Falso. É também antissemitismo pelo critério da IHRA. A maçonaria moderna nasceu em Londres, em 24 de junho de 1717, sem nada de judaico na origem. Muitas lojas recusaram judeus por mais de 200 anos. A tese de que 'os judeus estão por trás' vem dos 'Protocolos dos Sábios de Sião', uma fraude usada pela propaganda nazista.
Quem fundou a maçonaria moderna?
A maçonaria em sua forma moderna foi fundada oficialmente em 24 de junho de 1717. Nesse dia, lojas menores se uniram e formaram a primeira Grande Loja, em Londres. O relatório da CyberWell de junho de 2023 registra esse marco.
Não há nada de judaico nessa origem. A maçonaria é uma fraternidade nascida na Europa cristã ocidental. O judaísmo é uma religião, um povo e uma civilização milenar, com tradição própria. São coisas distintas.
Os judeus controlam a maçonaria?
Não. A história mostra o oposto do que a teoria afirma. Segundo a CyberWell, muitas lojas maçônicas recusaram membros judeus por mais de 200 anos.
Um grupo que foi barrado por tanto tempo não estava no comando. A teoria inverte os fatos para manter de pé um preconceito.
De onde vem a teoria da conspiração judaico-maçônica?
A teoria acusa os judeus de infiltrar a maçonaria para dominar o mundo. A CyberWell a descreve como um estereótipo antissemita clássico: o judeu como manipulador oculto.
Sua base são os "Protocolos dos Sábios de Sião", um documento fabricado que descreve um suposto plano judaico de dominação mundial. Acredita-se que foi escrito no início do século XX, no Império Russo, antes da série violenta de pogroms antijudaicos de 1903 a 1906. Mesmo provado falso, o texto continuou alimentando conspirações antissemitas, inclusive a propaganda nazista.
Por que a afirmação é antissemitismo e não apenas uma opinião?
A definição de trabalho da IHRA inclui como antissemitismo as alegações sobre um poder judaico coletivo que controlaria instituições, governos ou o mundo. "Os judeus estão por trás da maçonaria" é exatamente isso.
Não é uma crítica à maçonaria. É uma acusação contra um povo inteiro. A conspiração também difama os maçons, porque os pinta como instrumentos de um complô.
Como a teoria circula hoje nas redes?
Ela aparece em posts, vídeos e comentários que tratam a maçonaria como uma sociedade secreta que "governa o mundo". Muitas vezes a palavra "judeu" nem aparece. Segundo a CyberWell, o uso de código, insinuação e símbolos ajuda esses posts a escapar das regras contra discurso de ódio das plataformas.
A teoria circula em vários campos políticos, inclusive na extrema direita. O mistério de uma organização hierárquica e discreta se junta a um preconceito antigo e oferece um culpado único para fatos complexos.
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Falso. É também antissemitismo pelo critério da IHRA. A maçonaria nasceu em Londres, em 1717, sem origem judaica. Muitas lojas recusaram judeus por mais de 200 anos. A teoria judaico-maçônica vem dos 'Protocolos dos Sábios de Sião', uma fraude usada pela propaganda nazista.Até 280 caracteres, para responder nas redes
Em mais detalhe
Linha do tempo
- 24 de junho de 1717: lojas menores se unem e formam a primeira Grande Loja, em Londres. É a fundação oficial da maçonaria moderna.
- Mais de 200 anos: durante esse período, muitas lojas recusaram membros judeus.
- Início do século XX: os "Protocolos dos Sábios de Sião" são forjados no Império Russo, antes dos pogroms de 1903 a 1906.
- Propaganda nazista: o texto fraudulento passa a servir de base para conspirações antissemitas, inclusive na Alemanha nazista.
- Estatuto do Hamas (1988): o grupo terrorista recicla a mesma tese no artigo 22 de sua carta de fundação, que apresenta a maçonaria, o Rotary e o Lions Club como fachadas judaicas.
Por que a teoria convence
A maçonaria é hierárquica e discreta, e isso desperta curiosidade e desconfiança. A teoria aproveita esse mistério e o liga ao velho estereótipo do judeu como manipulador oculto. O resultado é uma explicação simples e falsa, apoiada em textos antigos que parecem documentos, mas são fraudes.
O ponto central
Dizer que os judeus manipulam instituições em segredo para dominar o mundo não é opinião sobre a maçonaria. É preconceito contra um povo, e a IHRA o classifica como antissemitismo.
- Não ataque maçons nem trate a maçonaria como algo suspeito. A conspiração difama os dois grupos.
- Não reproduza trechos dos "Protocolos", nem como exemplo.
- Não acrescente datas ou detalhes sobre os "Protocolos" além dos documentados.
- Não aponte muçulmanos, árabes ou palestinos como "quem espalha" a teoria. Ela circula em vários campos, inclusive na extrema direita. A crítica ao Hamas é ao grupo terrorista e à sua carta, não a um povo.




