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Retrato de Louis Brandeis
Foto: Harris & Ewing · Public domain
Judeus no mundo

Louis Brandeis

Primeiro judeu na Suprema Corte dos EUA e líder sionista americano · 1856-1941

Quem é

Louis Dembitz Brandeis (1856-1941) foi advogado, reformador progressista e juiz associado da Suprema Corte dos Estados Unidos de 1916 a 1939. Foi o primeiro judeu nomeado para a Corte. A partir de 1914, liderou o movimento sionista norte-americano durante a Primeira Guerra Mundial e mostrou que apoiar um lar nacional judaico era compatível com ser plenamente americano.

Qual foi a origem e a formação de Louis Brandeis?

Louis Dembitz Brandeis nasceu em 13 de novembro de 1856, em Louisville, no Kentucky. Era filho de imigrantes judeus de origem boêmia.

Estudou na Alemanha e formou-se em Direito pela Harvard Law School em 1877. No mesmo ano, começou a carreira de advogado em Boston.

Na virada do século XIX para o XX, ganhou projeção nacional. Defendeu leis estaduais sobre jornada de trabalho e salário mínimo, propôs reformas no setor de seguros e cobrou maior controle sobre grandes empresas. Ficou conhecido como um advogado que punha o Direito a serviço do interesse público.

Morreu em 5 de outubro de 1941, em Washington, aos 84 anos.

O que Louis Brandeis fez no Direito americano?

Em 1908, no caso Muller v. Oregon, Brandeis apresentou o chamado "Brandeis brief". O documento foi além dos precedentes jurídicos. Reuniu dados sociais, econômicos e médicos para defender a constitucionalidade de limites à jornada de trabalho de mulheres. A técnica influenciou o litígio constitucional nos Estados Unidos.

Em 28 de janeiro de 1916, o presidente Woodrow Wilson o nomeou para a Suprema Corte. Setores da elite jurídica e empresarial contestaram a indicação, questionando sua experiência e sua atuação política. Após uma audiência controversa, o Senado o confirmou em 1º de junho de 1916.

Brandeis foi juiz associado por 23 anos, até se aposentar em 13 de fevereiro de 1939. Ficou associado a três marcas:

  • defesa da liberdade de expressão;
  • proteção da privacidade;
  • interpretação constitucional atenta aos efeitos sociais da economia.

Por que Louis Brandeis importa para Israel e o povo judeu?

Brandeis abraçou o sionismo na maturidade. Em 1914, assumiu a presidência do Comitê Provisório para Assuntos Gerais Sionistas e passou a liderar a organização do sionismo nos Estados Unidos. Usou sua reputação, sua capacidade de organização e seus próprios recursos para fortalecer o movimento.

Sua atuação teve efeitos duradouros:

  • Legitimidade: mostrou aos judeus americanos que apoiar um lar nacional judaico não conflitava com a cidadania americana.
  • Estrutura: ajudou a organizar a arrecadação e as instituições sionistas durante a Primeira Guerra Mundial.
  • Política: pressionou o governo americano pela implementação da Declaração Balfour, inclusive em carta ao presidente Wilson durante as negociações de paz em Paris.
  • Visão: associou o sionismo a democracia, justiça social e responsabilidade cívica.

Morreu sete anos antes da independência de Israel, mas ajudou a construir o apoio americano que precedeu o Estado.

Como Louis Brandeis é lembrado hoje?

Não há registro de que Brandeis tenha recebido um Prêmio Nobel ou outro prêmio internacional equivalente. Sua grande distinção foi histórica: ser o primeiro judeu na Suprema Corte dos Estados Unidos.

As homenagens vieram depois:

  • Kibutz Ein HaShofet, fundado em 1937 por iniciativa de judeus norte-americanos, no território do Mandato Britânico. O nome significa "a fonte do juiz" e homenageia Brandeis, que apoiou o projeto.
  • Brandeis University, fundada em 1948 e batizada em sua honra. A universidade preserva seus papéis e cartas.

Algumas fontes o chamam de "pai do sionismo americano". O título expressa sua influência, embora ele não tenha sido o único fundador do movimento nos Estados Unidos. O consenso documentado é claro: foi um dos principais líderes sionistas americanos na Primeira Guerra e criou um sionismo com feição própria, ligado aos valores democráticos do país.

“Negotiations in Paris on the Turkish settlement have reached so critical a state in their effects upon the realisation of the Balfour Declaration for a Jewish Homeland in Palestine as to compel me to appeal to you.”Nunca existiu um país chamado “Palestina”. O nome designava uma região e, de 1920 a 1948, o Mandato Britânico, cujos documentos eram usados por judeus e árabes. Entenda, com os documentos →

Louis Brandeis, Carta de Louis Brandeis ao presidente Woodrow Wilson, arquivo da Brandeis University Library

Linha do tempo

  1. 1856Nasce em 13 de novembro, em Louisville, Kentucky.
  2. 1877Forma-se em Direito em Harvard e começa a advogar em Boston.
  3. 1908Apresenta o "Brandeis brief" no caso Muller v. Oregon.
  4. 1914Assume a presidência do Comitê Provisório para Assuntos Gerais Sionistas.
  5. 1916Nomeado por Woodrow Wilson e confirmado pelo Senado como primeiro judeu na Suprema Corte.
  6. 1937Apoia a fundação do kibutz Ein HaShofet, batizado em sua homenagem.
  7. 1939Aposenta-se da Suprema Corte em 13 de fevereiro.
  8. 1941Morre em 5 de outubro, em Washington, aos 84 anos.

Perguntas frequentes

Quem foi o primeiro judeu na Suprema Corte dos Estados Unidos?
Foi Louis Brandeis. O presidente Woodrow Wilson o nomeou em 28 de janeiro de 1916, e o Senado confirmou a indicação em 1º de junho do mesmo ano, após uma audiência controversa. Brandeis serviu como juiz associado por 23 anos, até 1939.
Qual foi o papel de Louis Brandeis no sionismo?
A partir de 1914, Brandeis presidiu o Comitê Provisório para Assuntos Gerais Sionistas e liderou o sionismo americano na Primeira Guerra Mundial. Organizou arrecadação e instituições, pressionou o governo dos Estados Unidos pela Declaração Balfour e mostrou que sionismo e cidadania americana eram compatíveis.
O que é o kibutz Ein HaShofet?
Ein HaShofet é um kibutz fundado em 1937 por iniciativa de judeus norte-americanos, no território do Mandato Britânico. Brandeis apoiou sua criação. O nome significa "a fonte do juiz" e é uma homenagem direta a ele, o juiz da Suprema Corte que liderou o sionismo americano.
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