Foto: Antiga sinagoga de Cafarnaum. שלמה רודד · CC BY 2.5 · Wikimedia CommonsOuça: Podcast Contexto
Uma conversa de 12 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (12 min, 5,5 MB).
Ler a transcrição completa
Lia: Olá, seja bem-vindo ao Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO. Eu sou a Lia.
Davi: E eu sou o Davi. Oi, gente!
Lia: Hoje o tema é especial, pensado para quem está em igrejas, para catequistas, pastores e grupos de jovens: "Jesus, judeu: judaísmo para cristãos".
Davi: Parece óbvio dizer que Jesus era judeu. Mas muita gente nunca parou para pensar no que isso significa.
Lia: E isso importa. Quando o judaísmo de Jesus é esquecido, aparecem ideias que machucam: que "os judeus mataram Jesus", que Deus rejeitou o povo judeu, que Jesus seria de outro povo. Essas ideias alimentaram séculos de perseguição.
Davi: Então hoje a gente vai olhar para a história e para os textos que os próprios cristãos consideram sagrados. Com calma e com respeito à fé de cada um.
Lia: Vamos começar pelo básico. Davi, qual era a religião de Jesus?
Davi: Jesus, ou Yeshua, era judeu e viveu como judeu. Isso é um fato histórico amplamente aceito por pesquisadores e também pela tradição cristã. Ele nasceu de pais judeus, na Judeia, sob domínio romano, durante o reinado de Herodes, o Grande, e cresceu na Galileia.
Lia: E onde a Bíblia mostra isso?
Davi: Logo no começo do Evangelho de Mateus. Mateus 2:1 diz que ele nasceu em "Belém da Judeia". E a vida dele inteira acontece dentro das tradições da Torá. Ele foi circuncidado, como todo menino judeu. Frequentava as sinagogas no sábado, o Shabat. Fazia peregrinações a Jerusalém nas festas, como Pessach, a Páscoa judaica.
Lia: E os Evangelhos mostram outras festas também, não é?
Davi: Sim. O Evangelho de João mostra Jesus em Jerusalém durante Sukkot, a Festa das Tendas. Também o situa no Templo durante Hanukkah, a Festa da Dedicação. E o livro de Atos coloca a descida do Espírito Santo durante Shavuot, o Pentecostes, que é uma festa judaica.
Lia: Eu acho bonito que muitos cristãos celebram Pentecostes sem saber que é uma festa de peregrinação judaica.
Davi: Exatamente. E tem um detalhe forte: na cruz, os romanos puseram a inscrição "Iesus Nazarenus, Rex Iudaeorum", "Jesus de Nazaré, Rei dos Judeus". Até quem o executou o identificava como judeu.
Lia: E quando Jesus discutia com os fariseus, isso era "Jesus contra os judeus"?
Davi: Não. O judaísmo do século I era plural. Havia fariseus, saduceus, essênios, grupos apocalípticos e movimentos proféticos, cada um com sua leitura da Torá. Os debates de Jesus sobre o sábado, a pureza ou o divórcio eram debates entre judeus, travados dentro desse mundo.
Lia: Como numa família que discute à mesa: discorda, mas continua família.
Davi: Boa imagem. E ele pregava o Reino de Deus, Malkhut Shamayim, com ideias tiradas da Bíblia Hebraica, o Tanakh.
Lia: Vamos para o segundo bloco: como nasceu o cristianismo. Ele surgiu já como uma religião separada?
Davi: Não. O cristianismo nasceu como um movimento dentro do judaísmo do Segundo Templo. Nas primeiras décadas, os seguidores de Jesus não se viam como fundadores de uma nova religião.
Lia: Quem eram esses primeiros seguidores?
Davi: Todos judeus. Pedro, João, Tiago, André, Mateus, além de Maria, mãe de Jesus. E Paulo, que aderiu pouco depois, também era judeu. A comunidade de Jerusalém era liderada por Tiago, irmão de Jesus, e pelos doze apóstolos. Eles continuavam frequentando o Templo, praticando a circuncisão e guardando o sábado.
Lia: E como esse grupo era chamado?
Davi: No meio judaico, era conhecido como a seita dos "Nazarenos", Natzratim, ou como "O Caminho".
Lia: E quando começa a separação?
Davi: Aos poucos. Com a expansão entre não judeus, surgiu o debate: os novos seguidores deveriam cumprir toda a Torá, inclusive a circuncisão e as regras alimentares? Isso aparece nas cartas aos Romanos e aos Gálatas. A separação se acelerou com a destruição do Segundo Templo pelos romanos, em 70 d.C., quando os sábios reorganizaram o judaísmo rabínico em Yavneh. E se consolidou depois da revolta de Bar Kokhba, entre 132 e 135 d.C.
Lia: Então é errado imaginar uma ruptura completa já durante a vida de Jesus.
Davi: Muitos pesquisadores consideram que sim, é errado. O momento exato ainda é discutido.
Lia: E o que o cristianismo herdou do judaísmo?
Davi: Os pilares. Primeiro, as Escrituras: o Tanakh virou o Antigo Testamento cristão. Segundo, o monoteísmo e a ideia de aliança. Terceiro, o modelo de culto: reunião comunitária, leitura comentada das Escrituras, orações e cânticos, que vêm das sinagogas. E quarto, o calendário de referência das festas judaicas.
Lia: Mas aqui tem um cuidado importante.
Davi: Tem. São religiões distintas. O judaísmo não faz parte do cristianismo. É anterior a ele e seguiu seu próprio caminho, como tradição viva. A Igreja Católica reconhece as raízes comuns e também a diferença: para os judeus, o centro é a Torá; para os cristãos, Jesus Cristo.
Lia: Então ajuda separar três coisas.
Davi: Isso. Fato histórico: Jesus viveu e ensinou no ambiente judaico do século I. Fé cristã: Jesus é o Messias, e sua morte tem sentido de salvação, leitura que o judaísmo não compartilha. E leitura teológica: algumas igrejas veem as festas judaicas como anúncios da vida de Jesus. É uma interpretação cristã, não o significado judaico original dessas festas.
Lia: Terceiro bloco, talvez o mais sensível. Na Páscoa, muita gente ainda ouve que "os judeus mataram Jesus". O que dizer?
Davi: Que, como acusação coletiva, isso é falso. E foi rejeitado pela própria Igreja Católica. Vamos aos fatos: Jesus, sua mãe e os apóstolos eram judeus. A crucificação era uma pena romana. Jesus foi executado por ordem do prefeito romano Pôncio Pilatos, que governou a Judeia entre 26 e 36 d.C., sob a acusação política de se dizer "Rei dos Judeus".
Lia: E o que a Igreja ensinou sobre isso?
Davi: Em 1965, o Concílio Vaticano II promulgou a declaração Nostra Aetate. Ela afirma que a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo, nem aos de hoje. Pede que os judeus não sejam apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus. E condena o antissemitismo.
Lia: E depois disso?
Davi: Em 1974, a Santa Sé criou a Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus, para aplicar a declaração. Muitas igrejas protestantes também revisaram essas leituras depois do Holocausto. No campo evangélico não há uma autoridade única, e as posições variam por denominação.
Lia: Por que essa acusação é tão grave?
Davi: Porque a ideia de "deicídio", de que os judeus teriam matado Deus, alimentou séculos de perseguição. O Yad Vashem identifica essa acusação como uma forma central do antissemitismo religioso cristão tradicional.
Lia: E para quem repete isso sem má intenção?
Davi: Muita gente aprendeu assim desde cedo. Isso não faz de ninguém uma pessoa má. O melhor caminho é mostrar o que as próprias igrejas ensinam hoje. Na teologia cristã, a cruz costuma ser lida em termos de pecado, reconciliação e responsabilidade humana universal. Essa leitura não precisa de um culpado étnico.
Lia: A fé cristã não precisa de um inimigo judeu.
Davi: Exatamente.
Lia: Último bloco: duas ideias que circulam bastante. A primeira é "Jesus era palestino". O que tem de real nisso?
Davi: Tem um fato geográfico. Jesus nasceu e viveu na mesma terra onde hoje vivem árabes palestinos. E cristãos palestinos vivem há séculos em Belém e Nazaré e veem Jesus como parte da sua história. Essa ligação é legítima e merece respeito.
Lia: Onde está o problema, então?
Davi: Na mistura de lugar com identidade. No tempo de Jesus, a região era a província romana da Judeia. Os romanos só deram à província o nome de Syria Palaestina por volta de 135 d.C., depois da revolta de Bar Kokhba, cerca de um século após a morte de Jesus. Autores gregos, como Heródoto, já usavam termos parecidos para a geografia da costa, mas nenhum deles designava um povo ou uma nação. A identidade nacional palestina se formou muito depois, no contexto dos nacionalismos dos séculos XIX e XX.
Lia: Então o ponto não é disputar quem pode amar Jesus.
Davi: Não. Amar Jesus não é o problema. O problema é apagar quem ele foi. E vale um cuidado: não dá para acusar de antissemitismo toda pessoa que repete a frase. Muitas só repetem o que ouviram. A gente explica com calma.
Lia: A segunda ideia é a de que Deus teria rejeitado o povo judeu, e que a Igreja teria tomado o lugar de Israel.
Davi: É a chamada doutrina da substituição. E muitas igrejas cristãs a rejeitam. O apóstolo Paulo, em Romanos 11:1, pergunta: "Acaso Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum!" E em Romanos 11:29 conclui que "os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis".
Lia: E isso vale também para a Terra?
Davi: A Bíblia Hebraica liga o exílio à desobediência, mas trata o exílio como disciplina temporária e promete o retorno. Deuteronômio 30:3 a 5 diz que Deus faria o povo voltar e o traria à terra que seus pais possuíram. E a história confirma: houve retorno com o Édito de Ciro, em 538 a.C., e o Estado de Israel foi proclamado em 14 de maio de 1948.
Lia: E aqui há uma linha clara.
Davi: Sim. A fé de cada pessoa é livre. Mas quando uma ideia religiosa é usada para desprezar judeus ou negar o direito de Israel existir, ela cruza a linha. Pela definição da IHRA, negar o direito de Israel existir é antissemitismo.
Lia: Vamos fechar com três ideias-chave. A primeira:
Davi: Jesus era judeu. Nasceu em "Belém da Judeia", foi circuncidado, frequentou o Templo e as sinagogas e celebrou as festas judaicas. O cristianismo nasceu como movimento dentro do judaísmo e se separou aos poucos.
Lia: A segunda: a culpa não é coletiva. Jesus foi crucificado pelos romanos, sob Pôncio Pilatos, e desde 1965, com a Nostra Aetate, a Igreja Católica ensina que sua morte não pode ser atribuída aos judeus de então nem aos de hoje.
Davi: E a terceira: Deus não rejeitou seu povo, como escreveu Paulo em Romanos 11. Respeitar a fé cristã e combater o antissemitismo andam juntos. Lembrar que Jesus era judeu aproxima cristãos e judeus.
Lia: Se você é catequista, pastor ou líder de jovens, leve essa conversa para o seu grupo. Mais materiais em jjo.org.br.
Davi: Obrigado pela companhia, e até o próximo Contexto!
Apresentação pronta para usar
16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.
Guia de estudo
Objetivos
Ao final do estudo, o participante deve ser capaz de: - reconhecer que Jesus (Yeshua) foi um judeu do século I, nascido em “Belém da Judeia” (Mateus 2:1) e criado na Galileia, sob domínio romano; - descrever a vida judaica de Jesus: circuncisão, Shabat, sinagoga, Templo, festas e ensino a partir das Escrituras de Israel; - explicar que o cristianismo nasceu como um movimento dentro do judaísmo do Segundo Templo e se separou dele aos poucos; - explicar por que a acusação de “deicídio” é falsa como culpa coletiva e o que a declaração Nostra Aetate (1965) afirmou; - ler com contexto passagens usadas contra os judeus, como Apocalipse 2:9 e 3:9, e passagens que as próprias igrejas consideram centrais, como Romanos 11; - diferenciar a crítica legítima a um governo do antissemitismo, pelo critério da IHRA, que a JJO adota.
Conceitos-chave
Jesus viveu como judeu. Ele foi circuncidado e frequentou as sinagogas aos sábados. Fez peregrinações a Jerusalém nas festas, como Pessach. Debateu a interpretação da Torá com outros mestres judeus, entre eles os fariseus. Esses debates sobre o sábado, a pureza ou o divórcio eram debates entre judeus.
O judaísmo do século I era plural. Havia fariseus, saduceus, essênios, grupos apocalípticos e movimentos proféticos. O Templo de Jerusalém era o centro da vida religiosa, política e econômica.
As festas judaicas aparecem nos Evangelhos. - Os Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas situam a última ceia em contexto pascal. - O Evangelho de João mostra Jesus em Jerusalém durante Sucot e no Templo durante Hanucá, a Festa da Dedicação. - O livro de Atos situa a descida do Espírito Santo durante Shavuot (Pentecostes).
Os primeiros seguidores eram judeus. Pedro, João, Tiago, André, Mateus, Maria e também Paulo eram judeus. A comunidade de Jerusalém era liderada por Tiago, irmão de Jesus, e pelos doze apóstolos. Ela seguia frequentando o Templo e guardando o sábado. No meio judaico, o movimento era chamado de “Nazarenos” (Natzratim) ou “O Caminho”.
A separação foi gradual. Ela se acelerou depois da destruição do Segundo Templo, em 70 d.C., e se consolidou depois da revolta de Bar Kokhba (132–135 d.C.). O momento exato ainda é discutido por pesquisadores.
Raízes comuns, religiões distintas. O cristianismo herdou do judaísmo: - as Escrituras (o Tanakh, que os cristãos chamam de Antigo Testamento); - o monoteísmo e a ideia de aliança; - o modelo de culto da sinagoga.
O judaísmo, porém, não faz parte do cristianismo. Ele é anterior e continua como tradição viva. Diferença teológica não significa inferioridade moral.
A culpa não é coletiva. A crucificação era uma pena romana, aplicada por ordem de Pôncio Pilatos, sob a acusação política de Jesus se dizer “Rei dos Judeus”. A Nostra Aetate afirmou três coisas: - a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo nem aos de hoje; - os judeus não devem ser apresentados como rejeitados ou amaldiçoados por Deus; - o antissemitismo é condenado.
Muitas igrejas protestantes também revisaram essas leituras depois do Holocausto.
Deus não rejeitou seu povo. Paulo pergunta: “Acaso Deus rejeitou o seu povo? De modo nenhum!” (Romanos 11:1). Ele também afirma que “os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis” (Romanos 11:29). Por isso, muitas igrejas rejeitam a doutrina da substituição.
Texto fora do contexto vira preconceito. A expressão “sinagoga de Satanás” (Apocalipse 2:9 e 3:9) aparece em cartas a duas igrejas da Ásia Menor, escritas por volta de 90–95 d.C. Ela trata de um conflito local. O mesmo livro grava os nomes das doze tribos de Israel nas portas da Nova Jerusalém (Apocalipse 21:12–14). Aplicar aquela expressão aos judeus de hoje ou ao Estado judeu é demonização religiosa.
“Jesus era palestino” é enganoso. No tempo de Jesus, a região era a província romana da Judeia. Os romanos só trocaram o nome da província por volta de 135 d.C., depois da revolta de Bar Kokhba, cerca de um século após a morte de Jesus. A identidade nacional palestina se formou muito depois, no contexto dos nacionalismos dos séculos XIX e XX. Cristãos palestinos que vivem há séculos em Belém e Nazaré veem Jesus como parte da sua história, e essa ligação merece respeito. O erro está em apagar o judaísmo de Jesus.
Critério da IHRA. Criticar decisões de um governo, inclusive o de Israel, é legítimo. Constituem antissemitismo: - negar o direito de Israel existir; - atribuir culpa coletiva aos judeus; - espalhar mitos de controle secreto; - culpar judeus brasileiros por decisões de outro país.
A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.
Linha do tempo
| Data | Acontecimento |
|---|---|
| 586 a.C. | Nabucodonosor II destrói o Primeiro Templo e deporta a população de Judá para a Babilônia. |
| 538 a.C. | Édito de Ciro: o rei persa autoriza o retorno a Jerusalém e a reconstrução do Templo (Esdras 1:1–4; 2 Crônicas 36:22–23). |
| Reinado de Herodes, o Grande | Jesus nasce em “Belém da Judeia” (Mateus 2:1) e cresce na Galileia. |
| 26–36 d.C. | Pôncio Pilatos governa a Judeia. Jesus é crucificado por ordem dele. |
| 62 d.C. | Apedrejamento de Tiago, “o irmão de Jesus, chamado Cristo”, segundo Flávio Josefo. |
| 70 d.C. | Os romanos destroem o Segundo Templo. O judaísmo rabínico se reorganiza em Yavneh. |
| c. 90–95 d.C. | Escrita do Apocalipse, sob Domiciano, com as cartas às igrejas de Esmirna e Filadélfia. |
| c. 93/94 d.C. | Flávio Josefo registra, em Antiguidades Judaicas, a atuação e a execução de Jesus sob Pilatos. |
| c. 116 d.C. | Tácito, nos Anais XV.44, registra a execução do fundador dos cristãos sob Tibério, pelo procurador Pôncio Pilatos. |
| 132–135 d.C. | Revolta de Bar Kokhba. Por volta de 135 d.C., os romanos trocam o nome da província. |
| 14 de maio de 1948 | Proclamação do Estado de Israel. Sua Declaração de Independência garante a liberdade de religião e de consciência. |
| 1965 | O Concílio Vaticano II promulga a Nostra Aetate. |
| 1974 | A Santa Sé cria a Comissão para as Relações Religiosas com os Judeus. |
5 perguntas para discussão
- O que muda na sua leitura dos Evangelhos ao saber que os debates de Jesus com os fariseus eram debates entre judeus?
- Por que a culpa por um ato não pode passar para um povo inteiro, de geração em geração?
- O que a Nostra Aetate mudou no ensino católico sobre os judeus? Como sua igreja trata esse tema hoje?
- Como Romanos 11:1 e 11:29 ajudam a responder à doutrina da substituição?
- Qual é a diferença entre criticar uma decisão do governo de Israel e negar que Israel tenha o direito de existir?
Glossário
- Yeshua: nome hebraico de Jesus.
- Tanakh: a Bíblia Hebraica, que os cristãos chamam de Antigo Testamento.
- Torá: os cinco livros de Moisés.
- Shabat: descanso semanal, do pôr do sol de sexta-feira ao sábado à noite.
- Pessach: festa que lembra a saída da escravidão no Egito.
- Sucot: Festa das Tendas.
- Hanucá: Festa da Dedicação, ligada à reinauguração do Templo pelos macabeus, no século II a.C.
- Shavuot: festa que os cristãos conhecem como Pentecostes.
- Malkhut Shamayim: Reino de Deus (literalmente, Reino dos Céus).
- Nazarenos / O Caminho: nomes do movimento dos primeiros seguidores de Jesus no meio judaico.
- Deicídio: “morte de Deus”, acusação falsa usada contra os judeus como povo.
- Nostra Aetate: declaração do Concílio Vaticano II (1965) sobre as relações com as religiões não cristãs, que rejeitou a culpa coletiva dos judeus.
- Doutrina da substituição: ideia de que a Igreja teria tomado o lugar de Israel e de que as promessas ao povo judeu estariam anuladas. Muitas igrejas a rejeitam.
- IHRA: Aliança Internacional para a Memória do Holocausto, autora da definição de trabalho de antissemitismo adotada pela JJO.
Quiz: teste o que aprendeu
O Evangelho de Mateus diz que Jesus nasceu em “Belém da Judeia”. Ele cresceu na Galileia, sob domínio romano.
A crucificação era uma pena romana. Jesus foi executado por ordem do prefeito romano Pôncio Pilatos, que governou a Judeia entre 26 e 36 d.C.
O Concílio Vaticano II promulgou a Nostra Aetate em 1965. A declaração afirma que a paixão de Cristo não pode ser atribuída indistintamente a todos os judeus daquele tempo nem aos de hoje.
Os primeiros seguidores eram judeus, e o movimento era conhecido como a seita dos “Nazarenos” (Natzratim) ou “O Caminho”.
João situa Jesus no Templo durante Hanucá, a Festa da Dedicação. O mesmo Evangelho também o mostra em Jerusalém durante Sucot.
Paulo nega que Deus tenha rejeitado seu povo (Romanos 11:1) e diz que os dons e a vocação de Deus são irrevogáveis (Romanos 11:29). Muitas igrejas rejeitam a doutrina da substituição.
As passagens estão em cartas a duas igrejas da Ásia Menor e tratam de um conflito local. Aplicá-las aos judeus de hoje ou ao Estado judeu é demonização religiosa e antissemitismo pelo critério da IHRA.
No tempo de Jesus, a região era a província romana da Judeia. A troca de nome veio por volta de 135 d.C., cerca de um século após a morte de Jesus. Por isso, chamá-lo de “palestino” é anacrônico.
Criticar decisões de um governo é legítimo. Negar o direito de Israel existir, atribuir culpa coletiva aos judeus ou espalhar mitos de controle secreto é antissemitismo.
A Declaração de Independência de 1948 garante a liberdade de religião e de consciência. O projeto de 2023 contra o proselitismo foi arquivado sem votação.
Cartões de estudo
Clique no cartão para virar.
Assista
Animação que conta a história do Êxodo e explica, passo a passo, os 15 momentos do Seder de Pessach, com ênfase no significado espiritual da matsá e da liberdade interior. Termina com o tradicional "no próximo ano em Jerusalém".
CriançasO rabino Michel Schlesinger explica de forma simples as principais diferenças entre as correntes ortodoxa, conservadora e reformista do judaísmo, a partir da relação de cada uma com os rituais, como a mezuzá, a circuncisão, a cashrut e o Shabat.
Adolescentes e adultosPérsio Bider explica de forma rápida e acessível as diferenças básicas entre judeus ortodoxos, reformistas e conservadores na aparência, nos costumes e na prática religiosa. Encerra com um chamado ao combate ao antissemitismo.
Adolescentes e adultosTambém em inglês: mais 3 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Animação curta e bem-humorada da BimBam que explica Shavuot: a festa das primícias, a celebração da entrega da Torá no Monte Sinai, o Tikun Leil Shavuot, a leitura do Livro de Rute e os costumes como laticínios e flores.
CriançasEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Animação curta do Jewish Learning Institute que explica o significado espiritual e as leis judaicas por trás dos elementos da mesa de Shabat: velas, kidush, as duas chalot, o peixe (gefilte fish) e o cholent.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Gravado em Jerusalém, o vídeo explica o significado da matsá, o pão ázimo de Pessach, como símbolo de liberdade e humildade, e ensina passo a passo a prepará-la em casa dentro do limite de 18 minutos.
CriançasPara ler mais

Jesus, judeu: as raízes judaicas do cristianismo
Jesus (Yeshua) foi um judeu do século I. Nasceu em "Belém da Judeia" e foi criado na Galileia, sob domínio romano. Foi circuncidado, frequentou…
Ler →
Nostra Aetate em linguagem simples
Nostra Aetate é a declaração do Concílio Vaticano II, aprovada em 28 de outubro de 1965, que mudou oficialmente a relação da Igreja Católica…
Ler →
Judeus, cristãos e muçulmanos no Brasil: caminhos de diálogo
No Brasil, judeus, cristãos e muçulmanos dialogam em comitês do governo federal, encontros comunitários e fóruns de liberdade religiosa. A Constituição de 1988 garante…
Ler →
Antissemitismo e fé cristã: roteiro de encontro
Este roteiro de 90 minutos ajuda professores e líderes de jovens a tratar do antissemitismo a partir da fé cristã. Ele mostra que Jesus,…
Ler →
O apoio cristão a Israel: sionismo cristão e evangélicos no Brasil
O sionismo cristão é uma corrente, sobretudo protestante e evangélica, que defende o retorno dos judeus à sua terra e hoje apoia Israel por…
Ler →
O que é o judaísmo?
O judaísmo é a religião, a tradição ética e a cultura do povo judeu. É monoteísta e afirma um único Deus, proclamado na oração…
Ler →















