JJOJuventude JudaicaOrganizada
Jardins Bahá'í em Haifa
Início › Fatos › Haifa: convivência entre judeus e árabes no norte de Israel
Fatos, com fonte

Haifa: convivência entre judeus e árabes no norte de Israel

Leitura: 4 minFontes: 0
Foto: Jardins Bahá'í em Haifa. ליזי שאנן · CC BY 2.5 · Wikimedia Commons
🎧 Ouça esta página · 8 minA página inteira em áudio, para ouvir no caminho. Narração com vozes sintéticas.
Enviar por WhatsApp
Nesta página
Resposta curta

Haifa, no norte de Israel, é uma das principais cidades mistas históricas do país. É também um dos modelos mais citados de convivência entre judeus e árabes. Os árabes eram 11,2% dos moradores em 2018, contra 10,2% em 2008. Cidadãos árabes trabalham na prefeitura, têm cadeiras no Conselho Municipal e ocupam vice-prefeituras. A cidade mantém centros de diálogo como o Beit Ha'Gefen.

Qual é a cidade de Haifa em Israel?

Haifa é uma cidade do norte de Israel. Ela é reconhecida como um dos principais modelos de convivência e integração cívica entre judeus e árabes no país.

O Departamento Central de Estatísticas de Israel (CBS) e órgãos de pesquisa classificam Haifa como cidade mista. O termo designa municípios em que judeus e árabes vivem lado a lado, com bairros e instituições compartilhados. Haifa aparece entre as principais cidades mistas históricas de Israel.

A comparação com Tel Aviv-Jafa ajuda a entender esse peso. Tel Aviv-Jafa também é oficialmente uma cidade mista, mas lá a população árabe fica em cerca de 4,4% a 4,5% do município e se concentra sobretudo em Jafa. Em Haifa, a presença árabe é proporcionalmente bem maior.

Qual a população de Haifa em Israel?

O dado mais claro sobre a composição de Haifa é a parcela de moradores árabes: 11,2% em 2018, contra 10,2% em 2008. Essa proporção cresceu no período.

A cidade tem maioria judaica e uma minoria árabe formada por cristãos e muçulmanos. Estudos acadêmicos destacam justamente a integração dessas duas comunidades árabes na vida da cidade.

O crescimento da presença árabe aparece também no funcionalismo municipal:

Indicador20082018
Moradores árabes (% da população)10,2%11,2%
Funcionários árabes da prefeitura572843
Total de servidores municipais4.6235.606
Fatia árabe no funcionalismo12,3%15,0%

Em 2018, a participação de árabes entre os servidores (15,0%) era maior que a participação de árabes na população (11,2%).

Como está a cidade de Haifa hoje?

Haifa segue como referência de convivência cívica entre judeus e árabes, inclusive em períodos de crise nacional.

Depois de outubro de 2023, com a guerra iniciada pelo ataque terrorista do Hamas contra Israel, o país viveu um período de forte tensão. Mesmo assim, as relações do dia a dia e o trabalho conjunto entre cidadãos judeus e árabes em cidades mistas como Haifa ficaram relativamente estáveis. Contribuíram para isso:

  • o apoio de órgãos governamentais de desenvolvimento;
  • declarações de cooperação entre lideranças locais judaicas e árabes.

A vida institucional também mostra essa integração. Em 2018, representantes árabes ocupavam 3 das 31 cadeiras do Conselho Municipal de Haifa, quase um décimo do conselho. A cidade tem ainda um histórico contínuo de nomear vice-prefeitos árabes ao lado de vice-prefeitos judeus.

Qual a relação entre judeus e árabes em Haifa?

Em Haifa, a relação entre judeus e árabes é marcada por convivência diária, trabalho conjunto e instituições criadas para o diálogo.

Pesquisa acadêmica. Estudos sociológicos, como o de Ahmad Diab e colegas (2022), mostram que o ambiente urbano consolidado de Haifa favorece altos níveis de integração em quatro dimensões: econômica, social, cultural e emocional. Isso vale sobretudo para as populações cristã e muçulmana locais. A integração é maior do que em cidades mistas de formação mais recente.

Opinião pública. Levantamentos do sociólogo Sammy Smooha indicam que a convivência diária nas cidades mistas reforça:

  • a adesão ao princípio da coexistência;
  • o uso exclusivo de meios democráticos para resolver conflitos;
  • o desejo de manter relações pessoais voluntárias entre judeus e árabes.

Cultura e sociedade civil. O Beit Ha'Gefen, centro cultural árabe-judaico de Haifa, é apartidário e recebe recursos da Prefeitura de Haifa e do Ministério da Cultura e Esporte. Ele cria espaços de encontro e promove o diálogo entre as comunidades. A cidade sedia o Mossawa Center, que defende os direitos dos cidadãos árabes, e conta com iniciativas da The Abraham Fund Initiatives, fundada em 1989 e dedicada à igualdade e à convivência cívica.

Um israelense é árabe?

Sim, muitos israelenses são árabes. Israel tem cidadãos árabes, cristãos e muçulmanos, e outras minorias com plena participação na vida pública.

Haifa é um exemplo claro disso. Cidadãos árabes votam e são eleitos para o Conselho Municipal, trabalham na prefeitura e chegam a vice-prefeito. Também mantêm organizações próprias de defesa de direitos, como o Mossawa Center.

Israel também tem outras minorias. Os drusos, uma minoria etnorreligiosa distinta, são cerca de 2% da população do país:

  • Desde 1956, os homens drusos cumprem serviço militar obrigatório nas Forças de Defesa de Israel (FDI). A regra veio de entendimentos entre lideranças da comunidade e o governo.
  • Cerca de 60% dos homens drusos servem nas forças armadas.
  • Mais de 430 soldados drusos morreram em combate a serviço do Estado.
  • Drusos chegaram ao alto comando militar, como o major-general Ghassan Alian, ex-comandante da Brigada Golani.

O governo e a Autoridade de Inovação de Israel mantêm programas para as comunidades drusas da Galileia e do Carmel. Entre eles estão iniciativas de NIS 25 milhões para empreendedorismo em alta tecnologia e o centro DTech, voltado a veteranos drusos.

Por que árabes e judeus teriam grande rivalidade?

A ideia de uma rivalidade inevitável entre árabes e judeus é uma generalização que a realidade de Haifa desmente. Judeus e árabes convivem, trabalham juntos e governam juntos a cidade.

Os conflitos reais da região têm atores e escolhas concretas. Um exemplo é o terrorismo do Hamas, grupo que atacou Israel em outubro de 2023. Esses conflitos não decorrem de uma suposta inimizade natural entre povos ou religiões.

As pesquisas de Sammy Smooha mostram que a convivência cotidiana fortalece o apoio à coexistência e à solução democrática de conflitos. Os estudos sobre Haifa apontam integração elevada, inclusive emocional, entre judeus e árabes cristãos e muçulmanos.

A JJO combate o antissemitismo sem ódio a nenhum povo ou religião. Haifa mostra que defender o Estado judeu e defender a convivência com os cidadãos árabes de Israel são compromissos que andam juntos.

Linha do tempo

  1. 1956Homens drusos passam a cumprir serviço militar obrigatório nas FDI.
  2. 1989Fundação da The Abraham Fund Initiatives, dedicada à igualdade e à convivência cívica.
  3. 2008Árabes são 10,2% dos moradores de Haifa e 12,3% dos servidores municipais.
  4. 2018Árabes chegam a 11,2% da população e a 15,0% dos servidores. Ocupam 3 das 31 cadeiras do Conselho Municipal.
  5. 2022Estudo de Ahmad Diab e colegas aponta alta integração de cristãos e muçulmanos em Haifa.
  6. 2023Após outubro, as relações entre judeus e árabes em Haifa se mantêm relativamente estáveis apesar da guerra.

Perguntas frequentes

Haifa é uma cidade mista?
Sim. O Departamento Central de Estatísticas de Israel classifica Haifa como cidade mista. O termo designa municípios em que judeus e árabes vivem lado a lado. Haifa está entre as principais cidades mistas históricas do país. Os moradores árabes eram 11,2% da população em 2018, e essa proporção vinha crescendo de forma contínua desde 2008.
Árabes participam da política em Haifa?
Sim. Em 2018, representantes árabes ocupavam 3 das 31 cadeiras do Conselho Municipal de Haifa, quase um décimo do conselho. A cidade também tem um histórico contínuo de nomear vice-prefeitos árabes ao lado de vice-prefeitos judeus. Na prefeitura, os árabes eram 15,0% dos servidores em 2018.
O que é o Beit Ha'Gefen?
O Beit Ha'Gefen é um centro cultural árabe-judaico de Haifa. É apartidário e recebe recursos da Prefeitura de Haifa e do Ministério da Cultura e Esporte de Israel. Ele cria espaços de encontro entre judeus e árabes e promove o diálogo intercultural e a compreensão mútua entre as comunidades da cidade.
O que aconteceu em Haifa depois de outubro de 2023?
Mesmo com a guerra iniciada pelo ataque terrorista do Hamas, as relações do dia a dia e o trabalho conjunto entre cidadãos judeus e árabes em cidades mistas como Haifa ficaram relativamente estáveis. Contribuíram para isso o apoio de órgãos governamentais de desenvolvimento e declarações de cooperação entre lideranças locais.

Assista

Israel Legal - Dia de JerusalémFIERJ Assuntos Gerais

Reportagem curta da FIERJ sobre o Yom Yerushalayim, o Dia de Jerusalém, que marca a reunificação da cidade na Guerra dos Seis Dias em 1967. Mostra a celebração nas ruas e o Kotel (Muro Ocidental) como centro espiritual do povo judeu.

Adolescentes e adultos
How the Druze Just Changed Everything About Israel’s StrategyToday Unpacked · em inglês, com legendas em português

Áudio em outro idioma, com legendas. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Português.

Explica quem são os drusos, sua história no Golã, na Galileia, na Síria e no Líbano, e por que Israel interveio em 2025 para protegê-los no sul da Síria. Inclui o ataque do Hezbollah em Majdal Shams, que matou 11 crianças drusas.

Adolescentes e adultos
Também em inglês: mais 2 vídeos sobre o tema

Em inglês, sem legendas em português feitas pelo canal (o YouTube oferece tradução automática).

COMO É O SHABBAT? O que os judeus fazem no sábado?Israel com a Aline · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

A guia Aline, em sua casa em Jerusalém, explica a origem bíblica do Shabat, as atividades proibidas e soluções do dia a dia, como a placa térmica e o elevador de Shabat. Depois demonstra o acendimento das velas, o kidush, a lavagem das mãos e a bênção das chalot.

Adolescentes e adultos
What Really Killed Oslo?Unpacking Israeli History · em inglês

Em inglês. Para ver em português: no player, toque em ⚙️ › Legendas › Traduzir automaticamente › Português.

O historiador Haviv Rettig Gur analisa com Noam Weissman o contexto dos Acordos de Oslo, o duplo discurso e o terrorismo de Arafat, o assassinato de Yitzhak Rabin em 1995 e por que a onda de atentados suicidas fez a sociedade israelense deixar de acreditar no processo de paz. Também traça o perfil de Rabin como militar e estadista.

Adultos

Todos os vídeos por tema →

Fontes
    Revisado pela equipe da JJO, atualizado em . Toda afirmação tem fonte. Encontrou um erro? Peça uma correção.