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Romper convênio com universidade israelense não prejudica nenhum brasileiro?

ENGANOSOA frase parte de um caso real e o estende a todos.
Foto: Sinagoga em Belém. Porto Neto · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Enganoso. A frase generaliza o caso da UFC, cujo acordo com a Universidade Ben-Gurion estava parado havia mais de dois anos. O convênio da Unicamp com o Technion previa intercâmbio de estudantes e professores e pesquisa conjunta. O da FFLCH-USP com Haifa servia à mobilidade acadêmica. Romper fecha portas a brasileiros.

Quem perde quando uma universidade brasileira rompe com uma israelense?

Perdem estudantes, professores e pesquisadores. Um boicote acadêmico não atinge um governo. Ele fecha canais de cooperação com cientistas de engenharia, medicina e humanidades. Também tira de brasileiros o acesso a laboratórios, a projetos conjuntos e a redes científicas.

A justificativa dos rompimentos é política. A Unicamp e a UFC citaram a acusação de "genocídio" em Gaza. Essa acusação, que Israel rejeita, não prova que pesquisadores israelenses respondam por decisões de governo. Movimentos que defendem o boicote afirmam que as universidades israelenses colaboram com o aparato militar. Essa alegação genérica não substitui a análise de cada contrato e de cada projeto. Nos três casos de 2025, o que se cortou foi cooperação acadêmica civil.

O que previam os convênios rompidos em 2025?

Os três casos são diferentes e não podem ser tratados como um só.

  • Unicamp e Technion: a Unicamp rescindiu o acordo de forma unilateral em 30 de setembro de 2025. Segundo o Poder360, o acordo previa intercâmbio de estudantes e professores e projetos conjuntos de pesquisa.
  • FFLCH-USP e Universidade de Haifa: o convênio foi firmado em 2021. Segundo a própria faculdade, ele criava bases para a mobilidade de estudantes, docentes e servidores técnico-administrativos.
  • UFC e Universidade Ben-Gurion do Negev: segundo a própria UFC, o acordo estava sem atividades havia mais de dois anos e não tinha gerado intercâmbio.

Se o acordo da UFC estava parado, a frase não é verdadeira?

Só para aquele caso, e só no curto prazo. A UFC afirmou que o cancelamento não afetava estudantes. Isso não autoriza a conclusão de que nenhum brasileiro perde com rompimento algum.

Mesmo quando ninguém está no exterior naquele momento, o rompimento fecha portas para intercâmbios e pesquisas futuras. Um convênio inativo pode ser reativado sem nova negociação. Um convênio cancelado obriga a recomeçar do zero. Não há números públicos consolidados de perdas financeiras. O prejuízo é real em oportunidades, mas não está medido em reais.

Que benefícios concretos a ciência israelense oferece a brasileiros?

Há programas criados especificamente para brasileiros. O Instituto Weizmann de Ciências oferece a bolsa "The Paulo Pinheiro de Andrade Fellowship", destinada a pós-doutorandos do Brasil, com inscrições abertas até 20 de outubro de 2026. Há também o "Weizmann-IDOR Pioneer Science Fellowship", em parceria com o Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino.

Para graduandos e recém-formados, existem programas de verão como o International Summer Science Institute (ISSI) e o Programa Internacional Kupcinet Getz.

No plano entre governos, o Acordo Brasil–Israel de Cooperação em Ciência e Tecnologia, de 2019, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 139, de 2022, prevê pesquisas e programas científicos conjuntos. Ele também incentiva a participação de pesquisadores e professores em seminários, workshops e conferências. Em 2018, a Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado fez audiência pública sobre cooperação científica entre os dois países em consumo de água e irrigação.

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Enganoso. A UFC disse que seu acordo estava parado. Mas o da Unicamp com o Technion previa intercâmbio e pesquisa conjunta. Romper convênio fecha portas a estudantes e cientistas brasileiros. Quem perde a oportunidade não é o governo de Israel.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A frase circula em posts e em falas de movimentos estudantis e sindicais que celebram os rompimentos de 2025. A ideia é que o boicote atinge só Israel e não custa nada a quem estuda ou pesquisa no Brasil.

Ela convence porque se apoia num fato verdadeiro. A UFC declarou que seu acordo com a Universidade Ben-Gurion do Negev estava sem atividades havia mais de dois anos e sem intercâmbio. Quem generaliza esse caso dá a impressão de que todo convênio era só papel.

Os outros casos mostram o contrário. O acordo da Unicamp com o Technion previa intercâmbio de estudantes e professores e projetos conjuntos de pesquisa. O convênio da FFLCH-USP com a Universidade de Haifa, de 2021, servia à mobilidade de estudantes, docentes e servidores.

O boicote acadêmico também se vende como protesto sem vítimas. Mas quem perde a chance de um intercâmbio, de um projeto ou de uma bolsa é o estudante e o pesquisador brasileiro. Os pesquisadores israelenses também perdem, e não respondem pelas decisões do governo de seu país.

A justificativa dos rompimentos repete a acusação de "genocídio" em Gaza, que Israel rejeita, numa guerra iniciada pelo ataque terrorista do Hamas contra Israel. Essa é uma alegação política, não uma prova de que cientistas e universidades sejam responsáveis pela guerra. Romper com instituições de pesquisa civil não muda nenhuma decisão de governo. Só reduz a cooperação científica que beneficia brasileiros.

Se for responder, evite:
  • Não diga que todos os convênios tinham alunos em intercâmbio. A UFC afirmou que o seu não tinha.
  • Não invente valores de bolsas perdidas nem número de estudantes afetados. Esses números não existem nas fontes.
  • Não trate Technion, Ben-Gurion e Haifa como o mesmo caso. Cada acordo tinha objeto e nível de atividade próprios.
  • Não ataque estudantes ou professores pessoalmente. Debata a decisão, não as pessoas.
  • Não generalize árabes, palestinos ou muçulmanos.

Perguntas frequentes

Qual é o acordo entre o Brasil e Israel na área de ciência?
É o Acordo para a Cooperação em Ciência e Tecnologia, de 2019, aprovado pelo Decreto Legislativo nº 139, de 2022. Ele prevê pesquisas e programas científicos e tecnológicos conjuntos e incentiva a participação de pesquisadores e professores em seminários, workshops e conferências.
O que previa o convênio da Unicamp com o Technion?
Previa intercâmbio de estudantes e professores e projetos conjuntos de pesquisa. A Unicamp rescindiu o acordo de forma unilateral em 30 de setembro de 2025.
Brasileiros podem estudar em Israel com bolsa?
Sim. O Instituto Weizmann de Ciências oferece a bolsa "The Paulo Pinheiro de Andrade Fellowship" para pós-doutorandos brasileiros e, com o Instituto D'Or, o "Weizmann-IDOR Pioneer Science Fellowship". Para graduandos há programas de verão como o ISSI e o Kupcinet Getz.
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