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Clarice Lispector no Rio de Janeiro
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Lula expulsou o embaixador de Israel do Brasil?

FALSOA afirmação contradiz os fatos.
Foto: Clarice Lispector no Rio de Janeiro. Donatas Dabravolskas · CC BY-SA 4.0 · Wikimedia Commons
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Falso. Lula não expulsou o embaixador de Israel. Em 19 de fevereiro de 2024, o Itamaraty convocou Daniel Zonshine para uma reunião, e ele seguiu no cargo. O Brasil chamou de volta o próprio embaixador. O fato grave foi outro: Lula comparou a guerra em Gaza, iniciada pelo Hamas, ao Holocausto.

O que aconteceu entre Brasil e Israel em fevereiro de 2024?

Foram três momentos. Nas redes, eles se misturam.

  • 18 de fevereiro de 2024, a fala. Em Adis Abeba, na Etiópia, Lula disse: "O que está acontecendo na Faixa de Gaza com o povo palestino não existiu em nenhum outro momento histórico. Aliás, existiu. Quando Hitler resolveu matar os judeus". A guerra em Gaza começou com o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro.
  • 19 de fevereiro de 2024, as medidas dos dois países. O chanceler israelense, Israel Katz, levou o embaixador brasileiro, Frederico Meyer, ao Yad Vashem, o memorial do Holocausto em Jerusalém. Lá, declarou Lula persona non grata em Israel até que ele se retratasse. No mesmo dia, o chanceler Mauro Vieira convocou o embaixador israelense, Daniel Zonshine, para uma reunião no Itamaraty, no Rio de Janeiro. O Brasil também chamou Meyer de volta "para consultas".
  • Maio de 2024, a transferência. O governo brasileiro tirou Meyer do posto em Israel e o mandou para Genebra. A embaixada brasileira em Tel Aviv seguiu aberta, sob um encarregado de negócios.

Em nenhum desses momentos o Brasil expulsou o diplomata israelense.

Convocar um embaixador é o mesmo que expulsar?

Não. Convocar um embaixador estrangeiro é um gesto de protesto. O governo chama o diplomata para uma conversa, mostra insatisfação e pede explicações. Ele continua credenciado e segue trabalhando.

Expulsar é outra coisa: o diplomata perde as condições de permanecer no país. Isso não aconteceu com Daniel Zonshine. A checagem da Reuters, com base no Itamaraty, informou que ele continuava no cargo. A AFP registrou que Israel não o retirou até o fim de fevereiro de 2024.

Houve notícias de que o governo "avaliava" a expulsão. A hipótese não virou decisão.

Convocar ≠ expulsar.

O Brasil rompeu relações ou fechou alguma embaixada?

Não. As relações diplomáticas entre Brasil e Israel não foram rompidas. A embaixada de Israel em Brasília continuou aberta. A embaixada do Brasil em Tel Aviv também.

O que mudou foi o nível da representação brasileira. Em maio de 2024, Frederico Meyer foi transferido para Genebra. Segundo a AP, a embaixada brasileira em Israel passou a funcionar sem embaixador residente, sob um encarregado de negócios. Na linguagem diplomática, isso é um rebaixamento e um sinal de contrariedade. Não é rompimento. A medida atingiu o diplomata brasileiro, não o israelense.

Quem declarou quem persona non grata?

Foi Israel. O governo israelense declarou Lula persona non grata, e não o contrário. A medida atingiu o presidente brasileiro, não um diplomata.

Israel Katz anunciou a decisão no Yad Vashem, diante do embaixador brasileiro e da imprensa. A escolha do lugar foi uma resposta direta à comparação com o Holocausto. Segundo a Reuters, Katz disse que Lula não seria bem-vindo em Israel até retirar a fala. Lula não se retratou. Depois disse que não tinha usado a palavra "holocausto" e que essa era a interpretação do primeiro-ministro de Israel.

Qual foi o erro real de Lula?

Foi a comparação. Equiparar a guerra de Israel contra o Hamas ao extermínio sistemático dos judeus pela Alemanha nazista banaliza a Shoá. Israel e entidades judaicas condenaram a fala.

A guerra começou com o ataque do Hamas de 7 de outubro. A responsabilidade pelo início do conflito é do grupo terrorista. Comparar a resposta de Israel a Hitler inverte essa realidade e usa a memória do Holocausto contra o povo que foi sua vítima. Pela definição da IHRA, adotada pela JJO, comparar a política israelense à dos nazistas é um dos exemplos de antissemitismo.

Esse é o fato grave, e está documentado. Para criticar Lula, não é preciso inventar uma expulsão. Repetir a versão falsa só enfraquece a crítica verdadeira.

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Convocar não é expulsar. Em 2024, o Itamaraty convocou o embaixador de Israel, Daniel Zonshine, que seguiu no cargo, e o Brasil chamou de volta o seu. As relações não foram rompidas. O erro real foi Lula comparar a guerra contra o Hamas ao Holocausto.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

Linha do tempo

| Data | O que aconteceu | |---|---| | 18/fev/2024 | Na Etiópia, Lula compara a guerra em Gaza, iniciada pelo Hamas, ao extermínio dos judeus por Hitler. | | 19/fev/2024 | No Yad Vashem, Israel Katz declara Lula persona non grata diante do embaixador Frederico Meyer. O Brasil convoca o embaixador israelense Daniel Zonshine para uma reunião e chama Meyer de volta para consultas. | | maio/2024 | O Brasil transfere Meyer para Genebra. A embaixada em Tel Aviv segue aberta, sob um encarregado de negócios. |

Como a versão falsa nasceu

A frase "Lula expulsou o embaixador de Israel" junta três fatos diferentes. O Brasil convocou Zonshine, e isso virou "expulsão" nas redes. O Brasil chamou de volta o próprio embaixador, e isso foi atribuído ao diplomata israelense. Israel declarou Lula persona non grata, e a medida foi lida como se fosse brasileira. Somou-se a isso a notícia de que o governo "avaliava" expulsar Zonshine, hipótese que não se concretizou.

O que dizem as checagens e as agências

  • A Reuters, com base no Itamaraty, informou que Zonshine e Meyer seguiam em seus cargos logo após a crise.
  • A AFP registrou que a embaixada brasileira em Tel Aviv continuava aberta e que Zonshine não havia sido retirado até o fim de fevereiro de 2024.
  • A AP registrou que, desde a saída de Meyer, o Brasil opera em Israel sem embaixador residente, com encarregado de negócios.
  • A JTA noticiou que Israel barrou Lula e que o Brasil retirou seu embaixador. Não houve expulsão do diplomata israelense.

Convocar ≠ expulsar. O erro real foi comparar Israel a Hitler.

Se for responder, evite:
  • Não diga que Lula "expulsou" o embaixador de Israel nem que o Brasil "rompeu relações". É falso, mesmo como crítica ao governo.
  • Não diga que a embaixada de Israel no Brasil ou a do Brasil em Israel foi fechada. As duas seguiram abertas.
  • Não confunda persona non grata, medida de Israel contra Lula, com uma medida do Brasil.
  • Não trate a notícia de que o governo "avaliava" a expulsão como se fosse decisão tomada.
  • Não transforme a crítica a Lula em ataque a palestinos ou muçulmanos. O alvo da crítica é a fala do presidente.

Perguntas frequentes

Quem fechou a embaixada de Israel no Brasil?
Ninguém. A embaixada de Israel em Brasília não foi fechada. Em fevereiro de 2024, o Itamaraty convocou o embaixador israelense, Daniel Zonshine, para uma reunião de protesto. Ele seguiu no cargo, e as relações diplomáticas não foram rompidas.
Tem embaixador do Brasil em Israel?
Desde maio de 2024, o Brasil não tem embaixador residente em Israel, segundo a AP. Frederico Meyer foi transferido para Genebra. A embaixada em Tel Aviv continua aberta, chefiada por um encarregado de negócios. É um rebaixamento da representação, não um rompimento.
Por que Israel declarou Lula persona non grata?
Porque, em 18 de fevereiro de 2024, Lula comparou a guerra em Gaza, iniciada pelo ataque do Hamas, ao extermínio dos judeus por Hitler. No dia seguinte, o chanceler Israel Katz declarou Lula persona non grata até que ele se retratasse. Lula não se retratou.
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