Foto: Instituto Daniel Sieff, origem do Instituto Weizmann de Ciência. Hans Pinn · Public domain · Wikimedia CommonsOuça: Podcast Contexto
Uma conversa de 11 minutos para ouvir no caminho, em sala ou antes do encontro do grupo.
Narração com vozes sintéticas, feita a partir das páginas deste site. Baixar o MP3 (11 min, 5,1 MB).
Ler a transcrição completa
Lia: Olá, eu sou a Lia, e este é o Contexto, o podcast da Juventude Judaica Organizada. Hoje o tema é ciência israelense e os prêmios Nobel.
Davi: E eu sou o Davi. Vamos falar de quem são os cientistas premiados, onde eles trabalham e por que um país pequeno produz tanta pesquisa.
Lia: Davi, por que esse tema importa para quem nos ouve, que são muitos professores de Ciências e estudantes?
Davi: Porque a ciência israelense aparece no dia a dia da sala de aula. Quando um professor explica como a célula produz proteínas, está falando de uma estrutura que rendeu um Nobel a uma cientista israelense. Quando fala de escassez de água, pode citar soluções desenvolvidas em Israel.
Lia: E também ajuda a pensar a ciência como construção coletiva, feita de instituições, investimento e cooperação.
Davi: Exatamente. Vamos começar pelo Nobel.
Lia: Então vamos à pergunta direta: quantos prêmios Nobel tem Israel?
Davi: A resposta honesta é que depende do critério. Dá para contar por cidadania, por local de nascimento ou por vínculo com uma instituição israelense.
Lia: E cada critério dá um número diferente.
Davi: Isso. Um relatório do Knesset, o Parlamento de Israel, registra cinco laureados israelenses em áreas científicas desde 2002. Depois deles vieram mais três, em 2011 e 2013. Materiais oficiais do governo israelense usam contagens mais amplas, que incluem pessoas ligadas ao país de outras formas.
Lia: Tem um detalhe que vale para a sala de aula: o Nobel é sempre um prêmio individual.
Davi: Sim. Quando alguém diz que Israel ou uma universidade "ganhou" um Nobel, é um jeito abreviado de dizer que um pesquisador ligado a ela foi premiado.
Lia: Vamos conhecer essas pessoas. Por onde começamos?
Davi: Pela Química, que concentra a maior parte dos prêmios. Em 2004, Avram Hershko e Aaron Ciechanover, professores da Faculdade de Medicina do Technion, foram premiados por descobrir como as células degradam proteínas com a ajuda de uma molécula chamada ubiquitina.
Lia: Ou seja, a célula não só fabrica proteínas, ela também precisa descartá-las.
Davi: Exatamente. Em 2009, Ada Yonath, que fez parte central da carreira no Instituto Weizmann, foi premiada pelos estudos sobre a estrutura e a função do ribossomo.
Lia: O ribossomo é a "fábrica" de proteínas da célula, conteúdo clássico de Biologia no ensino médio.
Davi: Em 2011, Dan Shechtman, professor do Technion, recebeu o prêmio pela descoberta dos quasicristais. E em 2013, Arieh Warshel e Michael Levitt, ambos com vínculo acadêmico histórico com Israel, foram premiados por modelos multiescala para sistemas químicos complexos.
Lia: E na Economia?
Davi: Daniel Kahneman, em 2002, por estudos sobre julgamento e decisão sob incerteza. Ele nasceu em Tel Aviv, sob o Mandato Britânico, e trabalhou em Israel e nos Estados Unidos. E Robert Aumann, em 2005, associado à Universidade Hebraica, pela teoria dos jogos aplicada à cooperação e ao conflito.
Lia: Repara numa coisa, Davi: quase todos esses prêmios foram divididos com pesquisadores de outros países.
Davi: É verdade. Hershko e Ciechanover dividiram com Irwin Rose. Ada Yonath, com Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz. Warshel e Levitt, com Martin Karplus. Kahneman, com Vernon Smith. Aumann, com Thomas Schelling.
Lia: E a exceção?
Davi: A exceção é Dan Shechtman, que recebeu o prêmio de 2011 sozinho.
Lia: Além do Nobel, Israel tem uma premiação própria, não é?
Davi: Tem. O Prêmio Israel, criado em 1953, é a mais alta honraria do Estado e é entregue no Dia da Independência.
Lia: Vamos ao segundo bloco: onde essa ciência acontece. Você citou o Technion e o Weizmann várias vezes.
Davi: Porque quase todos os Nobéis ligados a Israel foram concedidos a pesquisadores de três instituições. A primeira é o Technion, em Haifa, que atua em engenharia, ciência e medicina, incluindo biotecnologia, engenharia biomédica, inteligência artificial e dispositivos médicos.
Lia: A segunda?
Davi: O Instituto Weizmann de Ciência, em Rehovot, com biologia molecular, imunologia, neurociência, química, física, materiais e pesquisa do câncer. A terceira é a Universidade Hebraica de Jerusalém, que cobre das ciências naturais à medicina, à agricultura e às humanidades.
Lia: E fora desse trio?
Davi: Há outras universidades fortes, como a de Tel Aviv e a Ben-Gurion, no deserto do Negev, e centros regionais que estudam, por exemplo, como cultivar em climas extremos.
Lia: Agora, ciência precisa de dinheiro e de gente. Quanto Israel investe?
Davi: As estimativas variam entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento civil, conforme a fonte e o ano. Em 2022, foram 6,1%, acima de qualquer país da OCDE naquele levantamento.
Lia: E quem paga a maior parte dessa conta?
Davi: As empresas privadas. Cerca de 92,3% do gasto em pesquisa civil vem do setor empresarial.
Lia: E quanto às pessoas?
Davi: Israel tem cerca de 140 cientistas e técnicos para cada 10.000 trabalhadores. Nos Estados Unidos são 85, e no Japão, 83.
Lia: É um número que dá para comparar em sala de aula. E entre os adultos?
Davi: Cerca de 49% dos adultos de 25 a 64 anos têm ensino superior, e cerca de um terço deles em engenharia e ciências exatas.
Lia: Terceiro bloco: ciência que resolve problemas. Qual é o exemplo mais conhecido?
Davi: A água. Muitas das inovações israelenses mais famosas nasceram da falta de água em um território árido. A irrigação por gotejamento é a principal delas.
Lia: Como funciona, para quem nunca viu?
Davi: A água chega gota a gota, perto da planta. O engenheiro Simcha Blass e a empresa Netafim foram decisivos para levar o gotejamento moderno à agricultura em grande escala. A irrigação localizada já existia; a contribuição foi o controle do fluxo e o uso comercial amplo.
Lia: E a eficiência?
Davi: Cerca de 90% no uso da água. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%.
Lia: E a dessalinização?
Davi: Entre 2005 e 2015, Israel construiu cinco grandes usinas de osmose reversa.
Lia: E quanto da água vem daí?
Davi: A água dessalinizada supre entre 80% e 85% da água potável doméstica urbana. E Israel reutiliza mais de 87% do seu esgoto tratado, principalmente na agricultura.
Lia: Isso tem efeito na produção de alimentos?
Davi: Tem. Na segunda metade do século XX, a produção agrícola cresceu 21,2 vezes, enquanto o consumo de água para irrigação cresceu só 4 vezes. E, pela agência MASHAV, do Ministério das Relações Exteriores, Israel compartilha esse conhecimento com mais de 140 países.
Lia: E na medicina?
Davi: A força vem da integração. As faculdades de medicina fazem pesquisa clínica junto com os grandes hospitais, e escritórios de transferência de tecnologia patenteiam descobertas e as transformam em startups. As áreas principais incluem imunologia, pesquisa do câncer e a chamada bio-convergência, que une biologia, engenharia e inteligência artificial.
Lia: Tem algum indicador que mostre a qualidade do sistema de saúde?
Davi: A mortalidade infantil: 3,1 por 1.000 nascimentos.
Lia: Explica isso para o estudante.
Davi: Isso quer dizer que cerca de 3 bebês em cada mil não chegam ao primeiro ano de vida. É um dos indicadores que os professores podem usar para comparar sistemas de saúde.
Lia: E a covid-19? Muita gente lembra que Israel vacinou rápido.
Davi: Em janeiro de 2021, Israel já tinha vacinado cerca de 15% da população em mais ou menos duas semanas e liderava o mundo, segundo a Reuters. Mas é preciso precisão: a vacina usada foi a da Pfizer-BioNTech. A liderança veio da compra rápida, da infraestrutura digital de saúde e da prioridade aos grupos de risco.
Lia: Não houve uma vacina israelense?
Davi: Houve pesquisa. Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel anunciou um protótipo testado em animais, mas não houve vacina israelense aplicada em larga escala. Os dados do país ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina, sobretudo contra a doença grave, com o cuidado de que eram dados observacionais.
Lia: Último bloco: por que tanta ciência num país tão pequeno? É algo do povo?
Davi: Não. A explicação está nas instituições e no capital humano, não em traços de grupo.
Lia: E que fatores são esses?
Davi: Um deles é a imigração. Nos anos 1990, Israel recebeu mais de 1 milhão de imigrantes da ex-União Soviética, e muitos eram engenheiros e cientistas.
Lia: E o que mais?
Davi: O serviço militar. Muitos jovens passam por unidades de tecnologia e inteligência das Forças de Defesa de Israel e saem com experiência prática em informática e cibernética.
Lia: Tem também a parte econômica.
Davi: Sim. A reforma econômica de 1985 abriu espaço para o empreendedorismo privado. E, no início dos anos 1990, o governo estimulou um mercado local de capital de risco, que financia novas empresas.
Lia: Vamos às três ideias-chave do episódio?
Davi: Primeira: o número de Nobéis ligados a Israel depende do critério de contagem, e quase todos esses prêmios foram divididos com pesquisadores de outros países; a exceção é Dan Shechtman.
Lia: Segunda: a ciência israelense se apoia em instituições fortes, como o Technion, o Weizmann e a Universidade Hebraica, e em um investimento em pesquisa que, em 2022, chegou a 6,1% do PIB.
Davi: Terceira: as inovações mais conhecidas de Israel nasceram de problemas concretos, como a falta de água, enquanto os Nobéis de Química vieram de pesquisas sobre o funcionamento da natureza, como o ribossomo e os quasicristais.
Lia: Professores, esses exemplos cabem bem nas aulas de Biologia, Química e Geografia. Obrigada por ouvir o Contexto.
Davi: Até o próximo episódio. Mais materiais em jjo.org.br.
Guia de estudo
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste estudo, o estudante deverá ser capaz de:
- Identificar os laureados com o Nobel ligados a Israel em Química e Economia, com o ano e o tema de cada prêmio.
- Explicar por que a contagem de Nobéis de um país depende do critério usado (cidadania, local de nascimento ou vínculo institucional).
- Reconhecer as principais instituições científicas de Israel: o Technion, o Instituto Weizmann e a Universidade Hebraica de Jerusalém.
- Interpretar indicadores de intensidade científica, como o investimento em P&D em relação ao PIB e o número de cientistas por trabalhador.
- Relacionar a ciência israelense a soluções concretas, como a irrigação por gotejamento, a dessalinização e a medicina.
- Distinguir com precisão o que Israel criou do que apenas aperfeiçoou ou aplicou em grande escala.
Conceitos-chave
1. Uma nação intensiva em ciência
Israel está entre os países que mais investem em pesquisa em proporção ao tamanho da economia. As estimativas variam entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa e desenvolvimento (P&D) civil, conforme o ano e o método. Em 2022, o Escritório Central de Estatísticas registrou 6,1% do PIB, acima de qualquer país da OCDE naquele levantamento. Em 2023, o índice chegou a 6,3%.
| Indicador | Israel | Comparação |
|---|---|---|
| Cientistas e técnicos por 10.000 trabalhadores | cerca de 140 | EUA: 85; Japão: 83 |
| Adultos de 25 a 64 anos com ensino superior | cerca de 49% | cerca de um terço em engenharia e ciências exatas |
| Investimento em P&D civil | 4,8% a 6,3% do PIB | estimativas diferentes |
2. Quantos Nobéis tem Israel? Depende do critério
Um relatório do Knesset, o Parlamento de Israel, registra cinco laureados israelenses em áreas científicas desde 2002: Daniel Kahneman, Robert Aumann, Avram Hershko, Aaron Ciechanover e Ada Yonath. Depois vieram Dan Shechtman (2011) e, em 2013, Arieh Warshel e Michael Levitt. Materiais oficiais do governo israelense, como o Nativ, adotam contagens mais amplas, que incluem laureados ligados ao país de outras formas.
Atenção: o Nobel é sempre um prêmio individual. Dizer que Israel ou uma universidade "ganhou" um Nobel é uma forma abreviada de dizer que um pesquisador ligado a ela foi premiado.
3. Os laureados e suas descobertas
| Ano | Área | Laureado(s) ligado(s) a Israel | Dividiu com | Motivo |
|---|---|---|---|---|
| 2002 | Economia | Daniel Kahneman | Vernon Smith | Julgamento e decisão sob incerteza |
| 2004 | Química | Avram Hershko e Aaron Ciechanover | Irwin Rose | Degradação de proteínas mediada pela ubiquitina |
| 2005 | Economia | Robert Aumann | Thomas Schelling | Teoria dos jogos aplicada a cooperação e conflito |
| 2009 | Química | Ada Yonath | Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz | Estrutura e função do ribossomo |
| 2011 | Química | Dan Shechtman | — | Descoberta dos quasicristais |
| 2013 | Química | Arieh Warshel e Michael Levitt | Martin Karplus | Modelos multiescala para sistemas químicos complexos |
- Hershko e Ciechanover eram professores da Faculdade de Medicina do Technion.
- Ada Yonath fez parte central da carreira no Instituto Weizmann.
- Dan Shechtman era professor do Technion.
- Warshel e Levitt têm vínculo acadêmico histórico com Israel.
- Kahneman nasceu em Tel Aviv, sob o Mandato Britânico, e trabalhou em Israel e nos Estados Unidos.
- Aumann é associado à Universidade Hebraica.
Os Nobéis ligados a Israel se concentram em Química e Economia.
4. O Prêmio Israel
Além do Nobel, o Estado concede o Prêmio Israel. Ele foi criado em 1953, é a mais alta honraria estatal do país e é entregue no Dia da Independência.
5. As instituições por trás das descobertas
- Technion – Instituto de Tecnologia de Israel (Haifa): engenharia, ciência e medicina; biotecnologia, engenharia biomédica, inteligência artificial e dispositivos médicos.
- Instituto Weizmann de Ciência (Rehovot): biologia molecular, imunologia, neurociência, química, física, materiais e pesquisa do câncer.
- Universidade Hebraica de Jerusalém: ciências naturais, medicina, agricultura, direito, humanidades e ciências sociais.
- Outras universidades: Tel Aviv, Ben-Gurion do Negev, Bar-Ilan, Haifa e Ariel.
- Centros regionais: o MIGAL, na Galileia, e o Desert and Dead Sea R&D, que fazem pesquisa aplicada em biotecnologia vegetal, saúde pública e adaptação a climas extremos.
Em dezembro de 2022, o país criou o Israel Research Core Facilities (IRCF), que integra laboratórios e bases de dados de universidades, hospitais e indústria farmacêutica.
6. Ciência que resolve problemas: a água
As inovações israelenses mais conhecidas nasceram de um problema concreto: a falta de água em um território árido. - Irrigação por gotejamento: atinge cerca de 90% de eficiência no uso da água. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%. O engenheiro Simcha Blass e a empresa Netafim foram decisivos para levá-la à agricultura em grande escala. A irrigação localizada já existia; a contribuição israelense foi o controle do fluxo e o uso comercial amplo. - Dessalinização: cinco usinas de osmose reversa: Ashkelon (2005), Palmachim (2007), Hadera (2009), Sorek (2013) e Ashdod (2015). A água dessalinizada supre entre 80% e 85% da água potável doméstica urbana. - Reuso: Israel reutiliza mais de 87% de suas águas residuais tratadas, principalmente na agricultura. - Resultado: na segunda metade do século XX, a produção agrícola cresceu 21,2 vezes, enquanto o consumo de água para irrigação cresceu só 4 vezes. - Cooperação: pela agência MASHAV, do Ministério das Relações Exteriores, Israel compartilha esse conhecimento com mais de 140 países.
7. Medicina e a vacinação contra a covid-19
A força da medicina israelense vem da integração entre universidades, hospitais e empresas. Os escritórios de transferência de tecnologia patenteiam descobertas e as transformam em startups. As áreas de destaque são: - pesquisa biomédica e imunologia; - pesquisa e tratamento do câncer; - bio-convergência, estimulada pela Autoridade de Inovação de Israel; - dados de saúde, graças à integração digital entre os planos de saúde.
A mortalidade infantil é de 3,1 por 1.000 nascimentos.
Na pandemia, Israel fechou acordos com a Pfizer-BioNTech em dezembro de 2020. Em janeiro de 2021, já tinha vacinado cerca de 15% da população em mais ou menos duas semanas e liderava o mundo, segundo a Reuters. A liderança veio da compra, da logística e da priorização de grupos de risco, não de uma vacina própria aplicada em larga escala. Em 2020, o Instituto de Pesquisa Biológica de Israel chegou a anunciar um protótipo de vacina testado em animais.
Os dados israelenses ajudaram a mostrar a alta efetividade da vacina, sobretudo contra a doença grave. Eram dados observacionais, que exigem cuidado com fatores como idade e variantes. As autoridades também investigaram casos de miocardite e pericardite após a vacinação, sobretudo em homens jovens; a investigação, por si só, não prova que a vacina causou todos os casos.
8. Da pesquisa à economia
Cerca de 92,3% do gasto em P&D civil é financiado por empresas. Em 2021, havia 4.801 startups ativas no país. Em 2024, havia 515 centros de P&D de multinacionais, com cerca de 90 mil empregados. O sucesso se explica por instituições e capital humano: reformas econômicas, a imigração de mais de 1 milhão de pessoas da ex-União Soviética nos anos 1990 (muitos deles engenheiros e cientistas), capital de risco e formação técnica.
9. Precisão científica como valor
O bom ensino de ciências exige rigor também ao falar de conquistas. Por isso, convém observar estes cuidados: - dizer "pesquisador ligado a Israel foi premiado", e não "Israel ganhou"; - reconhecer que a contagem de Nobéis varia conforme o critério; - distinguir o que é criação israelense do que é aperfeiçoamento ou aplicação em grande escala; - lembrar que todo tratamento novo precisa passar por ensaios clínicos, aprovação regulatória e revisão por pares.
Linha do tempo
- 1953: criação do Prêmio Israel.
- 1985: Plano de Estabilização Econômica, do primeiro-ministro Shimon Peres.
- Anos 1990: chegada de mais de 1 milhão de imigrantes da ex-União Soviética.
- 2002: Daniel Kahneman, Nobel de Economia.
- 2004: Avram Hershko e Aaron Ciechanover, Nobel de Química.
- 2005: Robert Aumann, Nobel de Economia; inauguração da usina de dessalinização de Ashkelon.
- 2007: usina de Palmachim.
- 2009: Ada Yonath, Nobel de Química; usina de Hadera.
- 2011: Dan Shechtman, Nobel de Química.
- 2013: Arieh Warshel e Michael Levitt, Nobel de Química; usina de Sorek.
- 2015: usina de Ashdod.
- 2016: o Escritório do Cientista-Chefe passa a ser a Autoridade Israelense de Inovação.
- 2020: protótipo de vacina contra a covid-19 testado em animais; em dezembro, acordos com a Pfizer-BioNTech.
- Janeiro de 2021: cerca de 15% da população vacinada em mais ou menos duas semanas.
- 2022: P&D civil chega a 6,1% do PIB; em dezembro, criação do IRCF.
- 2023: P&D civil chega a 6,3% do PIB.
5 perguntas para discussão
- Por que a contagem de Prêmios Nobel de um país muda conforme o critério (cidadania, nascimento ou vínculo institucional)? Qual critério parece mais justo, e por quê?
- A maioria dos Nobéis ligados a Israel é em Química. Que papel o Technion, o Instituto Weizmann e a Universidade Hebraica podem ter tido nessa concentração?
- Como a falta de água em um território árido impulsionou inovações como a irrigação por gotejamento, a dessalinização e o reuso de esgoto? Que lições isso traz para regiões secas do Brasil?
- Na pandemia, Israel liderou a vacinação sem usar uma vacina própria em larga escala. O que isso ensina sobre a importância da logística, da organização e dos dados de saúde para a ciência aplicada?
- Por que é importante distinguir "inventar" de "aperfeiçoar" ou "aplicar em grande escala" quando falamos de conquistas científicas de qualquer país?
Glossário
- Bio-convergência: fusão entre biologia, engenharia e inteligência artificial.
- Dessalinização por osmose reversa: processo usado nas cinco grandes usinas israelenses para transformar água do mar em água potável.
- IRCF (Israel Research Core Facilities): iniciativa criada em dezembro de 2022 que integra laboratórios e bases de dados de universidades, hospitais e indústria farmacêutica.
- Knesset: o Parlamento de Israel.
- MASHAV: agência do Ministério das Relações Exteriores de Israel que compartilha conhecimento com mais de 140 países.
- P&D: pesquisa e desenvolvimento.
- Prêmio Israel: a mais alta honraria estatal de Israel, criada em 1953 e entregue no Dia da Independência.
- Quasicristais: materiais cuja descoberta rendeu a Dan Shechtman o Nobel de Química de 2011.
- Ribossomo: objeto dos estudos de estrutura e função que deram a Ada Yonath o Nobel de Química de 2009.
- Teoria dos jogos: campo pelo qual Robert Aumann recebeu o Nobel de Economia de 2005, aplicado à cooperação e ao conflito.
- Ubiquitina: molécula ligada à degradação de proteínas nas células, tema do Nobel de Química de 2004.
Quiz: teste o que aprendeu
O relatório do Knesset lista cinco nomes: Kahneman, Aumann, Hershko, Ciechanover e Yonath. Depois vieram Shechtman (2011) e Warshel e Levitt (2013).
Os laureados israelenses mencionados receberam o prêmio em Química (2004, 2009, 2011 e 2013) e em Economia (2002 e 2005).
Os dois professores da Faculdade de Medicina do Technion dividiram o prêmio com Irwin Rose por descobrirem como as células degradam proteínas com a ajuda da ubiquitina.
Ada Yonath, que fez parte central da carreira no Instituto Weizmann, dividiu o prêmio com Venkatraman Ramakrishnan e Thomas Steitz pelos estudos sobre a estrutura e a função do ribossomo.
Dan Shechtman, professor do Technion, foi premiado em 2011 pela descoberta dos quasicristais.
O Nobel é sempre individual. Dizer que um país ou uma universidade 'ganhou' significa que um pesquisador ligado a eles foi premiado.
Israel tem cerca de 140 cientistas e técnicos por 10.000 trabalhadores, acima dos Estados Unidos (85) e do Japão (83).
O gotejamento atinge cerca de 90% de eficiência. A aspersão fica em 75%, e a irrigação por superfície, abaixo de 60%.
O Prêmio Israel foi criado em 1953 e é entregue no Dia da Independência.
Houve pesquisa própria, com um protótipo testado em animais em 2020, mas a liderança veio da compra, da logística e da priorização. Em janeiro de 2021, cerca de 15% da população já estava vacinada em mais ou menos duas semanas, segundo a Reuters.
Cartões de estudo
Clique no cartão para virar.
Assista
Reportagem sobre debate promovido no Rio pela Rua Judaica e pelo Hillel, com os correspondentes Guga Chacra e Daniela Kresch e o embaixador Reda Mansour, sobre os desafios de cobrir o Oriente Médio. Os jornalistas comentam o escrutínio desproporcional da mídia sobre Israel em comparação com outros conflitos e mostram o cotidiano do país.
Adolescentes e adultosExplica quem são os drusos, sua religião e a história distinta das comunidades da Galileia, do Golã, da Síria e do Líbano, e por que Israel decidiu proteger os drusos sírios ameaçados após a queda do regime de Assad. Mostra também como o ataque do Hezbollah a Majdal Shams aproximou os drusos do Golã do Estado judeu.
Adolescentes e adultosNo podcast Levante, o ex-diplomata israelense Ilan Sztulman relembra a noite do assassinato de Yitzhak Rabin, em 1995, à qual assistiu na praça de Tel Aviv. Ele discute o legado de Rabin, a polarização interna em Israel, o alistamento dos ultraortodoxos, os Acordos de Abraão e as perspectivas de paz com o mundo árabe depois do 7 de outubro.
AdultosTambém em inglês: mais 3 vídeos sobre o tema
Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).
Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Podcast didático de Noam Weissman sobre os Acordos de Oslo: as negociações secretas, o reconhecimento mútuo entre Israel e a OLP, a divisão da Judeia e Samaria em áreas A, B e C, o discurso duplo de Arafat, o terrorismo contra o processo e o assassinato de Rabin. Termina com uma reflexão sobre liderança a partir de Rabbi Jonathan Sacks.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
Episódio final da série do Unpacked sobre o 7 de outubro: a união da sociedade israelense após o ataque, o drama dos reféns e histórias como a da mãe de Yotam Haim, as divisões internas e uma reflexão sobre a esperança na tradição judaica, de Herzl ao Hatikva.
AdultosEm inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.
A ex-deputada israelense Einat Wilf define o sionismo como o movimento de libertação e autodeterminação do povo judeu em sua terra ancestral e explica a 'estratégia do cartaz', que associa o sionismo ao mal para deslegitimar Israel. Ela também aborda a imigração (aliá), o renascimento do hebraico, a recusa árabe à partilha e a situação dos cidadãos árabes de Israel.
Adolescentes e adultosPara ler mais

Ciência em Israel: pesquisa, medicina e Prêmios Nobel
Israel é uma das nações mais intensivas em ciência do mundo. Investe entre 4,8% e 6,3% do PIB em pesquisa civil, conforme a estimativa.…
Ler →
Israel, a nação das startups: inovação e tecnologia
Israel é chamado de nação das startups porque combina pesquisa intensa com um ecossistema empresarial denso. Em 2022, investiu 6,1% do PIB em P&D…
Ler →
Brumadinho, 2019: os socorristas israelenses no Brasil
Israel enviou socorristas militares a Brumadinho depois do rompimento da barragem da Vale, em 25 de janeiro de 2019. As Forças de Defesa de…
Ler →