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Jesus, judeu: judaísmo para cristãos

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre Jesus, judeu: judaísmo para cristãos, para igrejas, catequistas, pastores e grupos de jovens.

Para: igrejas, catequistas, pastores e grupos de jovensPodcast: 12 minSlides: 16
Foto: Antiga sinagoga de Cafarnaum. שלמה רודד · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 12 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (12 min, 5,5 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, seja bem-vindo ao Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi. Oi, gente!

Lia: Hoje o tema é especial, pensado para quem está em igrejas, para catequistas, pastores e grupos de jovens: "Jesus, judeu: judaísmo para cristãos".

Davi: Parece óbvio dizer que Jesus era judeu. Mas muita gente nunca parou para pensar no que isso significa.

Lia: E isso importa. Quando o judaísmo de Jesus é esquecido, aparecem ideias que machucam: que "os judeus mataram Jesus", que Deus rejeitou o povo judeu, que Jesus seria de outro povo. Essas ideias alimentaram séculos de perseguição.

Davi: Então hoje a gente vai olhar para a história e para os textos que os próprios cristãos consideram sagrados. Com calma e com respeito à fé de cada um.

Lia: Vamos começar pelo básico. Davi, qual era a religião de Jesus?

Davi: Jesus, ou Yeshua, era judeu e viveu como judeu. Isso é um fato histórico amplamente aceito por pesquisadores e também pela tradição cristã. Ele nasceu de pais judeus, na Judeia, sob domínio romano, durante o reinado de Herodes, o Grande, e cresceu na Galileia.

Lia: E onde a Bíblia mostra isso?

Davi: Logo no começo do Evangelho de Mateus. Mateus 2:1 diz que ele nasceu em "Belém da Judeia". E a vida dele inteira acontece dentro das tradições da Torá. Ele foi circuncidado, como todo menino judeu. Frequentava as sinagogas no sábado, o Shabat. Fazia peregrinações a Jerusalém nas festas, como Pessach, a Páscoa judaica.

Lia: E os Evangelhos mostram outras festas também, não é?

Davi: Sim. O Evangelho de João mostra Jesus em Jerusalém durante Sukkot, a Festa das Tendas. Também o situa no Templo durante Hanukkah, a Festa da Dedicação. E o livro de Atos coloca a descida do Espírito Santo durante Shavuot, o Pentecostes, que é uma festa judaica.

Lia: Eu acho bonito que muitos cristãos celebram Pentecostes sem saber que é uma festa de peregrinação judaica.

Davi: Exatamente. E tem um detalhe forte: na cruz, os romanos puseram a inscrição "Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum", "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus". Até quem o executou o identificava como judeu.

Lia: E quando Jesus discutia com os fariseus, isso era "Jesus contra os judeus"?

Davi: Não. O judaísmo do século I era plural. Havia fariseus, saduceus, essênios, grupos apocalípticos e movimentos proféticos, cada um com sua leitura da Torá. Os debates de Jesus sobre o sábado, a pureza ou o divórcio eram debates entre judeus, travados dentro desse mundo.

Lia: Como numa família que discute à mesa: discorda, mas continua família.

Davi: Boa imagem. E ele pregava o Reino de Deus, Malkhut Shamayim, com ideias tiradas da Bíblia Hebraica, o Tanakh.

Lia: Vamos para o segundo bloco: como nasceu o cristianismo. Ele surgiu já como uma religião separada?

Davi: Não. O cristianismo nasceu como um movimento dentro do judaísmo do Segundo Templo. Nas primeiras décadas, os seguidores de Jesus não se viam como fundadores de uma nova religião.

Lia: Quem eram esses primeiros seguidores?

Davi: Todos judeus. Pedro, João, Tiago, André, Mateus, além de Maria, mãe de Jesus. E Paulo, que aderiu pouco depois, também era judeu. A comunidade de Jerusalém era liderada por Tiago, irmão de Jesus, e pelos doze apóstolos. Eles continuavam frequentando o Templo, praticando a circuncisão e guardando o sábado.

Lia: E como esse grupo era chamado?

Davi: No meio judaico, era conhecido como a seita dos "Nazarenos", Natzratim, ou como "O Caminho".

Lia: E quando começa a separação?

Davi: Aos poucos. Com a expansão entre não judeus, surgiu o debate: os novos seguidores deveriam cumprir toda a Torá, inclusive a circuncisão e as regras alimentares? Isso aparece nas cartas aos Romanos e aos Gálatas. A separação se acelerou com a destruição do Segundo Templo pelos romanos, em 70 d.C., quando os sábios reorganizaram o judaísmo rabínico em Yavneh. E se consolidou depois da revolta de Bar Kokhba, entre 132 e 135 d.C.

Lia: Então é errado imaginar uma ruptura completa já durante a vida de Jesus.

Davi: Muitos pesquisadores consideram que sim, é errado. O momento exato ainda é discutido.

Lia: E o que o cristianismo herdou do judaísmo?

Davi: Os pilares. Primeiro, as Escrituras: o Tanakh virou o Antigo Testamento cristão. Segundo, o monoteísmo e a ideia de aliança. Terceiro, o modelo de culto: reunião comunitária, leitura comentada das Escrituras, orações e cânticos, que vêm das sinagogas. E quarto, o calendário de referência das festas judaicas.

Lia: Mas aqui tem um cuidado importante.

Davi: Tem. São religiões distintas. O judaísmo não faz parte do cristianismo. É anterior a ele e seguiu seu próprio caminho, como tradição viva. A Igreja Católica reconhece as raízes comuns e também a diferença: para os judeus, o centro é a Torá; para os cristãos, Jesus Cristo.

Lia: Então ajuda separar três coisas.

Davi: Isso. Fato histórico: Jesus viveu e ensinou no ambiente judaico do século I. Fé cristã: Jesus é o Messias, e sua morte tem sentido de salvação, leitura que o judaísmo não compartilha. E leitura teológica: algumas igrejas veem as festas judaicas como anúncios da vida de Jesus. É uma interpretação cristã, não o significado judaico original dessas festas.

Lia: Terceiro bloco, talvez o mais sensível. Na Páscoa, muita gente ainda ouve que "os judeus mataram Jesus". O que dizer?

Davi: Que, como acusação coletiva, isso é falso. E foi rejeitado pela própria Igreja Católica. Vamos aos fatos: Jesus, sua mãe e os apóstolos eram judeus. A crucificação era uma pena romana. Jesus foi executado por ordem do prefeito romano Pôncio Pilatos, que governou a Judeia entre 26 e 36 d.C., sob a acusação política de se dizer "Rei dos Judeus".

Lia: E o que a Igreja ensinou sobre isso?

Davi: Em 1965, o Concílio Vaticano II promulgou a declaração Nostra Aetate. Ela afirma que a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo, nem aos de hoje. Pede que os judeus não sejam apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus. E condena o antissemitismo.

Lia: E depois disso?

Davi: Em 1974, a Santa Sé criou a Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus, para aplicar a declaração. Muitas igrejas protestantes também revisaram essas leituras depois do Holocausto. No campo evangélico não há uma autoridade única, e as posições variam por denominação.

Lia: Por que essa acusação é tão grave?

Davi: Porque a ideia de "deicídio", de que os judeus teriam matado Deus, alimentou séculos de perseguição. O Yad Vashem identifica essa acusação como uma forma central do antissemitismo religioso cristão tradicional.

Lia: E para quem repete isso sem má intenção?

Davi: Muita gente aprendeu assim desde cedo. Isso não faz de ninguém uma pessoa má. O melhor caminho é mostrar o que as próprias igrejas ensinam hoje. Na teologia cristã, a cruz costuma ser lida em termos de pecado, reconciliação e responsabilidade humana universal. Essa leitura não precisa de um culpado étnico.

Lia: A fé cristã não precisa de um inimigo judeu.

Davi: Exatamente.

Lia: Último bloco: duas ideias que circulam bastante. A primeira é "Jesus era palestino". O que tem de real nisso?

Davi: Tem um fato geográfico. Jesus nasceu e viveu na mesma terra onde hoje vivem árabes palestinos. E cristãos palestinos vivem há séculos em Belém e Nazaré e veem Jesus como parte da sua história. Essa ligação é legítima e merece respeito.

Lia: Onde está o problema, então?

Davi: Na mistura de lugar com identidade. No tempo de Jesus, a região era a província romana da Judeia. Os romanos só deram à província o nome de Syria Palaestina por volta de 135 d.C., depois da revolta de Bar Kokhba, cerca de um século após a morte de Jesus. Autores gregos, como Heródoto, já usavam termos parecidos para a geografia da costa, mas nenhum deles designava um povo ou uma nação. A identidade nacional palestina se formou muito depois, no contexto dos nacionalismos dos séculos XIX e XX.

Lia: Então o ponto não é disputar quem pode amar Jesus.

Davi: Não. Amar Jesus não é o problema. O problema é apagar quem ele foi. E vale um cuidado: não dá para acusar de antissemitismo toda pessoa que repete a frase. Muitas só repetem o que ouviram. A gente explica com calma.

Lia: A segunda ideia é a de que Deus teria rejeitado o povo judeu, e que a Igreja teria tomado o lugar de Israel.

Davi: É a chamada doutrina da substituição. E muitas igrejas cristãs a rejeitam. O apóstolo Paulo, em Romanos 11:1, pergunta: "Acaso Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum!" E em Romanos 11:29 conclui que "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis".

Lia: E isso vale também para a Terra?

Davi: A Bíblia Hebraica liga o exílio à desobediência, mas trata o exílio como disciplina temporária e promete o retorno. Deuteronômio 30:3 a 5 diz que Deus faria o povo voltar e o traria à terra que seus pais possuíram. E a história confirma: houve retorno com o Édito de Ciro, em 538 a.C., e o Estado de Israel foi proclamado em 14 de maio de 1948.

Lia: E aqui há uma linha clara.

Davi: Sim. A fé de cada pessoa é livre. Mas quando uma ideia religiosa é usada para desprezar judeus ou negar o direito de Israel existir, ela cruza a linha. Pela definição da IHRA, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.

Lia: Vamos fechar com três ideias-chave. A primeira:

Davi: Jesus era judeu. Nasceu em "Belém da Judeia", foi circuncidado, frequentou o Templo e as sinagogas e celebrou as festas judaicas. O cristianismo nasceu como movimento dentro do judaísmo e se separou aos poucos.

Lia: A segunda: a culpa não é coletiva. Jesus foi crucificado pelos romanos, sob Pôncio Pilatos, e desde 1965, com a Nostra Aetate, a Igreja Católica ensina que sua morte não pode ser atribuída aos judeus de então nem aos de hoje.

Davi: E a terceira: Deus não rejeitou seu povo, como escreveu Paulo em Romanos 11. Respeitar a fé cristã e combater o antissemitismo andam juntos. Lembrar que Jesus era judeu aproxima cristãos e judeus.

Lia: Se você é catequista, pastor ou líder de jovens, leve essa conversa para o seu grupo. Mais materiais em jjo.org.br.

Davi: Obrigado pela companhia, e até o próximo Contexto!

Apresentação pronta para usar

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Guia de estudo

Objetivos

Ao final do estudo, o participante deve ser capaz de: - reconhecer que Jesus (Yeshua) foi um judeu do século I, nascido em “Belém da Judeia” (Mateus 2:1) e criado na Galileia, sob domínio romano; - descrever a vida judaica de Jesus: circuncisão, Shabat, sinagoga, Templo, festas e ensino a partir das Escrituras de Israel; - explicar que o cristianismo nasceu como um movimento dentro do judaísmo do Segundo Templo e se separou dele aos poucos; - explicar por que a acusação de “deicídio” é falsa como culpa coletiva e o que a declaração Nostra Aetate (1965) afirmou; - ler com contexto passagens usadas contra os judeus, como Apocalipse 2:9 e 3:9, e passagens que as próprias igrejas consideram centrais, como Romanos 11; - diferenciar a crítica legítima a um governo do antissemitismo, pelo critério da IHRA, que a JJO adota.

Conceitos-chave

Jesus viveu como judeu. Ele foi circuncidado e frequentou as sinagogas aos sábados. Fez peregrinações a Jerusalém nas festas, como Pessach. Debateu a interpretação da Torá com outros mestres judeus, entre eles os fariseus. Esses debates sobre o sábado, a pureza ou o divórcio eram debates entre judeus.

O judaísmo do século I era plural. Havia fariseus, saduceus, essênios, grupos apocalípticos e movimentos proféticos. O Templo de Jerusalém era o centro da vida religiosa, política e econômica.

As festas judaicas aparecem nos Evangelhos. - Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas situam a última ceia em contexto pascal. - O Evangelho de João mostra Jesus em Jerusalém durante Sucot e no Templo durante Hanucá, a Festa da Dedicação. - O livro de Atos situa a descida do Espírito Santo durante Shavuot (Pentecostes).

Os primeiros seguidores eram judeus. Pedro, João, Tiago, André, Mateus, Maria e também Paulo eram judeus. A comunidade de Jerusalém era liderada por Tiago, irmão de Jesus, e pelos doze apóstolos. Ela seguia frequentando o Templo e guardando o sábado. No meio judaico, o movimento era chamado de “Nazarenos” (Natzratim) ou “O Caminho”.

A separação foi gradual. Ela se acelerou depois da destruição do Segundo Templo, em 70 d.C., e se consolidou depois da revolta de Bar Kokhba (132–135 d.C.). O momento exato ainda é discutido por pesquisadores.

Raízes comuns, religiões distintas. O cristianismo herdou do judaísmo: - as Escrituras (o Tanakh, que os cristãos chamam de Antigo Testamento); - o monoteísmo e a ideia de aliança; - o modelo de culto da sinagoga.

O judaísmo, porém, não faz parte do cristianismo. Ele é anterior e continua como tradição viva. Diferença teológica não significa inferioridade moral.

A culpa não é coletiva. A crucificação era uma pena romana, aplicada por ordem de Pôncio Pilatos, sob a acusação política de Jesus se dizer “Rei dos Judeus”. A Nostra Aetate afirmou três coisas: - a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo nem aos de hoje; - os judeus não devem ser apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus; - o antissemitismo é condenado.

Muitas igrejas protestantes também revisaram essas leituras depois do Holocausto.

Deus não rejeitou seu povo. Paulo pergunta: “Acaso Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum!” (Romanos 11:1). Ele também afirma que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Romanos 11:29). Por isso, muitas igrejas rejeitam a doutrina da substituição.

Texto fora do contexto vira preconceito. A expressão “sinagoga de Satanás” (Apocalipse 2:9 e 3:9) aparece em cartas a duas igrejas da Ásia Menor, escritas por volta de 90–95 d.C. Ela trata de um conflito local. O mesmo livro grava os nomes das doze tribos de Israel nas portas da Nova Jerusalém (Apocalipse 21:12–14). Aplicar aquela expressão aos judeus de hoje ou ao Estado judeu é demonização religiosa.

“Jesus era palestino” é enganoso. No tempo de Jesus, a região era a província romana da Judeia. Os romanos só trocaram o nome da província por volta de 135 d.C., depois da revolta de Bar Kokhba, cerca de um século após a morte de Jesus. A identidade nacional palestina se formou muito depois, no contexto dos nacionalismos dos séculos XIX e XX. Cristãos palestinos que vivem há séculos em Belém e Nazaré veem Jesus como parte da sua história, e essa ligação merece respeito. O erro está em apagar o judaísmo de Jesus.

Critério da IHRA. Criticar decisões de um governo, inclusive o de Israel, é legítimo. Constituem antissemitismo: - negar o direito de Israel existir; - atribuir culpa coletiva aos judeus; - espalhar mitos de controle secreto; - culpar judeus brasileiros por decisões de outro país.

A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Linha do tempo

Data Acontecimento
586 a.C. Nabucodonosor II destrói o Primeiro Templo e deporta a população de Judá para a Babilônia.
538 a.C. Édito de Ciro: o rei persa autoriza o retorno a Jerusalém e a reconstrução do Templo (Esdras 1:1–4; 2 Crônicas 36:22–23).
Reinado de Herodes, o Grande Jesus nasce em “Belém da Judeia” (Mateus 2:1) e cresce na Galileia.
26–36 d.C. Pôncio Pilatos governa a Judeia. Jesus é crucificado por ordem dele.
62 d.C. Apedrejamento de Tiago, “o irmão de Jesus, chamado Cristo”, segundo Flávio Josefo.
70 d.C. Os romanos destroem o Segundo Templo. O judaísmo rabínico se reorganiza em Yavneh.
c. 90–95 d.C. Escrita do Apocalipse, sob Domiciano, com as cartas às igrejas de Esmirna e Filadélfia.
c. 93/94 d.C. Flávio Josefo registra, em Antiguidades Judaicas, a atuação e a execução de Jesus sob Pilatos.
c. 116 d.C. Tácito, nos Anais XV.44, registra a execução do fundador dos cristãos sob Tibério, pelo procurador Pôncio Pilatos.
132–135 d.C. Revolta de Bar Kokhba. Por volta de 135 d.C., os romanos trocam o nome da província.
14 de maio de 1948 Proclamação do Estado de Israel. Sua Declaração de Independência garante a liberdade de religião e de consciência.
1965 O Concílio Vaticano II promulga a Nostra Aetate.
1974 A Santa Sé cria a Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus.

5 perguntas para discussão

  1. O que muda na sua leitura dos Evangelhos ao saber que os debates de Jesus com os fariseus eram debates entre judeus?
  2. Por que a culpa por um ato não pode passar para um povo inteiro, de geração em geração?
  3. O que a Nostra Aetate mudou no ensino católico sobre os judeus? Como sua igreja trata esse tema hoje?
  4. Como Romanos 11:1 e 11:29 ajudam a responder à doutrina da substituição?
  5. Qual é a diferença entre criticar uma decisão do governo de Israel e negar que Israel tenha o direito de existir?

Glossário

  • Yeshua: nome hebraico de Jesus.
  • Tanakh: a Bíblia Hebraica, que os cristãos chamam de Antigo Testamento.
  • Torá: os cinco livros de Moisés.
  • Shabat: descanso semanal, do pôr do sol de sexta-feira ao sábado à noite.
  • Pessach: festa que lembra a saída da escravidão no Egito.
  • Sucot: Festa das Tendas.
  • Hanucá: Festa da Dedicação, ligada à reinauguração do Templo pelos macabeus, no século II a.C.
  • Shavuot: festa que os cristãos conhecem como Pentecostes.
  • Malkhut Shamayim: Reino de Deus (literalmente, Reino dos Céus).
  • Nazarenos / O Caminho: nomes do movimento dos primeiros seguidores de Jesus no meio judaico.
  • Deicídio: “morte de Deus”, acusação falsa usada contra os judeus como povo.
  • Nostra Aetate: declaração do Concílio Vaticano II (1965) sobre as relações com as religiões não cristãs, que rejeitou a culpa coletiva dos judeus.
  • Doutrina da substituição: ideia de que a Igreja teria tomado o lugar de Israel e de que as promessas ao povo judeu estariam anuladas. Muitas igrejas a rejeitam.
  • IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, autora da definição de trabalho de antissemitismo adotada pela JJO.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Segundo Mateus 2:1, onde Jesus nasceu?

O Evangelho de Mateus diz que Jesus nasceu em “Belém da Judeia”. Ele cresceu na Galileia, sob domínio romano.

2. A crucificação de Jesus foi aplicada por qual autoridade?

A crucificação era uma pena romana. Jesus foi executado por ordem do prefeito romano Pôncio Pilatos, que governou a Judeia entre 26 e 36 d.C.

3. Em que ano a Igreja Católica promulgou a declaração Nostra Aetate?

O Concílio Vaticano II promulgou a Nostra Aetate em 1965. A declaração afirma que a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo nem aos de hoje.

4. Como era conhecido, no meio judaico, o movimento dos primeiros seguidores de Jesus?

Os primeiros seguidores eram judeus, e o movimento era conhecido como a seita dos “Nazarenos” (Natzratim) ou “O Caminho”.

5. Segundo o Evangelho de João, durante qual festa judaica Jesus estava no Templo?

João situa Jesus no Templo durante Hanucá, a Festa da Dedicação. O mesmo Evangelho também o mostra em Jerusalém durante Sucot.

6. O que Paulo afirma em Romanos 11:29?

Paulo nega que Deus tenha rejeitado seu povo (Romanos 11:1) e diz que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). Muitas igrejas rejeitam a doutrina da substituição.

7. A quem se refere a expressão “sinagoga de Satanás” em Apocalipse 2:9 e 3:9?

As passagens estão em cartas a duas igrejas da Ásia Menor e tratam de um conflito local. Aplicá-las aos judeus de hoje ou ao Estado judeu é demonização religiosa e antissemitismo pelo critério da IHRA.

8. Quando os romanos trocaram o nome da província onde Jesus viveu?

No tempo de Jesus, a região era a província romana da Judeia. A troca de nome veio por volta de 135 d.C., cerca de um século após a morte de Jesus. Por isso, chamá-lo de “palestino” é anacrônico.

9. Pelo critério da IHRA, adotado pela JJO, qual destas atitudes é antissemitismo?

Criticar decisões de um governo é legítimo. Negar o direito de Israel existir, atribuir culpa coletiva aos judeus ou espalhar mitos de controle secreto é antissemitismo.

10. Em Israel, é crime ser cristão e falar de Jesus?

A Declaração de Independência de 1948 garante a liberdade de religião e de consciência. O projeto de 2023 contra o proselitismo foi arquivado sem votação.

Cartões de estudo

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