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Retrato de Vladimir Herzog
Foto: Comissão da Verdade do Estado de São Paulo · CC BY 4.0
Judeus no Brasil

Vladimir Herzog

Jornalista judeu brasileiro, símbolo da luta contra a ditadura · 1937-1975

Quem é

Vladimir Herzog (1937-1975) foi um jornalista e professor judeu brasileiro, nascido em Osijek, na antiga Iugoslávia. Diretor de jornalismo da TV Cultura, ele se apresentou voluntariamente ao DOI-Codi de São Paulo em 25 de outubro de 1975 e foi torturado e morto lá. A ditadura alegou suicídio. Sua morte mobilizou o país e virou símbolo da resistência e da redemocratização.

Qual foi a origem e a trajetória de Vladimir Herzog?

Vlado Herzog nasceu em 27 de junho de 1937, em Osijek, então parte do Reino da Iugoslávia e hoje na Croácia, numa família judaica de origem croata. A família deixou a Europa durante a Segunda Guerra Mundial. Depois de um período na Itália, chegou ao Brasil em 1942.

Em São Paulo, estudou Filosofia na Universidade de São Paulo (USP). Em 1959 começou no jornal O Estado de S. Paulo, onde foi repórter, redator e chefe de reportagem. Na década de 1960 trabalhou na BBC de Londres, experiência que ampliou sua formação em jornalismo e televisão.

Na década de 1970 passou pela revista Visão. Em 1975 assumiu a direção de jornalismo da TV Cultura e lecionou, como professor voluntário, a disciplina Jornalismo Televisionado na Escola de Comunicações e Artes da USP.

Como Vladimir Herzog morreu?

Em 24 de outubro de 1975, agentes do regime militar foram à TV Cultura procurá-lo. No dia seguinte, Herzog compareceu voluntariamente ao DOI-Codi de São Paulo para depor sobre supostas ligações com o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Ele foi torturado e morto nas dependências do órgão, aos 38 anos.

A ditadura divulgou que ele teria se enforcado. A versão caiu:

  • Em 1978, sentença do juiz Márcio José de Moraes responsabilizou a União pela prisão ilegal, pela tortura e pela morte de Herzog.
  • Em 2013, a certidão de óbito foi retificada para registrar que a morte decorreu de lesões e maus-tratos sofridos em dependência do II Exército em São Paulo (DOI-Codi).

A Comissão da Verdade do Estado de São Paulo e a Comissão Especial sobre Mortos e Desaparecidos Políticos classificam o caso como assassinato por agentes do Estado.

Por que Vladimir Herzog importa para os judeus?

Herzog era judeu. Sua família viveu a experiência de tantas famílias judaicas europeias que fugiram do continente durante a perseguição nazista e fascista e reconstruíram a vida no Brasil.

A trajetória dele une duas memórias. Uma é a do exílio judaico europeu durante a Segunda Guerra. A outra é a da violência política no Brasil: um jornalista judeu brasileiro, filho de refugiados, morto pelo aparato repressivo do próprio país que acolheu sua família.

Os registros biográficos disponíveis não documentam atuação política relevante de Herzog em Israel nem militância sionista. Sua importância para a memória judaica está em sua trajetória de jornalista judeu brasileiro vítima de assassinato estatal e na história de perseguição e exílio de sua família.

Qual é o legado de Vladimir Herzog?

O assassinato de Herzog provocou forte mobilização pública. O culto ecumênico na Catedral da Sé, em São Paulo, reuniu multidões e se tornou um dos marcos da resistência à ditadura e do caminho para a redemocratização.

Em 1979, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo criou o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, que reconhece trabalhos sobre direitos humanos, democracia e liberdade de expressão.

Em 2025, nos 50 anos de sua morte, a USP e entidades jornalísticas promoveram homenagens, e a universidade aprovou a concessão póstuma do título de Doutor Honoris Causa. O Instituto Vladimir Herzog preserva a memória do caso.

Linha do tempo

  1. 1937Nasce em 27 de junho em Osijek, então Reino da Iugoslávia, numa família judaica.
  2. 1942Chega ao Brasil com os pais, depois de viver um período na Itália.
  3. 1959Começa a trabalhar no jornal O Estado de S. Paulo.
  4. 1975Assume a direção de jornalismo da TV Cultura.
  5. 1975Em 25 de outubro, é torturado e morto no DOI-Codi de São Paulo.
  6. 1978Sentença judicial responsabiliza a União pela prisão ilegal, tortura e morte.
  7. 2013Certidão de óbito é retificada e registra morte por lesões e maus-tratos.
  8. 2025Nos 50 anos da morte, a USP aprova o título póstumo de Doutor Honoris Causa.

Perguntas frequentes

Vladimir Herzog era judeu?
Sim. Vladimir Herzog nasceu em 1937 em Osijek, na antiga Iugoslávia, numa família judaica de origem croata. A família deixou a Europa durante a Segunda Guerra Mundial e chegou ao Brasil em 1942, depois de passar um período na Itália.
Vladimir Herzog cometeu suicídio?
Não. A ditadura alegou enforcamento, mas uma sentença de 1978 responsabilizou a União pela tortura e morte de Herzog. Em 2013, a certidão de óbito foi retificada para registrar morte por lesões e maus-tratos sofridos no DOI-Codi do II Exército, em São Paulo.
O que é o Prêmio Vladimir Herzog?
É o Prêmio Jornalístico Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos, criado em 1979 pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. Ele reconhece trabalhos jornalísticos ligados a direitos humanos, democracia e liberdade de expressão.
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