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Inovação israelense: água, ciência e tecnologia

Podcast, apresentação, guia de estudo, quiz e cartões sobre inovação israelense: água, ciência e tecnologia, para professores de Ciências e Geografia e estudantes.

Para: professores de Ciências e Geografia e estudantesPodcast: 12 minSlides: 16
Foto: Irrigação no kibutz Hamadia. autor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 12 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (12 min, 5,7 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, boas-vindas ao Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Eu sou a Lia.

Davi: E eu sou o Davi. Oi, gente!

Lia: Hoje o tema é inovação israelense: água, ciência e tecnologia. Vamos entender como um país de clima árido virou referência em gestão da água, em pesquisa científica e em startups.

Davi: E por que isso interessa a quem dá aula de Ciências ou de Geografia, Lia?

Lia: Porque é um ótimo estudo de caso. Ele junta clima, recursos hídricos, química, biologia, economia e políticas públicas. E ainda conversa diretamente com o Brasil, especialmente com o Semiárido nordestino.

Davi: Então vamos começar pela água, que é a base de tudo.

Lia: Vamos. Israel tem clima árido e semiárido. Por isso, a gestão da água virou política de Estado. O primeiro marco é a Lei da Água de 1959, que tornou todos os recursos hídricos propriedade pública.

Davi: Inclusive a água debaixo de um terreno particular?

Lia: Inclusive. A lei proíbe a propriedade privada de águas de superfície e de aquíferos, mesmo sob terrenos privados. A água é um bem público, alocado pelo Estado.

Davi: E como essa água chega a quem precisa?

Lia: Pela Mekorot, a companhia nacional de água, fundada em 1937. Ela construiu o Aqueduto Nacional, inaugurado em 1964, que liga as fontes do norte, como o Lago Kinneret, o Mar da Galileia, às regiões áridas do centro e ao deserto do Negev, no sul.

Davi: Professores de Geografia, anotem: é um transporte de água no sentido norte-sul, das áreas mais úmidas para as mais secas.

Lia: Exatamente. E em 2007 foi criada a Autoridade da Água, que reúne planejamento, alocação e regulação de tarifas numa única agência.

Davi: Agora, Lia, a parte que sempre chama a atenção dos alunos: tirar sal da água do mar.

Lia: É a dessalinização. Israel usa a osmose reversa: a água do Mediterrâneo é empurrada sob pressão por membranas que retêm o sal.

Davi: Uma aula de Ciências pronta. Pressão, membrana, concentração.

Lia: E tem um detalhe interessante: a decisão política veio antes da tecnologia. Em março de 1999, o governo aprovou um plano para construir usinas na costa. Elas foram feitas por Parcerias Público-Privadas.

Davi: E quantas são?

Lia: Cinco grandes usinas: Ashkelon, em 2005; Palmachim, em 2007; Hadera, em 2009; Sorek, em 2013; e Ashdod, em 2015. Hoje, segundo dados oficiais israelenses, a água dessalinizada atende entre 80% e 85% da demanda doméstica de água potável.

Davi: Eu já ouvi que Sorek é a maior dessalinizadora do mundo. É verdade?

Lia: Boa pergunta para treinar o rigor. O governo de Israel descreve Sorek como uma das maiores do mundo. O título de "a maior" depende do critério: capacidade contratada, capacidade nominal ou produção efetiva. E os rankings mudam quando novas usinas entram em operação. Então o mais preciso é dizer que Sorek está entre as maiores.

Davi: Gostei. Precisão também é ciência. E sobra água dessalinizada?

Lia: Sobra a ponto de, em 2018, o governo aprovar o Aqueduto Reverso. Ele inverte o fluxo da rede para reabastecer o Lago Kinneret com água dessalinizada excedente, como proteção contra secas longas.

Davi: Ou seja, a água que antes descia do norte agora também pode subir para o lago. Muito bom. E o esgoto?

Lia: Essa é a outra peça. Israel trata o esgoto e usa a maior parte dele para irrigar lavouras. Segundo o Centro de Pesquisa do Knesset, cerca de 87% dos efluentes tratados são reutilizados, uma das taxas mais altas do planeta. E, segundo dados oficiais, entre 50% e 60% da água usada na agricultura vem de esgoto tratado.

Davi: E como se garante que essa água é segura?

Lia: Um exemplo é o Shafdan, que trata o esgoto da região de Tel Aviv desde 1989. O efluente é injetado em dunas de areia, onde se purifica naturalmente por 6 a 12 meses. Depois é bombeado para irrigar o Negev. E, em 2010, a Regulamentação Inbar fixou padrões sanitários rígidos para essa água.

Davi: A lógica é simples: a água potável fica para as pessoas, e a lavoura usa água reciclada.

Lia: Isso. E aí entra a joia da coroa: a irrigação por gotejamento.

Davi: Deixa eu explicar essa. O gotejamento aplica água diretamente na raiz e reduz a evaporação. Ele também permite a fertirrigação: água e nutrientes chegam juntos à planta. A eficiência no uso da água chega a cerca de 90%. Na aspersão, fica em 75%. Na irrigação por superfície, abaixo de 60%.

Lia: E quem levou isso ao mundo?

Davi: O engenheiro Simcha Blass e a empresa Netafim, fundada em 1965 no kibutz Hatzerim. Vale a precisão: a irrigação localizada já existia. A contribuição israelense foi o controle do fluxo e o uso comercial em grande escala.

Lia: E há outro cuidado. O gotejamento aumenta a eficiência, mas, se a área irrigada cresce, o consumo total de água não cai necessariamente.

Davi: E os resultados?

Lia: Na segunda metade do século XX, a produção agrícola cresceu 21,2 vezes, enquanto o consumo de água para irrigação cresceu só 4 vezes. E o combate a perdas ajuda: em diversas corporações municipais, a perda de água não faturada é inferior a 5%, graças ao monitoramento contínuo e à troca de hidrômetros.

Davi: Então o segredo não é uma tecnologia só.

Lia: É um sistema. Lei, rede nacional, dessalinização, reúso, gotejamento e medição. Nenhuma peça funciona sozinha.

Davi: Vamos para o segundo bloco: ciência. Israel investe muito em pesquisa, né?

Lia: Muito. As estimativas variam entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento civil, conforme a fonte e o ano. Em 2022 foram 6,1%, e, segundo o Escritório Central de Estatísticas, nenhum país da OCDE investiu mais naquele levantamento.

Davi: E gente para fazer essa pesquisa?

Lia: São cerca de 140 cientistas e técnicos para cada 10.000 trabalhadores. Nos Estados Unidos, são 85. No Japão, 83.

Davi: E os Prêmios Nobel? Aluno adora perguntar quantos são.

Lia: A resposta depende do critério de contagem: cidadania, nascimento ou vínculo com instituição. E vale lembrar que o Nobel é sempre um prêmio individual. Mas dá para citar vários pesquisadores ligados a Israel, sobretudo em Química.

Davi: Manda a lista para a turma de Ciências.

Lia: Em 2004, Avram Hershko e Aaron Ciechanover, professores do Technion, dividiram o Nobel de Química com Irwin Rose. Eles descobriram como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina. Em 2009, Ada Yonath, do Instituto Weizmann, foi premiada pelos estudos sobre o ribossomo. Em 2011, Dan Shechtman, do Technion, pela descoberta dos quasicristais. E, em 2013, Arieh Warshel e Michael Levitt, por modelos de sistemas químicos complexos.

Davi: E na Economia, Daniel Kahneman, em 2002, por estudos sobre julgamento e decisão sob incerteza, e Robert Aumann, em 2005, pela teoria dos jogos.

Lia: Ribossomo, proteínas, estrutura cristalina: tudo isso está no currículo escolar. Dá para usar esses nomes em sala.

Davi: Terceiro bloco: tecnologia. Por que Israel é chamado de nação das startups?

Lia: Pela concentração. Em 2021, eram 4.801 startups ativas, segundo o Escritório Central de Estatísticas. Em 2024, o país abrigava 515 centros de pesquisa e desenvolvimento de multinacionais, com cerca de 90 mil empregados.

Davi: E de lá vieram coisas que muita gente usa sem saber, como o Waze.

Lia: Criado por empreendedores israelenses e comprado pelo Google em 2013 por 1,3 bilhão de dólares. O Waze não inventou os mapas digitais. Ele inovou ao combinar dados enviados pelos próprios usuários com o trânsito em tempo real.

Davi: E a Mobileye, fundada em Israel por Amnon Shashua e Ziv Aviram, com visão computacional para assistência ao motorista. Ela detecta faixas, veículos e pedestres. Foi adquirida pela Intel em 2017.

Lia: E por que tanta tecnologia? Não é por uma característica de grupo. É por causa de um ecossistema: a reforma econômica de 1985, a chegada de mais de 1 milhão de imigrantes da ex-União Soviética nos anos 1990, muitos deles engenheiros e cientistas, o estímulo ao capital de risco, as unidades tecnológicas do serviço militar e um setor privado forte.

Davi: Quanto pesa o setor privado?

Lia: Cerca de 92,3% do gasto em pesquisa civil é financiado por empresas, segundo o Escritório Central de Estatísticas.

Davi: Quarto bloco, e o mais próximo de nós: Israel e Brasil.

Lia: Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, metodologias israelenses são aplicadas no Semiárido nordestino desde a década de 1960. A cooperação passa pela MASHAV, a agência israelense de cooperação internacional, criada em 1958, que compartilha conhecimento com mais de 140 países, e pelo MATC, o Centro Internacional de Treinamento Agrícola, ativo desde 1963, que envia especialistas ao Brasil.

Davi: E isso continua?

Lia: Em 2021, o Ministério do Desenvolvimento Regional discutiu com representantes israelenses agricultura irrigada e tratamento de água para uso agrícola. Em 2022, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação citou segurança hídrica, agricultura e projetos da Embrapa e do CNPq.

Davi: Então dá para copiar o modelo no Nordeste?

Lia: O modelo inspira, mas não se copia por inteiro. Precisa ser adaptado à renda rural, à energia, à manutenção, à qualidade da água e ao acesso a mercados. A dessalinização e o reúso também têm custos: energia, infraestrutura, descarte da salmoura e controle de sais e contaminantes.

Davi: E a Embrapa tem soluções próprias, como a captação de água da chuva no próprio terreno, o uso de água salobra e o reúso doméstico. A cooperação funciona melhor como troca.

Lia: E a tecnologia israelense também chegou ao Brasil num momento de dor. Em Brumadinho, em 2019, 130 socorristas das Forças de Defesa de Israel usaram sonar, drones e localização de celulares, em coordenação com os bombeiros de Minas Gerais.

Davi: Vamos às três ideias-chave?

Lia: Primeira: a água em Israel é um sistema, com lei, rede nacional, dessalinização, reúso e gotejamento funcionando juntos.

Davi: Segunda: a inovação israelense nasce de um ecossistema, com pesquisa intensa, universidades fortes, empresas e imigração qualificada.

Lia: Terceira: Brasil e Israel cooperam há décadas, e o melhor resultado vem quando o conhecimento é adaptado à realidade local.

Davi: Obrigado por ouvir o Contexto. Mais materiais em jjo.org.br.

Lia: Até o próximo episódio!

Apresentação pronta para usar

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Guia de estudo

Objetivos de aprendizagem

  • Entender como Israel, um país de clima árido e semiárido, organizou um sistema integrado de água que combina gestão pública, dessalinização, reúso de esgoto e irrigação por gotejamento.
  • Conhecer os principais marcos da ciência israelense: universidades, centros de pesquisa e laureados com o Prêmio Nobel.
  • Compreender por que Israel é chamado de nação das startups e quais fatores explicam seu ecossistema de inovação.
  • Analisar a cooperação entre Brasil e Israel, no Semiárido nordestino e na missão de resgate em Brumadinho (2019).
  • Desenvolver leitura crítica de números: perceber que percentuais e rankings mudam conforme o critério de cálculo.

Conceitos-chave

1. A água como política de Estado

  • Lei da Água de 1959: todos os recursos hídricos passaram a ser propriedade pública, sob controle do Estado. A lei proíbe a propriedade privada de águas de superfície e de aquíferos, mesmo sob terrenos privados.
  • Mekorot: companhia nacional de água, fundada em 1937. Construiu o Aqueduto Nacional, inaugurado em 1964, que liga as fontes do norte, como o Lago Kinneret (Mar da Galileia), às regiões áridas do centro e ao deserto do Negev.
  • Autoridade da Água: criada em 2007, reúne planejamento, alocação e regulação de tarifas em uma única agência.
  • Nenhuma peça funciona sozinha: o resultado vem da combinação de irrigação eficiente, reúso, dessalinização e redes nacionais.

2. Dessalinização por osmose reversa

  • A água do Mediterrâneo é empurrada sob pressão por membranas que retêm o sal.
  • A decisão política veio antes da tecnologia: a Decisão de Governo nº 4895 (março de 1999) aprovou o plano de usinas costeiras, consolidado em 2003. As usinas foram feitas por Parcerias Público-Privadas.
  • Cinco grandes usinas: Ashkelon (2005), Palmachim (2007), Hadera (2009), Sorek (2013) e Ashdod (2015).
  • A água dessalinizada atende entre 80% e 85% da demanda doméstica de água potável, segundo dados oficiais israelenses.
  • Aqueduto Reverso (Decisão nº 3866, junho de 2018): inverte o fluxo da rede para reabastecer o Lago Kinneret com água dessalinizada excedente, como proteção contra secas longas.
  • Sorek é descrita pelo governo de Israel como uma das maiores usinas de dessalinização do mundo. O título de maior depende do critério (capacidade contratada, nominal ou produção efetiva).

3. Reúso de esgoto tratado

  • O reúso agrícola começou em 1985, segundo o governo israelense.
  • Cerca de 87% dos efluentes tratados são reutilizados (Centro de Pesquisa do Knesset); cerca de 82% considerando todo o esgoto. De 50% a 60% da água agrícola vem de efluente tratado.
  • Shafdan (desde 1989): trata o esgoto da região de Tel Aviv; o efluente é injetado em dunas de areia, purifica-se naturalmente por 6 a 12 meses e depois é bombeado para irrigar o Negev.
  • Regulamentação Inbar (janeiro de 2010): padrões sanitários rígidos para efluentes destinados à agricultura.
  • Lógica do sistema: água potável para as pessoas, água reciclada para a lavoura.

4. Irrigação por gotejamento

  • Aplica água diretamente na raiz e reduz a evaporação; permite a fertirrigação (água e nutrientes juntos).
  • Eficiência de cerca de 90%, contra 75% da aspersão e menos de 60% da irrigação por superfície.
  • A Netafim, fundada em 1965 no kibutz Hatzerim, tornou-se uma das principais empresas do setor. O engenheiro Simcha Blass e a Netafim foram decisivos para levar o gotejamento moderno à agricultura em grande escala.
  • Na segunda metade do século XX, a produção agrícola cresceu 21,2 vezes, e o consumo de água para irrigação só 4 vezes.
  • Ponto de precisão: o gotejamento aumenta a eficiência, mas, se a área irrigada cresce, o consumo total não cai necessariamente.

5. Ciência e Prêmios Nobel

  • Israel investe entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa civil, conforme a estimativa, e tem cerca de 140 cientistas e técnicos para cada 10.000 trabalhadores (EUA: 85; Japão: 83).
  • Principais instituições: Technion (Haifa), Instituto Weizmann (Rehovot) e Universidade Hebraica de Jerusalém.
  • Laureados ligados a Israel: Daniel Kahneman (Economia, 2002), Avram Hershko e Aaron Ciechanover (Química, 2004), Robert Aumann (Economia, 2005), Ada Yonath (Química, 2009), Dan Shechtman (Química, 2011), Arieh Warshel e Michael Levitt (Química, 2013).
  • O Nobel é um prêmio individual: dizer que um país ganhou um Nobel é uma forma abreviada.
  • Na covid-19, Israel foi um dos primeiros países a vacinar em massa, com a vacina da Pfizer-BioNTech, compra rápida, logística digital e prioridade aos grupos de risco.

6. Nação das startups

  • 6,1% do PIB em P&D civil em 2022, acima de qualquer país da OCDE; 6,3% em 2023.
  • 4.801 startups ativas em 2021; 515 centros de P&D de multinacionais em 2024, com cerca de 90 mil empregados.
  • Fatores: Plano de Estabilização Econômica de 1985, mais de 1 milhão de imigrantes da ex-União Soviética nos anos 1990, capital de risco, formação técnica no serviço militar e setor privado forte.
  • Destaques: Waze, Mobileye, DiskOnKey, gotejamento moderno e Iron Dome. Em cada caso, vale dizer com precisão o que foi criado em Israel.

7. Cooperação com o Brasil

  • Segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, metodologias israelenses são aplicadas no Semiárido nordestino desde a década de 1960.
  • MASHAV (criada em 1958) e MATC (ativo desde 1963) coordenam capacitação e enviam especialistas.
  • A Embrapa desenvolve soluções próprias: captação de água da chuva, uso de água salobra, reúso doméstico e irrigação de salvação. A cooperação funciona melhor como troca e adaptação.
  • Brumadinho (2019): 130 integrantes das FDI, com mergulhadores da YATAM 707 e cães da unidade Oketz, atuaram em coordenação com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais. O Brasil concedeu a Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul à Brigada de Busca e Salvamento do Comando da Frente Interna de Israel.

Linha do tempo

Ano Marco
1937 Fundação da Mekorot
1958 Criação da MASHAV
1959 Lei da Água: recursos hídricos tornam-se propriedade pública
1963 MATC começa a atuar
1964 Inauguração do Aqueduto Nacional
1965 Fundação da Netafim, no kibutz Hatzerim
1985 Início do reúso agrícola de esgoto; Plano de Estabilização Econômica
1989 Início do Shafdan
1999 Decisão de Governo nº 4895 sobre dessalinização; patente do DiskOnKey
2002 Nobel de Economia para Daniel Kahneman
2005 Ashkelon: água dessalinizada entra na rede nacional
2007 Criação da Autoridade da Água; usina de Palmachim
2009 Usina de Hadera; Nobel de Química para Ada Yonath
2010 Regulamentação Inbar
2013 Usina de Sorek; Google compra o Waze
2015 Usina de Ashdod
2016 O Escritório do Cientista-Chefe vira a Autoridade Israelense de Inovação
2018 Aprovação do Aqueduto Reverso
2019 Missão das FDI em Brumadinho; entrega da Ordem Nacional do Cruzeiro do Sul
2022 Criação do Israel Research Core Facilities (IRCF)

Perguntas para discussão

  1. Por que a decisão de tornar a água um bem público, em 1959, foi importante para que as tecnologias israelenses funcionassem como um sistema integrado?
  2. O reúso de esgoto aparece como cerca de 87% ou cerca de 82%, dependendo do cálculo. O que muda quando trocamos o denominador? Por que é importante citar a base de cálculo?
  3. Quais custos e cuidados a dessalinização e o reúso exigem (energia, descarte da salmoura, controle de sais e contaminantes)? Como a regulação ajuda a enfrentá-los?
  4. O modelo israelense inspira, mas não se copia por inteiro. Que adaptações seriam necessárias no Semiárido nordestino, considerando renda rural, energia, manutenção e acesso a mercados?
  5. Qual a diferença entre cooperação técnica, projeto-piloto, política pública consolidada e contratação comercial? Por que uma missão ou acordo, sozinho, não prova adoção em larga escala?

Glossário

  • Osmose reversa: processo em que a água do mar passa sob pressão por membranas que retêm o sal.
  • Efluente: esgoto depois de tratado.
  • Fertirrigação: aplicação conjunta de água e nutrientes na raiz da planta.
  • Mekorot: companhia nacional de água de Israel.
  • Negev: deserto no sul de Israel.
  • Lago Kinneret: também chamado Mar da Galileia, fonte natural do norte.
  • Aqueduto Reverso: projeto que inverte o fluxo da rede para reabastecer o Kinneret.
  • Água não faturada: água perdida antes de chegar ao consumidor; em diversas corporações municipais israelenses, inferior a 5%.
  • P&D: pesquisa e desenvolvimento.
  • Startup: empresa nova de base tecnológica.
  • MASHAV: agência israelense de cooperação internacional.
  • Irrigação de salvação: técnica da Embrapa para garantir alimentos e forragem em períodos de seca.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Em que ano a Lei da Água de Israel tornou todos os recursos hídricos propriedade pública?

A Lei da Água de 1959 tornou toda a água propriedade pública, sob controle do Estado. 1937 é a fundação da Mekorot, 1964 a inauguração do Aqueduto Nacional e 2007 a criação da Autoridade da Água.

2. Segundo o Centro de Pesquisa do Knesset, que parcela dos efluentes tratados Israel reutiliza?

Cerca de 87% dos efluentes tratados são reutilizados. O valor de cerca de 82% refere-se a todo o esgoto: a diferença está no denominador do cálculo.

3. Qual tecnologia Israel usa para dessalinizar a água do Mediterrâneo?

Na osmose reversa, a água do mar é empurrada sob pressão por membranas que retêm o sal. As dunas de areia são usadas no Shafdan para purificar efluentes, e o Aqueduto Reverso reabastece o Lago Kinneret.

4. Qual foi a primeira das cinco grandes usinas de dessalinização a entrar em operação, em 2005?

A ordem foi Ashkelon (2005), Palmachim (2007), Hadera (2009), Sorek (2013) e Ashdod (2015).

5. No sistema Shafdan, por quanto tempo o efluente se purifica naturalmente nas dunas de areia antes de irrigar o Negev?

O efluente tratado da região de Tel Aviv é injetado em dunas de areia, onde se purifica naturalmente por 6 a 12 meses. Depois é bombeado para irrigar o Negev.

6. Em que kibutz foi fundada a Netafim, em 1965?

A Netafim foi fundada em 1965 no kibutz Hatzerim e tornou-se uma das principais empresas de irrigação por gotejamento do mundo. Rehovot e Haifa são cidades onde ficam o Instituto Weizmann e o Technion.

7. Qual é a eficiência aproximada da irrigação por gotejamento no uso da água?

O gotejamento atinge cerca de 90% de eficiência. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%.

8. Segundo as FDI, quantos integrantes tinha a delegação israelense enviada a Brumadinho em 2019?

A delegação tinha 130 soldados e profissionais, incluindo engenheiros, médicos, bombeiros, mergulhadores da YATAM 707 e cães da unidade Oketz. Mais de 160 foi o tamanho da missão na Turquia, em 2023, e 317 é o número de cirurgias no Haiti, em 2010.

9. Quanto do PIB Israel investiu em P&D civil em 2022, segundo o Escritório Central de Estatísticas?

Em 2022, Israel investiu 6,1% do PIB em P&D civil, acima de qualquer país da OCDE. 18,1% é o peso da alta tecnologia no PIB em 2022, e 53% é a participação da alta tecnologia nas exportações em 2023.

10. Ada Yonath recebeu o Nobel de Química de 2009 por estudos sobre qual tema?

Ada Yonath foi premiada pelos estudos sobre a estrutura e a função do ribossomo, com parte central da carreira no Instituto Weizmann. Os quasicristais são de Dan Shechtman, a ubiquitina de Hershko e Ciechanover, e a teoria dos jogos de Robert Aumann.

Cartões de estudo

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