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Área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho, 2019
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Israel ajuda o mundo: resgates, ciência e cooperação com o Brasil

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre Israel ajuda o mundo: resgates, ciência e cooperação com o Brasil, para escolas, igrejas e famílias.

Para: escolas, igrejas e famíliasPodcast: 11 minSlides: 16
Foto: Área atingida pelo rompimento da barragem em Brumadinho, 2019. Eric Marmor / IDF Spokesperson's Unit · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 4,9 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada, a JJO.

Davi: E eu sou o Davi. Hoje vamos falar de um lado de Israel que pouca gente conhece: a ajuda a outros países.

Lia: Resgates em terremotos, hospitais de campanha, ciência e uma parceria antiga com o Brasil.

Davi: E por que isso importa, Lia?

Lia: Porque, quando se fala de Israel, quase sempre o assunto é conflito. Mas há uma história longa de socorristas, médicos e cientistas israelenses ajudando gente do mundo inteiro. Inclusive aqui, em Minas Gerais e no Rio Grande do Sul.

Davi: Então vamos começar pelo começo. Desde quando Israel faz isso?

Lia: Desde 1953. Naquele ano, as Forças de Defesa de Israel, as FDI, atuaram num terremoto na ilha de Cefalônia, na Grécia.

Davi: E o país tinha só cinco anos de independência.

Lia: Exatamente. Um país jovem, com poucos recursos, já mandando ajuda para fora.

Davi: E depois veio uma agência própria para isso, não é?

Lia: Sim, a MASHAV, criada em 1958. É a Agência Israelense de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento, ligada ao Ministério das Relações Exteriores.

Davi: Quem teve a ideia?

Lia: Ela nasceu da visão do primeiro-ministro David Ben-Gurion e da então ministra das Relações Exteriores, Golda Meir. O objetivo era compartilhar com outras nações o conhecimento que Israel acumulava.

Davi: Hoje a ajuda israelense não depende de um órgão só. Ela tem três frentes.

Lia: Quais são?

Davi: A primeira é o governo, com a MASHAV. A segunda são as FDI, especialmente o Comando da Frente Interna, que tem uma unidade especializada em prédios desabados.

Lia: E a terceira?

Davi: As organizações civis. A maior é a IsraAID, fundada em 2001, que não faz parte do governo. Ela atua em mais de 60 países, com água potável, saneamento e apoio psicológico.

Lia: Então, quando a gente ouve falar de "ajuda israelense", vale perguntar: foi o governo, o exército ou uma ONG?

Davi: Isso mesmo. Cada missão combina essas frentes de um jeito diferente.

Lia: Vamos ao segundo bloco: as grandes missões pelo mundo.

Davi: Antes, um aviso para pais e professores: no próximo trecho, vamos mencionar rapidamente uma tragédia muito triste.

Lia: Em 1994, depois do genocídio dos tutsis em Ruanda, em que muitas pessoas morreram, Israel organizou uma ponte aérea de alimentos e remédios.

Davi: E não parou aí, certo?

Lia: Não. Israel também manteve um hospital de campanha no país por vários meses.

Davi: Hospital de campanha é aquele montado do zero, no meio da catástrofe?

Lia: Isso. E Israel fez isso no Haiti, depois do terremoto de 2010. A missão atendeu cerca de 1.110 pessoas.

Davi: E quantas cirurgias?

Lia: Foram 317 cirurgias.

Davi: Em 2015, foi a vez do Nepal. Ali o hospital israelense tinha salas cirúrgicas, UTI e atendimento obstétrico.

Lia: Atendimento obstétrico quer dizer cuidar de gestantes e de partos, não é?

Davi: Isso, e inclusive de bebês prematuros.

Lia: E a Turquia? Esse foi um caso recente.

Davi: Foi em fevereiro de 2023, depois do terremoto. A missão se chamou Operação Ramos de Oliveira. No total, Israel mobilizou cerca de 450 pessoas.

Lia: Todas na equipe de resgate?

Davi: Não. A equipe de busca e resgate tinha mais de 160 integrantes, segundo as FDI. Os outros incluíam médicos e enfermeiros.

Lia: E qual foi o resultado do resgate?

Davi: Em seis dias de trabalho, a equipe resgatou 19 pessoas com vida dos escombros.

Lia: Quem eram essas pessoas?

Davi: Entre elas havia um bebê de dois anos e um homem de 65.

Lia: E além do resgate?

Davi: Israel montou um hospital de campanha em Kahramanmaras e enviou mais de 150 toneladas de suprimentos.

Lia: E, segundo a própria MASHAV, Israel já enviou ajuda humanitária a mais de 140 países.

Davi: Agora vamos chegar mais perto de casa. Terceiro bloco: Brumadinho.

Lia: Em 25 de janeiro de 2019, a barragem de rejeitos da mineradora Vale se rompeu em Brumadinho, Minas Gerais.

Davi: A lama cobriu áreas enormes e deixou centenas de pessoas desaparecidas.

Lia: E Israel enviou ajuda poucos dias depois do rompimento.

Davi: A Confederação Israelita do Brasil, a Conib, afirmou em nota que Israel foi o único país a se mobilizar prontamente.

Lia: Essa é a avaliação da Conib.

Davi: E quem veio?

Lia: Uma missão militar de busca e resgate das FDI. Segundo as próprias FDI, eram 130 integrantes.

Davi: Que tipo de profissional?

Lia: Engenheiros, médicos, bombeiros, mergulhadores de uma unidade naval e cães farejadores da unidade Oketz. Também vieram diplomatas e o embaixador de Israel no Brasil.

Davi: Mergulhadores numa tragédia em terra firme?

Lia: Faz sentido. Grande parte das buscas acontecia em áreas alagadas ou cobertas de lama, onde quase não se enxergava nada.

Davi: E que tecnologia eles trouxeram?

Lia: Localização por sinais de celular, sonar, drones e cães treinados. O Ministério da Defesa do Brasil registrou cerca de 16 toneladas de equipamentos.

Davi: Uma integrante da equipe contou depois que eles marcavam no Google Maps as estruturas encontradas entre as ruínas, para orientar as buscas.

Lia: E quem comandava a operação?

Davi: O comando era brasileiro. Os israelenses trabalharam ao lado do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. As FDI descrevem o trabalho como uma operação conjunta.

Lia: Então não é correto dizer que os israelenses salvaram sozinhos ou conduziram tudo.

Davi: Exato. O mérito foi compartilhado com os bombeiros mineiros.

Lia: Mas houve críticas, não houve?

Davi: Houve. Aqui as avaliações divergem. A CPI da Assembleia Legislativa de Minas Gerais avaliou que os equipamentos israelenses não deram resultado para localizar pessoas soterradas na lama.

Lia: E o que mais a CPI registrou?

Davi: Que a equipe voltou a Israel após quatro dias. Essa crítica trata do resultado técnico, num terreno de lama muito difícil. Ela não nega a cooperação nem a presença dos socorristas.

Lia: E do lado israelense e do governo brasileiro?

Davi: As FDI descrevem uma operação integrada aos bombeiros. E o Brasil concedeu à brigada israelense de busca e salvamento a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul.

Lia: Que é a mais alta comenda que o Brasil dá a estrangeiros.

Davi: Isso. A entrega foi oficializada em 31 de março de 2019, durante uma agenda oficial em Israel.

Lia: Mas também houve um episódio triste nesses dias.

Davi: Sim. Dois dias depois do desastre, o cartunista Carlos Latuff publicou uma charge zombando da chegada dos socorristas israelenses.

Lia: E como a comunidade reagiu?

Davi: A Conib e 14 federações judaicas estaduais divulgaram uma nota de repúdio. Elas disseram que a ajuda deveria ser bem recebida, porque unia esforços para salvar vidas.

Lia: E lamentaram que a tragédia fosse usada para espalhar ódio e preconceito.

Davi: Críticas a governos fazem parte do debate. Mas zombar de quem procura vítimas numa tragédia não ajuda ninguém.

Lia: Conhecer os fatos ajuda a separar uma crítica legítima do preconceito.

Davi: A JJO adota a definição de antissemitismo da IHRA e combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião.

Lia: Vamos ao último bloco: a parceria entre Brasil e Israel. Ela é antiga?

Davi: Muito. Em 1947, o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidia a Assembleia Geral da ONU quando foi aprovado o plano de partilha.

Lia: E dois anos depois?

Davi: Em 1949, Brasil e Israel estabeleceram relações diplomáticas.

Lia: E no comércio?

Davi: Existe o acordo de livre comércio entre o Mercosul e Israel. Foi o primeiro do Mercosul com um país de fora das Américas.

Lia: Desde quando ele vale aqui?

Davi: Foi assinado em 2007 e entrou em vigor no Brasil em 2010.

Lia: E o que cada lado vende?

Davi: O Brasil exporta carnes, açúcar, soja, milho e petróleo. De Israel, compra fertilizantes, defensivos agrícolas e alta tecnologia.

Lia: E esse comércio cresceu?

Davi: Triplicou depois do acordo. Em 2022, bateu o recorde de 4 bilhões de dólares.

Lia: E a ajuda em emergências também chegou ao Brasil depois de Brumadinho?

Davi: Chegou. Em 2023, a embaixada de Israel e a MASHAV doaram antibióticos para ajudar a suprir a falta do remédio na rede de saúde.

Lia: E nas enchentes do Rio Grande do Sul?

Davi: Em 2024, Israel doou 5 sistemas de purificação de água à Defesa Civil. Eles transformam água contaminada em água potável sem precisar de energia elétrica.

Lia: Água, aliás, é uma especialidade israelense.

Davi: É sim. Desde os anos 60, os dois países cooperam em irrigação e convivência com a seca no Semiárido do Nordeste.

Lia: E a ciência?

Davi: Universidades brasileiras têm parcerias com centros como o Instituto Weizmann e a Universidade de Tel Aviv, em áreas como biotecnologia.

Lia: Vamos às três ideias-chave de hoje?

Davi: Vamos.

Lia: Primeira: Israel ajuda o mundo desde 1953, por meio do governo, das FDI e de ONGs, e, segundo a própria MASHAV, já levou ajuda a mais de 140 países.

Davi: Segunda: em Brumadinho, socorristas israelenses trabalharam junto com os bombeiros mineiros, e o Brasil os homenageou com a sua mais alta comenda para estrangeiros.

Lia: Terceira: Brasil e Israel são parceiros desde 1949, em comércio, água, ciência e socorro em emergências.

Davi: E essa parceria segue firme mesmo quando a política muda de governo para governo.

Lia: Ajudar quem sofre é um valor que une os dois povos.

Davi: Obrigado por ouvir o Contexto.

Lia: Mais materiais em jjo.org.br.

Apresentação pronta para usar

16 slides para projetar em sala ou no grupo. Baixe em PDF ou em PowerPoint para editar.

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Guia de estudo

Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, o participante deverá ser capaz de: - explicar como Israel organiza sua ajuda humanitária: governo, Forças de Defesa de Israel (FDI) e organizações civis; - citar as principais missões israelenses em desastres, desde 1953; - descrever a missão israelense em Brumadinho (2019): quem veio, o que fez, como trabalhou com os bombeiros mineiros e como o Brasil a reconheceu; - conhecer os laços entre Brasil e Israel em comércio, ciência, água, agricultura e defesa; - reconhecer quando um gesto humanitário é usado como pretexto para hostilidade contra Israel e responder com calma e com fatos.

Conceitos-chave

  • MASHAV: Agência Israelense de Cooperação Internacional para o Desenvolvimento. É vinculada ao Ministério das Relações Exteriores e foi criada em 1958, a partir da visão de David Ben-Gurion e de Golda Meir. Coordena a ajuda humanitária oficial do Estado de Israel e programas de capacitação. Segundo a própria agência, Israel já enviou ajuda humanitária e assistência em emergências a mais de 140 países.
  • Comando da Frente Interna: estrutura militar israelense de proteção civil. Sua unidade de busca e resgate é especializada em prédios desabados e em desastres.
  • Hospitais de campanha: montados por equipes médicas israelenses em grandes catástrofes, como em Ruanda (1994), no Haiti (2010), no Nepal (2015) e na Turquia (2023).
  • ONGs israelenses: atuam de forma independente do governo. A maior é a IsraAID, fundada em 2001, presente em mais de 60 países. Também atuam a Innovation: Africa (2008) e a Tevel b'Tzedek (2007). A ajuda das ONGs complementa a do Estado e não deve ser atribuída automaticamente ao governo ou às FDI.
  • Acordo de Livre Comércio Mercosul–Israel: assinado em Montevidéu em 18 de dezembro de 2007 e promulgado no Brasil pelo Decreto nº 7.159, de 27 de abril de 2010. Foi o primeiro acordo de livre comércio do Mercosul com um país de fora do continente americano.
  • Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul: a mais alta comenda que o Estado brasileiro concede a cidadãos ou entidades estrangeiras. Foi entregue à Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel.
  • Definição de antissemitismo da IHRA: adotada pela JJO, que combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Negar o direito de Israel existir é antissemitismo.

Linha do tempo

Ano Acontecimento
1947 O diplomata brasileiro Oswaldo Aranha preside a Assembleia Geral da ONU quando é aprovado o plano de partilha.
1949 Brasil e Israel estabelecem relações diplomáticas.
1953 Primeira missão das FDI: terremoto em Cefalônia, na Grécia. Israel tinha apenas cinco anos de independência.
1958 Criação da MASHAV.
1961 Golda Meir e Mina Ben-Zvi fundam o Centro Internacional de Treinamento Monte Carmel, que já capacitou cerca de 30.000 profissionais.
1962 Acordo Básico de Cooperação Técnica Brasil–Israel, complementado em 1972, sobre irrigação, gestão hídrica e convivência com a seca no Semiárido.
1963 Criação do Centro Internacional de Treinamento Agrícola da MASHAV.
1994 Ruanda: ponte aérea de alimentos e remédios após o genocídio dos tutsis. Hospital de campanha mantido por vários meses.
1998 Nairóbi (Quênia): unidade de resgate das FDI após o atentado da Al-Qaeda à embaixada dos EUA.
2005 Tailândia e Indonésia: ajuda após o tsunami, inclusive à Indonésia, que não tem relações diplomáticas com Israel.
2007 Assinatura do acordo Mercosul–Israel (18 de dezembro).
2010 Haiti: equipe de resgate e hospital de campanha. No Brasil, o acordo Mercosul–Israel entra em vigor.
2015 Nepal: hospital de campanha com salas cirúrgicas, UTI e atendimento obstétrico, inclusive a bebês prematuros.
2017 México: equipe de resgate após o terremoto.
2018 Março: acordo de ciência e tecnologia Brasil–Israel, aprovado depois pelo Decreto Legislativo nº 139/2022.
2019 Janeiro: missão das FDI em Brumadinho. 31 de março: oficialização da entrega da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul. Assinatura do Acordo de Cooperação em Defesa.
2020 Pandemia: entre março e julho, ajuda a 16 países. Apoio a desabrigados do furacão Eta na Guatemala, em Honduras e no Panamá.
2021 Dezembro: promulgação do Acordo de Cooperação em Defesa.
2022 O comércio Brasil–Israel atinge o recorde de US$ 4 bilhões.
2023 Turquia: Operação Ramos de Oliveira. No Brasil, doação de antibióticos por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
2024 Enchentes no Rio Grande do Sul: doação de 5 sistemas NUF de purificação de água.
2025 República Dominicana: equipe de resgate e apoio psicológico após o desabamento da casa noturna Jet Set.

Destaque: Brumadinho, 2019

  • O desastre: em 25 de janeiro de 2019, a barragem de rejeitos da mineradora Vale se rompeu em Brumadinho (MG). A lama cobriu áreas extensas e deixou centenas de pessoas desaparecidas.
  • A equipe: era uma missão militar de busca e salvamento. Segundo as FDI, tinha 130 integrantes. O governo de Minas Gerais contou 136 profissionais israelenses na operação. O comandante era o coronel Golan Vach, chefe da unidade nacional de resgate de Israel.
  • A composição: engenheiros, equipes de busca e resgate, médicos, bombeiros, mergulhadores da unidade naval YATAM 707 e cães da unidade Oketz. Vieram também representantes do Ministério das Relações Exteriores de Israel e o embaixador de Israel no Brasil.
  • Os equipamentos e as técnicas: cerca de 16 toneladas de equipamentos, cães farejadores, localização por sinais de celular, sonar naval, drones e mapeamento de estruturas no Google Maps.
  • O trabalho conjunto: o comando da resposta era brasileiro. Os israelenses atuaram em coordenação estreita com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. O mérito foi compartilhado. A missão foi apenas de busca e salvamento, sem hospital de campanha.
  • O reconhecimento: o Brasil concedeu à Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul, a mais alta comenda que o Estado brasileiro concede a cidadãos ou entidades estrangeiras.
  • A avaliação técnica: a CPI da Assembleia Legislativa de Minas Gerais afirmou que os equipamentos israelenses não foram eficazes para localizar pessoas soterradas nos rejeitos. Registrou também que a equipe voltou a Israel após quatro dias. Essa crítica trata do resultado técnico em um terreno de lama muito difícil. Ela não nega a cooperação nem a presença dos socorristas.
  • A crítica acadêmica: um artigo na revista Lua Nova chamou a ajuda de inútil, mas não apresenta dados operacionais que sustentem essa afirmação. Os registros mostram que a equipe trouxe o que as buscas em lama exigiam e trabalhou integrada aos bombeiros.
  • A hostilidade: em 27 de janeiro de 2019, uma charge de Carlos Latuff ridicularizou a ajuda israelense. Em 31 de janeiro, a Conib e 14 federações judaicas estaduais divulgaram nota de repúdio. A nota lamentou que a tragédia fosse usada para espalhar ódio e preconceito.

Brasil e Israel: uma parceria duradoura

  • O que o Brasil exporta: carnes bovina e de frango, açúcar, soja, milho e petróleo bruto.
  • O que o Brasil importa: fertilizantes, defensivos agrícolas, não tecidos de polipropileno e alta tecnologia.
  • O comércio: triplicou depois do acordo Mercosul–Israel e chegou ao recorde de US$ 4 bilhões em 2022.
  • As empresas israelenses no Brasil: Netafim, NaanDanJain, Haifa Group, Adama, AEL Sistemas e Ares.
  • A ciência: os acordos preveem pesquisa em tecnologia limpa, água, dessalinização, satélites e segurança cibernética. Há parcerias com o Instituto Weizmann de Ciências, a Universidade de Haifa e a Universidade de Tel Aviv. Em Brasília, o projeto Embaixada Verde doou mais de 400 pés de alface ao Banco de Alimentos do Ceasa.
  • A comunidade judaica: o Itamaraty estima a comunidade judaica brasileira em cerca de 120 mil pessoas.
  • A política: a proximidade política varia conforme o governo, mas o comércio e a cooperação técnica continuam. A parceria vai além das divergências de cada governo.

5 perguntas para discussão

  1. Desde 1953, cinco anos após sua independência, Israel envia socorro a outros países. O que isso revela sobre os valores de um Estado jovem que escolheu compartilhar o que sabia?
  2. Em Brumadinho, o comando era brasileiro e o mérito foi compartilhado com os bombeiros mineiros. Por que é importante contar essa história com precisão, sem exagerar nem diminuir o papel israelense?
  3. A CPI mineira fez uma crítica técnica aos equipamentos. A charge de 27 de janeiro de 2019 zombou da própria ajuda. Qual é a diferença entre avaliar um resultado e transformar um gesto humanitário em pretexto para hostilidade?
  4. Israel ajudou a Indonésia, que não tem relações diplomáticas com Israel. O que isso ensina sobre ajuda humanitária acima da política?
  5. A água limpa é uma das áreas em que Israel mais concentra sua cooperação, como mostram os sistemas NUF doados ao Rio Grande do Sul. Como o conhecimento israelense em gestão da água pode beneficiar o Brasil?

Glossário curto

  • FDI: Forças de Defesa de Israel.
  • MASHAV: agência de cooperação internacional do Ministério das Relações Exteriores de Israel.
  • IsraAID: maior ONG humanitária de Israel, independente do governo.
  • Oketz: unidade de cães das FDI.
  • YATAM 707: unidade naval israelense de missões submarinas.
  • NUF: sistema israelense de purificação de água que funciona sem energia elétrica.
  • Operação Ramos de Oliveira (Olive Branches): missão israelense na Turquia em 2023.
  • Conib: Confederação Israelita do Brasil.
  • ABC: Agência Brasileira de Cooperação.
  • IHRA: definição de antissemitismo adotada pela JJO (Juventude Judaica Organizada).

Conclusão

Os fatos são claros. Israel envia socorro, médicos e tecnologia a países em crise desde 1953 e já ajudou mais de 140 países, segundo a MASHAV. O Brasil está entre eles: Brumadinho, antibióticos e água potável no Rio Grande do Sul. O Brasil reconheceu esse gesto com sua mais alta comenda para estrangeiros. A parceria entre os dois países, viva desde 1949, é uma história de cooperação que merece ser conhecida e defendida.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Em que ano e onde aconteceu a primeira missão de resgate das Forças de Defesa de Israel?

Em 1953, as FDI responderam ao terremoto na ilha de Cefalônia, na Grécia. Israel tinha então apenas cinco anos de independência.

2. O que é a MASHAV?

A MASHAV foi criada em 1958, a partir da visão de David Ben-Gurion e de Golda Meir. Ela coordena a ajuda humanitária oficial de Israel e programas de capacitação.

3. Que reconhecimento o Brasil deu à equipe israelense de Brumadinho?

A insígnia foi entregue à Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel. A entrega foi oficializada em 31 de março de 2019, durante agenda bilateral em Israel.

4. Quantas pessoas a equipe israelense resgatou com vida dos escombros na Turquia, em 2023?

Na Operação Ramos de Oliveira foram resgatadas 19 pessoas com vida, entre elas um bebê de dois anos e um homem de 65. Israel também montou um hospital de campanha em Kahramanmaras.

5. Qual era o tipo da missão israelense em Brumadinho?

Foi uma missão militar de busca e salvamento, sem hospital de campanha. Ela trouxe cerca de 16 toneladas de equipamentos e cães farejadores.

6. Quem comandava a resposta ao desastre de Brumadinho?

O comando era brasileiro. As FDI descrevem o trabalho como uma operação conjunta com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. O mérito foi compartilhado.

7. O que torna o acordo de livre comércio Mercosul–Israel histórico?

O acordo foi assinado em Montevidéu em 18 de dezembro de 2007 e promulgado no Brasil pelo Decreto nº 7.159, de 2010. Ele prevê a eliminação gradual de tarifas para mais de 95% das linhas tarifárias.

8. O que Israel doou ao Brasil durante as enchentes do Rio Grande do Sul, em 2024?

A MASHAV e o Consulado Geral de Israel doaram 5 sistemas NUF ao Centro de Crise da Defesa Civil. Os aparelhos tornam potável a água contaminada sem precisar de energia elétrica.

9. Qual afirmação sobre a IsraAID é correta?

A IsraAID atua em mais de 60 países, com foco em água, saneamento, higiene e apoio psicológico. Sua atuação não deve ser confundida com a das FDI ou da MASHAV.

10. Qual foi o recorde da corrente de comércio entre Brasil e Israel, alcançado em 2022?

O comércio triplicou depois que o acordo Mercosul–Israel entrou em vigor. Nos anos 2000, ficava na casa das centenas de milhões de dólares.

Cartões de estudo

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