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“Israel espiona brasileiros pela Abin paralela”: por que a afirmação é enganosa

ENGANOSOA afirmação parte de um fato real e o distorce.
Foto: Getúlio Vargas. Governo do Brasil · Public domain · Wikimedia Commons
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Enganoso. A chamada “Abin paralela” é um escândalo brasileiro. A Abin contratou em 2018, sem licitação, o software FirstMile, da empresa privada israelense Cognyte, por R$ 5,7 milhões. Quem operou e é suspeito de espionar opositores são agentes brasileiros. Não há prova de que o Estado de Israel operou o sistema ou recebeu dados.

O que foi a chamada “Abin paralela”?

O caso existe e é grave. Houve monitoramento sem autorização de pessoas no Brasil.

Um artigo acadêmico publicado na revista Lua Nova (São Paulo, n. 127, 2026) descreve o caso:

  • A Agência Brasileira de Inteligência (Abin) contratou o serviço FirstMile, da empresa privada israelense Cognyte.
  • A contratação ocorreu no fim de 2018, no governo Temer, sem licitação, por R$ 5,7 milhões.
  • O sistema rastreava sem autorização a localização de até 10 mil pessoas no país.
  • Ele só passou a funcionar após a eleição de Bolsonaro e operou até 2021.

Com base em Cappelli (2023), o artigo aponta suspeitas de uso do aparato estatal brasileiro para espionar opositores políticos. A finalidade suspeita é de política interna.

Quem comprou e quem operou o sistema?

O comprador foi o governo brasileiro. O operador também foi o governo brasileiro.

| Papel | Quem | |---|---| | Quem vendeu | Cognyte, empresa privada israelense | | Quem comprou | Abin (fim de 2018, R$ 5,7 milhões, sem licitação) | | Quem é suspeito de espionar | Agentes brasileiros |

O fornecedor de uma ferramenta não é quem a usa. Um órgão de Estado que compra um software decide como empregá-lo. Quem abusa da ferramenta responde pelo abuso. Culpar “Israel” tira o foco de quem é suspeito de abusar do poder no Brasil.

O Pegasus, da NSO Group, foi usado no caso?

Segundo o mesmo artigo da Lua Nova, o Tribunal de Contas da União (TCU) vetou a compra do Pegasus, software da NSO Group. Esse programa, portanto, não foi adquirido.

O artigo relata ainda uma tentativa, no governo Bolsonaro, de contratar o Pegasus fora da estrutura da Abin. A tentativa é atribuída a Carlos Bolsonaro, com uma parte da Polícia Federal e do Ministério da Justiça. Também aqui os atores são brasileiros.

Em nota, o autor alega que a NSO trabalha com o Estado de Israel em favor da agenda de segurança israelense, citando Loewenstein (2023). Essa é uma acusação do autor. Ela não prova nenhuma operação israelense no Brasil, nem envolve o FirstMile, que é o sistema de fato usado no caso.

O Brasil “importa repressão” de Israel?

Essa acusação circula junto com a da espionagem. Em reportagem, os especialistas Penido e Mantovani afirmam que sistemas como Pegasus e Cognyte são vendidos a governos e que equipamentos israelenses teriam o potencial de “aumentar a repressão” no Brasil.

É uma opinião sobre riscos, não uma prova de espionagem israelense. A própria fala trata de vendas a governos: quem compra é que decide como usar. Se uma polícia ou uma agência brasileira abusa de uma ferramenta, a responsabilidade é dela e das autoridades que a comandam. O controle desse uso cabe às instituições brasileiras, como mostrou o veto do TCU ao Pegasus.

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Fornecedor não é operador. A Abin comprou o FirstMile da empresa privada israelense Cognyte em 2018, sem licitação, por R$ 5,7 milhões. Quem usou e é suspeito de espionar opositores são agentes brasileiros. Não há prova de que o Estado de Israel tenha espionado alguém neste caso.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A frase “Israel espiona brasileiros pela Abin paralela” junta um fato real a uma conclusão sem base.

O fato real: a Abin contratou, no fim de 2018, o FirstMile, da empresa privada israelense Cognyte. Segundo artigo da revista Lua Nova (2026), a compra foi feita sem licitação, por R$ 5,7 milhões. O sistema rastreava sem autorização a localização de até 10 mil pessoas. Começou a funcionar após a eleição de Bolsonaro e operou até 2021. O artigo registra suspeitas de uso do aparato estatal para espionar opositores políticos.

O salto indevido: do fato de a fornecedora ser israelense, a afirmação conclui que o Estado de Israel operava a vigilância. O material não traz nenhuma evidência disso. Não há indicação de que Israel operasse o sistema ou recebesse os dados.

O que o próprio artigo mostra: quem comprou foi a Abin. Quem operou foi o governo brasileiro. A finalidade suspeita é de política interna. O Pegasus, outro software israelense, teve a compra vetada pelo TCU.

A acusação sobre a NSO: o autor do artigo alega, em nota, que a NSO Group serve à agenda de segurança do Estado de Israel. Mesmo que se aceite essa alegação, ela trata de outra empresa e de um software que não foi comprado. Não prova operação israelense no Brasil.

O escândalo é sério e deve ser apurado. Mas ele é brasileiro. Transformá-lo em “espionagem de Israel” desvia a atenção dos responsáveis e alimenta suspeitas sem prova contra o Estado judeu.

Se for responder, evite:
  • Não negue o escândalo nem minimize a vigilância ilegal de brasileiros. O caso é grave.
  • Não diga que o caso foi “arquivado” ou “encerrado pela Justiça”. Não cite números ou decisões que não estejam nas fontes.
  • Não ataque jornalistas nem opositores que foram vigiados.
  • Não afirme que a NSO “não tem relação nenhuma” com o Estado de Israel. Diga apenas que não há prova de operação israelense no Brasil.
  • Não confunda o FirstMile (comprado e usado) com o Pegasus (compra vetada pelo TCU).

Perguntas frequentes

Israel espionou brasileiros no caso da Abin paralela?
Não há prova disso. O software FirstMile foi feito pela empresa privada israelense Cognyte, mas foi comprado pela Abin em 2018 e operado pelo governo brasileiro. As suspeitas de espionagem recaem sobre agentes brasileiros.
Qual software foi usado pela Abin paralela?
Segundo artigo da revista Lua Nova (2026), foi o FirstMile, da Cognyte. Ele rastreava sem autorização a localização de até 10 mil pessoas e operou até 2021. O Pegasus, da NSO Group, teve a compra vetada pelo TCU.
Quanto a Abin pagou pelo FirstMile?
R$ 5,7 milhões, em contratação sem licitação no fim de 2018, durante o governo Temer, segundo o artigo da revista Lua Nova.
Fontes
    Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.