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Conferência de Durban, 2001
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“Combater o antissemitismo virou pauta da extrema direita”: o que dizem os fatos

ENGANOSOA frase parte de um fato real: há políticos que exploram o tema para ganho próprio.
Foto: Conferência de Durban, 2001. Danjuma Anthony · CC0 · Wikimedia Commons
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Enganoso. Há políticos que exploram o tema, mas o combate ao antissemitismo não pertence a um campo. A primeira estratégia nacional dos EUA contra o antissemitismo saiu em 2023, no governo democrata de Biden. No Bundestag, SPD, Verdes, FDP e CDU/CSU apresentaram juntos a resolução de 2024. E a extrema direita é uma das fontes do antissemitismo.

Quem de fato combate o antissemitismo?

Correntes políticas muito diferentes combatem o antissemitismo.

  • Estados Unidos: a primeira Estratégia Nacional dos EUA para Combater o Antissemitismo foi lançada em maio de 2023 pelo governo democrata de Biden-Harris. O documento a chama de o esforço mais ambicioso e abrangente do governo americano contra o antissemitismo na história do país. O texto pede que americanos de todas as origens e crenças se unam contra esse ódio.
  • Alemanha: a resolução Drucksache 20/13627, “Nunca mais é agora”, de novembro de 2024, foi apresentada em conjunto por SPD, Verdes, FDP e CDU/CSU. São sociais-democratas, ambientalistas, liberais e conservadores. O texto chama o combate ao antissemitismo de “uma tarefa conjunta de todos os democratas”.
  • IHRA: a definição de trabalho de antissemitismo da Aliança Internacional para a Memória do Holocausto foi adotada por mais de 40 países. Eles são governados por trabalhistas, liberais, sociais-democratas e conservadores.

As Diretrizes Globais para Combater o Antissemitismo, de 2024, dizem: o antissemitismo “pode surgir em todo o espectro político e deve ser rejeitado sem viés político e independentemente de sua origem”.

A extrema direita também espalha antissemitismo?

Sim. O INSS, instituto de segurança nacional ligado à Universidade de Tel Aviv, registra formas de antissemitismo típicas da extrema direita:

  • conspirações sobre “controle judaico” de bancos e da mídia;
  • acusações de que judeus conspirariam para destruir o caráter branco ou cristão dos Estados Unidos;
  • teorias de “substituição populacional”.

Na Alemanha, o INSS também registrou ativistas de extrema direita com suásticas e discurso de ódio contra judeus e Israel depois de 7 de outubro de 2023.

A frase trata a extrema direita como dona da causa. Na verdade, ela é uma das fontes do problema.

De onde veio a onda de antissemitismo depois de 7 de outubro?

O ataque terrorista do Hamas em 7 de outubro de 2023 foi seguido por uma explosão de ódio contra judeus no mundo.

  • O governo de Israel registrou alta de 500% no volume global de incidentes antissemitas nas três semanas seguintes, em comparação com o mesmo período do ano anterior.
  • Um relatório do Knesset apontou alta de 330% em ataques violentos, 660% em assédio, 300% em ameaças e 128% em profanação de locais sagrados.
  • O INSS mediu altas de 500% no Reino Unido, 400% na Alemanha, 813% nos Países Baixos e 430% nos EUA entre outubro e dezembro de 2023.
  • Na Alemanha, foram 994 incidentes entre 7 de outubro e 9 de novembro de 2023. Isso dá uma média de 29 por dia e um aumento de 320% em relação a 2022. Do total, 91% usavam Israel como pretexto para atacar judeus.

O INSS atribui grande parte desses episódios a atos apresentados como pró-palestinos, ligados a facções islamistas e à esquerda radical. Também registra a extrema direita. O ódio vem de várias direções.

Por que essa frase é usada no debate?

A frase aparece em discussões sobre a aproximação de partidos de direita com entidades judaicas. Também surge em protestos anti-Israel e no debate sobre quando o antissionismo vira antissemitismo. O recado implícito é que quem denuncia antissemitismo estaria fazendo o jogo da extrema direita.

O efeito é desqualificar o denunciante sem examinar a denúncia. O fato denunciado continua sem resposta. A vítima, quase sempre uma pessoa ou comunidade judaica, fica sem defesa.

O INSS lembra que o antissionismo que persegue judeus como grupo não é mera opinião política. Isso inclui intimidar comunidades judaicas, excluir estudantes judeus ou negar aos judeus direitos coletivos que se reconhecem a outros povos. Isso não quer dizer que toda crítica a um governo israelense seja antissemita. Quer dizer que o ataque a judeus não muda de natureza por vir com um rótulo político.

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Combater o antissemitismo não tem dono: é um compromisso que reúne governos e partidos de campos diferentes. No Bundestag, SPD, Verdes, FDP e CDU/CSU apresentaram juntos a resolução de 2024. E a extrema direita é uma das fontes do ódio aos judeus.Até 280 caracteres, para responder nas redes

Em mais detalhe

A afirmação mistura duas questões diferentes.

1. Há uso político do tema? Sim. Existem políticos, em vários campos, que usam o antissemitismo para ganho próprio. Quem vê só esses casos tende a generalizar. Mas o uso oportunista por alguns não transforma a causa em propriedade deles.

2. Quem pratica o antissemitismo e quem o combate? Os dados mostram várias fontes de ódio. O INSS registra a extrema direita, com conspirações sobre bancos e mídia, “substituição populacional” e suásticas. Registra também facções islamistas e a esquerda radical, responsáveis por grande parte dos incidentes após 7 de outubro. O combate também é plural. Ele inclui o governo democrata dos EUA, a coalizão de centro-esquerda e a oposição conservadora na Alemanha, e mais de 40 países que adotaram a definição da IHRA.

O INSS reuniu lideranças judaicas da América do Norte, da Europa e da América do Sul. O relatório afirma que judeus e israelenses não são responsáveis pelo antissemitismo. Organizações judaicas não formam um bloco alinhado a um partido. O que as une é a defesa da vida judaica.

Proteger judeus é dever de qualquer democrata, como diz o Bundestag. Rotular essa defesa como “coisa da extrema direita” não protege ninguém. Só tira o foco de quem ataca.

Se for responder, evite:
  • Não diga que toda crítica a um governo israelense é antissemita.
  • Não diga que o antissemitismo vem só da esquerda ou só de muçulmanos. Os dados mostram várias fontes, inclusive a extrema direita.
  • Não generalize muçulmanos nem árabes. O INSS fala de facções islamistas, não de uma religião ou de um povo.
  • Não negue que há políticos que exploram o tema. Reconhecer isso fortalece o argumento.

Perguntas frequentes

Combater o antissemitismo é coisa de direita?
Não. A primeira estratégia nacional dos EUA contra o antissemitismo foi lançada em 2023 pelo governo democrata de Biden-Harris. Na Alemanha, SPD, Verdes, FDP e CDU/CSU apresentaram juntos a resolução de 2024 que chama o tema de tarefa de todos os democratas.
A extrema direita é antissemita?
Parte dela, sim. O INSS registra na extrema direita conspirações sobre “controle judaico” de bancos e da mídia e teorias de “substituição populacional”. Na Alemanha, o instituto registrou suásticas em atos de extrema direita depois de 7 de outubro de 2023.
Quanto cresceu o antissemitismo depois de 7 de outubro?
Segundo o governo de Israel, o volume global de incidentes antissemitas subiu 500% nas três semanas após o ataque do Hamas. O Knesset registrou alta de 330% em ataques violentos e de 660% em assédio.
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