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Os judeus etíopes e as Operações Moisés e Salomão

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Foto: Operação Salomão, imagem dos arquivos das Forças de Defesa de Israel. Michael Zarfati · CC BY-SA 3.0 · Wikimedia Commons
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Os judeus etíopes, chamados Beta Israel (“Casa de Israel”), viveram por séculos isolados na Etiópia e preservaram práticas judaicas baseadas na Torá. Israel os reconheceu como judeus nas décadas de 1970 e 1980. A maioria chegou por duas pontes aéreas. A Operação Moisés (1984-1985) levou cerca de 8.000 pessoas a partir do Sudão. A Operação Salomão (maio de 1991) resgatou mais de 14.000 em 36 horas.

Quem são os judeus etíopes?

Os judeus etíopes são a comunidade Beta Israel (“Casa de Israel”), que viveu por séculos na Etiópia e manteve uma vida religiosa judaica baseada na Torá.

Hoje a imensa maioria vive em Israel. Segundo o Departamento Central de Estatísticas de Israel, a população de origem etíope somava 177.600 pessoas no fim de 2024. Quase metade já nasceu em Israel.

A comunidade mantém tradições próprias. Uma delas é o Sigd, feriado comunitário que hoje faz parte do calendário israelense. O Departamento Central de Estatísticas publica seus dados sobre a comunidade nessa data.

Qual a origem dos judeus etíopes e de quem são descendentes?

Os judeus etíopes se veem como parte do povo judeu. O Estado de Israel e o seu Rabinato Principal reconheceram formalmente essa identidade.

Os principais fatos são estes:

  • Isolamento: a comunidade viveu separada de outros centros judaicos durante séculos.
  • Continuidade religiosa: mesmo assim, preservou tradições e práticas baseadas na Torá.
  • Reconhecimento: nas décadas de 1970 e 1980, decisões do Rabinato Principal de Israel e do governo reconheceram os Beta Israel como judeus.
  • Direito de imigrar: com o reconhecimento, a comunidade passou a ter direito à imigração pela Lei do Retorno, a mesma que vale para judeus de qualquer país.

O reconhecimento abriu caminho para a imigração em massa dos anos seguintes.

O que foi a Operação Moisés?

A Operação Moisés (Mivtza Moshe) foi uma ponte aérea secreta. Entre novembro de 1984 e janeiro de 1985, ela levou judeus etíopes de campos de refugiados no Sudão para Israel.

  • Contexto: a Etiópia vivia fome extrema e instabilidade política.
  • A travessia: milhares de judeus etíopes fizeram longas e perigosas caminhadas a pé até os campos no Sudão.
  • A operação: o governo de Israel, as Forças de Defesa de Israel (FDI) e o Mossad coordenaram o resgate, com apoio dos Estados Unidos. Aviões levaram os refugiados a partir do Sudão.
  • Resultado: as estimativas variam entre cerca de 8.000 e 8.300 imigrantes que chegaram a Israel.

A operação mostrou que Israel age para trazer judeus em perigo, de qualquer origem, para casa.

O que foi a Operação Salomão?

A Operação Salomão (Mivtza Shlomo) foi um resgate de emergência realizado em 24 e 25 de maio de 1991. Em apenas 36 horas, ela levou mais de 14.000 judeus etíopes de Adis Abeba para Israel.

  • Contexto: o regime Derg, de Mengistu Haile Mariam, estava em colapso. Forças rebeldes avançavam sobre a capital, Adis Abeba.
  • A ponte aérea: aviões de transporte militar e aviões comerciais da El Al voaram sem parar, direto de Adis Abeba ao Aeroporto Ben Gurion.
  • Resultado: mais de 14.000 pessoas foram resgatadas em um único fim de semana. Contando toda a onda de 1991, chegaram cerca de 20.000 imigrantes.

A operação recebeu o nome do rei bíblico Salomão, assim como a de 1984 recebeu o de Moisés.

Quem são os Falash Mura?

Os Falash Mura são etíopes cujos antepassados judeus se converteram ao cristianismo, muitas vezes sob coerção. Mais tarde, eles voltaram às práticas judaicas e buscaram se reunir com familiares em Israel.

A imigração desse grupo gerou intensos debates políticos, religiosos e orçamentários no governo israelense. Decisões específicas do governo passaram a autorizar a vinda de famílias com laços comprovados.

A chegada ocorreu em voos menores e contínuos, não em uma grande operação única. Parte da comunidade em Israel cobrou mais rapidez do governo.

Quantos judeus etíopes vivem em Israel hoje?

Segundo o Departamento Central de Estatísticas de Israel, viviam no país 177.600 pessoas de origem etíope no fim de 2024.

IndicadorNúmero
População de origem etíope, fim de 2019155.300
População de origem etíope, fim de 2024177.600
Nascidos na Etiópia (2024)93.400 (52,6%)
Nascidos em Israel (2024)84.200 (47,4%)
Residentes no Distrito Central37,2%
Residentes no Distrito Sul27,4%

Os dois distritos somam cerca de 64,6% da comunidade. Há concentrações expressivas em Netanya, Rishon LeZion, Beer Sheva, Petah Tikva e Kiryat Malakhi.

Quais desafios os judeus etíopes enfrentaram em Israel e como o Estado respondeu?

A integração enfrentou obstáculos reais. Entre eles estavam diferenças de renda, barreiras de idioma, lacunas no desempenho escolar, pouca presença em cargos públicos e episódios de discriminação.

Protestos de 2015. Em abril de 2015, uma gravação mostrou policiais agredindo o soldado etíope-israelense Damas Fekadeh. O vídeo provocou grandes manifestações em Tel Aviv e Jerusalém contra o racismo e a violência policial.

Respostas do governo:

  • Resoluções nº 1300 (2014), nº 19 e nº 609 (2015): criaram o programa quinquenal “Derech Hadasha” (“Nova Via”), coordenado pelo Escritório do Primeiro-Ministro. O plano visa a mobilidade social, melhores resultados no exame escolar Bagrut e empregos qualificados.
  • Programa SPACE: gerido pelo Ethiopian National Project, atende por ano até 25% dos estudantes etíopes do ensino médio, com reforço acadêmico e socioemocional.
  • Resolução nº 1107 (fevereiro de 2016): criou um comitê interministerial contra o racismo dirigido a cidadãos de origem etíope. Emi Palmor, secretária-geral do Ministério da Justiça, presidiu o comitê.
  • Resolução nº 1958 (agosto de 2016): aprovou o Relatório Palmor e criou a Unidade Nacional de Coordenação de Combate ao Racismo, no Ministério da Justiça, sob a liderança do advogado Aweke Kobi Zena. A unidade fiscaliza a discriminação no serviço público, leva a história dos judeus etíopes aos currículos escolares e incentiva a representatividade na mídia e na cultura.

Israel reconheceu o problema e criou políticas de Estado para enfrentá-lo.

Quais são os grupos de judeus e o que os etíopes mostram sobre Israel?

Israel reúne judeus asquenazes, sefarditas, mizrahim e de origem etíope. As famílias mizrahim e sefarditas vieram de países como Iraque, Iêmen, Egito, Síria, Marrocos, Líbia, Tunísia, Argélia e Irã. Muitas emigraram ou foram expulsas de países árabes e islâmicos entre 1948 e 1970.

Circula nas redes a alegação de que “os judeus de Israel são europeus brancos”, às vezes ligada à tese de que descendem dos khazares. Os judeus etíopes, sozinhos, já desmentem a primeira parte. A genética desmente a segunda. Um estudo de Behar e colegas, publicado em 2013 na Human Biology, analisou 1.774 amostras de 106 populações e não encontrou contribuição khazar significativa (Wayne State Digital Commons). Em 2022, o DNA de judeus medievais de Erfurt confirmou a ancestralidade compartilhada com o Oriente Médio (Harvard Medical School).

Direitos de um povo, porém, não dependem de exame de DNA. O povo judeu se define por história, língua, religião e memória. É também nesse sentido que os Beta Israel fazem parte dele.

Linha do tempo

  1. Décadas de 1970-1980O Rabinato Principal e o governo de Israel reconhecem os Beta Israel como judeus, com direito à Lei do Retorno.
  2. 1984-1985Operação Moisés: ponte aérea secreta a partir do Sudão, com apoio dos EUA, leva entre 8.000 e 8.300 imigrantes a Israel.
  3. 1991Operação Salomão (24-25 de maio): mais de 14.000 pessoas resgatadas de Adis Abeba em 36 horas; cerca de 20.000 chegam na onda daquele ano.
  4. 2014-2015Resoluções nº 1300, 19 e 609 criam o programa quinquenal “Derech Hadasha”.
  5. 2015Protestos em Tel Aviv e Jerusalém após o vídeo da agressão policial ao soldado Damas Fekadeh.
  6. 2016Resoluções nº 1107 e nº 1958: Relatório Palmor e criação da Unidade Nacional de Coordenação de Combate ao Racismo.
  7. 2024A população de origem etíope em Israel chega a 177.600 pessoas, segundo o Departamento Central de Estatísticas.

Perguntas frequentes

O que foi a Operação Moisés?
Foi uma ponte aérea secreta, entre novembro de 1984 e janeiro de 1985, que levou judeus etíopes de campos de refugiados no Sudão para Israel. Ela foi coordenada pelo governo israelense, pelas FDI e pelo Mossad, com apoio dos Estados Unidos. Os judeus fugiam da fome e da instabilidade na Etiópia. As estimativas falam em 8.000 a 8.300 imigrantes.
O que aconteceu na Operação Salomão?
Em 24 e 25 de maio de 1991, enquanto o regime de Mengistu Haile Mariam desabava e rebeldes avançavam sobre Adis Abeba, Israel montou uma ponte aérea ininterrupta. Aviões militares e da El Al levaram mais de 14.000 pessoas ao Aeroporto Ben Gurion em apenas 36 horas. Na onda de 1991 chegaram cerca de 20.000 imigrantes.
Quem são os judeus etíopes?
São a comunidade Beta Israel (“Casa de Israel”), que viveu por séculos isolada na Etiópia, preservando práticas judaicas baseadas na Torá. Israel os reconheceu como judeus nas décadas de 1970 e 1980, com direito à Lei do Retorno. No fim de 2024, segundo o Departamento Central de Estatísticas de Israel, viviam no país 177.600 pessoas de origem etíope.
Quais são os principais grupos de judeus?
Em Israel convivem judeus asquenazes, sefarditas, mizrahim e de origem etíope. Os mizrahim e sefarditas vieram de países como Iraque, Iêmen, Marrocos e Irã. Muitos emigraram ou foram expulsos de países árabes e islâmicos entre 1948 e 1970. Os Beta Israel, da Etiópia, mostram que o povo judeu não é um bloco “europeu”, ao contrário do que alguns alegam.

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