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Einstein era antissionista e recusou a presidência de Israel por ser contra o país?

FALSOA recusa da presidência é um fato real.
Foto: Rainha Beatriz dos Países Baixos visita o Yad Vashem. Government Press Office (Israel) · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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Falso. Albert Einstein recusou a presidência de Israel em 1952 alegando falta de aptidão e de experiência para funções oficiais, não oposição ao país. Na carta de 18 de novembro de 1952, chamou Israel de “o nosso Estado de Israel”. Ele ajudou a erguer a Universidade Hebraica de Jerusalém e deixou a ela seus arquivos.

Por que Einstein recusou a presidência de Israel?

Chaim Weizmann, primeiro presidente de Israel, morreu em 1952. O primeiro-ministro David Ben-Gurion pediu então ao embaixador Abba Eban que oferecesse o cargo a Albert Einstein.

Einstein respondeu por carta em 18 de novembro de 1952. Ele recusou e explicou o motivo. Em tradução:

> “Estou profundamente comovido com a oferta do nosso Estado de Israel, e ao mesmo tempo triste e envergonhado por não poder aceitá-la. Toda a minha vida lidei com questões objetivas; por isso, faltam-me tanto a aptidão natural quanto a experiência para lidar adequadamente com pessoas e exercer funções oficiais.”

O motivo é pessoal: falta de aptidão e de experiência para cargo oficial. Não há na carta nenhuma rejeição a Israel. Há o oposto, porque Einstein se refere ao país como “nosso”.

O que a carta de 1952 mostra sobre a relação de Einstein com os judeus e com Israel?

Na mesma carta, Einstein escreve que sua relação com o povo judeu se tornou seu “laço humano mais forte”. Ele diz que isso aconteceu desde que tomou plena consciência da “nossa precária situação entre as nações do mundo”.

Quem é contra a existência de um país não lamenta, “triste e envergonhado”, não poder servir a ele. A carta é um documento de vínculo, e não de ruptura.

Einstein apoiou o sionismo na prática?

Sim. Ele participou de iniciativas centrais do movimento sionista:

  • 1921: viajou aos Estados Unidos com Chaim Weizmann, então presidente da Organização Sionista Mundial, para arrecadar fundos para a Universidade Hebraica de Jerusalém.
  • 1923: proferiu a palestra inaugural da universidade no Monte Scopus.
  • Primeiro Conselho de Governadores: integrou o órgão da universidade.
  • Testamento: deixou à Universidade Hebraica seus arquivos e direitos.

A Universidade Hebraica era uma das instituições pilares do projeto sionista. Einstein ajudou a erguê-la e a escolheu como herdeira de seu legado.

Se Einstein criticou o sionismo, ele era antissionista?

Não. Einstein criticou facções e correntes do sionismo e defendia a cooperação judaico-árabe. Isso é verdade e não precisa ser escondido.

O sionismo dele era cultural, na linha do pensador Ahad Ha'am. Discordar de uma corrente política ou de um governo é debate interno. Negar o direito do povo judeu a um Estado é outra coisa. Pelo critério da IHRA, essa negação é antissemitismo.

A frase que circula usa as críticas internas de Einstein para fabricar um antissionismo que ele não tinha. Ela também sugere que rejeitar Israel seria a posição “judaica esclarecida”. Os documentos mostram o contrário.

Resposta pronta para copiar

Falso. Einstein recusou a presidência de Israel em 1952 por falta de aptidão para cargo oficial, não por ser contra o país. Na carta, chamou Israel de “o nosso Estado de Israel”. Ajudou a erguer a Universidade Hebraica e deixou a ela seus arquivos.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

Linha do tempo

  • 1921: Einstein faz uma turnê nos Estados Unidos com Chaim Weizmann, presidente da Organização Sionista Mundial. O objetivo é arrecadar fundos para a Universidade Hebraica de Jerusalém.
  • 1923: Einstein profere a palestra inaugural da universidade no Monte Scopus. Ele integra o primeiro Conselho de Governadores.
  • 1952: Weizmann, primeiro presidente de Israel, morre. Ben-Gurion pede a Abba Eban que ofereça a presidência a Einstein.
  • 18 de novembro de 1952: Einstein recusa por carta. Ele chama o país de “o nosso Estado de Israel” e alega falta de aptidão e de experiência para funções oficiais.
  • Testamento: Einstein deixa seus arquivos e direitos à Universidade Hebraica de Jerusalém.

Como a frase engana

A afirmação junta um fato real, a recusa, a um motivo inventado, a suposta oposição a Israel. Depois transforma críticas pontuais a correntes do sionismo em rejeição ao Estado judeu. O texto da própria carta desmonta as duas coisas.

Se for responder, evite:
  • Não diga que Einstein nunca criticou nada no sionismo. Ele criticou facções e defendia a cooperação judaico-árabe.
  • Não atribua a Einstein frases que não estejam documentadas. Use a carta de 1952 e os fatos institucionais.
  • Não chame de “traidores” os judeus que hoje citam Einstein. Responda com os documentos.
  • Não desqualifique árabes ou palestinos ao responder.
  • Não apresente o sionismo de Einstein como idêntico a qualquer corrente política atual. Ele era um sionista cultural.

Perguntas frequentes

Qual era a posição política de Einstein?
Sobre Israel e o sionismo, Einstein era um sionista cultural, na linha de Ahad Ha'am. Ele apoiou a Universidade Hebraica de Jerusalém desde 1921 e defendia a cooperação judaico-árabe. Criticou correntes do sionismo, mas chamou Israel de “o nosso Estado de Israel” em 1952.
Einstein foi convidado para ser presidente de Israel?
Sim. Após a morte de Chaim Weizmann, em 1952, David Ben-Gurion pediu ao embaixador Abba Eban que fizesse o convite. Einstein recusou em carta de 18 de novembro de 1952. Ele alegou falta de aptidão e de experiência para funções oficiais.
Onde estão os arquivos de Einstein?
Na Universidade Hebraica de Jerusalém. Einstein deixou em testamento seus arquivos e direitos à universidade que ajudou a erguer e onde deu a palestra inaugural, em 1923, no Monte Scopus.
Fontes
    Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.