sheba Medical Center desenvolveu fotografias da retina que mapeiam a oxigenação e permitem diagnosticar cedo doenças oculares e sistêmicas.
Lia: Terceiro bloco, e aqui o prontuário eletrônico volta à cena.
Davi: A vacinação contra a covid.
Lia: Isso. No início de 2021, Israel fez uma das campanhas de vacinação mais rápidas do mundo.
Davi: Como conseguiu?
Lia: Com a infraestrutura digital de saúde e um acordo com a Pfizer-BioNTech. Israel recebeu vacinas de forma antecipada e em grande volume.
Davi: E em troca?
Lia: Enviava toda semana dados agregados e anonimizados sobre eficácia, hospitalizações e segurança.
Davi: E quão rápido foi?
Lia: Segundo a Reuters, em mais ou menos duas semanas Israel vacinou cerca de 15% da população.
Davi: E liderava o mundo em velocidade de vacinação por habitante.
Lia: Essa é a métrica certa. E a vacinação não foi uniforme: houve diferenças por idade, região, situação socioeconômica e status de residência.
Davi: E os palestinos?
Lia: Críticos levantaram a questão da vacinação de palestinos de Judeia e Samaria e de Gaza.
Davi: E o que Israel responde?
Lia: Que, pelos Acordos de Oslo, a saúde dessa população é responsabilidade da Autoridade Palestina, que assumiu a própria campanha de vacinação.
Davi: E o que esses dados ensinaram à ciência?
Lia: Ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina contra a doença sintomática e, sobretudo, contra a doença grave.
Davi: Com alguma cautela?
Lia: Sim. Eram dados observacionais, que exigem cuidado com fatores como idade e variantes.
Davi: E os casos de miocardite?
Lia: As autoridades investigaram casos de inflamação cardíaca após a vacina, principalmente em homens jovens.
Davi: E o que isso significa?
Lia: Que a investigação, por si só, não prova que a vacina causou todos os casos. Uma boa lição sobre como a ciência separa suspeita de prova.
Davi: Israel criou uma vacina própria?
Lia: Houve um protótipo testado em animais em 2020. Mas a liderança veio da compra, da logística e da prioridade aos grupos de risco.
Davi: Último bloco: quem mais se beneficia dessa medicina?
Lia: Começo pelo Save a Child's Heart, uma organização israelense sem fins lucrativos de cirurgia cardíaca pediátrica.
Davi: Onde são feitas as cirurgias?
Lia: Principalmente no Wolfson Medical Center, em Holon. Segundo a organização, desde 1995 ela tratou mais de 8 mil crianças.
Davi: De onde vêm essas crianças?
Lia: Cerca de metade veio de comunidades palestinas de Judeia e Samaria e de Gaza, do Iraque e do Marrocos.
Davi: E existe atendimento gratuito?
Lia: Uma clínica semanal para crianças palestinas, onde são examinadas de 20 a 25 crianças por semana.
Davi: E a Síria?
Lia: Durante a guerra civil síria, hospitais do norte de Israel, principalmente o Hospital Ziv, em Safed, trataram feridos sírios, inclusive civis.
Davi: Houve polêmica?
Lia: Israel descreve esse trabalho como assistência humanitária. Houve questionamentos sobre como os pacientes eram selecionados, mas o fato é que sírios feridos foram tratados em Israel.
Davi: E na pandemia?
Lia: Israel enviou equipamentos, insumos e especialistas a mais de 16 países.
Davi: E destinou 60 milhões de dólares a vacinas e diagnósticos pelo mecanismo COVAX.
Lia: Além de Brumadinho, houve outras missões em desastres. No Haiti, em 2010, um hospital de campanha israelense fez 317 cirurgias, segundo o JNS.
Davi: E na Turquia, em 2023, a delegação Ramos de Oliveira resgatou 19 pessoas, segundo as FDI.
Lia: E chegamos a Gaza.
Davi: A guerra começou com o ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel, em 2023.
Lia: Segundo o balanço oficial do governo de Israel, foram sete hospitais de campanha dentro da Faixa de Gaza.
Davi: E fora dela?
Lia: Ainda segundo esse balanço, foram três hospitais flutuantes em Al-Arish, no Egito.
Davi: E qual foi a capacidade?
Lia: Ainda segundo o balanço oficial de Israel, foram 850 leitos adicionais e mais de 50 mil atendimentos.
Davi: Mas houve críticas.
Lia: Sim. Críticos dizem que foi pouco diante dos danos à infraestrutura de saúde, das restrições de entrada e da escala das necessidades.
Davi: E a resposta?
Lia: Israel e as FDI respondem que o Hamas usa a população civil como escudo, instalou estruturas militares em hospitais e desviou ajuda humanitária.
Davi: Então são perguntas diferentes.
Lia: São. A existência dessas ações é um fato registrado. E a discussão sobre a escala não apaga a responsabilidade de quem começou a guerra, mantém reféns e usa civis como escudo: o Hamas.
Davi: E o sofrimento dos civis palestinos é real.
Lia: É real. E Israel manteve canais de atendimento à população civil de Gaza mesmo em guerra contra um grupo terrorista.
Davi: Vamos às três ideias-chave?
Lia: Primeira: Israel tem saúde pública e universal, com prontuário eletrônico para quase toda a população e resultados entre os melhores da OCDE.
Davi: Segunda: a inovação nasce da integração entre universidades, hospitais e empresas, da ubiquitina à PillCam.
Lia: Terceira: essa medicina salva vidas além das fronteiras, da lama de Brumadinho às crianças palestinas operadas em Holon, e até em Gaza durante a guerra.
Davi: Obrigado por ouvir o Contexto.
Lia: Mais materiais em jjo.org.br. Até a próxima!
Infográfico
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Guia de estudo
Guia de estudo da JJO (Juventude Judaica Organizada) para professores de Ciências, estudantes e famílias
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste estudo, você será capaz de:
- Identificar as inovações médicas israelenses mais conhecidas: PillCam, Copaxone, ReWalk e stents cardíacos de alta precisão.
- Explicar como funciona o sistema de saúde de Israel, que é público e universal, e interpretar seus principais indicadores.
- Relacionar a força da medicina israelense ao ecossistema que une universidades, hospitais, empresas e Estado.
- Analisar a campanha israelense de vacinação contra a covid-19 com precisão científica, separando o que os dados mostram do que eles não mostram.
- Conhecer missões humanitárias e médicas de Israel no Brasil e no mundo: Brumadinho, Haiti, Turquia, Save a Child's Heart, feridos sírios e Gaza.
- Praticar a leitura crítica de números: perguntar o que cada indicador mede, em que período e com qual critério.
Conceitos-chave
1. Um sistema de saúde público e universal
- A lei garante atendimento a todos os residentes de Israel.
- Quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos, as Kupot Holim, prestam os serviços.
- O que o seguro básico cobre:
- atenção primária e secundária;
- serviços hospitalares;
- medicamentos e tecnologias médicas com alto subsídio.
- Quem quiser pode pagar uma camada extra de seguro em uma das Caixas.
- Quase 100% da população tem prontuário eletrônico. O registro reúne histórico clínico, diagnósticos, exames e uso de medicamentos, compartilhados com segurança entre hospitais e médicos.
- Desafios reconhecidos:
- há diferenças de qualidade entre o centro e a periferia do país;
- os gastos das famílias do próprio bolso são relativamente altos, por causa de uma privatização parcial;
- em 2020, a Controladoria do Estado de Israel apontou que o país não estava preparado para surtos de grande escala no início da covid-19. Faltavam medicamentos, leitos e respiradores.
2. Indicadores de saúde
| Indicador | Israel |
|---|---|
| Expectativa de vida | 4ª maior da OCDE, entre 83,8 e 84,8 anos (as estimativas variam) |
| Mortalidade infantil | 3,1 mortes por 1.000 nascidos vivos, uma das menores do mundo |
| Investimento em saúde | cerca de 7,6% do PIB |
| Comparação | Alemanha, Áustria e Suíça investem entre 11% e 12% do PIB |
- Israel obtém resultados entre os melhores da OCDE gastando menos que muitos desses países.
- O que explica essa longevidade:
- baixa mortalidade infantil;
- baixa mortalidade por doenças cardíacas, uma das menores taxas da OCDE;
- tratamento bem-sucedido do câncer e do AVC.
- Atenção: não existe um único ranking mundial que defina o “melhor” sistema de saúde ou o “melhor” hospital.
3. Inovações médicas israelenses
- PillCam: cápsula endoscópica desenvolvida pela empresa israelense Given Imaging. O paciente engole a cápsula, e uma pequena câmera transmite imagens do trato gastrointestinal. Assim, é possível examinar o intestino delgado sem a endoscopia convencional.
- Copaxone (acetato de glatirâmero): desenvolvido pela empresa israelense Teva. Tornou-se um tratamento importante para formas recorrentes da esclerose múltipla. O governo israelense o descreve como o primeiro medicamento do mundo desenvolvido especificamente para essa doença.
- ReWalk: exoesqueleto robótico da ReWalk Robotics que ajuda pessoas com lesão medular a ficar em pé e caminhar. É um dispositivo de reabilitação e mobilidade, não uma cura para a paralisia.
- Stents cardíacos de alta precisão: desenvolvidos por pesquisadores e pela indústria israelense, são usados em procedimentos do coração.
- Diagnóstico ocular: pelo programa de transferência de tecnologia MAGNETON, o Sheba Medical Center desenvolveu métodos não invasivos de fotografia multiespectral. Algoritmos mapeiam a oxigenação da retina e permitem o diagnóstico precoce de doenças oculares e sistêmicas.
4. O ecossistema de pesquisa
Como funciona a integração
- As faculdades de medicina fazem pesquisa clínica junto com os grandes hospitais.
- Os escritórios de transferência de tecnologia patenteiam as descobertas e as transformam em dezenas de startups.
Principais instituições
- Technion, em Haifa;
- Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot;
- Universidade Hebraica de Jerusalém;
- universidades de Tel Aviv, Ben-Gurion do Negev, Bar-Ilan, Haifa e Ariel.
Áreas e iniciativas de destaque
- Bioconvergência: fusão entre biologia, engenharia, física, informática e inteligência artificial. A Autoridade de Inovação de Israel e o fórum TELEM destinaram NIS 150 milhões a esse campo em 2020.
- CRISPR IL: consórcio de centros acadêmicos e empresas de biotecnologia que usa inteligência artificial para tornar a edição genética na medicina mais precisa, segura e eficiente.
- Israel Research Core Facilities (IRCF): criado em dezembro de 2022, integra laboratórios e bases de dados de universidades, hospitais e indústria farmacêutica.
Números da ciência israelense
- Cerca de 140 cientistas e técnicos por 10.000 trabalhadores. Nos EUA são 85, e no Japão, 83.
- Investimento em pesquisa e desenvolvimento civil entre 4,8% e 6,3% do PIB, conforme a estimativa.
Prêmios Nobel
- Pesquisadores ligados a Israel receberam Prêmios Nobel de Química e Economia.
- Dois deles têm ligação direta com a biologia celular:
- Avram Hershko e Aaron Ciechanover (Química, 2004): degradação de proteínas mediada pela ubiquitina. Ambos eram professores da Faculdade de Medicina do Technion.
- Ada Yonath (Química, 2009): estrutura e função do ribossomo.
- O Nobel é sempre um prêmio individual.
5. A vacinação contra a covid-19
O que aconteceu
- Em dezembro de 2020, Israel fechou acordos para receber grandes quantidades da vacina da Pfizer-BioNTech.
- Em troca, enviava toda semana dados epidemiológicos agregados e anonimizados sobre eficácia, hospitalizações e segurança.
- Em janeiro de 2021, já tinha vacinado cerca de 15% da população em mais ou menos duas semanas e liderava o mundo, segundo a Reuters.
O que os dados mostraram
- Os dados israelenses ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina contra a doença sintomática e, sobretudo, contra a doença grave.
- Tornaram-se uma das principais bases científicas do mundo sobre a vacina em condições reais.
Cuidados científicos
- Eram dados observacionais, que exigem cuidado com fatores como idade e variantes.
- As autoridades investigaram casos de miocardite e pericardite após a vacinação, sobretudo em homens jovens. A investigação, por si só, não prova que a vacina causou todos os casos.
- Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel anunciou um protótipo de vacina testado em animais. A liderança israelense, porém, veio da compra, da logística e da priorização de grupos de risco, e não de uma vacina própria aplicada em larga escala.
- Vacinação de palestinos: pelos Acordos de Oslo, a saúde da população palestina de Judeia e Samaria e de Gaza é responsabilidade da Autoridade Palestina, que assumiu a própria campanha de vacinação.
6. Medicina sem fronteiras
- Save a Child's Heart: organização israelense sem fins lucrativos de cirurgia cardíaca pediátrica. As cirurgias acontecem principalmente no Wolfson Medical Center, em Holon.
- Segundo a própria organização, desde 1995 tratou mais de 8 mil crianças.
- Cerca de metade veio de Judeia e Samaria e de Gaza, do Iraque e do Marrocos.
- Mantém uma clínica gratuita semanal para crianças palestinas de Judeia e Samaria e de Gaza, onde examina cerca de 20 a 25 crianças por semana.
- Feridos sírios: durante a guerra civil síria, hospitais do norte de Israel, principalmente o Hospital Ziv, em Safed, trataram feridos sírios, entre eles civis.
- Pandemia: Israel enviou equipamentos, insumos e especialistas a mais de 16 países. Em 2020, uma delegação de pesquisa foi à Índia para desenvolver testes rápidos em conjunto. Israel também destinou US$ 60 milhões a vacinas e diagnósticos no âmbito do mecanismo COVAX.
- Brumadinho (2019): as Forças de Defesa de Israel (FDI) enviaram 130 integrantes: engenheiros, médicos, bombeiros, mergulhadores da unidade naval YATAM 707 e cães da unidade Oketz.
- A equipe usou localização por sinais de celular, sonar naval e drones.
- Trabalhou em coordenação com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, sob comando brasileiro.
- O Brasil concedeu à equipe a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.
- Haiti (2010): Israel enviou equipe de resgate e um hospital de campanha. A missão atendeu cerca de 1.110 pessoas e realizou 317 cirurgias.
- Turquia (2023): a delegação “Olive Branches” (Ramos de Oliveira) trabalhou seis dias e resgatou 19 pessoas. Uma unidade israelense reabriu em 48 horas um hospital que havia sido evacuado.
7. Gaza: atendimento a civis em meio à guerra
- A guerra em Gaza começou com o ataque do grupo terrorista Hamas contra Israel em 2023.
- Segundo o balanço oficial do governo de Israel, Israel coordenou:
- sete hospitais de campanha na Faixa de Gaza;
- três hospitais flutuantes em Al-Arish, no Egito;
- 850 leitos adicionais;
- mais de 50 mil atendimentos.
- A crítica e a resposta: críticos alegam que essa ajuda foi insuficiente diante das necessidades. Israel e as FDI respondem que o Hamas usa a população civil como escudo, instalou estruturas militares em hospitais e desviou ajuda humanitária.
- O que é fato: a existência dessas ações está registrada. O sofrimento dos civis palestinos é real. A responsabilidade é de quem começou a guerra, mantém reféns e usa civis como escudo: o Hamas.
8. Antissemitismo e ajuda humanitária
- Em 27 de janeiro de 2019, dois dias após a tragédia de Brumadinho, uma charge ridicularizou a chegada dos socorristas israelenses.
- Em 31 de janeiro de 2019, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) e 14 federações judaicas estaduais divulgaram uma nota de repúdio. Elas lamentaram que a tragédia fosse usada para espalhar ódio e preconceito.
- O episódio mostra um padrão: até um gesto humanitário pode virar pretexto para hostilidade contra Israel.
- A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Linha do tempo
| Ano/data | Acontecimento |
|---|---|
| 1953 | Criação do Prêmio Israel, a mais alta honraria estatal do país |
| 1995 | Início do trabalho do Save a Child's Heart |
| 2002 | Daniel Kahneman recebe o Nobel de Economia |
| 2004 | Hershko e Ciechanover, do Technion, recebem o Nobel de Química (ubiquitina) |
| 2005 | Robert Aumann recebe o Nobel de Economia (teoria dos jogos) |
| 2005–2015 | Israel inaugura cinco usinas de dessalinização: Ashkelon, Palmachim, Hadera, Sorek e Ashdod |
| 2009 | Ada Yonath recebe o Nobel de Química (ribossomo) |
| 12 jan. 2010 | Terremoto no Haiti. Israel envia equipe de resgate e hospital de campanha |
| 2011 | Dan Shechtman recebe o Nobel de Química (quasicristais) |
| 2013 | Arieh Warshel e Michael Levitt recebem o Nobel de Química |
| 25 jan. 2019 | Rompimento da barragem em Brumadinho. As FDI enviam 130 integrantes |
| 31 mar. 2019 | Oficializada a entrega da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul à brigada israelense |
| 2020 | Protótipo de vacina testado em animais; NIS 150 milhões para a bioconvergência; delegação de pesquisa à Índia |
| dez. 2020 | Acordos com a Pfizer-BioNTech |
| jan. 2021 | Cerca de 15% da população vacinada em cerca de duas semanas |
| dez. 2022 | Criação do Israel Research Core Facilities (IRCF) |
| 2023 | Missão “Olive Branches” na Turquia; ataque do Hamas contra Israel inicia a guerra em Gaza |
5 perguntas para discussão
- Israel investe cerca de 7,6% do PIB em saúde e tem resultados entre os melhores da OCDE. Que fatores do sistema, como prontuário eletrônico, Caixas de Saúde e prevenção, podem explicar esse resultado com menos gasto?
- O ReWalk ajuda pessoas com lesão medular a ficar em pé e caminhar, mas não cura a paralisia. Por que é importante comunicar com precisão o que uma tecnologia médica faz e o que ela não faz?
- Os dados israelenses sobre a vacina da Pfizer-BioNTech eram observacionais e anonimizados. Quais cuidados científicos e éticos esse tipo de dado exige?
- Em Brumadinho, os israelenses trabalharam integrados aos bombeiros mineiros, sob comando brasileiro. O que essa cooperação ensina sobre a resposta a desastres?
- Uma charge zombou da ajuda israelense a Brumadinho, e a Conib e 14 federações judaicas estaduais reagiram com uma nota de repúdio. Como reconhecer quando a hostilidade contra Israel se transforma em preconceito, mesmo diante de um gesto humanitário?
Glossário
- Kupot Holim: as quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos que prestam os serviços do sistema público israelense.
- Prontuário eletrônico: registro digital com histórico clínico, diagnósticos, exames e medicamentos. Cobre quase 100% da população de Israel.
- Cápsula endoscópica (PillCam): cápsula com câmera que o paciente engole para examinar o trato gastrointestinal.
- Esclerose múltipla: doença tratada pelo Copaxone, em suas formas recorrentes.
- Exoesqueleto: estrutura robótica que auxilia o movimento do corpo, como o ReWalk.
- Stent: dispositivo usado em procedimentos do coração.
- Ubiquitina: molécula envolvida na degradação de proteínas pelas células. Sua descoberta rendeu o Nobel de 2004.
- Bioconvergência: fusão entre biologia, engenharia, física, informática e inteligência artificial.
- Dados observacionais: dados coletados no mundo real, sem experimento controlado. Exigem cuidado com fatores como idade e variantes.
- OCDE: grupo de países usado como referência nas comparações de indicadores de saúde.
- FDI: Forças de Defesa de Israel.
- IHRA: definição de antissemitismo adotada pela JJO. Por ela, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
- Hamas: grupo terrorista que iniciou a guerra em Gaza com o ataque contra Israel em 2023.
Quiz: teste o que aprendeu
A PillCam é uma cápsula endoscópica. Uma pequena câmera transmite imagens do trato gastrointestinal e permite examinar o intestino delgado sem a endoscopia convencional.
O Copaxone (acetato de glatirâmero) foi desenvolvido pela Teva e se tornou um tratamento importante para formas recorrentes da esclerose múltipla.
Quatro Caixas de Saúde sem fins lucrativos prestam os serviços. O sistema é público e universal, garantido por lei a todos os residentes.
Israel investe cerca de 7,6% do PIB em saúde, menos que Alemanha, Áustria e Suíça (entre 11% e 12%). Mesmo assim, tem a 4ª maior expectativa de vida da OCDE.
Israel enviava toda semana dados agregados e anonimizados sobre eficácia, hospitalizações e segurança. Esses dados se tornaram uma das principais bases científicas do mundo sobre a vacina em condições reais.
A organização tratou mais de 8 mil crianças com cardiopatias, principalmente no Wolfson Medical Center, em Holon. Cerca de metade veio de Judeia e Samaria e de Gaza, do Iraque e do Marrocos.
Os 130 integrantes das FDI trabalharam em operação conjunta com as autoridades brasileiras. O mérito foi compartilhado com os bombeiros mineiros.
A Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul é a mais alta comenda do Estado brasileiro para estrangeiros. A entrega foi oficializada em 31 de março de 2019.
Os dois, professores da Faculdade de Medicina do Technion, dividiram o prêmio com Irwin Rose. Eles descobriram como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina.
Foram sete hospitais de campanha em Gaza, três hospitais flutuantes em Al-Arish, no Egito, 850 leitos adicionais e mais de 50 mil atendimentos. A responsabilidade pela guerra é do Hamas, que a começou e usa civis como escudo.
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