Brasil e Israel mantêm relações diplomáticas desde 1949. O comércio segue o acordo de livre comércio Mercosul–Israel, assinado em 2007 e em vigor no Brasil desde abril de 2010. O Brasil exporta carnes, açúcar, soja, milho e petróleo. De Israel, importa fertilizantes, defensivos agrícolas e alta tecnologia. A cooperação inclui irrigação, ciência, defesa, segurança pública e ajuda em emergências.
O Brasil já ajudou Israel?
Sim. O Brasil participou da diplomacia da ONU que levou ao nascimento de Israel e foi um dos países que estabeleceram relações com o novo Estado logo no início.
- 1947: o diplomata brasileiro Oswaldo Aranha presidia a Assembleia Geral da ONU quando foi aprovado o plano de partilha. A comunidade judaica brasileira guarda essa memória com carinho.
- 1949: Brasil e Israel estabeleceram relações diplomáticas, segundo o Itamaraty.
Os historiadores avaliam de formas diferentes o tamanho do protagonismo brasileiro em 1947 e as motivações da política externa da época. O fato documentado é claro: o Brasil esteve presente nos dois momentos decisivos. Uma análise acadêmica desse período está disponível na Revista de História Regional (UEPG).
O que o Brasil comercializa com Israel?
O Brasil vende principalmente alimentos e matérias-primas a Israel. Em troca, compra insumos industriais e produtos de alta tecnologia. As duas economias se complementam.
O Brasil exporta para Israel: - carne bovina e carne de frango; - açúcar, soja e milho; - petróleo bruto.
O Brasil importa de Israel: - fertilizantes e adubos químicos, essenciais para o agronegócio brasileiro; - defensivos agrícolas e produtos químicos; - não tecidos de polipropileno; - equipamentos de alta tecnologia, inclusive médicos, de telecomunicações e de segurança.
A base desse comércio é o Acordo de Livre Comércio Mercosul–Israel. Ele foi assinado em Montevidéu em 18 de dezembro de 2007 e promulgado no Brasil pelo Decreto nº 7.159, de 27 de abril de 2010. Foi o primeiro acordo de livre comércio do Mercosul com um país de fora do continente americano. O acordo prevê a eliminação gradual de tarifas para mais de 95% das linhas tarifárias. Ele trata também de regras de origem, salvaguardas, normas técnicas, medidas sanitárias e fitossanitárias e cooperação tecnológica e aduaneira, conforme o Siscomex.
Depois da entrada em vigor do acordo, a corrente de comércio triplicou. Nos anos 2000, ela ficava na casa das centenas de milhões de dólares. Em 2022, atingiu o recorde de US$ 4 bilhões. O governo brasileiro publica um guia para exportadores, o Como Exportar: Israel.
Quais são as empresas israelenses no Brasil?
Várias empresas israelenses atuam no Brasil, sobretudo em agricultura, irrigação e defesa.
| Empresa | Área de atuação no Brasil |
|---|---|
| Netafim | Irrigação por gotejamento |
| NaanDanJain | Sistemas de irrigação |
| Haifa Group | Fertilização e nutrição de plantas |
| Adama | Defensivos agrícolas |
| AEL Sistemas (grupo Elbit Systems) | Aviônicos e sistemas de defesa, com sede em Porto Alegre |
| Ares (grupo Elbit Systems) | Torres de armas remotas para blindados |
Essas empresas levam ao produtor rural tecnologias de irrigação, fertilização e agricultura de precisão (agritech) em várias regiões do país. A AEL Sistemas é a subsidiária brasileira da Elbit Systems e atua há cerca de quatro décadas com as Forças Armadas brasileiras.
Como funciona a cooperação em ciência, água e agricultura?
A cooperação científica entre os dois países começou com a água e a agricultura. Hoje ela também cobre tecnologia limpa, área espacial e segurança cibernética.
- 1962 e 1972: o Acordo Básico de Cooperação Técnica, complementado em 1972, tratou de irrigação, gestão hídrica e convivência com a seca no Semiárido do Nordeste.
- 2006 e 2009: a Comissão Mista de Cooperação Científica e Tecnológica realizou reuniões, segundo documento do Itamaraty.
- Março de 2018: os ministérios de ciência e tecnologia assinaram um acordo, depois aprovado pelo Congresso (Decreto Legislativo nº 139/2022). O acordo prevê pesquisa conjunta em tecnologia limpa, gestão de água, dessalinização, engenharia espacial, satélites e segurança cibernética.
No meio acadêmico, câmaras de comércio como a BRIL Chamber e parcerias com a FAPESP aproximam universidades brasileiras de centros israelenses. Entre eles estão o Instituto Weizmann de Ciências, a Universidade de Haifa e a Universidade de Tel Aviv. As áreas incluem biotecnologia, metabolômica e ciências da cognição.
A MASHAV é a agência de cooperação internacional do Ministério das Relações Exteriores de Israel. Segundo seu relatório, ela mantém especialistas agrícolas em missões de longo prazo no Brasil. Em Brasília, criou com a Embaixada de Israel o projeto "Embaixada Verde", que demonstra tecnologias de horticultura intensiva. Mais de 400 pés de alface produzidos ali foram doados ao Banco de Alimentos do Ceasa local.
Missões brasileiras também vão a Israel. Uma comitiva do Rio Grande do Sul, por exemplo, visitou centros de pesquisa, sistemas de irrigação e empresas como a NaanDanJain, segundo a Secretaria da Agricultura do RS. Israel desenvolveu tecnologias de ponta em dessalinização, reúso e irrigação. Ainda assim, cada solução precisa ser adaptada às condições brasileiras, e os resultados variam de projeto para projeto.
Como é a cooperação em defesa e segurança?
Brasil e Israel têm um acordo formal de defesa, e empresas israelenses fornecem sistemas usados pelas Forças Armadas brasileiras.
- Acordo de Cooperação em Defesa: foi assinado em 2019, aprovado pelo Congresso e promulgado em dezembro de 2021. Ele regula o intercâmbio tecnológico, a formação militar, as visitas de autoridades e as parcerias entre as indústrias de defesa dos dois países.
- Aviação: a AEL Sistemas forneceu eletrônicos para aeronaves da FAB. A lista inclui o T-27 Tucano, o A-29 Super Tucano, o AMX (A-1M), o F-5M, o caça F-39 Gripen e o cargueiro KC-390 da Embraer.
- Fronteiras: o Ministério da Defesa contratou sensores optrônicos e câmeras para o Sistema Integrado de Monitoramento de Fronteiras (SISFRON).
- Exército: a Ares fabrica as torres de armas remotas REMAX dos blindados Guarani.
- Drones: os contratos incluem aeronaves remotamente pilotadas Hermes 450 e Hermes 900, além de mísseis.
Segundo o Itamaraty, os acordos bilaterais recentes também incluem segurança pública e serviços aéreos.
Israel já ajudou o Brasil em emergências?
Sim. Israel enviou socorro ao Brasil em pelo menos três ocasiões documentadas.
- Brumadinho (2019): depois do rompimento da barragem em Minas Gerais, uma missão de busca e salvamento das Forças de Defesa de Israel (FDI) chegou com equipamentos de localização para apoiar o Corpo de Bombeiros.
- Enchentes no Rio Grande do Sul (2024): a MASHAV e o Consulado Geral de Israel doaram 5 sistemas NUF de purificação de água ao Centro de Crise da Defesa Civil. Os aparelhos transformam água contaminada em água potável sem precisar de energia elétrica.
- Medicamentos: as autoridades brasileiras pediram ajuda à comunidade internacional diante da falta de antibióticos na rede de saúde. A MASHAV e a Embaixada de Israel atenderam com uma doação entregue por meio da Agência Brasileira de Cooperação (ABC).
Qual é o apoio do Brasil a Israel?
O Brasil reconhece Israel e mantém com o país relações diplomáticas, comerciais e técnicas estáveis. Já o grau de proximidade política muda conforme o governo.
Os vínculos institucionais seguem firmes desde 1949. Eles incluem embaixadas, o acordo Mercosul–Israel e acordos de ciência, defesa e segurança pública. Há ainda um laço humano: o Itamaraty estima a comunidade judaica brasileira em cerca de 120 mil pessoas. O Congresso Judaico Mundial e a Jewish Virtual Library contam a história dessa comunidade.
Na política, a relação oscila. Alguns governos brasileiros ampliaram os contatos políticos, comerciais e de segurança com Israel. Outros criticaram ações israelenses ou tomaram posições que Israel considerou hostis, em temas como Gaza, Jerusalém e reconhecimento de um Estado palestino. Mesmo nesses períodos, o comércio e a cooperação técnica continuaram. Isso mostra que a parceria vai além das divergências de cada governo.
Linha do tempo
- 1947Oswaldo Aranha preside a Assembleia Geral da ONU quando o plano de partilha é aprovado.
- 1949Brasil e Israel estabelecem relações diplomáticas.
- 1962Acordo Básico de Cooperação Técnica, com foco em irrigação e no Semiárido (complementado em 1972).
- 2006–2009Reuniões da Comissão Mista de Cooperação Científica e Tecnológica.
- 2007Assinatura do Acordo de Livre Comércio Mercosul–Israel, em Montevidéu, em 18 de dezembro.
- 2010O Decreto nº 7.159 promulga o acordo no Brasil, em vigor desde abril.
- 2018Acordo bilateral de Ciência e Tecnologia assinado em março.
- 2019Assinatura do Acordo de Cooperação em Defesa e missão das FDI em Brumadinho.
- 2021Promulgação do Acordo de Cooperação em Defesa, em dezembro.
- 2022O comércio bilateral bate o recorde de US$ 4 bilhões.
- 2024Israel doa 5 sistemas de purificação de água para as vítimas das enchentes no RS.
Perguntas frequentes
O acordo Mercosul–Israel vale só entre Brasil e Israel?
Quanto vale o comércio entre Brasil e Israel?
Desde quando Brasil e Israel têm relações diplomáticas?
Quantos judeus vivem no Brasil?
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Painel da CONIB apresenta dados sobre o aumento do antissemitismo no Brasil desde o 7 de outubro, explica a definição da IHRA e os tropos antissemitas com base em historiadores como Poliakov, Nirenberg e Tucci Carneiro, e mostra casos reais de condenação por racismo contra judeus na Justiça brasileira.
AdultosEpisódio do podcast Levante, da StandWithUs Brasil, com os jornalistas Felipe Moura Brasil, Samuel Feldberg e Caio Blinder. Eles analisam um mês de guerra contra o regime iraniano e o Hezbollah, a disputa em torno do projeto de lei que define o antissemitismo no Brasil, uma nova pesquisa sobre antissemitismo na sociedade brasileira e a obsessão anti-Israel nas redes sociais.
AdultosTambém em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Líderes estudantis da StandWithUs na Austrália, no Brasil, na Holanda e no Reino Unido relatam o aumento do antissemitismo nas universidades após o 7 de outubro e compartilham estratégias de resistência, como redes de apoio, alianças com não judeus e a adoção da definição de antissemitismo da IHRA. Inclui o depoimento de uma estudante brasileira sobre a situação em São Paulo e o trabalho com a CONIB.
Adolescentes e adultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Um jovem brasileiro que imigrou para Israel relata como sobreviveu ao massacre dos terroristas do Hamas no festival Nova, em 7 de outubro, escondido num abrigo antimísseis atacado com tiros, granadas e gás. Também fala da perda de um amigo, do apoio que recebeu e de sua decisão de seguir em frente com fé e esperança.
Adolescentes e adultos- Ministério das Relações Exteriores – Estado de Israel (relações bilaterais)
- Siscomex – Acordo Mercosul–Israel
- Decreto nº 7.159, de 27 de abril de 2010
- Invest & Export Brasil – Como Exportar: Israel
- Itamaraty – Política externa (documento)
- Secretaria da Agricultura do RS – Comitiva gaúcha em Israel
- Revista de História Regional (UEPG)
- Congresso Judaico Mundial – Comunidade judaica do Brasil
- Jewish Virtual Library – Brazil

