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Prova de que os "Protocolos" atribuídos a judeus foram forjados
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“No Brasil nunca houve antissemitismo; isso é problema europeu importado”: falso

FALSOA frase parte de um fato real e chega a uma conclusão falsa.
Foto: Prova de que os "Protocolos" atribuídos a judeus foram forjados. Autor desconhecido · Public domain · Wikimedia Commons
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Falso. O Brasil não teve Holocausto, mas teve antissemitismo próprio. A Inquisição processou cristãos-novos na Colônia. O integralismo difundiu os “Protocolos”. O Estado Novo dificultou vistos a judeus que fugiam do nazismo. Em 2003, o STF tratou propaganda antissemita como racismo. A Conib registrou 1.562 denúncias entre janeiro e outubro de 2024.

Houve perseguição a judeus no Brasil colonial?

Sim. A Inquisição portuguesa estendeu sua ação ao Brasil. Cristãos-novos, muitos deles judeus convertidos à força ou seus descendentes, foram investigados e processados por “judaizar”, ou seja, por manter práticas judaicas.

  • As Visitações do Santo Ofício chegaram à Bahia em 1591 e a Pernambuco em 1593.
  • Houve prisões, confisco de bens e envio de acusados a Lisboa para julgamento.
  • Isaac de Castro Tartas e o dramaturgo Antônio José da Silva, “O Judeu”, nascido no Rio de Janeiro, estão entre os executados em autos de fé.

No Nordeste sob domínio holandês, formou-se a comunidade judaica de Recife. Ela se dispersou após a retomada portuguesa, em 1654. Um relatório do governo de Israel sobre comunidades judaicas registra que, depois da reconquista portuguesa do Norte do Brasil, “todos os judeus visíveis” deixaram a região.

O integralismo e o Estado Novo foram antissemitas?

Os dois tiveram antissemitismo documentado, cada um à sua maneira.

Integralismo (anos 1930). A Ação Integralista Brasileira, liderada por Plínio Salgado, mobilizou estereótipos antijudaicos. Associava judeus a comunismo, liberalismo e finanças internacionais. Seu principal ideólogo, Gustavo Barroso, que presidiu a Academia Brasileira de Letras, traduziu e difundiu Os Protocolos dos Sábios de Sião, uma fraude conspiratória contra judeus. Barroso também publicou livros próprios no mesmo tom, como A Sinagoga Paulista.

Estado Novo (1937–1945). No governo de Getúlio Vargas, o Itamaraty expediu circulares secretas que dificultaram a concessão de vistos a judeus, inclusive a quem fugia do nazismo. Foi uma política de Estado, não um preconceito isolado.

O integralismo não foi cópia do nazismo. Foi uma versão brasileira, com autores, editoras e militantes brasileiros. Esse é justamente o ponto: a ideia pode ter origem externa, mas a prática foi local.

O que o STF decidiu no Caso Ellwanger?

Em 2003, o Supremo Tribunal Federal julgou o Habeas Corpus 82.424/RS. O caso envolvia o editor Siegfried Ellwanger, de Porto Alegre, que publicava livros antissemitas e de negação do Holocausto.

O STF decidiu que esse tipo de publicação é crime de racismo. Pela Constituição, é inafiançável e imprescritível.

A decisão desmonta a tese de que o antissemitismo seria coisa de fora. A mais alta corte do país precisou julgar um brasileiro que editava e vendia propaganda antijudaica no Brasil.

Existe antissemitismo no Brasil hoje?

Sim, e os registros cresceram após o ataque terrorista do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023.

  • Segundo o relatório de antissemitismo de 2024 do governo de Israel, a Confederação Israelita do Brasil (Conib) documentou 1.562 denúncias entre janeiro e outubro de 2024, contra 679 no mesmo período de 2023. 73% dos casos ocorreram no meio digital.
  • O Instituto para Estudos de Segurança Nacional (INSS), de Israel, apontou aumento de 311% nos incidentes antissemitas no Brasil em 2023.
  • O mesmo relatório israelense cita a apreensão, em São Paulo, de mais de cem objetos com símbolos nazistas. Cita também uma condenação judicial brasileira por publicações antissemitas fundamentada na definição de antissemitismo da IHRA.
  • Entre os episódios descritos estão a agressão verbal e física a uma comerciante judia em Arraial d’Ajuda, na Bahia, em fevereiro de 2024, e o apelo de um político de São Paulo a boicotar “empresas judaicas”.

Os números vêm de séries diferentes, com bases e períodos próprios. Não se somam. “Denúncia” ou “incidente” também não é sinônimo de crime julgado. Ainda assim, todos apontam na mesma direção.

Criticar Israel é antissemitismo?

Não necessariamente. Criticar uma decisão de um governo israelense é legítimo, como criticar qualquer governo.

O critério usado pela JJO é a definição de trabalho da IHRA, adotada por estados e capitais brasileiras. Por ela, é antissemitismo, entre outros casos:

  • negar o direito de Israel existir;
  • responsabilizar judeus brasileiros, como coletivo, pelas ações do Estado de Israel;
  • usar símbolos e imagens do nazismo para caracterizar Israel ou os israelenses, ou comparar a política israelense atual à dos nazistas;
  • aplicar a Israel um padrão que não se exige de nenhum outro país.

Boa parte das denúncias recentes segue esse padrão. Judeus brasileiros são hostilizados no Brasil por causa de uma guerra que o Hamas começou do outro lado do mundo.

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Falso. A Inquisição processou cristãos-novos no Brasil colonial. O integralismo espalhou os “Protocolos”. O Estado Novo dificultou vistos a judeus que fugiam do nazismo. Em 2003, o STF tratou propaganda antissemita como crime de racismo. Em 2024, a Conib registrou 1.562 denúncias até outubro.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

De onde vem a frase. Ela circula em comentários e posts, muitas vezes junto de “o Brasil sempre recebeu judeus” ou “aqui nunca teve Holocausto”. Costuma aparecer para minimizar uma denúncia concreta de ódio contra judeus brasileiros.

O que ela tem de verdade. O Brasil recebeu imigrantes judeus, refugiados e sobreviventes do Holocausto. Não houve Holocausto nem pogroms em escala europeia. E ideologias europeias, como o nazismo e o fascismo, influenciaram movimentos brasileiros.

Onde ela erra. A frase transforma “menos letal” em “inexistente” e “influência externa” em “nada nosso”. Não ter tido um Holocausto não equivale a não ter antissemitismo. O antissemitismo inclui discriminação, teorias conspiratórias, negação do Holocausto, apologia do nazismo e hostilidade a judeus por serem judeus.

Uma linha do tempo brasileira.

1. 1591 e 1593: Visitações da Inquisição à Bahia e a Pernambuco. Cristãos-novos são processados por “judaizar”. 2. 1654: após a retomada portuguesa, a comunidade judaica de Recife se dispersa. 3. Anos 1930: o integralismo de Gustavo Barroso difunde os Protocolos dos Sábios de Sião. 4. 1937–1945: circulares secretas do Itamaraty dificultam vistos a judeus que fogem do nazismo. 5. 2003: o STF julga o Caso Ellwanger (HC 82.424/RS) e decide que propaganda antissemita é crime de racismo. 6. 2024: a Conib documenta 1.562 denúncias entre janeiro e outubro, contra 679 no mesmo período de 2023.

Quem monitora. O governo de Israel mantém relatórios específicos sobre antissemitismo e deslegitimação de Israel no Brasil. Esses relatórios reúnem casos ocorridos no Brasil, praticados no Brasil, o que contradiz a ideia de um fenômeno exclusivamente europeu.

Conclusão. O Brasil não foi a Europa nazista. Mas teve, e ainda tem, antissemitismo documentado, com raízes coloniais, versões políticas brasileiras e crescimento recente das denúncias. Origem de uma ideologia não é álibi para quem a pratica aqui.

Se for responder, evite:
  • O que este texto não afirma. Não afirma que o Brasil seja “tão antissemita quanto a Europa nazista”: isso seria falso.
  • Não soma nem mistura séries diferentes: os 1.562 da Conib e os 311% do INSS usam bases e períodos distintos, e cada número aparece com sua fonte.
  • Não trata todo incidente ou denúncia como crime julgado.
  • Não atribui a muçulmanos, árabes ou palestinos, como grupo, o antissemitismo no Brasil: o histórico citado é colonial, integralista e estatal.
  • Não considera antissemitismo toda crítica a um governo israelense. O critério é o da IHRA: negar o direito de Israel existir ou culpar judeus brasileiros pelas ações de Israel, isso sim, é antissemitismo.

Perguntas frequentes

Existe antissemitismo no Brasil?
Sim. Segundo o relatório de antissemitismo de 2024 do governo de Israel, a Conib documentou 1.562 denúncias entre janeiro e outubro de 2024, contra 679 no mesmo período de 2023. 73% dos casos ocorreram no meio digital.
Antissemitismo é crime no Brasil?
Sim. Em 2003, no Caso Ellwanger (HC 82.424/RS), o STF decidiu que publicações antissemitas e a negação do Holocausto são crime de racismo, inafiançável e imprescritível.
O Brasil recebeu judeus que fugiam do nazismo?
Recebeu imigrantes, refugiados e sobreviventes. Mas, no Estado Novo, circulares secretas do Itamaraty dificultaram vistos a judeus que fugiam do nazismo. As duas coisas são verdadeiras.
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