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Ciência israelense e os prêmios Nobel

Podcast, guia de estudo, quiz e cartões sobre Ciência israelense e os prêmios Nobel, para professores de Ciências e estudantes.

Para: professores de Ciências e estudantesPodcast: 11 min
Foto: Instituto Daniel Sieff, origem do Instituto Weizmann de Ciência. Hans Pinn · Public domain · Wikimedia Commons

Ouça: Podcast Contexto

Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.

Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 5,1 MB).

Ler a transcrição completa

Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Hoje o tema é ciência israelense e os prêmios Nobel.

Davi: E eu sou o Davi. Vamos falar de quem são os cientistas premiados, onde eles trabalham e por que um país pequeno produz tanta pesquisa.

Lia: Davi, por que esse tema importa para quem nos ouve, que são muitos professores de Ciências e estudantes?

Davi: Porque a ciência israelense aparece no dia a dia da sala de aula. Quando um professor explica como a célula produz proteínas, está falando de uma estrutura que rendeu um Nobel a uma cientista israelense. Quando fala de escassez de água, pode citar soluções desenvolvidas em Israel.

Lia: E também ajuda a pensar a ciência como construção coletiva, feita de instituições, investimento e cooperação.

Davi: Exatamente. Vamos começar pelo Nobel.

Lia: Então vamos à pergunta direta: quantos prêmios Nobel tem Israel?

Davi: A resposta honesta é que depende do critério. Dá para contar por cidadania, por local de nascimento ou por vínculo com uma instituição israelense.

Lia: E cada critério dá um número diferente.

Davi: Isso. Um relatório do Knesset, o Parlamento de Israel, registra cinco laureados israelenses em áreas científicas desde 2002. Depois deles vieram mais três, em 2011 e 2013. Materiais oficiais do governo israelense usam contagens mais amplas, que incluem pessoas ligadas ao país de outras formas.

Lia: Tem um detalhe que vale para a sala de aula: o Nobel é sempre um prêmio individual.

Davi: Sim. Quando alguém diz que Israel ou uma universidade "ganhou" um Nobel, é um jeito abreviado de dizer que um pesquisador ligado a ela foi premiado.

Lia: Vamos conhecer essas pessoas. Por onde começamos?

Davi: Pela Química, que concentra a maior parte dos prêmios. Em 2004, Avram Hershko e Aaron Ciechanover, professores da Faculdade de Medicina do Technion, foram premiados por descobrir como as células degradam proteínas com a ajuda de uma molécula chamada ubiquitina.

Lia: Ou seja, a célula não só fabrica proteínas, ela também precisa descartá-las.

Davi: Exatamente. Em 2009, Ada Yonath, que fez parte central da carreira no Instituto Weizmann, foi premiada pelos estudos sobre a estrutura e a função do ribossomo.

Lia: O ribossomo é a "fábrica" de proteínas da célula, conteúdo clássico de Biologia no ensino médio.

Davi: Em 2011, Dan Shechtman, professor do Technion, recebeu o prêmio pela descoberta dos quasicristais. E em 2013, Arieh Warshel e Michael Levitt, ambos com vínculo acadêmico histórico com Israel, foram premiados por modelos multiescala para sistemas químicos complexos.

Lia: E na Economia?

Davi: Daniel Kahneman, em 2002, por estudos sobre julgamento e decisão sob incerteza. Ele nasceu em Tel Aviv, sob o Mandato Britânico, e trabalhou em Israel e nos Estados Unidos. E Robert Aumann, em 2005, associado à Universidade Hebraica, pela teoria dos jogos aplicada à cooperação e ao conflito.

Lia: Repara numa coisa, Davi: quase todos esses prêmios foram divididos com pesquisadores de outros países.

Davi: É verdade. Hershko e Ciechanover dividiram com Irwin Rose. Ada Yonath, com Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz. Warshel e Levitt, com Martin Karplus. Kahneman, com Vernon Smith. Aumann, com Thomas Schelling.

Lia: E a exceção?

Davi: A exceção é Dan Shechtman, que recebeu o prêmio de 2011 sozinho.

Lia: Além do Nobel, Israel tem uma premiação própria, não é?

Davi: Tem. O Prêmio Israel, criado em 1953, é a mais alta honraria do Estado e é entregue no Dia da Independência.

Lia: Vamos ao segundo bloco: onde essa ciência acontece. Você citou o Technion e o Weizmann várias vezes.

Davi: Porque quase todos os Nobéis ligados a Israel foram concedidos a pesquisadores de três instituições. A primeira é o Technion, em Haifa, que atua em engenharia, ciência e medicina, incluindo biotecnologia, engenharia biomédica, inteligência artificial e dispositivos médicos.

Lia: A segunda?

Davi: O Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot, com biologia molecular, imunologia, neurociência, química, física, materiais e pesquisa do câncer. A terceira é a Universidade Hebraica de Jerusalém, que cobre das ciências naturais à medicina, à agricultura e às humanidades.

Lia: E fora desse trio?

Davi: Há outras universidades fortes, como a de Tel Aviv e a Ben-Gurion, no deserto do Negev, e centros regionais que estudam, por exemplo, como cultivar em climas extremos.

Lia: Agora, ciência precisa de dinheiro e de gente. Quanto Israel investe?

Davi: As estimativas variam entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento civil, conforme a fonte e o ano. Em 2022, foram 6,1%, acima de qualquer país da OCDE naquele levantamento.

Lia: E quem paga a maior parte dessa conta?

Davi: As empresas privadas. Cerca de 92,3% do gasto em pesquisa civil vem do setor empresarial.

Lia: E quanto às pessoas?

Davi: Israel tem cerca de 140 cientistas e técnicos para cada 10.000 trabalhadores. Nos Estados Unidos são 85, e no Japão, 83.

Lia: É um número que dá para comparar em sala de aula. E entre os adultos?

Davi: Cerca de 49% dos adultos de 25 a 64 anos têm ensino superior, e cerca de um terço deles em engenharia e ciências exatas.

Lia: Terceiro bloco: ciência que resolve problemas. Qual é o exemplo mais conhecido?

Davi: A água. Muitas das inovações israelenses mais famosas nasceram da falta de água em um território árido. A irrigação por gotejamento é a principal delas.

Lia: Como funciona, para quem nunca viu?

Davi: A água chega gota a gota, perto da planta. O engenheiro Simcha Blass e a empresa Netafim foram decisivos para levar o gotejamento moderno à agricultura em grande escala. A irrigação localizada já existia; a contribuição foi o controle do fluxo e o uso comercial amplo.

Lia: E a eficiência?

Davi: Cerca de 90% no uso da água. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%.

Lia: E a dessalinização?

Davi: Entre 2005 e 2015, Israel construiu cinco grandes usinas de osmose reversa.

Lia: E quanto da água vem daí?

Davi: A água dessalinizada supre entre 80% e 85% da água potável doméstica urbana. E Israel reutiliza mais de 87% do seu esgoto tratado, principalmente na agricultura.

Lia: Isso tem efeito na produção de alimentos?

Davi: Tem. Na segunda metade do século XX, a produção agrícola cresceu 21,2 vezes, enquanto o consumo de água para irrigação cresceu só 4 vezes. E, pela agência MASHAV, do Ministério das Relações Exteriores, Israel compartilha esse conhecimento com mais de 140 países.

Lia: E na medicina?

Davi: A força vem da integração. As faculdades de medicina fazem pesquisa clínica junto com os grandes hospitais, e escritórios de transferência de tecnologia patenteiam descobertas e as transformam em startups. As áreas principais incluem imunologia, pesquisa do câncer e a chamada bio-convergência, que une biologia, engenharia e inteligência artificial.

Lia: Tem algum indicador que mostre a qualidade do sistema de saúde?

Davi: A mortalidade infantil: 3,1 por 1.000 nascimentos.

Lia: Explica isso para o estudante.

Davi: Isso quer dizer que cerca de 3 bebês em cada mil não chegam ao primeiro ano de vida. É um dos indicadores que os professores podem usar para comparar sistemas de saúde.

Lia: E a covid-19? Muita gente lembra que Israel vacinou rápido.

Davi: Em janeiro de 2021, Israel já tinha vacinado cerca de 15% da população em mais ou menos duas semanas e liderava o mundo, segundo a Reuters. Mas é preciso precisão: a vacina usada foi a da Pfizer-BioNTech. A liderança veio da compra rápida, da infraestrutura digital de saúde e da prioridade aos grupos de risco.

Lia: Não houve uma vacina israelense?

Davi: Houve pesquisa. Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel anunciou um protótipo testado em animais, mas não houve vacina israelense aplicada em larga escala. Os dados do país ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina, sobretudo contra a doença grave, com o cuidado de que eram dados observacionais.

Lia: Último bloco: por que tanta ciência num país tão pequeno? É algo do povo?

Davi: Não. A explicação está nas instituições e no capital humano, não em traços de grupo.

Lia: E que fatores são esses?

Davi: Um deles é a imigração. Nos anos 1990, Israel recebeu mais de 1 milhão de imigrantes da ex-União Soviética, e muitos eram engenheiros e cientistas.

Lia: E o que mais?

Davi: O serviço militar. Muitos jovens passam por unidades de tecnologia e inteligência das Forças de Defesa de Israel e saem com experiência prática em informática e cibernética.

Lia: Tem também a parte econômica.

Davi: Sim. A reforma econômica de 1985 abriu espaço para o empreendedorismo privado. E, no início dos anos 1990, o governo estimulou um mercado local de capital de risco, que financia novas empresas.

Lia: Vamos às três ideias-chave do episódio?

Davi: Primeira: o número de Nobéis ligados a Israel depende do critério de contagem, e quase todos esses prêmios foram divididos com pesquisadores de outros países; a exceção é Dan Shechtman.

Lia: Segunda: a ciência israelense se apoia em instituições fortes, como o Technion, o Weizmann e a Universidade Hebraica, e em um investimento em pesquisa que, em 2022, chegou a 6,1% do PIB.

Davi: Terceira: as inovações mais conhecidas de Israel nasceram de problemas concretos, como a falta de água, enquanto os Nobéis de Química vieram de pesquisas sobre o funcionamento da natureza, como o ribossomo e os quasicristais.

Lia: Professores, esses exemplos cabem bem nas aulas de Biologia, Química e Geografia. Obrigada por ouvir o Contexto.

Davi: Até o próximo episódio. Mais materiais em jjo.org.br.

Guia de estudo

Objetivos de aprendizagem

Ao final deste estudo, o estudante deverá ser capaz de:

  1. Identificar os laureados com o Nobel ligados a Israel em Química e Economia, com o ano e o tema de cada prêmio.
  2. Explicar por que a contagem de Nobéis de um país depende do critério usado (cidadania, local de nascimento ou vínculo institucional).
  3. Reconhecer as principais instituições científicas de Israel: o Technion, o Instituto Weizmann e a Universidade Hebraica de Jerusalém.
  4. Interpretar indicadores de intensidade científica, como o investimento em P&D em relação ao PIB e o número de cientistas por trabalhador.
  5. Relacionar a ciência israelense a soluções concretas, como a irrigação por gotejamento, a dessalinização e a medicina.
  6. Distinguir com precisão o que Israel criou do que apenas aperfeiçoou ou aplicou em grande escala.

Conceitos-chave

1. Uma nação intensiva em ciência

Israel está entre os países que mais investem em pesquisa em proporção ao tamanho da economia. As estimativas variam entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D) civil, conforme o ano e o método. Em 2022, o Escritório Central de Estatísticas registrou 6,1% do PIB, acima de qualquer país da OCDE naquele levantamento. Em 2023, o índice chegou a 6,3%.

Indicador Israel Comparação
Cientistas e técnicos por 10.000 trabalhadores cerca de 140 EUA: 85; Japão: 83
Adultos de 25 a 64 anos com ensino superior cerca de 49% cerca de um terço em engenharia e ciências exatas
Investimento em P&D civil 4,8% a 6,3% do PIB estimativas diferentes

2. Quantos Nobéis tem Israel? Depende do critério

Um relatório do Knesset, o Parlamento de Israel, registra cinco laureados israelenses em áreas científicas desde 2002: Daniel Kahneman, Robert Aumann, Avram Hershko, Aaron Ciechanover e Ada Yonath. Depois vieram Dan Shechtman (2011) e, em 2013, Arieh Warshel e Michael Levitt. Materiais oficiais do governo israelense, como o Nativ, adotam contagens mais amplas, que incluem laureados ligados ao país de outras formas.

Atenção: o Nobel é sempre um prêmio individual. Dizer que Israel ou uma universidade "ganhou" um Nobel é uma forma abreviada de dizer que um pesquisador ligado a ela foi premiado.

3. Os laureados e suas descobertas

Ano Área Laureado(s) ligado(s) a Israel Dividiu com Motivo
2002 Economia Daniel Kahneman Vernon Smith Julgamento e decisão sob incerteza
2004 Química Avram Hershko e Aaron Ciechanover Irwin Rose Degradação de proteínas mediada pela ubiquitina
2005 Economia Robert Aumann Thomas Schelling Teoria dos jogos aplicada a cooperação e conflito
2009 Química Ada Yonath Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz Estrutura e função do ribossomo
2011 Química Dan Shechtman — Descoberta dos quasicristais
2013 Química Arieh Warshel e Michael Levitt Martin Karplus Modelos multiescala para sistemas químicos complexos
  • Hershko e Ciechanover eram professores da Faculdade de Medicina do Technion.
  • Ada Yonath fez parte central da carreira no Instituto Weizmann.
  • Dan Shechtman era professor do Technion.
  • Warshel e Levitt têm vínculo acadêmico histórico com Israel.
  • Kahneman nasceu em Tel Aviv, sob o Mandato Britânico, e trabalhou em Israel e nos Estados Unidos.
  • Aumann é associado à Universidade Hebraica.

Os Nobéis ligados a Israel se concentram em Química e Economia.

4. O Prêmio Israel

Além do Nobel, o Estado concede o Prêmio Israel. Ele foi criado em 1953, é a mais alta honraria estatal do país e é entregue no Dia da Independência.

5. As instituições por trás das descobertas

  • Technion – Instituto de Tecnologia de Israel (Haifa): engenharia, ciência e medicina; biotecnologia, engenharia biomédica, inteligência artificial e dispositivos médicos.
  • Instituto Weizmann de Ciência (Rehovot): biologia molecular, imunologia, neurociência, química, física, materiais e pesquisa do câncer.
  • Universidade Hebraica de Jerusalém: ciências naturais, medicina, agricultura, direito, humanidades e ciências sociais.
  • Outras universidades: Tel Aviv, Ben-Gurion do Negev, Bar-Ilan, Haifa e Ariel.
  • Centros regionais: o MIGAL, na Galileia, e o Desert and Dead Sea R&D, que fazem pesquisa aplicada em biotecnologia vegetal, saúde pública e adaptação a climas extremos.

Em dezembro de 2022, o país criou o Israel Research Core Facilities (IRCF), que integra laboratórios e bases de dados de universidades, hospitais e indústria farmacêutica.

6. Ciência que resolve problemas: a água

As inovações israelenses mais conhecidas nasceram de um problema concreto: a falta de água em um território árido. - Irrigação por gotejamento: atinge cerca de 90% de eficiência no uso da água. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%. O engenheiro Simcha Blass e a empresa Netafim foram decisivos para levá-la à agricultura em grande escala. A irrigação localizada já existia; a contribuição israelense foi o controle do fluxo e o uso comercial amplo. - Dessalinização: cinco usinas de osmose reversa: Ashkelon (2005), Palmachim (2007), Hadera (2009), Sorek (2013) e Ashdod (2015). A água dessalinizada supre entre 80% e 85% da água potável doméstica urbana. - Reuso: Israel reutiliza mais de 87% de suas águas residuais tratadas, principalmente na agricultura. - Resultado: na segunda metade do século XX, a produção agrícola cresceu 21,2 vezes, enquanto o consumo de água para irrigação cresceu só 4 vezes. - Cooperação: pela agência MASHAV, do Ministério das Relações Exteriores, Israel compartilha esse conhecimento com mais de 140 países.

7. Medicina e a vacinação contra a covid-19

A força da medicina israelense vem da integração entre universidades, hospitais e empresas. Os escritórios de transferência de tecnologia patenteiam descobertas e as transformam em startups. As áreas de destaque são: - pesquisa biomédica e imunologia; - pesquisa e tratamento do câncer; - bio-convergência, estimulada pela Autoridade de Inovação de Israel; - dados de saúde, graças à integração digital entre os planos de saúde.

A mortalidade infantil é de 3,1 por 1.000 nascimentos.

Na pandemia, Israel fechou acordos com a Pfizer-BioNTech em dezembro de 2020. Em janeiro de 2021, já tinha vacinado cerca de 15% da população em mais ou menos duas semanas e liderava o mundo, segundo a Reuters. A liderança veio da compra, da logística e da priorização de grupos de risco, não de uma vacina própria aplicada em larga escala. Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel chegou a anunciar um protótipo de vacina testado em animais.

Os dados israelenses ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina, sobretudo contra a doença grave. Eram dados observacionais, que exigem cuidado com fatores como idade e variantes. As autoridades também investigaram casos de miocardite e pericardite após a vacinação, sobretudo em homens jovens; a investigação, por si só, não prova que a vacina causou todos os casos.

8. Da pesquisa à economia

Cerca de 92,3% do gasto em P&D civil é financiado por empresas. Em 2021, havia 4.801 startups ativas no país. Em 2024, havia 515 centros de P&D de multinacionais, com cerca de 90 mil empregados. O sucesso se explica por instituições e capital humano: reformas econômicas, a imigração de mais de 1 milhão de pessoas da ex-União Soviética nos anos 1990 (muitos deles engenheiros e cientistas), capital de risco e formação técnica.

9. Precisão científica como valor

O bom ensino de ciências exige rigor também ao falar de conquistas. Por isso, convém observar estes cuidados: - dizer "pesquisador ligado a Israel foi premiado", e não "Israel ganhou"; - reconhecer que a contagem de Nobéis varia conforme o critério; - distinguir o que é criação israelense do que é aperfeiçoamento ou aplicação em grande escala; - lembrar que todo tratamento novo precisa passar por ensaios clínicos, aprovação regulatória e revisão por pares.

Linha do tempo

  • 1953: criação do Prêmio Israel.
  • 1985: Plano de Estabilização Econômica, do primeiro-ministro Shimon Peres.
  • Anos 1990: chegada de mais de 1 milhão de imigrantes da ex-União Soviética.
  • 2002: Daniel Kahneman, Nobel de Economia.
  • 2004: Avram Hershko e Aaron Ciechanover, Nobel de Química.
  • 2005: Robert Aumann, Nobel de Economia; inauguração da usina de dessalinização de Ashkelon.
  • 2007: usina de Palmachim.
  • 2009: Ada Yonath, Nobel de Química; usina de Hadera.
  • 2011: Dan Shechtman, Nobel de Química.
  • 2013: Arieh Warshel e Michael Levitt, Nobel de Química; usina de Sorek.
  • 2015: usina de Ashdod.
  • 2016: o Escritório do Cientista-Chefe passa a ser a Autoridade Israelense de Inovação.
  • 2020: protótipo de vacina contra a covid-19 testado em animais; em dezembro, acordos com a Pfizer-BioNTech.
  • Janeiro de 2021: cerca de 15% da população vacinada em mais ou menos duas semanas.
  • 2022: P&D civil chega a 6,1% do PIB; em dezembro, criação do IRCF.
  • 2023: P&D civil chega a 6,3% do PIB.

5 perguntas para discussão

  1. Por que a contagem de Prêmios Nobel de um país muda conforme o critério (cidadania, nascimento ou vínculo institucional)? Qual critério parece mais justo, e por quê?
  2. A maioria dos Nobéis ligados a Israel é em Química. Que papel o Technion, o Instituto Weizmann e a Universidade Hebraica podem ter tido nessa concentração?
  3. Como a falta de água em um território árido impulsionou inovações como a irrigação por gotejamento, a dessalinização e o reuso de esgoto? Que lições isso traz para regiões secas do Brasil?
  4. Na pandemia, Israel liderou a vacinação sem usar uma vacina própria em larga escala. O que isso ensina sobre a importância da logística, da organização e dos dados de saúde para a ciência aplicada?
  5. Por que é importante distinguir "inventar" de "aperfeiçoar" ou "aplicar em grande escala" quando falamos de conquistas científicas de qualquer país?

Glossário

  • Bio-convergência: fusão entre biologia, engenharia e inteligência artificial.
  • Dessalinização por osmose reversa: processo usado nas cinco grandes usinas israelenses para transformar água do mar em água potável.
  • IRCF (Israel Research Core Facilities): iniciativa criada em dezembro de 2022 que integra laboratórios e bases de dados de universidades, hospitais e indústria farmacêutica.
  • Knesset: o Parlamento de Israel.
  • MASHAV: agência do Ministério das Relações Exteriores de Israel que compartilha conhecimento com mais de 140 países.
  • P&D: pesquisa e desenvolvimento.
  • Prêmio Israel: a mais alta honraria estatal de Israel, criada em 1953 e entregue no Dia da Independência.
  • Quasicristais: materiais cuja descoberta rendeu a Dan Shechtman o Nobel de Química de 2011.
  • Ribossomo: objeto dos estudos de estrutura e função que deram a Ada Yonath o Nobel de Química de 2009.
  • Teoria dos jogos: campo pelo qual Robert Aumann recebeu o Nobel de Economia de 2005, aplicado à cooperação e ao conflito.
  • Ubiquitina: molécula ligada à degradação de proteínas nas células, tema do Nobel de Química de 2004.

Quiz: teste o que aprendeu

1. Segundo um relatório do Knesset, quantos laureados israelenses em áreas científicas foram registrados desde 2002, antes de Dan Shechtman?

O relatório do Knesset lista cinco nomes: Kahneman, Aumann, Hershko, Ciechanover e Yonath. Depois vieram Shechtman (2011) e Warshel e Levitt (2013).

2. Em quais áreas se concentram os Nobéis ligados a Israel?

Os laureados israelenses mencionados receberam o prêmio em Química (2004, 2009, 2011 e 2013) e em Economia (2002 e 2005).

3. Pelo que Avram Hershko e Aaron Ciechanover receberam o Nobel de Química de 2004?

Os dois professores da Faculdade de Medicina do Technion dividiram o prêmio com Irwin Rose por descobrirem como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina.

4. Ada Yonath recebeu o Nobel de Química de 2009 por estudos sobre qual tema?

Ada Yonath, que fez parte central da carreira no Instituto Weizmann, dividiu o prêmio com Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz pelos estudos sobre a estrutura e a função do ribossomo.

5. Qual cientista do Technion recebeu o Nobel de Química de 2011 pela descoberta dos quasicristais?

Dan Shechtman, professor do Technion, foi premiado em 2011 pela descoberta dos quasicristais.

6. Por que se diz que a frase 'Israel ganhou um Nobel' é uma forma abreviada?

O Nobel é sempre individual. Dizer que um país ou uma universidade 'ganhou' significa que um pesquisador ligado a eles foi premiado.

7. Quantos cientistas e técnicos Israel tem para cada 10.000 trabalhadores?

Israel tem cerca de 140 cientistas e técnicos por 10.000 trabalhadores, acima dos Estados Unidos (85) e do Japão (83).

8. Qual é a eficiência aproximada da irrigação por gotejamento no uso da água?

O gotejamento atinge cerca de 90% de eficiência. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%.

9. Qual é a mais alta honraria estatal de Israel, criada em 1953 e entregue no Dia da Independência?

O Prêmio Israel foi criado em 1953 e é entregue no Dia da Independência.

10. De onde veio a liderança israelense na vacinação contra a covid-19?

Houve pesquisa própria, com um protótipo testado em animais em 2020, mas a liderança veio da compra, da logística e da priorização. Em janeiro de 2021, cerca de 15% da população já estava vacinada em mais ou menos duas semanas, segundo a Reuters.

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